Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

Desaprovação do presidente

Todos sabemos que o presidente Jair Bolsonaro utilizou grandemente as redes sociais para se eleger. Porém sabemos agora também que o presidente eleito se está perdendo pelo uso irresponsável dessas mesmas redes, quando a figura de estadista deveria preservar-se, evitando corriqueiras e mesquinhas manifestações, mais infantis do que maduras, mais sem propósito do que comprometidas com as necessidades nacionais de seriedade e sobriedade política.

MARCELO GOMES JORGE FERES

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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Feliz ou infelizmente, Bolsonaro é o presidente do Brasil e já cumpriu sua missão maior, que era impedir a continuidade do bolivarianismo no nosso país. De qualquer forma, temos o dever de apoiar o seu governo, mesmo porque já se sabia que não se podia esperar grande coisa de Bolsonaro. Afinal, os votos dos seus seguidores “ideológicos” não teriam sido suficientes para elegê-lo, foram necessários os de quem nele votou para evitar que a esquerda seguisse no governo. Mas se continuar desconsiderando que foi eleito com base em sua promessa de termos um governo republicano com uma base profissional (representada pelos militares), liberal economicamente (representada por Paulo Guedes) e voltado para a justiça e a segurança pública (representadas por Sergio Moro), fica complicado... Está na hora de Bolsonaro perder o cacoete de congressista inoperante cujas tiradas não tinham maiores consequências, bem como o de pai de família cujo maior interesse sempre foi o bem dos filhos. Hoje suas ações repercutem no País e no exterior e sua obrigação é com todas as famílias brasileiras e o Brasil. Se ele continuar pensando pequeno e agindo intempestivamente, vai acabar se tornando parte do problema, em vez, como precisamos e pelo que torcemos, de ser o encaminhador das soluções para o desenvolvimento do Brasil.

JORGE R. S. ALVES

jorgersalves@gmail.com

Jaú

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MEIO AMBIENTE

Ouro verde em chamas

O presidente Bolsonaro tem que admitir que a Amazônia não é simplesmente patrimônio nacional, mas mundial, uma vez que suas dimensões abrangem 7% da superfície do planeta, o bioma abriga 50% da biodiversidade mundial e se trata da maior floresta tropical do mundo. Será que o capitão presidente, mesmo diante das manifestações dos líderes mundiais contra as queimadas e o desmatamento, não se conscientizará do que acontece, em toda a sua extensão? Foi preciso que lideranças internacionais ameaçassem com retaliação econômica, principalmente contra as exportações do agronegócio, para que providências fossem tomadas e o presidente baixasse o tom de suas manifestações. 

ARNALDO L. DE OLIVEIRA FILHO

arluolf@hotmail.com

Itapeva 

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Combate ao fogo

O envio de tropas para combater o fogo, agora, em fins de agosto, no auge da seca e dos incêndios, é um patético gesto pra inglês ver. Pela minha experiência, o trabalho preventivo – principalmente aceiros – deveria ter sido empreendido nos meses anteriores à seca. Agora, e até outubro, pouquíssimo se poderá fazer em meio ao inferno de labaredas, calor e fumaça, além de expor inutilmente nossos pracinhas e aviadores ao perigo.

JOHN CONINGHAM NETTO

maria.coningham@gmail.com

Campinas

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Frota anti-incêndio

Excelente a ideia de uma frota internacional anti-incêndio, do leitor sr. Herbert Halbsgut (26/8). Mas fico pensando: quanto tempo demoraria para que, nesta nossa terra do jeitinho e da tolerância, esses aviões fossem desviados pelos responsáveis (ou irresponsáveis) de plantão para irem cuidar do seus cabelos em outros Estados?

EDDA SIGNE MOBUS

signe@terra.com.br

São Paulo

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Leis fracas?

Tenho visto comentários sobre as leis ambientais serem fracas no Brasil. Acho que não. Vejam: se alguém cortar uma árvore na sua propriedade, é multado. Se pedir o corte de dez árvores, isso demora mais de ano, e terá de replantar muito mais. O Código Florestal é o mais rígido do mundo. Ele exige manter áreas de proteção ambiental, resguardar um mínimo de 20% de reserva no campo. O plantador de cana não pode queimar, o que o obriga a mecanizar (excluindo mão de obra). As cidades, paradoxalmente, podem mandar esgoto para os rios... Há queimadas, claro, mas, na minha opinião, não é o presidente Bolsonaro que as favorece. É, sim, o “sistema” de corrupção, que cria dificuldades para liberar projetos, o que acaba tornando-os mais caros e demorados.

JEAN PHILIPPE STOCK

jpstock46@gmail.com

Louveira

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EM SÃO PAULO

Tietê-Pinheiros 

No editorial Um rio à espera de ressurreição (22/8, A3) foi dito que grande parte do lixo depositado no Rio Tietê é de origem doméstica. A esse respeito, o próprio presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Benedito Braga, reafirmou recentemente que o lixo é o responsável por quase metade da poluição do rio Pinheiros, o que é verdade. Isso significa que todo o esforço da Sabesp, associada ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), à Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) e outros atores na coleta e no tratamento de esgotos, caso haja sucesso, só permitirá resolver, no máximo, metade do problema da poluição desse rio, uma vez que, como salienta o editorial, “a própria população precisa avançar muito em sua consciência ambiental e civilidade”. Como isso dificilmente se verificará em curto prazo, e também dada a falta de integração dos municípios banhados pelo rio, penso ser muito complicado falar do Pinheiros, o principal afluente do Tietê, limpo até 2022, como o governo do Estado de São Paulo apregoa. No máximo, teremos um Pinheiros melhorzinho.

JOSÉ EDUARDO W. DE A. CAVALCANTI, engenheiro

jewac@bol.com.br

São Paulo

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Despoluição dos rios

Pelo editorial Um rio à espera de ressurreição se vê que é inócua qualquer medida de despoluição de cursos d’água que não envolva a redução ou mitigação de dejetos jogados na fonte. Ou seja, remover entulho e lixo do Pinheiros ou do Tietê já poluídos é importante, mas devem-se implementar sistemas de tratamento dos esgotos antes de seu despejo nos rios. Isso, porém, não dá visibilidade...

ADILSON ROBERTO GONÇALVES

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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“Assim como os ministros não têm carta branca 

para atuar, é importante que o presidente da República entenda que ele também não tem. Afinal, quem está acima de tudo 

e de todos são os eleitores”

MANOEL BRAGA / MATÃO, SOBRE O AUMENTO DA DESAPROVAÇÃO DO DESEMPENHO DE BOLSONARO

manoelbraga@mecpar.com

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“Qual a necessidade de autorizar novos sindicatos? Já não temos o suficiente?”

