Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 03h00

EDUCAÇÃO

Resultados do Pisa

O Brasil tem aproximadamente 19 mil escolas estaduais e municipais de ensino médio. Cerca de 800 delas, espalhadas por todas as unidades da Federação, funcionam satisfatoriamente, em grande parte porque a gestão é adequada. A menor unidade de gestão educacional é a direção. O diretor é fator essencial do êxito mencionado. Portanto, dentre as dezenas de imperiosas medidas a serem adotadas – valorização do professor, motivação dos alunos, enfim, o ser humano em primeiro lugar – para melhorar o vergonhoso resultado constatado na avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Pisa, uma única pode ter impacto transformador: o fomento e estímulo à direção das escolas. Treinamento continuado, avaliação periódica e premiação financeira dos diretores são medidas simples, objetivas, viáveis e eficazes. E o que é fundamental e surpreendente, os resultados podem ser obtidos em curto prazo (até três anos). As cogitações aqui expostas se aplicam à totalidade das escolas do ensino básico brasileiro (mais de 180 mil). E de quem é a responsabilidade pela adoção das ações requeridas? Do ministro e dos secretários de Educação, dos governadores, dos prefeitos e dos próprios diretores. Ou, quem sabe, de algum líder iluminado com iniciativa para desencadear o processo e disposição para convencer os outros de que educação é a prioridade fundamental, até, se necessário, em detrimento dos demais campos da administração pública. É responsabilidade também dos cidadãos eleitores, que na hora de votar deveriam escolher quem demonstre rigoroso compromisso com a educação como prioridade.

ALÉSSIO RIBEIRO SOUTO

souto49@yahoo.com

Brasília

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Abaixo da média

Os últimos resultados do desempenho da educação pelo mundo mostraram, mais uma vez, que o Brasil vai mal. Muito mal, aliás, pois a maioria dos alunos não aprende Português, Matemática e Ciências, sem falar na falta de educação cívica, do amor ao próximo, de bons exemplos – o excesso de corrupção rouba, mata e, claro, deseduca. Isso ficou comprovado no Pisa, que nos deixou bem atrás de todos os países desenvolvidos e até de outros com muito menos recursos e investimentos. E não tem que ver só com governos, regimes ou ideologias, mas com o arcaico modelo de ensino. O resultado só pode ser esse divulgado pelos organismos internacionais e pelas estatísticas horríveis de crime e violência praticados nas escolas e fora delas.

JOÃO DIRENNA

joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

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Universidades

Triste ler que universidades públicas estão sendo administradas por alunos engajados em outras atividades que não na própria educação, com o beneplácito de reitores (A saúde de nossas universidades, 2/12, A2). O professor Charles Mady mostra como anda a educação, de onde se depreende o mal que a vitaliciedade em cargos-chave traz à Nação. Que suas palavras não sejam levadas pelo vento.

ADEMIR ALONSO RODRIGUES

rodriguesalonso49@gmail.com

Santos

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INSEGURANÇA PÚBLICA

Bailes funk em Paraisópolis

Li na mídia diversas manifestações sobre o massacre em Paraisópolis. Conheço um pouco a vida dos moradores do local. Falar em alvará de funcionamento para a realização do baile é comentar sobre assunto de que não se tem o menor conhecimento. Infelizmente, nas periferias inexiste opção de lazer. Paraisópolis não tem nenhuma praça, nem centros de esporte ou de cultura. Os jovens de todas as idades frequentarão, sim, esses bailes e estão, sim, à mercê de traficantes. O poder público não faz absolutamente nada por eles. Talvez o Judiciário, com seus salários e aposentadorias de valores absurdos, pudesse retribuir aos mais necessitados. Conhecer e fazer trabalhos voluntários nessas comunidades seria um primeiro passo.

JOSÉ PACHECO E SILVA

josepacheco@later.com.br

São Paulo

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Corpo mole

Tenho amigos que residem nas imediações de Paraisópolis e sempre reclamaram do som ensurdecedor pelo 190, mas o Psiu e a subprefeitura só fazem corpo mole. Um erro terem deixado pra escanteio o projeto Cingapura, realizado entre 1994 e 2000 por dois prefeitos. Meses atrás uma policial militar foi morta nesse mesmo lugar. Ali há pessoas de bem e gente que merece uma segunda chance, com cursos profissionalizantes. Eu apoio as voluntárias do Hospital Albert Einstein, suas ações sociais distanciam adolescentes e jovens de Paraisópolis do submundo dos bailes funk.

