Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2019 | 03h00

TECNOLOGIA

Indústria x agronegócio

Oriundo do interior paulista, tenho ainda bem fresca na memória a figura patriarcal do meu avô, analfabeto, que utilizava os meus primeiros conhecimentos de aritmética para calcular a previsão da safra de café de sua pequena fazenda. Enquanto na capital figuras de famílias que se tornaram nobres, como Matarazzo, Lafer e Crespi, entre outras, eram expoentes da emergente industrialização brasileira e pertencentes a uma respeitável plêiade de homens ilustres e empreendedores, os agricultores e pecuaristas interioranos eram vistos como figuras operosas, porém de uma estirpe assimétrica em relação aos industriais. O tempo passou e o que vemos hoje? Um agronegócio pujante, moderno, como nos informa o Estadão (8/12, B1), usando tecnologia de ponta e passando a ser expoente da nossa economia, ombreando-se com nações altamente desenvolvidas. Enquanto isso, nossa indústria, com honrosas exceções, de chapéu na mão, pleiteia protecionismo arcaico e danoso, estacionada num status nostálgico, clamando por empreendedores que liderem sua modernização para sair da situação lastimável de obsoletismo. Num momento em que a inteligência artificial é uma realidade, nossa indústria patina em sofrível estado de indigência tecnológica. É preciso reagir, ou daqui a pouco estaremos importando botões.

ÉDEN A. SANTOS

edensantos@uol.com.br

Barueri

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Balança comercial

Se o Brasil tivesse investido com seriedade na educação, certamente hoje muitos outros setores da atividade econômica poderiam estar em pé de igualdade com a produtividade no campo (Avanço tecnológico faz Brasil bater recorde de exportação agrícola, 8/12, A1). Terceiro maior produtor agrícola do mundo, nosso país numa década elevou sua produção em 78%. Com um detalhe importante: para isso acrescentou apenas 16,3% à área plantada. É grande a demanda por nossos produtos mundo afora. Com destaque para milho, soja, algodão e carne, as exportações devem atingir este ano 200 milhões de toneladas. Ou 5% mais que em 2018, embora a receita das exportações deva ficar em torno de US$ 96 bilhões, 4% menor que os US$ 101 bilhões de 2018, porque houve queda nos preços e menor produção de soja. Todo esse desempenho notável, que vem garantindo há décadas superávit na balança comercial do País, deve-se à determinação dos produtores, a avanços tecnológicos e à eficiência dos pesquisadores da Embrapa.

PAULO PANOSSIAN

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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EDUCAÇÃO

Melhorar a docência

O editorial Mudança demográfica e ensino (9/12, A3) informa que estudo do economista Ricardo Paes de Barros alerta que teremos em breve um grande excedente de professores e que é necessária a valorização da classe docente para melhorar o ensino. “Precisamos dizer às universidades que não necessitamos de mais professores, mas de melhores”, diz Barros. Minha sugestão: criar bolsa de estudos em Pedagogia no exterior, de cursos intensivos, para professores que mais se destaquem na avaliação de conhecimentos e competência pedagógica. Os contemplados teriam cobertura completa por seis meses de estudos e os novos métodos pedagógicos aprendidos seriam levados a mídia social para conhecimento de toda a classe docente. Novas bolsas seriam oferecidas periodicamente. Acredito que esse plano, com total transparência, sem favorecimentos e bem divulgado, poderia dar incentivo para melhorar a qualidade dos professores e trazer os desejados benefícios ao nosso ensino.

SILVANO CORRÊA

silvanocorrea2012@hotmail.com

São Paulo

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Merenda escolar

Um vídeo exibido em redes sociais apresenta crianças tendo como merenda escolar uma bolacha e um copo suco em pó. Neste país, um condenado que se apossou de dinheiro público, era brindado diariamente em sua cela-escritório com café, almoço, dois lanches e jantar. E na sua Magna Corte os ministros vão se esbaldar com lagosta, vinhos importados premiados e outras iguarias sem igual. Contado parece mentira.

