Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2019 | 03h00

DESIGUALDADE SOCIAL

‘Contraste chocante’

De acordo com o editorial Contraste chocante (19/11, A3), dados da Síntese de Indicadores Sociais, do IBGE, nos dão conta de que quase 75 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a saneamento básico, e não apenas na zona rural. Esse enorme contingente de seres humanos vive em sua maior parte no Norte e no Nordeste. Isso em pleno 2019, o que é muito preocupante. Mas nada que a vontade política de governantes não possa resolver. Se não resolvem é porque não querem, o que demonstra não se darem conta de que mantêm em risco a saúde desses milhões de brasileiros, em especial crianças, as mais afetadas. Segundo o mesmo relatório, ainda mais tristes são o fato de não se conseguir manter na escola 1,2 milhão de jovens entre 15 e 19 anos e a confirmação de que a repetência é uma das principais causas da evasão escolar. Lamentável! Há quem defenda a reprovação sumária dos alunos que não conseguem acompanhar o currículo, não levando em conta que a baixa autoestima os faz desistir dos estudos por se sentirem incapazes. E dessa forma se mantêm na pobreza, sem conseguir romper o perverso círculo vicioso: menos estudo, mais pobreza. Sim, no passado esses problemas não se verificavam nas escolas públicas pelo simples fato de que os mais pobres não iam à escola, só os das classes mais abastadas. Diferentemente da falta de saneamento, que já é por si um problema gravíssimo, a falta de acesso aos estudos de adolescentes e adultos é ainda mais dramática por condenar milhões à falta de oportunidade de se integrarem ao processo de desenvolvimento social, pessoal e humano. Se esse atraso não for resgatado com presteza, não nos poderemos considerar dignos de ser chamados de nação orgulhosa de si mesma. Se a desigualdade social se mantiver como chaga intransponível, não haverá esperanças de um Brasil melhor.

ELIANA FRANÇA LEME

efleme@gmail.com

Campinas

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Saneamento

Impossível um país propiciar à sua população uma qualidade de vida digna, compatível com o alardeado em termos de crescimento social, quando, para empregar metáfora apropriada, existe uma pedra no sapato, até agora de difícil remoção, especialmente impeditiva de atingir tal objetivo. Trata-se da lastimável situação do saneamento básico, configurada pelos 35 milhões de brasileiros sem acesso à água tratada, pelos 100 milhões que não dispõem de coleta de esgoto e pelos apenas 12% servidos por sistemas adequados, formando um cenário que nos leva a ocupar a 102.ª posição no ranking de saneamento da Organização Mundial da Saúde. Como se trata de item de pouca visibilidade eleitoral, e considerando o baixo padrão dos políticos que circulam por nossos palácios e Legislativos, a maioria desprovida de real espírito público, há pouca esperança de uma transformação sincronizada com as urgentes necessidades.

PAULO ROBERTO GOTAÇ

pgotac@gmail.com.

Rio de Janeiro

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REFORMAS

Em busca do tempo perdido

A reforma da Previdência já passou. Agora o governo prepara a reforma tributária, com criação de um imposto sobre o consumo no lugar de PIS/Cofins, revisão no IPI, eliminação da Cide, reformulação das tabelas do Imposto de Renda e desoneração das folhas de pagamento. São medidas que, entre outros aspectos, deverão possibilitar a execução das mudanças inseridas na Previdência. Já que o trabalhador permanecerá mais tempo ativo, é preciso garantir-lhe mercado, o que não tem ocorrido nos últimos anos. Se encontrar vagas, o idoso e o jovem, hoje alijados, vão trabalhar satisfeitos e poderão viver melhor. Cabe ao Congresso a discussão e votação das medidas, mas a sociedade também deve opinar e oferecer sugestões, em vez de apenas criticar. O Brasil, uma das maiores economias do mundo, de futuro promissor, precisa se organizar. Tem de corrigir as impropriedades, o que sucessivos governos não tiveram coragem de fazer, temendo a impopularidade. Chegamos a um ponto em que, como está, não podemos continuar, sob pena de se impor muito sofrimento ao povo. Há que rejeitar a demagogia, os interesses subalternos e correr rumo à sustentabilidade.

