Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2019 | 03h00

CORRUPÇÃO

Fraude no BNDES

As perdas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com a Odebrecht podem chegar a R$ 14,6 bilhões. Claro que não faltarão defensores da corrupção pondo a culpa na Lava Jato. Mas fica uma pergunta pertinente: o que acontecerá com os presidentes que colocaram na mão de apenas uma empresa tanto dinheiro? Porque, pelo jeito, a empreiteira não tinha lastro nem para ir à esquina, assim como outras, caso da OAS, das empresas de Eike Batista, etc., que aumentarão o bolo de devedores do banco de fomento. Precisamos urgentemente de leis que punam presidentes, governadores, prefeitos que causam prejuízos bilionários ao País. No mínimo, cadeia sem direito a progressivas.

BEATRIZ CAMPOS

beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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Patrimônio pessoal

O que mais revolta os cidadãos pagadores de impostos escorchantes é saber que o BNDES terá prejuízo que pode chegar a R$ 14,6 bilhões por causa de empréstimos fraudulentos em obras de infraestrutura no exterior, quesito tão carente em todo o nosso país. E ainda mais por se saber que os políticos e a empresa que tramaram e executaram o dilapidador desfalque nos cofres da propositalmente fragilizada instituição possuem patrimônio particular suficiente para bancar o criminoso prejuízo, mas que dificilmente será confiscado para essa finalidade.

ABEL PIRES RODRIGUES

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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Herança maldita

O prejuízo que a Odebrecht vai causar ao BNDES, de R$ 14,6 bilhões, deve ser debitado ao PT. Essa é apenas parte da grande herança que o partido deixou para os brasileiros.

EUGÊNIO JOSÉ ALATI

eugenioalati13@gmail.com

Campinas


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Pacote desidratado

O pacote anticorrupção do ministro Sergio Moro está sendo desidratado antes de entrar em votação na Câmara dos Deputados. Mas ainda há a possibilidade de serem restaurados os pontos essenciais para que o combate à roubalheira de colarinho-branco, de políticos e empresários, seja eficaz. A prisão em segunda instância é um dos pontos fundamentais. Prática adotada na maioria dos países do Primeiro Mundo, precisa ser adotada também aqui, no Brasil. Caso contrário corremos o risco de continuar sob a égide da quadrilha que extorque e degrada a economia, a educação, a saúde e a segurança pública. Não podemos ficar sujeitos à velha política e à hegemonia de bandidos ocultos sob ternos de casimira inglesa e gravatas italianas. A votação do pacote de Moro está nas mãos dos deputados federais e do presidente da Câmara. Será um bom teste para sabermos se a Casa foi de fato renovada na última eleição.

MÁRIO NEGRÃO BORGONOVI

marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro


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Percepção e realidade

Não vejo grande diferença entre a nossa percepção e a realidade brasileira de corrupção no governo. A eventual diferença é que, no Brasil, o porcentual maior da corrupção se dá por atacado (grandes contratos de estatais, por exemplo), e não no varejo (propina para obter uma certidão). Além do mais, os acordos de cooperação entre instituições, como blindagem de um senador pelo Judiciário em troca da paralisação ou destruição da maior operação contra a corrupção já realizada no País, por exemplo, tornam a realidade pior do que a percepção.

CELSO FRANCISCO ÁLVARES LEITE

celso@celsoleite.com.br

Limeira


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FINANÇAS PÚBLICAS

Penduricalhos

Ao longo dos anos, o Legislativo brasileiro, aproveitando-se de sua condição de “senhor das leis” e com total conivência dos outros Poderes, que sempre praticaram o chamado “toma lá dá cá”, decidiu que os parlamentares seriam uma espécie de semideuses a quem deveriam ser dados todos os benefícios para representarem “com dignidade” o povo que os elegeu. Eles levaram isso tão a sério que, após décadas e décadas, nada mudou. Ou melhor, piorou. Os chamados penduricalhos prosperaram. Recentemente, dois dos mais conhecidos políticos brasileiros participaram de um programa televisão. Evidentemente, nenhum deles estava em missão oficial. Mas a conta da viagem – avião, hospedagem, assessores, etc. – foi paga por nós, pobres cidadãos que mal conseguimos pagar as despesas básicas da nossa família. Até quando vamos aguentar isso? Até quando vamos continuar bancando esses cidadãos que não hesitam em jogar nas costas do povo suas despesas pessoais? Por que tenho de pagar essas contas? O que se está esperando para acabar com essas imoralidades?

