Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2019 | 03h00

ECONOMIA

Devagar com o andor

Parabéns pela abordagem relativa ao destino da economia brasileira no editorial Terraplanismo fiscal (6/10, A3). Vai ser, realmente, um desastre se o governo afrouxar as rédeas da economia, permitindo aumento exagerado dos gastos públicos. Os governos do PT fizeram isso durante quase 14 anos e o resultado está aí: 13 milhões de desempregados, além de infraestrutura, saúde, segurança e educação “zero à esquerda”. Devagar com o andor que o santo é de barro!

VALDY CALLADO

valdypinto@hotmail.com

São Paulo

*

Regra de ouro

Meus cumprimentos pelo editorial Terraplanismo fiscal, uma aula de economia, apontando os culpados pelo status quo: os governos anteriores. E alguns de seus representantes ainda defendem a tese de que o Tesouro tem de emitir moeda! Alguém precisa dizer a esses cegos que emissão de moeda não é direcionada para o investimento, de modo a criar empregos. É inflacionária! Mas vai tentar explicar isso num país com o grau de analfabetismo e semianalfabetismo que tem...

PANAYOTIS POULIS

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

*

Palavra do presidente

“A economia é 100% com o Guedes e não tem plano B.” É muito preocupante a situação: todos continuam gastando, esperam choque externo para chacoalhar o presidente. E o ministro da Economia será o responsável pela ordem no caos!

DARCY DE ALMEIDA

dalmeida1@uol.com.br

São Paulo

*

Despesas carimbadas

Por melhor que seja o ministro Paulo Guedes, ao herdar orçamentos com despesas carimbadas, indexações obrigatórias, gastos desenfreados dos Poderes Judiciário e Legislativo, emendas, etc., nunca conseguirá fazer uma boa política econômica no Brasil. O Brasil está falido e a turma dos Poderes parece estar jogando WAR.

PAULO HENRIQUE C. DE OLIVEIRA

ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro

*

O Estado é mau empresário

Essa frase é sempre dita, mas nunca explicada. Com efeito, o Estado é mau empresário porque mistura gestão empresarial com política; coloca à frente de tudo os interesses dos partidários dos gestores ou de quem os indica; as indicações para os cargos de gestão recaem sempre nos apaniguados; para a satisfação dos interesses políticos pouco importa o item competência, os currículos são preenchidos de acordo com os serviços prestados ao partido político; “primeiro os meus”, em qualquer processo de promoção interna; aquela vaga é de indicação do político tal porque está combinado; se a empresa estatal falir, o Estado, o Tesouro Nacional respondem; precisamos demitir os do partido tal para dar lugar aos do nosso partido; é proibido falar em privatização. Onde vamos colocar tantos inaptos? A iniciativa privada os aceitaria?

JOSÉ CARLOS DE C. CARNEIRO

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

*

Tirar o atraso

O governo pretende tirar 20 anos de atraso com leilões para atrair investimentos privados. Não há no Brasil empresas privadas capacitadas para realizar os investimentos necessários, essa ação deveria ser toda voltada para atrair investimentos estrangeiros. O Brasil deveria escancarar o mercado de obras de infraestrutura para atrair as grandes empresas internacionais dessa área – ou alguém ainda defende a reserva de mercado para as empreiteiras brasileiras depois da Operação Lava Jato? O País deve também se empenhar em receber novamente o grau de investimento, selo de qualidade indispensável para atrair os grandes fundos de investimento internacionais.

MÁRIO BARILÁ FILHO

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

*

Efeito corrosivo

A indústria brasileira vem caindo e vai cair ainda mais. A carga tributária extorsiva ao longo dos anos vem corroendo a indústria e derretendo o seu futuro. Os males são cumulativos com juros bancários nas alturas e desordem fiscal, que somam passivos extraordinários.

IVAN BERTAZZO

bertazzo@nusa.com.br

São Paulo

*

Plano Verão, 1989

Se o presidente Jair Bolsonaro quer pôr dinheiro na mão do povo, é só dar um puxão de orelha nos bancos e no STF para serem “devolvidas” as perdas das cadernetas de poupança. Processo de 30 anos atrás. Vergonha.

