Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2020 | 03h00

Poder Judiciário

Descalabro

Decisão de Fux é “descalabro”, gera insegurança e “desgasta barbaramente” a imagem do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o ministro Marco Aurélio Mello. Na verdade, o despacho do ministro Fux simplesmente evidencia a forma como têm sido tomadas decisões no âmbito dos três Poderes. Um Congresso que usa seu poder em função de interesses políticos corporativistas e não analisa objetivamente o que decide à luz da Constituição e da legislação infraconstitucional por ele mesmo aprovada; um Executivo que, sem base de apoio político – e preocupado com problemas familiares –, prefere não seguir a orientação de um de seus mais qualificados ministros, responsável pela área da Justiça, e vetar o que sabe inadequado; e um Judiciário cujo presidente se mostra incapaz de reconhecer suas limitações e as do cargo que circunstancialmente ocupa, pretendendo assumir funções de legislador. E o errado é Fux?!

JORGE R. S. ALVES

JORGERSALVES@GMAIL.COM

JAÚ

Fux, Toffoli e a razão

A instituição do Juizado de Garantias – melhor cognome seria Juizado de Instrução – causou perplexidade nos meios jurídicos e forenses, especialmente pelo prazo de entrada em vigor da lei, 30 dias, tempo aumentado para seis meses pelo presidente do STF, Dias Toffoli. Entretanto, o ministro Luiz Fux, magistrado de carreira e ex-ministro do STJ, agiu com mais cautela ainda, tornando esse prazo indeterminado. Com efeito, sem afoiteza o tema poderá ser mais bem estudado e verificado até sob o aspecto de custos em âmbito nacional. Entendo que na decisão de Fux não houve desrespeito ao Poder Legislativo, porque este deveria antes ter feito consultas ao Judiciário sobre a viabilidade da implantação e sua conveniência processual ou não. Mas, não. Simplesmente quiseram contrariar Sergio Moro. Pergunta-se: não teria havido desrespeito ao Judiciário na conduta do Legislativo?

JOSÉ CARLOS DE CARVALHO CARNEIRO

CARNEIROJCC@UOL.COM.BR

RIO CLARO

De desgaste

Se o ministro Fux adiou o juiz de garantias para os ajustes necessários, como pode causar insegurança jurídica, se isso ainda nem está em vigor? Desgastado está o STF, pelas manifestações populares.

PAULO TARSO J. SANTOS

PTJSANTOS@BOL.COM.BR

SÃO PAULO

Decisão de magistrado

A decisão de Fux suspendendo sine die o juiz de garantias, apressado jabuti enfiado na legislação, vem do seu íntimo conhecimento da máquina do Judiciário, magistrado de carreira que é. Toffoli decidiu com o mesmo grau de conhecimento dos legisladores, muito pouco, quase nada, pois caiu de paraquedas no Supremo sem jamais ter sido juiz.

ROBERTO MACIEL

ROVISA681@GMAIL.COM

SALVADOR

No Congresso

Parece que o presidente da Câmara e outros deputados estão mais preocupados com as “ofensas” à Casa do que com as razões do ministro Fux para adiar por tempo indeterminado a adoção do juiz de garantias. Nenhuma palavra sobre seus fundamentos, como se a decisão se tivesse limitado a contrariar o Executivo, o Legislativo e o próprio presidente do STF. É a verdade formal se sobrepondo à verdade material, tão frequente na sociedade brasileira. Onde estão os argumentos técnicos dos analistas para, em vez de só jogar lenha na fogueira, nos brindarem com suas opiniões a respeito de um assunto que tem ocupado as manchetes?

LUIZ AUGUSTO CASSEB NAHUZ

LUIZ.NAHUZ@GMAIL.COM

SÃO PAULO

Lentidão

A atual polêmica sobre o juiz de garantias desviou o foco do principal problema da Justiça no Brasil, que é a lentidão. Se assim não fosse, vários processos que prescreveram teriam sido julgados, como os do ranário de Jader Barbalho e alguns de Paulo Maluf. Quanto aos direitos dos indiciados, que deve haver, me pergunto: para que servem os TRFs, o STJ e o STF? Não é para corrigir possíveis injustiças e resguardar direitos dos cidadãos?

