Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2019 | 03h00

SUCESSÃO NOS EUA

Xadrez político

As eleições de 2020 nos Estados Unidos serão as mais polarizadas em décadas. Começa a delinear-se um intricado xadrez político para definir o adversário do presidente Donald Trump, republicano, entre os três principais pré-candidatos democratas. O senador Bernie Sanders recupera-se de um enfarte agudo do miocárdio, com a colocação de dois stents no coração. O ex-vice-presidente Joe Biden tem um filho que está sendo investigado por trabalho de compliance na Ucrânia. A senadora Elizabeth Warren pode, então, tornar-se a favorita para tentar impedir a reeleição do presidente. Uma vitória seria redentora para o Partido Democrata pela derrota de 2016. Em contrapartida, um amargo fracasso seria dramático. Nem tanto por culpa de qualquer dos três candidatos, mas, sim, das regras que permitem a exclusão de eleitores ativos, com base em Shelby County versus Holder, decisão da Suprema Corte de 2013 que enfraqueceu as proteções do Voting Rights Act, de 1965. Além, claro, das normas do colégio eleitoral, que permitem ao candidato com menos votos populares ganhar na eleição indireta.

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR.

rcostajr@uol.com.br

Campinas

CORRUPÇÃO

Contradições

Em novo depoimento à Justiça, Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira de sua família, afirmou que seria “tremendamente injusto” condenar o ex-presidente Lulla por corrupção numa ação envolvendo financiamento do BNDES para obras no exterior. Pelo andar da carruagem, daqui a pouco vão concluir que o departamento de propina da Odebrecht, o chamado “setor de operações estruturadas”, nunca existiu e o cognome “amigo do amigo do meu pai” – Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) – nunca existiu, foi invenção do então juiz Sergio Moro e do coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal no Paraná, o procurador Deltan Dallagnol.

JOSÉ CARLOS DEGASPARE

degaspare@uol.com.br

São Paulo

Requentado

Ora, ora, Marcelo, ex-presidente da famigerada Odebrecht, depois de uns anos de cadeia por corrupção ativa sentiu-se no direito de avaliar delações de seu pai, Emílio Odebrecht, e de Antônio Palocci. Esse assunto é requentado, ele que arrume outro. Que tal a falência da empresa?

JOSÉ PERIN GARCIA

jperin@uol.com.br

Santo André

‘A Revolução dos Bichos’

Então, quer dizer que agora Marcelo Odebrecht recua de acusação contra Lula?! A Revolução dos Bichos, obra escrita em 1945 pelo inglês George Orwell – que acreditava que os princípios comunistas haviam sido traídos por Josef Stalin ao privilegiar os membros do Partido Comunista, o Politburo, que se tornaram “mais iguais” que o povão –, e a atitude de Odebrecht, alavancada pela decisão do STF na semana passada de deixar por último as alegações finais do delatado, mostram que o PT finalmente se igualou às elites que tanto diz abominar. Essas mesmas elites praticam pressão igual à do PT para que processos inconvenientes, como aquele contra Fabrício Queiroz, não cheguem a ser julgados. Enquanto isso, no Congresso Nacional, os parlamentares só se preocupam com os votos de seus eleitores e com suas próprias benesses, das quais não pretendem abrir mão por nada. Quanto mais muda a política, mais permanece igual. E o povo, este será representado por qual instituição?

SILVANA JACQUES IBRAHIM 

silvanaib10@gmail.com

São Paulo

PODER JUDICIÁRIO

Instabilidade do STF

O motivo da instabilidade que se observa no Supremo Tribunal pode ser o fato de essa instituição não estar sendo exatamente independente em suas análises e decisões, talvez por estar parcialmente envolvida com a política. E a política, diferentemente da Justiça, tem como regra que nem sempre a menor distância entre dois pontos é uma linha reta. E também que pode achar um problema para cada solução.

