Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2019 | 03h00

EDUCAÇÃO

Uma agonia por dia

Enquanto o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, “implora” ao ministro Paulo Guedes, da Economia, que libere R$ 330 milhões para evitar o corte de 84 mil bolsas de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, decidiu cortar 50% da verba da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para 2020. O CNPq não aceita mais novos projetos de pesquisa; este e a Capes financiam a maioria das bolsas de alunos de pós-graduação no Brasil e no exterior. Sem projetos e alunos de pós-graduação, interrompe-se a pesquisa, tanto fundamental como aplicada, necessária para a almejada inovação tecnológica. Com esse cenário dramático, sobra para nossos jovens ir embora para países que dão valor à pesquisa. O governo está ciente de que sucatear nossa base tecnológica vai condenar o Brasil a viver somente do agronegócio e da mineração?

OMAR EL SEOUD

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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Políticas anticíclicas

Toda empresa sabe que em tempos de crise tem de enxugar despesas. Não pode ser diferente no governo. Cortar significa trabalhar com um orçamento menor. O objetivo primeiro do corte de despesas é o de preparar o País para o crescimento posterior. As gordurinhas precisam ser cortadas. Ora, nesse sentido, há despesas/investimentos de menor peso para essa preparação do País para a retomada. Outros, como o investimento em ciência e tecnologia, são mais importantes e devem sofrer menos, ou sofrer políticas anticíclicas, em que se faz o contrário: investe-se mais na crise justamente para permitir uma retomada com maior consistência. Sabe-se da importância da tecnologia para o futuro. Startups muitas vezes viram unicórnios em pouco tempo e devolvem à sociedade muito mais do que foi investido nelas. Os ecossistemas que permitem que isso aconteça não se criam de uma hora para outra, demandam tempo e muito esforço. Em ciência e tecnologia, principalmente. Importante o Congresso intervir no que me parece uma atitude equivocada do governo Bolsonaro.

BRUNO HANNUD

hannud.bruno@yahoo.com

São Paulo

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Militares na escola

Gostaria de aduzir ao texto Militares na escola (1.º/9, A24), de Renata Cafardo, que todos os estabelecimentos de ensino das Forças Armadas, subordinados, pois, aos Ministério da Defesa e da Educação (MEC), têm os seus conteúdos baseados no tripé cognitivo, psicomotor e afetivo – respeitados os objetivos da escola e dos cursos –, tão importante como o respeito à disciplina e à hierarquia.

MARCO ANTONIO ESTEVES BALBI

mbalbi69@globo.com

Rio de Janeiro


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NOVO CENTRO

Combate ao mal maior

Tudo muito bonito, muito asséptico, um novo centro “liberal e progressista” apresentado como alternativa à polarização política, cujos representantes já estão de olho nas eleições de 2022 (1.º/9, A4). E nem sequer uma palavra sobre o câncer no seio da nossa sociedade: a corrupção. Nenhum apoio ao maior combate até hoje empreitado nesse sentido, a Operação Lava Jato. De onde os luminares da nova alternativa acham que vem a triste desigualdade social do País? Da vontade do coração dos brasileiros ou do bolso enriquecido e dos privilégios imorais do trio políticos, oligarcas e empresários canalhas? Nenhum “centro” terá moral se não apresentar claramente como pretende combater o mal maior.

SANDRA MARIA GONÇALVES

sandgon46@gmail.com

São Paulo


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MEIO AMBIENTE

Pena por desmatamento

Desmatar áreas que por lei têm de ser preservadas é crime e quem o pratica, logo, é criminoso. O Código Penal pune quem infringe a lei com detenção, multa, serviços prestados à comunidade e doação de cestas básicas. Para os criminosos que estão sendo presos por terem devastado parte da Floresta Amazônica, depois de julgados e condenados, em vez de serem conduzidos para cumprir pena numa penitenciária, deveriam prestar serviço à comunidade pelo tempo previsto na sentença: com as próprias mãos, replantar mudas da flora regional, como mogno, jatobá, ipê e outras árvores, usando tornozeleira eletrônica e sob vigilância de policiais ou das Forças Armadas. Seria uma forma exemplar, educativa e disciplinar de punir merecidamente esses criminosos.

