Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 03h00

Ibsen Pinheiro

Para lembrar os inocentes

A morte, sexta-feira, de Ibsen Pinheiro não pode deixar de trazer à tona o drama dos acusados, punidos açodadamente e, ao final, absolvidos. Nada restaura sua existência depois da amargura da injustiça. 

Ibsen foi inocentado em todas as instâncias judiciárias, num tempo em que não se discutia colegiado, trânsito em julgado, etc. Grande protagonista do impeachment de Fernando Collor de Mello, o mandato injustamente cassado pela CPI dos Anões do Orçamento o definhou, embora o povo lhe tenha feito justiça mediante sua reiterada recondução ao Parlamento. Mas para um espírito sensível, curtiu sua sofrência até o afastamento definitivo desta terra, aos 84 anos. Todos os povos deveriam ter um mausoléu dos inocentes, onde ficariam para sempre os rebotalhos humanos em que se transformam os condenados sem razão.  

Amadeu R. Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo  

Povo soberano

Inteligente, culto e notável orador, Ibsen Pinheiro brilhou na presidência da Câmara dos Deputados durante o processo de impeachment de Collor de Mello. Fui dos primeiros a cumprimentar o meu amigo naquele dia histórico, na Brasília de 1992. “O que o povo quer esta Casa acaba querendo”, disse ele em seu pronunciamento final.   

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre  

Governo Bolsonaro

Pinimba com Moro

Se a questão da separação da Segurança Pública do Ministério da Justiça prosperar, o ministro Sergio Moro deixa o governo e este fica absolutamente aleijado. O governo perde agora e se o presidente tiver a intenção de se reeleger, pode esquecer. Quem colocou o ministro Moro no governo foi o povo brasileiro, que dará o troco. E pesado. Simples assim.  

Eduardo Augusto de Campos Pires

eacpires@gmail.com

São Paulo  

Dividir para reinar

O imperador romano César usava o conceito de “dividir para reinar” (divide et impera). Muitas vezes, ao longo da História, isso funcionou, 

e outras não. Com todo o respeito que o ilustríssimo sr. presidente Jair Bolsonaro merece, também gostaria de lembrá-lo de que quem o elegeu 

e poderá elegê-lo novamente é o povo brasileiro, e não 

os secretários, governadores 

e povos estrangeiros.  

Nelson Cepeda 

fazoka@me.com

São Paulo  

Diz e não se escreve

“Na política tudo muda”, disse Bolsonaro, descomprometendo-se, como usual, de suas próprias falas. Claro que muda, nem o sr. presidente está livre de ser “fritado”. Reeleição parece estar ficando cada dia mais longe, pois quem votou em Bolsonaro não vai esquecer que o que ele diz de manhã não se escreve à noite.  

Sandra Maria Ggonçalves

sandgon46@gmail.com

São Paulo  

Devassa

Regina Duarte precisa estar mais preparada para enfrentar a devassa da sua vida pessoal do que para os desafios do cargo que poderá ocupar. Depois dos boatos sobre a pensão militar que recebe, é capaz que denunciem que foi ela que matou Odete Roitman, em 1989.  

Carlos Gaspar

carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo  

Criacionismo

Surpreendeu-me muito a nomeação para a presidência da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do sr. Benedito Guimarães Aguiar Neto, cuja linha política é bem divergente da do presente governo. Ao se tornar reitor do Mackenzie, apagou parte da memória da instituição, removendo as placas das salas com o nome de grandes mestres e figuras que por lá passaram. De acordo com sua linha política, demitiu 98 professores, alguns por demais consagrados, por acreditar que não compartilhavam sua linha de pensamento – em especial politicamente. Aliás, a instituição de ensino segue a linha religiosa presbiteriana, e não evangélica, como o presidente deve ter pensado. Ainda é tempo de Jair Bolsonaro mudar de ideia e cancelar a nomeação, para não se decepcionar com o trabalho dessa figura no futuro.  

Carlos E. Barros Rodrigues

ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo  

Arca de Noé

Dilúvio em BH

Dezenas de mortes em Belo Horizonte pelas fortes chuvas dos últimos dias. A capital mineira viveu momentos de caos. As autoridades mapearam 80 pontos dos mais críticos e alertaram os moradores para que evitassem os lugares com maiores probabilidades de alagamentos e deslizamentos de terra. Importante notar que nada foi feito nos últimos meses para evitar problemas dessa natureza. A cidade tem crescido de forma desordenada e as obras de saneamento e infraestrutura não são executadas há anos. É mais barato prevenir ou remediar? Quanto custa uma vida?  