ELIAS SKAF

eskaf@hotmail.com

São Paulo


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Lenha na fogueira

Temos três Poderes que deveriam, em tese, ser independentes. Cabe ao Executivo gerenciar as contas. Receita versus despesa resulta em saldo positivo ou negativo. Se negativo, cessaria a responsabilidade de repasse aos demais Poderes, salvo os já comprometidos. Nem mesmo os deputados/senadores, ditos representantes do povo, poderiam solicitar verbas parlamentares para atendimento de obras, a menos que as contas públicas tivessem saldo positivo. Mas não, eles continuam sugando os recursos públicos, mesmo com o Orçamento da União há anos no vermelho. Na hora de votar orçamento impositivo, verba pública para campanhas políticas, reúnem-se na calada da noite, impedem o voto aberto e se apossam de recursos inexistentes. É esse o papel que cumpre ao Legislativo? E o Judiciário, pode ele continuar com obras suntuosas, sabendo da falta de recursos? Até quando o País resiste? A conferir. Mas a conferência pode ser tardia.

ABEL CABRAL

abelcabral@uol.com.br

Campinas


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Solução óbvia

O Brasil tem solução. E simples. Não é preciso criar nem aumentar impostos, basta reduzir as despesas para dispor de recursos a fim de amenizar os problemas e investir. A máquina pública nos três níveis (federal, estadual e municipal), cheia de gordura, a cada eleição engorda ainda mais. Daí por que pouco sobra para investir e resolver os inúmeros tormentos da Nação.

HUMBERTO SCHUWARTZ SOARES

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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CRIME E CASTIGO

Caso Richthofen

Suzane von Richthofen não foi “cúmplice” no crime que matou seus pais. Foi a autora intelectual, pura e simplesmente.

JAMES ROBERT JERNIGAN

jimmyjjernigan@gmail.com

São Paulo


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“Todos os setores públicos berram: ‘No meu, não!’. E assim, como ninguém ali pensa no Brasil, somente no próprio bolso, é o povo que mais uma vez vai pagar a conta. Pobre País!”

MILTON BULACH / CAMPINAS, SOBRE A REFORMA TRIBUTÁRIA, PARA COBRIR OS GASTOS CRESCENTES NOS TRÊS PODERES mbulach@gmail.com


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“A namorada de Lula criticou a Lava Jato: ‘Fraudaram a Justiça’. E o namorado dela fraudou o País durante vários anos!”


ROBERT HALLER / SÃO PAULO, SOBRE O PRESIDIÁRIO CONDENADO POR CORRUPÇÃO EM DOIS PROCESSOS PENAIS

robelisa1@terra.com.br


LULA NO SEMIABERTO


No Brasil existem leis que são uma verdadeira piada. Não dá para aceitar que um cidadão como o ex-presidente e hoje presidiário Lula, que, junto com seu poste Dilma, quebrou o País, roubou e permitiu que seus camaradas e aliados também roubassem bilhões de reais das nossas estatais e, condenado no caso do triplex do Guarujá a uma pena de 8 anos e 10 meses de prisão, tendo cumprido 1/6 deste tempo, ou 18 meses de prisão, seja beneficiado pela esdrúxula lei que lhe dá o gozo do regime semiaberto. É o que foi solicitado por 15 procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato à Vara de Execuções Penais do Paraná (Estadão, 28/9). Caso a juíza Carolina Lebbos consume esse benefício, Lula terá obrigatoriamente de arrumar um emprego e, ainda, pagar R$ 4,1 milhões de multa e reparação de danos. Acaso teria esse valor origem no que foi desviado dos contribuintes? Ora, fazer o quê, se este é o único Brasil que temos?


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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LUIZ INÁCIO


O “hóspede” de Curitiba parece já fazer jus ao regime semiaberto, no qual só retornará à sua “cela-escritório” no período noturno. Como deverá provar que trabalha durante o período diurno, presumo, pela sua aversão a trabalhar, que ele preferirá desfrutar da vida boa, sem restrições, de que desfruta atualmente preso. Contrariando o lema de Moreira Franco, para ele “meu nome não é trabalho”.


Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro


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MULTA


“(...) porém, ex-presidente teria de pagar R$ 4,1 milhões.” Ah! Agora entendi o motivo de a Mega Sena de R$ 120 milhões ter saído para os funcionários da liderança do PT na Câmara.