JOSE ELIAS SALOMÃO

JSALOMAO@ISM.COM.BR

RIO DE JANEIRO

Governo Bolsonaro

Tiro no pé

Criminalidade em baixa, ministro da Justiça com enorme apoio e aceitação, e o presidente Jair Bolsonaro cogitando de reduzir a área de atuação dele? Incompreensível! Estaria fazendo oposição a seu próprio governo.

MARCOS LEFEVRE

LEFEVRE.PART@HOTMAIL.COM

CURITIBA

Militares no INSS

As últimas notícias indicam que o governo deve abandonar a ideia de contratar militares para força-tarefa no INSS. Independentemente de ser necessária ou não, ou se tal medida é a mais recomendada ou não, parece que de novo os servidores públicos estão mostrando quem manda de fato no Brasil. Assim como as corporações de servidores que fazem o querem nos Poderes Judiciário e Legislativo, agora é a vez das desse órgão do Executivo, que até ameaçaram com greve se essa medida fosse formalizada pelo governo. Lembremos que, além do grande número de pedidos de aposentadoria de servidores do INSS nos últimos meses, nada menos que 20% (um quinto!) do seu quadro de servidores está em licença de saúde. Um absurdo! Já passou da hora de uma verdadeira reforma administrativa e de regulamentar a greve no serviço público.

ÉLLIS A. OLIVEIRA

ELLISCNH@HOTMAIL.COM

CUNHA

Trens da alegria

A verdade é que vamos ter de arcar com mais alguns trens da alegria. Decepcionante...

JONAS DE MATOS

JONAS@JONASDEMATOS.COM.BR

SÃO PAULO

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LUIZ FUX E O JUIZ DE GARANTIAS


O ministro Luiz Fux, respondendo pelo plantão do Supremo Tribunal Federal (STF) no recesso do Judiciário, suspendeu por tempo indeterminado a implementação do chamado juiz de garantias, previsto no pacote anticrime aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro do ano passado. Fux é o relator de quatro ações que questionam o tema no Supremo. A decisão dele derruba liminar do presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, que determinara o adiamento da vigência da lei pelo prazo de 180 dias. Toffoli teria manifestado ao seu círculo íntimo irritação com o fato – ele e Fux já não se entendem bem há algum tempo. Outras autoridades expressaram desagrado com a nova decisão – algumas de forma áspera, caso do também ministro do STF Marco Aurélio Mello, para quem o ato de Fux é “um descalabro”, gera insegurança jurídica e “desgasta barbaramente” a imagem do Supremo. Já o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), classificou a decisão de Fux como “desnecessária” e “desrespeitosa” com o Congresso, o presidente Jair Bolsonaro e o presidente do STF, Dias Toffoli. Opiniões para lá de questionáveis, ao avaliar sua autoria. Lembrando que no início do recesso do Judiciário em dezembro de 2018 Toffoli – ele mesmo – derrubou com uma canetada decisão liminar do próprio Marco Aurélio que mandara soltar todos os presos sem condenação transitada em julgado do País, é difícil de aceitar a virulência deste último agora, em relação ao ato de Fux. Rodrigo Maia, por sua vez – nunca é demais lembrar que é alvo de duas investigações criminais no STF –, não viu desrespeito ao Congresso quando o Supremo, em 2017, pela escassa maioria de 6 a 5, criou mais um foro privilegiado para congressistas ao determinar que decisão do Judiciário deva ser encaminhada ao Legislativo para análise “sempre que a medida cautelar impossibilitar direta ou indiretamente o exercício regular do mandato legislativo”.


Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo


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JUIZ COM JUÍZO


Até que enfim apareceu um juiz com juízo: o ministro Luiz Fux. Sempre avesso à corrupção e às tramoias, ele suspendeu e desautorizou a malfadada ideia da implantação do juiz de garantias. Ora, entendeu que, além de inconstitucional, não há previsão e tampouco recursos para essa nova figura jurídica. Na verdade, “alguns” pretendem a procrastinação das investigações para beneficiar uma gama de ilícitos pelo País. Parabéns, ministro, o Brasil precisa da sua ajuda.


