Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2020 | 03h00

Governo Bolsonaro

Intrigas palacianas

Num sistema político como o brasileiro, em que a Presidência da República é revestida de requintes quase transcendentais, até se podem compreender as ações dos nossos presidentes passados e do contemporâneo, Jair Bolsonaro. Aceita-se também, em nossas plagas, o clima de intrigas e invejas que permeiam os corredores palacianos, ambiente que pulveriza talentos que bem poderiam ser úteis ao Brasil. Outra impressão que o ambiente do Planalto nos deixa é a de que todos os nossos recentes presidentes são avessos à fascinação do poder... até chegarem lá. Fernando Henrique Cardoso trabalhou pelo regime de reeleição, Lula da Silva chegou a pensar num terceiro mandato e, dissuadido, quis se candidatar após os quatro anos de Dilma Rousseff, que não abriu mão de se candidatar à reeleição. E agora temos o nosso atual presidente, que bradou aos quatro ventos, em sua campanha eleitoral, que ia acabar com a reeleição, mas agora não só ambiciona ser reeleito, como procura, de forma nefasta, afastar deselegantemente adversários potenciais. É o que nos faz supor seu desejo de esvaziar o Ministério da Justiça, porque seu titular, Sergio Moro, tem cacife para, se o desejar, ser um adversário de peso. Sobretudo porque, se nas pesquisas Bolsonaro está à frente dos candidatos de centro e de esquerda, com Moro a parada é indigesta. Princípios como ética e lealdade parecem não comungar com a vetusta figura do nosso presidencialismo.   

Éden A. Santos

edensantos@uol.com.br

Barueri  

Lado negro da reeleição 

Seria prudente da parte do presidente Jair Bolsonaro não olhar Sergio Moro como seu competidor, mas como aliado, que é o que ele tem sido, apesar dos pesares, de ser cada vez mais tolhido em sua posição de superministro. Em vez de ceder à tentação da competição, Bolsonaro poderia valer-se do apoio popular para ajudar a lançar a candidatura Moro a presidente em 2022. Assim, poderia “passar esse bastão da Presidência” com sucesso e honra, unindo forças pelo bem do País. Sou sinceramente contra a reeleição, pela sedução do populismo e de as decisões políticas se 

pautarem mais pelo interesse da reeleição do que pelas necessidades do País.  

Silvia Rebouças de Almeida

silvia_almeida7@hotmail.com

São Paulo  

Ursada

Bolsonarista de primeira hora, porquanto acreditei durante a campanha eleitoral na inabalável profecia de fé do então candidato contra a corrupção – daí a indicação do ministro Moro –, iniciei, no entanto, minha decepção com os desvios dessa finalidade ao tentar encobrir os malfeitos do filho. Agora, afora outros pequenos deslizes, em razão das grandes últimas traições, consubstanciadas no não veto ao juízo de garantias, na reunião com secretários estaduais de Segurança sem convite ao ministro e na sondagem sobre a divisão do Ministério da Justiça, tirando-lhe a Segurança, caso isso se concretize e se eu fosse o ministro Moro cairia rapidamente fora do governo, ainda que isso se revelasse o início do fim do bolsonarismo.   

Alcides Ferrari Neto

ferrari@afn.eng.br

São Paulo  

Trairagem explícita

Uma reunião de secretários estaduais de Segurança Pública com o presidente da República para a qual não convidam o ministro da pasta, aí tem. Principalmente traíras.

E da pior espécie.  

A. Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo  

Disseram que ele era o maioral...

As intrigas que se inventam entre Bolsonaro e Moro 

lembram aquele samba de Ataulfo Alves: “Pois é,/ falaram tanto que desta vez/ a

morena foi embora”.  

Eugênio José Alati

eugenioalati13@gmail.com

Campinas  

Economia

Ecos de Davos

O grande inimigo do meio 

ambiente é a pobreza. E estou doido para elevar o imposto do açúcar.

Sergio Barbosa 

sergiobarbosa19@gmail.com

Batatais  

INSS

Força-tarefa

Que o Brasil está no fundo do poço nas áreas da saúde e da Previdência Social todos os brasileiros sabem de cor e salteado. Aí, quando aparece uma saída emergencial, com ajuda do Exército, para amenizar todas as dores que os brasileiros sofrem há muitos e muitos anos, aparecem outros brasileiros para colocar enormes empecilhos, com tanta lenga-lenga para atrapalhar e prolongar os sofrimentos dos mais necessitados. Será que um dia os desamparados, principalmente da saúde e Previdência, poderão ser atendidos com dignidade no país campeão mundial da “burrocracia”? Pobre Brasil!  