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES

aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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CORRUPÇÃO

Justiça tardia é injustiça

Lula da Silva foi solto graças a votação no Supremo Tribunal Federal, cujos ministros têm opiniões divergentes sobre prisão em segunda instância. Como esperado, saiu desafiando a Justiça. Se está blefando, todos os seus processos (triplex no Guarujá, sítio em Atibaia e terreno para o Instituto Lula, entre outros) e recursos judiciais devem ser julgados rapidamente. Se seu julgamento foi, como ele mantém, infundado e político, a Justiça deve inocentá-lo e pedir desculpas ao povo brasileiro, que acreditou na seriedade do combate à corrupção. O que não é sustentável é a Justiça ficar fazendo cara de paisagem, seguindo seu curso a passo de tartaruga, diante dos efeitos desastrosos das declarações de Lula.

OMAR EL SEOUD

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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Antinomia

Lula da Silva é a antítese do Estado de Direito. Enquanto presidiário, foi uma afronta ao sistema penitenciário brasileiro, solto é o contraponto da verdade dos fatos. Agora, no Recife, depois de tomar umas ovadas, dizendo que ia chamar a polícia, foi de rolar de rir... A que ponto chegam determinadas pessoas!

FRANCISCO JOSÉ SIDOTI

fransidoti@gmail.com

São Paulo

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Dubiedade

“O PT não nasceu para ser partido de apoio”, declarou Lula da Silva. Suas declarações sempre dão margem a dupla interpretação. Sem dúvida, o PT nunca apoiou ninguém. Muito menos o Brasil. Ou alguém se lembra de alguma vez que esse partido tenha apoiado alguma medida realmente importante para o desenvolvimento do País, desde os tempos do Plano Real?

VITO LABATE NETO

vitolabate@terra.com.br

Mairiporã

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COMBATE AO CRIME

Eis o homem

A precisão, a objetividade e serenidade que emanam do artigo A segunda instância e a presunção de inocência (18/11, A3), assinado pelo ministro Sergio Moro, dizem muito de sua grande popularidade, como também explicam o temor que inspira em malfeitores e demagogos. Por suas muitas qualidades, visíveis nas medidas que toma e nas que propõe, sem sucesso, no Legislativo, em Brasília, eis o homem. Que Deus o preserve, a fim de que um dia ele possa resgatar esta Nação, à qual alguém que a amava deu o nome de “país do futuro”.

LUIZ CARLOS LISBOA, jornalista

llisboa@aol.com

São Paulo

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“Parece-me que o ministro Dias Toffoli ainda não se deu conta de que ser juiz do Supremo é bem diferente de ser causídico. Sua posição perante os preocupantes fatos atuais nos decepciona”

MARCOS CATAP / SÃO PAULO, SOBRE AS RECENTES DECISÕES DO PRESIDENTE DO STF QUANTO AO COAF E À SEGUNDA INSTÂNCIA

marcoscatap@uol.com.br

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“Alguém precisa explicar ao STF a diferença entre ‘modular’ e ‘modo lar’. Talvez assim os ministros parem de mandar criminosos para casa”

LAZAR KRYM / SÃO PAULO, SOBRE A LIBERALIDADE PARA COM CONDENADOS DE COLARINHO BRANCO

lkrym@terra.com.br

O RECUO DE DIAS TOFFOLI


A notícia explosiva da semana passada foi o Brasil tomar conhecimento de que o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), intimara o Banco Central a dar-lhe acesso a dados financeiros sigilosos mantidos na Unidade de Inteligência Financeira UIF (ex-Conselho de Controle de Atividades Financeiras) nos três últimos anos, que abrangem cerca de 600 mil contas bancárias. A intimação foi considerada um abuso de autoridade e a condenação pública foi geral, inclusive a Procuradoria-Geral da República (PGR) questionou formalmente tal procedimento. A resposta do ministro, ao que parece, foi dobrar a aposta na sua intimação. Começa a semana e, agora, a notícia é de que Toffoli desistiu da intimação referida. A pergunta inevitável é: se é verdade, desistiu por quê? Sentiu que ultrapassou os limites do seu cargo? Ótimo se fosse isso, um pouco de humildade não mata e até engrandece. Mas permanece a curiosidade em saber se o Banco Central resistiu ou chegou a enviar os relatórios ou as senhas de acesso aos dados ao ministro. Qualquer iniciante em informática sabe que rapidamente um computador de porte (creio que o STF o tenha) pode copiar arquivos imensos, e guarda-los para usar quando preciso. É preciso ficar muito claro o que de fato aconteceu, porque, se o Banco Central forneceu os dados, mesmo que mude a senha, o mal já está feito. E o recuo foi simplesmente uma forma de tentar fazer o assunto morrer.


Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça


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COM RESERVAS


O recuo do ministro Dias Toffoli revogando a determinação ao Banco Central para encaminhar ao STF cópias de todos os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) produzidos nos últimos três anos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), rebatizado como UIF, deve ser recebido com reservas. Toffoli, na sexta-feira (15/11), recusara pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, nesse sentido e determinara ao procurador que também informasse os nomes dos procuradores que têm acesso a essas informações sigilosas. A mudança de norte de Toffoli foi explicada por ele por meio de nota: “Diante das informações satisfatoriamente prestadas pela UIF, em atendimento ao pedido dessa Corte, em 15/11/2019, torno sem efeito a decisão na parte em que foram solicitadas, em 25/10/2019 cópia dos RIFs, expedidos nos últimos 3 (três) anos. Ressalto que esta Corte não realizou o cadastro necessário e jamais acessou os relatórios de inteligência”. A explicação do ministro deixa a desejar, porque Augusto Aras declarou que não informou o nome de nenhum procurador do Ministério Público Federal com acesso a esses dados. A nota também é omissa sobre os motivos de, uma vez franqueado o acesso pelo Banco Central, não haver sido realizado o cadastro e acessado qualquer relatório de inteligência. É de ressaltar, ainda, o silêncio sobre as Representações Fiscais para Fins Penais (RFFP) relativas ao mesmo período dos três últimos anos, que já foram entregues pela Receita Federal ao STF. Curiosamente, as informações da Receita não deixam rastros de quem as viu nem de quem foi investigado, ao contrário do que acontece no acesso às informações do Banco Central. O fato é que, enquanto faltar clareza aos atos do presidente do STF, paira a ameaça de exposição de dados sigilosos de milhares de cidadãos, sem o suporte de decisão judicial competente para tal.


Sergio Ridel  sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo


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ESTÁ CONSUMADO


O ministro aparelhado Dias Toffoli viu que foi longe demais em suas exorbitâncias legais, tentando agora reverter o que ordenou em sua criminosa intenção. Mas o crime já foi totalmente consumado com a exigência. Seu arrependimento posterior não o livra da culpabilidade do dolo, no máximo traz algumas poucas atenuantes. Como se diria em latim sobre o ato perfeitamente perpetrado, consumatus est!

                          

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)


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SUPREMO HACKER


Após enlouquecer a UIF, ex-Coaf, a Receita Federal e o Banco Central, ao solicitar informações sigilosas de 600 mil pessoas físicas e jurídicas, Dias Toffoli desiste de sua breve e tumultuada carreira de hacker oficial e protetor da reputação de corruptos da casta política e empresarial da Nação.


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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FALTOU CORAGEM


Dias Toffoli, que de ingênuo não tem nada, após vazamento de seu pedido sobre dados sigilosos sobre 600 mil pessoas, voltou atrás com receio dos desdobramentos de sua atitude. Mostrou como não é confiável!


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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SE FOI PRA DESFAZER...


Com a República abalada por sua indecente canetada, houve por bem o déspota ministro Dias Toffoli revogar a decisão em que pedia à Unidade de Inteligência Financeira (UIF), o antigo Coaf, a apresentação dos relatórios de inteligência financeira dos últimos três anos referentes a 600 mil pessoas físicas e jurídicas. Sua excelência foi bonzinho (?) ao ressaltar que não fez cadastro no sistema e, portanto, não acessou os dados sigilosos. Pelo conjunto de sua militância partidária, pelos entendimentos contraditórios a respeito da prisão em segunda instância, pela palestra a calouros da USP em 2014, em que teceu loas a um colega de sua turba que “roubou” um turbulento processo do Tribunal Regional Federal, remeti-me aos versos de Vinicius e Toquinho: “Às vezes quero crer, mas não consigo, é tudo uma total insensatez. Aí pergunto a Deus: Escute, amigo, se foi pra desfazer, por que é que fez?”. Aí tem!, diria o porteiro da Suprema Casa de Saliências, no submundo da Praça dos Três Poderes.


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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COMBINAÇÃO?


O que será que o sr. Toffoli tentou “combinar” com Augusto Aras (PGR), Campos Neto (BC), seu amigo André Mendonça (Advocacia-Geral da União), enquanto Gilmar Mendes conversava com o secretário e o procurador da Receita Federal? Como ferrar a Lava Jato e sair bem na fita?


Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo


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TOGA VIOLENTA


Eis caso concreto e intolerável de abuso de autoridade: a ditatorial, brutal, prepotente, ilegal, violenta invasão dos dados fiscais de 600 mil brasileiros pelo presidente do Supremo Tribunal Federal. Quis, queria, quer saber e/ou identificar quem? Para quê? Que mais o despreparado sr. Dias Toffoli fará para exceder na reação em cadeia de arbitrariedades e desvarios jurídicos? Será este o Estado Democrático de Direito que Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello reclamam com pitadas de cinismo e carradas de verborragia? A quem devemos recorrer? À ira de Rui Barbosa (“a pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer”)?


José Maria Leal Paes myguep23@gmail.com

Belém


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OSSO


Toffoli anula decisão que dava acesso a dados de 600 mil pessoas. Quanto tempo falta para Sua Excelência largar o osso?


Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo


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INDIGNO


O presidente do STF só tem indignado a Nação. Sua última aberração, decisão autoritária própria de regime de exceção, foi ter exigido do Banco Central o envio de informações financeiras de 600 mil pessoas físicas e jurídicas produzidos nos últimos três anos pelo Coaf. Foi por isso duramente contestado pelo procurador-geral da República, por especialistas, por correntistas preocupados com a possível quebra do sigilo bancário e teve até pedido de impeachment por entidade ligada à OAB. E, depois das duras críticas que recebeu, enfiou a viola no saco e voltou atrás. Mas este é mais um estrago do ministro que não se apaga, porque exigir do BC informações financeiras de 600 mil pessoas físicas e jurídicas, nitidamente, foi uma decisão em causa própria. Toffoli devia estar preocupado com suas movimentações financeiras e as de sua mulher, que é investigada. A esse respeito, inclusive, Toffoli concedeu recentemente liminar para suspender investigações de movimentações financeiras coletadas pelo Coaf, o que também beneficiou o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, além de milhares de criminosos e corruptos. Isso sem falar do seu voto de Minerva enterrando a prisão em 2.ª instância. Esse desastrado currículo comprova que jamais Dias Toffoli servirá com dignidade esta Nação.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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PERFORMANCE


Além de não ter se julgado suspeito no mensalão e beneficiado Lula a favor da 3.ª instância, amarelou no seu pedido ao Banco Central. Toffoli é um péssimo ministro. 


Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas


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TOFFOLI ANULA DECISÃO


Perguntar não ofende: e a decisão anterior, também?


Moisés Goldstein mg2448@icloud.com

São Paulo


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‘FAKE RETREAT’


Meu grau de confiança no STF e em seus seis juizecos é tão diminuto que acredito que Toffoli já tenha as informações detalhadas dos 600 mil brasileiros e que elas serão usadas pelo PT em 2020 e 2022. Não confio nada nesta “revogação” de decisão.  Para mim, é um “fake retreat”. Triste ter uma Corte Suprema assim...


J. P. de O Lepper jp@seculovinteum.com.br

Rio de Janeiro


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ALIMENTANDO DOSSIÊS


Quem poria sua mão no fogo dizendo que Toffoli (versão turbinada do IntercePT) não teria copiado o que recebeu em papel do MPF e Receita, e disponibilizará tudinho para seus chefões produzirem uma coleção de pastas-rosa?


Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia


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TOFFOLI E A CONSTITUIÇÃO


Fernão Lara Mesquita deu um show na coluna do Estado Toffoli ainda não é a Constituição (19/11, A2). Parabéns. Tem de tudo, quem são os pobres e quem são os ricos, para que queria a pacoteira do Coaf? “Mas no meio do caminho surge um Sérgio Moro”, que vai transformar o homem “mais honesto” do Brasil numa limonada purgativa ou numa omelete.


Carlos Viacava cv@carlosviacava.com.br

São Paulo


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MATEMÁTICA


A dedução matemática de Fernão Lara Mesquita (Toffoli ainda não é a Constituição19/11, A2) faz sentido. Segundo ele, com exceção de alguns milhares de “super-ricos” e do que restou do Brasil meritocrático, o 1% da população brasileira que ganha acima de R$ 27 mil é composto por funcionários federais dos Três Poderes, ativos ou aposentados. Faço, contudo, a ressalva de que é preciso somar a este contingente os magistrados, promotores e conselheiros dos tribunais de contas dos Estados. Daí a conta fecha direitinho.


