Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S. Paulo

06 de outubro de 2019 | 03h00

PERSPECTIVAS

Nosso futuro

Os governos, com algumas exceções, vêm mostrando desempenho deficiente no mundo todo. Tenho até ouvido previsões sobre o desaparecimento dos governos em seus modelos atuais, vindo o mundo a ser governado por 30 ou 40 gigantes multinacionais, que já estariam ensaiando novos rumos para a economia, até com novos tipos de moeda e novas formas de distribuição dos bens e serviços. Será que teremos uma reforma social gigante nas próximas décadas, com um sistema que, ancorado no grande desenvolvimento tecnológico, venha a suprir as necessidades da sociedade, desde as primárias e essenciais até os desejos mais efêmeros? Pode ser um sonho ou um pesadelo. Mas tem verossimilhança!

LUIZ AUGUSTO CASSEB NAHUZ

luiz.nahuz@gmail.com

São Paulo

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Terra em transe

Entre governos de esquerda estatizante e direita privatizante, somos um país refém de ideologias importadas que não se importam com a realidade econômica da Nação brasileira, cindida pela injustiça social. Há um cinturão de miséria no entorno de todas as cidades deste nosso 

Brasil, tão rico e tão mal administrado. A carência de educação, saúde e infraestrutura nas periferias se reflete na violência que nos destrói, desune e desanima. Uma nação em permanente transe existencial. 

PAULO SERGIO ARISI

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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Para refletir

Igualdade de oportunidades? A média salarial no Judiciário é de R$ 28 mil; no Legislativo, R$ 18 mil; e no Executivo, R$ 12 mil. A média salarial do resto dos brasileiros, na iniciativa privada, é de R$ 1.700; 40 milhões de aposentados recebem em média R$ 1.370 e destes, 25 milhões levam um salário mínimo, R$ 998. A reforma da Previdência resolve o problema econômico, mas não o social. E as categorias já privilegiadas (os três Poderes) desejam ainda mais aumentos, além de incorporações a seus vencimentos, que já são imorais!

VALDOMIRO TRENTO

valdomirotrento@hotmail.com

Santos

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SACRILÉGIO

Irmã Dulce

Irmã Dulce, com toda a justiça, vai ser canonizada dia 13 no Vaticano. Foi uma mulher que sempre defendeu os mais necessitados. Li em algum lugar uma passagem que revela quem foi Irmã Dulce. Certa vez ela pediu donativos a um empresário que em resposta lhe deu uma cusparada. Nossa futura santa então lhe disse: “Isso é para mim, mas o que o senhor tem a doar aos meus pobres?”. Uma pessoa com caráter tão nobre, decente e superior não merece ser “reverenciada” por um bando de políticos que viajarão à nossa custa, com todas as mordomias. Irmã Dulce representa e sempre defendeu os que mais precisavam, e não essa laia de aproveitadores inescrupulosos. Seria de esperar que, em respeito à humildade e bondade da nossa santa, S. Exas. pagassem do próprio bolso as despesas da viagem.

LEÃO MACHADO NETO

lneto@uol.com.br

São Paulo

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CORRUPÇÃO

Ainda delator e delatado

Desconsiderar que o delator não acusa, apenas denuncia terceiros por (supostos) crimes, é um erro. Perante o Judiciário o delator é, para efeito dos crimes cometidos, só um acusado e em sua defesa deve ter os mesmos direitos dos demais acusados. Quem acusa é o Ministério Público (MP) e os elementos de prova/acusação devem constar do processo encaminhado ao juiz, subscritos por um promotor, nunca pelo delator. Quando um acusado negocia com o MP a redução da pena, tornando-se delator, entrega os elementos de que dispõe para comprovar sua denúncia, cabendo ao MP averiguar a validade para subsidiar processos contra terceiros que, se for o caso, acusará. A figura do delator desaparece antes do julgamento e seu papel como “testemunha de acusação” não se confunde com o fato de ele ser um acusado. A delação minimiza a pena do acusado que a faz, mas não a culpa, não podendo ele usar em sua defesa a culpa dos demais. Essa a lógica do legislador que o STF subverte.