EDUARDO CARLOS C. DE O. PINTO

ecavicchiollipinto@gmail.com

São Paulo

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Inação do poder público

De repente a perseguição de um suposto criminoso foi despistada por uma pista de dança a céu aberto. Local de moçada, hoje conhecido por um trajeto demarcado por vias socialmente afuniladas e que levaram à ceifa da vida de quem se viu obrigado a dançar a música conforme a batida do solado do coturno e dos estrondos das explosões de bombas de efeito “moral”. Aparentemente, uma coreografia descompassada com o treinamento de uma corporação policial que atua na manutenção da ordem e da segurança com referência internacional para controlar multidões. No caso de Paraisópolis, multidões de jovens iguais, mas desiguais. Filhos de quem, no dia a dia, de mau humor ou sorridente, nos atende ou atende alguém por algum afazer ou serviço. Mas o que de fato podemos fazer senão lamentar? Esses jovens optaram por se divertir amontoando-se contra a lei do silêncio e despreocupados com as sinalizações de evasão em caso de situação de emergência. O Conselho Tutelar não atuou em vista da frequência de adolescentes no local. O Município não fiscalizou a licitude do evento, embora reja realizado desde meados de 2009. Tudo teria sido devido a uma reação a um ataque criminoso, havendo a hipótese de conduta imprudente ou de uso excessivo da força. Cabe aqui o direito de defesa. Elegemos nossos representantes para agirem em nosso nome. Enfim, na “Cidade Paraíso” não há Estado, só em épocas de eleição. Oremos.

RODRIGO SAMPAIO GOUVEIA

rsampaiogouveia@hotmail.com

São Paulo

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GOVERNO BOLSONARO

Funarte

“O rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto, por sua vez, alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse que fez um pacto com o diabo” – palavras do novo presidente da Funarte, Dante Mantovani. Mais um para envergonhar o governo do Bolsonaro.

MARIA M. J. SIMÕES

mmjsimoes@bol.com.br

São Paulo

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“Quando Bolsonaro vai conscientizar-se de que Trump é o grande amigo... da onça?!”

ROBERT HALLER / SÃO PAULO, SOBRE AS SEGUIDAS ‘RASTEIRAS’ QUE O PRESIDENTE DOS EUA VEM DANDO A SEU FIEL ALIADO

robelisa1@terra.com.br

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“Como a opinião pública, a maioria dos deputados e senadores quer a prisão após condenação em segunda instância. É pra ontem. O que Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia estão esperando para porem o tema em votação? É inexplicável postergá-la para 2020”


HUMBERTO SCHUWARTZ SOARES / VILA VELHA (ES), SOBRE A RESISTÊNCIA DOS PRESIDENTES DO SENADO E DA CÂMARA

hs-soares@uol.com.br

AÇO E ALUMÍNIO PARA OS EUA

 

Quando, em março, Jair Bolsonaro voltou de sua visita aos Estados Unidos, ele se sentia como se tivesse iniciado um namoro com o presidente americano. Nem terminado o ano, com a frustrada indicação brasileira para a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a retomada da taxação dos nossos aço e alumínio, já deu para sentir que o casamento não sairá e que Bolsonaro já deve se sentir como um namorado traído. Bolsonaro deveria saber que antes de uma partida vêm os cumprimentos e desejos de boa sorte; começado a peleja, vale gol impedido e até de mão.

 

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

 

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‘MUY AMIGO’

 

Depois do episódio da OCDE e da carne vermelha, agora foi a vez do aço e do alumínio. Como se vê, o presidente Donald Trump é muito amigo do Brasil... muy amigo!

 

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

 

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BRASIL-EUA

 

Senhor presidente, ama a quem te ama, e não a quem te sorri. Trump, sorry!

 

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

  

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SEM RESPOSTA

 

O presidente Jair Bolsonaro disse que não pensa em “retaliar” os EUA pelas declarações de Donald Trump de que vai retomar a cobrança de tarifas sobre o aço e o alumínio tupiniquins. Para nossa sorte, mesmo “com a faca entre os dentes”, o controverso Bolsonaro não pretende “declarar guerra” à maior economia mundial – ufa, que sorte. Aliás, pensando bem, é melhor, mesmo, o Brasil se aliar cada vez mais à China e deixar o “cabeleira loira e ciumenta” em stand-by.