Herman Mendes hermanmendes@bol.com.br

Blumenau (SC)


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MINISTRO DA (FALTA DE) EDUCAÇÃO


O ministro da Educação – ou seria da falta dela? –, Abraham Weintraub, tem todo o direito constitucional, como bem apontou o editorial Linha vermelha (19/11, A3), de ter “a opinião que for sobre as formas de governo”. Ele acerta ao dizer que a proclamação da República foi um golpe de Estado pois, embora não tivesse sido violenta, houve, sim, uma derrubada da ordem vigente. O ministro parece não entender, entretanto, que muitas vezes a história se justifica quando olhada com o devido tempo e distanciamento. A monarquia já não era mais viável na época e a ruptura se fez necessária. Chamar a proclamação da República de “infâmia” e desfilar elogios à monarquia é, no mínimo, visão estreita, obscura e retrógrada da história. Daqui a pouco, Weintraub vai achar que o Brasil era melhor enquanto colônia de Portugal.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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‘LINHA VERMELHA’


editorial de ontem merece aplausos, pela objetividade, lucidez e coragem com que enumera os motivos pelos quais o ministro da Educação perdeu as condições de permanecer no cargo. Não há dúvidas de que o senhor Weintraub extrapolou todos os limites do bom senso, da educação e do respeito ao cargo que ocupa, em sua manifestação sobre o 15 de Novembro. Para completar, ainda usa de linguagem chula, grosseira e indigna de um ministro de Estado – sobretudo do da Educação – contra os que criticaram seus comentários. Faço votos de que o presidente tenha consciência da gravidade do fato e o afaste de seu governo.


Marcos Candau carvalhocandau@gmail.com

São Paulo


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MAU COMPORTAMENTO


O ministro da Educação, Abraham Weintraub, já está acostumado a sair dos parâmetros do comportamento ministerial, quando, em certas ocasiões, surta para ser notado. Dança com guarda-chuva, fala demais e desobedece a ética ministerial. Mas defender a monarquia em plena comemoração da Proclamação da República é demais. Aliás, é deixar de lado o “desconfiômetro” que deveria levar sempre consigo. Assim, para evitar a continuidade de suas aventuras e imprevistas atuações, o presidente Bolsonaro precisa adverti-lo, e que o puxão de orelha lhe sirva de norteamento na sua conduta futura. Comportar-se bem é necessário sempre quando se faz parte de um governo.


José C. de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro


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VOCABULÁRIO EXEMPLAR


O comportamento, o linguajar e as opiniões de nosso ministro da Educação, Abraham Weintraub, estão mais para diálogo de presidiários, papo de bêbados em botecos, mas acho mais apropriado fazer uma analogia com os assuntos discutidos nas latrinas de muitas instituições escolares que só fazem acompanhar o nível deste ministro. Triste para a educação. Triste para o País.


Edmir de Machado Moura negrinho10@hotmail.com

Caçapava


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WEINTRAUB NA CORTE


Weintraub, o nosso ministro da Educação, fez críticas grosseiras, “estabulares”, à instalação da República, em 1989 e ofendeu diretamente o Marechal Deodoro, que a proclamou, no dia mesmo em que se comemoravam 130 anos do “novo” regime. Parece desconhecer o contexto que levou ao desenlace republicano, vez que Deodoro, representando as Forças Armadas, insurgia-se verdadeiramente contra o gabinete de Pedro II. Este Pedro deve a estabilidade de mais de 40 anos do seu governo ao Exército Brasileiro, sob Caxias, das revoluções seccionistas à Guerra da Tríplice Aliança. O Império vinha desmilinguindo desde a guerra, daí a Lei Áurea, a mão tardiamente dada aos órfãos dos caídos pela instituição dos Colégios Militares e um afago maior aos humilhados militares no retorno, com a criação de uma editora militar existente até hoje (Biblioteca do Exército Editora). A degeneração da República brasileira é consequência das novas elites, isso sim. Em verdade, a crítica à República vem na esteira das palavras de Bolsonaro de que preferiria o príncipe de Orleans e Bragança a “este Mourão aí”, como vice-presidente. Weintraub revela a expectativa de queda de Bolsonaro e a esperança perdida da sua substituição por um rei de verdade, caso em que, pensa, estaria na corte. Uns gostariam de vê-lo como bobo, ele diz preferir os estábulos.


Roberto Maciel maricotinha63@gmail.com

Salvador


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PRECARIEDADE & DESAGRAVO


A precariedade da Educação é de tal ordem que nem mesmo o ministro a tem. Em tempo: na comparação Deodoro-Lulla, o militar, definitivamente, não merecia isso...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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PELA EDUCAÇÃO


Linha vermelha (19/11, A3) é apenas mais um dos brilhantes editoriais do Estado, que, sem deixar de ser isento, faz uma análise da atuação do ministro desde sua posse e aponta o melhor caminho para o desenvolvimento da Educação.


