Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2019 | 03h00

ECONOMIA

Salve-se quem puder

BC intervém no mercado após dólar encostar em R$ 4,27 (Estado, 26/11). Em termos concretos, objetivos, de acordo com as medidas que vêm sendo tomadas pelo governo federal, só vai investir no Brasil quem quiser assumir riscos (num mercado interno que vai de mal a pior, com a agravante de que o externo não sabe para onde ir) comprando ativos cada vez mais baratos (em dólar), uma vez que a taxa de juros real negativa (-2,0% segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes) torna inviáveis investimentos no mercado financeiro. Por outro lado, a poupança nacional, não só na tradicional caderneta, como em fundos de investimento ou de aposentadoria (que têm como lastro papéis referenciados nos títulos públicos) vai sendo desvalorizada em termos reais, deixando os poupadores sem reservas para enfrentar o futuro e sem saída (no País) para continuarem como tal, o que deverá manter o dólar subindo. Ou a equipe do ministro Guedes muda o foco de sua política, adequando-a à realidade de nossos dias, ou vamos ter um verdadeiro “salve-se quem puder”.

JORGE R S ALVES

jorgersalves@gmail.com

Jaú

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Apagão de mão de obra

A manchete da capa do Estadão de 25/11, Apagão de mão de obra pode limitar expansão econômica, conforme pesquisa feita pela empresa de recursos humanos Korn Ferry com executivos nacionais referente a trabalhadores qualificados, nos leva a prever um déficit crescente de pessoal para ocupar vagas especializadas. A evolução tecnológica pode levar à extinção, até 2030, de 47% das ocupações que conhecemos. Hoje os números de trabalhadores desempregados são simplesmente assustadores. E mais alarmantes ainda pela total falta de oportunidades e perspectivas. Basta ver os dados oficiais atuais, que apontam 12,5 milhões de desempregados, além de mais 38,8 milhões de trabalhadores na informalidade, mais os que já desistiram de procurar emprego. O estudo ainda indica que as empresas deixarão de faturar US$ 43,6 bilhões (cerca de R$ 183 bilhões) até o fim de 2020 justamente por não encontrarem profissionais especializados para áreas estratégicas para o crescimento. Enquanto isso, permanece o estigma de que um profissional qualificado, ao atingir por volta de 50 anos de idade, não é mais adequado para contratação, porque considerado ultrapassado. A realidade, porém, é justamente o contrário, pois esse profissional sênior tem alta responsabilidade e grande bagagem de conhecimentos, credenciais para o desempenho de funções de forma segura e correta, pela experiência adquirida e pelas situações já vividas. E mais: munido de sugestões, ideias e capacidade para implantá-las com segurança nas áreas que lhe couberem.

ANGELO TONELLI

angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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GOVERNO BOLSONARO

Piadas sem graça

Algumas ações de ministros de Estado da atual administração lembram programas de humor da TV. Nunca tinha visto isso na minha já longa existência. Uma ministra convoca a imprensa para entrevista coletiva, mas fica calada. Um ministro faz gravação dançando em seu gabinete com um guarda-chuva aberto, parodiando o filme Cantando na Chuva. Outro faz graça e confirma que é feia a esposa de chefe de Estado de importante país europeu. Outro ainda afirma que os peixinhos do mar são muito inteligentes e se salvarão de um dos piores desastres ambientais do planeta. Um terceiro insinua omissão, no caso desse mesmo desastre ambiental, do Greenpeace, ONG mundialmente reconhecida. Vergonhoso.

JORGE DE JESUS LONGATO

financeiro@cestadecompras.com.br

Mogi Mirim

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MEC

Diante das barbaridades do sr. ministro da Educação, que tal o presidente Jair Bolsonaro trocar umas ideias com a sra. Viviane Senna? No Instituto Ayrton Senna há gente muito competente para a pasta. Não custa nada ir lá trocar uma ideia.