JORGE R. S. ALVES

jorgersalves@gmail.com

Jaú

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Segunda instância

Está marcado para este mês, pelo STF, julgamento que pode representar o funeral da Operação Lava Jato, a maior vitória da Justiça do Brasil contra a corrupção, condenando gente que sempre esteve impune. Não merecemos esse retrocesso. Ainda espero a reflexão de alguns ministros sobre a gravidade e importância de sua decisão.

LUIZ FRID 

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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Odebrecht no breu

Com cerca de uma centena de bilhões de reais de créditos não liquidados, a empreiteira Odebrecht, uma das protagonistas do maior roubo já cometido na História do Brasil, agora pretende uma tática contábil, que o governo não aceita. Para os maiores credores – Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal –, só a decretação de falência pode dar início aos entendimentos. A Lava Jato teve seus dias de glória exatamente na época de combate ao petismo famélico dos cofres públicos, sempre escudado pelas empreiteiras. E estas agora querem uma indulgência, para lá de impossível?!

JAIR COELHO

jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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Novo parisiense

A prefeitura de Paris concedeu a Lula da Silva o título de cidadão honorário da cidade. A justificativa alegada para a homenagem é a de que ele teria sido o responsável por reduzir a desigualdade social no Brasil e tirado da situação de extrema pobreza cerca de 30 milhões de brasileiros. Certamente os representantes parisienses que ratificaram o título há muito não visitam o nosso país. Se o fizessem com mais frequência e acompanhassem a marcha dos acontecimentos por aqui, saberiam que os 30 milhões citados, iludidos por nocivo populismo que caracterizou a atuação do laureado durante o período em que esteve no poder, voltaram à situação anterior, com lamentáveis acréscimos. E que as diferenças sociais supostamente suprimidas foram restabelecidas pelo esfacelamento da economia que sobreveio dos desgovernos petistas, produzindo, entre outras mazelas, o triste panorama de mais de 13 milhões de desempregados. Lamentável miopia.

PAULO ROBERTO GOTAÇ

pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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Bijou

Será que o Lula vai receber o título em Paris com tornozeleira?

EUGÊNIO JOSÉ ALATI

eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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A REDENÇÃO DA ODEBRECHT

O pedido de recuperação judicial da Odebrecht pela Caixa Econômica Federal (CEF) é legalmente procedente, sem dúvida. Mas há uma questão simbólica neste pedido que transcende a legalidade: a Odebrecht durante décadas foi parte principal do esquema de corrupção institucional que não só assaltou os cofres públicos, como impediu o crescimento econômico do Brasil. É bem verdade que graças à Operação Lava Jato seu presidente foi processado e preso e outros tantos integrantes do esquema também, incluindo o ex-presidente Lula. Mas o simples fato de a empresa em si ter sobrevivido e continuar atuando no mercado como se nada tivesse acontecido é, ainda, impalatável. Legalidade à parte, falta à Odebrecht a devida redenção moral.

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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SUJA JATO

Conforme noticiado, o auditor Marco Aurélio da Silva Canal, que se destacou como supervisor da Equipe de Programação da Operação Lava Jato, pela qual ministrava palestras sobre combate à corrupção, foi preso na última semana como o principal nome da Operação Armadeira, sob a acusação de chefiar uma organização criminosa de auditores fiscais e servidores da Receita que achacou milhões de reais de empresas investigadas pela força-tarefa da operação. Como se diz, neste país não dá para morrer de tédio, tamanha a quantidade e a má qualidade de notícias diárias sobre a bandidocracia que dominou geral. Até quando o Brasil suportará tanta sujeira?

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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O STF NUMA ENRASCADA

O Ato Institucional n.º 5, da época em que o País foi administrado por militares, tão execrado por democratas, talvez esteja sendo usado de modelo pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em verdade e sem qualquer sombra de dúvida, este tribunal vem legislando sem que possa ser afrontado em suas decisões. Qualquer semelhança é mera coincidência. E o pior: parece sempre haver interesses subjacentes que não passam despercebidos pela população em geral. O tribunal tanto fez que, visivelmente, acabou metendo-se numa enrascada quando resolveu modificar a lei processual penal para estabelecer novo critério nas alegações finais em processo crime. Parece que não estão encontrando uma honrosa saída: é a excelente amostra do notável saber jurídico.