FLÁVIO CESAR PIGARI 

flávio.pigari@gmail.com

Jales

IGUALDADE NA DIFERENÇA

Amor aos outros

O artigo Iguais, diferentes – uma inspiração judaica (5/10, A2), de autoria do rabino Ruben Sternschein, usa a citação do Levítico 19:18 “ama a teu próximo como a ti mesmo”, também mencionada em Mateus 22:39, que eu gostaria de comparar com a “amai-vos uns aos outros” de João 13:34. A primeira parte de um amor a si próprio depende de uma interpretação de “próximo”, pode ser alguém da comunidade, do povo. A segunda não depende de nada disso, é absolutamente universal, o que contrasta com a religião judaica original, que era essencialmente comunitária. De fato, no primeiro mandamento, Êxodo 20:2, “não terás outros Elohim (traduzido por Deus, mas está no plural) diante de mim”, não se nega que possa haver outros deuses, mas somente um, em grupo, devia ser seguido pelos hebreus. O historiador Howard Johnson, em A História dos Judeus, aponta que o monoteísmo hebreu era comunitário e só se tornou universal a partir do profeta Isaías. Em ambas as citações faltou algo que é fundamental hoje: o amor à natureza. Porém o essencial, como bem apontou Sternschein, é que temos todos a mesma essência espiritual, mas somos indivíduos todos diferentes.

VALDEMAR W. SETZER

www.ime.usp.br/~vwsetzer

São Paulo

Atualidade do ‘Talmude’

Magnífica aula sobre ética e monoteísmo judaico, particularmente nestes tempos de ódios e antagonismos extremados que vivemos, e, importante, num estilo caracteristicamente talmúdico. Ousaria complementar as palavras do rabi Akiva (50-135) referidas pelo rabino, lembrando que foram proferidas quando perguntado como resumiria o judaísmo. Sua resposta completa foi: “Ama teu próximo como a ti mesmo. O resto é comentário. Vai e estuda”. Parabéns ao rabino Ruben Sternschein.

SYDNEY F. REBELLO

sydneyfr@uol.com.br

São Paulo

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Exoesqueleto

Avança lentamente a tecnologia dos exoesqueletos comandados pelo cérebro humano, que podem trazer alento a pessoas entrevadas. Fico pensando se não seria mais razoável despender os recursos do desenvolvimento de veículos sem motorista, por exemplo, para eventualmente apressar o avanço científico em coisas realmente prioritárias para o ser humano, como esse mostrado em fotos na primeira página do Estadão de sábado.

ADEMIR VALEZI

valezi@uol.com.br

São Paulo

“Realmente a nossa ‘democracia’ requer ajustes. Levar dez meses para aprovar uma reforma fundamental para o

País é inadmissível. Fruto de um Congresso viciado no ‘toma lá dá cá’, além de só trabalhar de terça a quinta. Uma lástima”

GUSTAVO GUIMARÃES DA VEIGA

SÃO PAULO, SOBRE A TRAMITAÇÃO DA PEC DA PREVIDÊNCIA

ggveiga@outlook.com

“Na votação da reforma da Previdência no Senado os interesses pessoais estiveram acima da responsabilidade pelo bem público e pelo equilíbrio fiscal – que os senadores talvez nem reconheçam”

 HARALD HELLMUTH

SÃO PAULO, IDEM

hhellmuth@uol.com.br

 

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Muita gente entende que a mudança na Previdência é urgente e prioritária. Muita gente entende que aprovar a Nova Previdência nos moldes que o atual governo preparou gera recursos para outros serviços que foram abandonados, como educação e segurança, portanto atenderá o povo de forma mais condizente. Muita gente critica o não envio de outras reformas pelo Executivo ao Congresso Nacional. Muita gente deixa de ver que, com dois únicos projetos enviados, Previdência e pacote anticrime, nada anda – e haja extorsão exercida por deputados e senadores. Muita gente deixa de observar que 16 anos de negociações espúrias (negociatas do toma lá dá cá) criaram um corpo de deputados e senadores que nunca olham o Brasil, sempre olham o varejo, em prejuízo do atacado. Nada mais comprovador disso do que quando eliminaram Estados e municípios da reforma da Previdência, com medo de perder suas reeleições. Muitos deixam de ver que a reforma da Previdência não anda de forma alguma pois a cada passo novas exigências menores são apresentadas. O silêncio de muitos diante deste processo corrosivo contra o Brasil ajuda os nobres parlamentares a se manterem na posição de tentar negociar pequenos privilégios/vantagens, evitando, desta forma, que a Nova Previdência seja aprovada. Faz muito bem o ministro Paulo Guedes em impor perdas para os Estados e municípios, mostrando, assim, o papel nocivo que os parlamentares têm representado para a melhoria econômica do Brasil.

