Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2019 | 03h00

O STF E O CRIME

Antídoto mantém a doença

Às vésperas de o Supremo Tribunal Federal (STF) rever a questão da prisão após condenação em segunda instância, Dias Toffoli propõe “antídoto” para combater prescrição, conforme o Estado de ontem. Uma solução meia-boca e corporativista para manter o faturamento da banca: afinal, para manter os criminosos, principalmente os de colarinho branco, fora das grades com infindáveis recursos o preço não vai ser baixo... E a Justiça continuará sendo superada pela “legalidade” interpretada (ou reinterpretada) pelos ministros. Cabe ao Congresso aprovar as alterações, explicitando o fim da “presunção de inocência” com o julgamento colegiado de segundo grau e o início de cumprimento da pena a partir de então.

JORGE R. S. ALVES

jorgersalves@gmail.com

Jaú

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Triste, muito triste...

Agora o STF quer melar o decurso de prazo para a Corte ter tempo de julgar até a última instância. Ora, se assim for, quando for julgar, o réu estará tão velhinho que não poderá mais ser preso. E viva a impunidade!

MILTON BULACH

mbulach@gmail.com

Campinas

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Decurso de prazo

A ideia de Dias Toffoli é apenas mais uma ação “bonita” que só engana e não pune os bandidos de colarinho branco. Fui diretor administrativo de um grupo multinacional por muitos anos e era responsável pela análise dos processos judiciais. Pois quando saí do grupo, depois de 20 anos, fui surpreendido por um processo que transitou em julgado depois de 24 anos sem que a empresa jamais tivesse sido sequer intimada. Os bandidos morrerão de velhice antes de serem condenados.

ALDO BERTOLUCCI

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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Lei nova

Um dos pilares do Direito Penal é que lei nova não pode prejudicar o criminoso quando no seu tempo tiver praticado o crime. E como fica, então, a prescrição no caso dos crimes do Lula? A lei nova não o afetaria! Seus crimes vão estar prescritos. Parece que os espertos continuam enganando os trouxas.

JOSÉ RUBENS SOARES SOBRINHO

joserubens@jrmacedoadv.com.br

São Paulo

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Enganação

O ministro Dias Toffoli quer mandar um recado ao povo: vai votar pela execução da pena somente depois do trânsito em julgado da condenação, mas vai propor um projeto de lei para suspender a prescrição durante o processamento dos recursos interpostos pela defesa do réu. Quer com isso dizer que é contrário às manobras processuais que impedem a execução penal e buscam a prescrição da pena. Mas não é verdadeiro. Enquanto o julgamento pelo Supremo Tribunal se aplica a todos os casos em curso, a nova lei somente teria, se aprovada, aplicação aos processos referentes aos crimes praticados posteriormente ao início de sua vigência, em obediência ao princípio constitucional da irretroatividade da lei penal não benéfica ao réu. Ou seja, o efeito suspensivo da prescrição da pena somente poderá ser aplicado aos casos de delitos novos, os que vierem no futuro a ser cometidos, ficando de fora toda a administração petista que caiu nas malhas da Operação Lava Jato.

FRANCISCO MENIN

fjamenin@gmail.com

São Paulo

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Ministro ou simpatizante?

Dedico-me ao estudo e à prática do Direito há 50 anos. Tenho comigo gravada uma aula do ministro Dias Toffoli a respeito da prisão após condenação em segunda instância. Considero perfeita a explicação por ele dada: com o julgamento em segunda instância esgota-se a matéria de fato, que não poderá mais ser discutida pelo STF, o qual aprecia apenas eventual afronta à Constituição. Assim sendo, não cabendo mais discussão sobre os fatos, se configura o trânsito em julgado para esse fim, justificando-se, portanto, a prisão após o julgamento em segundo grau. Esclareceu, ainda, que 99,9% dos recursos interpostos nessa área não são acolhidos por não se vislumbrarem ilegalidades. Isso posto, resta saber agora se S. Exa. votará como ministro do STF ou como simpatizante do Lula. A opção é dele.