Vanderlei Zanetti

zanettiv@gmail.com

São Paulo  

Desigualdade

Injustiça social

A tragédia de Brumadinho deixou 206 viúvas vivendo com ajuda de custo da Vale de valor pouco superior a um salário mínimo e que posteriormente receberão valores semelhantes do INSS. Enquanto isso, 196 filhas solteiras de ex-parlamentares são remuneradas com quantias aviltantes em relação aos demais trabalhadores. O artigo 5.º da Constituição diz que todos são iguais perante a lei, mas a realidade mostra que realmente alguns são bem mais iguais do que outros.  

J. A. Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré  

Alerta mundial

Prevenção

Seria pedir muito ao

Brasil que se antecipasse 

ao coronavírus?  

Ricardo C. Siqueira

ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

DESLUMBRAMENTO  

O presidente Bolsonaro chegou ao ponto máximo de seu deslumbramento com o poder. O povo que o elegeu não o apoiará em todos os seus pensamentos, palavras e obras. A saída de Sérgio Moro de seu governo decretaria o início do fim de sua alegria infantil, de sua palavra sem limites e de seu decoro dissonante do cargo que o povo lhe outorgou. A minha decepção será profunda porque, assim como a maioria dos seus eleitores, acreditava que a extirpação do ex-presidente Lula do cenário político seria uma chance de recolocar no lugar os conceitos cristãos que regeriam a família e os bons costumes da sociedade. Retirar a Segurança Pública das mãos de Sérgio Moro, como chegou a ser aventado pelo presidente, seria um golpe sujo de quem se apresentou como ficha limpa no meio da poluição ética da política brasileira.  

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro  

*

CANOA FURADA  

Jair Bolsonaro se reuniu com secretários de Segurança de 17 Estados sem a participação de Sérgio Moro, o ministro da área.   A agenda, certamente previamente combinada com Bolsonaro, foi o apelo dos secretários para que os Ministérios da Justiça e da Segurança voltem a ficar separados. Se isso acontecesse, Moro teria as pernas cortadas e não lhe restaria senão a saída honrosa de renunciar ao cargo. Bolsonaro engoliria mais um colaborador próximo para se livrar da sombra que lhe faz Moro, cuja aceitação pública o assombra como potencial candidato à Presidência da República em 2022. Se os arrependidos se salvassem, Moro não teria renunciado à magistratura para embarcar na canoa furada de Bolsonaro.  

Hélio de Lima Carvalho hlc.consult@uol.com.br

São Paulo  

*

CAVALO DE PAU  

A galope, estancaram o trote. Para cavalgaduras políticas, o ministro Sérgio Moro é um verdadeiro “mata-burro”...  

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo  

*

QUAL É O SEU LADO, CAPITÃO?  

Traição é algo execrável no meio militar, ocasionando até pena de morte, segundo seu código. O presidente Jair Bolsonaro é militar e sabe disso. Por esse motivo, torna-se mais vergonhosa a reiterada traição de Bolsonaro ao seu eleitorado, quando deixa o combalido Brasil de lado para priorizar interesses indecorosos da sua família e inflige vil e sistemático constrangimento público ao ministro Sérgio Moro, inimigo incansável dos criminosos. Qual é o seu lado, capitão? É o da corrupção?  

Túllio M. Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

  

*

EFEITO INVERSO  

Quiseram anular o juiz Sérgio Moro trazendo-o para o Planalto. Depois, Executivo, Legislativo e Judiciário tentam destruí-lo. Mas, quanto mais batem, mais ele se agiganta.  

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

       

*

MORO PRESIDENTE  

Se prosseguir no esvaziamento da área de atuação do ministro Sérgio Moro, com a explícita intenção de desidratá-lo perante a opinião pública, o presidente Bolsonaro, temendo a concorrência do respeitadíssimo e muito bem avaliado ex-juiz pela população, pode estar dando um tiro no próprio pé, dando a Moro o empurrão que faltava para assumir de vez sua ainda disfarçada candidatura à Presidência em 2022. A conferir nos próximos capítulos...  