Abel Cabral 

abelcabral@uol.com.br

Campinas

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RUMO AO SEGUNDO TURNO

Se a Câmara dos Deputados, sob a liderança do presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), mesmo sem o empenho do governo, conseguiu apoio expressivo de grande parte dos 513 deputados para aprovar em dois turnos a robusta e inadiável reforma da Previdência, com estimativa de economizar em dez anos R$ 933,5 bilhões, do Senado veio a grande decepção. Ali, a economia caiu para R$ 870 bilhões, como foi aprovado o texto básico no plenário em primeiro turno. Mas, como o governo desprezou atender às reinvindicações dos senadores, na votação dos destaques veio o golpe fatal de parte dos 81 senadores. Entre esses destaques, conseguiram aprovar um alterando o abono salarial, que só seria pago a quem tem salário de até R$ 1,3 mil, mas mantiveram o que estava em vigor, de até dois salários mínimos. Isso desidrata em mais R$ 76 bilhões a economia em dez anos obtida com a reforma. Ou seja, dos robustos e indispensáveis R$ 933,5 bilhões de economia em dez anos conquistados na Câmara, desgraçadamente ela ruiu para em torno de R$ 800 bilhões. Essa é a consequência de termos um governo fraco, sem base no Congresso e sem capacidade de diálogo. Oxalá o Planalto crie juízo e exerça sua responsabilidade de dialogar com os senadores, para reverter nos próximos dias esse prejuízo, no segundo turno de votação da reforma no Senado.  

Paulo Panossian 

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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REGRAS MAIS DURAS

A reforma da Previdência foi aprovada em primeiro turno no Senado Federal. Agora virão as negociações para a segunda votação. E os parlamentares exigirão o cumprimento de acordos de interesse corporativo. Como se constata, governo e seus aliados não se preocupam com o endurecimento das regras contidas no projeto, que vão prejudicar todos os trabalhadores brasileiros. Essa situação, por certo, atinge o conceito de parlamentares oportunistas.

Uriel Villas Boas 

urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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EMENDAS PARLAMENTARES

Da série “perguntar não ofende”: por que os parlamentares não usam o dinheiro do fundo eleitoral nas suas emendas parlamentares?

Mário Barilá Filho 

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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CUIDADO E JUSTIÇA

As necessárias reformas da Previdência e administrativa devem combater privilégios, mas respeitar direitos adquiridos. Uma pessoa que fez um concurso público e respeitou o edital se preparando para a seleção de acordo com esse edital deve ter respeitados seus direitos anunciados e garantidos nesse edital, inclusive em relação a assistência médica, complemento e regras de aposentadoria. É preciso que o atual governo aja com cuidado e justiça com os empregados das empresas estatais. Há que cortar diretorias, vice-presidências em excesso e salários acima do teto constitucional. A farra dos últimos anos tem de ser estancada tanto em nível federal quanto estadual. Não se podem admitir salários em estatais acima do teto constitucional! No entanto, o governo federal vem agindo no atacado, retirando a assistência médica dos aposentados dessas empresas, direitos acordados no início do contrato de trabalho, há décadas. Idosos que contribuíram por 40 anos, 50 anos para a assistência médica do Banco do Brasil, da Caixa e de outras estatais, por exemplo, têm tido seus direitos retirados por alterações estatutárias indecentes (que deveriam atingir apenas os novos funcionários) e que agridem o direito daqueles que contribuíram há anos para ter uma velhice amparados e respeitados os seus direitos. É urgente e necessário que o Ministério Público tome conhecimento e garanta esses direitos coletivos. O que vimos nos últimos anos foram gestões temerários nos fundos de pensão, quando bilhões de reais foram investidos em empresas como a Sete Brasil, mas ninguém foi punido. Nas Caixas de Assistências pessoas nomeadas pela direção das estatais, em suma, pelo governo federal, em péssima gestão quebraram essas entidades. Ao invés de apurar e punir, querem retirar e negar direitos aos aposentados dessas empresas, como se eles é que fossem os culpados pelas indicações e pelas gestões temerárias patrocinadas pelo governo federal nos últimos 20 anos e até por entidades sindicais. É preciso que se faça justiça.

Elio Santos Silva 

ele56@bol.com.br

Brasília

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PREVIDÊNCIA

O desinteresse do povo pela reforma mostra talvez o inconformismo dos insatisfeitos – aí me incluo – e a satisfação daqueles que na “moita” esperam sua aprovação. Pudera: sem o tempo e o valor de contribuição correspondentes, serão aposentados com dezenas de salários. Não faltarão vivas aos nossos políticos e pêsames à nossa balança comercial. Ah, ainda tem a demora. Seria medo da repercussão após “todos” conhecerem o que aprovaram?