HELIO ANGELO BASSO

helioangelobasso@gmail.com

Botucatu

*

Expurgos da poupança

Em 2018 a Caixa Econômica Federal e os bancos assinaram um acordo para pagar os expurgos dos Planos Verão e Collor II, somente aos autores de ações na Justiça. Deveriam é pagar os expurgos de todos os planos: Cruzado I e II, Bresser, Verão, Collor I e II. Os detentores dessas contas são, na maioria, pessoas idosas. De fato, isso traria ânimo para o consumo e a redução do endividamento das famílias.

MARLIS SCHULTZE

brasciro@yahoo.com.br

São Paulo

*

MEMÓRIA

Itamar Franco

No artigo Falta rumo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fala dos presidentes já falecidos que marcaram nossa História recente e “agregaram, não dissolveram”. Faltou, a meu ver, citar o presidente Itamar Franco, que lhe deu a chance de projeção como ministro da Fazenda e muito “agregou” ao Brasil, num período em que o País também estava dividido.

PEDRO PAULO GOMES DA COSTA

pedro_paulocosta@yahoo.com.br

São Paulo

*

EM SÃO PAULO

Calçadas obstruídas

Oportuno o editorial Aos trancos e barrancos (7/10, A3). Muitos bares e restaurantes que mantêm mesas nas já estreitas calçadas vêm avançando cada vez mais sobre elas, alguns instalando toldos com cobertura plástica que desce verticalmente, vasos, balcões de valets e até bancos. Não bastasse tal abuso, os frequentadores se aglomeram nas calçadas e os passantes, não raro, têm de caminhar pelo leito carroçável. A Prefeitura, que cede aos estabelecimentos esses espaços, não sei se gratuita ou onerosamente, deveria fiscalizá-los e coibir os abusos. O melhor mesmo seria acabar com a permissão de mesas em calçadas estreitas. Mas seria ingenuidade esperar que a surda administração Bruno Covas faça algo.

LUIZ M. LEITÃO DA CUNHA

luizmleitao@gmail.com

São Paulo

*

“Sr. presidente, plano B existe, sim. Que tal começar cobrando impostos de igrejas, depois cortar mordomias dos três Poderes e, finalmente, cortar assessores em todos os níveis? Não é justo só o povo pagar por uma conta que ele não fez!”

MARIA DO CARMO ZAFFALON LEME CARDOSO / BAURU, SOBRE O IMPRESCINDÍVEL AJUSTE FISCAL

zaffalon@uol.com.br

*

“Brasil imutável: não adianta o País querer porque o STF não quer, não adianta o País tentar porque o Congresso não deixa. O mais é papo-furado”

RICARDO C. SIQUEIRA / NITERÓI (RJ), IDEM

ricardocsiqueira@globo.com

 

O LABIRINTO

 

O palácio labiríntico do Planalto ganha, no início desta semana, nova ala para obscurecer seus caminhos tortuosos. O caixa 2 do PSL de Minas Gerais, brotado de um laranjal de mulheres sedizentes candidatas, que recebiam recursos para desviar aos caciques, ganha um depoimento bombástico: dois beneficiários irmanados, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, indiciado pela Polícia Federal por falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa – mantido, porém, no cargo. É possível que nada venha a ser confirmado em relação ao presidente, mas está evidenciado que ele era um dos fios daquela trama total. Por mais que se caminhe sem volta, à esquerda ou à direita, o governo não encontra a malfadada porta de saída.

 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

 

*

ESTÁ EXPLICADO

 

Está explicado o motivo pelo qual o presidente Jair Bolsonaro tem tantos “dedos” com o ministro do Turismo, denunciado pelo Ministério Público de Minas, Marcelo Álvaro Antônio. Afinal, ambos foram sócios em caixa 2 nas últimas eleições e, segundo as investigações, são “amigos para sempre”.

