Fórum dos leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos leitores, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2019 | 03h00

PREVIDÊNCIA

É só o começo

A duras penas o governo conseguiu aprovar a reforma da Previdência, que há pelo menos quatro décadas se tem como necessária, mas só agora avança. A votação no Senado foi tão importante que o mercado reagiu imediatamente, com a bolsa chegando a 107 mil pontos e o dólar recuando 1,34% (23/10, B1 e B8). Mas é bom lembrar que isso não resolve todos os problemas. Executivo e Legislativo têm agora de se debruçar sobre as reformas administrativa e tributária, que desinche a máquina pública e racionalize os impostos. E fazer as reformas sem que haja paternidades institucionais ou pessoais, lembrando que elas são imperativos da Nação. É só com elas que o País finalmente poderá vencer o paternalismo que vem desde a era Vargas e ingressar para valer no competitivo mundo globalizado. Precisamos oferecer segurança para atrair os necessários investimentos.

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES

aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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Finalmente a reforma foi aprovada, após longas discussões e atendidas exigências dos congressistas, algumas fora do contexto da Previdência. Menos mal, pois reduziu o rombo da Previdência. A proposta original de R$ 1,1 trilhão foi diminuída para R$ 800 bilhões por causa do tratamento diferenciado para algumas categorias. Melhorou, mas poderia ter melhorado mais. Vida que segue.

HUMBERTO SCHUWARTZ SOARES

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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Força do povo

Derrota acachapante da esquerda. Vitória do governo Bolsonaro e do povo brasileiro – que entendeu a necessidade da mudança. O Brasil dá um primeiro passo para seu desenvolvimento definitivo. Agora é continuar, imediatamente, com os próximos passos, sabendo que é, sim, possível mudar o Brasil para melhor acreditando que o povo brasileiro é mais forte do que a esquerda insiste em afirmar.

GILBERTO DIB

gilberto@dib.com.br

São Paulo

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Correção de distorções

A aprovação da fundamental reforma da Previdência é evidente que deve ser comemorada, independentemente de uma análise mais crítica que se possa fazer sobre o seu real alcance, com destaque para os setores que dispõem de lobbies para pressionar, pois nos permite pensar que outras reformas essenciais possam avançar e distorções sejam corrigidas mais à frente. Dentre estas, a grandiosa, injusta e injustificável disparidade entre o teto de aposentadoria de assalariados do setor privado e o dos servidores públicos.

ABEL PIRES RODRIGUES

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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Desigualdade

O texto-base da Previdência aprovado no Congresso não vai atender à questão básica que é a premiação de quem trabalhou por muitos anos fazendo a contribuição regulamentar. São milhões de trabalhadores da iniciativa privada e alguns das estatais. Enquanto isso, integrantes dos Executivos, dos Legislativos, do Judiciário e da área militar não terão a preocupação com seus rendimentos quando se retirarem de suas funções. Por que a desigualdade?

URIEL VILLAS BOAS

urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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DESMANDOS

Os mais iguais

Ninguém aguenta mais os desmandos no setor público. Quando o problema não é de ordem financeira, é de ordem moral. Acabamos de presenciar uma Assembleia Legislativa mandar soltar deputados estaduais presos por delitos cometidos. É uma aberração deputados, que são servidores públicos, terem benefícios legais que os brasileiros que os elegeram não têm.

MARCO ANTONIO MARTIGNONI

mmartignoni@ig.com.br

São Paulo

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IRRESPONSÁVEIS

Pingos nos is

Excelente o artigo O custo da irresponsabilidade política (23/10, A2), de Luiz Felipe D’Avila, sobre maus exemplos de agentes públicos. Como diz o autor, pondo os pingos nos is, a partir do vazamento da gravação adulterada de Joesley Batista a mídia, com raríssimas exceções, como o Estado, condenou o presidente Michel Temer sumariamente. Mas o que mais espantou foi a posição adotada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que, sem ouvir ninguém, apoiou a inepta denúncia de Rodrigo Janot e o pedido de impeachment. Diante da absolvição sumária, em muito bem fundamentada sentença, e das irregularidades perpetradas pelos denunciantes, todos deveriam pedir desculpas a Temer, incluída a OAB.