JOMAR AVENA BARBOSA

joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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IDH

Trabalho e renda

“O progresso no desenvolvimento da China nas últimas três décadas tem sido extraordinário”, disse Beate Trankmann, da UNDP, citando o país como o único a ascender do grupo de baixo desenvolvimento (0,5 em 1990) ao de alto desenvolvimento (0,758 em 2018). E o fez oferecendo trabalho e renda aos mais pobres. O IDH para o Brasil não é um indicador representativo, pois há regiões acima de 0,8 (Sul e Sudeste) e outras estagnadas abaixo de 0,7 (Norte e Nordeste). Não se trata de questão de desigualdade, mas de pobreza, mesmo hereditária. Com os conceitos de economia liberal dos compêndios de origem americana não se resgatarão os 20 milhões a 40 milhões de brasileiros da penúria. É preciso, possível também em regimes democráticos com economia liberal, formular políticas e projetos para o desenvolvimento social oferecendo trabalho e renda adequada aos contingentes na base da pirâmide. Acontece que essa abordagem humana nem sequer chega a ser discutida num Congresso Nacional mais ocupado com as próprias vantagens.

HARALD HELLMUTH

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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FUNDO ELEITORAL

Cara de pau

Depois de o fundo eleitoral de R$ 3,8 bilhões ter sido aprovado na calada da noite, sugiro enviar para o Congresso um caminhão-pipa de óleo de peroba.

KÁROLY J. GOMBERT

kjgombert@gmail.com.br

Vinhedo

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BUROCRACIA

‘A redução da papelada’

São auspiciosas as iniciativas de redução da papelada e burocracia do governo federal, conforme editorial de 9/12 (A3). Controle não equivale a ineficiência e baixa qualidade de serviços, mas quando está associado a papéis, arquivos físicos e interesses escusos se dá a equivalência. Papelada e burocracia são essenciais para uma prática reinante no setor público brasileiro, a de criar dificuldades para vender facilidades. Quantos menos papel e interações humanas, menores as chances de maracutaias de indivíduos mal-intencionados. As tecnologias que permitem a automatização de processos estão mais que maduras e à disposição das instituições. Há, contudo, uma longa estrada a percorrer antes que Estados e, principalmente, municípios adiram ao mundo digital. Os interesses escusos presentes nesses níveis de governo são ainda mais poderosos e enraizados que no federal.

HERMAN MENDES

hermanmendes@bol.com.br

Blumenau (SC)

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“O presidente Jair Bolsonaro acabou por reconhecer a importância da China, dos países árabes e, agora, da Argentina. Falta a mesma atenção à União Europeia”

OMAR EL SEOUD / SÃO PAULO, SOBRE A POSSE DO PRESIDENTE ALBERTO FERNÁNDEZ

elseoud.usp@gmail.com

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“Fizeram homenagens às pessoas que morreram no baile funk em Paraisópolis. Certo. E quando serão homenageados os milhares de policiais mortos quando estavam trabalhando em defesa da população?”

CARLOS DA SILVA DUNHAM / SÃO PAULO, SOBRE SEGURANÇA PÚBLICA

caduque.pezao@gmail.com

SOCO NO ESTÔMAGO


“índice de Desenvolvimento Humano (IDH) toca na maior ferida do Brasil: desigualdade social. País rico, cidadãos pobres”, resume a impecável análise de Eliane Cantanhêde no Estadão Injustiça e desigualdade (10/12, A8) sobre os dados revelados pelo novo IDH 2019. A brutal concentração de renda nas mãos de 1% dos brasileiros mais ricos, num país com 210 milhões de sofridos brasileiros, é um soco no estômago da propalada “democracia do bem-estar social”, numa nação com tudo para ser um exemplo de equilíbrio entre desenvolvimento com justa distribuição da riqueza. Eliane Cantanhêde termina sua análise com a palavra-chave para abrir as portas deste impasse social: educação.


