Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2019 | 03h00

CENSURA

No século 21

A liberal-democracia viveu momentos estranhos na última semana. Livro didático que ensinava sobre diversidade sexual e práticas anticoncepcionais foi recolhido, com aval presidencial, pelo governo do Estado de São Paulo. E gibi que trazia um beijo gay foi censurado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, sob ordens do prefeito Marcelo Crivella (PRB). O fundamentalismo amoral do bolsonarismo ultrapassou os limites constitucionais sob o argumento de defesa da infância. Soa inacreditável que no século 21 o pensamento retrógrado de Crivella e Bolsonaro e o oportunismo de João Doria ataquem liberdades e ainda sejam considerados normais por sua ideologia. Publicação adulta, o gibi não incluía pornografia ou obscenidade que configurasse violação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Estado democrático de hoje não se pode igualar ao Estado censor que vigorou a partir de 1964.

JORGE NETO

jorgealneto@gmail.com

São Paulo

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Que Justiça é essa?

Um manda apreender o livro, ou prender alguém. Outro manda não apreender ou soltar. Um terceiro manda novamente apreender ou prender. E, finalmente, o Supremo Tribunal Federal (STF) proíbe a apreensão ou manda soltar. É o samba do crioulo doido! Qual é o custo deste prende e solta?

MILTON BULACH

mbulach@gmail.com

Campinas

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EDUCAÇÃO

A criança em primeiro lugar

Quero cumprimentar a equipe deste honrado jornal pela elegância, concisão e precisão com que retratou, nas Notas & Informações de ontem (Polarização inoperante, 9/9, A3), a tola e inócua beligerância política vigente no País. Urge que sejam priorizadas decisões e ações positivas que venham de encontro aos anseios dos nossos jovens. Urge, igualmente, que os recém-chegados na cultura recebam dos órgãos competentes brasileiros a educação a que têm pleno direito.

MARIA CECILIA DE A. PARASMO, coordenadora do Grupo Criança na Creche

mcparasmo@uol.com.br

São Paulo

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GOVERNO BOLSONARO

O drama brasileiro

Muito bom o artigo O que nos ensina o drama argentino (8/9, A2), de Sérgio Fausto. Se entendi bem, o autor faz uma correlação entre a polarização que vivemos hoje no Brasil e a presente na Argentina desde os anos 1950. Esqueceu-se o autor, contudo, de deixar bem claro quem seria o nosso Perón. Quem cindiu o Brasil e fez surgir o tosco presidente. Quem dividiu o Brasil entre pobres e ricos, brancos e negros, Nordeste e Sudeste, etc. Quem trouxe para cá a intriga racial antes inexistente por aqui. Quem criou, enfim, o maldito “nós contra eles”, que envenenou a política nacional e o convívio social. O despreparado presidente sabe disso e por isso trata de manter o País assim. Foi daí que ele nasceu. Quanto ao nosso Perón, para o bem da Nação, espero que nunca saia de onde hoje está.

JOSÉ JAIRO MARTINS

josejairomartins7@gmail.com

São Paulo

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CONTAS PÚBLICAS

Apagão

Ótimo o artigo de Paulo Rabello de Castro O apagão que vem aí (Estado, 9/9, A2), sobre a inacreditável decisão do Supremo Tribunal Federal que impede a redução proporcional da remuneração de servidores em caso de corte de horas trabalhadas, mesmo em caso de absoluta falta de verba. O que quer o tribunal, destruir o País?

ADEMIR VALEZI

valezi@uol.com.br

São Paulo


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O plenário do STF formou maioria considerando inconstitucional a redução da jornada de trabalho com a respectiva redução do salário, o que seria adotado quando a União, Estados e municípios tivessem estourado os gastos com pessoal. Pois é, nos EUA, não havendo verba para o pagamento, os governos concedem férias compulsórias sem remuneração para setores não essenciais; aqui, quebrar o Estado é constitucional.

PAULO TARSO J. SANTOS

ptjsantos@yahoo.com.br

São Paulo


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Aprofundando a crise

Senhores ministros, é preciso deixar claro para os brasileiros qual é a diferença entre o funcionário de uma empresa privada poder ter o seu salário reduzido em caso de redução da jornada e o funcionário público, não. Assim, a Corte contribui cada vez mais para o fortalecimento do corporativismo e a falência de municípios, Estados e do Brasil.

