Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2019 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

Carlos e a via democrática

Carlos Bolsonaro, como se doutrinador ideológico fosse, assevera no Twitter que, pelas vias democráticas, as reformas desejadas por seu pai não se concretizarão. O que significa esse pensamento? Que há necessidade de um rompimento ou substituição do regime democrático para realizar as reformas esperadas pelo País? Ora, isso não se coaduna com a nossa Carta Magna nem com o desejo dos brasileiros, que jamais abdicarão de seus direitos democráticos pelas agruras de uma ditadura.

JOSÉ CARLOS DE C. CARNEIRO

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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Porta-vozes do pai

Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro não são palpiteiros que atravessam o discurso presidencial do papai. São porta-vozes do presidente, que pessoalmente só fala de assuntos menores e periféricos aos temas centrais de governo. Jair Bolsonaro deixa para os filhos dizerem o que realmente pensa o quarteto governamental brasileiro.

PAULO SERGIO ARISI

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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REFORMA TRIBUTÁRIA

Papo recorrente

Entra governo, sai governo e lá vêm os “pseudoeconomistas” de plantão querendo reeditar a famigerada CPMF, imposto injusto, cumulativo e que inibe qualquer tipo de investimento em setores produtivos, pelo vertiginoso aumento de custos em toda a cadeia produtiva no País. O presidente Jair Bolsonaro prometeu, na campanha eleitoral, jamais reeditar a CPMF, mas está a descumprir mais uma vez a palavra dada, por um aumento de arrecadação de impostos que virá a prejudicar toda a sociedade brasileira, já tão desgastada com o altíssimo número de desempregados, subempregados, desamparados, muitos vivendo ainda abaixo da linha da pobreza. Paulo Guedes e Marcos Cintra deveriam é focar em eliminar gastos e usar a altíssima carga tributária em prol da população, que sofre com a falta de um sistema de saúde digno, com uma educação execrável e segurança vergonhosa. Nosso atual governo deveria ter vergonha dessa proposta, não suportamos mais a carga que carregamos e alimenta marajás que não são dignos de nossos votos.

BORIS BECKER

borisbecker@uol.com.br

São Paulo


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CPMF alternativa

Estou de acordo com a cobrança da CPMF desde que incida exclusivamente sobre capitais especulativos, que nada produzem para o País. Creio que o mercado não se importará, pois os ganhos são astronômicos. Indo aos números, a média diária de negociação na bolsa de valores é de R$ 15 bilhões. Anualizando, chegamos a R$ 3,8 trilhões. Aplicando uma pequena alíquota de 3% o governo pode arrecadar R$ 100 bilhões por ano. Penso que essa seria uma boa alternativa. A população e quem produz neste país ficariam aliviados. Fica a sugestão.

PAULO HENRIQUE C. DE OLIVEIRA

ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro


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FINANÇAS PÚBLICAS

Aqui não dá

Paulo Rabello de Castro, no artigo O apagão que vem aí (9/9, A2), oferece uma boa solução para o problema do crônico desequilíbrio fiscal do orçamento brasileiro. O articulista ressalta a necessidade de seriedade da parte dos três Poderes, em especial do Legislativo e do Judiciário. Mas aí é que mora o perigo. Os deputados e senadores não parecem nada dispostos a abrir mão de algumas das suas regalias para terem moral de tirar as regalias dos outros.

MARCO ANTONIO ESTEVES BALBI

mbalbi69@globo.com

Rio de Janeiro


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Que país é esse?

Já imaginou se um dos seus empregados fizer uma coisa errada, prejudicial à sua empresa, e você tiver de pagar o advogado para defendê-lo? A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que permite o uso do fundo eleitoral para remunerar advogados de políticos acusados de delinquir. O Brasil, em crise, vai torrar bilhões nesse fundo. Parece mentira, mas é verdade.

HUMBERTO SCHUWARTZ SOARES

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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CARTEIRA DE ESTUDANTE

Fim do monopólio

Ainda sobre a carteira de estudante digital, estava mais do que na hora de acabar com o monopólio da UNE. Tenho 53 anos e já nos meus tempos de estudante no ensino fundamental e médio qualquer pessoa conseguia obter esse “documento”, desde que tivesse algum amigo na entidade e/ou pagasse a propina cobrada. Só um completo desinformado ignora essa realidade.