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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PODERES DE UM JUIZ DE PLANTÃO


No regime de exceção falava-se da vontade onipotente do “general de plantão”. Hoje, o lobo da floresta é o “juiz de plantão” no Supremo Tribunal Federal. Deveria ele examinar tão somente as petições de urgência. Ação declaratória de inconstitucionalidade de lei não importa em urgência e suas liminares, que vigem por anos a fio, em princípio, são da competência do plenário. O rei Fux ultrapassou os limites de sua competência monocrática, ao praticamente enterrar o juiz de garantias, criado pelos representantes do povo brasileiro, cuja legitimidade é confortada pelo voto popular, enquanto os ministros do Supremo são simplesmente nomeados. Ante a singularidade do evento processual, o ministro Fux deve submeter de imediato sua decisão ao plenário, que certamente zelará pelo Estado Democrático de Direito, cujos poderes tripartites devem ser rigorosamente harmônicos.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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SUCESSÃO


O STF ainda tem um presidente, Dias Toffoli, que, lembremos, quando foi aventado que seria indicado à alta Corte, a classe jurídica em peso ficou estarrecida, pois para a grande maioria se tratava de um advogado do PT que tinha levado pau nas vezes que tentou entrar no concurso de juiz. Agora, irá suceder-lhe Luiz Fux, talvez tão ruim juridicamente quanto, com um plus: é oportunista.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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NO LIMITE


Ao suspender o juiz de garantias, contrapondo-se à decisão de Dias Toffoli e provocando comentários negativos de alguns colegas, o ministro Luiz Fux parece querer “arrancar seus cabelos”, perdendo a paciência com o STF.


Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo


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‘DE QUALQUER JEITO’ NÃO DÁ


O presidente Dias Toffoli já deveria ter remetido há tempo para o plenário do STF a análise da figura do juiz de garantias, ao invés de tomar decisões monocráticas sobre tema tão polêmico e nebuloso. A argumentação do ministro Luiz Fux para justificar sua liminar é exata: “Observo que se deixaram lacunas tão consideráveis na legislação que o próprio Poder Judiciário sequer sabe como as novas medidas deverão ser adequadamente implementadas”. Em outras palavras, mais claras: há certas coisas que não podem ser feitas de “qualquer jeito”.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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DUAS DECISÕES


Fux é ministro do STF tanto quanto Toffoli. Apenas duas decisões diferentes.


Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas


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JABUTICABAS CONGRESSUAIS


O ministro Fux apenas destoffolizou as jabuticabas Maia-Alcolumbre. É preciso erradicar as jabuticabeiras. Pela raiz. Nas eleições...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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CAMBALACHO


Quem é Rodrigo Maia para reclamar do ministro Fux, do STF, pelo adiamento por tempo indeterminado da implantação do tal juiz de garantias? Ora, ora, até os urubus que sobrevoam Brasília, atraídos pela carniça exalada da podridão do ambiente político local, sabem que esse projeto é mais uma malandragem criada no Congresso pela necessidade de salvar Lula, limpar a barra de um membro do clã Bolsonaro e, também, daquele pacote de políticos envolvidos em processos de corrupção que nos colocaram entre os países mais corruptos do mundo. Ao dizer que o ministro Fux desrespeitou o Congresso (ou Cambalacho, como apelidado pelo povo) Nacional, Maia se esquece de que, para merecer respeito, antes é preciso se fazer respeitado.


Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça


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ENTRE PODERES


Que tal Rodrigo Maia pensar que, no caso da criação do juiz de garantias, o Congresso fez o que bem entendia, sem conhecer os meandros e detalhes do funcionamento do Judiciário, não consultou o Judiciário sobre o que pretendia fazer e liberou algo que, além de interferir sobremaneira no operacional daquele Poder, apresenta custos adicionais – e quanto a tais custos o Congresso não teve a menor preocupação com as fontes que os sustentariam? Isso é respeitoso pelo Poder Judiciário?