EDGARD SILVEIRA BUENO FILHO

e.bueno@limalaw.com.br

São Paulo

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GOVERNO BOLSONARO

Prioridades

Chegou muito tarde, como tudo no governo Bolsonaro, o anúncio feito pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de ter desistido da embaixada em Washington. Após desgaste pela indicação, vem a desistência pela certeza de que seria barrada no Senado. É uma pena que o governo Bolsonaro se preocupe mais em resolver problemas do núcleo familiar do que os que afligem a Nação. Se o governo considerasse o povo brasileiro uma irmandade, teríamos sua atenção e poderíamos vencer tantos problemas com maior agilidade e bom senso.

EDSON R. PEREIRA DA SILVA

camerotte@gmail.com

Jaú

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Comércio exterior

O governo tem a intenção de reduzir as tarifas de importação que foram criadas para proteger a indústria nacional, mas acabaram desestimulando aumentos de produtividade dos setores mais protegidos. Porém é necessária cautela nessa abertura. Um de nossos clientes, multinacional que participava de concorrências nos EUA, contou-nos que o custo para mandar seus produtos para o Porto de Santos era maior que o do concorrente coreano para mandar seus produtos para o território norte-americano. A logística pelas rodovias custa bem mais do que por ferrovias, já tivemos empregados do porto que ganhavam mais que ministros do Supremo Tribunal e às vezes a Receita Federal demorava muito tempo para dar sinal verde para o embarque e se perdia o navio. E já houve época em que os caminhões entravam numa fila e esperavam vários dias para entregar sua carga no porto. Somos um país de penduricalhos, com a burocracia nos asfixiando e aumentando nossos custos. Se esse monstro não for desmontado, nossa indústria será duramente prejudicada. A abertura é bem-vinda desde que se ataquem todos esses custos.

ALDO BERTOLUCCI

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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“Não existem em nenhum lugar do mundo quatro instâncias para recursos antes de um réu poder ser preso. E viva a jabuticaba!”

LUIZ FRID / SÃO PAULO, SOBRE O JULGAMENTO PELO STF DA LEGALIDADE DA PRISÃO APÓS CONDENAÇÃO EM SEGUNDO GRAU

luiz.frid@globomail.com

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“Em vez de provar sua inocência, a defesa do ‘cara’ tenta com chicanas, mais uma vez, anular provas contra ele. Data venia, será que o STF tem um guichê só para sua banca de advogados?”

MOISÉS GOLDSTEIN / SÃO PAULO, SOBRE O PRESIDIÁRIO-MOR DO PT

mg2448@icloud.com

 

AVANÇO

 

Parabéns ao governo Bolsonaro e ao Congresso Nacional, pela importante vitória na aprovação da reforma da Previdência, e, principalmente, à imprensa, por ter conseguido mostrar à sociedade brasileira de sua necessidade. Vamos adiante.

 

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

 

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NOVA PREVIDÊNCIA

 

A “reforma” da Previdência está aprovada. Consumou-se o golpe liberal contra os trabalhadores. Qual será a justificativa, daqui para a frente, para a não melhora da economia, uma vez perdido o pretexto do déficit previdenciário?

 

Tibor Rabóczkay trabocka@iq.usp.br

São Paulo

 

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IMPOPULAR E NECESSÁRIA

 

É o fim desta novela que durava anos, vespeiro em que somente Bolsonaro teve a coragem de mexer, descascando o abacaxi. Era a reforma necessária para o País seguir adiante. Uma medida impopular, sim, mas que vai colocar o Brasil nos trilhos. Antes tarde do que nunca.