Itamar C. Trevisani 

itamartrevisani@gmail.com

Jaboticabal

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NARRATIVA DISTORCIDA

“Mais ricos recebem da Previdência seis vezes mais do que mais pobres, diz IBGE.” A bem da transparência e da verdade, peço que o mesmo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informe: 1) quanto o “pobre” que ganha R$ 1.908,00 e o “rico” que ganha R$ 23.850,00 recolhem a título de INSS, incluindo a contribuição patronal; 2) quanto ambos recolhem a título de Imposto de Renda (tributo que vai para o mesmo caixa da União); 3) qual a alíquota de contribuição ao INSS de um “pobre” que ganha até R$ 1.751,81 e do “rico” que ganha R$ 23.850,00.

Milton Córdova Júnior 

milton.cordova@gmail.com

Vicente Pires (DF)

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PARTO DE ELEFANTE

No início de fevereiro, ou seja, há oito meses, o ministro da Justiça, Sergio Moro, enviou o pacote anticrime para análise do Congresso Nacional. Porém, graças a um número elevado de políticos que já estão pensando nas verbas de que o governo irá dispor para eles nas eleições em 2022, e querendo garantir o “seu emprego”, não se interessaram em pressionar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a tirar da gaveta os projetos deste pacote. Diante do que vem acontecendo no Congresso, o ministro da Justiça lançou na semana passada uma campanha para estudo e aprovação da proposta, que já completará nove meses. Esperamos que não seja um parto de elefante.

Jose Millei 

millei.jose@gmail.com

São Paulo

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DE MINISTRO PARA MINISTRO

Que autoridade moral julga deter o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, para insinuar que ex-juiz federal e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, por “defender a tortura”, não pode ter assento naquela corte? Ao declarar seu voto no dia 2/10, na sessão plenária do STF em que era apreciado o habeas corpus n.º 166.373-Paraná, a favor de Márcio de Almeida Ferreira (ordem das alegações finais), embrenhou-se nas revelações do site The Intercept Brasil que “vieram a demonstrar que (Deltan Dallagnol e Sergio Moro) usavam as prisões provisórias como nítido elemento de tortura, e quem a defende não pode ter assento nesta Corte”. Gilmar Mendes não inspira confiança, suas controvertidas decisões que exculpa ou absolve de culpa determinados réus são execráveis e seu comportamento beligerante e indigno tem merecido enfática repulsa de seus pares no STF. Há anos é o centro de polêmicas com os integrantes daquele tribunal. Manteve indisposições e discussões homéricas com o ex-ministro Joaquim Barbosa, com o ministro Luis Roberto Barroso, ofendeu a ministra Cármen Lúcia e o ministro Luiz Fux e é considerado um inimigo pelo ministro Marco Aurélio Mello. Segundo Joaquim Barbosa e Barroso, Gilmar está destruindo a credibilidade do Judiciário. Ao ínclito advogado dr. Modesto Carvalhosa faço apelo para persistir no pleito de impeachment de Gilmar Mendes.

Junios Paes Leme 

junios.paesleme@outlook.com

Santos

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VOSSA EXCELÊNCIA

Fugindo à pauta, o irado supremo ministro Gilmar Mendes, na sessão de 2/10, em que se decidiu pela adoção de uma tese que pode levar à anulação de sentenças da Lava Jato, referendando conversas criminosamente hackeadas pelo site The IntercePT, atacou covardemente expoentes da força-tarefa da Lava Jato e o então juiz Sergio Moro. Ministro, a sociedade civil se alia ao que lhe disse o colega Luis Roberto Barroso em março de 2018 e que permanece atual: “Vossa Excelência é uma pessoa horrível, mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia; Vossa Excelência faz aqui um comício cheio de ofensas, grosserias; Vossa Excelência é bílis, ódio, mal sentimento, mal secreto; Vossa Excelência nos envergonha, é desonra para o tribunal, para todos nós. Um temperamento grosseiro, agressivo, rude. É péssimo isso. Vossa Excelência, sozinho, desmoraliza o tribunal”. Copiou? Mais amor em seu coração, supremo Gilmar!

Celso David de Oliveira 

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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PARADOXO SUPREMO

Pelo jeitão, a herança maldita do FHC é o Gilmar Mendes...

