Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2019 | 03h00

TRAGÉDIAS BRASILEIRAS

Ninguém nunca sabe...

...ninguém nunca viu. O edifício de sete andares construído há décadas em Fortaleza se desintegra, vão atrás da documentação e o edifício é desconhecido pela prefeitura. Noutra cidade, Boa Vista, uma engarrafadora de gás explode, vão atrás de seus documentos na prefeitura e não existe autorização para o funcionamento. Toneladas e mais toneladas de óleo cru se espalham pelo litoral do Nordeste, num desastre ambiental sem precedentes, e não se tem a mais remota ideia de onde possa ter saído – talvez de um navio fantasma. Mas basta um rápido olhar nas contas públicas para ter a certeza absoluta de por qual ralo o nosso dinheiro desaparece. O fato é que precisamos de serviço público. Impossível ter um país, um Estado e uma prefeitura, uma sociedade funcionando sem ele, mas definitivamente não este que está aí. Os três Poderes deste país, como sempre, estão muitos passos atrás de nossa realidade, a dos brasileiros comuns. Pior, lutam com unhas e dentes para se manterem como estão. Pelo jeito, nós, cidadãos, também somos desconhecidos ou não temos autorização de funcionamento... Talvez nos achem fantasmas.

ARTURO ALCORTA

arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo

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PRISÃO EM 2ª INSTÂNCIA

Homicidas

Do alto de seu notório saber jurídico e da altíssima remuneração paga a eles pelo miserável povo brasileiro, os integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) decidirão hoje que os criminosos são diferentes: 1) os que assaltam ou matam, presos em flagrante; e 2) os de colarinho branco, que matam diária e indiretamente os desvalidos da saúde pública, por causa da corrupção desenfreada que praticam neste país...

LUIZ C. BISSOLI

lcbissoli46@gmail.com

São Paulo

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Salvo-conduto

Sinto-me dignamente representado pela Operação Lava Jato, por tudo o que fez pelo País e pelos resultados colhidos. O STF, na contramão da História, com raríssimas exceções, parece querer um salvo-conduto para a impunidade. A Nação reagirá com altivez se o STF ousar mudar a jurisprudência já firmada. Antes de qualquer decisão impensada, os ministros lembrem-se das infindáveis filas da saúde, dos milhares de vítimas da violência que aterroriza nossas cidades e de tantas outras mazelas que assolam o País, como os parcos salários pagos a policiais e professores e a deficiente infraestrutura. E que os brasileiros são, sim, a favor da prisão após condenação confirmada em segunda instância de Justiça.

MOACA RODRIGUES

moaca14@hotmail.com

Salvador

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Cadeia só para pobres

O ex-presidente Lula foi condenado em duas instâncias, restando pouquíssimo a ser feito por seus advogados para demonstrar a inocência dele. A condenação decorreu do minucioso trabalho do Ministério Público Federal para provar a culpa. Eis que depois de tudo comprovado, ainda há a possibilidade de recursos a outras instâncias, em que não mais haverá produção de provas. Em nosso país os pobres vão para a cadeia antes mesmo da primeira instância, enquanto para os ricos são postos à disposição inúmeros recursos, que protelam a sentença a ponto de sobrevir a prescrição. Assim, Lula poderá ser solto, apesar de comprovada a sua culpa e ter sido condenado em duas instâncias. Só pode concordar com isso quem deve e teme.

JOMAR AVENA BARBOSA

joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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Impunidade

Pergunta que não quer calar: afinal, o STF é a favor da justiça ou dos criminosos? Parece-me que essa é a dúvida da grande maioria dos brasileiros.

LUIZ FRID

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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Congresso Nacional x STF

Considerando que na terça-feira (15/10) o Congresso Nacional iniciou os debates sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 410/2018, do deputado Alex Manente (PPS-SP), prevendo que ninguém será considerado culpado até a confirmação de sentença penal condenatória em grau de recurso, penso que o STF deve suspender imediatamente o julgamento marcado para amanhã que trata do mesmo assunto, por uma questão de segurança jurídica e principalmente pela determinação do artigo 44 da Constituição: “O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional”.