DARCI TRABACHIN DE BARROS

darci.trabachin@gmail.com

Limeira


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ENERGIA

Produção de petróleo

Excelente a notícia (Estadão, 8/9, B2) de que a Petrobrás, com a elevação da produção do pré-sal, alcançou a extração de 3 milhões de barris/dia de óleo equivalente, podendo atingir 4 milhões no início da próxima década. Este expressivo ganho vem acompanhado da fabricação de mais de 30 bilhões de litros de etanol da cana-de-açúcar (safra 2018/2019), que permitiu a expressiva economia de petróleo e gasolina importados e a redução da emissão de gases de efeito estufa, em linha com o Acordo de Paris (COP 21). São esperadas do governo propostas de ações concretas para maior integração das energias fósseis com o agronegócio brasileiro, o que poderá assegurar a ambicionada independência energética do País.

LUIZ GONZAGA BERTELLI, diretor e conselheiro da Fiesp-Ciesp

lgbertelli@uol.com.br

São Paulo


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MEMÓRIA

‘A Fogueteira do Maracanã’

Na reportagem sobre o episódio da “fogueteira do Maracanã” (Farsa de Rojas provocou ataques a brasileiros no Chile, 8/9, A25), faltou mencionar três relevantes fatos. 1) O clima de hostilidade foi criado bem antes da partida, pela federação chilena. A seleção foi transportada de Santiago para o Rio de Janeiro por avião da Força Aérea Chilena, o que foi interpretado como um gesto de desrespeito e agressividade para com o Brasil. 2) A punição imposta pela Fifa à seleção do Chile, além da eliminação naquela Copa, foi a suspensão também na Copa seguinte, da qual o Chile não participou nem das eliminatórias. 3) Lembro-me como se fosse hoje de uma manchete de um jornal chileno no dia seguinte, em letras garrafais, Viejos Sinvergüenzas, referindo-se aos dirigentes da Fifa que impuseram a punição. Era muito comum, na época, setores da imprensa ajudarem a disseminar o ódio e a violência. Jornais brasileiros, por exemplo, costumavam colocar na manchete em vésperas de jogos decisivos: Agora é guerra!

MISAEL RIBEIRO

placasbonitas@gmail.com

Mogi das Cruzes


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“As pessoas que estavam de preto no Dia da Pátria participavam do enterro do PT?”

EUGÊNIO JOSÉ ALATI / CAMPINAS, SOBRE OS ‘DESFILES’ DE PETISTAS E SEUS SATÉLITES

eugenioalati13@gmail.com


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“Com a saída temporária do presidente Bolsonaro, é a hora de sentirmos a performance do sr. vice-presidente. Sem ilações, é claro”

MARCOS CATAP / SÃO PAULO, SOBRE O TEMPO DE RECUPERAÇÃO DO PRESIDENTE APÓS MAIS UMA CIRURGIA ABDOMINAL

marcoscatap@uol.com.br

O LOBBY DOS SERVIDORES

 

Mais que esperado o lobby dos servidores contra qualquer reforma que vise a menores custos e maior eficiência do Estado (Servidores organizam lobby contra demissão e corte salarialEstadão, 9/9, B1). Todos trabalham pouco, uma parte não trabalha e alguns ainda roubam. Ainda assim, ganham – conforme reportagem do Estadão de 21/11/2017 – 70% a mais que os funcionários da iniciativa privada, maior diferença entre os 53 países pesquisados pelo Banco Mundial. Estão, como de costume, defendendo seus privilégios, mantidos pela exploração abjeta do contribuinte brasileiro.

 

Herman Mendes hermanmendes@bol.com.br

Blumenau (SC)

 

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LEVANTE DOS BUROCRATAS

 

Forma-se uma frente parlamentar para barrar e atrapalhar a Reforma administrativa e para impedir que ela toque nas prerrogativas dos servidores públicos. Não abrem mão da estabilidade e muito menos da redução salarial. Não desejam olhar para os salários da iniciativa privada nem experimentar o regime de eficiência que predomina nas empresas para conseguir tempo no emprego. Desejam, simplesmente, estabilidade sem demonstração de serviços e salários mediante trabalho medíocre. Com efeito, os servidores públicos precisam ser avaliados a cada biênio e seus salários, ter correlação com os da iniciativa privada, mesmo porque quem lhes paga são os contribuintes, suportando uma imensa carga tributária.