JOSÉ CARLOS DE CASTRO RIOS

jc.rios@globo.com

São Paulo


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IMPRENSA

Jornalismo sério

É mais que animador saber que a imensa maioria dos parlamentares faz uso de jornais, TV e portais de notícias para se manterem bem informados, segundo a Pesquisa sobre Consumo de Informação dos Congressistas (O jornalismo e o Congresso, 2/8, A3). Ainda bem que só 15% dão valor às redes sociais – abarrotadas de asneiras e mentiras – como fonte de informação. Entretanto, embora a pesquisa mostre que os congressistas “têm consciência da abissal diferença entre jornalismo e fake news”, sinto falta de uma reflexão sobre o fato de alguns veículos jornalísticos tradicionais terem, a meu ver, ultrapassado os limites éticos que a atividade exige, chegando a legitimar a informação obtida por meios criminosos, descambando para um tipo de sensacionalismo que nada tem que ver com jornalismo sério ou liberdade de imprensa. Tal qual as fake news, entendo que esse tipo de jornalismo merece o repúdio de todos.

LUCIANO HARARY

lharary@hotmail.com

São Paulo


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‘Estadão 21’

Não poderia vir em melhor hora do que na segunda década deste novo século, digital e conectado, o lançamento do importante projeto Estadão 21, que coloca o leitor no centro da atenção jornalística multiplataforma em tempo real. Como bem disse Mario Tascón, diretor-geral da Prodigioso Volcán, empresa espanhola de consultoria em comunicação responsável pela transformação digital na redação do Estadão, “a base do jornalismo não muda. Informar da melhor forma possível, mais verdadeira, com credibilidade. O que muda bastante é que não é mais monólogo. Agora, com as redes sociais, com mecanismos dos fóruns, a audiência quer diálogo. Antes, o jornalista achava que o leitor queria escutar, mas nesses anos aprendemos que as pessoas querem é falar, participar. Isso nos obriga a trabalhar com esse diálogo”. Com efeito, esse projeto certamente será um dos mais importantes marcos nos mais de 144 anos de vida do Estadão nosso de cada dia.

J. S. DECOL

decoljs@gmail.com

São Paulo

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“A história do presidente Bolsonaro de que índio vendeu terra indígena a estrangeiro parece aquela do sujeito que foi conhecer São Paulo e, enganado por um espertalhão, acabou comprando o Viaduto do Chá. As terras indígenas são da União!”

EUCLIDES ROSSIGNOLI / OURINHOS, SOBRE A CRISE NA AMAZÔNIA

clidesrossi@gmail.com

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 “Os governadores dos Estados amazônicos não têm nada que ver com as queimadas, somente o governo central? O que eles têm feito?”

JORGE EDUARDO GARCIA / SÃO PAULO, IDEM

jorgeeduardo.dr@gmail.com

OS ERROS DO MINISTRO

 

Realmente, como disse alguém, o Brasil está sendo governado pelos últimos da classe, pelos piores da classe. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, enviou um documento com erros de Português ao ministro Paulo Guedes. No texto, Weintraub explica que as verbas previstas para a Educação em 2020 são insuficientes e alerta para o risco de “paralização”. O ministro também cita “suspenção” de pagamentos. A grafia correta das palavras é paralisação e suspensão. Que lástima! O Brasil merece isso?

 

Elisabeth Migliavacca elisabeth448@gmail.com

São Paulo

 

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ATO FALHO?

 

Os erros do sr. Abraham Weintraub (“paralização” e “suspenção”), em ofício ao ministro da Fazenda, podem ter ocorrido por estar focado em paralelização e suspeição, só isso.

 

Sérgio Barbosa sergiobarbosa19@gmail.com

Batatais

 

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PIADA DE MAU GOSTO

 

Pesquisas de opinião pública revelam queda na popularidade de Jair Bolsonaro. Levantamento do Datafolha divulgado ontem mostra, também, que se a eleição fosse hoje Fernando Haddad seria o novo presidente. Bolsonaro é campeão em criar situações embaraçosas para ele próprio, mas os acordos Mercosul-União Europeia e Mercosul-EFTA, além da tão necessária e urgente reforma previdenciária, são fatos marcantes de apenas oito meses de governo. Portanto, vislumbrar a volta do PT e, ainda por cima, de um candidato que foi apontado como o pior prefeito da história paulistana só pode ser uma piada de mau gosto.