José Roberto Cicolim

jrobcicolim@uol.com.br

Cordeirópolis

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AI-1

A ditadura militar emitiu 17 atos institucionais, o mais drástico de todos o AI-5, em 13 de dezembro de 1968, resultando em cassação de parlamentares contrários ao regime e sinalizando o endurecimento do combate aos militantes da esquerda. Em 2 de outubro de 2019, a três dias do aniversário da Constituição, a ditadura da toga emitiu o seu AI-1, confirmando a intervenção no Congresso ao legislar por meio de “teses” e “modulações” inexistentes na Constituição e que podem causar um retrocesso antidemocrático no País. Só há um caminho para deter a marcha da insensatez e da ambição desenfreada dos quatro cavaleiros do apocalipse personificados em quatro notórios ministros do STF: o acolhimento pelo Senado, antes que seja tarde, dos competentes pedidos de impeachment de ministros do Supremo, que estão engavetados e embolorando na mesa do senado. Pior do que a ditadura da farda, só a da toga.

Gilberto Dib

gilberto@dib.com.br

São Paulo

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QUAL SERÁ A MÁGICA?

Na última quarta-feira o Supremo Tribunal Federal decidiu pela segunda vez adiar a sessão que trataria das regras para as alegações finais de réus delatados. Provável motivo? Não encontraram uma solução para favorecer Lula que não beneficiasse inúmeros outros condenados que certamente entrariam com uma avalanche de recursos e de pedidos de habeas corpus. Por mais que o presidente da Corte, Dias Toffoli, tente articular uma solução que junte duas regras: a primeira é a de que só terá direito à anulação de sentença o delatado que tiver reclamado desde a primeira instância para falar por último; e a segunda é a de que haja comprovação de “prejuízo” do réu com a manifestação final do delator. As duas regras são altamente polêmicas. A proposta de Toffoli faz o oposto do que o habitual, garantindo direito retroativo de quem pediu direito para falar por último lá atrás. Isso criaria dois tipos de réus. Aquele que é beneficiado porque pediu o direito antes da decisão do STF e o outro que ficou no prejuízo por não tê-lo feito. Os dois têm a mesma situação, mas um se prejudica e o outro se dá bem. Parece se tratar da Lei de Gerson aplicada pelo STF para beneficiar o padrinho encarcerado. Pergunto: qual será a mágica para esta próxima semana, quando as Excelências se reunirão para tirar mais um coelho da cartola para anular a pena do chefe da quadrilha?

Paulo R. Kherlakian

paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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PAGANDO PARA VER

Parafraseando a romancista Tati Bernardes, atire a primeira pedra quem discordar de que os supremos ministros “não conseguem ser espertos antes de testar todas as infinitas possibilidades de serem idiotas”. “Já que é para apanhar, é melhor apanhar de uma só vez”, disse um arauto e nada romântico deus supremo sobre a intenção do Supremo Tribunal Federal (STF) de pautar para os próximos dias, no atacado, a nulidade do processo do presidiário vip de Curitiba e o fim da prisão após condenação em segunda instância. Consumados o sucesso dos insurgentes ministros inimigos da República e o consequente fim da Lava Jato, não creio que teremos céu de brigadeiro e mar de almirante nos dias que se sucederem às venenosas decisões plenárias. O grito e a revolta do irrequieto povo às ruas, nos aeroportos, aviões e nas redes sociais não serão bastantes. Não prevejo garantias de que a sociedade se limitará a bater de uma só vez, conforme prenunciou o falante deus do mal. O Brasil não lhes merece, ministros. Não paguem para ver, recomendaria o prudente Conselheiro Acácio. Força Lava Jato!

Celso David de Oliveira

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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ALEGAÇÕES FINAIS

Dos 162 condenados da Lava Jato, 143 podem ser beneficiados pelas firulas jurídicas da hermenêutica dos supremos, encadernados em suas capas pretas, moles ou duras. Advogados de ricos & poderosos agradecem. Próxima bondade será acabar com a prisão após condenação em segunda instância, o que vai tornar os advogados acima citados “donos do pedaço” Supremo e seus clientes, “presos nunca mais”!