AGAMEDES PADUAN

agamedespaduan@gmail.com

São Paulo

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Meio ambiente

“É cultural”, improvisou o presidente Jair Bolsonaro quando encurralado por questionamentos sobre o desflorestamento na Amazônia (e no Cerrado). Acertou. Tentou uma justificativa. De fato, o território brasileiro foi ocupado por “desbravamentos”, que significam roça e queimada. Estas eram naquele então compreendidas como “desenvolvimento e progresso”. Exagerou-se, causando graves danos: hoje sobram apenas 7% da Mata Atlântica. O pau-brasil, o jacarandá e outras espécies de madeiras foram quase extintas, a vazão do Rio São Francisco está reduzida à metade, etc. Agora se impõe uma mudança de percepções e de atitudes, uma quebra de paradigmas ou brusca mudança cultural. O desmatamento não representa mais desenvolvimento, mas, sim, ameaça ao agronegócio em todo o Brasil, porque passou a influenciar o regime de chuvas. A mudança cultural há de se verificar na cúpula do governo – Presidência da República e ministérios. Mas também na cidadania – eleitores e contribuintes –, para pressionar o Congresso Nacional. O Brasil não depende de ninguém para pôr a cabeça no lugar, mudar de atitude e agir. É soberano para acertar. É o que o atual governo deve deixar de herança.

HARALD HELLMUTH

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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SEGUNDA INSTÂNCIA

No Parlamento

O placar declarado de 51 senadores e 290 deputados federais favoráveis e de apenas 8 senadores e 48 deputados contrários, apurado pelo Estadão, sugere que a aplicação da pena em segunda instância está praticamente aprovada no Congresso Nacional. No Senado já sobram dois votos e na Câmara faltam 18, mas se for para rejeitar serão necessários 157 dos 174 deputados que ainda não se manifestaram. Não há como deixar de pensar que o cumprimento da pena somente depois do trânsito em julgado, conforme decidido recentemente pelo Supremo Tribunal Federal, possa ter tido o fito de beneficiar o ex-presidente Lula da Silva. Mas o fato é que também favorece outros colarinhos-brancos e notórios criminosos comuns. Só não atende os condenados pobres, pois estes não têm dinheiro para pagar bons advogados e recorrer indefinidamente às instâncias superiores. Além de resolver esse problema, deputados e senadores têm de se lembrar de que a Constituição, embora em vigor há 31 anos e com 102 emendas, ainda carece de mais de cem regulamentações. Há que fazê-las o mais rápido possível ou, então, os parlamentares poderão, no futuro, como agora, ter de decidir em regime de urgência em razão de acontecimentos ou interesses não bem explicitados.

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES

aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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“Para combater incitação à violência, à desordem, ao caos, ninguém precisa pedir um AI-5, basta que se apliquem as leis em vigor”

PAULO TARSO J. SANTOS / SÃO PAULO, SOBRE DECLARAÇÃO DE PAULO GUEDES NOS EUA A RESPEITO DA EVENTUALIDADE DE ARRUAÇAS NO BRASIL, CONFORME PREGAÇÃO DE LULA

ptjsantos@bol.com.br

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“Enquanto no Brasil demoramos 18 anos para fazer uma linha de metrô, os chineses fazem um trem-bala em 38 meses”

GUSTAVO GUIMARÃES DA VEIGA / SÃO PAULO, SOBRE AS OBRAS PARADAS OU LEVADAS ADIANTE EM VELOCIDADE DE TARTARUGA

ggveiga@outlook.com


SOMBRA ANTIDEMOCRÁTICA


Excelente o editorial do Estadão Inaptidão para a democracia (25/11, A3). Não poderia ser melhor esta definição: “Não se pode confundir democracia com liberdade para afrontar os princípios de convivência política e social”. Assim foram afrontados esses princípios na era petista, de Lula e Dilma no poder. E o editorial destaca que, apesar de Jair Bolsonaro prometer em sua posse recuperar os “valores e tradições” mais caros à sociedade brasileira, infelizmente, nestes 11 meses de gestão o presidente vem “intoxicando a atmosfera do País, com truculência e intolerância”. Bolsonaro não tem respeitado grande parte dos votos que o elegeram, de eleitores não simpáticos à sua candidatura mas determinados a eliminar de vez a possibilidade de PT voltar ao poder. Assim, também, seus filhos, parte dos deputados aliados do presidente e membros do PSL, partido que o acolheu até dias atrás, têm se excedido, até com sugestões de uma reedição do Ato Institucional n.º 5 (AI-5), espelhando-se no próprio presidente, que não se cansa de elogiar torturadores como o coronel Ustra e ditadores como Pinochet e Stroessner. Nesta mesma linha de truculência, um deputado unha e carne com Bolsonaro rasga um cartaz alusivo ao Dia da Consciência Negra exposto nos corredores da Câmara e outro, também de baixo nível, vai à tribuna dizer que a Polícia Militar não pode ser responsabilizada pela morte de negros, “porque um negrozinho bandidinho tem de ser perdoado”. Tudo em conformidade com este governo, que deseja armar a população e dar salvo-conduto a militares que cometam algum excesso ou crime, como consta no absurdo projeto de excludente de ilicitude. Tudo isso cobre de sombras escuras a nossa democracia. E preocupa.  