LUCIANO NOGUEIRA MARMONTEL

automatmg@gmail.com

Pouso Alegre (MG)


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BUROCRACIA

Bilhete Único, novo cartão

O novo cartão do Bilhete Único passa a ter foto e dados do usuário. Trata-se de uma medida perfeita para evitar fraudes e usos indevidos. Entretanto, a exigência de enorme burocracia para um bilhete normal, que é carregado e pago antecipadamente pelo valor total da passagem, parece-me descabida e sem sentido. Eu, por exemplo, tenho um bilhete pré-carregado, de uso de toda a família quando andamos de metrô. Tenho certeza que a grande maioria dos atuais usuários desse bilhete não se dará ao trabalho de se sujeitar a toda a burocracia necessária para a obtenção do documento e passará a comprar as passagens nas bilheterias das estações. O Metrô deixará de receber os valores de uma quantidade de passagens adquiridas antecipadamente e terá de abrir um grande número de bilheterias e contratar funcionários para operá-las.

LUIZ ANTÔNIO ALVES DE SOUZA

zam@uol.com.br

São Paulo


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SOLIDARIEDADE

Ajuda inesperada

Neste mundo tão agressivo, vivemos sem ter em nossas mãos a solução para todos os problemas do mundo. Porém diante dos problemas do mundo temos nossas mãos, que podem e devem ser utilizadas para ajudar o próximo. Na cidade de Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, Marcos Pereira da Cruz, um porteiro, foi parado numa blitz policial e se constatou que os documentos de sua motocicleta estavam vencidos. Marcos pediu aos policiais que não apreendessem o veículo porque precisava dele para levar sua esposa três vezes por semana para fazer hemodiálise. Contou que não tinha os documentos regularizados por não ter o dinheiro necessário. Sensibilizados, os policiais, então, fizeram uma vaquinha e conseguiram R$ 450 de doações para ele pagar os documentos. Como já foi dito por um sábio, “bom não é ser importante, o importante é ser bom”.

JOMAR AVENA BARBOSA

joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro


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“Eduardo visita o pai no hospital com arma na cintura, enquanto o seu irmão Carlos declara que a transformação do Brasil por via democrática, se acontecer, não será rápida o suficiente. Que faroeste é este?”

OMAR EL SEOUD / SÃO PAULO, SOBRE OS FILHOS DO PRESIDENTE JAIR BOLSONARO

elseoud.usp@gmail.com

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“Mais uma denúncia contra o mais ‘honesto’, até o irmão ele arrastou para a lama. Nem a ‘zelite’ faria melhor!”


MARCIO ROBERTO FERRAZ / SÃO PAULO, SOBRE ‘MESADA’ DA ODEBRECHT PARA FREI CHICO A PEDIDO DE LULA DA SILVA, SEGUNDO A LAVA JATO

marciorobertoferraz@yahoo.com.br

 

NO DNA

 

“Está no DNA” ou “tal pai, tal filho” são duas expressões populares que se aplicam bem à mais recente patacoada divulgada pelo filho do presidente Jair Bolsonaro o vereador Carlos Bolsonaro, pelo Twitter: “Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos”. Não dá nem para dizer que a frase é emblemática; pelo contrário, mais direta, impossível! Tal qual seu pai, o vereador dirige estas palavras a um público cativo – felizmente minoritário – que não tem o mínimo apreço pelos valores democráticos. Respondendo ao questionamento de Carlos Bolsonaro após a repercussão em torno da mensagem (“agora virei ditador?”): não “virou”, vereador. Quem publica este tipo de coisa e não se retrata é porque tem a ditadura no DNA.