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo  

*

OS ÍNDIOS, OS MISERÁVEIS E OS DESUMANOS  

O presidente Bolsonaro não demonstra nenhuma preocupação em tirar os milhões de miseráveis da condição sub-humana em que vivem, no cinturão de pobreza extrema que abraça todas as cidades brasileiras. Mas, desde que assumiu a Presidência, não para de falar em transformar os poucos índios que ainda restam na floresta da Amazônia em “pessoas como nós”, integradas à economia de mercado, talvez. Por quê? Para destruir o habitat natural deles, derrubar as árvores, vender a madeira, plantar soja na terra pobre e que logo vai virar um areão e entregá-las às mineradoras. Bolsonaro quer transformar nossos índios em seres desumanos como ele e sua tribo de selvagens. 

         

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre  

*

ALGUÉM LUCRA NESTE CAOS  

O impeachment ocorre quando o presidente da República desacata a Constituição, a União, os Poderes, os direitos individuais, segurança interna, Orçamento, dinheiro público e decisão judicial. Cabe à vontade política da Câmara e do Senado. O mito lorpa já superou Collor e Dilma. Caluniou instituições, segregou nordestinos, negros e índios, elevou mortes nas estradas e as queimadas, sabotou a educação e as exportações, nomeou ministro nazista, etc. Talvez Queiroz acione a vontade política.  

João Bosco Egas Carlucho boscocarlucho@gmail.com

Garibaldi (RS)  

*

‘AFRONTA ÀS INSTITUIÇÕES’   

Em crítica severa à decisão do ministro Luiz Fux que suspendeu por tempo indeterminado a implementação do chamado juiz de garantias, o Estado, em Afronta às instituições (24/1, A3), afirma que “poucas vezes se viu na história recente do País tamanho acinte às instituições, especialmente ao Congresso e ao próprio Poder Judiciário” e considera “inadmissível que idiossincrasias de um magistrado prevaleçam sobre o Poder Legislativo e também sobre o Poder Judiciário, que deveria funcionar como um colegiado”. O editorial chama a atenção para o prejuízo que decisões arbitrárias dessa natureza causam “à imagem do STF, em tudo frontalmente contrária à sua missão institucional”, ressalvando ao final de sua avaliação, porém, que, “a despeito do empenho de alguns, aqui ainda vige um Estado Democrático de Direito”. Análise objetiva e irrefutável pelo seu ideário. Entretanto, o ato de Fux, concorde-se com ele ou não, é legítimo e, a despeito de sua repercussão, decisões monocráticas e ilegítimas têm sido frequentes no STF nos últimos tempos, desde a do então presidente da Corte Ricardo Lewandowski, que para preservar os direitos políticos de Dilma Rousseff na decretação de seu impeachment desprezou a letra constitucional, à do estabelecimento de censura à revista Crusoé e ao site de notícias O Antagonista pelos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, passando pela ameaça à segurança pública caso houvesse prevalecido a medida liminar de Marco Aurélio Mello que, no início do recesso judiciário ao final de 2018 – agastado pela demora na inclusão da pauta de julgamentos das ações sobre prisão em segunda instância –, mandou soltar todos os presos sem condenação transitada em julgado. O Supremo Tribunal Federal, em sua atual composição, já padece de uma imagem frontalmente contrária à sua missão institucional, e se no Brasil ainda vige um Estado Democrático de Direito a contribuição do Supremo nesse sentido, nos dias de hoje, é para lá de pífia.  

Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo  

*

VERBORRAGIA  

“Autofagia”, “descalabro geral”, “tempos estranhos” foram as expressões usadas pelo palpiteiro ministro Marco Aurélio Mello em seu intempestivo e antiético pronunciamento sobre a decisão do colega Luiz Fux, vice-presidente, plantonista de fim de recesso do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por tempo indeterminado a criação do juiz de garantias, agendada anteriormente pelo presidente Dias Toffoli, via liminar. “Ocorrência como esta fragiliza a instituição”, retrucou o abelhudo e verborrágico ministro. Qual a parte que lhe cabe neste indecente “latifúndio” de desencontros e vaidades, que conduziu o STF ao referido descalabro, autofágico Marco Aurélio? Não precisa explicar nem desenhar, todos conhecemos. Quem sabe, em 2021, teremos tempos de glória e prosperidade republicana com a bonança advinda após a sua aposentadoria compulsória!  