 

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

 

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FANTASIA ELEITORAL

 

Parece que o bolsonarismo acredita que daqui a mais de três anos estará tentando a reeleição contra o PT. Pura ilusão. Melhor encarar o desafio Brasil.

 

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

 

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TIROS FATAIS

 

Jair Bolsonaro é um capitão que deve saber que traição é crime de guerra punido com morte por fuzilamento, conforme lei militar. A traição dele contra o eleitorado – ao usar a Presidência da República, em conluio com o Supremo Tribunal Federal (STF), para inviabilizar a guerra contra a corrupção, blindando sua prole e defenestrando Sergio Moro, ministro da Justiça – decretou sua pena de morte política, conforme mostrou o Datafolha ontem (Bolsonaro é reprovado por 38% da população, diz pesquisaEstadão, 2/9). Bolsonaro será alvejado nas urnas. Votos serão tiros fatais.

 

Túllio M. Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

 

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APROVAÇÃO DO GOVERNO

 

A pesquisa é do Datafolha ou do Datafalha?

 

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

 

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POPULARIDADE E CPMF

 

Estando satisfeito com a sua impopularidade em 38% de pesquisados, Bolsonaro refutará a famigerada CPMF. Desejando mais, acatará Paulo Guedes, aceitando-a.

 

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

 

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SEMPRE O ‘MAS’

 

O PIB melhorou, mas. O desemprego caiu, mas. A criminalidade diminuiu, mas. O dólar caiu e a bolsa subiu, mas. Esse mas é adorado pela nossa imprensa.

 

Gustavo Guimarães da Veiga ggveiga@outlook.com

São Paulo

 

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‘HORA SOMBRIA’

 

Lendo o artigo de Maria Cristina Pinotti, Hora sombria, de domingo (1/9) no Estadão, me veio a seguinte indagação: estará nosso presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, se sentindo numa “sinuca de bico” por causa do affaire em que está envolvido seu filho Flávio Bolsonaro, com o tal Fabrício Queiroz, a ponto de levar ministro(s) do Judiciário a tomar decisões que também são convenientes para outros fins não republicanos?

 

Carlos Leonel Imenes leonelzucaimenes@gmail.com

São Paulo

 

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INCOMPARÁVEIS

 

A senhora Maria Cristina Pinotti (1/9, A2) não consegue escrever suas linhas sem citar os problemas da Itália. Sempre inicia seus artigos citando a Itália e seu desempenho econômico – e, num reducionismo tendencioso, o associa sempre aos problemas de corrupção e ao insucesso da Operação Mãos Limpas. Lança mão de uma percepção sua e de parte da esquerda italiana, mas não consegue enxergar, ou não quer divulgar, o outro lado da moeda, o sucesso daquela operação, cujos indicadores, entre os quais os da redução dos custos de obras públicas e do controle do crime organizado, são muito bem mostrados em estudo da Universidade de Stanford. Aliás, como um país, segundo a sra. Cristina Pinotti, corrupto ao extremo conseguiu chegar a um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) invejável, ocupar uma posição no G7 e obter um desenvolvimento tecnológico que o coloca entre as maiores potências industriais do planeta? Esse mantra se repete e já se tornou o chavão dos que insistem em comparar o incomparável, a realidade política e econômica totalmente diferente de Brasil e Itália.

 

Angelo Vattimo angelovattimo@gmail.com

São Paulo

 

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FAMÍLIA BOLSONARO

 

Segundo a Coluna do Estadão de domingo (1/9), pessoas próximas a Jair Bolsonaro dizem que ele nunca mais foi o mesmo depois da facada desferida por Adélio Bispo durante a última campanha eleitoral para a Presidência. Entretanto, outras pessoas, não muito próximas a Jair Bolsonaro, dizem que se a família Bolsonaro (Jair e filhos) continuar a disparar desatinos com vem fazendo, muitos poderiam lamentar que Adélio Bispo não tivesse feito o serviço completo.