 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

 

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NOVA CRISE DO NADA

 

Em qualquer oportunidade que o presidente da República, Jair Bolsonaro, se ausenta de Brasília, seu filho Carlos, por alcunha “Carlucho”, busca os holofotes. Com o pai hospitalizado pelos próximos dias, Carlucho reapareceu na busca pelo estrelato. Como sempre, com declarações estapafúrdias por meio das redes sociais e com o único resultado, até agora, de fomentar crises com potencial para paralisar a agenda positiva do governo. A bem da verdade, cabe reconhecer, isso só acontece porque Jair Bolsonaro manifesta tolerância ilimitada aos disparates do rebento número 2. Desta vez Carlucho, do alto de sua irresponsabilidade, usou o Twitter para dizer que “a transformação que o Brasil quer” não acontecerá na velocidade almejada “por vias democráticas”. Pronto! Mais uma crise surgida do nada. Ficasse a afirmação de Carlucho na lista dos episódios grotescos, desprovidos de maiores consequências, menos mal. Mas atrás dela parcela da classe política irá garimpar vantagens diversas para aceitar obscurecê-la. Nós – as vítimas do engodo eleitoral de Bolsonaro – arcaremos indefesos com o pagamento de mais essa conta.

 

Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo

 

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NA LEI OU NA MARRA?

 

Em primeiro lugar, continuarei apoiando Bolsonaro, desde que, de uma vez por todas e indubitavelmente, volte a reger-se pelo seu mote de campanha: “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. Isso porque o que se está vendo é que acima de todos está a filharada, intelectualmente menor, iluminada pelo superado Rasputin-Olavo. Carlos, sem nenhuma expressão, aboletou-se de novo no veículo presidencial no 7 de Setembro, e estava tão acomodado no banco de trás que nem pode alegar desta vez que estava ali para dar segurança ao presidente, já que as costas do pai estavam desguarnecidas. O vereador inexpressivo prega, abertamente, mudanças à moda Brizola, “na lei ou na marra”. Não sei se isso é legal, mas entendo que o governo está procurando dividir as Forças Armadas, empregando as propostas casadas de reformas da reestruturação da carreira e Previdência com este objetivo, buscando aninhar os praças. De novo, vemos aí a inspiração de Brizola em março de 1964. A Revolução dos Bichos mostra o que, a seguir, mudará somente a Nomenklatura. Carlos pensa que já conta com um cabo e um soldado, mas isso no Exército da cabeça dele, que nunca serviu à Pátria. Mas, se prospera a inversão hierárquica nas discussões, em desprestígio dos chefes militares, estará instalada a anarquia, sem certeza de que a direita empolgue o poder ditatorialmente. Na Rússia, o comunismo instalou-se nos idos de 1918 apesar de uma base bem pequena, mas fortemente coesa. Aqui, o que dá para rir dá para chorar, como na letra de Billy Blanco. Democracia é melhor! Finalmente, o nosso possível novo embaixador em Washington, posando de arma na cintura, acintosamente, dentro de um hospital guarnecido pelo nosso Gabinete de Segurança Institucional – a CIA brasileira –, está mostrando aos gringos o nível de segurança em que se vive (e se morre) no Brasil. Melhor pôr estas crianças para fora da sala.

 

Roberto Maciel rovisa681@gmail.com

Salvador

 

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DEMOCRACIA

 

Será que Eduardo Bolsonaro vai chamar “sua turma” e forçar “na marra” o regime democrático?

 

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

 

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GOLPES E DEMOCRACIAS

 

O escritor e professor polonês Adam Przeworski afirma que, de 1788 a 2008, pelo mundo ocorreram 577 golpes para chegar ao poder de uma nação, e apenas 544 por caminhos democráticos, como lembra o cientista político Carlos Pereira, em seu artigo Entre aflição e conforto, no Estadão de 9/9 (página A6). Sinal de que alcançar o poder por meio de eleições competitivas e democráticas é coisa recente.

 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

 

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O JAGUNÇO

 

Eduardo Bolsonaro, o orgulhoso filho jagunço do presidente, foi com revólver na cintura visitar o pai recém-operado em São Paulo. Vergonhoso e patético. Pelo jeito a sabatina do fritador de hambúrguer no Senado promete fortes emoções. Donald Trump também adorou o desprendido e singelo gesto juvenil do amigo de infância. A atitude estúpida e vergonhosa do filhote aprendiz de diplomata levou boas energias ao sorridente capitão e ao tranquilo ambiente do moderno e seguro hospital. Por sua vez, nesta linha de deboche explícito, o irmão e vereador Carlos, outro valente do clã, criticou pelas redes sociais a importância do regime democrático. Oremos.