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro  

*

JUIZ DE GARANTIAS  

Post omnes, nos iudicare. Ave Fux, para mal dos pecados de alguns juízes do STF que entendem que a suspensão do juiz de garantias desgasta a imagem da Corte, falam até em “insegurança jurídica”... Insegurança jurídica, ministro Lewandowski, é precisar de um “juiz estepe” para garantir que certos réus sejam julgados de acordo com a ideologia e/ou valores de seu partido ou grupo.  Parabéns, ministro, isso, sim, é assumir publicamente total falta de isenção em seus julgamentos, conforme, aliás, já verificamos anteriormente durante o impeachment de Dilma Rousseff, que, graças aos seus arranjos bizarros, não só teve garantidos os seus direitos políticos, como sua gorda remuneração e todas as mordomias de uma ex-presidente, malgrado o fim desastroso de seu governo. O senhor atuou como um verdadeiro juiz de garantia, ainda que o País estivesse quase indo à ruína por causa de “sua cliente”. Legibus noster corrumpitur.  

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo  

*

A DECISÃO DE LUIZ FUX  

Não é de agora que a reputação do STF está deteriorada. Não é esta liminar que vai manchá-la ou prejudicar os jurisdicionados. Porque até agora as liminares do presidente do STF e de uns outros juízes do tribunal, figuras já conhecidas, só beneficiaram os poderosos, e quando vem a contrapartida aparecem os críticos, como o presidente da Câmara dos Deputados, além dos colunistas de plantão, editoriais, etc. Isto é um basta na ânsia do presidente do STF e de alguns de seus colegas de tribunal quererem legislar à sua revelia, de maneira terrivelmente petista, o Brasil.  

Eliton Rosa elitonrosa@gmail.com

Rio de Janeiro  

*

DESRESPEITO  

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, acusa o ministro Luiz Fux, do STF, de desrespeitar o Parlamento ao suspender a legislação referente ao juiz de garantias no Brasil. Por outro lado, há quantas décadas – e neste último ano ficou bastante claro – o Parlamento brasileiro vem persistindo em desrespeitar o povo brasileiro? Será que o presidente Maia tem essa resposta para nos dar?  

David Zylbergeld Neto dzneto@uol.com.br

São Paulo  

*

AINDA HÁ ESPERANÇA  

Parabéns ao ministro Luiz Fux, por suspender este tal de juiz de garantias, que nada mais é que uma jogada do presidente da República para proteger o filho; de Dias Toffoli para proteger Lula; e de outros mais e do Congresso para proteger os corruptos. Vamos aguardar que o plenário do STF sepulte de vez essa iniciativa e podermos ter esperança de que no STF há juízes que se preocupam com a Nação.  

Paulo Boin boinpaulo@gmail.com

São Paulo  

*

CULPALDO, EU?  

Com relação à denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o jornalista Glenn Greenwald e seis hackers, há “figurões” da Justiça afirmando que o MPF estaria cerceando a liberdade de imprensa. Como se sabe, o senhor Glenn e “associados” invadiram e divulgaram na mídia conversas telefônicas sigilosas de autoridades brasileiras. Ora, não é preciso ser nenhum ministro do Supremo para concluir que o ato do senhor Glenn é crime gravíssimo e passível de severa punição. Pura e simples!


Maria E. Amaral marilisa.amaral2020@bol.com.br

São Paulo 


*

GLENN NÃO COMETEU CRIME?   

