Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2019 | 03h00

ESTADO DA NAÇÃO

País falido

Fui eleitor de Jair Bolsonaro e, como cidadão, acho o seu governo fraquíssimo. Pouco ou nada está sendo feito no País e de nada adianta discurso ufanista na ONU sem respaldo interno. Concordo que a diplomacia brasileira sempre foi “em cima do muro” e darmos umas sacudidas no mundo é necessário. Mas nosso país está caindo aos pedaços, precisamos de recursos monstruosos para retirar o Brasil do atoleiro. Também de nada adiantam discursos do tipo pátria, família e propriedade quando as famílias estão morrendo de fome, sem emprego ou com salários miseráveis e nossas cidades, falidas, não têm recursos para nada. O País não tem educação, os transportes públicos são um lixo, a infraestrutura é péssima e o ambiente de negócios inexiste. O Brasil precisa de dinheiro, de investimento, e temos de colocar dinheiro na mão das pessoas. Criar essas condições é o que interessa. E elas virão da China, da Arábia Saudita, dos EUA... Enfim, o dinheiro está lá fora. Aqui, é só falência, de tudo e de todos.

PAULO ALVES

pauloroberto.s.alves@hotmail.com

Rio de Janeiro


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Sem concorrência

Assim como nossa antiga presidenta, Dilma Rousseff, que domava ventos e colheu tempestades, o presidente Jair Bolsonaro também tem das suas no uso do vernáculo. Não podemos dizer que simpatia seja o forte de ambos. Ela adulou países africanos, caribenhos e alguns asiáticos. Várias embaixadas foram criadas no intuito de que o Brasil se tornasse influente player mundial. Capitaneado pelo diplomata Celso Amorim, isso redundou em nada de prático. Muito oneroso, sim, já que o governo avalizou vários empréstimos não pagos por esses países, além do gasto inútil de tais embaixadas. Na verdade, somos um país cujas lideranças entendem ser autossuficiente: não precisamos nem de concorrência nem concorrer. Nossas embaixadas, que poderiam ser polos subsidiários do País na busca e promoção de negócios, tornaram-se peças burocráticas administrativas. Só em ocasiões polêmicas ou em catástrofes somos notícia no mundo. Não será um discurso agressivo de Bolsonaro que vai afetar seja o que for. A desindustrialização do País começa com nossa própria incapacidade de enxergar mudanças por não sabermos concorrer. Já vimos esse filme. Collor quase acabou com a indústria têxtil paulista ao baixar alíquotas de importação. Ideologia não impacta negócios se obedecer a um plano estratégico de longo prazo. A China que o diga.

SERGIO HOLL LARA

jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba


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FINANÇAS PÚBLICAS

Orçamento e equilíbrio fiscal

O orçamento deve ser pautado pelas receitas fiscais. As despesas não devem superar as receitas. Déficits fiscais acumulam-se em dívidas, que causam despesas adicionais na forma de juros pagos aos credores. Esses desembolsos não geram nenhum proveito para os cidadãos contribuintes. Qualquer administrador de orçamentos domésticos entende esses conceitos. Então, algo está errado se receitas de leilões ou privatizações de empresas estatais são requeridas para “fechar as contas”. Leilões são ocorrências excepcionais. Privatizações produzem liquidez de patrimônio – nacional – que não deve ser revertido em consumo. Há que explicitar as despesas que estão causando os déficits orçamentários. A quem? Ao contribuinte, que paga as contas. Mas, por incrível que pareça, isso não é feito. Os representantes eleitos não prestam contas, comportam-se como se fossem “nobres” num regime feudal. Ainda não se tem consciência dessa falha fundamental no regime que se tem por democrático, nem na mídia, nem no âmbito dos comentaristas “intelectuais”, nem na cidadania contribuinte e eleitora.