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

 

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PUGILATO INTERNACIONAL

 

Bolsonaro, mestre do pugilato, aproximou-se mais do que a prudência recomendava de Donald Trump, além do mais, um peso bem mais pesado que ele. Foi atingido por um soco certeiro. Na luta comercial, como na física, mesmo que travada entre supostos amigos pessoais, não há contemplação, nem raiva, nem favor. Trump, infelizmente, agiu corretamente. Bolsonaro está surpreso e desnorteado. Não deveria. Espero que o nosso presidente – a quem eu apoio com restrições – tenha aprendido a lição: “meu” país e “meus” eleitores acima de tudo.

 

Roberto Maciel rovisa681@gmail.com

Salvador

 

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NEOCOLONIZAÇÃO TECNOCOMERCIAL

 

Trump taxa o aço pensando na soja e na reeleição. O Brasil, que tem o câmbio flutuante, se afunda em dificuldades nas negociações de comércio exterior ao não reagir às provocações do presidente norte-americano em suas mesquinhas patriotadas. Exportamos commodities a preço de banana e importamos produtos industrializados complexos e caros. Nosso aço vai em lingotes e retorna em peças de carros, computadores e celulares. Uma neocolonização tecnocomercial.

 

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

 

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INJUSTIÇA

 

O presidente dos Estados Unidos está mentindo quando afirma que Brasil e Argentina estão desvalorizando suas moedas de propósito. Trump aplicou essa mentira política para favorecer os produtores americanos, que vão se beneficiar das novas barreiras impostas aos hipercompetitivos produtos brasileiros. Jair Bolsonaro pode saber, agora, como se sentem as ONGs e os brigadistas presos injustamente no Pará, também eles vítimas de mentiras políticas, acusados sem fundamento ou prova, de terem tocado fogo na Floresta Amazônica.

 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

 

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FLORESTA AMAZÔNICA

 

O Brasil está se isolando internacionalmente, e isso é um excedente perigoso. Assim, poderá vir a ser vítima fácil de um boicote internacional (humilhante).

 

Daniela da Silva danielsmatos1089@gmail.com

São Paulo

 

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EDUCAÇÃO

 

Foi divulgado que o Brasil está mal no ranking de educação do Pisa. Nesse sentido, diversas diretrizes governamentais contêm erros. Um desses erros é achar que o tempo integral é mais benéfico, o que na realidade não é. A melhor educação do mundo se encontra na Finlândia, mas o que muitos não sabem é que todo o ensino por lá é efetuado unicamente num turno: pela manhã. Os estudantes têm o resto do dia livre e não levam afazeres para casa. Lá, os educadores acham que reter os alunos o dia todo, em rotina escolar, os estressa. Outro ponto errado no Brasil é achar que o ensino melhora militarizando-o, contudo, no ranking das melhores escolas estão as particulares de meio turno.

 

Heitor Vianna P. Filho lagos@araruama.com.br

Araruama (RJ)

 

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MILONGAS

 

Pelas recentes pesquisas de nível mundial no quesito educação, o Brasil não só estagnou nos últimos dez anos, como piorou – prova inequívoca de que o Partido dos Trabalhadores (PT) fazia e faz muito marketing, muito auê, mas na verdade investiu nada no setor, ou quase isso. E como fica a conversa mole de Fernando Haddad nas eleições de 2018 e, agora, vangloriando-se da sua marca na Educação e do método Gilberto Freire, que é conhecido e consagrado por todos os petistas e seus partidos parasitas (PSOL, PDT, PSB, PCdoB e Rede)? Acho que, pelos resultados da pesquisas, Haddad deveria voltar a vender botijão de gás por R$ 45. Ganha mais e não engana ninguém.

 

Maria M. J. Simões mmjsimoes@bol.com.br

São Paulo

 

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O RELATÓRIO DA CÂMARA

 

A educação no Brasil passa por um momento muito complicado. E isso tem que ver com a o péssimo desempenho da equipe do atual governo, sem planejamento nem implementação de medidas adequadas pelo Ministério da Educação. Esta é a conclusão a que chegou um relatório elaborado por uma comissão de deputados da Câmara federal. A situação exige uma ampla  mobilização do professorado e das famílias do alunado, em busca de alternativas para que estes procedimentos governamentais tenham os encaminhamentos necessários.