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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PEGADINHA


Cumprimento o corajoso ministro Luiz Fux por suspender, por prazo indeterminado, a capciosa figura do juiz de garantias, pegadinha inserida no projeto anticrime pelo nosso glorioso Congresso, que, lamentavelmente, salvo raras exceções, assumiu como finalidade precípua resguardar interesses de quem tem telhado de vidro, contando com a credulidade de eleitores, bem como com o olhar complacente de alguns supremos ministros que fariam melhor figura se ficassem calados.


Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém


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DO NOSSO AGRADO


“Liminar do ministro Fux com relação ao ‘juiz de garantia’ desautoriza Toffoli, Bolsonaro e Congresso”, mas atende aos anseios da população brasileira, que, sem essa lei, já está submetida a uma Justiça inoperante, lerda e deficiente. Fux mostrou que no STF ainda existe vida inteligente!


Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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VITÓRIA


O ministro Fux, ao suspender o juiz de garantias por tempo indeterminado, não impôs uma derrota ao Congresso, ao presidente Bolsonaro e ao presidente da Corte, mas uma vitória, em primeiro lugar, à Constituição federal, que exige iniciativa do Poder Judiciário para modificação da organização judiciária, e, em segundo lugar, uma vitória da sociedade brasileira consciente de que o juiz de garantias iria atrasar a prisão de criminosos.


José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo


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O PAÍS PRIMEIRO


Parabéns ao ministro Luiz Fux por sua decisão de ter suspendido por prazo indeterminado mais esta jabuticaba que é o juiz de garantias. Finalmente temos um ministro que demostra estar preocupado com o País, e não em proteger apaniguados.


Luiz Roberto Savoldelli savoldelli@uol.com.br

São Bernardo do Campo


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AMIGO DO BRASIL


Mais um amigo do Brasil é confirmado. O ministro Luiz Fux, usando a sensatez que todos os ministros do STF deveriam usar, mas muitos não usam, negou o bagulho do juiz de garantias enfiado pela Câmara no pacote anticrime só para prejudicar Sérgio Moro. Parabéns, ministro Fux!


Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo


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RESPEITO


Então o presidente da Câmara acha que o ministro do STF desrespeitou o Parlamento? Se não fosse trágico, seria cômico. Quem desrespeita o povo brasileiro é este Parlamento que advoga em causa própria. Querem respeito? Reduzam seus salários e suas mordomias (carro, plano de saúde, verba de gabinete, número de assessores, passagens aéreas), suspendam os pagamentos de pensão a filhas de ex-congressistas, passem a trabalhar de segunda a sexta-feira (nada desta lega-lenga de que têm de atender às bases). Isso será dar-se ao respeito.


Roberto Jeronymo Nastri nastrirj@gmail.com

Guarulhos


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CULTURAL E INSOLÚVEL


Enquanto a Justiça brasileira, principalmente por meio da sua Corte Suprema, não incorporar objetivamente o real espírito de combate à corrupção, deixando, por exemplo, de estabelecer critérios de julgamento dependentes da influência que cada réu exerce sobre os ministros, e o Poder Legislativo não regulamentar leis com potencial de alcançar muitos de seus integrantes envolvidos em processos, como, por exemplo, a da condenação após segunda instância, o País continuará patinando no ranking mundial da percepção da corrupção, elaborado pela Transparência Internacional, que acaba de comprovar uma piora da colocação do Brasil, que ficou atrás até de alguns países latino-americanos. Se esses órgãos e as autoridades que os compõem, com potencial de corrigir o padrão de impunidade que ainda se observa por aqui, não modificarem sua abordagem, será cada vez mais generalizada a descrença na Justiça pela população, que, assim, continuará alimentando a triste fama, já conhecida mundo afora, segundo a qual no Brasil a corrupção é cultural e insolúvel.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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‘MÉRITO’


Brasil piora no ranking de corrupção em 2019, diz Transparência Internacional (Estadão, 23/1). Este “mérito” deveria ser dado a alguns ministros do STF, responsáveis pela soltura dos maiores corruptos do País e passando à sociedade uma sensação de impunidade.