Um dos fatos é que o Ministério Público Federal denunciou o dono da The Intercept Brasil, o jornalista Glenn Greenwald. Outro é se este jornalista cometeu ou não crime ao orientar e receptar áudios de conversas entre autoridades criminosamente gravadas por hackers, como justifica o MPF. Como não sou jurista, sinceramente tenho muita dificuldade de entender esta chiadeira toda, inclusive da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que manifestou solidariedade ao receptador e divulgador dos áudios de falas extraídas dos celulares do até então magistrado Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol, entre outros. Ora, os áudios obtidos pelo MPF e divulgados pela imprensa registram cristalinamente fala de Greenwald com os hackers orientando-os sobre como deveriam agir. Portanto, não vejo como não se possa incriminar também o jornalista do The Intercept Brasil. Em minha opinião, Greenwald, agiu exatamente como um cidadão que, ao conhecer larápios que furtam equipamentos, além de dar conselhos aos ladrões, ainda fica com o produto do crime, o que o torna cúmplice do crime. Foi exatamente o que fez Glenn Greenwald. Agora, inocentá-lo só porque é um jornalista não faz sentido. É desmoralizar a própria categoria. E permitir doravante que seja absolutamente legal esse criminoso exercício dos hackers que venham a alimentar de forma ilícita fatos a jornalistas do País. Mesmo porque duvido que um veículo de grande circulação que se preze agiria de forma ilícita, como, infelizmente, fez o dono do Intercept. E também duvido de que ficariam em silencio em nome da liberdade de imprensa, se esse fato preocupante tivesse ocorrido contra um ministro do STF, gente graúda da OAB, políticos de grande visibilidade, etc. Ora, a democracia também exige respeito.  

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos  

*

JORNALISTA OU COMPARSA?  

Finalmente cai a máscara de Glenn Greenwald, o ativista anti Lava Jato, revelando um esquema criminoso do qual participou juntamente com outros marginais condenados e presos pela Justiça por vários crimes, entre eles o de invasão de privacidade e roubo de mensagens de autoridades de Estado. Embora a defesa do ativista classifique a denúncia do MPF como ataque à liberdade de imprensa, não houve, desde que apareceu a primeira fita, nenhum gesto dos Poderes Executivo, Legislativo ou Judiciário para impedir ou dificultar a publicação de coisa nenhuma. Não se tentou qualquer tipo de censura. Não houve ameaças a ninguém. O jornalista alvo da denúncia que originou as publicações chegou a receber uma espécie de salvo-conduto do STF, no qual se proibia que a polícia investigasse qualquer dos seus atos. A única coisa que houve de fato foi um inquérito policial para apurar os crimes cometidos por uma gangue de delinquentes. Se o jornalista envolvido na história foi denunciado, é porque o Ministério Público acha que ele participou dos delitos – e não porque publicou as fitas. Um juiz decidirá se aceita ou não a denúncia, todavia a liberdade de imprensa não tem nada que ver com isso. A “Vaza Jato”, ao que tudo indica, está com seus dias contados e sobrevive por aparelhos e com a ajuda providencial do STF, que proibiu que o denunciado fosse investigado. Só não se sabe ao certo se tal medida suprema foi um ato de simpatia ou ciúmes da Lava Jato, que vem conquistando respeito e apoio de milhões de brasileiros, mostrando que a lei vale para todos, sem exceções.  

Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo  

*

CENSURA INADMISSÍVEL  

Conluio inadmissível não está em quem o divulga e expõe, mas está em quem o pratica durante todo o processo de investigação e julgamentos entre procuradores e juiz da Lava Jato. Obter e divulgar informações através de dados obtidos via hackers não configura crime na medida em que não foram contratados nem pagos pelo jornalista Glenn Greenwald. Crime, sim, é tentar criminalizá-lo com o intuito de cercear o direito ao sigilo da fonte e à informação. Isso não passa de censura, algo que deve nos deixar alertas porque estamos a falar em censura e porque estamos a falar em Estado de Direito. Hoje foi ele, amanhã pode ser qualquer outro que desagrade a posição política de um membro do Judiciário.  

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas  

*

À ESPERA DE GILMAR  

Sigilo de informação à imprensa é uma coisa, mas contatar, comandar e direcionar hackers foi além de pescar informação, passa a ser formação de quadrilha. Verdevaldo pecou na ansiedade para destruir a reputação do ministro Sérgio Moro e a Lava Jato, que continuam sendo nosso farol. Agora, o mais estranho foi o jornalista ficar esperando o ministro Gilmar Mendes voltar das férias para dar a ele um salvo-conduto. Justamente Gilmar, um dos ministros hackeados? Se eu tivesse cargo de ministro da mais alta Corte do País, tivessem a ousadia e o desrespeito de me hackear, eu ia querer esses delinquentes na cadeia, e não livrá-los dela. Muito estranho, não?  

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo  

*

PEÇAS TRAGICÔMICAS  

Muito tempo depois de Esperando Godot, de Samuel Beckett, eis que surge outra peça tragicômica: Esperando Gilmar, de Glenn Greenwald.   

Roberto Bruzadin bobbruza2@gmail.com

São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.