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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FIM DA FORÇA

Finalmente o STF conseguiu reduzir a Lava Jato a uma simples Lava “14Bis”.

Luiz Frid

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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JABUTICABA JURÍDICA

Pegue um monte de advogados amigos de políticos e coloque numa sala. É o que temos hoje no STF. Então, nada a surpreender que criaram uma jabuticaba jurídica para “salvar amigos da Lava Jato”, decidindo que o delatado deve falar depois do delator ou vice-versa, que nenhum jurídico de renome conseguiu entender a diferença diante de provas contundentes. Deu-nos a impressão de que nem eles sabem, tão afoitos estavam em libertar bandidos de estimação, porque, depois que avaliaram o imbróglio criado, suspenderam tudo, provavelmente até a população esquecer a vergonha criada. Digam: quem precisa de um STF assim? Depois não querem ser chamados de “vergonha nacional”. Estes ministros não passariam hoje num reles concurso da OAB.

Beatriz Campos

beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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OS JUÍZES DE BERLIM

Quem chorará por ti, Brasil, quando o jipe com um cabo e um soldado cruzar a Praça dos Três Poderes rumo ao Supremo Tribunal Federal? Havia juízes em Berlim. Não os há em Brasília.

José Maria Leal Paes

myguep23@gmail.com

Belém

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DEFESA DA SOBERANIA

O presidente Jair Bolsonaro aparenta estar perdido com relação à Amazônia: diz que quer preservar a floresta, mas recebe garimpeiros ilegais e fala mal das árvores. Uma boa solução seria o presidente substituir o ministro do Meio Ambiente ruralista por um general de selva. Um ministro do Meio Ambiente militar, que fez a carreira na selva amazônica, saberá equacionar os vários problemas da região e representaria a volta do saudável antagonismo entre o meio ambiente e a agricultura, ordenaria a atuação das ONGs e seria um fator de dissuasão para as pretensões estrangeiras na Amazônia.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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O EXÉRCITO NA AMAZÔNIA

Com a notícia publicada há alguns dias no Estadão (28/9, A18) de que, mesmo com o exército há um mês na Amazônia, o desmate aumenta, fica comprovado que a política do presidente Bolsonaro quanto à preservação daquela floresta carece de êxito. Essa deficiência vem prejudicando o País, ao mesmo tempo que favorece aqueles que têm interesses escusos naquela região. Como sabemos, nosso presidente se alinha àqueles que não admitem que o aquecimento global é um problema sério. Ocorre que a maioria dos países decidiu que sim, e começa a retaliar aqueles que não se juntam às suas preocupações. O nosso presidente está alinhado ao presidente norte-americano, também descrente do aumento médio da temperatura da Terra. Ocorre que as condições dos dois países são totalmente diferentes. A maior economia e potência militar do mundo discordar da maioria das nações é uma coisa, outra bem diferente é o Brasil, com a economia depauperada. E tanto isso é verdade que já começamos a sentir as reações de várias nações. A Áustria, em razão da política ambiental do Brasil, já se declarou contrária ao acordo com o Mercosul, e outras nações europeias também se inclinam nesse sentido. Algumas já começaram a discriminar produtos brasileiros, tanto que alguns setores da nossa economia já estão se movimentando no sentido de procurar reverter tal situação. O governo tem de equipar melhor o exército na Amazônia e acabar de vez com o desmatamento desenfreado, principalmente com a derrubada de árvores para envio por contrabando ao exterior, sem nenhum proveito para o País. 