José Gilberto Silvestrini jgsilvestrini@gmail.com

Pirassununga


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INDIGNAÇÃO


Fico indignado com esta decisão dos procuradores de pedir o semiaberto para o ex-presidente Lula da Silva, depois de todo o mal que ele, seu partido e suas políticas desastrosas provocaram e ainda provocam a nosso povo e nosso país, deixando todos nós numa situação bem difícil e de saída bem complicada e penosa para todos, condenados a apertar os cintos agora e por muito tempo, imagino. E este “carinha” vai para casa beber cerveja à beira da piscina? Não tenho palavras! Como cidadão brasileiro e pagador de impostos, condenado a não me aposentar e a apertar o cinto, gostaria de ver Lula da Silva preso numa cela apertada.


Alberto Cosulich al.cosulich@gmail.com

São Paulo


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ACEITARÁ?


Caso Lula aceite o regime semiaberto, legitimará o processo que o condenou e terá de usar tornozeleira. Será um corrupto sob vigilância. 


Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas


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NA LABUTA


A fábrica de parafusos Marte, situada no bairro paulistano de Vila Independência, foi o primeiro e único emprego com carteira assinada do ex-presidente Lula, que já está apto a migrar para o regime semiaberto, no qual deverá trabalhar durante o dia e se recolher à prisão ao anoitecer. Mas, como o apenado não é muito chegado à labuta, está reticente com esse direito. Lula da Silva é o típico caso do pobre miserável que nunca comeu doce e, quando come, se lambuza. Tomou gosto pela vida suntuosa, meteu a mão no dinheiro público e fica se vitimizando alegando inocência. A Justiça, digo, o Supremo Tribunal Federal (STF), é tão cego que é capaz de acreditar nessa lorota.


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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MAUS ESPÍRITOS


Gargalhei com a irreverente inspiração das redes sociais, a informar que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por estrondosa maioria, que o processo de Joaquim José da Silva Xavier, o histórico Tiradentes, volte à primeira instância, porque o delator Silvério dos Reis delatou o mártir da Independência do Brasil por último, arrestando-lhe o direito de defesa, conforme legislou “de per si” o douto (?) ministro Ricardo Lewandowski. Por interesses escusos, duvido que a decadente zorra de humor nonsense do grupo dos Marinhos tenha coragem de apontar crítica tão inteligente e cristalina aos inconfidentes e sombrios juízes supremos que estão a conjurar os maus espíritos contra a ordem constitucional e contra a Nação, por conseguinte.


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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A DECISÃO QUE NÃO PODE RETROCEDER


A filigrana jurídica de que o réu delatado tem o direito de falar depois do delator ameaça retardar centenas – talvez milhares – de processos. A decisão do Supremo Tribunal Federal é vista como irresponsável represália à Operação Lava Jato e inaceitável favorecimento ao ex-presidente Lula e outros figurões condenados. Isso deixa o País apreensivo e as redes sociais em polvorosa. Os ministros voltarão a se reunir na quarta-feira para definir a prática. Há o risco de a exigência anular sentenças já prolatadas e executadas. O que se faria, por exemplo, aos réus que devolveram dinheiro roubado e pagaram multa? Teriam o dinheiro de volta? O melhor será que a mudança não retroaja a processos já julgados ou em tramitação. Todas as delações são homologadas pela Justiça e a defesa dos réus normalmente recorre até ao próprio STF. Se eles estão condenados, é porque a Corte rejeitou os argumentos e estes, na prática, consistem na manifestação do delatado após a do delator. A ordem dos fatores não altera o produto. Logo, se há denúncia deletada, é porque o crime existiu. Mudar o rito em nada altera o conteúdo.


Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo           


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OPERADORES SUPREMOS


Antes de tudo, o delator (conforme a lei) deve ter provas para confirmar seus relatos. Essas provas são avaliadas em três instâncias, dois colegiados (antes do Supremo), onde a defesa pode argumentar e agir livremente. Mas.... os braços longos da “orcrim” foram lá ao Supremo levar a ideia criativa de uma filigrana processual inventada como desculpa para rever, um por um, os processos da Lava Jato, desde a primeira instância – uma esculhambação que não terá mais fim. Conseguiram o almejado: o retorno ao costumeiro pântano judiciário que chamam carinhosamente de “modulação” da aplicação de uma nova regra com força legal, casuisticamente inventada pelo próprio Supremo, o que torna poderosos ainda mais diferentes do cidadão comum. A “orcrim” decerto agradecerá generosamente seus supremos agentes operadores.


Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia


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A ORDEM DOS FATORES E O CRIME


A respeito da polêmica decisão do Supremo Tribunal Federal de que o delatado deve falar depois do delator, em nome de sua ampla defesa, cabe, por oportuno, perguntar, data máxima vênia, se a ordem dos fatores altera a culpabilidade dos crimes. Com a palavra, o STF.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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ALEGAÇÕES FINAIS


Por que as alegações finais do delatado devem vir depois das alegações do delator, dado que ambos são réus? E lembrando que nas alegações finais podem conter apenas argumentações, e não novas acusações nem novas provas. E não há lei que obriga o juiz a abrir prazos, primeiro, ao delator e, depois, ao delatado, se os dois são réus, portanto no julgamento não teve prejuízos nem para a acusação nem para a defesa, e também não houve influência na condenação do delatado.


Arcângelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo


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DEPOIS DA VÍRGULA


Procurei assistir, dentro do possível, às duas sessões do STF em que os ministros se posicionaram em mais uma querela aventada por um advogado de defesa que se especializou em interpretar uma lei, digamos, além da vírgula. No caso, tratou-se de dirimir dúvida sobre se o réu delatado deveria apresentar suas razões finais depois do réu colaborador. Discutiu-se, assim, se o réu delator, numa deleção premiada, teria ou não o papel de auxiliar da acusação. Em caso positivo, o delatado deveria apresentar as suas decisões finais após o réu delator. Não interessa, em princípio, como cada um dos ministros votou, mas sim as razões que surgiram em defesa de uma ou outra solução. Um dos ministros, por exemplo, argumentou que o réu delator tem interesse em condenar o réu delatado e, portanto, passou a fazer parte da acusação. Sendo leigo em Direito, mas atento à lógica das argumentações, ocorreu-me que toda colaboração premiada é homologada, ou não, pelo juiz, ou ministro, conforme o caso. Ora, se homologada foi, entende-se que as informações prestadas pelo colaborador foram aceitas, por representarem a verdade. Assim sendo, no julgamento propriamente dito do processo, o colaborador já não é mais parte interessada, pois tanto a condenação, ou não, como o grau da pena, se houver, não é mais do seu interesse. Podemos, inclusive, aventar que na hipótese de o delatado ser inocentado, o réu delator poderia até ter as suas condições penais mais amenizadas. Dentro dessa linha de raciocínio, não há como admitir que o colaborador faça parte da acusação. Por fim, o que é de estranhar no julgamento em andamento é o esquecimento total dos crimes praticados pelos réus, ou seja, de terem dilapidado os cofres da Petrobrás, em detrimento dos interesses de toda a sociedade, visto que a empresa é uma estatal federal. Assim, resta a certeza de que aos réus abonados, não raro à custa do erário, é possível contratar advogados especializados em interpretar a lei após a vírgula. Não interessa se a justiça, propriamente dita, foi alcançada ou não. Nem vem ao caso o fato de o dinheiro furtado ter feto falta, por exemplo, nos hospitais, podendo ter sido responsável, com certeza, pela morte de um número indeterminado de pacientes. Se a chicana é esperta, o criminoso de safa. Somente amanhã, quarta-feira, teremos o alcance final desta questão, com o voto do presidente do STF e eventuais mudanças de votos dos ministros.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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DESMORALIZAÇÃO


É desanimador. O Supremo Tribunal Federal, até agora, só fez atrapalhar a Lava Jato e outras operações contra a corrupção, que é o principal dos males do Brasil. Seja por não punir ninguém, seja por soltar corruptos, ou, no mínimo, criar condições – como agora, em que se dá o julgamento sobre a questão dos delatores – para aliviar substancialmente o calvário de criminosos condenados. E os votos da maioria de seus ministros só fazem reforçar a crença de que aquela Corte está ali não para fazer justiça, mas para garantir a impunidade de bandidos. O ministro Luis Roberto Barroso, honrosa exceção entre os membros da Casa, disse que a percepção do povo sobre a corrupção “só tem piorado”. Divulgou números para ilustrar seu posicionamento sobre este quesito: “Em 2015, ocupávamos a 69.ª posição. Em 2016, pioramos para a 78.ª. Em 2017, caímos para a 96.ª. E, em 2018, o Brasil ocupa a 105.ª (...)”. Aduziu que menos de 1% dos presos respondem por corrupção ou por crime de colarinho branco “(...) e, ainda assim, no Supremo, você tem gabinete distribuindo senha para soltar corrupto. Sem qualquer forma de direito e numa espécie de ação entre amigos”. O ministro, portanto, diz com todas as letras que sabe da existência de colegas corruptos. Num clima assim, em que a mais alta instância da Justiça vive sob total desmoralização, acusada duramente por gente que a integra, resta a desesperança, já que, como diria Ruy Barbosa, a “ditadura do Judiciário é a pior entre todas”, o que em boa medida explica a revolta de tantos nas redes sociais. Já passou da hora de cair a ficha desta gente que se crê inatingível. Melhor não esticar demais a corda. Ora destas, ela pode se romper.