HARALD HELLMUTH

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo


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RODRIGO JANOT

‘A mão de Deus’

entrevista do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot ao Estado (27/9, A10) demonstra o despreparo do entrevistado para integrar os quadros do Ministério Público, que dirá para chefiá-lo. Em dado momento, Janot relata história fantasiosa de que teria ido armado ao Supremo Tribunal Federal (STF) com o intuito de matar a tiros o ministro Gilmar Mendes: “Não ia ser ameaça, não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele (Gilmar) e depois me suicidar”. Prosseguindo, Janot conta que só não o fez porque “a mão de Deus” o impediu. O que poderia ser visto como mera bazófia de um egocêntrico em busca dos holofotes perdidos traz à memória o ato irresponsável de Janot quando, em maio de 2017, anunciou com excesso de dramaticidade o acordo de delação com os executivos da JBS, que envolveria o nome de numerosas autoridades, incluídos ministros do STF, e traria gravações comprometedoras do então presidente da República, Michel Temer. Não era nada disso. Foi uma falsa notícia, o que fez Janot recuar e pedir seu arquivamento em setembro do mesmo ano. Mas as consequências de sua irresponsabilidade foram perversas para a economia nacional. Os únicos beneficiários da leviandade – se é que foi só isso – do ex-procurador-geral foram os executivos da JBS, que desfrutam até hoje a imunidade penal que lhes foi concedida. E o próprio Janot – livre, leve e solto para falar asneiras –, uma vez que nunca foi chamado para responder pelo desastroso prejuízo que infligiu aos brasileiros.

SERGIO RIDEL

sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo


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Flechas... e armas?

Quer dizer que, além de flechas, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot carrega também armas de fogo no bolso do paletó? Essa história de ter tido intenção de assassinar o ministro Gilmar Mendes para em seguida cometer suicídio é tão estapafúrdia quanto inverossímil. Janot aproveita a oportunidade da entrevista ao Estado para fazer o que mais sabe: polemizar impetuosamente. O ex-procurador sabe muito bem que não deixou saudades após a lambança que fez com as gravações de Joesley Batista, que não somente não deram em nada, como abortaram a reforma da Previdência, que já estava em plena discussão na Câmara dos Deputados, para chamar a atenção sobre si, tentando causar furor. O País está repleto de problemas e polêmicas. Não precisa de mais uma história surreal.

LUCIANO HARARY

lharary@hotmail.com

São Paulo


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Prevaricação não é crime?

Figura importante do Estado brasileiro até há pouco tempo, Rodrigo Janot, tranquilamente, confessa por escrito que prevaricou enquanto funcionário público. Alguém pode explicar por que não se processa o cidadão? Será por causa dos rabos presos que dominam a paisagem político-criminal de Brasília?

OSCAR THOMPSON

oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba


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“A popularidade de Jair Bolsonaro está derretendo mais do que as geleiras da Antártida. Seria por causa dos incêndios na Floresta Amazônica...?”

MARIA CARMEN DEL BEL TUNES / AMERICANA, SOBRE A ÚLTIMA PESQUISA DE AVALIAÇÃO DO GOVERNO FEDERAL

carmen_tunes@yahoo.com.br

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“Discordo de Roberto Romano (22/9, A2) quanto à pretensão dos congressistas de aumentarem o fundo político para R$ 3,8 bilhões. Isso não é insensibilidade política, é falta de vergonha”

MARIUS ARANTES RATHSAM / SÃO PAULO, SOBRE O IMPACTO DESSE ACRÉSCIMO NAS FINANÇAS PÚBLICAS

mariusrathsam@hotmail.com

A REVELAÇÃO DE JANOT


“Não ia ser ameaça, não. Ia ser assassinato, mesmo. Ia matar ele (Gilmar Mendes) e depois me suicidar.” Revelação divulgada recentemente pelo ex-procurador-geral da República (PGR) Rodrigo Janot (Estadão, 26/9). Alegou ele que a intenção de praticar o crime, por pouco não concretizado, e protagonizar o desfecho à Dostoievski teriam como origem um ofício assinado pelo ministro à presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmando, caluniosamente, que sua filha advogava para a empresa OAS e era “(...) credora por honorários advocatícios de pessoas jurídicas envolvidas na Lava Jato”. A iniciativa de Gilmar aparentemente veio na esteira de sua defesa após pedido de impedimento de Gilmar, feito pelo procurador, para participar do julgamento do habeas corpus de Eike Batista, por estar sua esposa, Guiomar Mendes, atuando no escritório do advogado do empresário. Será lícito relacionar, também, o episódio e seus desdobramentos agora vindos à tona ao vaticínio do então presidente da Corte, Joaquim Barbosa, quando em 2009 afirmou, ao vivo e a cores, que o ministro estava na mídia “destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro”?


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com.