Marilene Fernandes mm.cruz23@me.com

São Paulo


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TRANSPARÊNCIA INTERNACIONAL


Pois é, o castigo vem a galope. STF, Câmara dos Deputados e parte da mídia mexendo os pauzinhos contra Sérgio Moro e o resultado está aí: o Brasil piora no ranking da corrupção (23/1, A8). Lamentável! Que país é este?


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo


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ESTICANDO O ELÁSTICO


O presidente Bolsonaro voltou a pensar em retirar de Sérgio Moro a Segurança Pública e dá-la a seu amigo Alberto Fraga (DEM). Parece que o sonho de Bolsonaro é um: deixar em 2022 Sérgio Moro como simples estafeta. Não vai dar certo. Quanto mais o presidente Bolsonaro usar instrumentos para diminuir Sérgio Moro, eles viram fermento e aumentam o tamanho do ministro. Só ele não vê!


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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IMPLICÂNCIA COM O GOVERNO


A propósito do artigo ‘Cadeia de comando’ (Estado, 22/1, A8), assinado por Vera Magalhães, pareceu-me, com o máximo respeito, que a articulista está a confundir as atribuições das pessoas e instituições em nossa República. Após insinuar que no Brasil as liberdades estão por um fio e as minorias perdendo direitos a cada dia (o que não é verdade), a colunista indagou: “Até quando será possível ao ex-juiz (Sérgio Moro) calar sobre assuntos como o atentado à produtora Porta dos Fundos e falar apenas em privado sobre absurdos como a performance nazista de Roberto Alvim? Ou silenciar quanto aos ataques à liberdade de imprensa?”. Alguém me corrija, por favor: pareceu-me que Bolsonaro decidiu-se pela demissão imediata do então secretário Alvim logo após vir a público sua “performance” evocando Goebbels. Logo, não compactuou com nada que cheirasse a nazismo. Quanto ao atentado à produtora que ridicularizou Jesus, a figura central do cristianismo, fiquei me perguntando se competiria ao ministro Sérgio Moro “comentar” qualquer uma das duas agressões, a blasfêmia ou o atentado, e, mais ainda, censurar a chefia por supostos “ataques” (?) feitos à liberdade de imprensa – e aqui a colunista pareceu confundir o continente com o conteúdo, já que jornalistas, que não estão imunes à crítica, são uma coisa e a imprensa, cuja liberdade segue inviolável, outra. Prosseguindo, pontificou a sra. Magalhães: “Não se trata, como diz ele (Moro), de ser um ‘comentarista-geral da República’. Mas de cumprir o papel de ministro da Justiça: o de guardião da democracia e da Constituição”.  Confesso, com toda a humildade, não ter entendido direito este novo “papel” institucional do ministro na visão da articulista. Acaso o titular da pasta da Justiça seria um tipo de sentinela a zelar pela integridade de nossa democracia? E quanto à Carta Magna, então? Até agora, eu estava certo quanto à competência do Supremo Tribunal Federal como guardião-mor da Constituição... mas a articulista vê as coisas de outra forma e parece atribuir, também, essas responsabilidades ao ministro da Justiça. Para finalizar, a colunista saiu-se com esta pérola: “(...) Moro convive no governo com acusados de irregularidades que, como juiz, não hesitaria em investigar”.  Entendi direito? Acaso a colunista sugere que o Poder Judiciário faça... investigações? Está deveras penoso, meus amigos. Não estou defendendo ninguém, mas quando a implicância com o governo chega a este ponto, fica difícil de não dar certa razão aos “desabafos” do presidente.


Silvio Natal silvionatal49@gmail.com

São Paulo


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SEM MAIS ENTREVISTAS


O presidente Bolsonaro mais uma vez veio a público criticar a imprensa. Ao dizer que não vai mais dar entrevistas, ele alegou que é sempre acusado de agredir jornalistas. Por que ele não faz uma reflexão e assume que efetivamente tem um comportamento inadequado em relação a um setor que é da maior importância para a democracia?