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

 

*

BOLSONARO PAZ E AMOR

 

Quem lê a entrevista de Jair Bolsonaro concedida ao Estadão (‘Economia é 100% com o Guedes e não tem plano B’, 6/10, A16-A17) vai ter a impressão de que temos (como ainda não tinha sido revelado) um presidente zen ou em estado de “paz e amor”. A propósito, finalmente, Bolsonaro foi capaz de elogiar seu antecessor Michel Temer, por ter aprovado a reforma trabalhista. Nem parecia aquele presidente pavio curtíssimo que distrata históricos parceiros comerciais, que ofendeu estudantes, cientistas do Inpe, pesquisadores do IBGE, que chama a rainha do meio ambiente de “porra da árvore” e que responde a um cidadão que o questionou onde está Fabrício Queiroz dizendo que está “com a sua mãe”, por exemplo. Assim o presidente costuma desfilar seu primor antidiplomático. Mas, na entrevista, disse que não se intromete nos ministérios (apesar de já ter interferido intempestivamente em vários deles, inclusive no de Sergio Moro, para atender a seus arredios filhos e aliados bajuladores, e com surpreendentes demissões ministeriais). Disse, ainda, que a economia “é 100% com o (Paulo) Guedes”. Porém, é oportuno reconhecer, como afirmou na entrevista, que não quer ver obras paradas, como estradas, ferrovias, refinarias, etc., não se importando com, depois destas obras concluídas, dividir os louros com seus antecessores, pela importância delas para o País. Isso é republicano e bom para o Brasil. Por fim, quanto à indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada dos EUA, o presidente, pelas dificuldades que encontra para sua aprovação no Senado, parece ter baixado a bola com relação a essa inconsequente nomeação – o que é ótimo. Outro ponto positivo é que Bolsonaro, longe de continuar odiando a imprensa, está se aproximando dela.

 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

 

*

INSÔNIA

 

O presidente Bolsonaro admite ter insônia. É óbvio, quem governa mal não pode dormir bem.

 

Fausto Ferraz Filho faustoferraz15@gmail.com

São Paulo

 

*

‘IMPRENSA, BOLSONARO E DEMOCRACIA’

 

Carlos Alberto Di Franco chega a ser ingênuo ao afirmar que os ataques do presidente Bolsonaro à imprensa e à democracia sejam apenas falta de percepção (Imprensa, Bolsonaro e democracia, 7/10, A2). O artigo também usa o sofisma de que a corrupção seja menor agora, ignorando a compra de votos para a reforma da Previdência, o desmonte do sistema de educação e ciência para pagar emendas parlamentares e a pressão sobre Polícia Federal e órgãos de controle para impedir investigação de falcatruas partidárias e familiares do presidente. Mas há que concordar que somente um jornalismo propositivo, ininterrupto e corajoso será capaz de vencer este período obscuro pelo qual passamos.

 

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas

 

*

O PRESIDENTE E A IMPRENSA

 