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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EXCLUDENTE DE ILICITUDE


O novo projeto apresentado pelo presidente que pretende isentar de culpa os militares em serviço mais parece a reedição de um AI-5 disfarçado.


Maria Ísis M. M. de Barros misismb@hotmail.com

Santa Rita do Passa Quatro


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VAMOS TENTANDO


No editorial Inaptidão para a democracia fica evidente para o autor que as últimas experiências, sejam os 13 anos petistas, seja o primeiro ano do mandato de Bolsonaro, não se coadunam com a democracia (?)! Então, vamos continuar nos preparando para a próxima tentativa em 2022. Ou há alguma outra solução?


Marco Antonio Esteves Balbi balbi393@gmail.com

Rio de Janeiro


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PAULO GUEDES E O AI-5


Muito interessante a reação de quem ficou indignado com as palavras do ministro Paulo Guedes, que, em entrevista em Nova York, afirmou: “Não se assustem se alguém pedir o AI-5”, diante de uma possível radicalização dos protestos de rua no Brasil. Os presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado, do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades dizem ser essa invocação um atentado contra a democracia. Pois é, às vezes, Toffoli et caterva falam o óbvio, numa lógica reversa à do Partido dos Trabalhadores (PT), que transforma uma mentira em verdade de tanto martela-la em nossos ouvidos, cansados que estamos de tantas ladainhas inúteis. Pela recente decisão do STF que mandou às calendas a prisão em segunda instância, tendo Toffoli sido o voto de Minerva, nada mais significativo do que temer a reação da sociedade em manifestações que, por ora, estão acontecendo com civismo e pacificamente. Nada como “um pouco de radicalismo para lavar a alma”, nas palavras do incentivador-mor da rebeldia contra a democracia, sr. Lula da Silva. Batem palmas todos os que foram soltos da prisão, como o “demiurgo de Garanhuns”, José Dirceu e demais ex-presidiários. Não, senhores conturbados pelo medo, o Ato Institucional n.º 5 (AI-5) não será a bandeira dos patriotas. Não será a de Jair Bolsonaro nem de Paulo Guedes ou de qualquer outro que compões seu ministério. Falar a respeito, como falou o filho do presidente, dias atrás, é, em primeiro lugar, um direito seu, como o é de qualquer brasileiro de se expressar livremente, sem censura (concordar ou não com sua opinião é outa coisa). Em segundo, está na hora de o Brasil deixar de lado este tabu dos idos de 13 de dezembro de 1968, quatro anos e quase oito meses após o 31 de março de 1964. O AI-5, é bom lembrar, é o resultado do caos em que o País estava sendo mergulhado pelo acirramento das ações armadas por muitos dos que hoje clamam por democracia, mas que naqueles tempos pegavam em armas para impor uma ditadura de esquerda no Brasil, com ajuda de comunistas instados em Cuba e na antiga União Soviética. Atenção silenciosa e consciência são necessárias para quem está à frente das instituições brasileiras neste momento em que pipocam pela América do Sul movimentos populares violentos. Que a repulsa contra insinuações antidemocráticas, como podem parecer a de Paulo Guedes e a de Eduardo Bolsonaro, sejam analisadas e compreendidas como um temor de que, se algo de ruim acontecer, levando-nos ao possível caos social, alguma medida deverá ser tomada para evitar o pior, que eu, sinceramente, não creio que acontecerá. Ressalvo que, apesar de não concordar com o “Lula Livre”, que não o torna “puro”, sua “liberdade” está nos servindo para constatar que o líder petista é ora nada mais, nada menos do que mero candidato a lidar com fantoches.