 

José Sebastião de Paiva jpaiva1@terra.com.br

São Paulo

 

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ESTÁ EXPLICADO

 

Agora está explicado por que o presidente Jair Bolsonaro anda tão ranzinza e grosseiro. Afinal, vai precisar fazer uma nova cirurgia para resolver de vez o atentado sofrido durante sua campanha eleitoral. Segundo consta, ele ficará “no estaleiro” por volta de dez dias e os brasileiros também, para se recuperarem de suas declarações diárias. Ufa! Alívio para todos.

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

 

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A CIRURGIA E O CRIME

 

Estado publica que o presidente Bolsonaro vai se submeter à 4.ª cirurgia após a facada que sofreu durante a campanha presidencial. E a pergunta: quem mandou matar o então candidato Jair Bolsonaro? Quem paga os advogados do criminoso Adélio dos Santos Bispo, que aplicou o golpe? Até quando a imprensa nacional vai fazer vista grossa a um dos mais escabrosos casos políticos da democracia brasileira?

 

André Luis Coutinho arcouti@uol.com.br

Campinas

 

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ESCLARECIMENTO

 

Diante desta “possível” intervenção cirúrgica, deveria ser dada oportunidade a Lula de mostrar, como ele afirmou recentemente, que a facada em Bolsonaro foi uma mentira.

 

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas

 

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IMPACTO

 

Focos de fogo quase triplicam na Amazônia (Estado, 2/9, A12). Por que o tema desflorestamento, queimadas, extração de madeira, emissões de gases de efeito estufa, grilagem, crime ambiental, etc. não é escancarado na primeira página de todos os órgãos da imprensa e na mídia televisiva diuturnamente, sendo escandalizado? Por que não se cobram medidas de impacto e duradouras do governo e dos seus ministros, além de atitudes do Congresso?

 

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

 

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PEDIDO DE DESCULPAS

 

O presidente Jair Bolsonaro deve um pedido formal de desculpas às organizações não governamentais (ONGs), que foram acusadas injustamente de serem responsáveis pelos incêndios criminosos da Amazônia. Já está claro que os incêndios foram provocados pela turma interessada no desmatamento, e não por ambientalistas. A acusação do presidente da República foi feita sem qualquer fundamento e prejudica a imagem das ONGs, entidades que prestam relevantes serviços na Amazônia e no mundo todo.

 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

 

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MUNDO EM CHAMAS

 

A hipocrisia é um mal que aflige muitos neste mundo selvagem. As redes sociais exibiram fotografias obtidas pela Nasa de cerca de 2 mil focos de incêndios em nosso país. A mesma Nasa, no mesmo período, exibiu fotos da floresta tropical africana do Congo em chamas, com mais de 3 mil focos, e outros 7 mil em Angola. Ninguém gritou por isso? Eu só quero entender, não precisa explicar!

 

Jomar  Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

 

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‘O IBAMA É UMA INDÚSTRIA DE MULTAS’

 