Lucidez absoluta na coluna de Di Franco (Estadão, 7/10, A2). Pena que a autocrítica que ele exerce escapa ao grosso do jornalismo. Sobre Jair Bolsonaro ser agressivo nem adianta conversarmos, ele tem pavio curto, mesmo, e não deixa nada sem resposta. Só que ele teve a sua eleição garantida por quase 60% do eleitorado, mantém este nível de aceitação nos dias atuais, com os porcentuais de qualquer pesquisa mostrando que entre ótimo/bom/regular está ao redor de 60% – mas a imprensa começa por aí, destacando que a aceitação de Bolsonaro anda ao redor de 60%. A par disso, a qualquer reposicionamento de Bolsonaro a imprensa noticia: “Bolsonaro recua”. Oras bolas, que mal existe em que mudemos de opinião, se alguém nos convence? Por que não se noticia: “Bolsonaro aceitou novo posicionamento”? Mas que o grosso da imprensa, por motivos que eu entendo, mas com os quais não concordo, nutre antipatia pelo presidente é indiscutível. Agora, a quem cabe mais se desarmar e ter imparcialidade? Não vejo uma palavra da imprensa sobre a extorsão que o Congresso Nacional tem efetuado sobre o Executivo. Tem cabimento demorar o que se tem demorado – e o adiamento continua correndo solto – na aprovação dos projetos de lei enviados pelo Executivo? E o que a imprensa veicula: “Governo não tem projeto para o Brasil”. Se algo não se pode negar é que, depois de 28 nos no Legislativo, Bolsonaro conhece todas as tramas e sabe que, se enviar mais alguma coisa neste momento, aí é que a Previdência não caminha, mesmo, será chantagem sobre chantagem. Neste cenário, todo presidente e corpos do Senado e da Câmara permanecem imunes a críticas da imprensa. Quando Di Franco aborda o impacto de imprensa e de internet no público, está correto, mas se esquece de algo: o povo já não tem mais paciência. A internet propicia manifestações mais puras, sem o ranço da imprensa engajada, que infelizmente existe. Esta parte da imprensa de esquece de que quem ganha R$ 5 mil por mês ou mais tem um conceito de velocidade, quem ganha salário mínimo tem outro conceito de velocidade e já não aguenta mais. Felizmente ainda não chegamos a uma Hong Kong, mas não estamos muito distantes. É isto que ao jornalismo cumpre identificar e respeitar, o resultado das urnas. Quando o governo erra, pau nele – e o governo erra, sim, senhor. Mas que há acertos, os há. Que o Congresso está sabotando o Executivo é indiscutível. Por que a imprensa não começa o desarme por aí? Bolsonaro deu entrevista ao Estado, e dá sempre que seja alguém que de uma forma ou de outra mantenha algo de isenção, mas existe uma parte da imprensa que insiste em ser contrária. Quando ele revela que o chefe de um órgão de imprensa apoiou determinada coisa, e ainda no final da entrevista se apresenta algo “psicografado” para desdizer o que ele afirmou, podemos entender que esteja havendo isenção?

 

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas

 

*

INCÔMODO

 

O jornalista Carlos Aberto Di Franco falou a verdade no excelente artigo da página A2 do dia 7/10 deste jornal, sob o título A imprensa, Bolsonaro e democracia. De fato, o assunto já incomodava muita gente, que se queixava abertamente sobre o assunto enfocado com propriedade pelo profissional que admiro há tempos. Alguém que tenha credibilidade precisava falar, e certamente a matéria terá repercussão.

 

Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

 

*

LIÇÃO DE JORNALISMO

 

Cumprimento o Estadão e Carlos Alberto Di Franco pela lição de jornalismo moderno dada em seu artigo Impressa, Bolsonaro e democracia. Espero que alguns órgãos reflitam e adotem este precioso ensinamento, mesmo tardiamente.

 

Carlos Mussalam carlosmussalam@gmail.com

Ribeirão Preto

 

*

‘FALTA RUMO’

 

O nobre ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi brilhante em sua análise Falta rumo, no domingo 6/10 (página A2). Discorre sobre o “mesmismo” do nosso dia a dia: a morte absurda de crianças alvejadas a bala, as árvores que queimam na Amazônia, e por aí vai. A nossa imprensa, carente de notícias que possam atrair os leitores, repete à exaustão assuntos repetitivos, passados. “E por aí vamos, de pequenas e grandes tragédias à estagnação das ideias”, como diz o ex-presidente. Ele confessa, “cansaço de uma noite mal dormida me faz sentir a velhice, o que em mim é raro”. Nos faz induzir que o artigo escrito fosse fruto desse estado de espírito. Isso se encontra mais explícito na sua conclusão, onde conclama que, nas próximas eleições, ou estaremos condenados a votar em polos agarrados a ideologias mofadas, ou teremos a capacidade para unir o centro democrático e progressista para retomar, com vitória nas urnas, o rumo da grandeza que o País necessita ou merece. De fato, Fernando Henrique tem a sua razão, como sociólogo e ex-presidente. A sua análise deixou de contemplar os governos, seu e de seus sucessores, apegados e subjugados ao poder, a pseudodemocracia, ao “Estado de Direito” tão falado e pouco praticado, onde os pobres e oprimidos assim continuaram, e os privilegiados aumentaram suas benesses. Nada como uma noite bem dormida para clarear nossas mentes.