MILTON CÓRDOVA JÚNIOR

milton.cordova@gmail.com

Vicente Pires (DF)

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ESTADO DE DIREITO

Alemanha x Brasil

Ainda sobre o editorial O que é o Estado de Direito (14/10, A3), que aborda campanha do Ministério da Justiça da Alemanha, gostaria de uma segunda parte elucidando: 1) Lá os salários públicos mais penduricalhos e mordomias chegam a superar R$ 150 mil (na Petrobrás, R$ 195 mil), como aqui? 2) Juízes condenados são “punidos” com aposentadoria compulsória e salário integral? 3) Criminosos só são presos após a quarta instância? 4) O recesso da Justiça é igual ao nosso? 5) A produtividade da Justiça é igual à nossa? No aguardo.

VICTOR RAPOSO

victor-raposo@uol.com.br

São Paulo

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SANEAMENTO

‘Despoluir os rios’

Bastante correto o editorial Despoluir os rios (Estado, 15/10, A3). No entanto, cabe um reparo: na realidade, não estão previstas novas estações de tratamento de esgoto na bacia do Pinheiros, até porque há ociosidade na Estação de Tratamento de Esgotos de Barueri em cerca de 20% (o equivalente a 4,5 m³/s) em relação à sua capacidade nominal. Há, contudo, possibilidade de implantar estações de tratamento de rios objetivando a tratar a água de alguns córregos que banham áreas ocupadas irregularmente e de difícil acesso para a construção de uma rede de esgotos e para efetuar ligações. O que, em verdade, estão previstos no projeto Novo Pinheiros são o prolongamento de coletores, coletores-troncos e ligações de mais 73 mil imóveis à rede de coleta, visando ao encaminhamento do esgoto de cerca de 500 mil imóveis para o tratamento que hoje atinge só 48% de toda a bacia. Levando em conta que a população da bacia está ao redor de 3,3 milhões de pessoas e que cerca de 700 mil vivem em áreas irregulares, e considerando, ainda, a contribuição da poluição difusa, estimada em torno de 35% do total, despoluir o Rio Pinheiros até 2022, como prometeu o governo estadual, seria como impor ao deus Hércules um “décimo terceiro trabalho”.

JOSE E. W. DE A. CAVALCANTI

jewac@bol.com.br

São Paulo

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“Chegou a hora da verdade. Hoje é o dia de sabermos a quem de fato serve o Supremo Tribunal Federal”

MARCOS CATAP / SOBRE O JULGAMENTO SOBRE A PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA

marcoscatap@uol.com.br

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“Estaremos mesmo prestes a assistir à abertura das portas do inferno? Quem possui as chaves, neste momento, é o STF, que hoje poderá abrir os portões incandescentes para liberar a podridão política brasileira”

EDUARDO CAVALCANTE DA SILVA / SÃO PAULO, IDEM

cavalcante_1000@hotmail.com

DIA DECISIVO NO STF


Se nada mudar, o Supremo Tribunal Federal (STF) decide hoje sobre a prisão (ou não) de condenados em segunda instância. Isso poderá levar à libertação de 190 mil condenados nesta situação em todo o País. Mas o motivador dessa mobilização é o ex-presidente Lula, preso desde 7 de abril do ano passado, por causa do caso do triplex do Guarujá. O placar provisório é de 5 a 5 e caberá ao presidente Dias Toffoli o solitário e importante voto de desempate. Decida o que decidir, será criticado por um ou por outros. As redes sociais estão agitadas e nelas defende-se até a inconveniente intervenção militar, com fechamento do STF e do Congresso Nacional. Uns pregam o direito de o réu defender-se em liberdade até a condenação transitada em julgado. Outros advertem que isso leva à impunidade dos que têm dinheiro para pagar bons advogados e abusar de recursos protelatórios. Aí reside o problema. Que Deus ilumine os responsáveis pela decisão e todos pensem exclusivamente no País, jamais em réus, interesses ou ideologias.


Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo


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O RESPEITO À CORTE


Começa hoje no STF uma nova rodada, a quarta, para discutir um assunto sobre o qual já há jurisprudência firmada no tribunal, quanto à legalidade das prisões após julgamento em segunda instância. Como as discussões terão como pano de fundo o “Lula livre”, como já adiantaram alguns ministros entrevistados, sobre uma possível mudança de entendimento segundo a qual somente após o trânsito em julgado novas prisões seriam possíveis – bem ao gosto do cliente atualmente preso em Curitiba –, o que os ministros devem debater, mesmo, é como manter 190 mil presos encarcerados, sem abrir mão do sonho de libertar a “alma mais honesta” que, além de roubar o País todo e implantar a cleptocracia como método de governo, ainda aparelhou todas as instituições, inclusive o STF. Nos próximos dias ou semanas ficará claro, dependendo da decisão tomada, se a Suprema Corte do País ainda merece algum respeito ou foi reduzida pelo lulopetismo a uma instituição de proteção a corruptos de estimação comandada por advogados de defesa travestidos de ministros. Se senadores, governadores e até presidentes da República se corromperam, estão incriminados e foram presos, por que os ministros dos tribunais superiores (que foram indicados, escolhidos e nomeados por estes mesmos políticos corruptos) não se corromperiam? Vieram, por acaso, da Finlândia, ou de Marte?


Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo


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SEGUNDA INSTÂNCIA


Rosa Weber e Dias Toffoli decidirão se dão o “suprêmio” indulto de Natal aos corruptos da Nação.

   

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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COMO TROCAM DE ROUPA


Não dá para mudar uma lei como se muda de roupa. Hoje nossa “suprema vergonha” colocará novamente em votação o caso da prisão após condenação em segunda instância. Isso após três anos que a mesma Corte decidiu em favor deste cumprimento de pena. São milhares de bandidos que provavelmente ficarão livres até serem julgados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou mesmo o STF, que são a última instância, que não julga ninguém. Como alguns ministros surpreendentemente mudaram de ideia nos últimos anos, principalmente quando foram presos bandidos de sua estimação, voltam ao julgamento na maior desfaçatez. Nos últimos 30 anos foram instituídas leis para ajudar bandidos corruptos, e ao povo que paga as contas, nada. Fora que o Congresso, que tem as mãos sujas de corrupção, se mantém de cócoras diante do STF. Parecem bandidos protegendo bandidos. Só que o povo não dorme mais em berço esplêndido. Vão encarar?


Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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O QUE, AFINAL, É JUSTO?


O STF segue interpretando, roubando a naturalidade daquilo que está muito claro. Um desserviço que coloca em suspense, ininterruptamente, quase todas as certezas jurídicas.


Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)


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PARA TODOS


Sugere-se, desde já, que os processos dos porventura libertados provisoriamente pela possível mudança do STF no entendimento sobre prisão após condenação em segunda instância ganhem, a partir de uma decisão concomitante deste STF, o status de prioridade máxima para julgamento imediato pelas terceiras instâncias, do STJ e do próprio STF. Assim, poder-se-ia satisfazer a todos, aqueles que se preocupam com o Brasil e aqueles que se preocupam com os seus.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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SERIA DEMAIS?


Depois de muita pressão, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) vão decidir, de uma vez por todas, sobre a validade de prisão após condenação em segunda instância. Por um lado, há o artigo 5.º da Constituição brasileira, que considera a pessoa culpada só após o trânsito em julgado. Por outro lado, há o receio da demora do julgamento dos recursos adicionais, levando à prescrição de sentencia. Já que os tribunais superiores não julgam mais as provas apresentadas, ou seja, a chance de anulação da condenação é mínima, que tal a seguinte solução: fixar o prazo máximo de um ano para julgar os recursos perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o STF? Durante este período, o réu presta serviço à comunidade, para valer, e é proibido de exercer várias atividades e de sair do País. Se a sentença for confirmada, o tempo desta prestação é descontado da sua sentença. Na eventualidade, remota, da anulação da sua condenação, a pessoa não ficou presa e fez algo útil pela sociedade. Peço vênia se minha sugestão é inovação demais para o STF.


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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OS INFLUENTE$


Se os criminosos e corruptos presos não fossem ricos e políticos famosos, o STF ficaria aceitando discutir, rediscutir, rerediscutir a prisão em segunda instância? Duvido!


Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo


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O BEM E O MAL


A discussão sobre a prisão em segunda instância é, na verdade, a disputa entre o bem e o mal. Do lado do mal estão os criminosos, os corruptos, os esquerdistas de todas as vertentes e seus cegos seguidores, ministros dos tribunais superiores sem compromisso com a lei, etc. Do outro lado estão 95% da sociedade brasileira incomodada com os citados anteriormente. Quem deve vencer? Estamos nas mãos de 11 cidadãos, muitos sem nenhum caráter, defendendo interesses que não são os da Justiça. Oremos, pois.