Essa afirmativa faz parte do governo Bolsonaro desde a campanha eleitoral. Entretanto, a lógica nos aponta que o mote é falso. Em função dessa premissa, mesmo durante a eleição, membros do grupo Bolsonaro chegaram a propor a autoinspeção, em algumas atividades, denegrindo o Ibama. Proposta indecorosa, principalmente depois das tragédias de Mariana e Brumadinho, se lembrarmos que as mineradoras usufruíram desse absurdo. Em função dessas premissas falsas o presidente nomeou para ministro do Meio Ambiente uma pessoa totalmente inadequada. E deu no que deu. O maior incêndio já ocorrido na Floresta Amazônica, produto da paralisação da fiscalização daquele extraordinário bioma. A entrevista realizada pelo jornalista André Borges, com fotos de Gabriela Biló, publicada no Estadão de 31/8 (‘Não há como ser madeireiro 100% legal’), complementa a reportagem da jornalista Giovana Girardi na mesma edição (Investigações revelam quadrilhas e ganho milionário por trás do desmate). Ambas nos mostram um retrato, ainda que parcial, da real situação na maior floresta do planeta. “Acusado por 11 crimes relacionados ao comércio ilegal de madeira, Valter Costa Filho mostra a tornozeleira eletrônica usada enquanto cumpre prisão domiciliar”, eis o início da entrevista com o madeireiro. De pronto, ele afirma que “não há madeireiro 100% legal na Amazônia, por causa dos esquemas de propina”. E a reportagem prossegue com informações que são de pasmar, como o trecho a seguir: existe o Sistema DOF (Documento de Origem Florestal) emitido eletronicamente pelo Ibama, uma licença obrigatória que as madeireiras devem obter para apresentar o controle do transporte e armazenamento de madeira. Porém, o mateiro, quando vai cortar uma árvore, “digamos que ele chega a 20 metros cúbicos, mas o mateiro vai lá no sistema e joga 30 metros. É pura estimativa. Então, o que acontece. Sobra um saldo de 10 metros cúbicos no sistema para a empresa”. Tem empresa que joga 80% sobre o volume real. Com a somatória da diferença a empresa adquire madeira ilegal, que passa a ser legalizada, mas apenas eletronicamente, acrescento eu, porém é o que vale na prática. “O madeireiro afirmou à reportagem que nunca pagou propina, mas ela lhe foi exigida pelo próprio chefe do Ibama, em determinada época”. Para quem conhece o serviço público, normalmente a chefia é de provimento em comissão e o chefe é de confiança do governo da vez. Pelo conjunto das reportagens do Estadão de 31/8, eu penso que, ao contrário do que fez o presidente, dever-se-ia dotar o Ibama de servidores bem remunerados e bem equipados, para não serem cooptados facilmente pelos bandidos. Também devem estar sujeitos a penas severas se fossem flagrados em aceitar propina e/ou relaxar na fiscalização. Como vimos nas reportagens, as quantias envolvidas nessa roubalheira são vultosas.

 

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

 

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BRASIL & AMAZÔNIA

 

O Brasil e sua Amazônia são como um marido desleixado e violento casado com mulher deslumbrante, cobiçada por todo mundo.

       

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

 

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LIÇÃO PARA BOLSONARO

 

Presidindo reunião da Agência Federal de Gestão de Emergências, o presidente Donald Trump prestigia os pesquisadores e cientistas americanos, escutando atentamente a preleção do diretor do centro nacional de furacões sobre a chegada do furacão Dorian à costa leste americana.

 

Yvette Kfouri Abrão m.abrao@terra.com.br

São Paulo

 

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‘ADOTE UM PROFESSOR’

 

Que notícia boa (Estado, 2/9, A10): professores voluntários dando aulas grátis nas praças, e aulas por amor. Essa categoria sofrida e pouco valorizada merece todo o respeito e carinho da nossa sociedade e, principalmente, do poder público. O projeto Adote um Aluno é emocionante, mas muito importante também seria o “Adote um Professor”. A sociedade e o poder público têm de saber do que o professor precisa! O professor forma o futuro do País!

 

Arcângelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

 

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INADMISSÍVEL

 

Na edição de ontem (2/9) o jornal enaltece a iniciativa de populares que se dispõem a dar aula nas praças públicas (No Rio, lugar de aprender é na praça, página A10). Se fossem receitas médicas, dietas, projetos de construção, aconselhamento jurídico, o jornal seria simpático à atividade? O que faz crer que qualquer pessoa que se julgue capaz de dar aulas sobre algum assunto seja tratada como “voluntária” e seja bem-vinda? Mesmo não havendo cobrança, é inadmissível. Alguém já parou para pensar a quantidade de coisas ruins que podem advir dessa iniciativa? Mormente quando se considera que os “beneficiados”, via de regra, são pessoas humildes, sem muito acesso a bons cursos e aulas particulares e, portanto, pouco propensas a criticar a qualidade do que estão recebendo como informação. Claro que existem “leigos” que podem ajudar outras pessoas no seu aprendizado. Daí a estimular que um exército de autonominados “professores” ou especialistas se apresentem em praça pública para isso vai uma enorme distância. Só num país onde a atividade docente é completamente desprezada, onde o conhecimento de orelha de livro é valorizado, uma coisa dessas poderia prosperar.