 

Reinner Carlos de Oliveira  reinnercarlos1970@gmail.com

Araçatuba

 

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A PEDRA FILOSOFAL

 

O que os sábios, magos e feiticeiros procuravam durante toda a Idade Média, a pedra filosofal, foi descoberto no século 21 no Senado Federal do Brasil, por 60 votos a favor e 19 contra: a aprovação definitiva da reforma da Previdência Social. A pedra filosofal teria poderes de transformar qualquer metal em ouro. O que a imprensa está publicando hoje é que essa reforma veio como a pedra que transformará a maioria dos problemas dos incompetentes magos morubixabas do Planalto. A aprovação da reforma da Previdência só foi ofuscada pela desistência do filho do presidente de assumir a embaixada brasileira nos Estados Unidos. Isso para o governo, que acompanhava a posse do imperador do Japão, não sabendo o custo da caravana “Holiday” para os cofres do governo. Enquanto o Senado exulta sentindo ter salvado o País, a Floresta Amazônica continua ardendo em chamas, reduzindo o oxigênio essencial para o mundo; e praias são invadidas pelo derramamento de óleo despejado no mar, não havendo até agora para isso uma solução, por falta de fiscalização e pessoal competente no Ibama. E la nave va, mesmo sem timoneiro e com a bússola danificada.

 

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

 

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APESAR DO GOVERNO

 

Reforma da Previdência aprovada, apesar da família Bolsonaro!

 

Cecilia Centurion ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

 

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CONQUISTA

 

Uma coisa é fato: Bolsonaro está conseguindo, em um ano, reformas que estavam engavetadas há décadas, desde Collor.

 

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

 

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DÉJÀ VU

 

O Senado aprovou, a Previdência passou; o dólar caiu; a Bolsa subiu; e agora, José?

 

Marcos Catap marcoscatap@uol.com.br

São Paulo

 

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CUSTO BRASIL

 

O ex-ministro Geddel Vieira Lima e o irmão Lúcio Vieira Lima foram condenados; a reforma da Previdência foi aprovada em segundo turno no Senado; o dólar está em baixa e a Bolsa está em alta. Só falta o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar sua própria jurisprudência e manter a constitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância. Aí é só alegria para o povo de bem e para o País. STF, por favor, não nos decepcione!

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

 

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MÃE DINÁH TOGADA

 

Na matinê de quarta-feira, 23/10, do picadeiro Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Marco Aurélio Mello, relator do processo sobre a prisão em segunda instância, feliz da vida com a sessão suspensa para o lauto almoço imperial, na vez da mãe Dináh togada, retificou o placar final da contenda de 7 a 4 para 6 a 5 a favor da liberdade dos perigosos corruptos condenados. Como assim? Todos abriram o bico fora dos autos? Quem foi o(a) “traíra”? É fato que o Supremo entrou em metástase! Tristes as imagens abertas da TV mostrando o desinteresse dos supremos seguidores do presidiário de Curitiba pela belíssima alocução do Advogado-Geral da União, André Mendonça, que se opôs com maestria e profissionalismo à sangrenta tese orquestrada em vários gabinetes, defendida pelo patológico relator. Será que estavam a jogar em versão digital alguma corruptela da “batalha naval” de nossa infância? Last, but not least, atentos de ofício somente os ministros favoráveis à manutenção da jurisprudência da Casa, que a sufocada e já impaciente sociedade vem compartilhando nas redes sociais.

 

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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CHANCE DE REVISÃO

 

O Supremo Tribunal Federal está julgando a questão da prisão em segunda instância, algo pacificado até 2009, quando reverteram esse entendimento, mas por pouco tempo, pois em 2016 voltou ao entendimento anterior, igualando novamente o Brasil aos países desenvolvidos. Os renomados juristas Modesto Carvalhosa e Gauthama Fornaciari, em artigo sobre esta matéria intitulado Prisão em 2.ª instância ou após trânsito em julgado? (18/10, A2), mostraram que a estatística indica a insignificância que é protelar a sentença esperando a decisão de instâncias superiores. Apenas seis em mil casos têm reversão de condenação no Superior Tribunal de Justiça, e muito menos ainda no Supremo Tribunal Federal, que é de apenas um caso em mil! Ou seja, essa é a mesma probabilidade de um cidadão do mundo morrer num incêndio! Como qualquer estatístico sabe, mesmo que fosse possível recorrer a muito mais instâncias de julgamento, a reversão de condenações sempre poderia ocorrer, mas com probabilidade cada vez mais insignificante. Por essa razão os países adiantados encerram essa questão da impunidade na segunda instância. Afinal, não vale a pena a

sociedade gastar tantos recursos com insignificâncias, mesmo porque outras instâncias podem ser mobilizadas depois.