Maria Lucia Ruhnke Jorge mlucia.rjorge@gmail.com

Piracicaba


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ABRAHAM WEINTRAUB


Sem dúvida, o informado no editorial Linha vermelha é adequado e suficiente para a demissão do ministro da Educação.


Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia


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ESCOLHAS ERRADAS


Bolsonaro tem-se destacado por escolher as pessoas que o assessoram diretamente. Começa pelos três filhos e acaba em vários “manés” que nomeia como ministros, o que denota baixo nível de estadismo. No caso da Educação, errou com o primeiro e parece ter errado de novo com o segundo. Claro que precisa se desvencilhar de comunistas, mas não adianta eliminar um lixo e colocar outro no lugar.


Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo


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SANTA CASA DE SÃO PAULO


Gostaria de cumprimentar o jornal pelo editorial de domingo (17/11) com o título A recuperação da Santa Casa, em especial quando aponta com muita clareza o grande responsável pela crise desta e de todas as outras Santas Casas pelo País afora. Complemento que as tabelas de procedimentos do SUS estão congeladas desde 2008. Com o prestígio que o Estadão tem, se levantar essa bandeira, quem sabe poderemos mudar essa situação?


Cassio Dutra cassio@sopil.com.br

Vargem Grande do Sul


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ULTIMATO NA BOLÍVIA


Não há mais solução legal para a crise política na Bolívia. Evo Morales tinha dado um golpe constitucional ao disputar o 4.ª mandato contra o resultado do referendo de 2016 e, agora, havia dado um golpe eleitoral para tentar ganhar a eleição em 1.º turno. Descoberta a fraude, um contragolpe exigiu sua renúncia, que foi seguida pela linha sucessória (vice-presidente, presidente do Senado e presidente da Câmara dos Deputados). Os partidários do ex-presidente, no exílio político, protestam com suas whipalas (bandeira dos povos indígenas). As marchas chegaram a La Paz e agora deram ultimato para a saída da autoproclamada presidente. O outro lado protesta com a bandeira nacional e a Bíblia. A guerra de símbolos impede o diálogo, ainda mais com presidencialismo sem eleição livre e pouca perspectiva de alternância de poder. A democracia está em risco.


Luiz Roberto da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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PROTESTOS EM HONG KONG


Estadão, em Polícia de Hong Kong foge de ataques de estudantes (17/11, A15), se preocupa e nos alerta sobre os acontecimentos. A China, hoje uma das duas mais importantes economias do mundo, a cedeu ao Reino Unido em 1942, após a Primeira Guerra do Ópio, portanto tornando-a uma colônia britânica, restituída à China em 1997. Seria um país de dois sistemas nos próximos 50 anos. Teria seu próprio sistema de leis, independência judicial e liberdade de imprensa e de expressão. Pois bem, dito isso, por que estes jovens universitários estão se revoltando, inclusive e já infelizmente, até com a morte de estudantes? Afinal, é uma potência econômica indiscutível no mundo dos negócios e, portanto, uma oportunidade para estes jovens como mercado de trabalho. Travam confrontos impressionantes utilizando todos os recursos, até mesmo flechas! Mas do que fogem? Fogem pela perda da liberdade, que será entregue a um poder central ditatorial e extremista. Começam estes valentes jovens com simples reivindicações e já fortemente repelidas com o uso de força brutal, como bem mostrou a reportagem do Estadão. Qual é a lição? Fugir dos extremos e a juventude se espelhar em regimes democráticos e liberais, visando sempre a uma maior igualdade social.


Claudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo


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TÃO ÓBVIO


Será que não ficou claro, ainda, que os manifestantes em Hong Kong não são anarquistas? Eles protestam contra o autoritarismo do comunismo chinês. Afinal, Hong Kong sempre foi uma democracia, coisa que causa urticária nos chineses...


Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz


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DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


Enquanto aguardava meu ônibus, ouvi a seguinte conversa entre dois adolescentes: disse um deles “amanhã é feriado, não teremos aula”. E o outro perguntou por quê. “Dia da consciência negra”. “E consciência tem cor?” O outro respondeu: “Não sei, mano, veja no Google”. Meu ônibus chegou...


Izabel Avallone  izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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