 

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

 

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REINVENÇÃO DA HISTÓRIA

 

O artigo do senhor Paulo Hartung A reforma do Estado e a refundação do Brasil (Estadão, 3/12, A2) não passa, na visão deste desiludido leitor, de uma peça de utopia brilhantemente redigida. Lançando um olhar realista sobre o panorama atual e futuro que se apresenta, tanto no que diz respeito às necessidades de reformas estruturantes, das quais somente uma até agora foi aprovada, como na formação de um ambiente jurídico-normativo estável estimulador de investimentos sadios que vise à modernização da máquina governamental, de modo a torná-la mais republicana, é lícito especular que os desideratos mencionados têm um caminho tão difícil a percorrer que seus efeitos dificilmente serão percebidos em tempo aceitável. Nossa classe política, dadas as peculiaridades do sistema eleitoral viciado que privilegia dinastias comandadas por velhos caciques, continuadas por descendentes e protegidos, ainda dificultará por muito tempo qualquer tipo de renovação ou oxigenação e dificilmente se curvará  à necessidade, apontada no artigo como fundamental, de reinvenção do história brasileira, o que quer que o autor queira dizer com colocação tão impactante. Oxalá suas esperanças não morram antes do nascedouro, como vem acontecendo recorrentemente nas últimas décadas.

 

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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AVANÇO NA ECONOMIA

 

Os números são claros. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados recentemente, foram criados 70,8 mil empregos com carteira assinada em outubro – sétima alta consecutiva. Ao que tudo indica, o balanço da Black Friday superou as expectativas tanto no e-commerce quanto nas lojas físicas e, segundo o IBGE, o PIB cresceu 0,6% no terceiro trimestre (ante o esperado 0,4%), puxado, entre outros, pelo consumo das famílias. Além disso, ainda segundo o IBGE, com a informalidade em alta, o desemprego recuou para 11,6% em outubro. Estes dados demonstram claramente que a economia avança a passos – embora lentos – concretos e animadores. Que os críticos do atual governo, capitaneados pela esquerda, continuem na sua contumaz torcida contra, apesar dos números, é até compreensível. Agora, negar a realidade já é um problema muito mais grave.

 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

 

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MORTES EM PARAISÓPOLIS

 

Lamentável, nove mortes. Morreram nove jovens buscando um raro momento de lazer. Claro que existem culpados, que podem ser os policiais presentes no local. Nada justifica nove mortes, mas, se os policiais forem os culpados, estavam todos aptos psicologicamente para esse tipo de ocorrência, estavam aptos e preparados para suportar a pressão do momento, estavam preparados emocionalmente e dispostos a suportar aqueles momentos que de repente se tornaram em pânico, uma surpresa inesperada, para a qual não estavam treinados ou preparados? Exigir é fácil, compreender é difícil.

 

Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

 

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SEM COMANDO

 

Cumpre-se novamente a tradição da Polícia Militar (PM) de atuação sem comando. Já é uma tradição: os oficiais se omitem e os soldados, comandados por graduados (cabos e, eventualmente, terceiros sargentos assumem a “otoridade” sobre a tropa). Aconteceu novamente em Paraisópolis: não havia oficiais no comando, apenas graduados (se é que havia!), e deu no que deu! Nove jovens mortos pela incúria da PM. Aos oficiais restou o inglório papel de porta-vozes desenxabidos. Que, aliás, foram muito mal interpretados: nem como atores eles souberam se comportar adequadamente. Mas isso já é uma tradição e vem desde os tempos do nada saudoso coronel Ubiratã, que descomandou uma tropa de mais de 300 homens que invadiu o Carandiru e atabalhoadamente matou 111 presos, sob a alegação de que eles estavam armados com cinco revólveres. Uma clara e escandalosa demonstração de falta de comando, treinamento e incompetência da tropa. Desta vez, não foi melhor: novamente demonstrando completa falta de treinamento, um magote de soldados aloprados, alegando perseguir uma moto cujos ocupantes teriam atirado contra eles, invadiu uma festa popular onde cerca de 5 mil jovens se divertiam (ou não, vai saber!), distribuindo cacetadas e ameaças (e, certamente, tiros para o alto), provocando um tumulto que resultou na tragédia a que estamos assistindo. As explicações e desculpas são esfarrapadas e inconsistentes. Na verdade, é assustador constatar que os oficiais formados pela academia do Barro Branco são absolutamente omissos (e incompetentes) quando o assunto é comando. A conclusão é de que a PM, como dizem os marinheiros, ainda não está à deriva, mas está em bom caminho para tal. E nós, no meio desta encrenca. Lamentável.