A.Fernandes 

standyball@hotmail.com

São Paulo

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NÃO POR ACASO

Quanta coincidência, enquanto a grande maioria dos brasileiros abomina as atitudes e palavras do ministro Gilmar Mendes, umas das únicas pessoas que reconhecem sua grandeza dúbia é a amante das planilhas, Gleisi Hoffmann.

Rodrigo Echeverria 

rodecheverria73@hotmail.com

São Paulo

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MAL NA FITA

Gilmar Mendes é uma figura muito questionada. Não é petista declarado, como dois colegas seus, mas tem muita pena de corruptos corriqueiros e, como em geral são do PT, parece ser o ministro leniente com o partido. Se fizessem uma pesquisa de opinião sobre ele, como fazem frequentemente com o presidente da República, certamente não sairia bem na fita. A pergunta que não quer calar: por que não se afasta e dê chance a alguém menos esclerosado? O Brasil agradeceria.

Geraldo Siffert Junior 

siffert18140@uol.com.br

Rio de Janeiro

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LEMBRANÇAS DO STF

Antes do advento da Operação Lava Jato, poucos brasileiros sabiam os nomes dos ministros do STF. A demonstração e exposição de corruptos e corruptores ao País fez com que o nome dos julgadores viesse à tona. E os ministros do STF, na maioria das vezes em grau de recursos, passaram a ser conhecidos, elogiados e criticados, como é o caso de Edson Fachin, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e outros. O conhecimento das ações e comportamentos dos ministros de nossa Suprema Corte foi bom para os brasileiros, porque puderam saber a quantas anda a Justiça brasileira. Mas, por outro lado, os ministros do STF passaram a ser julgados, como o foi Sergio Moro, magistrado de primeiro grau. E o resultado aí está: quantos e quais merecem o respeito e a consideração do povo deste país? E o maior tribunal em sua totalidade de ministros?

José Carlos de Carvalho Carneiro 

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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SEMPRE O SUPREMO

A delação premiada de Antônio Palocci revelou com detalhes o loteamento da máquina pública montado sob o governo Lula para assaltar os cofres do Estado. É uma lição sobre a estrutura criminosa que o PT e partidos aliados criaram para desviar recursos públicos, uma verdadeira aula magna sobre “a anatomia de um crime”, em que todos os órgãos, com raras exceções –Banco do Brasil e Banco Central –, foram saqueados. Nesta hierarquia criminosa descrita pelo delator, o então ministro da Fazenda de Lula, Guido Mantega – pasmem – tinha o papel de vazador de informações sobre taxa Selic para André Esteves, dono do BTG Pactual, que de posse de informações privilegiadas lucrou milhões ilegalmente. O banco foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito da Operação Estrela Cadente, etapa da Lava Jato deflagrada na quinta-feira passada. Como se vê, a Operação Lava Jato teve e ainda tem papel central no desmonte de quadrilhas desde sua criação, há cinco anos. No entanto, Dias Toffoli, o presidente do STF, vem repetindo como um mantra que, “se não fosse o Supremo, não haveria combate à corrupção no País”. Como assim? O STF e sua 2.ª Turma, como nas palavras de Gilmar Mendes, tratam a Lava Jato como “organização criminosa” e Sergio Moro como um juiz parcial e mal intencionado. Pergunto: de que água Dias Toffoli anda se servindo, que provoca delírios e faz o ministro imaginar que ele preside um tribunal 100% comprometido com o esforço contra a corrupção? Não é isso o que se verifica. O que temos claro hoje é um STF que viola a Constituição de forma aberta, repetida e perigosa. Deixou de ser um guardião da Lei Maior e passou a baixar decretos, inventando normas de Direito e violando funções do Congresso Nacional. É, hoje, a maior ameaça à democracia no Brasil. Tem de ser detido pelo Senado. #LavaTogaJá

Paulo R. Kherlakian 

paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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PALOCCI

Segundo a delação de Antônio Palocci e as esdrúxulas defesas do PT, ele deve ser candidato ao Prêmio Jabuti de Literatura, por sua grande criatividade e poder de fantasia. Chega, né?