ALVARO A. FONSECA DE ARRUDA

alvaro.arruda@uol.com.br

São Paulo


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Sob pressão

O Supremo, de “cabelos em pé”, sentiu a pressão das pessoas de bem, contrárias à liberdade dos corruptos presos. Além das ideias mirabolantes, o presidente da Corte, Dias Toffoli, pede auxílio até ao Congresso Nacional para sair da enrascada em que seus pares se meteram. Ora, se houver algum iluminado, que peça vista do processo – para estudá-lo melhor – sobre a inconstitucionalidade da prisão após segunda instância, deixando o tempo escoar, como fazem com os processos comuns, mas não dos figurões e amigos que querem soltar... Fica a dica.

JÚLIO ROBERTO AYRES BRISOLA

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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A Constituição dita cidadã

Nossa atual Constituição foi elaborada no calor da emoção, logo após a saída de regime restritivo. Sob inspiração da aguerrida e oportunista esquerda – que logo depois veio a ocupar o poder da República –, cumulou os cidadãos de todas as garantias individuais cabíveis e incabíveis, em detrimento do conjunto social, o que resultou nesse avantajado calhamaço detalhista atual, que já sofreu numerosas emendas para se tornar exequível. Nesse afã, entre outras barbaridades terminou por criar as figuras do juiz confiável e do inconfiável. A primeira categoria é preenchida pelos doutos do STF, nomeados por políticos e sem comprovação de alto saber jurídico nem de moral ilibada, conforme determina a lei. Os da segunda classe, composta pelos demais magistrados, conquanto avaliados em concurso público, são considerados de competência duvidosa e, portanto, inconfiáveis. Tanto isso é verdade que a execução de uma sentença proferida por instâncias inferiores só pode ser cumprida após a chancela dos infalíveis da Suprema Corte, escolhidos por políticos poderosos para lhes servir em eterna gratidão. Tal aberração desatinada (talvez caso único no mundo) provocou impunidade generalizada e criminalidade desenfreada, infernizando as pessoas de bem, desprotegendo a sociedade e transformando o País num dos mais inseguros do mundo, se não for o primeiro em insegurança. E o ineficiente, indolente e pernicioso Congresso nada faz para corrigir tamanha iniquidade; ao contrário, dá prioridade ao corporativismo conivente, defende a continuidade da leniência das leis penais e acrescenta mais restrições ao Judiciário para proteger seus membros quando apanhados em crimes.

WALTER BARRETO DE ALENCAR

walteralencar30@gmail.com

Salvador

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“Como S. Exa. o ministro Dias Toffoli gostaria de ser lembrado pela História?”

MARCELO GOMES JORGE FERES / RIO DE JANEIRO, SOBRE O VOTO RELATIVO À PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

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“Em vez de pedir que o Congresso vote o projeto de lei que resolve a prisão em segunda instância, Toffoli quer rodear e mudar regra de prescrição!”

JESUS ANTONIO RIBEIRO / SÃO BERNARDO DO CAMPO, IDEM

jesus-ribeiro2005@ig.com.br

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“No lugar da gambiarra, que tal deixar como está?”

MOISES GOLDSTEIN / SÃO PAULO, IDEM

mg2448@icloud.com

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NEM AS HIENAS


O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, tem toda razão ao se indignar contra o vídeo postado pelo presidente Jair Bolsonaro equiparando o STF a uma “hiena” que acossa o “leão” Bolsonaro. Não é o primeiro nem provavelmente será o último “atrevimento presidencial” grosseiro e sem limites. Sem querer comparar, mas já comparando, a Suprema Corte está prestes a decretar o fim da prisão após condenação em segunda instância, o que levará à soltura de milhares de presos, entre eles corruptos, estupradores, pedófilos e traficantes. Se isso realmente ocorrer, não somente não haverá motivo para regozijo – salvo, é claro, para os condenados e seus apoiadores –, como levará à queda vertiginosa da credibilidade do STF, provocando indignação de ordem moral sem precedentes na sociedade. A brincadeira do presidente Bolsonaro foi, sem dúvida, de mau gosto, mas foi uma brincadeira. Já a eventual decisão do STF será séria e verdadeira, trará consequências funestas ao País e nem as hienas conseguirão rir disso.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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O LEÃO E AS HIENAS


Um leão encurralado por um bando de hienas prestes a atacar foi o polêmico vídeo postado na segunda-feira nas redes sociais do presidente Bolsonaro, supostamente uma ação de seu filho Carlos, vulgo “zero dois”, vereador (PSC-RJ). Como se viu, a mania de perseguição de bruxas e fantasmas À toda volta segue dando o norte no comportamento paranoico do clã Bolsonaro. Freud explica... Mas, no feroz embate entre o leão e as hienas, às vezes são elas que riem por último...