MARIA DO CARMO ZAFFALON LEME CARDOSO / BAURU, 

SOBRE A REDUÇÃO DOS PEDIDOS DE ABERTURA DESSE TIPO 

DE ENTIDADE DEPOIS DA EXTINÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SINDICAL OBRIGATÓRIA

zaffalon@uol.com.br

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

MANIFESTAÇÕES

Observados dois eixos divergentes de manifestações em várias metrópoles brasileiras durante o último fim de semana. Num deles, viu-se grupos focados no combate à corrupção, no apoio à Operação Lava Jato e nos projetos anticrime chancelados pelo ministro Sergio Moro, com referências adicionais à triste atuação do Congresso Nacional, ao aprovar furtivamente uma Lei de Abuso de Autoridade claramente direcionada à blindagem de muitos de seus membros, envolvidos em processos na Justiça, e a algumas atitudes desconcertantes da nossa Corte suprema (Ato na Paulista pede veto à Lei de Abuso de Autoridade e defende Lava Jato, 25/8). Na outra vertente, artistas, intelectuais e seguidores criticavam o governo, particularmente em relação à questão ambiental, com ênfase às preocupantes queimadas na Amazônia, embora exploradas de maneira suspeita, principalmente pelo presidente francês em encontro das potências e por celebridades sem o menor conhecimento do problema, através da utilização de fotos e dados falsos (São Paulo, Rio e Salvador têm protestos contra incêndios na Amazônia, 23/8). As concentrações foram marcadas por ordem e respeito aos participantes. É o Brasil praticando sua democracia e liberdade de expressão, cujas supressões vários fanáticos da esquerda felizmente derrotada juraram que ocorreria.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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EMPENHO CONTRA A CORRUPÇÃO

As manifestações da cidadania, espontâneas e organizadas pelas redes sociais são, sem a menor dúvida, um progresso da democracia. São uma inovação. Em pauta estiveram críticas à Lei de Abuso de Autoridade, solicitando o seu veto, pedidos de impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli e o apoio ao Ministro da Justiça e da Segurança, Sergio Moro. Resumem empenho contra a corrupção.

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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COMBATER QUEIMADAS

Os países mais ricos do mundo, G7, decidiram ajudar a combater as queimadas na Amazônia (G7 anuncia ajuda de R$ 87 milhões para Amazônia, 26/8). Essa decisão ocorreu de forma unilateral, sem que o Brasil houvesse pedido qualquer ajuda ou ao menos participado da reunião, isso constitui uma inédita intervenção na soberania nacional. As queimadas na Amazônia, que preocupam o mundo todo, são causadas pela mão do homem, não são obra da natureza. A melhor forma de combatê-las é evitar que grileiros, posseiros, mineradores ilegais joguem gasolina na floresta seca e acendam um fósforo. Uma vez iniciado o incêndio é muito mais difícil de controlar. Para impedir definitivamente as queimadas é preciso criar legislação proibindo o uso do fogo como instrumento de manejo do solo. O Brasil já eliminou a queimada no cultivo da cana de açúcar e deverá fazer o mesmo nas demais culturas, proibindo o uso do fogo como instrumento de manejo do solo em todo o território nacional. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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CEGUEIRA

Nada mais simbólico do que o farol no pontal de Saint-Martin, no sofisticado balneário de Biarritz. Resistir às tempestades e indicar o caminho em meio à névoa da incerteza internacional. Entretanto, os líderes mundiais reunidos para olhar ao futuro parecem não estar à altura do desafio. A cegueira das trevas políticas prevalece na falta de harmonia do barco em direção ao rochedo, apesar da noite iluminada com a luz da razão.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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FAÍSCAS INTERNACIONAIS

Os presidentes do Brasil e da França, Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron, pelo menos na verborragia sobre o caso do desmatamento e das queimadas na Amazônia estão com razão no quesito “grosserias”. O primeiro disse que o segundo está se intrometendo na soberania nacional, já o segundo disse que o Brasil precisa de um presidente à altura ('O que ele está de olho na Amazônia?', diz Bolsonaro sobre Macron, 26/8). Picuinhas à parte, precisamos resolver o problema de maneira civilizada. É o que o mundo quer. Está difícil de entender?

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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CUSPINDO FOGO

O presidente precisa apagar o incêndio e não cuspir fogo. Ele conseguiu atrair a ira mundial com suas declarações estapafúrdias e fora de contexto, quando deveria mostrar preocupação e adotar medidas imediatas de combate às queimadas. É preciso relembrá-lo diariamente que agora é o presidente da República de todos os brasileiros e que no século 21 esquerda e direita são anacrônicas e torna-se necessária uma visão de futuro em prol do bem estar e sobrevivência da humanidade. Em um mundo globalizado, nacionalismo não pode ser refúgio da incompetência. Boca calada não cospe fogo e assim não engole fumaça.

José Paulo Cipullo j.cipullo@terra.com.br

São José do Rio Preto

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REALIZAÇÕES

Em face da crise na Amazônia, os governos federal e estaduais agiram muito pouco, muito tarde. O resultado foram queimadas numa escala nunca vista antes, provocando protestos internacionais justificados. Pode-se condenar o uso do desastre pelo presidente Emmanuel Macron para fins políticos, embora aconteça com frequência nas relações entre os países. O que não é normal é a atitude de confrontação do presidente Jair Bolsonaro à Europa em particular e seu comentário de mau gosto sobre Brigitte Macron. Afinal, um presidente é julgado pelas suas ações e não pela beleza, ou idade de sua esposa (No Facebook, perfil de Bolsonaro ri de ofensa à esposa de Macron, 25/8). Em questão de realizações nosso presidente está, até o momento, reprovado!

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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ABRIR AS FRONTEIRAS

Há décadas discute-se a degradação da Amazônia, as demarcações indígenas, as ameaças à biodiversidade e o contrabando generalizado na maior floresta tropical do mundo, é fato. Mas, por favor, não vamos agora, a pretexto de atingir este ou aquele presidente, abrir as fronteiras (já escancaradas) aos ambiciosos interesses internacionais. Nossa intimidade é preciosa, e é aqui, exatamente onde estamos firmados como nação, que devemos resolver as pendências naturais advindas de um território extenso e complexo. Vamos gerar, sim, debates civilizados, cobrar fiscalização, ações cabíveis, fortes e imediatas, contudo, partindo sempre da premissa de que somos irmãos com laços profundos, recíprocos, de amor e respeito.