 

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

 

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MATEMÁTICA

 

A classe política e a casta dos funcionários públicos ainda não se deram conta de que, em não havendo contribuição deles para que haja solução para o desequilíbrio orçamentário que o País enfrenta (em que 95% do Orçamento é consumido por nababescos benefícios de que estas duas categorias usufruem), não existe milagre para que o País solucione seu grave problema. Não é “batendo o pé” em defesa da Constituição de 1998 – que erroneamente concentrou suas leis na garantia de privilégios às castas dominadoras do poder – que eles mostram sustentação em seus argumentos. Basta compararmos os nababescos ganhos destas castas com o que é pago em países avançados para mostrar a inimaginável distorção que há. E tenhamos em conta que países importantes atacaram fortemente estes desequilíbrios em anos recentes, pois a Matemática não pode ser contornada por privilégios que leis nacionais garantem aos setores que exageram em seus ganhos. Não precisamos ir tão longe, basta compararmos localmente o ganho de um funcionário público privilegiado, da ordem de R$ 40 mil por mês (ou mais), com os miseráveis R$ 2 mil que ganha um professor, sem falar no trabalhador que aufere muito menos. Não nos iludamos, nenhuma retórica ou projeto mirabolante, mesmo que bem concebido, consertará essa equação insolúvel sem que os privilegiados entendam que parte de seu bolo deve ser devolvida à Nação.

 

Pedro Paulo Santos  santospedrop@hotmail.com

Sorocaba

 

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REFORMA URGENTE

 

Existem cerca de 11,6 milhões de servidores no Brasil, e nos últimos 20 anos ocorreu um aumento de 83% nos gastos com essa turma. Temos, hoje, 6,5 milhões de servidores municipais, 3,7 milhões de estaduais e 1,3 federais, cujos salários são em média de 10 a 12 vezes mais que os dos trabalhadores da iniciativa privada. Sem contar que eles têm estabilidade, aposentadoria integral, benefícios, excesso de licenças e, para os corruptos, a liberdade. Considerando o péssimo retorno que a sociedade civil recebe, isso é uma grande injustiça. Temos 12 milhões de desempregados e outros milhões de trabalhadores que pagam impostos que ajudam a sustentar esta turma. Vejam os salários do Judiciário e dos professores das universidades federais, por exemplo. Um escândalo. Sem contar outros milhões de inativos, outro fardo social. Há, ainda, estatais inúteis e perdulárias e órgãos inúteis como as Assembleias Legislativas, os Tribunais de Contas dos Estados e de alguns Municípios. Uma reforma administrativa é do que precisamos com urgência, para corrigir essas injustiças e termos dinheiro para coisas essenciais e urgentes para o Brasil.

 

André Luis Coutinho arcouti@uol.com.br

Campinas

 

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OS MILIONÁRIOS

 

Enquanto o governo não revelar os salários e as aposentadorias milionárias de parte privilegiada do funcionalismo, será difícil de reformar a Previdência.

 

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas

 

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RAZÕES HISTÓRICAS

 

Quais são as razões históricas para o Brasil não decolar, onde tudo começou a dar errado? O desprezo, desde o início, por outras etnias influenciou na educação? O País não se libertou do tempo do Brasil-Colônia? A exploração sem limites fixou uma ideia de território sem lei? Os primeiros mandatários impuseram subserviência a um povo que jamais recuperou sua autoestima? As amarras da colonização, apesar do grito da independência, deixou um rastro de subordinação sociocultural indissociável? Por que será que o Brasil tem pernas, mas não anda, tem braços, mas não faz, tem cérebro, mas não comanda? Responde, Brasil!

 

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

 

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NO DIA DA PÁTRIA

 

Impossível deixar de constatar, nas mensagens recebidas e postadas pela TV Brasil durante a sua transmissão do desfile cívico-militar em Brasília, o orgulho de muitos cidadãos brasileiros com o Brasil atual. É importante não desprezar tal sentimento, pois, além de obviamente legítimas, elas representam o sentimento de grande parte dos brasileiros, a massa antes silenciosa, e ao mesmo tempo, irrefutavelmente, demonstra a divisão ideológica que reina no País. Urge encontrar um ponto comum entre as duas correntes, antes que seja tarde para isso.