 

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

 

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PRETENSO EMBAIXADOR

 

Sem qualquer cerimônia, o candidato à Embaixada dos Estados Unidos e deputado federal Eduardo Bolsonaro foi visitar seu pai no hospital onde o presidente se recupera de uma cirurgia reparadora. Para o espanto de todos, Eduardo “apareceu” armado na visita. Estaria ele pronto para intimidar alguém, caso houvesse algum contratempo no reestabelecimento do paizão, ou simplesmente seria esta a maneira singela do pretenso embaixador de mostrar suas aptidões? Pobre Brasil!

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

 

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PERGUNTA NO SENADO

 

As crianças passam uma fase na qual se divertem com armas de brinquedo e fantasias galácticas, e quando chegam à maturidade assumem outros interesses, abandonando ideias infantis. Há adultos que apresentam duas variáveis: ou continuam infantis e não assumem sua maturidade ou optam por uma carreira violenta e fora da lei. É a pergunta que o Senado tem de fazer ao candidato à embaixada de Washington: vai visitar Trump com a arma no coldre? Será um belo representante de nosso país, pois já somos campeões de assassinatos por armas de fogo e o atual governo parece querer manter esse primeiro lugar.

 

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

 

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PISTOLA À VISTA

 

Eduardo Bolsonaro aparece armado no quarto de hospital onde seu pai, Jair Bolsonaro, está internado. Presumo que na cabeça de Eduardo este é mais um quesito para chegar à embaixada do Brasil nos Estados Unidos.

 

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

 

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INFANTIL

 

Não sou contra o direito de porte de arma, especialmente neste Brasil totalmente desprovido de segurança, limitando nosso direito de ir e vir. Agora, nada justifica a foto estampada no Estadão de ontem (10/9, A6), na qual vemos Jair Bolsonaro no leito de hospital, em recuperação de uma cirurgia, tendo ao seu lado seu filho Eduardo Bolsonaro fazendo pose com a finalidade de abrir o paletó para mostrar estar com uma arma na cintura. É simplesmente ridículo, além de infantil. Não é padrão para um postulante a embaixador do Brasil nos EUA. Quem vê essa imagem, o que imagina do Brasil?

 

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

 

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COINCIDÊNCIAS E FÉ

 

Augusto Aras, alçado à Procuradoria-Geral da República (PGR) em substituição a Raquel Dodge, promete dar à PGR fundamentos evangélicos para arrefecer os trancos costumeiros do governo (Estado, 10/9, A6). Aras foi nomeado “no peito” por Bolsonaro, ignorando a lista tríplice elaborada pela categoria – característica do “eu mando” e do “eu tenho a força” do presidente. No Rio de Janeiro, a atual crise fechou o centenário Bar do Luiz, no centro. Na cidade de Vassouras (RJ) também o Bar do Luiz, com toda a sua tradição, cerrou as suas portas, acabando com mais um ponto dos moradores e visitantes. Parodiando o pastor evangélico R.R. Soares, Aras promete implantar na PGR o hino “Atrás o Brasil, Jair na frente, neste caminho sigo na frente (...)”. Para não perder o costume, o governo se empenha em retornar um fantasma, a CPMF, que jazia enterrado na cova merecida das maldades próprias de um país que há muito vem carecendo de estadistas.

 

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

 

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OS CRÍTICOS

 

Se estão reclamando da nova indicação para a PGR, é porque o governo está certo. Sem alongar o tema, vou ficar esperando sentado em qual artigo da Constituição está escrito que a escolha do PGR sairá de uma lista tríplice. Nem sabem quais podem ser indicados à PGR e ficam protestando. Espero não esperar muito.

 

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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ENQUANTO ISSO...