 

José Elias Laier joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

 

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NÃO HÁ DÚVIDAS

 

A partir da pesquisa feita pelo ministro Rogerio Schietti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) – Estadão, 22/10, A4 –, que mostrou que de 69 mil decisões do STJ apenas em 0,62%, ou seja, cerca de 428, houve absolvição. Fica a pergunta: será que valeria a pena deixar cerca de 59.572 criminosos livres na sociedade, desde o final do julgamento da segunda instância, deixando que os 478 que foram absolvidos recorressem em liberdade, ou melhor tirar os 59.572 criminosos da sociedade e obrigar que os 478 que foram absolvidos no STJ recorressem presos a partir da segunda instância? Considerando que os 478 podem ainda ser indenizados, não há dúvida na resposta correta, se pensarmos no bem para a sociedade.

 

Mauricio F. Paiva mauricio.ferraz.paiva@gmail.com

São Paulo

 

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ROTATIVIDADE JURISPRUDENCIAL

 

Inexiste inconstitucionalidade na prisão de condenados em segunda instância. Se existisse, o Supremo Tribunal Federal (STF) não teria decidido por duas vezes que deve ser recolhido ao cárcere o réu apenado pelo colegiado seguinte ao primeiro grau. Inconstitucionalidade não é incidente legal rotativo disponível para safar das grades delinquentes eméritos, padrinhos de casamento, ladrões diplomados pela Justiça Eleitoral. Corte que altera jurisprudência com a mobilidade das nuvens se desacredita, se desrespeita, cria o cupim da seletividade jurídica e judiciária, afugenta investidores, torpedeia o progresso do País, divide nativos em cidadãos de primeira e segunda classes e, assim, semeia o rancor entre irmãos. Ministros escorraçados nas ruas, o STF atual se assemelha a uma casa de tolerância com o ilícito, à sombra de ao menos uma toga com indigente saber jurídico.

 

José Maria Leal Paes myguep23@gmail.com

Belém

 

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MUNDO REAL

 

Segundo o voto do ministro Alexandre de Moraes, o STF não deve julgar a partir de uma atuação cômoda, fácil e populista, porém interpretando a Constituição federal com coragem, imparcialidade e de acordo com a própria consciência, a de cada um dos ministros da Corte, e distinguindo assim entre o que é certo e o que é apenas popular, e agindo ainda segundo os próprios raciocínio e julgamento, porém respeitando sempre todas as posições contrárias assumidas por terceiros ministros. Votou pela manutenção da prisão após a condenação em segunda instância de justiça. Tudo muito esclarecedor da divergência no STF sobre as interpretações do que quer dizer a Constituição federal do Brasil. No entanto, se sairmos do fechado “mundo jurídico” e adentrarmos o mundo real, como poderíamos discordar dos efeitos maléficos, diabólicos e perversos que a impunidade e a sensação de impunidade, refletidas fortemente a partir de uma das duas interpretações constitucionais possíveis, causam? Assim sendo, mais uma vez, e firmes no voto do ministro Alexandre de Moraes, saímos do absolutismo dos fechados mundos criados abstratamente pelo homem, mas que se apartam das nossas realidades concretas, e mais nos aproximamos da finalidade maior do Direito, que é o atingimento  da sempre utópica paz social.

 

Marcelo Gomes Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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DETALHES

 

O ministro Marco Aurélio Mello defendeu que todos os recursos sejam esgotados antes da prisão. Citou o notável Ruy Barbosa, que, no entanto, faleceu em 1923 sem nenhum conhecimento jurídico sobre lavagem de dinheiro ou corrupção sistêmica. O voto do ilustre magistrado subestimou, ainda, outro detalhe: os inexauríveis embargos empurram os crimes para a prescrição, e nestes casos não há justiça, mas impunidade.