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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PEDIDO DE SOCORRO

Bolsonaro ofereceu sua cabeça à prêmio, numa bandeja Amazônica, às ONGs, que responderam fogo com fogo. Num pronunciamento paradoxal, atacou tudo o que disse e fez desde 1° de janeiro (23/8). Fez uma autocrítica sem enrubecer, porque não sabe o que diz nem o que faz. Age como predador de si mesmo. O Brasil, perplexo, arde de febre, como as árvores amazônicas, que emitem sinais de fumaça, pedido socorro ao mundo civilizado.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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FALTA DE HONESTIDADE

Quando o presidente da França, em uma raríssima declaração, afirmou que Bolsonaro mentiu para ele, nosso presidente não gostou e procurou responder à altura. Porém, resgatando reportagens dos nossos jornais, é possível confirmar que Bolsonaro teve uma reunião paralela com o presidente francês, durante o encontro do G20 em Osaka, Japão, em junho deste ano. Nesse encontro, confirmou o seu compromisso com o Acordo de Paris e convidou o presidente francês a visitar a Amazônia. Cumpre aqui lembrar que, embora em um porcentual menor, a Floresta Amazônica chega à Guiana Francesa, o que explica o interesse do presidente francês pelo assunto. Portanto, ao assistir o inédito incêndio na Floresta Amazônica, depois do levantamento do Inpe que revelou que o desmatamento na Amazônia brasileira não só foi maior neste ano, como aumentou de velocidade, o presidente francês só pode concluir que Bolsonaro mentiu para ele. Também quando Bolsonaro afirmou que Sergio Moro teria poder para nomear quem quisesse para o seu ministério e agora afirma que não é Moro quem manda nas nomeações e sim ele, Moro terá o direito que entender que o presidente mentiu para ele quando o convidou para ser ministro. Eu, como simples cidadão, ao me lembrar que o presidente se candidatou para, entre outros temas, combater a corrupção, constatei que ele mentiu ao nomear Ricardo Salles, réu em processo sobre corrupção, como ministro do Meio Ambiente e pior, mentiu novamente quando recentemente o elogiou em uma reunião ministerial, ao mesmo tempo em que a Floresta Amazônica ardia em chamas, no maior incêndio de todos os tempos, inclusive confirmado pela Nasa. 

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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VAZIO

Lembro de várias palavrinhas que se tornaram modismos passageiros no século passado. Empregá-las era sinal de erudição. Caíram em desuso, claro. Holístico era uma delas, anecúmeno outra. Pois bem, a Amazônia é um anecúmeno, um vazio, um nada na acepção do mundo civilizado. No governo militar grandes projetos procuraram viabilizar a sua integração (“integrar para não entregar” era o mote), mas as crises do petróleo negaram os recursos necessários, restando, daquele tempo, alguma infraestrutura e o pouco visível projeto Calha Norte. Os governos pós-85 abandonaram-na, eis a verdade. Imensa, não tem produção significativa para o PIB brasileiro. Esse vazio populacional pouco produtivo é uma herança para as futuras gerações, precisa ser preservado e sua rarefeita população integrada ao Brasil mulato mas metido a branco do centro-sul. Besteira? Americanos tomaram o Texas dois séculos atrás, compraram um Alaska, à época apenas produtor de gelo e agora forçam a compra da Groenlândia. Diante da negativa do seu proprietário, o presidente americano reage revoltado. Não dá para debochar dos colonialistas de outrora.

Roberto Viana Maciel rovisa681@gmail.com

Salvador

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INTERESSE POR TRÁS DAS QUEIMADAS

O desmatamento na Amazônia Legal que compreende os Estados do Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia, Acre, Mato Grosso e parte do Maranhão se deve a poderosas organizações ligadas ao agronegócio. As terras disponíveis para o plantio de soja e pastos para o gado de corte estão se tornando cada vez mais distantes das rodovias e ferrovias. Então é partir para o desmatamento de terras devolutas que nada custam, que em última análise pertencem à União. Essas terras primeiramente têm ser limpas, primeiro derrubando as árvores de madeira de lei, transportando as toras para transformá-las em tábuas para exportação. Esse desmatamento acontece no período da seca, entre maio e setembro, pois é mais fácil para queimada. Pelas fotos e filmagens aéreas, observa-se que no meio da mata virgem as áreas devastadas são perfeitamente retangulares, retilíneas, em terreno plano próprio para o plantio. Essas organizações agrícolas criminosas estão ligadas ao agronegócio e à pecuária, que com suas doações eleitorais elegem congressistas comprometidos em defender os seus interesses escusos. Essas organizações pouco estão se importando com a ecologia e com o aquecimento global. O que querem é o retorno rápido do capital empregado no desmatamento; como tratores para abrirem estradas rudimentares no meio da floresta, com máquinas de terraplanagem, semeadeiras, potentes caminhões para suportar transportar as grossas toras de madeiras de lei nessas estradas improvisadas. Tudo isso custa muito caro. Todavia, está claro que é altamente compensador. Para eles a riqueza da Floresta Amazônica ainda está nas madeiras de lei ainda não aproveitadas e que podem ser convertidas em dinheiro. Somente após nações estrangeiras chamarem a atenção do presidente da República sobre a gravidade do problema sem saída, ele resolve tomar uma atitude, embora tardia, chamando até as forças armadas para deter o desmatamento criminoso. 

José Carlos de Castro Rio jc.rios@globo.com

São Paulo

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MINIMIZAR O ESTRAGO

Agora na área queimada da floresta amazônica não existe o que fazer, porém podemos minimizar o estrago na biodiversidade local punindo exemplarmente quem for ali encontrado explorando as áreas em qualquer atividade, possibilitando assim o retorno natural da mata nativa. Isso anulará a ganância de madeireiros, pecuaristas e demais inescrupulosos que visam lucros astronômicos, pois buscam a fertilidade natural do solo e a alta valorização da terra antes adquirida a custo irrisório.

Itamar C.Trevisani itamartrevisani@gmail.com

Jaboticabal

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ONDE ESTAVAM?

Onde estavam os petistas durante os governos do PT quando aconteceram as mesmas ou piores queimadas? Quietos e coniventes.

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas  

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EFEITOS DO DESMATAMENTO

A maior floresta tropical do mundo e toda a sua biodiversidade estão seriamente ameaçadas. Neste último mês de agosto o número de queimadas bateu recorde na região. Esse triste acontecimento gera risco para todos, inclusive para os que não habitam a região, visto que o fogo provoca emissões de gases do efeito estufa no País, o que prejudica o equilíbrio climático de todo o planeta. Desmatamento e queimadas estão completamente ligados. E o motivo para a utilização do fogo no solo é uma estratégia de “limpeza” na área derrubada, para que posteriormente possa ser utilizada na pecuária. É o conhecido ciclo de desmatamento da Amazônia, um ciclo vicioso que colabora para o aquecimento global, liberando mais CO2 na atmosfera e alimentando a emergência climática. De acordo com o Greenpeace, somente de janeiro a 20 de agosto, o número de queimadas na região foi 145% superior ao registrado no mesmo período de 2018. Quanto maior o número de desmatamento e queimadas, maiores serão as emissões de gases de efeito estufa e quanto mais o planeta aquece maior será a frequência de eventos extremos que afetam ainda mais a floresta, a biodiversidade, a agricultura e a saúde humana. Dentre tantos prejuízos, a economia do País, o clima e milhares de vida estão gravemente em risco. Além disso, há uma grande importância da preservação das áreas de floresta responsáveis pela manutenção da fauna e flora. A Amazônia regula, em boa medida, a chuva do Centro Oeste. Um desmatamento estrutural na floresta pode provocar impactos em todo o sistema de superfícies e da circulação do ar na atmosfera. (UGEDA, 2019). Estamos chegando ao limite do perigo do desmatamento da Amazônia e agir pelo fim disso tudo deve ser objetivo e obrigação de todos.