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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O IDH BRASILEIRO


Foram 22 anos de incúria. Começou no governo FHC e continuou até agora a forma de encarar a educação no Brasil. Progressão continuada, cotas de tudo quanto é tipo, professores sem cursos de atualização/especialização, escolas de nível superior abertas sem o menor critério, falta completa de fiscalização responsável dos currículos, greves em profusão de parte dos corpos docentes, com isso tudo e mais alguma coisa não poderíamos chegar a lugar diferente. Esperar que se corrija este quadro do dia para a noite é tanta insensatez quanto tudo isso que se fez. É necessário que todos nós entendamos que tudo feito ao longo de 22 anos foi errado, e para corrigirmos temos de adotar novos caminhos e esquecer o que se fez. Neste quadro, quando se ouve gente que participou de toda essa história dizer que tentar caminhos diferentes está errado é atrevimento. Quem viveu a administração do ensino nestes últimos 22 anos precisa ser humilde e se calar, tentando trilhar novos caminhos que se proponham.


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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IDH E RETROSPECTO


Devemos perguntar o que não foi feito pelos governos PSDB, com Fernando Henrique, pela quadrilha de Lula e, finalmente, pela quadrilha PMDB, com Michel Temer. Não será em quatro ou oito anos que este país vai andar na educação, na saúde, etc. Temos de ser isentos e justos.


Wilson Gonçalves goncaw@uol.com.br

São Paulo


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O ÓBVIO REVOLUCIONÁRIO


Sobre o artigo De como o óbvio é revolucionário (10/12, A2), nenhum sistema de avaliação da satisfação do contribuinte com os serviços que recebe, em contrapartida pelos impostos que paga, faz sentido quando seus provedores têm estabilidade e isonomia. A verdade é que, mesmo trabalhando pouco, trabalhando mal e prestando péssimos serviços, seus salários e aposentadorias estão garantidos ad aeternum. A humanidade nunca avançou sem pressões e não por acaso muitos dos maiores avanços deram-se rapidamente em tempos de guerra. Só estúpidos defenderiam uma guerra para a melhoria dos serviços públicos, mas o Brasil não aguenta mais o rame-rame de um Estado gigantesco e perdulário que não deve satisfação a ninguém.


Herman Mendes hermanmendes@bol.com.br

Blumenau (SC)


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GOVERNO BOLSONARO


Muito oportuna a publicação lado a lado (8/12, A2) dos artigos do ex-ministro da Fazenda Pedro S. Malan e do jornalista Rolf Kuntz. O primeiro apresenta, sob o título A ousadia da moderação, uma visão prudente, mas otimista, para solução dos graves problemas de que o povo brasileiro padece, e que ainda seria viável no resto do mandato do presidente Bolsonaro, destacando que temos menos de três anos para achar saídas pelo diálogo franco, sem escolha entre “nós e eles”, que as malfadadas administrações de Lula e Dilma pregaram cinicamente para desunir o povo, induzindo e se beneficiando da maior corrupção já vista no País. Tal posicionamento é bastante crível da parte de um importante membro de governo que conhece as entranhas da administração pública. O segundo nos apresenta, com base em variados índices oficiais, uma visão sombria do futuro sob o título Desemprego seguirá alto no 4.º ano pós-recessão. Dá a entender que o presidente Bolsonaro não tem condições de reverter a gigantesca tragédia social e econômica plantada pelas administrações anteriores, sem dizer uma só palavra a esse respeito, esquecendo-se de mencionar que o Poder Legislativo não tratou como ação urgentíssima o apoio à aprovação de reformas indispensáveis para o equilíbrio fiscal, algo que deveria ser pautado por iniciativa desse poder, se ele tivesse em seus quadros representantes comprometidos com a defesa de legítimos interesses do mesmo. Esqueceu-se de mencionar o nefasto aparelhamento do Supremo Tribunal Federal (STF) com figuras comprometidas com garantia de favorecimento de quem as nomeou, quando a retribuição de favor fosse exigida. Como aceitar a nomeação de um ministro do STF, antigo defensor do PT, que foi reprovado em concurso para juiz por duas vezes, prova inequívoca de sua incapacidade para ocupar tão importante cargo? Outro ministro nomeado teve o desplante de contrariar a Constituição, que deveria defender intransigentemente por dever de ofício, decidindo pela manutenção dos direitos políticos da afastada ex-presidente Dilma no processo de impeachment, afrontando o vernáculo ao ignorar o claro significado da conjunção “com” (afastamento com a perda de direitos políticos). Curiosamente, os pares desse ministro concordaram com esse reprovável ato, quando deviam contestá-lo imediatamente, tornando-o inválido. Resultado: Dilma Rousseff circulando pelo mundo propalando ter sido vítima de golpe, buscando enganar os incautos sobre a idoneidade de nossas instituições, consumindo recursos que poderiam estar destinados à educação, saúde, segurança pública.