Paulo H. Coimbra de Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro


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GOLPE


Nós temos o direito de achar que o STF estará dando um golpe baixo no País se revogar a condenação em segunda instância? Onde está o Batman? Estamos em Gotham City?


José Roberto Iglesias rzeiglezias@gmail.com

São Paulo


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TRÂNSITO EM JULGADO


No filme Aconteceu em Nápoles, Clark Gable e Sofia Loren disputam a guarda de um sobrinho órfão. Vitorio de Sica é o advogado do americano, mas basta uma cruzada de pernas da italiana para o causídico dar uma antológica guinada.


Helena Rodarte Costa Valente helenacv@uol.com.br

Rio de Janeiro


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DEFENSORES


Alguém duvidava de que “defensores” dos acusados, réus e sentenciados seriam favoráveis à prisão em segunda instância? (Mateus, primeiro os meus).


Itamar C. Trevisani itamartrevisani@gmail.com

Jaboticabal


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A DECISÃO VINCULANTE


Neste quinta-feira o STF irá se debruçar, mais uma vez, sobre a prisão após o julgamento em segunda instância, com a tendência de que aquela será revisada. Reportagem do Estadão nos informa que em quatro ocasiões os ministros decidiram pela prisão após a segunda instância, porém elas não tiveram efeito vinculante. E a pergunta que nos ocorre de imediato é: por que não tiveram efeito vinculante? Para um leigo em Direito, como eu, é simplesmente incompreensível que o STF esperou quatro decisões anteriores para agora decidir, ou não, pelo efeito vinculante. Em todos os recursos até agora apresentados os réus são políticos processados pela Operação Lava Jato, o que talvez explique um número relativamente grande de decisões anteriores. Porém, a informação da reportagem de que a decisão poderá atingir mais de 190 mil presos que estão em execução provisória da pena após condenações, demonstra o alcance de tal decisão. O que vem ocorrendo é que os criminosos que saquearam os cofres públicos em todo o País são encarados como criminosos de crime não hediondo, o que é um erro muito grande. Os crimes em que servidores públicos corruptos se uniram a empresários corruptores para saquear enorme quantia do erário não podem deixar de ser considerados como hediondos. É evidente que essa enorme quantia de dinheiro fez falta em todos os setores da administração pública, provocando, por exemplo, um número enorme de vítimas fatais nas filas dos hospitais e nas estradas malconservadas. Em minha opinião de leigo, porém, pensando em termos de lógica, não tem sentido o STF se preocupar somente com os recursos dos políticos presos pela Operação Lava Jato, quando quase duas centenas de milhares de presos serão soltos, em razão de inúmeros crimes cometidos, entre eles traficantes, estupradores, etc. Não deixo de pensar no caput do artigo 5.º da Carta Magna, que diz que todos são iguais perante a lei. Não é o que vem acontecendo no Brasil, quando criminosos endinheirados, inclusive em razão dos seus crimes, podem contratar bons e caros advogados especialistas em achar brechas em leis mal elaboradas. Paralelamente, 40% dos presos do País ainda não foram julgados sequer pela primeira instância, pelo fato de não poderem contratar bons advogados.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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VIVA O TRAMBIQUE!


No Brasil, vale a pena ser corrupto. Ora, colocar milhões de dólares no bolso, cumprir uma singela pena de pouco mais de um ano de reclusão em sala especial da Polícia Federal e ser colocado em liberdade pela Corte máxima da Justiça do País mostram que o crime compensa. Mas não se enganem, isso só é válido para a “alta” classe corrupta. Afinal, tudo “conspira” em prol dos trambiqueiros. Pobre Brasil!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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A ANTESSALA DA REVOLUÇÃO


Na obra 1789, G. Lefebvre diz que “não teria havido Revolução Francesa – da forma como aconteceu – se o rei não tivesse convocado os Estados Gerais (povo)”. O povo brasileiro se identificou com Jair Bolsonaro porque era o único que falava em segurança com uma iniciativa concreta – armamento da população – para diminuir a criminalidade, assunto que ele ainda não conseguiu resolver pelos ataques dos esquerdistas defensores do “Lula livre”. Mas o povo assiste pelos celulares a inúmeros vídeos que mostram as manobras impatrióticas dos parlamentares que defendem corruptos e criminosos, chora ao ver pela TV o aumento dos infanticídios e feminicídios e fica em suspense represando a indignação. “Aqueles que não lembram o passado estão condenados a repeti-lo” (G. Santayana). O rei, na Revolução Francesa, era Luís XVI, que acabou assassinado. O rei da vez, aqui na Tropicalha, é o presidente do STF, que proferirá a sentença. Se for a da soltura, podemos estar na antessala da revolução da vez que pode explodir, como em 1789, pela “convocação” dos Estados Gerais – o povo.


Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo


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LIBERTADORES SUPREMOS


Separatistas catalães saíram às ruas de Barcelona protestando contra a condenação pelo Tribunal Supremo espanhol de 12 dirigentes que organizaram, em 2017, o referendo da independência da Catalunha, não reconhecida pelo governo central da Espanha. Por aqui, estamos na iminência inversa (rebelião?) – toc, toc, toc. O povo às ruas protestando furiosamente contra a libertação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de influentes políticos, reiteradamente condenados por descarada e indecente corrupção. Alô, povo do meu Brasil! Já vimos esse filme. Consumado o golpe, em agradecimento, flores, comendas, artes de demolição, flechas e tacapes artesanais devem ser endereçados ao STF, que está a sublevar contra a ordem republicana, arvorando-se em Poder Central, que há muito vem legislando e decidindo sobre assuntos que lhe fogem à competência institucional.


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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NO ‘JARDIM DAS LIBERDADES’


Lendo ontem (16/10) o Estadão, deparei-me em sua segunda página com um artigo escrito por um renomado “advogado de porta de mansão” que tem Cláudio não como segunda instância, mas como segundo nome, como eu. A única diferença é que o meu Claudio foi registrado erroneamente sem o acento no “a”. Portanto, ele é meu xará. Neste artigo, o doutor Cláudio usa figuras poéticas como “flores” e “jardim das liberdades” para atacar o projeto anticrime apresentado no Congresso Nacional para aprovação. No ataque generalizado, ele afirma falaciosamente que este projeto, “ao contrário do apregoado, (...) não evita o crime (...), pois em verdade este já ocorreu”. Data vênia, doutor, evita sim. Fora alguns poucos corruptos renitentes que continuam praticando ilícitos, a maioria dos empresários e políticos corruptos já colocou “as barbas de molho” e deixou de praticar ilícitos temendo o mesmo destino que o “corruptor-mor da Nação” ou “o corrupto dos corruptos”, preso numa cela na Polícia Federal de Curitiba, e outros, como os antes poderosos presidente da Câmara dos Deputados e governador do Rio, ambos internados em Bangu 8. Na verdade, o que o articulista deixa claro como sua principal preocupação é que este projeto, em suas palavras, “apenas endurece as punições e dificulta a defesa, nada mais”. O que ele quer são as facilidades que a Constituição e o Código Penal lhe proporcionam para empurrar ad infinitum os processos de seus clientes, até as eventuais penas sentenciadas prescreverem. Como tem sido até hoje. Estes advogados, o doutor Cláudio e seus colegas das bancas milionárias, se agarram com unhas e dentes a conceitos como Estado Democrático de Direito, direitos adquiridos, cláusulas pétreas, prerrogativas dos cidadãos, presunção de inocência, trânsito em julgado na última instância e outros que lhes garantem, durante todo o correr dos processos em que eles atuam, receber honorários polpudos (de origem duvidosa) de seus clientes corruptos. É disso que se trata. O resto é nhem, nhem, nhem, como diria FHC. Como fecho do artigo, ele lança uma ameaça quando escreve “lembrem-se, hoje os alvos são acusados e condenados, amanhã poderemos ser todos nós”. Quanto a isso não há dúvida, doutor, se todos nós cometermos os crimes que esta cambada de corruptos que os senhores defendem comete.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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FLORAÇÃO DA IMPUNIDADE


Sobre o artigo Querem arrancar uma flor do jardim das liberdades (Estadão, 16/10, A2), o jardim do ilustre causídico deve haver muitas “marias-sem-vergonha”. Quanto ao “amanhã poderemos ser todos nós”, nós quem, cara-pálida? Não nos iguale! Somos os roubados por estes que o sr. e outros estão aí a defender...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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CONTRA O ‘FAZ-DE-CONTA’