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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DIGAM AO PRESIDENTE

Os Bolsonaros passam boa parte do tempo procurando inimigos para combater. Agora, o presidente diz, com energia e indignação, que o que os estrangeiros querem da Amazônia são os minerais, e não as árvores, deixando subentendido que devemos defender os minerais e não nos preocuparmos com as árvores. Alguém deve dizer ao presidente que no tocante à mineração temos legislação adequada, que vem sendo aplicada pela Agência Nacional de Mineração (ANM) no efetivo controle da atividade, com a exceção, está claro, da abusiva e nociva permissibilidade dada a muitos dos garimpeiros. Deve, também, mostrar a ele como as florestas, estejam onde estiverem, são úteis para o auxílio do controle do clima deste planeta e como vêm sendo devastadas dia sim, dia também, sob a ostensiva incapacidade de controle dos órgãos governamentais responsáveis. Sem deixar de informar que órgãos como o Incra e o Ibama, com seus assentamentos e concessões sustentáveis, continuam orientando onde desmatar, o que é feito com presteza e o mínimo de controle.

Wilson Scarpelli

wiscar@terra.com.br

Cotia

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CORAGEM

No primeiro Título da Constituição da República (Dos Princípios Fundamentais), no seu primeiro artigo, e também no primeiro inciso, o legislador constituinte de 1988 inscreveu a soberania, entre os cinco fundamentos do Estado Democrático de Direito (soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e da iniciativa privada e pluralismo político), como o primeiríssimo princípio fundamental da República; e não podia ser diferente, eis que não existe nação independente que não seja também soberana. Em época de grande ativismo ambiental, vemos prosperar, em escala global, uma nefasta campanha pela internacionalização da Amazônia, que não consegue esconder a cobiça pela riqueza do subsolo de uma área verde que cobre a metade do território brasileiro. Assim, longe de espantar, é de louvar a coragem do presidente Bolsonaro em ter escolhido a soberania nacional como o tema central do seu brilhante discurso na sessão de abertura da 74.ª Assembleia-Geral da ONU.

Rui da Fonseca Elia

rui.elia29@gmail.com

Rio de Janeiro

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‘O FUTURO DA FLORESTA’

O artigo O futuro da floresta (29/9, A2), assinado por quatro pesquisadores sobre a Amazônia, revela que falta pouco, e falta muito, para reverter o quadro preocupante da região. Falta pouco porque bastaria uma forte vontade política para construir ações para o manejo sustentável deste bioma maravilhoso. Ideias e técnicos existem para tanto.  Por outro lado, falta muito, porque não se vê no horizonte próximo nem um sinal daquela vontade política imprescindível. Resultado: por inércia da inação, a floresta sofre.

Francisco Eduardo Britto

britto@znnalinha.com.br

São Paulo

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CONSUMO EXAGERADO

Pela primeira vez eu concordei com uma tuitada de baby Trump: foi quando ele, ironicamente, elogiou o discurso, na ONU, da garota sueca Greta Thunberg. E a razão, que ele sabe, é que as diatribes da menina não passaram de palavras ao vento, que só serviram para comover os bobos da audiência. Isso porque a solução para o problema global do meio ambiente não passa somente pela ONU, pelos Estados, pelos empresários ou pelos megainvestidores pendurados de ONGs. Passa, sim, principalmente, pela atitude de cada cidadão deste planeta. Porque o cerne do problema está no padrão de vida atual, baseado no consumismo exagerado, ao qual estamos confortavelmente acostumados. Pergunto: quantos, entre os que vociferam difusamente contra os “assassinos da natureza”, estariam realmente dispostos a abrir mão do iPhone do ano, da roupa da moda, do consumo excessivo de proteína animal, das viagens de turismo, dos gadgets eletrônicos, dos veículos movidos a eletricidade, enfim, dos pequenos confortos que a vida moderna oferece? (Lembrando que, em muitos casos, em especial na Europa, a energia que move os carros elétricos é gerada... pela queima de carvão!). A diminuição do consumo traria o condão de desviar o mundo da rota suicida do esgotamento dos recursos naturais, entre os quais a água representa o mais importante (curiosamente, recurso no qual a nossa Amazônia é pródiga) e cujo esgotamento representa problema muito maior do que o do aquecimento global. Uma solução paliativa possível, a meu ver, para os Estados mitigarem o problema seria reativar a teoria do economista britânico Thomas Malthus, lá do remoto século 18, promovendo campanhas de controle do crescimento demográfico, como de planejamento familiar e prevenção de gestação precoce, em especial nos países pobres. O outro lado da moeda é que, na hipótese de, ao optar o cidadão por consumir menos, estaria ele condenando as indústrias a diminuírem as atividades, as economias dos países a diminuírem o ritmo e o mundo a caminhar para o desemprego global. Donde se vê que o problema está longe de ter solução simples.