Paulo Eduardo Grimaldi pgrimaldi@uol.com.br

Cotia


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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ESSA DESCONHECIDA


Paulo Guedes relegar à opinião pública a estabilidade dos servidores públicos, eis um escape desprovido de responsabilidade de um governante. A opinião pública só tem em comum com a administração pública o adjetivo. Bem conduzir a res publica é um desafio para os homens desde os primórdios. Se estáveis e fruidores de aposentadorias integrais – nosso modelo tradicional – diz-se que os servidores são um peso morto, o que é, no máximo, meia verdade. Retirar esses complementos da contrapartida do Estado a seus servidores é estimular a corrupção passiva: enquanto persisto na função, defender-me-ei do futuro infausto entregando-se à corrupção passiva, cujas tentações passam dia a dia à minha frente. Um diagnóstico profundo da melhor administração, feito por especialistas, seguido da construção de um acervo humano consciente e voltado ao bem comum – para Leon Duguit o Estado não passa de um conjunto de servidores conscientes – se antepõe ao populismo no enfrentamento desse fundamental desafio.


Amadeu Garrido amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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NULIDADES


Qualquer cidadão que se tenha prestado a acompanha minimante o que ocorre nos tribunais brasileiros sabe que tem completa razão o presidente do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), Victor Luiz dos Santos Laus (entrevista ao Estadão, 9/12, A8): “Os advogados só questionam nulidades e nunca o mérito das acusações”. O exemplo mais pragmático é do contundente advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, que não apresentou uma prova de que seu cliente famoso não cometeu os crimes pelos quais já cumpriu parte de sua pena, mas insiste na nulidade dos processos usando pífios argumentos, tais como inversão da ordem de fala de acusado delator e não delator, uso de cópias de textos de outros processos e até suspenção, sem motivação cabível, do juiz que condenou seu cliente na primeira instância. A Justiça deveria ter uma forma de cobrar multa destes advogados, pelo custo de mobilizar sua pesada e cara estrutura e não apresentar nenhum fato relevante que possa modificar o resultado do processo.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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ENTREVISTA COM VICTOR LAUS


O juiz do TRF-4 está correto. Questionar provas dá trabalho e as defesas, formalistas, parecem preferir anular julgamentos e levar seus casos a mais instâncias. Faturam-se mais horas, na moleza. O próprio STF ganha volume de processos e “importância”: seria o julgador se beneficiando de suas decisões, esquecendo-se de que “nemo iudex in causa sua”? Alô, Ministério Público!