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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COLO DE PAI


Bolsonaro pede desculpas ao STF e diz que vídeo com leão e hienas foi “erro”. O pai continua pondo o filhinho no colo.


Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo


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NÃO SOBRA NINGUÉM


Pelo vídeo de leão e hienas de Jair Bolsonaro, só sobraram os filhos?


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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PARANOIA


A postagem do vídeo tosco mostrando Bolsonaro “rei da selva” sendo atacado pelas hienas da mídia, da OAB, de partidos políticos e do Judiciário foi um erro grosseiro, ainda mais porque prejudicou a imagem do Brasil, enquanto o presidente estava (supostamente) querendo melhorá-la. O conceito de tal “conservador patriota” é preocupante, porque mostra uma paranoia mental da turma que acha possuir a verdade absoluta, não cabendo qualquer crítica ou divergência.


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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IRRECUPERÁVEL


O clã Bolsonaro é irrecuperável. Deixem as hienas e leões em paz. O vídeo mais significativo, irretocável e atual seria Bolsonaro acariciando os três filhos, Eduardo, Flávio e Carlos, sob as vistas emocionadas de quatro jumentos.


Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília


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LEÃO, HIENAS E REPÓRTERES


Jair Bolsonaro, sempre agressivo, já está passando dos limites. Comparou-se a um leão acossado por hienas – e olhem que no vídeo postado o leão estava acovardado. Depois, interrompeu sua entrevista diária quando foi perguntado sobre as críticas do ministro do STF Celso de Mello. Ora, presidente, quem quer ser entrevistado diariamente é o senhor; se não gostou das perguntas, abandone essa mania e se abstenha de ofender entrevistadores e “desafetos”. Aliás, é uma questão de livre arbítrio. O “leão” poderia dormir sem essa.


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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DESPREPARADOS


O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, manda derrubar as cabines de cobrança de pedágio de uma concessionária como se fossem barricadas do crime; já o governador Wilson Witzel pousa de helicóptero na Ponte Rio-Niterói comemorando a morte de um sequestrador pela polícia, como se tivesse marcado um gol; por sua vez, o presidente Jair Bolsonaro publica um vídeo em que, representado por um leão, é atacado por outros animais predadores identificados como se fossem seus inimigos. No Rio de Janeiro, vivemos momentos de perplexidade nos Três Poderes que, totalmente despreparados, nos governam.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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EXAGERO


Crivella exagerou, e muito, em sua atitude de destruir o pedágio daquela maneira, com violência desproporcional e desnecessária. Será que ele se esqueceu de que é prefeito da cidade, a autoridade máxima do município? Será que ele se esqueceu de que o seu poder pode ser exercido somente com o uso de sua caneta?


Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo


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BLACK BLOC


Crivella se inspirou nos black blocs para destruir o pedágio da Linha Amarela. Tem razão o prefeito. É uma imoralidade tal cobrança, mas, na realidade, o pano de fundo é a propina que deveria ser paga ao dono do poder, mas é paga aos criadores da linha. Quando se acertarem, tudo voltará ao “normal”. Tem muita gente mamando. Basta acompanhar a CPI da Lamsa. Como diria Boris, “isso é uma vergonha”.


Paulo H. Coimbra de Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro


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INSPIRAÇÃO


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, marcou para o dia 7/11 o prosseguimento do julgamento sobre a constitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância. Segundo ele, na semana de 28/10 a 1/11 o STF sediará um seminário das Altas Cortes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), razão pela qual o julgamento foi agendado para a semana seguinte. Eis uma oportunidade ímpar para que Toffoli e outros ministros se espelhem nos demais países do grupo que não proíbem a prisão em segunda instância.


Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro


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SALVO-CONDUTO


Estamos assistindo, sobressaltados, ao contorcionismo injustificável do STF para suspender a prisão em segunda instância, o que significa um salvo-conduto a potenciais criminosos que atentaram contra a ordem jurídica e contra a nação brasileira. O STF deseja condenar uma nação inteira para salvar um ladrão?


Moacyr Rodrigues Nogueira Moaca14@hotmail.com

Salvador


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PARA SEMPRE


Prezados e queridos amigos leitores, onde se lê “trânsito em julgado”, no Brasil, leia-se “livre para sempre”. Ou será que não?


Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo


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PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA


A 13.ª Vara Federal de Curitiba recebeu denúncia da força-tarefa da Operação Lava Jato contra 11 executivos das empreiteiras OAS, Mendes Júnior, Engevix, Alusa e Galvão Engenharia, pelo crime de formação de cartel no âmbito da Petrobrás. Pergunto: com um poder criminoso e cartelizado de tal envergadura política e econômica, como ainda vêm falar do mito da presunção de inocência, como se fosse uma salvaguarda que protegesse pessoas de razoável decência e compostura que são, fortuitamente, acusadas da prática de crimes? E como, então, querer ainda que a letra da Constituição seja literal e fundamentalista apenas para a presunção de inocência daqueles que, segundo dizem, não usaram de violência, mas apenas de suas canetas, conchavos e covardias? Pois, se for para libertar criminosos pela letra da lei, que não se distinga fora das letras da Constituição – liberdade para todos! Traficantes, sequestradores, homicidas, pedófilos, para todos que não foram ainda condenados pelas terceira e quarta instâncias. Caso contrário, não usem de tantos subterfúgios linguísticos para disfarçar o óbvio – este não é um país sério, não o bastante para respeitar a si mesmo.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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RETROCESSO


Dos países membros da ONU, 193 dos 194 têm prisão em primeira e segunda instâncias. Tratados internacionais asseguram que dois níveis da Justiça garantem o direito de defesa dos réus. No Brasil, porém, alguns ministros do STF, seja por posição política, seja pelo completo afastamento da realidade social, pretendem sedimentar o nosso país como paraíso da impunidade, fazendo com que a população honesta fique aprisionada dos criminosos e corruptos.


José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo


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CETICISMO


Primeiro, duas considerações: 1) se estão lembrados, naquele episódio do “telefonema gravado”, o senhor Lula da Silva mandava dona Dilma Rousseff falar com Rosa Weber, ministra do STF. O senhor Lula devia saber o que estava falando. A “burrice”, ao que me consta, não é apontada entre seus defeitos. 2) Ao proferir o seu voto no julgamento sobre a prisão após a segunda instância, o ministro Lewandowski citou a Constituição e até a ONU para votar contra. Acho estranho que, até agora, nem o ministro nem o STF tenham sido “provocados” sobre o fatiamento de um artigo da Constituição para manter os direitos políticos de dona Dilma no julgamento do Senado sob a presidência do então ministro do STF. Latinório e citações eruditas à parte, se o “transitado em julgado” prevalecer, as futuras gerações, daqui a dezenas de anos, poderão assistir ao julgamento de algum acusado de corrupção... defunto. A decisão da “Justiça” sobre o senhor Paulo Maluf levou 30 anos. Devido à sua idade avançada e seu estado de saúde precário, o referido senhor “dorme em casa”. Sou cético com relação ao futuro político deste país, considerando a capacidade do nosso povo de escolher ótimos representantes para dirigi-los e as nossas leis magnânimas.