Letícia Costa Perri jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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FLORESTAS E O SER HUMANO

Centro de todas as coisas, o homem fala em preservar as florestas, “para sobreviver”.  Trata-se de intocá-las, pois evoluíram com todas as virtudes deste planeta; de interagir harmonicamente com elas (Aldous Huxley), inclusive aperfeiçoando-as por interação com as fórmulas geométricas que nossa razão foi capaz de criar. Ainda que, destruindo uma das mensagens que nos acompanharam nessa fantástica evolução, o homem-coisa sobreviva sob alvenarias cercadas de desertos, a estrutura grotesca em que se tornará corresponderá a um ser espiritualmente morto.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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REJEIÇÕES

A jornalista Eliane Cantanhede resume bem no seu artigo Fim de uma era doente (Estado, 25/8, A8) as razões das críticas negativas intensas, tanto internas como externas, às queimadas na Amazônia: são reações não propriamente às queimadas – que acontecem todo ano – mas à verborragia inconsequente e destrambelhada do presidente Jair Bolsonaro sobre diversos assuntos e que atinge níveis inaceitáveis. No entanto, a jornalista exagera, a meu ver, ao afirmar que, por conta disso, ele “po­de vi­rar o mai­or ca­bo elei­to­ral da vol­ta das esquerdas”. Na atual conjuntura, a rejeição ao PT e a seus aliados ainda supera, e de longe, a rejeição ao presidente. Ou seja, se as eleições presidenciais fossem hoje, qualquer candidato da esquerda seria derrotado num confronto direto com Bolsonaro. A maior parte da população ainda não esqueceu que o grande responsável pela maior crise econômica e social do País foram os sucessivos governos irresponsáveis do PT e o retorno da esquerda seria um desastre pior do que o incêndio da Floresta Amazônica inteira. Só um detalhe: se o PT fez algo pela Amazônia nos 13 anos em que esteve à frente do governo, foi quase nada. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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OPOSITORES COMEMORAM

A jornalista e colunista do Estadão Eliane Cantanhêde tem razão quando diz que, “com erros e retrocessos, Bolsonaro pode virar cabo eleitoral das esquerdas e do PT”. Entre outras desnecessárias crises que promove, os protestos ruidosos que vêm de toda parte do mundo, incluindo de alguns chefes de Estado, contra as inconsequências do presidente em seu desprezo ao meio ambiente, tem seu ápice, para desespero de Bolsonaro, com as queimadas da Floresta Amazônica. Presidente que somente tomou providências de enviar tropas do Exército para tentar controlar o incêndio florestal depois que o mundo ruiu sobre a imagem do Brasil. E seus opositores incluindo o PT, comemoram...

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos 

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CONTRA NEROS TROPICAIS

O Estado, um entre os mais prestigiados jornais do mundo, não poderia deixar de sê-lo, por abrigar em sua excelente equipe a “Cassandra” do moderno jornalismo que deve ser a reencarnação de uma das pitonisas de Delfos. Eliane faz uma previsão de que o presidente Bolsonaro, a continuar com suas atuações escritas e verborrágicas frente a microfones e câmeras, estará vitaminando as forças combalidas e sedentas de uma revanche que, imitando Nostradamus, nos levará a um incêndio superamazônico, do arroio Chui ao Oiapoque, da Contamana à Ponta do Seixas. Vencedor nas últimas eleições presidenciais por pequena margem de votos, cria um ambiente político salutar para o uso de suas armas. Isso sem levar em conta que nas relações internacionais, países tanto do primeiro mundo, como os menos progressistas, estarão alinhados contra os Neros tropicais.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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PELO INVERSO

Estranha a escolha de Bolsonaro para o Ministério do Meio Ambiente de uma pessoa condenada em primeira instância por crime ambiental. É verdade que até o fim desse processo não se saberá se o ministro é culpado ou inocente, mas escolher alguém assim é realmente curioso. Nosso presidente faz tudo pelo inverso e, como diz Eliane Cantanhêde, está preparando o retorno do PT ao poder.

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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PREJUÍZO AO PRESTÍGIO DO PRESIDENTE

Tudo indica que, pelo menos até agora, Bolsonaro não está se saindo melhor do que a encomenda feita a todos os brasileiros quando candidato à Presidência da República no sentido de que, se eleito, seria um verdadeiro paladino no combate intransigente ao petismo e à corrupção sistêmica espraiada em todo o governo do Brasil. Com intervenções descabidas ou pouco explicadas, seja no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), seja na Polícia Federal ou na Procuradoria-Geral da República, chega ele, inclusive, ao cúmulo de aliar-se recentemente, por misteriosos motivos, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, reconhecido petista de má fama nos meios jurídicos. O cardápio de atos nada republicanos vem se avolumando com evidente prejuízo a seu prestígio entre aqueles que nele votaram, imaginando que seria, de fato, um excelente, imparcial e probo presidente da República. Todavia, como a esperança é a última que morre e este governo está no seu primeiro ano de mandato, vamos ver como tudo se desenvolve daqui para frente na expectativa de que o bom senso, a ponderação e o espírito de justiça prevaleçam e Bolsonaro finalmente acerte o rumo da boa condução do País, de sorte que os brasileiros não sejam impelidos a voltar às ruas e lutar pelo impeachment de mais um.

Aurelio Q. relyo.quar@gmail.com

São Paulo

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SIMPATIAS ÀS ESQUERDAS

Repetindo Lula: nunca na história deste país as esquerdas e o lulopetismo estiveram tão tranquilos como agora. Eis que Bolsonaro, por não ter controle de suas palavras e atos públicos de comunicação, torna-se um verdadeiro arrebatador de simpatias para as esquerdas deste país. Precisa ele ser contido, mas diz que é ele que manda. Assim, o dilema se apresenta: como conter as falas e manifestações bolsonarianas prejudiciais ao País e à ideologia que defendeu?

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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EMBATE IDEOLÓGICO

Excelente análise e conclusão de João Domingos: “Bolsonaro e seu governo ainda acham que estão diante de um embate ideológico. Se prepararam para ele quando ninguém mais, com alguma relevância no mundo, dá a menor importância para o assunto. Ou alguém acha que Macron ou Merkel são de esquerda? Se alguém acha, esse alguém deve achar a Terra quadrada” (Os amadores do clima, 24/8, A8). Só um reparo: os eleitores mais empedernidos de Bolsonaro já sabem que a Terra é esférica (redonda com achatamento nos pólos), mas acreditam que ela é plana, rasa, e que se continuarmos impávidos rumo ao horizonte, cairemos num abismo infernal. É disso que eles querem nos salvar.

Mário Luiz Lúcio mllucio@yahoo.com.br

São Paulo

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OBSCURIDADE

O artigo de Gabeira sinaliza claramente; atitudes do presidente nos levam de novo rumo à obscuridade e convulsão social (O desmonte em família, 23/8, A2). Ninguém vai aceitar calado o retorno à idade das trevas.

Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

CotiaGOVERNO BOLSONARO

Desaprovação do presidente

Todos sabemos que o presidente Jair Bolsonaro utilizou grandemente as redes sociais para se eleger. Porém sabemos agora também que o presidente eleito se está perdendo pelo uso irresponsável dessas mesmas redes, quando a figura de estadista deveria preservar-se, evitando corriqueiras e mesquinhas manifestações, mais infantis do que maduras, mais sem propósito do que comprometidas com as necessidades nacionais de seriedade e sobriedade política.

MARCELO GOMES JORGE FERES

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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Feliz ou infelizmente, Bolsonaro é o presidente do Brasil e já cumpriu sua missão maior, que era impedir a continuidade do bolivarianismo no nosso país. De qualquer forma, temos o dever de apoiar o seu governo, mesmo porque já se sabia que não se podia esperar grande coisa de Bolsonaro. Afinal, os votos dos seus seguidores “ideológicos” não teriam sido suficientes para elegê-lo, foram necessários os de quem nele votou para evitar que a esquerda seguisse no governo. Mas se continuar desconsiderando que foi eleito com base em sua promessa de termos um governo republicano com uma base profissional (representada pelos militares), liberal economicamente (representada por Paulo Guedes) e voltado para a justiça e a segurança pública (representadas por Sergio Moro), fica complicado... Está na hora de Bolsonaro perder o cacoete de congressista inoperante cujas tiradas não tinham maiores consequências, bem como o de pai de família cujo maior interesse sempre foi o bem dos filhos. Hoje suas ações repercutem no País e no exterior e sua obrigação é com todas as famílias brasileiras e o Brasil. Se ele continuar pensando pequeno e agindo intempestivamente, vai acabar se tornando parte do problema, em vez, como precisamos e pelo que torcemos, de ser o encaminhador das soluções para o desenvolvimento do Brasil.

JORGE R. S. ALVES

jorgersalves@gmail.com

Jaú

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MEIO AMBIENTE

Ouro verde em chamas

O presidente Bolsonaro tem que admitir que a Amazônia não é simplesmente patrimônio nacional, mas mundial, uma vez que suas dimensões abrangem 7% da superfície do planeta, o bioma abriga 50% da biodiversidade mundial e se trata da maior floresta tropical do mundo. Será que o capitão presidente, mesmo diante das manifestações dos líderes mundiais contra as queimadas e o desmatamento, não se conscientizará do que acontece, em toda a sua extensão? Foi preciso que lideranças internacionais ameaçassem com retaliação econômica, principalmente contra as exportações do agronegócio, para que providências fossem tomadas e o presidente baixasse o tom de suas manifestações. 

ARNALDO L. DE OLIVEIRA FILHO

arluolf@hotmail.com

Itapeva 

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Combate ao fogo

O envio de tropas para combater o fogo, agora, em fins de agosto, no auge da seca e dos incêndios, é um patético gesto pra inglês ver. Pela minha experiência, o trabalho preventivo – principalmente aceiros – deveria ter sido empreendido nos meses anteriores à seca. Agora, e até outubro, pouquíssimo se poderá fazer em meio ao inferno de labaredas, calor e fumaça, além de expor inutilmente nossos pracinhas e aviadores ao perigo.

JOHN CONINGHAM NETTO

maria.coningham@gmail.com

Campinas

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Frota anti-incêndio

Excelente a ideia de uma frota internacional anti-incêndio, do leitor sr. Herbert Halbsgut (26/8). Mas fico pensando: quanto tempo demoraria para que, nesta nossa terra do jeitinho e da tolerância, esses aviões fossem desviados pelos responsáveis (ou irresponsáveis) de plantão para irem cuidar do seus cabelos em outros Estados?

EDDA SIGNE MOBUS

signe@terra.com.br

São Paulo

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Leis fracas?

Tenho visto comentários sobre as leis ambientais serem fracas no Brasil. Acho que não. Vejam: se alguém cortar uma árvore na sua propriedade, é multado. Se pedir o corte de dez árvores, isso demora mais de ano, e terá de replantar muito mais. O Código Florestal é o mais rígido do mundo. Ele exige manter áreas de proteção ambiental, resguardar um mínimo de 20% de reserva no campo. O plantador de cana não pode queimar, o que o obriga a mecanizar (excluindo mão de obra). As cidades, paradoxalmente, podem mandar esgoto para os rios... Há queimadas, claro, mas, na minha opinião, não é o presidente Bolsonaro que as favorece. É, sim, o “sistema” de corrupção, que cria dificuldades para liberar projetos, o que acaba tornando-os mais caros e demorados.

JEAN PHILIPPE STOCK

jpstock46@gmail.com

Louveira

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EM SÃO PAULO

Tietê-Pinheiros 

No editorial Um rio à espera de ressurreição (22/8, A3) foi dito que grande parte do lixo depositado no Rio Tietê é de origem doméstica. A esse respeito, o próprio presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Benedito Braga, reafirmou recentemente que o lixo é o responsável por quase metade da poluição do rio Pinheiros, o que é verdade. Isso significa que todo o esforço da Sabesp, associada ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), à Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) e outros atores na coleta e no tratamento de esgotos, caso haja sucesso, só permitirá resolver, no máximo, metade do problema da poluição desse rio, uma vez que, como salienta o editorial, “a própria população precisa avançar muito em sua consciência ambiental e civilidade”. Como isso dificilmente se verificará em curto prazo, e também dada a falta de integração dos municípios banhados pelo rio, penso ser muito complicado falar do Pinheiros, o principal afluente do Tietê, limpo até 2022, como o governo do Estado de São Paulo apregoa. No máximo, teremos um Pinheiros melhorzinho.

JOSÉ EDUARDO W. DE A. CAVALCANTI, engenheiro

jewac@bol.com.br

São Paulo

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Despoluição dos rios

Pelo editorial Um rio à espera de ressurreição se vê que é inócua qualquer medida de despoluição de cursos d’água que não envolva a redução ou mitigação de dejetos jogados na fonte. Ou seja, remover entulho e lixo do Pinheiros ou do Tietê já poluídos é importante, mas devem-se implementar sistemas de tratamento dos esgotos antes de seu despejo nos rios. Isso, porém, não dá visibilidade...

ADILSON ROBERTO GONÇALVES

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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“Assim como os ministros não têm carta branca 

para atuar, é importante que o presidente da República entenda que ele também não tem. Afinal, quem está acima de tudo 

e de todos são os eleitores”

MANOEL BRAGA / MATÃO, SOBRE O AUMENTO DA DESAPROVAÇÃO DO DESEMPENHO DE BOLSONARO

manoelbraga@mecpar.com

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“Qual a necessidade de autorizar novos sindicatos? Já não temos o suficiente?”