 

Nelson Newton Ferraz nelfer2011@gmail.com

São Paulo

 

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DESIGUALDADE

 

Vira e mexe acontece uma matança em periferias das cidades brasileiras entre nós, como a ocorrida no fim de semana, em São Paulo. Tais trágicas realidades servem para exemplificar a nossa grande e abissal diferença socioeconômica em nossa população. Combater essa dicotomia é o grande e principal caminho rumo à construção de uma civilizada paz social entre nós, no sentido de construirmos a grande nação com que tanto sonhamos e que temos condições de ser.

 

José de A. Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

 

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PANCADÃO

 

O baile da Dz7, o pancadão de Paraisópolis, segundo o que foi noticiado, é considerado por muitos moradores como a principal opção de lazer da favela. Estes mesmos moradores estão de acordo com a realização dos pancadões? Tive uma funcionária que mora em Paraisópolis e que chegava às segundas-feiras se arrastando de sono e nervoso por não poder dormir aos fins de semana. Isso para não falar do entorno, pois os prédios da “elite” que estão ao redor nem com vidraças antirruído conseguem abafar as batidas do som. Sem falar do comércio de drogas, bebidas, do sexo explícito que rola solto. Isso é lazer? No meu entender, é baixaria, que está sendo oficializada pela inoperância do poder público – e não falo da polícia, pois esta faz seu papel. Na falta de vítimas por bala “perdida”, pessoas pouco isentas da favela chegaram a relatar em telejornais que policiais certamente direcionaram a correria para o beco, para encurralar as pessoas até serem pisoteadas. Quem conhece Paraisópolis sabe que o que mais existem ali são becos, vielas estreitas, e está mais do que claro que este local não tem condições de receber 5 mil pessoas num evento. O poder público não tem poder para proibir esta aberração?

 

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

 

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‘ATIVIDADE CULTURAL ARTÍSTICA’

 

5 mil jovens participavam de uma “atividade cultural artística” em Paraisópolis, segundo uma professora da USP, quando foram “desrespeitados” por policiais truculentos. Pergunto se a intelectual sabe que existem outras 42 mil pessoas naquela comunidade, 99% delas trabalhadores que pagam impostos e que têm seu sono, sua segurança, seus bens e sua vida vilipendiados pelos adeptos do funk. Não, ela não sabe; os acadêmicos e seu mundo de fantasia ignoram completamente a maioria silenciosa da população das favelas: os trabalhadores que são roubados e mortos pelo “menino” que quer desfilar com uma moto nova (roubada) a cada baile em que a criminalidade, a vida fútil e a objetificação da mulher são exaltadas como valores máximos e como símbolo de uma sociedade doente.

 

Fabio Henrique Elorza fabioelorza@yahoo.com.br

São Paulo

 

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BAILES FUNK

 

Quem são os familiares dos jovens que morreram e que  permitiam que seus filhos, muitos deles menores de idade, frequentassem  tais “bailes” , onde rolam drogas, sexo e demais libertinagens? Não tentem incriminar a polícia que defende a sociedade, devemos levar em consideração  que os frequentadores de tais “bailes”, em sua maioria, não são farinha de fazer hóstia.

 

Carlos dos Reis Carvalho bigcharleso20@gmail.com

Avaré

 

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BADERNA

 

Que ingenuidade acreditar que o baile funk em Paraisópolis pudesse ser uma inocente reunião de jovens, como as tardes dançantes de antigamente! Bebidas, drogas, sexo promíscuo e muita baderna sob o embalo de som estonteante é o que todos sabem que acontece noite adentro, chegando ao amanhecer. A quantas cenas já assistimos na TV, ou lemos nos jornais, de “bailes” deste gênero? Espera-se que a polícia proteja os milhares de ensandecidos enquanto se divertem? Ou cuidem da população do entorno, que se desespera com este inferno? É preciso mesmo acreditar em coelhinho da Páscoa ou Papai Noel para enxergar este evento como um massacre de inocentes.