Carlos Leonel Imenes leonelzucaimenes@gmail.com

São Paulo


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DITADURAS E NEOLIBERAIS


Paulo Guedes falar em Ato Institucional n.º 5 é saudade das ditaduras no Brasil e no Chile de Pinochet, onde imperou a política econômica da escola neoliberal dos Chicago boys, como nosso superministro.


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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‘GLO NO CAMPO’


Se Eliane Cantanhêde (É guerra?), contumaz trombeteira do apocalipse a ser desencadeado por Bolsonaro, tivesse lido apenas a equilibrada matéria de seu colega Vinícius Passarelli sobre ações da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), publicada na mesma página deste jornal, certamente teria tido a oportunidade, seguramente recusada, de não misturar alhos com bugalhos.


Edison Ribeiro Pereira

São Paulo


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‘NÃO SOMOS CAPITÃES DO MATO’


Eliane Cantanhêde (É guerra?, 26/11, A8) teme, com pouca razão, a “GLO no campo”, proposta por Bolsonaro. Não deveria. Primeiro, a medida tem de passar pelo Legislativo, pelo que o presidente não pode, simplesmente – como ameaçava Lula em relação a Stédile –, convocar a sua tropa, isto é, as Forças Armadas, para combater invasões de terra. Em segundo lugar, ainda no fim do 2.º reinado o Exército se negou a buscar pretos fugidos: “Não somos capitães do mato!”. E assim continua a Força Militar. Mesmo que aprovada esta nova lei, há um trâmite extenso a ser seguido, pois o Judiciário será acionado. Mas por aí a coisa anda, pois, em contrapartida, as supremas autoridades judiciárias certamente, além de impedir a implantação imediata desta lei, acionarão os Estados que fazem corpo mole para cumprir mandados de reintegração, particularmente se seus governantes forem de esquerda.


Roberto Maciel rovisa681@gmail.com

Salvador


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‘É GUERRA?’


Choca a insensatez de comparar reintegração de posse com ocupações. Aquela, algo definido e determinado pela Justiça; esta, arruaça e violência exercida por gente sem nada que ver com segurança. Se governos estaduais não cumprem as reintegrações de posse com uso de policias estaduais, os governadores estão governando ao arrepio da lei. Nada melhor do que o Exército ser colocado para corrigir os erros. Na verdade, os governadores deveriam até ser impedidos de continuarem no cargo diante dessa situação. Opta-se, portanto, por algo mais suave, para manter a democracia vigorando sem grandes choques. A solução ora buscada se mantém dentro do estrito cumprimento da lei. Mas a insensatez ganha no julgamento do artigo, bandidos e forças governamentais são colocados no mesmo saco. Deplorável a comparação.


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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SEGURANÇA


Na verdade, são louváveis os procedimentos do presidente da República sobre a segurança dos brasileiros, porque nada mais justo que impor legalidade a atos de defesa dos cidadãos constantemente ameaçados pela bandidagem, seja dentro ou fora do lar. De outro lado, as invasões de terra, que tiveram a anuência de governos anteriores, precisam terminar, porque o direito de propriedade continua protegido pela Carta Magna, embora a esquerda encontre nela somente os direitos que lhe interessam. É preciso que, doravante, a bandidagem saiba que poderá encontrar pessoas armadas e com potencial para se defender de agressões e não mais ficar à mercê do agressor, defendendo-se com paus e pedras. Com efeito, é necessário que se restabeleça o instituto da legítima defesa, previsto em nosso Código Penal.


José C. de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro


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TEMPOS PERIGOSOS


Em pleno Estado Democrático de Direito, a tão duras penas reconquistado após a longa e interminável noite dos 21 anos da ditadura militar do regime de exceção (1964 -1985), de lamentável memória, dois novos partidos políticos – a nova sigla dos Bolsonaros, Aliança pelo Brasil, e o Partido Militar Brasileiro, do deputado Capitão Augusto (PL-SP) – disputam à bala o número 38, numa alusão ao calibre do revólver conhecido como “três oitão”. Tempos estranhos e perigosos estes que vivemos. Quem sobreviver verá...