 

Gilberto de Lima Garófalo gilgarofalo@uol.com.br

Vinhedo

 

*

CORREÇÃO DE RUMO

 

Em seu artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo no domingo (Falta rumo), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reclama da dificuldade em escrever por conta da velhice, o que não deixa de ter razão. Neste artigo, FHC critica a inércia do governo Bolsonaro em sair da crise, somada aos sinais de uma nova crise mundial. No entanto, o ex-presidente se esqueceu de que não se sai de uma crise estabelecida em 14 anos de desgoverno petista sem antes corrigir este rumo, que estava levando o Brasil na direção da Venezuela e de Cuba. Um ano é tempo insuficiente para operar tal correção, tendo 14 anos no passivo. Daqui a três anos, às vésperas das eleições, talvez seja um bom momento para voltar a escrever, quiçá com bases técnicas mais sólidas e saúde mental mais equilibrada.

 

José Carlos Degaspare degaspare@uol.com.br

São Paulo

 

*

LAMBENDO AS FERIDAS

 

“Falta rumo”, escreve FHC no Estado de 6/10/2019. Assim revela, nas entrelinhas, que lhe faltam assuntos mais concretos. Sabe que o País tem uma dívida de R$ 4 trilhões e que o governo se empenha por reduzir um déficit fiscal de mais de R$ 150 bilhões. E também sabe que tanto a dívida como o déficit se devem a despesas excessivas de custeio, e que pouco se investiu e investe. Este descompasso é um dos resultados de 13 anos de governo do PT, que FHC apoiou. Não deseja enfrentar críticas. Por isso está “convencido de que se há que por um ponto final na dinâmica de polarização que tomou conta do País”. Não é hora de cogitar com as próximas eleições. É hora de parar de lamber as feridas da eleição perdida. Enfim temos um governo que ainda não produziu nenhum escândalo de corrupção.

 

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

 

*

O CANSAÇO DE FHC

 

No artigo Falta rumo (6/10, A2), FHC, como sempre, sonha com um mundo melhor, pacífico e igualitário e se diz cansado pela noite mal dormida. Quem já teve nas mãos o Poder Executivo por oito anos e o entregou a Lula não tem direito de se dizer cansado da situação. Quem tem esse direito somos nós, os contribuintes esclarecidos, que conhecemos a realidade e a possibilidade das coisas e estamos indignados com a insistência da esquerda em querer voltar ao poder para continuar piorando o País. FHC fala em necessidade de definir rumos e convencer “as massas, sobretudo os mais pobres”, de que esses rumos serão bons para eles e para o País, e conclui lançando para 2022 perfis que não estejam “agarrados a ideologias mofadas” para unir o “centro democrático e progressista”. Acorde, FHC! Parece até que seu livro de cabeceira é a Constituição – um conto de fadas que prometeu o paraíso, mas entregou o STF. Não será com animadores de auditório que se convencerá as massas e os mais pobres de que o rumo para eles não pode ser o ócio remunerado, mas a educação e o trabalho com interesse, esforço e respeito pelos outros.

 

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo

 

*

A DÍVIDA DE SP E OS PRECATÓRIOS

 