 

Heloisa Bauzer Medeiros hbm01@hotmail.com

Rio de Janeiro

 

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MUSEU NACIONAL

 

Li esta semana que é necessário um montante de R$ 300 milhões para reconstruir a segunda parte do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, que, por incompetência gerencial, pegou fogo. Pergunto: o que têm para fazer que custa tão caro assim? Com esse montante de dinheiro não seria possível a construção de um museu moderno? Acho que seria interessante que referido museu fosse entregue à iniciativa privada, tenho certeza de que os custos da reforma não seriam tão elevados assim.

 

Eduardo Cavalcante da Silva cavalcante_1000@hotmail.com

São Paulo

 

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EDUCAÇÃO

 

Cumprimento a psicóloga Rosely Sayão, pela entrevista concedida ao Estado em 1/9 (página A24), sobre educar os filhos (‘Pais têm receio de assumir o papel de careta da família’). Coloca os pais numa saia justa quando diz que “os adultos deixaram de ocupar o lugar central da família e os filhos é que passaram a ocupá-lo”.

 

Gilberto Antônio Scopigno gilberto@scopigno.net

São Paulo

 

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PROIBIDO FUMAR

 

Bastante eleitoreira a atitude do prefeito Bruno Covas de sancionar a lei que proíbe fumar nos 107 parques públicos municipais da capital. Se são parques municipais, portanto ao ar livre, qual o problema de neles fumar? Parece-me até que há uma “horda” de fumantes, cada qual produzindo uma nuvem negra de fumaça, contaminando todo o ambiente. Considero tal medida extremamente radical e questiono: é tão essencial? Não temos outras situações e prioridades na capital com que nos preocupar? Ah, sim! Em Nova York, o fumo é proibido em todos os parques, praias (sem brisa marinha?) e estádios, conforme consta da matéria do dia 31/8 deste jornal. Bem, aí talvez haja um fundamento: “Se é bom nos EUA, é bom para o Brasil”. Esclareço que eu, aos 66 anos de idade, só fumei dois cigarros diretamente na fase de adolescência, no entanto, provavelmente, muitos outros em eventos coletivos, em ambientes fechados até a fase de solteiro aos 30 anos. Portanto, reafirmo: medida midiática, mais uma como estratégia de angariar votos futuros. Oportuno: que tal estabelecer multas, como as definidas, para serem aplicadas a quem fuma em toda a cidade e joga bituca no chão, e aos demais, fumantes e não fumantes, que jogam lixo (orgânico ou não) em todas as vias e espaços públicos?

 

Silvestre Levi Sampaio silvestrelevi@ymail.com

São Paulo

 

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O PREFEITO E O CIGARRO

 

Será que Bruno Covas não tem mais o que fazer? Penalizar fumantes? E a isonomia? Só idiotas agem assim, com desrespeito.

 

Tania Melo Franco taniamelofranco@gmail.com

São Paulo

 

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PLANOS DE SAÚDE E A SAÚDE MENTAL

 

Sobre a reportagem Número de consultas psiquiátricas pelos planos de saúde sobe 20% em dois anos (Estadão, 1/9, A20), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) finge desconhecer que a grande maioria da população não tem acesso a bons médicos especializados no assunto. Ademais, sr. Leandro Fonseca, diretor-presidente da ANS, ver o psicólogo ou psiquiatra uma vez por mês não resolve os problemas daqueles que precisam se tratar. Dopar só com remédios não adianta. É preciso investir na causa, e não na consequência. Maioria deles nem atende planos de saúde. Um plano pelo qual se paga quase R$ 3.500 por mês tem um reembolso de cerca de R$ 230 por consulta, mas o médico especializado cobra R$ 1 mil. Quem pode ir? A elite, deputados, senadores e vereadores, cujos planos são pagos por nós. Além do mais, as operadoras oferecem pouquíssimas opções de médicos nas áreas, como psicólogos, psiquiatras e geriatras. Um plano de saúde no valor de R$ 3.400 oferece quatro opções de médicos geriatras. Levando em conta que a população brasileira está envelhecendo, alguma coisa está errada, mas a ANS não vê. Aqueles que dependem do SUS morrem sem serem atendidos. Por fim, uma pergunta: quando é que o governo vai fiscalizar as agências (Anatel, ANS, Aneel, Anac), que foram criadas para proteger o cidadão? 