José Roberto dos Santos Vieira

jrdsvieira@gmail.com

São Paulo

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AJUSTES

O discurso de exaltação da emergência climática da jovem Greta Thunberg requer alguns ajustes de palavras e atitude. Ela acusa, sem poupar ninguém, o universo adulto, com exacerbado rancor, esquecendo que milhões trabalham duro para avançar nas tecnologias sustentáveis em ascensão que substituirão os combustíveis fósseis. Novas lideranças políticas e novas ideias surgem aos poucos e ganham espaço. Filhos de sociedades capitalistas hiperdesenvolvidas e ricas que preenchem todas as necessidades básicas de seus cidadãos não deveriam deixar passar em branco que países desenvolvidos consumiram seus recursos naturais e colonizaram nações pobres, subtraindo suas riquezas naturais, mantendo seus cidadãos na penúria – e, portanto, agora, têm de ajudar suas vítimas do passado a crescer. Entretanto, em termos de proteção do clima, países ricos têm pouco a ensinar; sua pegada perdulária de carbono é muitas e muitas vezes superior à dos pobres cidadãos “sem-pegada” do Terceiro Mundo. A menina e seus politicamente enviesados mentores por detrás das tapadeiras – capitalistas ricos e educados, mas sem a precisa noção do que fazem – atacam ferozmente o capitalismo. Mas é justamente a abundância que só o capitalismo produz que pode transformar nações atrasadas e incultas em nações civilizadas, cultas e satisfeitas, que estarão estruturadas para produzir suas próprias soluções que reduzirão o risco efetivo e inegável das mudanças climáticas. Seu catastrofismo exagerado gera ansiedade em toda uma geração manipulável. Ao invés de produzir positividade e descontração, produz medo, ódio de um outro ser humano que não conhece, raiva do mundo como ele é, e frustração – isso só pode levar ao niilismo e mais atraso. Temos aí uma emergência global, mas o planeta não precisa de jovens arrogantes, caçadores de culpados, depressivos, rancorosos, incrédulos e infelizes – estes no futuro não salvarão o mundo, que, aliás, não está acabando e não vai acabar, nem para humanos nem para a maioria das espécies vivas. As atitudes estão mudando, muitas soluções já estão aí e muitas mais virão.

Olimpio Alvares

olimpioa@uol.com.br

Cotia

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AQUECIMENTO GLOBAL

Greta, Gore, Merkel, Guterres e outros todos têm um discurso politicamente agradável, mas não têm nem a estratégia nem a coragem para solucionar os problemas do planeta. A verdade é que a Terra não suporta a população atual e o descontrole populacional dos países em desenvolvimento. O ridículo Emmanuel Macron, porta-voz da ecologia, está defendendo o protecionismo francês e vendendo sua tecnologia nuclear para sustentar os carros elétricos. Por que ele e seus colegas europeus não condicionam o comércio e a ajuda internacional ao controle populacional? Depois existem muitas soluções para aprisionar o gás carbônico. Isso não desculpa nossa incompetência para aplicar vários projetos já conhecidos para uma economia sustentável para a Amazônia.

Charles Grimaldi Rebetez rrebetez@bol.com.br

São Paulo

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O PAPA E A AMAZÔNIA

Não, Francisco, a nossa Amazônia não é um “problema mundial” (Sínodo da Amazônia reflete ‘polarização do Vaticano’, Estadão, 4/10, A17).  É do Brasil e é problema nosso! Só nosso! Em tempo: as chamas da floresta não se extinguem com perdigotos de ambientalistas de ocasião nas redes sociais...

A.Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo

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PRECEDENTE

Se o papa trata a Amazônia como um bem comum, abre um precedente: o de tratarmos os tesouros do Vaticano da mesma forma.

Eugênio José Alati

eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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