Alberto Jabur ajabur15@gmail.com

Curitiba


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AS CONVICÇÕES DO JUIZ


Primeiro, o presidente do TRF-4 (Estado, 9/12, A8) usa de uma ironia sem propósito e totalmente descolada do seu cargo e função, o que por si só diz muito das “convicções” de um juiz: “O que eu fiquei ouvindo, durante cinco anos, foi ‘há uma nulidade, porque aquele documento é preto, e devia ser verde; aquele portão não abriu, mas devia ter aberto; ah, porque o juiz espirrou em vez de tossir; ah, porque o promotor falou muito alto, e o meu cliente ficou com medo (...)”. Em sequência, reafirma o que é uma espécie atécnica, parcial e desviada de argumentação: “Como juízes, não podemos idealizar a forma e sacrificar o conteúdo. A verdade é essa”. Logo depois, reforça sua pretensa particular convicção interpretativa do Direito: “Os advogados, por exemplo, que se apresentam como garantistas, na realidade, são advogados que dão uma ênfase à forma, e não ao conteúdo”. Mas quando indagado sobre os diálogos divulgados pelo site The Intercept, sua postura se altera conflituosamente, ao sabor do pior “decido conforme acho que é certo”, respondendo sem ruborizar: “Prova ilícita é prova ilícita. Ponto. Os áudios obtidos pelo Intercept são alvo de prova ilícita. Não se prestam a alimentar qualquer investigação, muito menos uma condenação, muito menos uma arguição de suspeição”. Ué, excelência, o que importava não era o conteúdo? Não foram os advogados garantistas que nunca disseram que “meu cliente é inocente”? Ou sua “teoria interpretativa” enxerga somente o horizonte da sua parcialidade? Nulidade deve, sim, ser questionada, excelência! E, se confirmada, o juiz se obriga a acatá-la, independentemente de suas “convicções e achismos”. Para isso serve um livreto chamado Código de Processo Civil, ao qual advogado e juiz se prendem durante todo o transcorrer da ação. Ou é isso ou será o retorno dos duelos (que exigiam igualmente um juiz imparcial, ressalte-se). É isso ou será o fim do Direito, ainda mais num país que adotou muito mal uma importada teoria de precedentes judiciais e a tem aplicado sem qualquer rigor.


Alexandre Pantoja pantoja@alexandrepantoja.adv.br

Santo André


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PIRRALHANDO


O presidente Jair Bolsonaro desclassificou a jovem ativista sueca de 16 anos Greta Thunberg. E mais: criticou exacerbadamente, como é comum em suas vociferações, a imprensa livre por “dar espaço para uma pirralha dessas aí”. E enfatizou, com seu notório descontrole: “Pirralha!”. Se ele tivesse o mínimo preparo, uma autocrítica o conduziria às destrambelhadas personagens que lhe gravitam: numa órbita mais próxima, seus inconsequentes filhos; em outra, os recém-nomeados olavistas patéticos em suas lutas contra os moinhos de vento de uma “esquerda alucinógena”.


Luís Lago luis_lago1990@outlook.com

São Paulo


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MOLEQUE


O presidente Bolsonaro destratou a adolescente Greta, depois de ela lamentar a morte de índios assassinados no Brasil. O verdadeiro pirralho nesta história é o próprio Bolsonaro, que age como uma criança boba nas questões ambientais. Sua visão tacanha e equivocada sobre a pauta ambiental vem causando prejuízos incalculáveis ao País. Nunca se desmatou tanto, criminosos são tratados como heróis e heróis, tratados como criminosos. Não foram o ator Leonardo DiCaprio nem Greta que tacaram fogo na Amazônia, foi o moleque Bolsonaro, com seu discurso de ódio estúpido e descabido. O verde da nossa bandeira não é da esquerda, o verde são as matas do Brasil que este fedelho está destruindo como um louco.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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PRESIDENTE, ESTADO E NAÇÃO


Em relação à resistência do presidente Jair Bolsonaro a mandar representante à posse do presidente eleito na Argentina, é lamentável termos de lembrá-lo de que foi eleito presidente, integrando uma das instituições do Estado, que, aglutinadas, formam a nação brasileira, com características e tradições próprias, entre elas a relação respeitosa com outras nações, independentemente das ideologias destas. Sem dúvida, é uma atitude prejudicial às nossas relações internacionais estender aos países vizinhos e parceiros o clima extremado que vivemos, ingrediente que poder levar a uma ruptura na respeitável harmonia historicamente vigente. A busca da união, da harmonia e da ponderação é o que se espera de um governante. Infelizmente, é o oposto do que temos presenciado nos tempos atuais.


Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto


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MAIS UM PONTO NEGATIVO


Bolsonaro mudou seu posicionamento em relação à participação do Brasil na posse do presidente da Argentina. Sentiu a pressão das direções da Câmara e do Senado, que indicaram um bloqueio à tramitação de projetos governamentais em ambas as Casas, e decidiu indicar o vice-presidente, general Mourão, para nos representar na solenidade. Essa atitude do dirigente maior de nosso país, por certo, acrescenta mais um ponto negativo ao nosso conceito na diplomacia internacional.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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INCAPAZ


Bolsonaro demonstrou novamente sua incapacidade de governar! A última mancada foi decidir não ir a Buenos Aires cumprimentar o presidente recém-eleito, quebrando uma harmonia entre os países de muitos anos.