Antonio Cláudio Mariz de Oliveira (16/10, A2) é inteligente, sagaz. Claro, não fosse, não seria advogado de Michel Temer e de outros medalhões. Imagino-o rico, pois não deve ser barato. Ouvi-o uma vez, no Jornal da Cultura, e, apesar de antipatizar com ele e o que ele representa, senti-o honesto. Escreveu neste 16/10 sobre o pacote anticrime de Sérgio Moro, de quem, acredito, ele não gosta. Agora, é interessante ele falar de “direitos” para uma população que só tem “obrigações”. Claro que sabemos que as prisões são horríveis, aterrorizantes, dantescas. Nós, os pagadores de impostos, sabemos, sim. E os governantes? Não sabem? Vejam, o papo de Mariz sobre o pós-1964 não resolve a angústia dos pagadores de impostos. O que queremos é punição, sim, queremos corruptos na cadeia cumprindo as penas a que foram condenados. Não queremos o “faz de conta” que os advogados em conluio com os tribunais e usando as fragilidades das leis nos impingem quando procrastinam os julgamentos até a prescrição dos crimes. Não queremos os casuísmos que a pior e mais vergonhosa composição do STF dos últimos 50 anos quer nos aplicar neste dia 17/10/2019. E digo mais: se Mariz é, mesmo, o cara que diz ser, terá obrigação moral de peticionar para todos os presos que não foram julgados pelo STF serem liberados, soltos, caso a decisão sobre a prisão após condenação em segunda instância for derrubada. O causídico defende a Constituição de 1988? Então defenda o seu artigo 5.º, que Mariz conhece melhor que eu: “Todos são iguais perante a lei”.


Joao Paulo de O. Lepper jp@seculovinteum.com.br

Rio de Janeiro


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‘REALIDADE QUE SE IMPÕE, LIDERANÇA QUE SE COLOCA’


Excelente o artigo da economista Ana Carla Abrão sobre as despesas de pessoal no serviço público federal. O setor público brasileiro é dos que mais gastam com salários e benefícios de servidores. A despesa de pessoal supera os 10% do PIB, nos cálculos do Banco Mundial, número muito superior ao que gasta o setor público de outros países. Com isso, “o setor público no Brasil não só se tornou uma proteção garantida contra o desemprego, fruto da estabilidade prevista na Constituição federal, como também vem garantindo ganhos reais de salários desvinculados da realidade econômica”.


Cleo Aidar cleoaidar@hotmail.com

São Paulo


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ÓLEO NAS PRAIAS DO NORDESTE


Até o presente, decorridos nada menos que 44 dias, já foram recolhidas cerca de 200 toneladas de petróleo das praias nordestinas, sem que se saiba sua origem. Com certeza, este petróleo não é nosso. De quem é?


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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OPORTUNISMO


Sobre a matéria MPF e MP da Bahia vão à Justiça para cobrar da União ações contra mancha de óleo no Nordeste, publicada no Estadão em 15/10, numa demonstração explícita de oportunismo e de ativismo político, os Ministérios Públicos Federal e da Bahia vão à Justiça para cobrar da União ações contra as manchas de óleo no Nordeste, como se já não estivesse sendo feito o máximo possível contra o petróleo venezuelano para mitigar os efeitos desta crise ambiental na qual a União não tem a menor responsabilidade. Se os MPs já não têm credibilidade, agora terão menos ainda. Igualmente, a imprensa procura dar destaque a esta notícia como parte da “resistência petista”, inconformada com a eleição de Bolsonaro, procurando prejudica-lo de todas as formas possíveis, mesmo no que não tem ele a menor responsabilidade.                        


Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)


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A CATÁSTROFE E A PROCURADORIA


O protagonismo a qualquer custo buscado por procuradores traz desgaste à própria instituição que deve ser intransigente na defesa da sociedade, mas ponderada. Não sei baseado em que os procuradores vão à Justiça para que o governo dê providências quanto a esta catástrofe ecológica do óleo que toma o litoral do Nordeste. Parece-me que todos estão trabalhando firme nessa direção, o que dispensa a intervenção da Procuradoria-Geral da República e da Procuradoria-Geral do Estado. Sejam sensatos, senhores! Numa democracia, as instituições do Estado só intervêm se necessário.


Roberto Maciel rovisa681@gmail.com

Salvador


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MOBILIZAÇÃO


Com a enorme tragédia ambiental nas praias do Nordeste com as manchas de óleo, não vejo nenhum manifesto de qualquer entidade mundial que tanto se manifestou no caso dos incêndios na Amazônia. Parece um claro viés ideológico.


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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