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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BOLSONARO SEM PÃO E CIRCO


Os imperadores romanos já sabiam: para dominar um povo, é necessário dar-lhe pão e circo. Só “papai do céu” não enche a barriga de ninguém. Bolsonaro deveria saber, mas seu primarismo intelectual não alcança, que é possível enganar muitos pouco tempo, ou poucos por muito tempo. Impossível tapear todos o tempo todo. As sujeiras, as arbitrariedades, as falcatruas semanais cometidas por seus filhos, irmão e ex-mulheres saltam aos olhos. Dirigentes da Secretaria de Comunicação e do Ministério do Turismo aparecem nas páginas políticas dos jornais e na TV. Falta um mínimo de “ilustração” ao ministro da Educação. O ministro da Economia culpa os pobres pelo desastre na Amazônia. Fico na dúvida se Bolsonaro e seu entorno representam um “teatro do absurdo” ou uma peça pornográfica.


Marize Carvalho Vilela marizecarvalhovilela@gmail.com

São Paulo


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O OVO DA SERPENTE


O governo de Jair Bolsonaro realmente tem números impressionantes neste primeiro ano, muitas áreas vão muito bem e o País tem, depois de muito tempo, perspectivas positivas, afastando-se do abismo. O presidente Bolsonaro, no entanto, não deve ser julgado apenas pelo que ele fez, mas também pelo que ele tentou fazer e não conseguiu. O Brasil não merece ser governado por alguém que enxerga o meio ambiente como um estorvo a ser removido para permitir o crescimento do agronegócio. O Brasil não merece ser governado por alguém que sonha com o renascimento do nazismo e com o fim da imprensa. O Brasil não merece ser governado por alguém que não respeita os índios nem as minorias. O governo Bolsonaro vai bem, mas poderia ir muito melhor sem a figura de Jair Bolsonaro. Caso Bolsonaro se fortaleça e se reeleja, ele certamente voltará à carga nos temas que foi obrigado a deixar de lado – desmatamento da Amazônia, fim das culturas indígenas, nazismo cultural e castração da imprensa. A solução é o general Mourão.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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VISÃO DE ESTADISTA


Enquanto Bolsonaro tiver visão de milícias e não se livrar dos Weintraub, Salles, Araújo, etc., seu governo será a decepção de quem, algum dia, achou que ele podia ascender ao alto clero. É mais uma aposta furada.


Luiz Lucas C. Branco whitecastel.castellobranco@gmail.com

São Paulo


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MUITO RUÍDO, POUCO PERIGO


Segundo pesquisa recente, a quantidade de pessoas que avaliam o governo Bolsonaro como ótimo ou bom subiu de 29,4% para 34,5% entre agosto do ano passado e janeiro deste ano, por causa, segundo especialistas, da melhoria da economia. E, com o passar do tempo, todas as sandices que opositores apontavam como características ameaçadoras do presidente estão se mostrando como mais ruidosas que realmente potencialmente perigosas. Assim, o governo, que não se exime dos muitos erros acontecidos, caminha para uma cada vez maior moderação, que interessa muito mais ao País do que aquela polarização que já deu tanto destaque aos políticos. A aprovação da reforma da Previdência, a inflação baixa, a liberação de saques do FGTS e a 13.ª parcela do Bolsa Família são ações do governo que, lastreadas pelos sóbrios planejamentos do ministro Paulo Guedes, fizeram a percepção das pessoas em relação ao governo melhorar, sem a incidência de um populismo de arroubos que muitas vezes, no passado, procurou fazer caridade com o chapéu dos outros, além de prometer aquilo que não poderia responsavelmente cumprir.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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IMPOSTO DE CARBONO