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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DESCONTROLE


Só mesmo um país desorganizado como o Brasil para dar condições à criação de partidos a torto e a direito, como agora proposto pela família Bolsonaro. E, para facilitar a coisa, a família pleiteou a utilização de assinaturas eletrônicas de adeptos para atingir rapidamente o número exigido pela legislação eleitoral. Típico processo de ditadores de republiquetas. Precisa haver é mudança da lei, ou regra, sei lá, que permite ao cidadão assinar a criação de variados partidos como se concordasse com todas as doutrinas, crenças ou ideologias propostas para tal. As assinaturas para a criação de um partido deveriam ser mais bem controladas.  Continuando assim, logo teremos mais partidos que eleitores. Os estatutos dos partidos são todos bem parecidos (ou iguais) em propostas e metas maravilhosas, mas raramente observadas.


Adriles Ulhoa Filho adriles@uai.com.br

Belo Horizonte


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PARTIDOS UNIDOS


No país da política suja e corrupta, os políticos sujos, corruptos e investidos do que os partidos lhes asseguram acabam de propor mais um daqueles grandes absurdos inventados para desviar (para não dizer roubar) dinheiro público: a criação de siglas por meio de assinatura eletrônica. Algo que poderia fazer com que o Brasil se tornasse recordista mundial com aproximadamente cem maneiras de enganar a população, preservar a espécie e, claro, se apropriarem de um fundo bilionário que, com certeza, fará a festa para quem dela participa. No caso, os caciques, os candidatos, os eleitos e todos os que dela fazem parte de alguma forma.


João Direnna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)


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PAÍS IDEOLÓGICO


Para quem não sabe, hoje o Brasil tem 75 partidos políticos. E a pergunta que não quer calar é: será que temos tantas ideologias assim no País? Para alguns, a lista extensa se justifica por o Brasil ser heterogêneo e ter uma população grande, mas é senso comum que tanta representatividade é disfarce para grupos políticos obterem vantagens. Um exemplo são os EUA, que, apesar de a população ser bem maior que a brasileira, têm apenas duas opções partidárias: democratas e republicanos. No Brasil são vários os atrativos para criar um partido: fundo eleitoral, fundo partidário, tempo de rádio e televisão, articulação política e troca de favores nem sempre republicanas movem essa locomotiva. Na teoria, cada sigla deve representar um tipo de pensamento e defender um interesse comum de um grupo de pessoas, mas, na prática, um partido pode surgir só para resolver uma divergência ou briga política. E mais: no Brasil, partido tem dono, sim. O presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, desfiliou-se do PSL e deu o pontapé inicial para a criação do seu próprio partido, o Aliança pelo Brasil (APB). Com o número 38 e o lema “Deus, família e pátria”, o APB nos leva a crer que o partido visa apenas a atender aos devotos, fiéis e à família bolsonarista, tanto que Bolsonaro é o seu presidente e seu filho senador é o vice. Precisa dizer mais? Uma pesquisa da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de 2018 afirma que apenas dois partidos já seriam suficiente para representar a sociedade brasileira no Congresso Nacional e que 25 partidos com representatividade na Câmara têm posições mais que semelhantes. Só lembrando que há dezenas de outros partidos na fila para serem criados...


Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul


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O PARTIDO DE BOLSONARO


Está com todo jeitão de ser outro PT de Lula, PDT de Brizola ou qualquer outro partideco de aluguel que tem dono.


Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo


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RACHADO


É de conhecimento geral a intenção do presidente Jair Bolsonaro de criar o partido Aliança pelo Brasil, sob seu comando, e ter como primeiro vice-presidente o senador Flávio Bolsonaro, seu filho. Com este novo partido, o presidente Bolsonaro terá a sua base de apoio parlamentar reduzida e, também, um mínimo de governabilidade em sua gestão. Para completar este cenário nada animador, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) abriu novo procedimento para apurar denúncias de uso de funcionários fantasmas na prática da “rachadinha” – devolução de parte salarial para Flávio Bolsonaro quando este era deputado estadual do Rio de Janeiro. Pelo visto, o partido Aliança pelo Brasil já nasce “rachado” e sem futuro.


Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas


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ELEIÇÃO NO PT


A corrente majoritária do Partido dos Trabalhadores (PT) cognominada Construindo um Novo Brasil (CNB) reelegeu a presidente Gleisi Hoffmann (Gleisi Hoffmann é reeleita presidente do PT e quer protagonismo em eleiçõesEstado, 24/11). Na cerimônia, discursos carcomidos, nojentos e explosivos, incluindo incitação à violência, ao confronto e à desobediência legal – algo deplorável e repugnante –, argumentando serem esses preceitos parte da democracia. É a mesmice de sempre! O acrônimo CNB, na prática, só pode ser interpretado como “Corrupção, Nulidade e Bagunça”, aquilo em que a história já demonstrou em passado recente serem esses políticos pós-graduados. E seguem agredindo e gargalhando, respaldados na certeza da intocabilidade e da impunidade que reinam no nosso país e que tanto os protegem e os agasalham.  Justiça, cadê você?


David Zylbergeld Neto dzneto@uol.com.br

São Paulo


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OPÇÃO


Os petistas decidiram pela continuidade da derrocada total do PT. Roberto Campos tinha razão! Ótimo!


Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas


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BALÃO DE ENSAIO


Não deverá prosperar a estratégia do Legislativo referente à redução dos recursos processuais, cujo objetivo é restabelecer a prisão após a condenação em 2.ª instância, recentemente revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A suposta medida a ser implementada pelo Parlamento por meio de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) ataca de forma indireta o art. 5.º, LVII, da Constituição federal, que constitui no seu teor descritivo a intocável cláusula pétrea das garantias e direitos fundamentais do cidadão. Além do que, engloba também na sua essência o devido processo legal, a ampla defesa, o crivo do contraditório e a presunção de inocência, razões pelas quais não deve ser modificada, sob a pena de se incorrer em manifesta inconstitucionalidade. A bem da verdade jurídica, tendo em vista que o referido artigo contempla a ampla defesa, esta não admitirá meio termo, isto é, não deve ser reduzida, como indica o próprio vocábulo (ampla), assim, ela é por excelência irredutível, não deve sofrer restrição, e a suposta redução dos recursos processuais irá causar cerceamento de defesa, acarretando de forma indireta violação ao artigo supracitado. Ademais, a decisão do STF sobre a inconstitucionalidade da prisão em 2.ª instância fez coisa julgada material, irrevogável, com repercussão geral (para todos), e não deve ser alterada mesmo indiretamente, pois poderá dar margem à arguição de inconstitucionalidade perante o próprio STF. Dessa forma, também não se deve emendar o Código de Processo Penal (CPP) para acrescentar a possibilidade de prisão em 2.ª instância, pois iremos incorrer na mesma violação ao art. 5.º da Constituição, haja vista que esta suposta alteração acarretaria uma inconstitucionalidade, visto que o CPP é uma legislação infraconstitucional, subordinada à Constituição, não devendo contrariá-la. Além disso, não há interesse da maioria dos parlamentares na aprovação desta PEC, não passando a intenção de um simples balão de ensaio para agradar à população. Portanto, só há um caminho para a volta à prisão em 2.ª instância: promulgação de nova Constituição.


Francisco Franci Moreira mmbbss1@bol.com.br

Lucélia


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ACREDITA?


Você, eleitor, que tem consciência de que não vota no melhor candidato, mas no menos pior; que não ignora que boa parte do Parlamento está envolvida em processos na Justiça; que assiste a grupos de políticos se formarem em torno de propostas alinhadas com projetos que os interessam particularmente, votados em regime de urgência, como o indecente fundo eleitoral; que sabe da urdidura de candidaturas postiças femininas, sob o pretexto de cumprimento de cotas, com o objetivo de abocanhamento de mais verbas partidárias; que constata que nossos homens públicos, a partir do momento em que tomam posse, fazem da reeleição seu grande desiderato; você, eleitor, acredita num interesse genuíno do nosso Congresso de aprovar leis justas que regulamentem a prisão após condenação em segunda instância ou tem a impressão de que toda a movimentação agitada em torno do tema e veiculada pela imprensa não passa de cortina de fumaça para ganhar tempo?