Silvio Natal silvionatal49@gmail.com

São Paulo


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O RITO CORRETO


Deliram alguns ministros do Supremo. O grande problema era saber se produziriam razões por último os réus delatados. Se os acusados devem falar por último, como princípio básico do contraditório e do devido processo legal, evidentemente que os delatados devem poder responder às acusações dos delatores. Prevaleceu o óbvio, mas alguns ministros se julgam os baluartes finais da Lava Jato, enquanto grande virada histórica da luta contra a corrupção no Brasil, sem considerar as apreensões reveladas pelo “The Intercept”, que dão conta de que corrupção municiava a luta contra a corrupção em Curitiba. E que os atores da operação desbordaram de todos os limites aceitáveis, a ponto de referir-se aos ministros daquela Corte como bandidos. A consequência não será anular processo algum, mas inseri-lo no rito correto a partir de certo momento, para voltar a tramitar no âmbito do Estado Democrático de Direito.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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FOI DESLEIXO?


O STF está para decidir sobre os processos da Lava Jato em que o réu delatado tem de ser ouvido após o delator. Ora, a Operação Lava Jato começou há mais de cinco anos e já tem mais de 140 condenações realizadas desta mesma forma. Sendo assim, há que perguntar: o que fizeram os ministros do Superior Tribunal de Justiça e do próprio STF, instâncias superiores onde ocorreram os julgamentos e sentenças da Lava Jato, que não se manifestaram em nenhum momento sobre a questão presente? Entendo que as instâncias superiores deveriam no mínimo dar maior atenção a uma operação deste porte, e não deixar que alguns ritos processuais que não foram seguidos se perpetuassem. Isso é puro desleixo, pois aplicam a filosofia do “deixem que eles errem que depois corrigimos”. No mínimo, é ridícula esta postura da nossa justiça.


Darci Trabachin de Barros  darci.trabachin@gmail.com

Limeira


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O FIM DA LAVA JATO?


A discussão no STF sobre quem fala por último, se é o delator ou o delatado, é mais uma das retóricas utilizadas para desmantelar a Operação Lava Jato, livrando da cadeia aqueles que destruíram financeiramente o Brasil, assim como aconteceu na Itália na Operação Mãos Limpas. O STF, constituído para defender a Constituição, está se desviando do seu principal propósito quando se utiliza de argumentos que não estão na Constituição para desmontar uma operação anticorrupção criada e apoiada por toda a população brasileira para livrar o Brasil desta corja de políticos e empresários corruptos.


Valdy Callado valdypinto@hotmail.com

São Paulo


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‘PRÁ MIM CHEGA’


Corre as redes sociais uma charge que mostra a escultura da deusa da Justiça localizada na entrada do STF saindo revoltada de seu trono aos brados de “prá mim chega!”. Certamente, o que inspirou o artista, diante das várias ações que vêm contribuindo para minar gradualmente a confiança da população no órgão mais importante do Judiciário, foi a gota d’água configurada pela recente votação lá ocorrida na qual a maioria dos ministros abriu caminho para a neutralização de várias sentenças determinadas pela Operação Lava Jato, o que pode resultar no seu enfraquecimento e na volta de um clima de impunidade que se considerava superado. Tudo leva a crer que ponderável parte da sociedade, desanimada, gostaria de berrar também um “prá mim chega!” em relação ao Poder Legislativo, cujas resoluções priorizam sistematicamente medidas corporativas, perdulárias e egoístas que atrasam a realização de debates sobre reformas fundamentais para o País e deixam ao largo o interesse público, em nome do qual os representantes foram eleitos.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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‘O TITANIC LAVA JATO’