Luiz Frid 

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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ENRASCADA

Preciso o comentário de Eliane Cantanhêde sobre a decisão dos ministros do STF quanto à ordem das alegações finais de réus colaboradores e réus delatados (STF se meteu numa enrascadaEstadão, 3/10, A8). A situação foi criada pelo competente advogado criminalista Alberto Zacharias Toron, que alegou em defesa do seu cliente que o réu delatado deveria apresentar as suas alegações finais depois do réu delator. Como engenheiro, acostumado a raciocinar com lógica, não consigo entender o raciocínio de alguns dos ministros que terminaram por criar o impasse descrito pela jornalista. O Código Penal e a lei da colaboração premiada são omissos na tese levantada pelo dr. Toron, o que eu aprendi assistindo aos votos dos ministros. Isso posto, podemos classificar a iniciativa do defensor, dentro da lógica, como uma inteligente chicana, com os ministros discutindo a sua validade a ponto de se distanciarem do problema principal, ou seja, os réus assaltaram o erário em detrimento de toda uma população. As sentenças exaradas pelos juízes foram corretas, em vista da legislação em vigor até o presente, já que as leis são omissas no quesito ora em discussão. Também cabe acrescentar que, uma vez homologada a delação, o réu colaborador já obteve a almejada diminuição da sua pena. Portanto, nas suas alegações finais, seria um contrassenso ele adicionar qualquer outro argumento. Ainda no pensamento lógico, qualquer mudança que o STF adotar deveria valer da data do decidido em diante. Mesmo no caso defendido pelo dr. Toron, só caberia revisão se o colaborador, em suas alegações finais, tivesse acrescentado algum argumento, ou comprovante novo, que merecesse a réplica do réu delatado. O carioca, em sua gíria peculiar, diria que, data vênia, os ministros viajaram na maionese.

Gilberto Pacini 

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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DE PERNAS PARA O AR

A que ponto chegamos! O sistema jurídico está subvertido, de pernas para o ar. O ministro do STF Ricardo Lewandowski manifestou sua “suprema” opinião sobre a anulação de julgamentos nos quais houve questionamento da defesa na primeira instância a respeito da ordem de apresentação das alegações de delatores e delatados. Esse ministro – o mesmo que rasgou a Constituição federal no julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, permitindo que ela mantivesse seus direitos políticos, que seriam claramente suspensos, segundo a Constituição – julga que alegações de um advogado de defesa (não importa quais sejam) valem mais do que as decisões do juiz do caso. Se essa lógica se confirma, para que, mesmo, serviriam os juízes?

Olimpio Alvares 

olimpioa@uol.com.br

Cotia

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ESTADOS UNIDOS DE IMIGRANTES

Donald Trump quer atirar nas pernas dos imigrantes (Estadão, 2/10). Pena que os mexicanos não tenham feito isso nas pernas dos americanos que invadiram o Texas, o Arizona, o Novo México e a Califórnia, roubados do México no século 19. Os Estados Unidos e o Brasil foram construídos por imigrantes, que invadiram as nações indígenas no maior genocídio da História. Meu bisavô, mr. Thomaz Canfield, que lutou na Guerra de Secessão, era de família inglesa que ajudou a fundar os Estados Unidos em 1680. Veio para o Brasil e foi morar em Passo Fundo, onde organizou a Câmara Municipal, casou-se e teve 14 filhos. Seus companheiros fundaram a cidade de Americana, em São Paulo. Os Canfield que permaneceram em New York fundaram uma conhecida editora. Meu outro avô era de Cremona, na Itália. O Brasil e os Estados Unidos, portanto, são países de imigrantes. “Shame on you, mr. Trump!”

Paulo Sergio Arisi 

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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UMA ONDA QUE CRESCE

Tende a agravar-se o procedimento de impeachment contra o presidente dos EUA, Donald Trump, não obstante a maioria republicana no Senado. Ao tramar com seu homólogo da Ucrânia Volodomir Zelenski para desqualificar o filho de seu mais importante opositor democrata nas eleições de 2020, Joe Biden, um dos chamados whistleblower o ouviu e revelou, por meio protocolar, a conversa ao chefe dos agentes internos. Os jornais The Washington PostThe Wall Street Journal e The New York Times têm informações razoavelmente seguras, que tendem a evoluir. Como se vê, não é imprensa para brincadeiras. O desvendamento do episódio, em se tratando de espionagem, faz-nos lembrar Richard Nixon, que, no início das investigações sobre o escândalo de Watergate, subscrevia normalmente seus documentos; ao final, sua assinatura já se tornara quase invisível.

Amadeu R. Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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