 

Nei Gravina Job neigravina@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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AUSENTES

 

Nesse 7 de setembro, o governador de São Paulo, João Doria, e o prefeito Bruno Covas combinaram não aparecer no evento cívico, sinalizando uma clara ruptura com o discurso de Bolsonaro, que foi eleito pregando o patriotismo, os valores familiares perdidos nos últimos anos, entre outros. Com relação ao prefeito, é fantoche do governador e acha que os paulistanos são cegos.  Outrossim, o governador justificou sua ausência indo ao Museu do Ipiranga e disse que estava trabalhando. Ora essa, governador, então o senhor alegou estar trabalhando enquanto ignorou o trabalho de todos os que participaram das comemorações da Independência do Brasil? Um desrespeito aos funcionários e cidadãos. No seu lugar, eu teria vergonha de ter um museu com essa importância fechado desde 2013. Depois da Lava Jato, sabe-se, quanto mais uma obra demora a ficar pronta, mais a corrupção avança. Para ficar só num exemplo, basta ver o tempo que leva para entregar um trecho do metrô.

 

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

 

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A POLÊMICA NA BIENAL DO RIO

 

Li ontem que Toffoli barra apreensão de livros com tema LGBT (Estado, 9/8, C3) com a alegação de que “regime democrático pressupõe um ambiente de livre trânsito de ideias”. Por outro lado, para que não haja abuso de expressão e exploração de figuras, existem leis. Será que não é o caso destas publicações?

 

Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

 

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O JOGO DA BIENAL

 

No fim, acabou acontecendo o que a Bienal do Livro do Rio de Janeiro queria. Fizeram o jogo dela. Esgotou a edição do livro que causou polêmica. O mais decepcionante é a Corte Suprema do País proibir a apreensão do livro. Também, o que esperar? Se soltam corruptos...

 

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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INCOERÊNCIAS

 

A Justiça brasileira vem produzindo um sem número de decisões em que não se consegue extrair a mínima coerência. O empresário Luciano Hang recebeu notificação do Ministério Público pelo uso da bandeira brasileira. Nos Estados Unidos, a bandeira é idolatrada e utilizada nas casas, no comércio, na bola de futebol, etc. Há poucos dias, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu proibir, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), a Prefeitura do Rio de Janeiro de apreender livros de temática LGBT voltados para o público jovem, alegando que o regime democrático pressupõe um ambiente de livre trânsito de ideias. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro havia autorizado a Prefeitura a efetuar o recolhimento. O livre trânsito de ideias não foi concedido à revista “Crusoé”, não é mesmo, ministro Dias Toffoli? Difícil, muito difícil sobreviver num mundo assim.

 

Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

 

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MENOS PALCO

 

Sem entrar no mérito da dupla decisão do STF proibindo a prefeitura do Rio de apreender o livro de temática LGBT na Bienal do Livro, ficou claro que o princípio da economia processual não funciona na Suprema Corte. É cada um pra si! Os impermeáveis ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes (sempre ele), paralelamente, decidiram na mesma direção, chamando a si os holofotes ao apagar das luzes da Bienal. Por óbvio, havendo racionalidade e controle processual, não seria mais crível a concentração das liminares no mesmo ministro, por conexão e identidade? Como ficariam as vaidades se houvesse decisões divergentes dos demais ministros sobre o mesmo conteúdo em outras petições? Caberiam recursos ao corregedor? Suprema e perdulária Corte, foque no foco! Mais eficácia, menos luzes e menos palco.

 

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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COMO NOS FILMES

 

O desembargador Cláudio de Mello Tavares, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, foi injustiçado ao ser acusado de impor censura a livros com conteúdo de assuntos LGBT. O juiz apenas fez um alerta sobre livros com escopo delicado, assim como existe alerta sobre proibição de filmes para menores de 18 anos. O magistrado exarou em sua sentença que os livros deveriam ter um aviso sobre a idade dos leitores. Quem deveria decidir sobre a leitura das crianças são seus pais. Lamento que esta temática LGBT seja tão importante a ponto de roubar a cena de assuntos que de fato afetam a sobrevivência digna da sociedade, como alimentação, segurança, saúde, meio ambiente e instrução.