 

Lúcia Mendonça luciamendonca@terra.com.br

São Paulo

 

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PRESENTE DE GREGO

 

Projetos do governo que poderiam melhorar a vida dos cidadãos continuam, como o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, voando no Congresso desde fevereiro deste ano, e com a lerdeza no trato com assuntos urgentes. Com o anúncio da Anvisa da liberação do uso da maconha para fins medicinais e conhecendo o comportamento dos usuários da droga e os traficantes, praticamente não haverá controle. O Uruguai, com toda a rigidez no cumprimento da lei, em poucos meses já era manchete do caderno Internacional do Estadão (3/2/2018, A8) Maconha legalizada no Uruguai chega ao tráfico e a turistas; governo reage... Vejam o presente de grego que nos espera.

 

Jose Millei millei.jose@gmail.com

São Paulo

 

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PARAÍSO

 

No STF, prisão só após condenação em última instância; na Anvisa, o uso medicinal da maconha liberado. Estamos no paraíso.

 

Moisés Goldstein mg2448@icloud.com

São Paulo

 

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CONSTRANGIMENTO E ILEGALIDADE

 

Advogado pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação do julgamento do intocável Lula sob a afirmação de que este indivíduo sofreu constrangimento ilegal. Pior ainda, diante de sua interminável arrogância, quando com antecedência este mesmo advogado prejulga e já prepara uma gravíssima acusação contra os membros do STF ao declarar publicamente que, “em negando o pedido para este pleito, os ministros do STF estariam praticando uma grave ilegalidade”. Portanto, estamos diante de um advogado que pensa ser “Deus”. Gravíssimo! Resta uma reflexão: qual é o tamanho – se é que seja possível mensurar – do prejuízo, do constrangimento, da ilegalidade, do mal que o criminoso julgado e condenando já por três instâncias ao Brasil e aos brasileiros ao longo da sua perversa, danosa, criminosa, maligna e hedionda política de corrupção? 

 

David Zylbergeld Neto dzneto@uol.com.br

São Paulo

 

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RUÍDOS

 

Chego a me assustar com a ideia de que os advogados de Lula venham a pedir que os ministros do STF que votaram pela condenação à prisão após segunda instância sejam punidos.

 

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

 

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CASO DO SÍTIO

 

O TRF-4 julgou Lula mais corrupto. Aumentou a pena!

 

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas

 

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INCITAÇÃO À VIOLÊNCIA

 

Tenho visto muitas publicações criticando a decisão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) que aumentou a pena de Lula no caso do sítio de Atibaia, atendendo a requerimento legal e temporâneo do Ministério Público em apelação criminal, o que é juridicamente possível. Agora, gostaria de saber por que estes mesmos veículos ditos de informação não comentam sobre o outro lado da moeda, qual seja: após ter saído da cadeia, embora duas vezes condenado, Lula vem incentivando violência e lutas urbanas tais quais as que vêm ocorrendo no Chile. Estes atos não seriam incitação à violência ou crime contra a segurança nacional (Código Penal, art. 286 e artigos 22, I, 23, III e IV e 26 da Lei 7.170/83)? Outra pergunta, que nada tem que ver com a primeira: embora só a embriaguez completa por caso fortuito ou força maior isente de pena o agente que ao tempo da ação era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento (Código Penal, art. 28, II e § 1.º), a embriaguez por descontrole ou violenta emoção que leve o agente, maior de 70 anos e na presença de multidão, a não possuir ao tempo da ação a plena capacidade de entender o fato criminoso pode levar à diminuição da pena (Código Penal, arts. 28, II e § 2.º e 65, I, parte final e III, “e”)? Graças a Deus, os brasileiros, em sua imensa maioria, ouvem os brados roucos da violência, mas não mais incorporam na alma este ultrapassado, ineficaz e desesperado método. Óbvio. Os tempos agora são outros. Foice e martelo, não; mouse e computador à mão, ordem e progresso no coração.