 

Num momento em que ministérios importantes veem seus recursos podados, comprometendo o seu funcionamento; enquanto o País aguarda a aprovação de reformas fundamentais, sem as quais dificilmente o crescimento econômico será retomado; quando os níveis de homicídios equivalem ao número de mortes em vários locais conflagrados mundo afora; e enquanto a população brasileira necessitada morre nas emergências por falta de vagas nos hospitais públicos; surge, como uma espécie de paladino da democracia, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, afirmando não ser exagero dobrar o valor estabelecido do famigerado e suspeito fundo eleitoral destinado a financiar campanhas para as próximas eleições municipais, o que o elevaria a quase R$ 4 bilhões. Argumenta ele que o financiamento oficial é a alternativa que resta aos candidatos para bancar seus custos, já que o aporte privado para tal fim ainda não está regulamentado. Esquece, porém, que o montante sugerido para viabilizar as farras eleitorais será sangrado diretamente dos bolsos do já espoliado contribuinte e que tal apropriação constitui uma confirmação de que de democrático nosso regime só tem o rótulo.

 

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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ABISMOS DO LEGISLATIVO

 

Consta das redes sociais, segundo a revista Época, que a deputada e advogada Gleisi Hoffmann, com passagens aéreas bancadas pela Câmara, por três vezes, no modo bate-volta, visitou o presidiário Lula em Curitiba. Que vida boa! Não me espantarei se a parlamentar requerer à Casa indenização de diárias caso a visita ao cliente demande pernoites na capital paranaense. Com o advento dos novos e generosos benefícios do indecente fundo partidário, prenunciam-se pedidos de músicas no Fantástico quando o partido bancar os honorários advocatícios da deputada. Diz o Salmo 42:7: “Abismo chama outro abismo, ao rugir das tuas cachoeiras”. Reflita, Gleisi!

 

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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A VOLTA DO FORO

 

Rodrigo Maia trabalha pelo retorno do foro especial para políticos com mandato (Estadão, 10/9). Rodrigo Maia, ou “Botafogo”, mexe, ou tenta mexer, na Bolsa de Valores para permitir a clubes de futebol entrarem nesse mercado. Parece mais o Botafogo cuidando do Botafogo. E ainda há gente que acredita/confia neste deputado de 74.232 votos. Como andamos mal na política. E a imprensa foca somente nosso Executivo. Quando teremos avaliação mais condizente, de parte da imprensa, deste nosso lamentável Legislativo?

 

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas

 

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ESTELIONATO ELEITORAL, NÉ?

 

Deputados e Rodrigo Maia articulam forte para manter seus privilégios. Os mesmos políticos que sonham esvaziar a Operação Lava Jato querem (e parece que vão conseguir) encher a bola da impunidade e dos privilégios para si próprios. Ao mesmo tempo, esta sanha obsessiva para que o Ministério Público, a Receita e a Polícia Federal sejam sufocados e estrangulados. E o presidente fanfarrão apoia a insurreição dos desmamados. Estelionato eleitoral, né?

 

Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia

 

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A FUNDO PERDIDO

 

O voto do eleitor foi a fundo perdido? O que é que mudou? Engoliremos um “acordão”? Ou é bom já ir se conformando?

 

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

 

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EIS A REVOLUÇÃO!

 

Ontem vi o sol brilhar muito mais cedo no horizonte com a entrega, de madrugada, aqui em casa, do nosso jornal O Estado de S. Paulo, patrimônio brasileiro para o mundo, contendo o artigo de Fernão Lara Mesquita intitulado Que a revolução nos caia sobre as cabeças (10/9, A2). Todos os artigos que ele nos apresenta, defendendo o sistema de voto distrital puro – com os instrumentos do recall, a iniciativa de fazer leis, o referendo das leis dos Legislativos e o controle das carreiras jurídicas –, são sempre didáticos e cada vez mais adequados ao leitor em geral, mostrando a estes que por meio desses instrumentos o povo tem o poder – não somente no texto da Carta Magna brasileira – de participar efetivamente da governança de seu destino como nação livre e democrática, colocando o Brasil no rumo correto da meritocracia no setor público, com reflexos na vida privada, banindo o “jeitinho” que garante “direitos adquiridos” para as castas de “brasileiros especiais”, ativos e inativos do serviço público, que são parcela minoritária da população. Resume o que devemos conquistar democraticamente por meio do voto distrital puro, para deixarmos de ser tutelados por “zelosos cuidadores” e encerrarmos de vez um “feudalismo aggiornado” e, digo, prepotente e mal disfarçado. Cumpre Fernão seu dever de jornalista sério, expondo de peito aberto corajosamente suas convicções e aceitando diálogo por intermédio de seu blog (Vespeiro.com) para que concorramos para uma democracia de fato e para o eleitor deixar de ser “burrinho coitado”, que “não sabe o que é bom para si”. Breve, acredito, essa desigualdade nos unirá – “Pluribus unun” – numa democracia de fato!