José Carlos Saraiva da Costa

jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte   

Em São Paulo

Feriado eletrônico

Aproveitei o feriado da capital para agendar o pagamento de contas. Quando cheguei ao IPTU, fui procurar meus carnês anteriores e digitei a inscrição de meu imóvel. Levei um choque: apareceu uma mensagem dizendo que a Prefeitura de São Paulo não opera em feriados. Incrível, até os arquivos eletrônicos da Prefeitura descansam nos feriados!  

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo  

Mobilidade urbana

Com ônibus, caminhões, automóveis, motos, bicicletas, patinetes e ainda os vulneráveis pedestres no mesmo sistema viário, a grande mobilidade será em direção aos hospitais.  

Luiz Frid 

luiz.frid@globomail.com

São Paulo  

‘IMPOSTO DO PECADO’  

O ministro Paulo Guedes disse que está “doido” para aumentar o “imposto do pecado” (tributação sobre produtos como cigarros, bebidas alcoólicas e alimentos processados com açúcar). Sugiro que, além de cigarro e doces, ele inclua também as grandes fortunas que foram adquiridas em assalto ao cofres públicos.   

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)  

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AÇÚCAR  

Uma novidade no atual governo é querer colocar o açúcar como uma espécie de vilão da saúde, assim como todos os produtos que o contêm – comparam-no até com bebidas alcoólicas e fumo. Tal princípio não tem qualquer sentido em relação à saúde humana, porque o açúcar é um dos itens que fornecem energia às pessoas. Restrições ao açúcar não são para pessoas saudáveis, e sim para as que têm certas doenças – situação muito diferente dos danos causados pelo álcool e pelo fumo. Evidente que determinados itens na alimentação, como açúcar e até o sal, são impróprios para pessoas com certas doenças. O governo, para ter uma arrecadação adequada, não deve pensar em saídas ilógicas, como aumentar impostos sobre produtos com açúcar. Deveria, sim, fazer uma varredura nos salários dos servidores, onde, pela listagem do Ministério do Planejamento, se encontram motoristas ganhando na faixa de R$ 20 mil mensais, por exemplo. Ruins para a saúde são os adoçantes que substituem o açúcar – eliminam o açúcar e, do outro lado, causam mais prejuízos.  

Heitor Vianna P. Filho lagos@araruama.com.br

Araruama (RJ)  

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INFLAÇÃO  

Carne desbanca tomate do posto de vilão dos preços (Estadão, 21/1, B6). No texto, baseado no Índice de Preços dos Supermercados (IPS), destaco o seguinte trecho: “A pesquisa mostra que a comida foi a despesa que mais pesou no orçamento das famílias”. Apenas dois exemplos: em 2019 o preço da carne subiu 52,15% e o nosso amado feijão subiu 44% o quilo. O governo mente ao dizer que não temos inflação. E isso é só o começo...  

Cláudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo  

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EQUILÍBRIO NO MÍNIMO  

Em vigor desde 1.º de maio de 1940, quando valia 240 mil réis por mês, o salário mínimo ainda gera discussões. Durante esses quase 80 anos ocorreram muitas mudanças e o País que temos hoje é outro. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que desde 1966 calcula a defasagem do salário, seu valor hoje, em vez de R$ 1.045, deveria ser de R$ 4.400, pois deveria servir a uma família de quatro pessoas nas despesas de alimentação, moradia, saúde, transporte, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência. O governo anuncia mudanças, mas não dá esperanças sobre resolver as “perdas” (Estado, 24/1, B8). Deve se esmerar para conseguir fazer o máximo pela atualização no valor e, principalmente, pensar em medidas complementares para que o salário não continue muito alto para quem paga nem insuficiente para quem recebe. É preciso buscar o equilíbrio...  