Rio de Janeiro


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GILMAR MENDES


Em momento mais tenso de sua passagem pelo cargo, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot chegou a ir armado para o Supremo Tribunal Federal com a intenção de matar a tiros o ministro Gilmar Mendes. “Não ia ser ameaça, não. Ia ser assassinato, mesmo. Ia matar ele e depois me suicidar”, revelou ao Estado o ex-procurador-geral em 26/9. Logo depois de apresentada uma suspeição contra Gilmar no caso do amigo Eike Batista, o ministro difundiu uma “história mentirosa” sobre a filha de Janot. “E isso me tirou do sério”, completou o ex-procurador-geral. A tais revelações, adicione o que disseram sobre o colega os ministros Joaquim Barbosa e Luis Roberto Barroso em vergonhosas e beligerantes sessões plenárias, com exageradas e malcheirosas medidas de ódio, inveja e soberba, gratine com ervas venenosas em forno máximo e eis a fórmula do fétido purgante Gilmar Mendes, à venda nas supremas casas do ramo, com retenção da receita (qual?). Não creio que a República seria afetada e que teríamos luto nacional se o ministro fosse certeiramente alvejado pelo então procurador-geral.


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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CARMA


Rodrigo Janot, em seu livro de memórias, disse que quase esteve em vias de assassinar o ministro Gilmar Mendes. Ficamos imaginando que motivos não devem ter faltado ao PGR, porque, mesmo à distância, mas observando as atitudes de Gilmar totalmente anticonstitucionais em favor de bandidos corruptos que dilapidaram o País, é o mesmo que desejam milhões de brasileiros honestos. Enquanto isso, o “supremo”, como Gilmar se declara, continua peitando e julgando nossa Constituição jogando-a na lata do lixo da nossa história, de acordo com sua índole torpe e maquiavélica. Que carma FHC nos deixou, não?


Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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DESPREZO


Sinceramente, não vou entrar na pilha de Janot versus Gilmar. Um quer vender livro e do outro todos conhecem a trajetória.  Percebam, leitores, estes poderosos travestidos de jagunços e capatazes são contra a posse de arma para o cidadão, mas eles vivem armados. Janot continua sua cantilena sobre Dilma e confessa na maior cara de pau querer matar Gilmar. Qualquer cidadão que fizesse tal gesto seria preso, aqui esta gente se promove. Querem o quê, que o País reconheça neles verdadeiros heróis? São algozes do povo brasileiro. Gozam de poder, segurança e mordomias, enquanto submetem o povo às piores condições. O povo que nunca consegue chegar ao STF, que morre com ações engavetadas, vê que a preocupação das mais altas instituições é discutir política e absolver corruptos abastados, rasgando a Constituição, que deveria ser respeitada e levada a sério em qualquer governo, tenha a cor que tiver. Vergonha é o que sinto deste país onde o crime compensa. Meu desprezo a esta gente.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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RETROSPECTO


Janot revelou que entrou armado no STF e que iria matar um ministro e, depois, se suicidar. Seriam as duas únicas coisas na vida que este cidadão faria de bem ao País. Perdeu a oportunidade. E frustrou milhões de brasileiros.


Moyses Cheid Junior  jr.cheid@gmail.com

São Paulo


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A(R)MANDO JANOT


Decepcionante, iria colaborar com a estabilidade deste sofrido país. Janot ainda tem tempo.


Adilson Pelegrino adilsonpelegrino52@gmail.com

São Paulo


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SABEDORIA CHINESA


Prezado dr. Janot: “Não se queima munição em vão”. Matar quem você odeia torna você um assassino e seu desafeto um mártir. “Se você tem um inimigo, não procure vingança. Pegue uma vara de pesca e vá para o rio pescar. Um dia, quando você menos espera, passará  boiando o cadáver de seu inimigo”. Ditado chinês de milenar sapiência.

            

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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BLEFE


Rodrigo Janot revela que pretendia matar o ministro Gilmar Mendes e, depois, se suicidar. Pena que não cumpriu a segunda parte do plano.


Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília


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A ‘MÃO DE DEUS’ IMPEDIU JANOT


Que bom seria se esta mesma “mão de Deus” tivesse atuado nas “flechadas de Janot” contra o ex-presidente Temer. Bastava quebrar o arco, ou mesmo esconder as setas. Certamente, a “mão de Deus” nos daria a reforma da Previdência em 2018. De “mão de Deus” a um governo carregado de “Deus”, e o Brasil com os dois pés atolados nas trevas do desgoverno. Realmente, o papel aceita tudo, até mesmo o sincericídio do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Já não são flechas metafóricas, mas a vontade macabra de recorrer ao grosso calibre. Tentar, ou querer, alvejar um ministro do Supremo Tribunal Federal, nem mesmo num filme lado B do nosso querido Zé do Caixão. Tamanha ousadia macabra. Se um ex-procurador-geral da República não recorre às leis da República, para a questão, só nos resta pedir socorro.