Roberto de Almeida robmeida22@gmail.com

São Paulo


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COMBATE À CORRUPÇÃO


De todos os poderes da República, onde há quem trabalhe no sentido de destruir os resultados da Operação Lava Jato e barrar a condenação de corruptos, sem dúvida o mais poderoso e perigoso é o Supremo. Minha sugestão é que os senadores, deputados e políticos que defendem princípios éticos e conduta ilibada iniciem, em conjunto com entidades, a mobilização da sociedade, principalmente os jovens, numa campanha nacional em defesa daqueles que combatem e combateram a corrupção, que se tornou uma praga endêmica e está corroendo a nossa nação. Completei 84 anos e me disponho a colaborar e ir às ruas em defesa de um futuro melhor para todos os brasileiros, principalmente os jovens.


José Paulo Cipullo j.cipullo@terra.com.br

São José do Rio Preto


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SAMARCO VOLTARÁ A OPERAR


Finalmente uma boa notícia: a mineradora Samarco levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Atendidas todas as exigências ambientais e após efetuar várias correções, a Samarco, depois de cinco anos do acidente em Mariana (MG), voltará a funcionar no último trimestre de 2020. Os ajustes são em segurança, inovações antipoluição e produtividade. Um ano passa rápido. É só piscar o olho e a Samarco estará em plena atividade. 


Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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PARA NÃO ESQUECER


É com muito pesar que estamos nos lembrando do rompimento da barragem da Samarco no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. O Rio Doce foi coberto por uma lama de rejeitos que poluiu rios, destruiu a vegetação nativa, arrasou comunidades e matou 19 pessoas. No Brasil da impunidade, uma minoria destas pessoas teve seus danos reparados. Precisamos defender os direitos daqueles que perderam familiares, casa, carro, trabalho, lavouras, entre outras coisas. Onde está a nossa Justiça? Assuntos referentes aos presidiários da Operação Lava Jato parece que têm sempre prioridade nos tribunais. Juízes, desembargadores, corregedores e ministros precisam frequentemente ser lembrados deste tipo de tragédia.


José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte


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DE OLHO NO ÓLEO


Não foi necessário convocar o detetive inglês Sherlock Holmes. Segundo informação do O Estado de S. Paulo de 26/10, a Petrobrás concluiu, depois de exaustivos estudos e exames do elemento porcalhão das praias nordestinas, que o óleo é originário de três poços de petróleo pertencentes à Venezuela. O tempo que a Petrobrás gastou para informar essa “importante” descoberta serve para aplacar a enxurrada de críticas ao governo por até então não ter uma definição positiva sobre a origem desta tragédia que pode ser chamada de “Óleo Marielle” ­– ou seja, não há interesse em desentocar o responsável pelo crime de homicídio e o de poluição ambiental. Quanto ao derramamento de óleo nas praias, o que se sabe de positivo, até agora, é que os voluntários que auxiliam na remoção do “lixo” estão propensos por contágio a dermatites nocivas à saúde. No Brasil, tragédias como Mariana e Brumadinho e, agora, as queimadas na Floresta Amazônica e o óleo que empesteia as praias nordestinas são objeto de reportagens e entrevistas porque os morubixabas do governo estão voltados para a reforma previdenciária, aquela que em dez anos vai produzir uma economia de centenas de bilhões de reais. Nepotismo, troca de sigla partidária, “tour” pela Ásia, enquanto acusações infundadas são colocadas na mídia como um linimento suavizador da verdadeira tragédia que não pode ser colocada debaixo do tapete.


Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)