Em reportagem de domingo, ficamos sabendo que a dívida de São Paulo bate no teto novamente, e o prefeito articula para mudar regra de gastos (Estadão, 6/10, A14). No caso, com o auxílio do senador José Serra, tentando mudar parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional que determinou que o pagamento de precatórios seja contabilizado dentro do teto de resolução do Senado de 2001, a qual determina que o teto de pagamento anual da dívida dos municípios, ou seja, 11,5% do total da dívida dos municípios brasileiros, é de 11,5% do valor total da Receita Corrente Líquida (RCL), considerando como tal as receitas próprias, menos os repasses legais do Estado e do município. E, novamente, o alvo do prefeito são os pagamentos dos precatórios, que são as dívidas decorrentes de processos em que a prefeitura foi condenada em definitivo. O imbróglio dos precatórios mereceria uma avaliação definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF), ou uma PEC do Congresso, pois é um escândalo o que vem ocorrendo desde sempre. Geralmente, são decorrentes de decisões ilegais de prefeitos, que são tomadas na cínica certeza de que não serão eles a arcar com os prejuízos monetários e políticos da patranha. As vítimas são principalmente os munícipes que tiveram seus imóveis desapropriados e os servidores públicos. No primeiro caso, o prefeito determina a desapropriação de um móvel para uma obra ou a implantação de um equipamento público, faz uma avaliação muito abaixo do mercado, obrigando, na prática, o prejudicado a entrar na Justiça. No segundo caso, o prefeito reduz os vencimentos dos servidores, ao arrepio da lei, obrigando-os a também procurar a Justiça. Como eu trabalhei durante um tempo na prefeitura de São Paulo, sou detentor de um desses precatórios e tenho, assim, uma ideia precisa dessa prática absurda e cínica. No meu caso, o fato ocorreu no governo da prefeita Luiza Erundina, em 1989, quando ela reduziu os vencimentos dos servidores ao arrepio da lei. Pois bem, decorridos 30 anos, ainda aguardo o meu ressarcimento, sobre o qual terei de separar a parte do advogado que me representa. Sofri o prejuízo, mas consegui compensar, comprimindo as minhas despesas e baixando o meu nível de vida. E fico imaginando a situação de um cidadão que teve a sua única casa desapropriada na mesma época e que ainda eventualmente espera pelo seu ressarcimento. É por isso que eu não entendo como o atual prefeito pretende que os precatórios não sejam encarados como dívidas do município. Não há como não os considerar como dívidas, embora na prática impagáveis, nos dois sentidos do termo.

 

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

 

*

A CANONIZAÇÃO DE IRMÃ DULCE

 

Um grupo seleto de senadores está empenhado em acompanhar de perto a canonização de Irmã Dulce, no próximo domingo. Esses nobres parlamentares consideram importante ir para Roma acompanhar o importante rito da Igreja Católica. Interessante notar que assuntos de maior relevância para o Brasil, como, por exemplo, a reforma da Previdência, podem ficar para depois. As Casas Parlamentares ainda nem começaram a discutir a reforma tributária. O importante, agora, é ir para a Europa, curtir o outono naquela região que é um dos berços da nossa civilização. Que tal uma esticadinha até a Grécia? É tão pertinho e fica barato, pois é o contribuinte que banca todo o passeio.

 

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

 

*

SANTA BRASILEIRA

 

Papa Francisco canoniza a religiosa baiana Irmã Dulce ­– destas que não nascem mais – em cerimônia no Vaticano durante o Sínodo para a Amazônia, no próximo domingo. Ela teve reconhecidos dois milagres: teria estancado uma violenta hemorragia de uma dona de casa sergipana e curado instantaneamente a cegueira de um homem de 50 anos. Irmã Dulce é “ideal de igreja”. A freira que dedicou sua vida a milhares de pobres na Bahia deve se tornar a primeira santa brasileira, reconhecimento de que a história de Irmã Dulce é o maior exemplo de humanidade. Irmã Dulce é síntese de generosidade, solidariedade, amor e compaixão. Sua ação consegue ultrapassar os limites da sua existência terrena, pois se eterniza em cada um que mantém vivo seu legado de amor ao próximo. Não há como não se emocionar com a história do “anjo bom da Bahia”. Dulce dos Pobres é o exemplo maior de amor que a Bahia já teve. A fragilidade de Irmã Dulce era apenas aparente. A miudinha freira, raro exemplo de bondade e amor, foi arquiteta de uma das mais notáveis obras sociais do Brasil. Hoje, Irmã Dulce é beata. Na memória do povo baiano, já é santa. Não que não tivesse erros, mas o que são erros diante de sua obra? Quantas vidas tiveram outro porvir por serem por ela cuidadas? “Dulce” vem do latim dulcis, que significa “doce”. Nome feliz para a Irmã Dulce que ficou conhecida como o “anjo bom da Bahia”. Nome feliz para freira que soube viver a plenitude do Evangelho, cumprindo, no dia a dia, o maior de todos os mandamentos, segundo o cristianismo: amar a Deus e amar ao próximo. Que a vida dessa mulher, frágil de saúde e forte de determinação, nos encoraje a fazer o bem. Sem concessões. A beata levará o nome santo de Santa Dulce dos Pobres e seu dia será celebrado sempre no dia 13 de agosto, a partir de 2020. 