MARIA DO CARMO ZAFFALON LEME CARDOSO / BAURU, 

SOBRE A REDUÇÃO DOS PEDIDOS DE ABERTURA DESSE TIPO 

DE ENTIDADE DEPOIS DA EXTINÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SINDICAL OBRIGATÓRIA

zaffalon@uol.com.br

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

MANIFESTAÇÕES

Observados dois eixos divergentes de manifestações em várias metrópoles brasileiras durante o último fim de semana. Num deles, viu-se grupos focados no combate à corrupção, no apoio à Operação Lava Jato e nos projetos anticrime chancelados pelo ministro Sergio Moro, com referências adicionais à triste atuação do Congresso Nacional, ao aprovar furtivamente uma Lei de Abuso de Autoridade claramente direcionada à blindagem de muitos de seus membros, envolvidos em processos na Justiça, e a algumas atitudes desconcertantes da nossa Corte suprema (Ato na Paulista pede veto à Lei de Abuso de Autoridade e defende Lava Jato, 25/8). Na outra vertente, artistas, intelectuais e seguidores criticavam o governo, particularmente em relação à questão ambiental, com ênfase às preocupantes queimadas na Amazônia, embora exploradas de maneira suspeita, principalmente pelo presidente francês em encontro das potências e por celebridades sem o menor conhecimento do problema, através da utilização de fotos e dados falsos (São Paulo, Rio e Salvador têm protestos contra incêndios na Amazônia, 23/8). As concentrações foram marcadas por ordem e respeito aos participantes. É o Brasil praticando sua democracia e liberdade de expressão, cujas supressões vários fanáticos da esquerda felizmente derrotada juraram que ocorreria.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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EMPENHO CONTRA A CORRUPÇÃO

As manifestações da cidadania, espontâneas e organizadas pelas redes sociais são, sem a menor dúvida, um progresso da democracia. São uma inovação. Em pauta estiveram críticas à Lei de Abuso de Autoridade, solicitando o seu veto, pedidos de impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli e o apoio ao Ministro da Justiça e da Segurança, Sergio Moro. Resumem empenho contra a corrupção.

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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COMBATER QUEIMADAS

Os países mais ricos do mundo, G7, decidiram ajudar a combater as queimadas na Amazônia (G7 anuncia ajuda de R$ 87 milhões para Amazônia, 26/8). Essa decisão ocorreu de forma unilateral, sem que o Brasil houvesse pedido qualquer ajuda ou ao menos participado da reunião, isso constitui uma inédita intervenção na soberania nacional. As queimadas na Amazônia, que preocupam o mundo todo, são causadas pela mão do homem, não são obra da natureza. A melhor forma de combatê-las é evitar que grileiros, posseiros, mineradores ilegais joguem gasolina na floresta seca e acendam um fósforo. Uma vez iniciado o incêndio é muito mais difícil de controlar. Para impedir definitivamente as queimadas é preciso criar legislação proibindo o uso do fogo como instrumento de manejo do solo. O Brasil já eliminou a queimada no cultivo da cana de açúcar e deverá fazer o mesmo nas demais culturas, proibindo o uso do fogo como instrumento de manejo do solo em todo o território nacional. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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CEGUEIRA

Nada mais simbólico do que o farol no pontal de Saint-Martin, no sofisticado balneário de Biarritz. Resistir às tempestades e indicar o caminho em meio à névoa da incerteza internacional. Entretanto, os líderes mundiais reunidos para olhar ao futuro parecem não estar à altura do desafio. A cegueira das trevas políticas prevalece na falta de harmonia do barco em direção ao rochedo, apesar da noite iluminada com a luz da razão.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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FAÍSCAS INTERNACIONAIS

Os presidentes do Brasil e da França, Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron, pelo menos na verborragia sobre o caso do desmatamento e das queimadas na Amazônia estão com razão no quesito “grosserias”. O primeiro disse que o segundo está se intrometendo na soberania nacional, já o segundo disse que o Brasil precisa de um presidente à altura ('O que ele está de olho na Amazônia?', diz Bolsonaro sobre Macron, 26/8). Picuinhas à parte, precisamos resolver o problema de maneira civilizada. É o que o mundo quer. Está difícil de entender?

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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CUSPINDO FOGO

O presidente precisa apagar o incêndio e não cuspir fogo. Ele conseguiu atrair a ira mundial com suas declarações estapafúrdias e fora de contexto, quando deveria mostrar preocupação e adotar medidas imediatas de combate às queimadas. É preciso relembrá-lo diariamente que agora é o presidente da República de todos os brasileiros e que no século 21 esquerda e direita são anacrônicas e torna-se necessária uma visão de futuro em prol do bem estar e sobrevivência da humanidade. Em um mundo globalizado, nacionalismo não pode ser refúgio da incompetência. Boca calada não cospe fogo e assim não engole fumaça.

José Paulo Cipullo j.cipullo@terra.com.br

São José do Rio Preto

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REALIZAÇÕES

Em face da crise na Amazônia, os governos federal e estaduais agiram muito pouco, muito tarde. O resultado foram queimadas numa escala nunca vista antes, provocando protestos internacionais justificados. Pode-se condenar o uso do desastre pelo presidente Emmanuel Macron para fins políticos, embora aconteça com frequência nas relações entre os países. O que não é normal é a atitude de confrontação do presidente Jair Bolsonaro à Europa em particular e seu comentário de mau gosto sobre Brigitte Macron. Afinal, um presidente é julgado pelas suas ações e não pela beleza, ou idade de sua esposa (No Facebook, perfil de Bolsonaro ri de ofensa à esposa de Macron, 25/8). Em questão de realizações nosso presidente está, até o momento, reprovado!

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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ABRIR AS FRONTEIRAS

Há décadas discute-se a degradação da Amazônia, as demarcações indígenas, as ameaças à biodiversidade e o contrabando generalizado na maior floresta tropical do mundo, é fato. Mas, por favor, não vamos agora, a pretexto de atingir este ou aquele presidente, abrir as fronteiras (já escancaradas) aos ambiciosos interesses internacionais. Nossa intimidade é preciosa, e é aqui, exatamente onde estamos firmados como nação, que devemos resolver as pendências naturais advindas de um território extenso e complexo. Vamos gerar, sim, debates civilizados, cobrar fiscalização, ações cabíveis, fortes e imediatas, contudo, partindo sempre da premissa de que somos irmãos com laços profundos, recíprocos, de amor e respeito.