 

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

 

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O CRIMINOSO DO COFRE E O COFRE DO CRIMINOSO

 

Viremos a página de questão de alta indagação jurídica e abracemos o prático, a “plenitude objetiva” do fato da vida. O termo jurídico “trânsito em julgado”, trazido para o terreiro do homem comum, significa que o caminho normal de um julgamento acabou. Isto é, transitou em julgado. É a estação final de um processo comum. Não se analisa mais a prova feita. Se a lei processual fixa este ponto (análise do fato delituoso) como a estação final dessa análise, o caminho normal do processo termina com a análise do colegiado da segunda instância, a quem a lei confere a competência para definir in aeternum se aquele fato provado e analisado é ou não delituoso. Aqui se encerra a questão. O fato concreto foi analisado, provado e a respectiva decisão, tomada. Os apêndices de propostas de recursos extraordinários (em caráter geral) proíbem ao colegiado superior (seja ele de qual grau for) examinar as provas, o fato. Ou seja, os tribunais acima da segunda instância já não têm competência para adentrarem-se na substância do crime praticado. A lei é (comparando) moeda com duas faces: a letra e o espírito inspirador da lei. A letra não pode ser analisada sem a presença do espírito da lei, isto é, intentio legis, qual foi a intenção do legislador ao promulgar a lei. Se todos os processos criminais correntes no Brasil desaguarem no STF buscando nesse topo o “trânsito em julgado”, aqui apenas a “letra” da lei, o que é absolutamente inimaginável, esta a consequência da análise fria da “letra” da lei: “trânsito em julgado” sem lhe acoplar o “espírito”, isto é, a intenção da eficácia e concretude do julgamento, as consequências, a superlotação e congestionamento de processos desaguando no STF seriam o verdadeiro inferno de Dante. Humanamente impossível que o Supremo arque com esse Watsiname de processos! A proposta do legislador (disso não há dúvida) é de que, provado o crime, ato contínuo seja punido o criminoso. Este também é o entendimento do bom senso e da sociedade, que outro não pode existir. Não for assim, a toga transforma-se no véu protetor do criminoso, por onde, à solta, irá usufruir de seus cofres recheados com o dinheiro público.

 

Antonio Camargo bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo

 

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VILANIA

 

Buscando o significado dessa palavra, descobri que se trata de “atributo do que é vil, que tem pouco valor, que não presta, ordinário, etc.”. Tal atributo encaixa-se como uma luva num ministro do STF que, quando entrevistado por um conhecido apresentador de televisão e perguntado se na sua opinião o ex-presidente encarcerado em Curitiba deveria ser solto, respondeu com a maior cara de pau: “Eu acho que ele merece um julgamento justo”. O que ele quis dizer com isso? Respondendo assim, o ministro cometeu o desplante de acusar nada menos do que um juiz de primeira instância, três desembargadores de segunda instância e cinco magistrados da terceira instância de terem sido injustos quando condenaram o meliante de Garanhuns. É possível isso?

 

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

 

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APREENSÃO

 

A sociedade brasileira está apreensiva com o resultado da revisão do Supremo Tribunal Federal sobre a prisão após a condenação em segunda instância. Que os ministros mantenham a jurisprudência da Corte, já pacificada em julgamentos anteriores, para que o início da execução da pena inicie após a condenação em segundo grau. Eventual mudança irá gerar uma avalanche de recursos protelatórios, que atualmente não teriam utilidade prática, gerando a prescrição em vários casos e a impunidade, para maior descrédito da Justiça brasileira e perda da confiança externa do País.

 

José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

 

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FORÇA BRUTA

 

O editorial A sociedade e o Supremo (Estadão, 23/10, A3) critica, com carradas de razão, o emprego da força bruta para resolver contendas sociais, baseando-se na ameaça dos caminhoneiros de paralisar o País caso o STF revertesse a recente decisão da possibilidade da prisão dos condenados em segunda instância. Cabe, então, a pergunta: o STF, sendo a instância final que não admite recursos nem desobediência às suas decisões, não estaria usando “a força bruta” para impor uma conduta reprovada pela imensa maioria dos brasileiros? Convenhamos que seria mais prudente deixar como está ou, mesmo, adiar a discussão deste tema, evitando possíveis convulsões sociais. Com isso se aguardaria a decisão do Congresso Nacional sobre o tema, já em discussão, mas suspensa por Rodrigo Maia, o “Botafogo”. Para que provocar uma sociedade cansada de corrupção, que corrói as entranhas do País, com o claro interesse de beneficiar políticos – em especial aquele dos nove dedos – e seus endinheirados amigos?