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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URGENTE!


O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, estão muito interessados em que a PEC da prisão em segunda instância seja rapidamente votada no Congresso. Talvez logo após as eleições de 2022.


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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NUNCA


Que ninguém se engane, esta PEC da segunda instância, ora em discussão no Congresso, não sai nem hoje nem nunca, até porque suas excelências não vão legislar contra elas mesmas. Essa é a verdade, pura e simples.


José Marques seuqram.esoj@bol.com.br

São Paulo


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O VIL METAL


O senso comum conduz à opinião quase unânime de que o mundo “gira” em torno do dinheiro, sendo esta a “ferramenta” básica para adquirir “poder”. Em nosso país não poderia, portanto, ser diferente. Duas publicações recentes do Estadão ajudam a entender quem comanda as coisas por aqui, ou seja, quem detém o poder e tudo faz para mantê-lo. A primeira publicação foi o editorial de 9/11 com título O mundo não acabou, em que o editorialista mostra que a correção da distorção existente na legislação que impede a execução da pena após a decisão em segunda instância deve vir do Legislativo. Neste ponto entra o “vil metal”, pois grande parte dos parlamentares legisladores, acostumada e encher suas burras de dinheiro em transações tenebrosas, vendo que acabou o foro privilegiado e que não tem mais a garantia de impunidade, correndo o risco de ser condenada no curto prazo por ilícitos que tenha cometido e acabar presa, não vai querer corrigir nada. De outro lado, as corporações acostumadas a auferir fortunas graças a chavões como “cláusula pétrea”, “presunção de inocência” e, principalmente, com o “trânsito em julgado”, que, via de regra, termina na eternidade, usam de sua influência para convencer (como e a troco de quê?) seus colegas ministros das Cortes superiores a defender seus interesses pecuniários. Estes, sem dúvida, constituem um dos maiores poderes da Nação. A outra publicação foi a notícia dada na primeira página da edição de 15/11 do Estado, sob o título Elite dos servidores age para barrar reforma administrativa. Essa elite, cuja maioria é constituída por funcionários do Poder Judiciário, como juízes, procuradores, parlamentares, policiais, além de ministros das Cortes superiores, quer barrar uma reforma proposta que tenta corrigir as “montanhas de vil metal” auferidas com seus altos salários, muitos além do teto legal e muito maiores que os praticados na iniciativa privada, suas mega aposentadorias, sem contar a infinidade de privilégios de que gozam com os adicionais e verbas indecentes que recebem. Essa elite também controla o poder no Brasil. As migalhas ficam para milhões de brasileiros subservientes que “ralam” todos os dias para sobreviver com seus salários mínimos, suas cestas básicas e suas aposentadorias miseráveis.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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REFORMA ADMINISTRATIVA


A elite do funcionalismo brasileiro está em polvorosa e sem dormir, com receio da possibilidade de perder as “tetas” da população brasileira em que mama indistintamente. Para tanto, atua com grande intensidade logrando adesões para barrar a proposta de reforma administrativa.


Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo


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‘É HORA DE EXPULSAR OS VENDILHÕES DO TEMPLO’


O mais recente artigo de Fernão Lara Mesquita sobre a privilegiatura é leitura obrigatória para todos os interessados num país menos desigual. Mesquita argumenta com propriedade que “sem a privilegiatura devolver um pouco dos que nos tomou não saímos da UTI”. Eu penso que ela não devolverá nada, mas pelo menos deixará de sugar tanto. E é incrível como este pessoal da “estabilidade” tem argumento contra todo tipo de mudança que pretenda tornar sua atuação mais eficiente e menos onerosa. A propósito, um detalhe a que poucos atentam é para o fato de que o servidor aprovado em concurso não assume um cargo, mas toma “posse” dele. Ele toma posse de algo público, que graças à nossa Constituição “Cidadã” passa a ser dele, e somente lhe será tirado se fizer barbaridades. Reforma administrativa e civilidade já!