Enquanto para o povão o horizonte se fecha em cumulunimbus, para os corruptos – e outros privilegiados – transforma-se em céu de brigadeiro. Essa é a sensação que acomete milhões de brasileiros que depositaram suas esperanças numa eleição que pudesse reescrever nossa história, permitindo que vivêssemos num país equânime, onde todos seriam de fato iguais perante as leis. Ledo engano. Com o passar dos meses, os interesses dos poderosos foram se aglutinando numa amálgama fétida, podre, que nos dá a sensação de caminharmos para um limbo que sepultará as esperanças de um povo sofrido, pagador das “benesses” de uma casta privilegiada. E a grande líder desta esperada conquista vai a pique, como prevê a articulista Eliane Cantanhêde em seu O Titanic Lava Jato (Estadão, 29/9, A8). Aqui cabe uma ressalva. Grande parte desta caminhada para o fundo do mar se deve à grande imprensa e aos jornalistas que apenas relatam tais fatos, sem assumirem um papel protagonista que possa apoiar as robustas manifestações populares daqueles brasileiros que têm dedicado seus domingos de descanso para, nas ruas, demonstrar sua indignação, exigindo um “céu de brigadeiro” para os verdadeiros financiadores destes descalabros que assolam o Brasil.


Antonio Calos Gomes da Silva acarlosgs9@gmail.com

São Paulo


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CUSTO IMENSURÁVEL


Até que enfim uma proeminente representante da classe jornalística reconhece a armação ilimitada protagonizada por Rodrigo Janot a favor dos irmãos Batista, contra Temer e o Brasil. O custo foi o imensurável atraso na aprovação da reforma da Previdência, pronta àquela altura para ser votada e aprovada, o que melhoraria em muito a vida dos brasileiros. Cumprimento Eliane Cantanhêde por desnudar, em O Titanic Lava Lato (Estadão, 29/9, A8), a trama, que contou com incomensurável apoio de jornalista de renome e grande rede de mídia. Lamentável.


Marco Antonio Esteves Balbi mbalbi69@globo.com

Rio de Janeiro


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RIR DE QUÊ?


Não há pecados da Lava Jato ou de Rodrigo Janot que possam transformar Gilmar Mendes de Gata Borralheira em Branca de Neve. Gilmar continuará sendo o mesmo defensor de legalismos favoráveis aos verdadeiros bandidos. Logo, Eliane Cantanhêde (Estadão, 29/9, A8), ele não tem do que rir, nem mesmo por último.


Ariovaldo Medeiros aridimedi@msn.com

São Paulo


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A CONFISSÃO DE RODRIGO JANOT


Está na oração do Pai Nosso: “(...) e não nos deixeis cair em tentação”. Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República (PGR), contou que chegou a pensar em matar um ministro do STF. Já tivemos notícias de inúmeras ocasiões de brasileiros que manifestaram seu repúdio ao ministro em questão. Tudo alimentado pelas crises de cólera do mesmo ministro nas sessões do STF. Sua imagem está associada ao que há de mal no Poder Judiciário. No entanto, o ex-PGR Janot teve a tentação, mas não se entregou a ela. Por isso é um irrelevante penal o agora narrado. Não tem foro especial, como cidadão comum é a Justiça de primeira instância que poderia comandar eventual feito investigatório. Mas parece que certas regras legais, conhecidas até por estudantes de Direito, têm difícil compreensão lá, no STF. Para poder livrar a cara dos criminosos de todos os partidos, com a ajuda da hipocrisia de boa parte de profissionais da imprensa, vão querer transformar o ex-PGR e Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, em criminosos. Formalmente, até poderão fazer isso no STF. Contudo, não poderão mandar prender milhões de brasileiros que estão entendendo o que está acontecendo. A não ser que o STF ajude a transformar o Brasil em Venezuela.


Ana Lucia Amaral anamaral@uol.com.br

São Paulo


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SÍNDROME DE JANOT


Que o Brasil é um país perigoso para viver o mundo inteiro sabe. Que o Supremo Tribunal Federal é um lugar perigosíssimo para estar os brasileiros desconfiavam, e têm certeza agora, com a Síndrome de Janot.


José Maria Leal Paes myguep23@gmail.com

Belém


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MORTOS-VIVOS


Revelação surpreendente divulgada na mídia o desejo de Janot de matar o ministro Gilmar Mendes. Frustrante o desfecho, mas temos uma certeza: os dois morreram no cenário jurídico do País.


Paulo H. Coimbra de Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro


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BAIXO NÍVEL


Parece que perplexidade não é mais o termo para os assuntos que circulam no STF depois da confissão do ex-PGR Rodrigo Janot, que pensou em matar Gilmar Mendes. Não sei mais o que precisa acontecer para não ficarmos entediados. Que nível!