Sem a menor sombra de dúvida, a Europa merece todo nosso respeito e admiração por séculos de arte e cultura que produziu e disseminou pelo mundo. No entanto, quando se trata de Economia, o comportamento dos europeus é muitas vezes intolerável. Anteontem, na reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu a China e outros grandes usuários de combustíveis fósseis de que poderão estar sujeitos ao risco de serem atingidos com imposto a ser eventualmente aplicado pela União Europeia sobre importações em função da emissão de CO2. A iniciativa, do Green Deal Europeu, visa a proteger as empresas europeias da pressão a que estão sujeitas para reduzir a pegada de CO2. Tudo isso estaria muito bem, não fosse a alta dose de cinismo que essa decisão embute. Sabidamente, a Europa, particularmente os países que integram a União Europeia, é grande consumidora de combustíveis fósseis, em razão de seu alto grau de desenvolvimento, seja pela sua utilização em veículos automotores (o processo de eletrificação está em andamento, mas não se deve perder de vista que resultará no aumento da demanda de energia elétrica para a recarga das baterias), seja para a geração de energia elétrica, seja para o aquecimento durante o período invernal. Não existem na Europa ocidental grandes usinas hidrelétricas e a geração a partir de fontes renováveis está a anos-luz de suprir a demanda. Na Alemanha, em especial, que desativou suas usinas termonucleares em decorrência do desastre de Fukushima, cresceu significativamente a utilização de carvão na geração termoelétrica e, consequentemente, a emissão de CO2. Em suma, um belíssimo exemplo do protecionismo, em que os europeus são mestres. Protegem-se as empresas europeias e, por consequência, os empregos que ditas empresas geram, ao custo de aumentar a taxação de empresas estrangeiras, o que poderá resultar na sua menor competitividade, daí advindo redução do volume de vendas, de produção e do nível de empregos. Outros exemplos do protecionismo europeu encontram-se na dificuldade de ratificação do acordo União Europeia-Mercosul, por pressão dos produtores agrícolas europeus, acostumados que estão com os altos subsídios governamentais que recebem e, mais recentemente, com o fato de que a União Europeia está analisando o acordo entre a Embraer e a Boeing, preocupados com o impacto que poderá resultar sobre o mercado de aviação regional, quando, não muito tempo atrás, não tiveram a menor dúvida em aprovar a compra da Bombardier (até então concorrente direta e desleal da Embraer pelos subsídios do governo canadense) pela Airbus.


Carlos Francisco Micheletti cfmicheletti@terra.com.br

Ribeirão Preto


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A CRISE DA ÁGUA NO RJ


Segundo especialistas, a água tratada no Rio Guandu é só esgoto. Isso vem de longe. Investimento em saneamento básico é saúde, mas não dá voto. Político gosta de fazer obra que aparece. Saneamento não aparece, não dá voto. Como se chegou a este ponto? Simples: descaso com o saneamento básico de um modo geral. Ligações clandestinas, falta de estações de tratamento nos afluentes do Rio Guandu, permitindo que o esgoto chegue in natura até a área de captação e outros fatores também contribuem. Políticas interesseiras e demagógicas contribuíram para este quadro. Agradeço aos governadores pós Lacerda pela m... que me dão de beber.


Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro


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ESTRESSE E CABELOS BRANCOS


Gostaria de saber qual a importância, para a Ciência, de saber que estresse causa cabelo branco. Por motivos fúteis, pesquisadores torturaram animais para constatarem que “é provável que o mecanismo ocorra em humanos”. É urgente que a ética prevaleça e que animais parem de ser utilizados em pesquisas científicas, principalmente nas ridículas, como esta.


Beatriz Pacheco biaipacheco@gmail.com

São Paulo


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ABSURDO


Achei muito absurdo torturar ratinhos para concluir o que já sabemos desde sempre: situações estressantes provocam o embranquecimento dos cabelos!


Renata Maggion remagg@globo.com

São Paulo


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ESTRESSE E CABELOS BRANCOS


Importante descoberta da ciência moderna, mas é de lamentar que ainda sejam utilizados meios medievais que incluem o desrespeito e a falta de compaixão no trato com os animais. Os fins nunca devem justificar os meios.


Vera Bertolucci veravailati@uol.com.br

São Paulo

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