Leandro Ferreira fereiradasilvaleaandro@gmail.com

Guarulhos


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BARBAS DE MOLHO


O ministro Gilmar Mendes, em pleno julgamento para anular as sentenças da Operação Lava Jato, na quinta-feira (26/9), e sem qualquer relação com o caso concreto, reclamou com o presidente Dias Toffoli sobre os 90 habeas corpus impetrados contra suas decisões, pouco ortodoxas, por soltar criminosos. Por outro lado, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot confessou que, lá atrás, entrou armado naquela Corte para matar Gilmar e, em seguida, cometer suicídio. Ora, Pai Gilmar – que solta seu corrupto predileto em segundos –, você deveria pôr as “barbas de molho” e ir com menos sede ao pote. Afinal, mexendo com quem está quieto – no caso, o povo de bem – correrá sérios riscos, pois tudo tem um limite. Muda, Supremo Tribunal Federal!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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O STF E A LAVA JATO


Maioria do STF aprova tese que pode afetar a Lava Jato (Estadão, 27/9). Interessante o país em que vivemos. O ordenamento jurídico impõe que delação premiada seja homologada pelo STF para uso em investigações e processos. Tal ritual tem sido obedecido à risca e não há conhecimento de nenhuma delação que tenha seguido sem a competente homologação. Dentro de tal processo, Polícia Federal, Ministério Público e outros órgãos federais têm obtido delações e as submetem sempre ao STF. Neste processo, crendo piamente na nossa justiça, nós, cidadãos, entendemos que, homologada a delação, ela é o roteiro pelo qual se deve seguir, e juízes de primeira e segunda instâncias, tanto quanto os do Superior Tribunal de Justiça (STJ), dada sua fé pública, devem se guiar pelo que a homologação impõe. Na dinâmica investigativa, processual e julgadora, devem todos os membros desta cadeia se cingir ao que na delação está contido. No julgamento dos processos, delatores e réus são partícipes nos mesmos crimes, e como tal devem ser julgados, independendo de qualquer acordo prévio na própria delação. Posta esta realidade, impossível supor que ao longo do processo investigativo e processual seja impossibilitado às defesas ter acesso ao que se tem conhecimento, portanto alegar, posteriormente, que cabe à defesa do acusado ter a última palavra, principalmente ao que foi delatado, parece-me privilégio inconcebível. Dá-se vantagem ao réu que nem sequer admite ter praticado o crime, ainda que delatado. Com provas suficientes que comprovam seu crime, tal “direito” se constitui em privilégio aos criminosos. Aí vem nosso STF, o mesmo que homologou a delação, e diz que cumpre à Justiça privilegiar o bandido, e com tal posição nos dá mostra de que não podemos confiar nas ações e atitudes de juízes de primeira e de segunda instâncias, nem do STJ, ou seja, a justiça não tem gente competente. Pior, o mesmo tribunal que homologou a delação conclui que o processo andou errado. Que Judiciário é este que temos? É este o decantado Estado de Direito que temos? Que segurança jurídica a própria justiça nos sinaliza que impera em nosso país? Que juízes são estes, do STF, que a bem da verdade nunca exerceram a magistratura, a não ser quando ungidos a juízes do STF? Como podemos ter um país estável com tal cenário? Será que a nossa única saída é o aeroporto? Muito triste o que vivemos.


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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MINISTROS SUPREMOS


Brasileiro é criativo: deram um “jeitinho” bastante original nas sentenças  da Lava Jato. Isto é Brasil.


Jonas de Matos jonas@jonasdematos.com.br

São Paulo


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O POSSÍVEL E O IMPOSSÍVEL


Poderosos criminosos do colarinho branco são julgados e condenados segundo os mais rígidos preceitos da lei, sempre fundamentado em robustas e incontestáveis provas e tendo sido respeitados os seus mais amplos direitos de defesa, e vem agora o STF fazer uma tal revisão de sentença, procedimento que poderá anular as decisões da Operação Lava Jato, mandando para casa os ditos condenados, leves, livres e soltos. Um dos grandes beneficiados será o senhor Luiz Inácio Lula da Silva. Quer dizer, os “companheiros” da mais alta esfera do Judiciário estão fazendo o possível e o impossível para livrar a cara do maior ladrão dos cofres públicos de todos os tempos. Quem viver verá! 