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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PEDIDO DE SOCORRO

Bolsonaro ofereceu sua cabeça à prêmio, numa bandeja Amazônica, às ONGs, que responderam fogo com fogo. Num pronunciamento paradoxal, atacou tudo o que disse e fez desde 1° de janeiro (23/8). Fez uma autocrítica sem enrubecer, porque não sabe o que diz nem o que faz. Age como predador de si mesmo. O Brasil, perplexo, arde de febre, como as árvores amazônicas, que emitem sinais de fumaça, pedido socorro ao mundo civilizado.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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FALTA DE HONESTIDADE

Quando o presidente da França, em uma raríssima declaração, afirmou que Bolsonaro mentiu para ele, nosso presidente não gostou e procurou responder à altura. Porém, resgatando reportagens dos nossos jornais, é possível confirmar que Bolsonaro teve uma reunião paralela com o presidente francês, durante o encontro do G20 em Osaka, Japão, em junho deste ano. Nesse encontro, confirmou o seu compromisso com o Acordo de Paris e convidou o presidente francês a visitar a Amazônia. Cumpre aqui lembrar que, embora em um porcentual menor, a Floresta Amazônica chega à Guiana Francesa, o que explica o interesse do presidente francês pelo assunto. Portanto, ao assistir o inédito incêndio na Floresta Amazônica, depois do levantamento do Inpe que revelou que o desmatamento na Amazônia brasileira não só foi maior neste ano, como aumentou de velocidade, o presidente francês só pode concluir que Bolsonaro mentiu para ele. Também quando Bolsonaro afirmou que Sergio Moro teria poder para nomear quem quisesse para o seu ministério e agora afirma que não é Moro quem manda nas nomeações e sim ele, Moro terá o direito que entender que o presidente mentiu para ele quando o convidou para ser ministro. Eu, como simples cidadão, ao me lembrar que o presidente se candidatou para, entre outros temas, combater a corrupção, constatei que ele mentiu ao nomear Ricardo Salles, réu em processo sobre corrupção, como ministro do Meio Ambiente e pior, mentiu novamente quando recentemente o elogiou em uma reunião ministerial, ao mesmo tempo em que a Floresta Amazônica ardia em chamas, no maior incêndio de todos os tempos, inclusive confirmado pela Nasa. 

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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VAZIO

Lembro de várias palavrinhas que se tornaram modismos passageiros no século passado. Empregá-las era sinal de erudição. Caíram em desuso, claro. Holístico era uma delas, anecúmeno outra. Pois bem, a Amazônia é um anecúmeno, um vazio, um nada na acepção do mundo civilizado. No governo militar grandes projetos procuraram viabilizar a sua integração (“integrar para não entregar” era o mote), mas as crises do petróleo negaram os recursos necessários, restando, daquele tempo, alguma infraestrutura e o pouco visível projeto Calha Norte. Os governos pós-85 abandonaram-na, eis a verdade. Imensa, não tem produção significativa para o PIB brasileiro. Esse vazio populacional pouco produtivo é uma herança para as futuras gerações, precisa ser preservado e sua rarefeita população integrada ao Brasil mulato mas metido a branco do centro-sul. Besteira? Americanos tomaram o Texas dois séculos atrás, compraram um Alaska, à época apenas produtor de gelo e agora forçam a compra da Groenlândia. Diante da negativa do seu proprietário, o presidente americano reage revoltado. Não dá para debochar dos colonialistas de outrora.

Roberto Viana Maciel rovisa681@gmail.com

Salvador

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INTERESSE POR TRÁS DAS QUEIMADAS

O desmatamento na Amazônia Legal que compreende os Estados do Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia, Acre, Mato Grosso e parte do Maranhão se deve a poderosas organizações ligadas ao agronegócio. As terras disponíveis para o plantio de soja e pastos para o gado de corte estão se tornando cada vez mais distantes das rodovias e ferrovias. Então é partir para o desmatamento de terras devolutas que nada custam, que em última análise pertencem à União. Essas terras primeiramente têm ser limpas, primeiro derrubando as árvores de madeira de lei, transportando as toras para transformá-las em tábuas para exportação. Esse desmatamento acontece no período da seca, entre maio e setembro, pois é mais fácil para queimada. Pelas fotos e filmagens aéreas, observa-se que no meio da mata virgem as áreas devastadas são perfeitamente retangulares, retilíneas, em terreno plano próprio para o plantio. Essas organizações agrícolas criminosas estão ligadas ao agronegócio e à pecuária, que com suas doações eleitorais elegem congressistas comprometidos em defender os seus interesses escusos. Essas organizações pouco estão se importando com a ecologia e com o aquecimento global. O que querem é o retorno rápido do capital empregado no desmatamento; como tratores para abrirem estradas rudimentares no meio da floresta, com máquinas de terraplanagem, semeadeiras, potentes caminhões para suportar transportar as grossas toras de madeiras de lei nessas estradas improvisadas. Tudo isso custa muito caro. Todavia, está claro que é altamente compensador. Para eles a riqueza da Floresta Amazônica ainda está nas madeiras de lei ainda não aproveitadas e que podem ser convertidas em dinheiro. Somente após nações estrangeiras chamarem a atenção do presidente da República sobre a gravidade do problema sem saída, ele resolve tomar uma atitude, embora tardia, chamando até as forças armadas para deter o desmatamento criminoso. 

José Carlos de Castro Rio jc.rios@globo.com

São Paulo

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MINIMIZAR O ESTRAGO

Agora na área queimada da floresta amazônica não existe o que fazer, porém podemos minimizar o estrago na biodiversidade local punindo exemplarmente quem for ali encontrado explorando as áreas em qualquer atividade, possibilitando assim o retorno natural da mata nativa. Isso anulará a ganância de madeireiros, pecuaristas e demais inescrupulosos que visam lucros astronômicos, pois buscam a fertilidade natural do solo e a alta valorização da terra antes adquirida a custo irrisório.

Itamar C.Trevisani itamartrevisani@gmail.com

Jaboticabal

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ONDE ESTAVAM?

Onde estavam os petistas durante os governos do PT quando aconteceram as mesmas ou piores queimadas? Quietos e coniventes.

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas  

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EFEITOS DO DESMATAMENTO

A maior floresta tropical do mundo e toda a sua biodiversidade estão seriamente ameaçadas. Neste último mês de agosto o número de queimadas bateu recorde na região. Esse triste acontecimento gera risco para todos, inclusive para os que não habitam a região, visto que o fogo provoca emissões de gases do efeito estufa no País, o que prejudica o equilíbrio climático de todo o planeta. Desmatamento e queimadas estão completamente ligados. E o motivo para a utilização do fogo no solo é uma estratégia de “limpeza” na área derrubada, para que posteriormente possa ser utilizada na pecuária. É o conhecido ciclo de desmatamento da Amazônia, um ciclo vicioso que colabora para o aquecimento global, liberando mais CO2 na atmosfera e alimentando a emergência climática. De acordo com o Greenpeace, somente de janeiro a 20 de agosto, o número de queimadas na região foi 145% superior ao registrado no mesmo período de 2018. Quanto maior o número de desmatamento e queimadas, maiores serão as emissões de gases de efeito estufa e quanto mais o planeta aquece maior será a frequência de eventos extremos que afetam ainda mais a floresta, a biodiversidade, a agricultura e a saúde humana. Dentre tantos prejuízos, a economia do País, o clima e milhares de vida estão gravemente em risco. Além disso, há uma grande importância da preservação das áreas de floresta responsáveis pela manutenção da fauna e flora. A Amazônia regula, em boa medida, a chuva do Centro Oeste. Um desmatamento estrutural na floresta pode provocar impactos em todo o sistema de superfícies e da circulação do ar na atmosfera. (UGEDA, 2019). Estamos chegando ao limite do perigo do desmatamento da Amazônia e agir pelo fim disso tudo deve ser objetivo e obrigação de todos.