 

José Ribamar Pinheiro Filho pinheirinhosb@gmail.com

Brasília

 

*

O SÍNODO DA AMAZÔNIA

 

Acreditem: o papa Francisco embaçou, até aqui, o seu papado convocando os bispos da Igreja para um sínodo, que é uma reunião de bispos, para discutir e, quem sabe, apresentar uma solução ou paliativo que possa conter os efeitos do CO2 na vida no planeta. Duvido que os bispos tenham conhecimento das particularidades da Floresta Amazônica que envolve as queimadas assassinas da floresta, seja pelo roubo de madeira de lei, seja pelo garimpo clandestino, seja pelo aumento da área para a agricultura, que tem segurado o Produto Interno Bruto (PIB) em todo exercício econômico. Martinho Lutero, se vivo fosse, diria que o Vaticano quer discutir uma seara alheia, quando a sua atribuição principal é salvar almas para o Senhor, e jamais se envolver com o patrimônio alheio. O Sínodo da Amazônia ocorre do dia 7/10 até o dia 27/10. Os bispos, com a prática, deveriam discutir que medidas tomar em relação ao fogo de padres e bispos da Igreja na prática da pedofilia, que só nos Estados Unidos sugou os cofres da Igreja em centenas de milhões de dólares. A função primordial da Santa Sé é preservar a moral que ainda existe no mundo, apagar o fogo de seus religiosos e deixar que os brasileiros cuidem de apagar o fogo da Floresta Amazônica, mais um patrimônio seu do que do mundo.

 

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

 

*

CATEQUESE

 

Se a cultura indígena deve ser respeitada e preservada (Estadão, 7/10, A18), o que leva o Vaticano a interferir impondo a evangelização dos índios? Isso pode? Deixá-los plantar e explorar economicamente suas terras não pode. Que hipocrisia.

 

Gustavo Guimarães da Veiga ggveiga@outlook.com

São Paulo

 

*

EDUCAÇÃO

 

Interessante o artigo do professor João Batista Araújo Oliveira (O futuro da educação e os futuros professoresEstadão, 6/10, A2). Pena que não mencionou o nível salarial e as condições de trabalho da maioria dos professores!

 

Sebastião Carlo Masin sebastiaomasin@gmail.com

Santo André

 

*

ESCOLAS CÍVICO-MILITARES

 

Sou frontalmente contra o governo Bolsonaro, mas reconheço que disciplina e civismo estão muito em falta no Brasil. As prometidas escolas cívico-militares são bem-vindas com urgência!

 

Jose Eduardo Bandeira de Mello josedumello@gmail.com

Itu

 

*

A CULTURA INDEPENDENTE DO ESTADO

 

Importante a declaração da atriz e escritora Fernanda Torres, de que a Cultura deve existir e viver independente do Estado (Estadão, 7/10, C2). Isso acontecendo, só serão ofertados espetáculos e empreendimentos com aceitação da clientela e o setor se livrará daqueles que tentam impingir ideologias e práticas alheias ao interesse da população. Estarão fora projetos como os que destinaram milhões de reais para a produção de biografias de indivíduos inexpressivos e para sustentar espetáculos que não conseguem emplacar por meio da bilheteria, como aconteceu durante anos na temerária aplicação da Lei Rouanet. A lei de incentivo, que se mantém com renúncia fiscal, foi abusada e chegou até a sustentar festas de casamento. É preciso punir quem assim agiu. O dinheiro dos impostos arrecadados teria tido melhor destino se carreado para educação, saúde e outros itens de que o povo carece. Cultura também, mas preferencialmente os iniciantes, pois os já emplacados devem viver à própria custa, ou, então, não têm razão de insistir na arte.