Maria Elisa Santos marilisa.amaral2020@bol.com.br

São Paulo


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O DINHEIRO DE VOLTA


Nas sentenças anuladas, o dinheiro da Lava Jato deverá ser devolvido?


Alvio Malandrino alvio@malandrino.com.br

São Paulo


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DELAÇÃO AO FINAL?


Está difícil de entender. Nós, aqui de fora, acreditávamos que uma delação, após aprovada pelo STF, devia ser de uso da Promotoria para conduzir investigações e que, em si, não serve de prova de nada. Assim, nós, aqui de fora, não compreendemos por que, se não serve de prova de nada, é anexada ao final de um processo em exame por juiz de primeira instância, quando todas as provas obtidas já estão presentes. Qual o objetivo de tê-la ali, ao final de tudo? É para criar confusão com o juiz e beneficiar criminosos? Para ajudar o juiz é que não é. Sumarizando, muitos de nós, aqui de fora, achamos que delações nem deveriam ser anexadas aos processos. É preciso fazer lei para o STF aceitar isso? Então roga-se ao Legislativo que prepare essa lei.


Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia


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ESPETÁCULO DEPRIMENTE


Imagino como deve se sentir um aplicado estudante de Direito que sabe, à saciedade, que em fase de alegações finais nada mais há para ser provado, que razões finais não são provas, que se trata apenas de um resumo de tudo o que já foi esmiuçado durante o processo, apenas visto sob a ótica de cada uma das partes, que já estão amplamente cientes de todos os fatos e atos. A menos que se traga aos autos, fato inédito nesta fase, quando será aberto prazo para o devido contraditório e para apreciação judicial, nada mais será acrescentado que possa absolver ou condenar qualquer parte. No processo devem ser provados fatos. Se fatos que incriminem ou absolvam alguém não estiverem devidamente provados, de nada adiantarão as alegações finais, por mais elaboradas que estejam tais peças. Deprimente é ver ministros de uma Corte suprema gastando horas, que poderiam ser mais bem utilizadas com o exame de outros processos, em explícito ato de masturbação mental, pretendendo ver nas alegações finais um meio de prova seja lá do que for. A ordem de apresentação das alegações finais não tem o condão de provar a inocência ou a culpabilidade de ninguém, assim como a ordem dos fatores não altera o produto. Mais grave, ainda, foi ver o ministro Gilmar Mendes fazer referência às gravações ilícitas de um hacker, que não passaram pela indispensável perícia técnica de órgão institucional competente, levantando suspeitas sobre pessoas contra as quais não há nada de desabonador. O perigo está no ar. Mudanças na Corte já!


Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém


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CALÇAS CURTAS


Ao afirmar “vamos honrar as calças que vestimos”, acho que Gilmar Mendes não percebeu que estava usando calças curtas. Atitudes e palavras de criança. Me alegraria se ele honrasse somente o cargo que ocupa.


Jose Roberto Palma palmajoseroberto@yahoo.com.br

São Paulo


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DÉSPOTAS


Bernard Shaw dizia que, quando um homem estúpido faz algo que o envergonha, diz sempre que estava cumprindo seu dever. Eu não posso crer que os ministros do STF que condenaram a Operação Lava Jato tenham formulado seus votos com a imparcialidade de quem tem o dever de fazer justiça. Não há como pensar de modo diverso. A injustiça que se faz a um é ameaça feita a todos, alertava Montesquieu. Vergonhosamente, o dia 26/9 entra para a História como o dia em que o crime e a impunidade venceram. STF, o despotismo exercido em nome da lei!


Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro


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O CABO E O SOLDADO


Após a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal decidir a favor de tese que pode anular condenações da Lava Jato, prevalecendo os direitos dos réus delatados, vem-nos à mente uma pergunta, lembrando a tão propalada e célebre frase dita pelo filho n.º 02 do presidente da República: por onde andam o tal cabo e o soldado?