 

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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CADA UM NO SEU QUADRADO

 

Não há a menor sombra de dúvida de que existem muitíssimas prioridades com as quais o prefeito Marcelo Crivella deva se preocupar na cidade do Rio de Janeiro e nem é preciso enumerá-las aqui. Porém, o beijo gay estampado numa obra em quadrinhos a disposição de qualquer um, inclusive de criancinhas, merece e deve estar entre suas preocupações, sim. Qual é a dúvida ?

 

Maria Elisa Santos melisalf3175@gmail.com

São Paulo

 

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É PROIBIDO PROIBIR

 

A homofobia retratada na Bienal do Livro do Rio chegou às raias do ridículo, causada pela inserção de um exemplar ter mostrado um par de jovens do mesmo gênero trocando beijos na boca. O ridículo está no fato de que cenas como a estampada no livro são vistas diariamente nas praias, nos parques e até mesmo nas vias públicas. Uma verdadeira celeuma em torno de um assunto que já é visto com a maior naturalidade, como mais uma novidade do “modus vivendi” das transformações de usos e costumes da sociedade. Um fato corriqueiro que mobilizou o autor da ordem de recolhimento dos exemplares citados, o prefeito do Rio de Janeiro, o procurador-geral da República e o Supremo Tribunal Federal numa sucessão de liminares “cassa, não cassa”. A homofobia está inserida nos nossos costumes. O assunto serviu apenas para que o desfile da Independência, mostrando um autêntico show do nosso presidente, não fosse devidamente publicado, principalmente nas cartas dos leitores.

 

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

 

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AS MÃES SEMPRE TÊM RAZÃO

 

Sobre as matérias publicadas ontem (9/9) no Estadão (Toffoli barra apreensão de livros com tema LGBT e Ator é agredido e denuncia homofobia), elas me fizeram lembrar o que minha mãe dizia: “Pessoas não são boas ou são ruins, apenas inteligentes e desprovidas dessa qualidade”. O título do livro em questão na Bienal do Rio é Vingadores – A cruzada das crianças. Com esse sugestivo título, não é destinado ao público infantil? O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê lacre e informação do conteúdo em obras impróprias para o público infantil. O juiz Toffoli não é má pessoa, apenas destituído de inteligência, e, na sua ignorância, julgou este caso baseado no seu “achismo”, por desconhecer a Lei, o que é lamentável e inaceitável para um ministro do Supremo. No caso da nota sobre a reação do motorista do ônibus dando um corretivo e expulsando os passageiros que estavam praticando atos libidinosos em lugar público, foi legítima defesa, baseada na violenta emoção após injusta provocação da vítima. O fato de os infratores serem gays não é atenuante nem pode servir de desculpa para a falta de respeito. Espero que esta onda de tachar de homofobia todas as condutas que ferem as leis em vigor passe, e a inteligência vença a ignorância.

 

Maria Gilka mariagilka@mariagilka.com.br

São Paulo

 

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CENSURA NÃO!

 

A propósito da polêmica manifestação de intolerância explícita do prefeito do Rio de Janeiro, o bispo licenciado Marcelo Crivella, em relação à blitz que visava a apreensão do livro de temática LGBT na Bienal do Livro da cidade, cabe, por oportuno, reproduzir o que bem disse o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, ao barrar a condenável e inaceitável iniciativa: “O regime democrático pressupõe um ambiente de livre trânsito de ideias, no qual todos tenham direito a voz. De fato, a democracia somente se firma e progride em ambiente em que diferentes convicções e visões de mundo possam ser expostas, defendidas e confrontadas umas com as outras, num debate rico, plural e resolutivo. Nesse sentido, é esclarecedora a noção de ‘mercado livre de ideias’, oriunda do pensamento do célebre juiz da Suprema Corte Americana Oliver Wendell Holmes, segundo a qual ideias e pensamentos devem circular livremente no espaço público para que sejam continuamente aprimorados e confrontados em relação à verdade”. Nestes tempos estranhos de patrulhamento ideológico que remetem aos piores anos da Idade das Trevas, de lamentável memória, é preciso saber separar o necessário cuidado que se deve ter com a proteção à criança e ao adolescente do preconceito deslavado com a temática LGBT. Liberdade de expressão e de impressão de ideias, sim, censura não. Nunca mais. Basta!