 

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

   

*

FERNANDA TORRES

 

“Acho que a do mundo piorou em geral. O mundo está no pior estado em que já esteve. Há um sentimento apocalíptico no mundo todo.” Resposta em recente entrevista (Estadão, 7/10, C2) à indagação sobre a situação geral do País, de Fernanda Torres, portadora de notável pedigree artístico. Ao externar tão alarmista opinião, talvez se tenha esquecido de que a humanidade vive os estágios iniciais de um século que se seguiu àquele que foi palco do maior show apocalíptico da história da humanidade, marcado por duas guerras separadas por menos de 20 anos, propelidas por ditadores que foram capazes de magnetizar povos inteiros, envolver e influenciar a vida de muitos países e apresentar, como trágicos subprodutos, holocaustos e exílios de um número incomparável de artistas e cientistas, além da morte de milhões de inocentes e da detonação dos primeiros e – esperemos – últimos artefatos nucleares. Sem otimismo injustificado e aceitando que o mundo atual não passa por bom momento, não há como negar, porém, que nunca se assistiu a um período tão longo sem conflitos generalizados semelhantes aos ocorridos no século passado. Assim, como dizia, noutro contexto, o saudoso Chico Anísio: “Menos, Batista”.

 

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

 

*

EDIFÍCIO COPAN

 

Sobre a matéria Sem restauro, Copan tem problemas estruturais e descaracterização (Estadão, 7/10, A16), como todas as obras de Niemeyer, o Copan também não é funcional. Janelões que exigem grossas cortinas e, em se tratando de habitações privadas, cada um as faz da tonalidade que lhes aprouver, dando esse aspecto de péssimo visual.

 

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

 

*

A DESPOLUIÇÃO DOS RIOS

 

Estadão nos deu auspiciosa notícia: a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com o Estado, realiza hoje e na quarta-feira o seminário A Despoluição dos Rios, para debater o problema ainda recorrente do despejo irregular de esgoto nos rios de São Paulo. Entre os rios que recebem dito despejo está o nosso histórico Rio Pinheiros, que está sendo poluído com grande quantidade de despejo de esgoto, maculando sua honorabilidade. O Rio Pinheiros é tido como rio histórico, porque foi por ele que os bandeirantes conquistaram e povoaram o sertão brasileiro. Faço votos para que aludido seminário obtenha completo êxito em seu Desiderandum/Desideratum – o que deve ser desejado/o que se deseja.

 

Antonio Brandileone abrandileone@uol.com.br

São Paulo

 

*

A QUEM INTERESSA?

 

Comparativamente, podemos considerar que a eleição para eleger membros do Conselho Tutelar não é divulgada (importância do voto, convocação, candidatos, locais, eleitores aptos), por quê?

 

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

 

*

ROCK IN RIO

 

O Rock in Rio perdeu a sua essência há tempos. Até acho que tem gosto para tudo e deve-se respeitar isso, mas, então, que se mude o nome do festival para o título da reportagem do EstadãoRock & Afins (7/10, C1), ou mesmo Festival de Música in Rio. Ivete Sangalo e Elza Soares são ótimas e ícones na música brasileira, mas não são cantoras de rock. Tivemos muito mais axé, funk e muita porcaria. Rock, mesmo, foi mínimo. Fred Mercury deve estar se virando no túmulo. Bons tempos os daquela sua apresentação linda em que todo o público cantou junto.

 

Angela Maria de Souza Bichi  angela_bichi@hotmail.com

Santo André

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.