Arnaldo Luiz de Oliveira Filho arluolf@hotmail.com

Itapeva


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IMPEDIMENTO


Não sou advogada, mas por instinto de proteção, até para me resguardar, procuro me inteirar a respeito de leis. Espanta-me ler e ouvir na mídia que os ministros do STF não se julgam impedidos de analisar assuntos contra aqueles que os indicaram e, por fim, os nomearam para os cargos. Na minha cabeça, nenhum, sem exceção, poderia julgar seus padrinhos, sejam eles réus ou autores. Penso que isso é o mínimo que se poderia esperar da Justiça. Apenas no Brasil isso é considerado normal. Mas trata-se de um absurdo sem precedentes. Além do que quase a totalidade dos ministros nem sequer é juiz de carreira.


Iria De Sá Dodde iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro


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O SUPREMO E O POVO


Ministros dizem julgar tecnicamente os processos que lhes são submetidos, que seguem a Constituição e “não podem guiar-se pela opinião pública”. Por regras processuais, às vezes, ignoram provas cabais, porque obtidas irregularmente. O que mais importa, parece, é o detalhe, não o crime em si. Ignorar o povo e o que ele pensa não se coaduna com um regime “do povo, para o povo e em seu nome exercido”. Parece que povo é bom, “desde que não opine”! Opinião? Sim, desde que não vá além do voto.


Décio Antônio Damin deciodamin@terra.com.br

Porto Alegre


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POLÍTICA


Os requisitos para a investidura no cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal são o notável saber jurídico e reputação ilibada. O quadro atual da Corte é formado por uma maioria em que o notável saber jurídico ficou em segundo plano, prevalecendo a política, como ocorreu no julgamento de quinta-feira, dia 26/9/2019. Ficou claro que a intenção é soltar criminosos poderosos, contrariando a sabedoria popular e contribuindo para que a corrupção continue valendo a pena em detrimento da saúde, da educação, da segurança pública e da própria vida de inocentes mortos desta violência contra o crime, decorrente de nosso pouco desenvolvimento social.


José Wilson de Lima Costa  jwlcosta@bol.com.br

São Paulo


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O PAÍS POR UM FIO


O quadro é muito grave. As entranhas do poder estão sendo reveladas. O livro Os Onze conclui: “A corrosão da autoridade e da legitimidade do Supremo espraia seus efeitos para a Constituição... Se o STF se vale dela, em muitos casos, como instrumento, deixa no ar o recado de que o texto constitucional pode ser lido, torcido e espremido para concluir o que cada grupo quiser”. Agora, um ex-procurador-geral da República que teve a coragem de confessar que chegou a portar uma arma para matar um dos 11 lança um livro com o sugestivo título Nada menos que tudo, prometendo revelar os bastidores da Lava Jato, tendo sido um dos protagonistas da operação – que ora sofre um ataque de todos os que mais foram e ainda poderão ser atingidos por ela. A mistificação das togas já não consegue sustentar a legitimidade de notável saber jurídico e reputação ilibada dos ministros do STF. Nessas condições, o futuro melhor almejado para o País está por um fio nas mãos do presidente do Senado, o jovem político Davi Alcolumbre, que está resistindo a instalar no Senado, talvez por motivos inconfessáveis ou covardia, a CPI da Lava Toga. Nunca antes neste país tantos tiveram seu futuro ameaçado por tão poucos.


Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo


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É SONHAR DEMAIS?


O Brasil não será um país digno enquanto não houver justiça digna. Não teremos justiça digna com a mais alta Corte de justiça nomeada por criminosos e corruptos. Seria sonhar demais que os juízes indicados por presidentes presos por corrupção entregassem seus cargos vitalícios? Seria sonhar muito alto que os juízes indicados por presidentes afastados por impeachment tivessem a humildade de colocar seus cargos à disposição? Não, o Brasil não irá para a frente com juízes indicados por Collor, Lula, Dilma e Temer.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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É DIFÍCIL...


O combate à corrupção no Brasil é difícil, muito difícil. A Lava Jato iluminou o País ao desbaratar a engenhosa quadrilha e prender graúdos até então impunes. Quando se esperava apoio no combate ao crime, entra em cena o STF favorecendo malfeitores, difamando a Lava Jato, com a pretensão de extingui-la. Para completar, desfigurando o pacote anticrime, o espírito corporativo do Poder Legislativo falou mais alto, com vetos que favorecem a impunidade, inibindo e incriminando os investigadores.


Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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FAKE NEWS


Sobre as recentes postagens do deputado Eduardo Bolsonaro, como pode este boçal almejar o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos?


Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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