 

Sérgio Aranha da Silva Filho aranhafilho@aasp.org.br

Garça

 

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DEMOCRACIA E LIBERDADE

 

O procurador Deltan Dallagnol recorreu ao STF para suspender a punição de advertência imposta a ele pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por críticas feitas à atuação de ministros do próprio STF, quando criticou os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski pelo que chamou de mensagem de leniência a favor da corrupção. Dallagnol alega a excludente jurídica do exercício regular do Direito, e ainda não ter cometido, em suas declarações públicas, excessos ilegais ou ilegalidades estritas. Concordo com Dallagnol, pois a democracia plena necessita de toda liberdade de expressão legítima que beneficie o funcionamento claro e transparente dos Poderes da República, haja vista os atos de censura, como este de agora, recorrido por Dallagnol, produzirem uma sensação de que há, deveras, pessoas e instâncias intocáveis, quando a sensação deveria ser a de uma democracia atuante e verdadeiramente plena. E, se há um inconformismo de qualquer membro do Ministério Público com o funcionamento institucional de qualquer órgão componente dos poderes maiores do Estado, tal deve ser, sim, demonstrado e contestado e, a partir de um saudável contraditório, servir de apoio e reafirmação das atuações do Estado soberano, juiz e ator, porém jamais calado ou silenciado por advertências e censuras. A nação soberana tem o maior interesse sobre o que se passa nos bastidores dos Poderes republicanos, pois é a dona da soberania primeira e, vez ou outra, demonstra as suas reais vontades ao sair às ruas para pedir transparência e mudanças.

 

Marcelo Gomes Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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‘MISERÊ’

 

Quem não chora não mama! Adequado o hino da centenária agremiação carnavalesca Cordão da Bola Preta ao procurador do Ministério Público de Minas Gerais Leonardo Azeredo dos Santos, que recebeu em dois meses cerca de R$ 124 mil, entre salários, indenizações e “outras remunerações retroativas”, após reclamar, em julho, de que o seu salário era um “miserê”, mal dando para bancar sua despesa de R$ 20 mil em cartão de crédito! Refeita a injustiça (?), imagino como foi a festa na casa do procurador em razão da recente promoção da Black Friday. Senhor Leonardo, havendo alguma recidiva nos seus imorais salários, “mete o pé” do serviço público. Seguramente, a iniciativa privada lhe proverá boas “mamadas” como convincente carpideiro de velório e shows stand-up comedy. Enquanto isso, o salário do trabalhador, ó!

 

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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MANIFESTAÇÕES NA ÍNDIA

 

Enormes manifestações tomaram as ruas da capital da Índia e de outras importantes cidades em protesto contra o sequestro, o estupro, o assassinato e a queima do cadáver de uma mulher de 27 anos por quatro homens. Houve pedidos de imediato linchamento dos acusados. Desde 2012 este país asiático tem sido sacudido por violentas histórias, como a da estudante estuprada e assassinada dentro de um ônibus. Os acusados deste outro crime pegaram pena de morte. Houve alteração nas leis, com a maioridade penal sendo reduzida de 18 para 16 anos e a pena para estupro, dobrada de 10 anos para 20 anos. Quase 40% dos suicídios de mulheres no mundo ocorrem na Índia, sendo motivados por violência doméstica. A reprovação no vestibular tem levado jovens ao suicídio. Uma sociedade violenta e, formalmente, ainda dividida em castas. A ascensão da mulher, a competição no mercado e a pressão por resultados têm impactado as pessoas. Há dificuldade em aceitar as mudanças e transformações da sociedade, gerando ódio e violência, que se espalham pelo país.

 

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

 

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CONVERSA COM JULIETTE BINOCHE

 

A atriz francesa Juliette Binoche (Caderno 2, 30/11) foi muito arrogante em querer “pedir perdão” a quaisquer descendentes de seu tatatataravô que teve filhos com sua “escrava” nos anos 1830, no Brasil. Ela assume que ele estuprou a mulher, ainda que ele tenha levado a sua família de volta à França, o que implica que eles tinham uma relação estável. Mesmo que ela encontre algum descendente, será que ela espera que eles sejam gratos por ela dizer que, na sua opinião, eles não deveriam nem existir? Ela é o exemplo perfeito da moderna geração politicamente correta cheia de culpa.

 

John Fitzpatrick johnfitz668@gmail.com

São Paulo

 
 
 
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