 

J. S. Decol  decoljs@gmail.com

São Paulo

 

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ESCOLAS CÍVICO-MILITARES

 

Depois de todo o empenho de educadores para a definição de uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que nem sequer foi implantada, vem o presidente da República com o intuito de incentivar e ampliar o número de escolas cívico-militares para alguns poucos privilegiados (Estadão, 8/9, A3). Prioridade para o País é prover ensino de qualidade e capacitação profissional para o mercado de trabalho a todo estudante, sem distinção de classes sociais.

 

Ari Cosme Francois arifrancois@hotmail.com

Ribeirão Preto

 

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DEMOCRACIA

 

Enganam-se os que pensam que democracia é um sistema autônomo que tem vida própria e caminha por si só. Ao contrário, democracia é um processo dinâmico que exige discussões, cuidado e manutenção constantes. O essencial e louvável debate promovido pela Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps) e Estado (Democracia em foco, 8/9, H1) faz parte deste processo muito apropriadamente descrito por este jornal como “aprimoramento da democracia” e das “instituições”. Este é mais um exemplo claro da função essencial do jornalismo como agente difusor e mantenedor das instituições democráticas, e não somente um mero agente espectador que se dá o direito de usufruir da liberdade de imprensa como se isso só se bastasse. Infelizmente, alguns veículos de comunicação parecem ter escolhido o caminho do sensacionalismo rasteiro e compulsivo, com o único intuito de desestabilizar as instituições, achando que, desta forma, estão praticando a saudável democracia. Ledo e lamentável engano. Uma sociedade saudável, se ainda não sabe, aprenderá a repelir estas ervas daninhas.

 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

 

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PARTICIPAÇÃO FEMININA

 

É respeitável o trabalho da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps) na formação de novos candidatos. Quanto a cotas femininas para o Congresso, sou contra. Pelo menos as de esquerda são radicais demais e, em vez de falar, só gritam.

 

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo

 

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PONTE PIRITUBA-LAPA

 

Somos a Associação de Amigos e Moradores Pela Preservação do Alto da Lapa e Bela Aliança (Assampalba), simplesmente conhecidos por City Lapa (protegidos por Tombamento pelo Conpresp, são também ZER e Zepec). Referimo-nos aqui à ponte de ligação entre Pirituba e Lapa, cujo atual projeto não inclui alças de saída direta para a Marginal Tietê (lado Lapa). Este fato acarretará efeitos nefastos pelo grande fluxo de veículos vindos de Pirituba, causando assim caos no trânsito de toda a região da Lapa e a consequente degradação socioambiental e urbanística especialmente na sua desembocadura (City Lapa), irradiando-se por toda a Lapa, com reflexos até em bairros contíguos. A Vila Anastácio seria sua primeira vítima. Nada justifica esta ausência das referidas alças nesta ponte, fato que também prejudicaria os usuários vindos de Pirituba com destino a bairros mais distantes, sendo a Marginal o melhor caminho. Na audiência pública sobre a ponte, no dia 5/9, protocolamos à Siurb uma “petição de esclarecimentos e providências”, cujo teor detalha aspectos técnicos e legais justificando plenamente nosso pleito de “inclusão das alças de saída direta para a Marginal no lado Lapa”.

 

Edison Eduardo Monteiro de Barros, presidente da Assampalba assampalba.sp@gmail.com

São Paulo

 

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NA FILA PARA EXECUÇÃO

 

Estadão nos apresentou à página A12 de 8/9 (Trump usa brecha para levar pena de morte a Estados que proíbem execuções) cinco fotos faciais de criminosos “na fila para execução” por terem praticado crimes horripilantes, como verdadeiras feras humanas, que nos arrepiam o cabelo. Entre as referidas fotos eu destaco uma, pelo seu conteúdo arrasador: a foto de Alfred Bourgeois, que “abusou, torturou e assassinou sua filha de apenas 2 anos e 6 meses. Sua execução está programada para janeiro”. Que monstro, que merecimento! Com a volta de aludida execução, os EUA estão dando às outras nações do mundo um exemplo primoroso para ser aplicado em casos idênticos. O país que assim agir estará dignificando a raça humana. “Ita speratur”, assim se espera.

 

Antonio Brandileone abrandileone@uol.com.br

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