 

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

 

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CORRIDA AO PSIQUIATRA

 

O estado de “saúde” do Brasil, comprometido e envolvido em tantos problemas, tem contaminado a população, provocando uma epidemia assustadora, que gerou um aumento de 20% no número de consultas psiquiátricas pelos planos de saúde. Acometida por estresse, depressão e ansiedade, a população anda desesperançosa e angustiada. Sorte de quem ainda tem um plano de saúde, pois depender do SUS é prenúncio de doença incurável, né não?

 

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

 

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CAPACITISMO CONTRA AUTISTAS

 

Assim como centenas de outros autistas e familiares em todo o Brasil, eu, que sou aspie (tenho a Síndrome de Asperger, forma leve de autismo), assim como Greta Thunberg, estou indignado com o artigo As trancinhas teleguiadas do ‘produto’ Greta Thunberg, escrito por Sheila Leirner e publicado no dia 30/8 no blog na seção Cultura do Estado. O texto usa o autismo leve de Greta, com direito até a mencionar pejorativamente suas feições faciais características da condição, para atacar a adolescente, que cada vez mais tem inspirado, empoderado e trazido esperança, consciência socioambiental e espírito de luta a pessoas de todas as idades, em especial jovens autistas, de todo o planeta. Não bastasse isso, traz todo um discurso que, menosprezando as capacidades intelectuais, o vibrante espírito e o sonho de crianças e adolescentes aspies de serem livres para ser eles mesmos e respeitados do jeitinho que são, afirma, com base em puro preconceito capacitista e etarista, que esses jovens seriam uma espécie de marionetes sem pensamento autônomo, “frágeis demais” para desfrutar de liberdades asseguradas pela Constituição e outras leis brasileiras, e deveriam ser tratadas de maneira paternalista e até discriminatória – e que seus pais deveriam ser proibidos de falar a público sobre a condição e, por tabela, as dificuldades, as necessidades e o sonho de aceitação plena de seus filhos neurodiversos. Desrespeitou e discriminou, assim, toda uma comunidade de milhões de crianças, adolescentes e também adultos aspies, e deu “razão” ao bullies e outros intolerantes que tanto sofrimento infligiram ou infligem a autistas como Greta e eu.

 

Robson Fernando de Souza robfbms@hotmail.com

Recife

 

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SEM TEMPESTADES

 

O nosso digno governador João Doria, graças a Deus, não tem o seu nome ligado ao furacão (Dorian) que, com ventos devastadores de quase 300 km/h, é uma das maiores tempestades já registrada no Oceano Atlântico. Doria caminha pacificamente, sem furacão, numa administração política sem tempestades. Continue assim, senhor governador.

 

Antonio Brandileone abrandileone@uol.com.br

São Paulo

 

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LECLERC VENCE CORRIDA DE LUTO

 

Confesso que fiquei até emocionado com a notícia Leclerc segura Hamilton no fim, vence na Bélgica e conquista 1.ª vitória na F-1 (Estado, 1/9). Charles Leclerc teve o sangue frio de manter a cabeça no lugar e conseguir sua primeira vitória. Parabéns a piloto! Finalmente! Já estava na hora... Não é fácil ser um piloto de automobilismo. Quanto ao acidente com o piloto Anthoine Hubert, lamentável. Tanta tecnologia e evolução dos monopostos e um piloto de apenas 22 anos perde a vida. Hubert, campeão da GP3 no ano passado e grande promessa para a equipe Renault, o francês se envolveu num terrível acidente na Fórmula 2, envolvendo cinco carros. Um dia trágico para o mundo do automobilismo. Anthoine Hubert é o 48.º piloto a sofrer acidente fatal no circuito de Spa-Francorchamps; em 1960, dois pilotos morreram na mesma corrida de Fórmula 1. Fica, aqui, minha solidariedade aos amigos, familiares e à Equipe GP da Bélgica de F2.

José Ribamar Pinheiro Filho pinheirinhosb@gmail.com

Brasília

 
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