Laert Pinto Barbosa  laert_barbosa@globo.com

São Paulo


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O EQUILÍBRIO DO VICE


Ao dizer, em Buenos Aires, que o “Brasil e a Argentina têm de se ajudar mutualmente”, o general Hamilton Mourão demonstra um perfeito equilíbrio de geopolítica, de que tanto estamos a necessitar nestes momentos conturbados que vivem as relações internacionais atualmente.


José de A. Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro


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CASO PERDIDO


A Argentina é um hopeless case, dotada no pampa de solo dos mais férteis do mundo, comparável ao do Mississipi, nos EUA, e à terra negra da Ucrânia, mas vítima da política, sobretudo no período pós-Perón. O resultado das inúmeras crises econômicas vividas pelo país é que o argentino acabou por desenvolver uma repulsa insuperável à moeda nacional e uma verdadeira obsessão pelo dólar, que é caro, escasso e sempre com tendência de alta em virtude da grande demanda pela população para fins de proteção financeira, gerando com isso uma tendência crônica à inflação e impedindo o desenvolvimento de um mercado de capitais nacional. Nem chegou a sair da crise externa anterior, que fechou as portas de acesso da Argentina ao mercado internacional de crédito, por causa do calote infligido aos credores na última renegociação de sua dívida externa, e já está pendurada em US$ 100 bilhões no FMI. Por isso é que o novo presidente nomeou como ministro da Fazenda um especialista em renegociações de dívidas com formação e trânsito nos EUA, onde era parceiro de Stiglitz, economista que, se não estou enganado, ganhou o Nobel de Economia, mas cujas ideias me parece não se afinarem muito com as crenças predominantes nos bancos e centros financeiros internacionais. Para terminar, vem a propósito deixar registrado o progresso indiscutível que o nosso Brasil realizou – também nós vivemos ao longo da nossa história uma crônica penúria cambial, por duas vezes decretamos moratórias, Getúlio na década de 30 e Sarney na de 80, quando a dívida externa de US$ 100 bilhões pesava sobre o País. Felizmente, vencemos esta limitação paralisante do nosso desenvolvimento, temos reservas de mais de US$ 380 bilhões que pagam com sobras nossa dívida externa e superávit na balança comercial, um caso e outro graças à China, que se tornou o maior parceiro comercial do Brasil, superando os EUA. Com a tendência incoercível de nós, brasileiros, falarmos mal do nosso país, é reconfortante ressaltar fatos positivos como este.    


Paulo Afonso drpaulo@uol.com.br

São Paulo


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CRISE NOS ESTADOS


Boa parte dos Estados brasileiros, como reflexo do desastre da administração petista, não tem recursos nem para pagar os salários dos servidores, e menos ainda fornecedores. E, para tentar pagar o 13.º salário neste mês de dezembro, de pires nas mãos e angustiados, governadores pressionam o Planalto para que libere urgentemente os R$ 5,3 bilhões a que têm direito sobre os recursos arrecadados do megaleilão do pré-sal, entre os dias 10 e 20 deste mês, como publicou o Estadão. Na realidade, deveriam ser distribuídos R$ 10,9 bilhões aos Estados, mais do que o dobro do valor solicitado, se esse leilão, como previsto, tivesse arrecadado R$ 106,5 bilhões, e não os decepcionantes R$ 69,6 bilhões de fato arrecadados. É impressionante como para pedir dinheiro federal estes governadores se unem. Mas, para reduzir gastos improdutivos, deixar de inflar a máquina com nomeações políticas, acabar com a prática dos superfaturamentos e melhorar a eficiência dos serviços prestados à população, eles todos desconversam...