Herman Mendes hermanmendes@bol.com.br

Blumenau (SC)


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CONTAS PÚBLICAS


Depois leilão do pré-sal, os otimistas do governo diziam que, apesar do resultado “positivo”, os desafios para as contas públicas no longo prazo são grandes. Na verdade, são enormes. Como ficarão essas contas, quando não houver mais pedaços do patrimônio a vender?


Joaquim de Carvalho jfdc35@uol.com.br

Rio de Janeiro


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SOBRE DELFIM NETTO


Queria muito saber qual é, afinal, a do ex-ministro Delfim Netto. Acariciava e, depois, criticava abertamente o PT, especialmente após Dilma ter caído. Agora, diz que as propostas de Paulo Guedes são iluminadas, embora sacrifiquem o pobre. Delfim não se importa com o “imposto sobre as grandes pobrezas” que está vindo aí? De barriga cheia, Delfim, é fácil de passar pano.


João Domingos Custodio custodio@camarabirigui.sp.gov.br

Birigui


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VISÃO IRREAL


Impressiona o número de comentários econômicos de quem analisa somente dados estatísticos e não vive a realidade de um chão de fábrica, um balcão de comércio ou uma antessala de serviços. A economia caminha muitos passos adiante do que se enxerga, sua recuperação prolongada e duradoura dependerá das ações que os organismos públicos terão de tomar, conscientizando-se de que são parte integrante nesse resultado. Nenhuma economia em qualquer parte do planeta que viva sua melhor estrutura conseguirá sobreviver a um governo perdulário e irresponsável. Portanto, mais do que nunca, devemos exigir que o governo faça sua parte empreendendo as reformas necessárias, sem mi-mi-mi do Congresso, e não se preocupe que a iniciativa privada dará sua resposta ao seu tempo e sua hora. Não nos esqueçamos das causas que levaram o País à bancarrota.


Manoel Braga manoelbraga@mecpar.com

Matão


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AGENDA SOCIAL


Embora os discursos de Lula estejam mais do que previsíveis, repetitivos e tediosos, o efeito desta verborragia sobre o governo não deixa de capitalizar benefícios: a preocupação do Planalto com a tão criticada agenda social, particularmente com o aperfeiçoamento do Bolsa Família, é mais que bem-vinda. É preciso ficar claro, no entanto, para os que ainda não sabem que Bolsa Família é transferência, e não distribuição de renda. Se assim fosse, a desigualdade social teria diminuído sensivelmente durante os 13 anos de administração petista, mas não foi o que aconteceu. Os mais recentes indicadores econômicos – geração de empregos e PIB, entre outros –, embora tímidos, demonstram franca evolução positiva, e é isso o que mais atemoriza Lula, o PT e seus aliados, pois o sucesso da agenda econômica do governo significará o fracasso inexorável do discurso petista. O governo acerta ao reagir a Lula com projetos, e não em ataques pessoais.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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‘EXPLICANDO O DPVAT’


Inacreditável que o sr. Antonio Penteado Mendonça defenda publicamente a Seguradora Líder (Estado, 25/11, B9), que monopoliza o seguro veicular obrigatório contra terceiros (DPVAT). Está comprovado pela Polícia Federal (PF), Ministério Público (MP), Tribunal de Contas da União e Susep que a Líder desviou bilhões de reais do dinheiro recolhido anualmente com o IPVA. Os diretores responsáveis pelas maracutaias foram identificados em 2015 pela Operação Tempo de Despertar, da PF e do MP de Minas Gerais, mas ainda não foram obrigados a devolver o dinheiro roubado nem foram para a cadeia. A medida provisória assinada pelo presidente Bolsonaro elimina o DPVAT, mas a Susep estuda o segundo passo para que o seguro continue obrigatório, num mercado livre: o dono do veículo escolhe a seguradora, como em todo o mundo. No caso de o motorista não ser identificado, um fundo constituído pelas seguradoras indeniza as vítimas.


Boris Feldman borfeld@gmail.com

Belo Horizonte


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BOLA FORA


Por ocasião das comemorações dos dois títulos conquistados no fim de semana, a diretoria do Flamengo perdeu a oportunidade de homenagear os dez garotos que morreram no incêndio no centro de treinamento do clube em fevereiro deste ano. Bola fora, sr. Rodolfo Landim!


Jomar Avena Barbosa joavena67@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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