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VIROU ÓPERA BUFA


Somente um grande desprezo pelas questões do meio ambiente justifica a escolha do atual ministro do Meio Ambiente – aliás, já condenado em primeira instância por falsificar documento do governo de São Paulo em assunto de conservação do meio ambiente. O petróleo começou a aparecer nas praias do Nordeste no dia 2 de setembro, e somente no último fim de semana os ministros do Meio Ambiente e do Turismo se dignaram a andar pelas praias do Nordeste, não apenas sobrevoando-as. E o fizeram sob as ordens do vice-presidente em exercício, que assumiu a Presidência da República graças à viagem do titular ao Oriente. Sim, pois o presidente Bolsonaro limitou-se a fazer acusações veladas a terceiros, deixando os nossos irmãos do Nordeste abandonados à própria sorte. Péssimo administrador, encarou o grave problema do derrame de petróleo como assunto do meio ambiente, com o qual não tem a mínima preocupação, esquecendo-se totalmente dos prejuízos incalculáveis que sofrerão as atividades do turismo e da pesca, que são importantíssimas para aquela região. Mesmo na semana passada, segundo o Estadão, o incompetente ministro do Meio Ambiente, em sua conta no Twitter, postou a seguinte mentira: “Tem umas coincidências na vida né... Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano...”. E o presidente Bolsonaro, ainda em viagem, declarou que “o derrame de petróleo nas praias do Nordeste foi um ato terrorista talvez praticado pelo Greenpeace”. Ora, tanto o presidente quanto o seu ministro, além da incompetência administrativa, não mostraram o mínimo respeito pelos cargos que ocupam e a nós, brasileiros, ao pronunciarem tão vexaminosas mentiras. Não existe a mínima possibilidade de um navio do Greenpeace transportar tanto petróleo como o encontrado nas praias nordestinas. A atuação do governo Bolsonaro na área do Meio Ambiente já virou ópera bufa.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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FORÇAS ARMADAS


A demora da entrada das Forças Armadas na ajuda ao combate à calamitosa poluição de nossas praias e mangues do Nordeste deve ser creditada ao governo federal e, muito em particular, ao próprio Bolsonaro, seu supremo comandante. A Marinha já havia sido colocada em situação imprópria no meio das confusões do próprio governo federal e, agora, veem-se imagens pela TV dos soldados do Exército trabalhando isolados e sem a mesma vontade colaborativa que se vê na mistura de população, funcionários públicos estaduais e municipais e pessoas de organizações não governamentais, desesperados para limpar tudo e voltar à vida normal, o que infelizmente não acontecerá tão cedo, sendo o petróleo venezuelano ou não. Desde as primeiras falas e ações de seu governo, Bolsonaro tem criado, inclusive por intermédio de seus vários ministros e assessores de formação militar, imagens perigosas sobre nossas Forças Armadas que nem sequer o PT foi capaz ou teve interesse. Faz mais de 30 anos que as Forças Armadas entregaram o poder aos civis e a partir daí mantiveram o lugar que lhes cabe pela Constituição, o que lhes deu uma imagem positiva perante a população, e assim deve se manter. Se as esquerdas deste país querem ver Bolsonaro fora do poder o mais rápido possível, é muito provável que as Forças Armadas em profundo silêncio o queiram mais ainda.


Arturo Alcorta arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo


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BRONZE E BRISA


Os deputados e senadores nordestinos, na sua larga maioria de esquerda, querem taxar a geração de energia solar e a eólica. Acho a cobrança perfeitamente razoável se, e somente se, for desenvolvida aquela tecnologia de estoque de vento aludida pela ícone petista, Dilma Rousseff. Caso contrário, o sol e o vento do Nordeste brasileiro só terão serventia para serem aproveitados como fonte de bronzeado e brisa.


Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba


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ISOLAMENTO ELÉTRICO


No Brasil, infelizmente, existem 235 localidades, na sua grande maioria no Norte/Nordeste, que ainda não são servidas pela malha do sistema de interligação nacional de energia (SIN), como divulgou o Estadão. Ou seja, são milhares de brasileiros na escuridão, sem capacidade de estocar alimentos, ter o direito de assistir à sua TV, etc., e que, quando servidos por energia, diga-se, sem regularidade, ela é muito cara. O seu custo é da exorbitância de R$ 6,3 bilhões por ano – lógico, nas costas dos contribuintes. Isso porque se paga por megawatt R$ 1.287, enquanto para a energia convencional, que atende a quase totalidade do País, esse custo por MWh é de apenas R$ 176. Portanto, o programa Luz para Todos, lançado em 2003 por Lula, não passou, mesmo, de uma farsa.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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UM RÉQUIEM PARA OS ‘HERMANOS’


Um dos primeiros gestos do presidente eleito no domingo da Argentina foi saudar o presidiário Lula, num ato de ignorância ou até mesmo de provocação. Alguns ícones do PT estão em Buenos Aires para saudar o peronista Alberto Fernández e, talvez, arrebanhar forças para, quem sabe, lutar pela derrubada do presidente eleito Jair Bolsonaro. São inocentes úteis e inúteis comemorando a vitória do populismo criminoso na Argentina, que falsificou e arruinou as contas públicas daquele país e inspirou as fraudes contábeis de Dilma Rousseff, além de encomendar o assassinato de um procurador federal, Alberto Nisman, morto por denunciar Cristina Kirchner. Ao invés de tango, ofereço um réquiem aos Hermanos, cuja vocação parecem ser a tragédia e o sofrimento.


Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo


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PERONISTAS NO PODER


A catástrofe ocorrida no domingo na Argentina, com a volta do peronismo ao poder, poderia ter ocorrido no Brasil, se o petismo houvesse assumido o poder na última eleição. Bem feito para os argentinos. Cada povo tem o governo que merece.


Maria E. Amaral marilisa.amaral2020@bol.com.br

São Paulo


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SÍNDROME DE VERSALHES


A crise política no Chile comprova a existência da Síndrome de Versalhes, que se manifestou pela primeira vez com Luís 16 e Maria Antonieta, durante a Revolução Francesa, em 1789. A partir de um isolamento político, econômico e social, a elite controla uma monarquia absolutista. Existe uma completa alienação sobre a realidade. Manter privilégios, não querer pagar impostos e tampouco se importar com os poucos centavos do aumento do pão. Uma nevasca tinha arrasado as plantações da França em 13 de julho de 1788. Um ano depois, quando ocorre esta alta de preço, nada havia mudado e ainda queriam aumentar os impostos dos mais pobres. No dia seguinte, a paciência do povo acabou com a Tomada da Bastilha.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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BRUNO COVAS


Covas tem câncer no estômago com metástase no fígado e terá que fazer quimioterapia (Estadão, 29/10). Sempre é triste quando uma pessoa ainda no seu vigor da idade é vítima de um mal insidioso como o câncer. Desejo que o prefeito de São Paulo se restabeleça logo, curando-se depois do duro tratamento a que vai se submeter. Sucesso.                     


Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)


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SOLIDARIEDADE


Não há nada mais salutar e humano que colocar as ideologias de lado e as cores partidárias em prol do restabelecimento da saúde do nosso prefeito, nosso líder. Não há exemplo melhor para o nosso povo, tão dividido. Que o prefeito Bruno Covas se recupere o quanto antes. E que os votos dos concorrentes partidários sejam o sinal de que somos muito mais do que esta polarização atual. Que Deus abençoe o prefeito Bruno Covas.


Leandro Ferreira silvaaleandro619@gmail.com

Guarulhos


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DIAGNÓSTICO


Lamentavelmente, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, foi diagnosticado com um tumor maligno no trato digestivo. Ele foi ao Hospital Sírio-Libanês porque, em princípio, suspeitava-se de estar acometido de uma infecção denominada erisipela, que evoluiu para uma embolia, cuja indicação médica é o tratamento com antibióticos. Mas, por ele estar sendo atendido numa instituição hospitalar de Primeiro Mundo, assistida por um corpo clínico altamente capacitado, e por esta enfermidade poder causar consequências muito mais graves, pelo bom senso e por serem médicos altamente responsáveis, resolveram ir mais a fundo, solicitando uma bateria de exames laboratoriais em busca dos motivos que causaram tal mal estar na saúde do prefeito. E chegaram ao triste diagnóstico do câncer. Embora terrível e preocupante, felizmente a doença está em fase inicial e não será necessária intervenção cirúrgica. A recomendação do corpo médico foi iniciar um tratamento de quimioterapia, que começou ontem mesmo. Espero, sinceramente, seu pronto restabelecimento e que retorne às suas atividades em plena saúde. Ainda assim, não posso deixar de mencionar algo de suma importância: o prefeito teve o privilégio de ser atendido num hospital de alta qualidade e do porte do Sírio-Libanês, enquanto qualquer um de nós que viesse a depender do SUS, após cinco ou seis horas na fila de espera para atendimento, caso fosse atendido, sairia diagnosticado como portador de uma simples “virose”, como a maioria dos diagnósticos.


Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

 

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