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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JUSTIÇA DOS PODEROSOS


No mesmo dia em que ecoou a confissão do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, de que quando o ofendido é ele a justiça é feita com as próprias mãos, os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes fizeram questão de mostrar que nesse quesito não devem nada a Janot. Agastado com a revelação de que, em maio de 2017, o ex-PGR teria ido ao STF com o intuito de matá-lo, Gilmar, ao invés de se valer dos caminhos legais para cobrar eventual dano que entenda haver sofrido, pediu socorro a Moraes. Este, valendo-se de atalhos não previstos na legislação, mandou a Polícia Federal realizar diligências em dois endereços de Janot visando à apreensão de armas porventura encontradas nos locais, e para “verificar a eventual existência de planejamento de novos atos atentatórios ao ministro Gilmar Mendes e às próprias dependências do Supremo Tribunal Federal”. Moraes ainda proibiu que o ex-procurador se aproxime a menos de 200 metros de qualquer ministro do STF e que entre nas dependências da Corte. Moraes agiu por meio do inquérito sigiloso que preside – a mando de Toffoli – para apurar fake news e ofensas contra magistrados do Supremo. A reboque deste mesmo inquérito a revista Crusoé e o site O Antagonista foram censurados por haverem noticiado que o empresário Marcelo Odebrecht havia citado o nome de Toffoli em depoimento à Polícia Federal. Quando um ex-chefe do órgão encarregado de fiscalizar o cumprimento das leis e três ministros do STF, entre eles seu presidente, reagem a supostas afrontas pessoais fazendo justiça ao seu livre-arbítrio, é aceso o sinal de alerta para o iminente risco de ruptura da ordem democrática.


Sergio Ridel  sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo


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ABUSO DE AUTORIDADE


Creio que nenhum ministro do Supremo Tribunal Federal pode julgar os nossos pensamentos, como ocorreu com Alexandre de Moraes em relação a Rodrigo Janot. Pensar não é crime previsto no Código Penal nem se enquadra na Lei da Segurança Nacional.


José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo


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PUNIÇÃO DO PENSAMENTO


Juridicamente nada há a ser apurado contra o sr. Janot. As buscas de sexta-feira foram um abuso. Suas declarações, com o intuito de chamar a atenção, sabe-se com que intenção, longe estão de ser crime. Se formos punir pensamento, imagine que inferno seria. Impunível. Lamentável o que vimos na sexta-feira.


Edmar Augusto Monteiro eamonteiroea@hotmail.com

São Paulo


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FANTASIA HOMICIDA


Quando pensava que já havia visto de tudo nos Poderes da República, eis que o ex-procurador-geral Rodrigo Janot me vem com esta fantasia homicida. Não, não vou ler o seu livro de memórias. Basta.


Nivaldo Ribeiro Santos nivasan1928@gmail.com

São Paulo


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CÔMICO


Seria trágica, se não fosse cômica a ameaça de Janot. Mas nós, o povo, teríamos ganhado muito se a ameaça tivesse se concretizado.


Isael Coleone isael.coleone@gmail.com

Indaiatuba


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O TIRO QUE NÃO SAIU


Armas emperrarem na hora de dar o tiro é muito comum. Dedos emperrados é altamente improvável. “La mano de Diós” é malandragem de Maradonas. O mais provável é “falho-ato”, uma divergência entre desejo e ação. Rodrigo Janot não puxou o gatilho porque no fundo, no fundo, não queria, principalmente porque após matar cometeria suicídio. Aí, o dedo emperrou. Duas mortes salvas por um dedo “algoritmo”, programado a impedir atos destrutivos de pretensas mentes inteligentes.

               

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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GILMAR COMO JANOT


Gilmar Mendes disse que Rodrigo Janot é um potencial facínora... Vejam quem está falando: sua excelência parece estar muito familiarizado com facínoras, que são por ele libertados, mesmo havendo praticado crimes que roubaram – de forma cruel e perversa na prática de desvios do erário – a esperança de pessoas humildes e de trabalhadores cumpridores de suas obrigações, excluídos do mínimo a que teriam direito: educação e saúde.  Muitos morrendo nos corredores dos hospitais, enquanto suas excelências e seus protegidos (ou comparsas?!) desfrutam de mordomias inimagináveis. 