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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NADA MAIS PREVISÍVEL


Será divulgada no próximo ano pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) a projeção dando conta de que, com as sucessivas quedas de crescimento ao longo das últimas duas décadas, o Estado do Rio de Janeiro, antes detentor do terceiro maior PIB per capita do País, atrás somente do Estado de São Paulo e de Brasília, perderá a colocação para Santa Catarina. Certamente, o Rio foi o integrante da União no qual a razão entre o montante de corrupção por agente corruptor ostentou um número inigualável. O fato de ter dois ex-governadores  presos, condenados a incontáveis anos de cadeia e outros dois já detidos mas soltos por ordem de desembargador de ocasião e por liminar emitida por ministro da Suprema Corte, todos com mandatos durante o período citado, já fazia prever que, a qualquer momento, viriam à luz dados do consequente empobrecimento que resultou na lamentável perda de potencial econômico. Nada mais previsível.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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O CONGRESSO DO PSDB


Desde a realização, no sábado (7/12), do seu congresso nacional em Brasília, o partido fundado em 1988 como uma dissidência do MDB assume uma importante mudança programática ao se afastar da origem social-democrata liberal, com uma guinada à direita. Sob o comando do governador João Doria (SP), vem aí o “novo” PSDireitaBrasil. Que os novos tucanos assumam posições claras e definidas em relação às grandes questões nacionais e desçam de vez de cima do muro onde estiveram exibindo seus longos bicos anos a fio. PSDB, direita volver!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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O ‘NOVO’ PSDB


O PSDB sempre foi um partido de dissimulados, pois na época do governo petista nunca fez uma oposição efetiva aos desmandos cometidos nos governos Lula e Dilma. A sensação era a de que os tucanos eram os “irmãos letrados” dos petistas, apenas isso. Lembro-me de que próprio FHC aconselhou seus congressistas na época do mensalão a que parassem de bater em Lula pois poderiam causar um desgoverno que não interessava a eles. Por isso é que herdamos um segundo governo para Lula e mais dois de Dilma, que levaram o País para o buraco. Agora, o texto do “novo” PSDB, apresentado no congresso do partido em Brasília, descreve o partido como de direita liberal, ecológica e democrática. Mentira. Eles são uns mascarados apenas querendo conquistar parte de um eleitorado que escolheu Bolsonaro como presidente. Quando diz que não darão apoio em questões de costumes ditadas pelo governo, nem poderiam, já que durante todo o governo do PT nunca levantaram uma voz contra os costumes impostos pelos petistas. Cheguei a ler, na época, no site do Ministério do Trabalho, uma cartilha sobre as regras sugeridas para uma prostituição mais rentável, como vestir-se, como sentar-se, conquistar um cliente abonado, como fazer carícias envolventes. Um horror. E tucanos nunca falaram nada sobre isso, mas agora não apoiarão os costumes “pequenos burgueses” que apoiam valores como família, respeito aos mais velhos, a professores e até respeito à nossa bandeira tão desprezada na época do PT no governo. Votei muito no PSDB durante todos os governos petistas, e fui enganada, pois descobri muito tarde que estava apenas votando no parceiro cerebral e pseudointelectualizado e esquerdista daquele governo populista e ladrão. Para mim, já deu. PSDB nunca mais.


Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo


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DORIA E O PULO DO GATO


João Doria, governador de São Paulo, ainda não se deu conta de que o eleitor detesta traíras. Como prefeito, deu um baile no eleitor e deixou seu vice. Para se eleger governador, aliou-se a Bolsonaro. Ainda faltam três anos, mas como parlamentares só pensam em eleição, Doria mudou de lado e está testando seus eleitores. Pois é, terá uma surpresa, por trair o voto daqueles que o elegeram achando que iria mudar São Paulo. Tudo na mesma. Agora, como dono do PSDB, está recolhendo o lixo que vai sobrando pelas bordas. Aposta na reeleição de Bruno Covas, conhece a dificuldade do prefeito, que está com problemas de saúde, e articula colocar a deputada Joice Hasselmann como vice-prefeita, e, num passe de mágica, a deputada vira prefeita.Com que currículo? Aliás, não é preciso saber nada, só precisa obedecer ao chefe. Incrível como o cidadão paulistano é ignorado na briga pelo poder. São Paulo está abandonada. Basta andar pelas ruas, coisa que político não faz, pois não é doido. Vamos aguardar outubro de 2020, com certeza os postes não serão eleitos.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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