 

Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut h.halbsgut@hotmail.com

Rio Claro

 

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BRASIL EM CHAMAS

 

Há, hoje, 102.786 focos de fogo no Brasil, dono da maior reserva florestal natural do mundo. Somos incompetentes e irresponsáveis. Precisamos ser adotados por alguma nação adulta.

 

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

 

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A SÍNTESE DO ‘11 DE SETEMBRO’

 

Há 18 anos o mundo parou. Parou como nunca vimos antes. Enquanto a torres do World Trade Center (WTC) ruíram, emergiu o horror do terrorismo islâmico, velho conhecido do mundo, porém sempre em menor escala, anteriormente. Era o nascimento de um grito contra a democracia, contra o livre-mercado, contra a liberdade! E é nosso dever nunca pararmos de defender aquilo em que acreditamos: nosso livre arbítrio. Nunca vamos nos esquecer! É curioso vislumbrar que, do que vivemos de 1/1/2001 até hoje, há a possibilidade de sintetizar tudo com o 11 de Setembro. A Europa foi radicalmente modificada pela invasão de refugiados. Os Estados Unidos travam, praticamente sozinhos, uma árdua batalha contra a China, uma “nação-gafanhoto” disposta a qualquer coisa para conquistar o mundo e, inclusive, destruí-lo. A Rússia, antes proeminente personagem mundial da guerra fria, hoje age como figurante em diversos campos, ainda que tenha as mesmas intenções de desestabilizar tudo aquilo em que toca. No Brasil, após o maior escândalo de corrupção da História, vivemos um momento em que os bandidos querem caçar e calar os juízes e a lei. Soma-se a isso uma intifada socialista pela desestabilização social, com conflitos brutais na internet e afrontas na vida real, onde observamos dois extremos (um, travestido de libertário e outro, cego em retrocessos) brigarem por mudanças ou recuos sociais que não precisamos. É como se os brasileiros não existissem e precisassem ser inventados, seja por anarquistas avessos às convenções sociais ou por carolas religiosos cegos em ódio. Sim, o século 21 é um caos completo, observado pelo prisma do que aprendemos no século 20. É como se o “manual de vida” do século passado, no qual todos nos baseamos, não servisse mais. O 11/9 sintetiza bem isso. É a destruição abrupta do nosso modo de vida. E, ao contrário do belo edifício que surgiu das cinzas do WTC, nosso mundo ainda continua nas cinzas, como nos primeiros dias após a tragédia, sem rumo.

 

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz

 

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BAR LUIZ

 

O fechamento do Bar Luiz na tradicional Rua Carioca, no centro do Rio de Janeiro, é mais um símbolo da decadência que se instalou na cidade (Aberto há 132 anos, o tradicional Bar Luiz, no Rio, vai fechar as portasEstadão, 10/9, A14). A eterna paranoia dos governantes pela apologia do moderno levou ao abandono do centro histórico e ao desleixo de seus ícones. O Bar Luiz é apenas mais um exemplo da ignorância, da falta de apreço pela nossa identidade e da baixa autoestima do povo. Não é possível que não haja nenhum empresário ou mesmo algum setor do poder público que não se interesse pela preservação deste ponto, que é um dos últimos espaços que guardam o DNA da ex-Cidade Maravilhosa.

 

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

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