 

Antonio Carlos Gomes da Silva acarlosgs@uol.com.br

São Paulo

 

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QUAL É O JOGO?

 

Em oportuno editorial de 17/10, o Estadão destacou que o “julgamento em segunda instância encerra a análise das provas e, por conseguinte, não havendo mais a possibilidade de reavaliação, conclui-se que não cabe mais a inocência presumida”. Em artigo assinado pelos juristas Modesto Carvalhosa e Gauthama Fornaciari, publicado no Estadão em 18/10, obtivemos o seguinte esclarecimento: “A condenação em segunda instância esgota a presunção de inocência”. E arrematam dizendo: “O recurso sobre matéria de Direito não tem efeito suspensivo, sendo admissível o início do cumprimento da pena pelo condenado”. O entendimento dos ilustres juristas e a opinião abalizada do editorial do Estadão vão na direção dos anseios do povo brasileiro, da necessidade de enfrentamento da corrupção e punição exemplar dos agentes corruptos e corruptores, não havendo dúvida sobre a culpabilidade dos réus nem sobre o cumprimento das penas. Resta apenas entendermos qual é o jogo verdadeiro dos ministros Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, que, acintosamente e por defenderem posições dúbias, puseram em discussão uma pauta já referendada pelo Supremo Tribunal Federal. A impressão que fica é de que o STF, nas pessoas dos citados ministros, é um legítimo representante do Estado que diverge da ordem jurídica que deve orientar nossa conduta. Inevitavelmente, haverá reação, caso haja alteração da jurisprudência já firmada.

 

Moacyr Rodrigues Nogueira Moaca14@hotmail.com

Salvador

 

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O SUPREMO E A SOCIEDADE

 

Sim, o Supremo, por meio de seus ministros, deve decidir sem deixar se levar por pressões outras que não os textos da Constituição e das leis. O que traz indignação ao povo, à sociedade, entretanto, são posturas dúbias de alguns de seus componentes, aliadas a comportamentos que não parecem, à luz da sociedade, condizentes com quem se preparou para ocupar cargo de altíssima relevância para os destinos do País. O STF tem privilégios que não se coadunam com sua significância. Inútil enumerá-los. A morosidade e outras artimanhas que levam a sociedade a pensar nos ministros como coniventes com falcatruas só serão dirimidas quando este egrégio tribunal discernir sobre suas atitudes passionais, e eles se convencerem de que estão onde estão para servir ao povo brasileiro.

 

Carlos Leonel Imenes leonelzucaimenes@gmail.com

São Paulo

 

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ISOLAMENTO

 

Depois dos túneis de fuga no STF, creio que os próximos passos serão a construção de um fosso circundando o prédio à semelhança dos castelos medievais e a substituição da toga pelas armaduras de proteção. A ponte levadiça já está em fase de licitação, os detectores de metal para que cavaleiros armados não adentrem ao castelo. Os nobres ministros precisam lembrar que as armas de hoje não atiram mais flechas, e sim palavras que como àquelas, depois de disparadas, não têm volta e das quais não há como escapar.

 

Pedro Luiz Bicudo plbicudo@gmail.com

Piracicaba

 

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ÓLEO NAS PRAIAS DO BRASIL

 