Aparecida Dileide Gaziolla aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul


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DEBAIXO DA TOGA


Pensando bem, a arma que Janot levava debaixo da toga poderia fazer mal a apenas duas pessoas. E ele repensou e recuou. Já a arma que Gilmar Mendes usa ao vestir aquela toga sem ter estofo moral para usá-la faz mal à Justiça brasileira como um todo. E ele não tem pejo de usá-la continuamente. Quem é o mais facínora dos dois?


Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo


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RODRIGO JANOT


De super ex-procurador-geral da República a “potencial facínora”, nas palavras da possível vítima. E o Brasil e os seus.


Adilson Pelegrino adilsonpelegrino52@gmail.com

São Paulo


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DESRESPEITOSO


Que cena desrespeitosa a de Rodrigo Maia rindo às gargalhadas ao citar Rodrigo Janot em seu comentário sobre haver o ex-PGR tido intenção de matar Gilmar Mendes! Era de esperar uma atitude menos grotesca, vinda do presidente da Câmara dos Deputados.


Maria do C. Zaffalon Leme Cardoso zaffalon@uol.com.br

Bauru


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FLECHADAS DE JANOT


À semelhança do provérbio, quem não tem flecha mata com trabuco mesmo...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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BUMERANGUE


O bambuzal de Janot produz bumerangues.


Jéthero Cardoso jetherocardoso@gmail.com

Bauru


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MEDICINA NA FRONTEIRA


Inacreditável e inadmissível, para dizer o mínimo, que uma cidade de 116 mil habitantes como a paraguaia Pedro Juan Caballero tenha nada menos que nove (!) faculdades de Medicina (Medicina fora do país mistura sonho e riscoEstadão, 29/9). E, o pior, a preços (estranhamente) acessíveis e com facilidade de ingresso – para não dizer automático –, já que a imensa maioria dos pretendentes ao curso não realiza vestibular. É evidente que esta avalanche de faculdades médicas que surgiram nos últimos anos em vários países vizinhos do Brasil não têm a mínima condição de oferecer formação médica adequada, como bem demonstra a reportagem do Estadão. Com todo respeito aos sonhos aos quais todo cidadão tem direito, é condenável a banalização de cursos de Medicina, como se fossem meros objeto de consumo. Além disso, não bastassem as já inúmeras faculdades médicas brasileiras de qualidade duvidosa, o MEC ainda tem de se preocupar com os egressos destas faculdades estrangeiras suspeitas. Neste contexto, passa a ser cada vez mais importante o exame de validação do diploma, o Revalida, como forma de proteger minimamente a qualidade da saúde praticada no Brasil.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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VITÓRIA PARAGUAIA


Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, deve estar de bruços no seu túmulo, enquanto o paraguaio Solano Lopes deve estar gargalhando por uma vitória conquistada sem o uso de canhões e de milhares de soldados vitimados numa guerra vencida não somente pelo Brasil, mas coadjuvado pela Tríplice Aliança com Argentina e Paraguai. Uma vergonha nacional enodoa as nossas tradições e até mesmo a nossa trôpega democracia. Jornais e TV dão conta de que milhares de jovens estão atravessando fronteiras rumo ao Paraguai para conquistar o tão ambicionado “diploma de doutor em Medicina”, não só por ser altíssimo o custo de um curso nesta área no Brasil, diante de cursos que facilitam a conquista do diploma. Pesa o custo da Medicina no Brasil, que se tornou seletivo: só os abastados têm acesso. Recentemente, o governo brasileiro desbloqueou verbas que estavam contingenciadas inclusive para a Educação. E, por falar em diplomas “além fronteiras”, o Revalida ainda tem validade ou é “entretenimento verbal para adormecer bovídeos”? No sentido lato, ser doutor no Brasil depende muito do e$tudo do aluno.


Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)


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CASO RICHTHOFEN


Se não bastasse um, teremos dois filmes sobre a vida da assassina dos pais Suzane Von Richthofen (Estadão, 18/9). Baseado no Brasil de hoje, em que até para a Justiça o bandido é o “coitadinho”, imagino que pintarão os pais da assassina como cruéis, autoritários, abusadores, espancadores, pederastas e canalhas. Pena que não estarão aqui para se defender. Espero que estes filmes tenham frequência zero, porque o Brasil está precisando de bons exemplos, e não como o desta assassina, que deveria estar na cadeia sem direito a saidinhas.


Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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POR 15 MINUTOS DE FAMA


Os protagonistas do crime terão direitos autorais na renda do filme? Será incentivo ao parricídio e ao matricídio por “15 minutos de fama”?


Leonor Toyo Nisiyama leonor.tn@gmail.com

Osasco

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