Letícia Costa Perri jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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FLORESTAS E O SER HUMANO

Centro de todas as coisas, o homem fala em preservar as florestas, “para sobreviver”.  Trata-se de intocá-las, pois evoluíram com todas as virtudes deste planeta; de interagir harmonicamente com elas (Aldous Huxley), inclusive aperfeiçoando-as por interação com as fórmulas geométricas que nossa razão foi capaz de criar. Ainda que, destruindo uma das mensagens que nos acompanharam nessa fantástica evolução, o homem-coisa sobreviva sob alvenarias cercadas de desertos, a estrutura grotesca em que se tornará corresponderá a um ser espiritualmente morto.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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REJEIÇÕES

A jornalista Eliane Cantanhede resume bem no seu artigo Fim de uma era doente (Estado, 25/8, A8) as razões das críticas negativas intensas, tanto internas como externas, às queimadas na Amazônia: são reações não propriamente às queimadas – que acontecem todo ano – mas à verborragia inconsequente e destrambelhada do presidente Jair Bolsonaro sobre diversos assuntos e que atinge níveis inaceitáveis. No entanto, a jornalista exagera, a meu ver, ao afirmar que, por conta disso, ele “po­de vi­rar o mai­or ca­bo elei­to­ral da vol­ta das esquerdas”. Na atual conjuntura, a rejeição ao PT e a seus aliados ainda supera, e de longe, a rejeição ao presidente. Ou seja, se as eleições presidenciais fossem hoje, qualquer candidato da esquerda seria derrotado num confronto direto com Bolsonaro. A maior parte da população ainda não esqueceu que o grande responsável pela maior crise econômica e social do País foram os sucessivos governos irresponsáveis do PT e o retorno da esquerda seria um desastre pior do que o incêndio da Floresta Amazônica inteira. Só um detalhe: se o PT fez algo pela Amazônia nos 13 anos em que esteve à frente do governo, foi quase nada. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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OPOSITORES COMEMORAM

A jornalista e colunista do Estadão Eliane Cantanhêde tem razão quando diz que, “com erros e retrocessos, Bolsonaro pode virar cabo eleitoral das esquerdas e do PT”. Entre outras desnecessárias crises que promove, os protestos ruidosos que vêm de toda parte do mundo, incluindo de alguns chefes de Estado, contra as inconsequências do presidente em seu desprezo ao meio ambiente, tem seu ápice, para desespero de Bolsonaro, com as queimadas da Floresta Amazônica. Presidente que somente tomou providências de enviar tropas do Exército para tentar controlar o incêndio florestal depois que o mundo ruiu sobre a imagem do Brasil. E seus opositores incluindo o PT, comemoram...

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos 

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CONTRA NEROS TROPICAIS

O Estado, um entre os mais prestigiados jornais do mundo, não poderia deixar de sê-lo, por abrigar em sua excelente equipe a “Cassandra” do moderno jornalismo que deve ser a reencarnação de uma das pitonisas de Delfos. Eliane faz uma previsão de que o presidente Bolsonaro, a continuar com suas atuações escritas e verborrágicas frente a microfones e câmeras, estará vitaminando as forças combalidas e sedentas de uma revanche que, imitando Nostradamus, nos levará a um incêndio superamazônico, do arroio Chui ao Oiapoque, da Contamana à Ponta do Seixas. Vencedor nas últimas eleições presidenciais por pequena margem de votos, cria um ambiente político salutar para o uso de suas armas. Isso sem levar em conta que nas relações internacionais, países tanto do primeiro mundo, como os menos progressistas, estarão alinhados contra os Neros tropicais.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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PELO INVERSO

Estranha a escolha de Bolsonaro para o Ministério do Meio Ambiente de uma pessoa condenada em primeira instância por crime ambiental. É verdade que até o fim desse processo não se saberá se o ministro é culpado ou inocente, mas escolher alguém assim é realmente curioso. Nosso presidente faz tudo pelo inverso e, como diz Eliane Cantanhêde, está preparando o retorno do PT ao poder.

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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PREJUÍZO AO PRESTÍGIO DO PRESIDENTE

Tudo indica que, pelo menos até agora, Bolsonaro não está se saindo melhor do que a encomenda feita a todos os brasileiros quando candidato à Presidência da República no sentido de que, se eleito, seria um verdadeiro paladino no combate intransigente ao petismo e à corrupção sistêmica espraiada em todo o governo do Brasil. Com intervenções descabidas ou pouco explicadas, seja no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), seja na Polícia Federal ou na Procuradoria-Geral da República, chega ele, inclusive, ao cúmulo de aliar-se recentemente, por misteriosos motivos, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, reconhecido petista de má fama nos meios jurídicos. O cardápio de atos nada republicanos vem se avolumando com evidente prejuízo a seu prestígio entre aqueles que nele votaram, imaginando que seria, de fato, um excelente, imparcial e probo presidente da República. Todavia, como a esperança é a última que morre e este governo está no seu primeiro ano de mandato, vamos ver como tudo se desenvolve daqui para frente na expectativa de que o bom senso, a ponderação e o espírito de justiça prevaleçam e Bolsonaro finalmente acerte o rumo da boa condução do País, de sorte que os brasileiros não sejam impelidos a voltar às ruas e lutar pelo impeachment de mais um.

Aurelio Q. relyo.quar@gmail.com

São Paulo

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SIMPATIAS ÀS ESQUERDAS

Repetindo Lula: nunca na história deste país as esquerdas e o lulopetismo estiveram tão tranquilos como agora. Eis que Bolsonaro, por não ter controle de suas palavras e atos públicos de comunicação, torna-se um verdadeiro arrebatador de simpatias para as esquerdas deste país. Precisa ele ser contido, mas diz que é ele que manda. Assim, o dilema se apresenta: como conter as falas e manifestações bolsonarianas prejudiciais ao País e à ideologia que defendeu?

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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EMBATE IDEOLÓGICO

Excelente análise e conclusão de João Domingos: “Bolsonaro e seu governo ainda acham que estão diante de um embate ideológico. Se prepararam para ele quando ninguém mais, com alguma relevância no mundo, dá a menor importância para o assunto. Ou alguém acha que Macron ou Merkel são de esquerda? Se alguém acha, esse alguém deve achar a Terra quadrada” (Os amadores do clima, 24/8, A8). Só um reparo: os eleitores mais empedernidos de Bolsonaro já sabem que a Terra é esférica (redonda com achatamento nos pólos), mas acreditam que ela é plana, rasa, e que se continuarmos impávidos rumo ao horizonte, cairemos num abismo infernal. É disso que eles querem nos salvar.

Mário Luiz Lúcio mllucio@yahoo.com.br

São Paulo

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OBSCURIDADE

O artigo de Gabeira sinaliza claramente; atitudes do presidente nos levam de novo rumo à obscuridade e convulsão social (O desmonte em família, 23/8, A2). Ninguém vai aceitar calado o retorno à idade das trevas.

Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia

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