Excelentes as considerações do editorial Águas turvas e do artigo Amazônia e litoral do Nordeste, hora de mudar, de João Lara Mesquita (Estadão, 23/10, A3 e A2), concordo integralmente com elas. As manchas de óleo que conseguimos divisar nas praias brasileiras são apenas uma fração do enorme problema ambiental. Certamente, deve haver instrumentos para prospectar a plataforma marítima e mapear a extensão da tragédia, mas..., sendo instrumentos científicos não reconhecidos pelos terraplanistas olavistas de plantão, não estão nem sendo utilizados. Nossa Marinha, com seus submarinos recém-inaugurados, já devia estar nessa busca por uma identificação visual que seja da extensão da mancha de óleo. Pouparia o general Hamilton Mourão de arroubos discursivos para justificar sua impotência no trato da questão. Quanto ao ministro Ricardo Salles, sua inépcia talvez supere a descomunal dimensão da catástrofe. Parece um mero assistente, com seu discurso vazio, correndo atrás de soluções paliativas e incompletas. Já é tempo de se recolher à sua real insignificância. Tchau, baby! Já vai tarde ou seguirá sendo o salva-vidas de chumbo desta administração. Salta aos olhos o esforço (ainda que descoordenado) da população em colocar as próprias mãos nuas na massa negra que invadiu a região costeira. Esta, sim, é a verdadeira heroína, não medindo esforços e arriscando sua saúde atual e futura nesta empreitada. Cadê os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e as medidas mitigadoras de riscos para essas pessoas? Certamente, a Nação deve estar comprometida com a saúde delas, talvez este desgoverno esteja nos criando mais um passivo futuro ao não coordenar essa ação. Como já observamos na China, na Espanha e no Chile, a paciência da população tem limites e a reação, quando detonada, fica muito difícil de ser controlada. Portanto, governantes de plantão, ajam com seriedade e competência ou irão penar, mais cedo ou mais tarde.

 

José Simões Neto jsmantrareg@gmail.com

São Paulo

 

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O PETRÓLEO É NOSSO

 

Quando a Amazônia começou a queimar, o presidente Bolsonaro se apresou em atribuir a culpa às ONGs ambientalistas. Essa acusação se mostrou completamente infundada e logo se comprovou que os incêndios foram provados pela turma de sempre: madeireiros, grileiros e mineradores ilegais. Quando o vazamento de óleo no Nordeste começou a aparecer nos jornais, o governo foi extremamente rápido, eficaz e eficiente em afirmar de forma categórica e irrefutável que o óleo era proveniente da inimiga comunista Venezuela. Diante do histórico do presidente Bolsonaro de fazer acusações infundadas e sem provas, sugiro que seja realizado um estudo independente para determinar a origem do óleo derramado, que tantos prejuízos está causando ao Brasil.

 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

 

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CAUSAS E EFEITOS

 

Críticas infundadas, partidas de vários segmentos da sociedade, denunciam a demora do governo federal em adotar providências visando a combater a poluição provocada pelo óleo que atingiu as praias de boa parte do litoral nordestino. Os mesmos setores, porém, parecem dedicar muito menos empenho no sentido de estimular a investigação das origens do desastre, certamente relacionadas a algum incidente de grande magnitude ocorrido fora das águas brasileiras. Que tal, então, também passar a exercer pressão sobre poderosos grupos de controle internacional, preocupados com o meio ambiente global, como a ONU e alguns dirigentes de países desenvolvidos que, por vários e suspeitos motivos, prontamente reagiram às queimadas na Amazônia, a fim de que sejam evitadas catástrofes semelhantes em outros locais? Mais importante que apontar os efeitos de uma não provada inércia do Brasil para enfrentar os efeitos é identificar os reais responsáveis pelas causas.

 

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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TEATRINHO AMBIENTALISTA

 

Quem de fato está limpando as praias num voluntariado maravilhoso de ver são “seu Jõao” e “dona Maria”, gente simples, mas de atitude, que junto com o pessoal das Forças Armadas e do Corpo de Bombeiros, sob sol forte, colocou a mão na massa. Agora, ambientalistas de boutique e de ar-condicionado, filhinhos de papai e mamãe, fazendo manifestação derramando óleo no asfalto, usando macacãozinho laranja cenicamente sujo e acorrentados a latões vazios não passam disto, mesmo: teatrinho. Ou, se preferirem, coisa de “Greenpeça”.

 

Paulo Boccato pofboccato@yahoo.com.br

São Carlos

 

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PROTESTO EM BRASÍLIA

 

Alô, Greenpeace, se não podem ajudar como disseram, também não atrapalhem tumultuando!

 

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

  

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ATIVISMO DIGITAL

 

Lamentável como as pessoas neste século andam movidas por modinhas. Quando era a Amazônia, todos mudaram sua foto de perfil nas redes sociais, fizeram posts específicos, gritando para o alto. Agora, que a ventania passou, todos seguem como se nada tivesse ocorrido, quando, na verdade, nada fizeram pelo problema. Postam, agora, mensagens relativas ao vazamento de óleo no Nordeste. Mas ninguém vai, de fato, ajudar as pessoas que bravamente estão lá colocando as mãos na massa para salvar a fauna e a flora daquela região.

 

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz

 

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INVESTIGAÇÃO

 

Sobre a matéria ‘Buracos’ de monitoramento por satélite dificultam investigação sobre óleo, publicada no Estadão em 23/10, anteriormente, pelo que se entendia razoável, jamais se cogitou a possibilidade do lançamento de grandes quantidades de petróleo cru em alto mar, como efetivamente aconteceu. O fato de não haver vigilância de satélite se deve à pouca necessidade até hoje dela. As esquerdas no País, hoje, agem como abutres, que se querem nutrir politicamente da crise, esquecendo que um sistema de vigilância como falam levaria muito tempo para ser implantado, o que não fizeram enquanto estiveram no governo. Até se entende que no Estado falido herdado por Bolsonaro não haveria justificativa para instalar um sistema como este, baseado numa hipótese de pouca probabilidade de ocorrência. A grita da oposição é hipócrita e falsa, pois ela não criou aquilo de que agora reclama faltar. Tudo, mais uma vez, corrobora a sua falta de honestidade intelectual.             

 

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

 

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EDUARDO FICA?

 

Para alívio geral da Nação, Eduardo Bolsonaro “desistiu” da candidatura à embaixada dos EUA, evitando, assim, mais uma vergonha perante o mundo caso ele fosse confirmado para o cargo. O que preocupa, agora, são suas declarações após a desistência: “Eu tenho de ter tempo livre para colocar adiante o que eu faria aqui: as pautas culturais, fazendo evento junto às bases, falando de desarmamento, esse feminismo deturpado, os direitos humanos que só protegem criminosos. É por isso que eu tenho de tentar reverter essa situação”. Ou seja, o pesadelo continua.

 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

 

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EMBAIXADA DOS EUA

 

Embaixadas são para diplomatas de carreira, não para aventureiros; lugar de deputados é na Câmara, em Brasília, não em Washington.

 

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

 

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EDUARDO BOLSONARO

 

Acabou a  festa da embaixada em Washington.

 

Moisés Goldstein mg2448@icloud.com

São Paulo

 

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A ARTE DE FRITAR

 

Dudu 0.3 sai do Gabinete da Maldade do Palácio e, em vez de ir fritar hambúrguer para Donald Trump, em Washington, vai ficar no gabinete do partido, fritando a Joice e o Delegado Waldir.

 

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

 

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CARGO VAGO

 

O cargo de embaixador do Brasil nos EUA está vago desde o começo do ano. Vê-se que a relação de nosso país com a principal potência do mundo não importa, o que importava era nomear o filho para ser embaixador. Realmente, Jair Bolsonaro nunca deveria ter saído do baixo clero...

 

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

 

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NAU SEM RUMO

 

Realmente, a meu ver, o Brasil sob o comando do ex-capitão e sua família real está se tornando uma nau sem rumo. Para bom entendedor, meia palavra basta, ou, melhor, bata no cocho que o burro entende. Trump deu o recado e indicou Argentina e Romênia para a OCDE, o “clube dos ricos”, e não o Brasil, indo consequentemente por água abaixo a indicação do filho de Bolsonaro para embaixador naquele país. A expectativa criada com o anúncio do acordo União Europeia e Mercosul, que ajudaria o desenvolvimento do Brasil, está cada vez mais distante. E, por fim, precisamos até que o sumo pontífice da Igreja Católica nos desse um puxão de orelhas no Sínodo da Amazônia. Será que só nós estamos certos e o resto do mundo, errado?

 

Arnaldo Luiz de Oliveira Filho arluolf@hotmail.com

Itapeva

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