Dirceu Cardoso Gonçalves  aspomilpm@terra.com.br

São Paulo  

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AUDITORIA NO BNDES  

No valor de R$ 15 milhões, um termo de aditivo contratual entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como contratante, e um escritório estrangeiro, como contratado, aconteceu quando faltavam menos de dois meses para o término da auditoria sobre a chamada “caixa-preta” da instituição. Como não há, ainda, razões e justificativas técnicas oferecidas pelos envolvidos, mesmo ante as suspeições que tal revelação naturalmente cria, espera-se que caixas-pretas não procriem caixas-pretas e que o atual presidente do BNDES não se una ao singelo grupo de varredores de sujeiras para baixo dos tapetes, pois os tempos querem ser outros agora e a população perdeu de vez a paciência e a leniência com determinados erros dos administradores públicos, todos pagos com o mesmo dinheiro público que compete a eles preservar, proteger e valorizar.  

Marcelo Gomes Jorge Feres standyball@hotmail.com

Rio de Janeiro  

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BNDE$PERDÍCIO  

Após ter investido de forma irresponsável e criminosa bilhões de reais (a fundo perdido!) em “empresas campeãs nacionais” que fracassaram redondamente e sumiram com o dinheiro, além de empréstimos ocultos a países amigos de regimes ditatoriais na América e na África, o BNDES(perdício do dinheiro público) tem a pachorra de apresentar como resultado de uma auditoria, contratada sem licitação (!) no desgoverno de Dilma Rousseff por nada menos que R$ 48 milhões (!), que nenhum indício de corrupção ou malfeito foi encontrado nas suspeitíssimas operações do banco. Me engana que eu gosto, BNDES!  

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo  

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CASO ENCERRADO  

O BNDES gastou a quantia de R$ 48 milhões – que alegaram ter sido paga a uma auditoria – com a finalidade de averiguar a suspeita de práticas corruptivas na liberação de em torno de R$ 14 bilhões para a JBS, o Grupo Bertin e a Eldorado do Brasil Celulose, operações realizadas entre 2005 e 2018. Não entendo nem muito menos se explica por que tal valor foi pago a um escritório estrangeiro (Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP), se este, por sua vez, subcontratou outro, brasileiro, o Levy & Salomão. Curioso. Qual a explicação para este último não ter sido contratado diretamente, sem intermediários, pelo BNDES? Os trabalhos, conforme informações, tiveram a duração de um ano e dez meses, ou seja, 22 meses, o que representa um gasto de R$ 2,2 milhões mensais – trabalho muitíssimo bem pago, por sinal. O resultado foi curiosíssimo: não se encontrou nada de irregular e nenhuma evidência direta de corrupção nas oito operações efetuadas com o banco pelas empresas acima relacionadas. Diante de tal resultado, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, se manifestou afirmando: “Hoje entendemos que não há mais nenhum evento que requeira esclarecimento. A sociedade está com informação de qualidade substancial”. E também se manifestou o membro do Conselho de Administração do BNDES Carlos Thadeu de Freitas, afirmando que “a diretoria do banco tinha de pedir desculpas aos funcionários que foram acusados”. Ou seja, para bom entendedor, meia palavra basta, o caso está encerrado, né não?   

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo  

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LÓGICA  

BNDES paga R$ 48 milhões para abrir a caixa-preta do banco. Espera aí. Pagar R$ 48 milhões para fazer esse serviço? Por quê? O próprio BNDES não poderia fazer isso? Por que contratar uma empresa? Acho que se deve uma explicação plausível, lógica.  

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro   

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QUEM LEVOU?  

O BNDES gastou singelos R$ 48 milhões para abrir a “caixa-preta” do banco, especialmente na época do governo da “tigrada” petista. Ora, é sabido que existiram vários financiamentos, a fundo perdido, aos países amigos de esquerda. Mas a auditoria estrangeira Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP – que subcontratou a brasileira Levy & Salomão – nada encontrou de corrupção. Afinal, onde a “tigrada” enfurnou a documentação, ou será que a auditoria é também petista? Alguém se beneficiou desses milhões.  

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo  

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PINTURA  

Será que pintaram de outra cor a caixa-preta do BNDES?  

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo  

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NADA ENCONTRADO  

A auditoria internacional que custou R$ 48 milhões ao BNDES e que nada identificou a respeito dos empréstimos feitos a JBS, Bertin, Eldorado e outras empresas, por acaso, foi realizada por Stevie Wonder e Ray Charles? 

  

Paulo Sérgio Pecchio Gonçalves ppecchio@terra.com.br

São Paulo  

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PRODIGALIDADE BRAZUCA  

A auditoria no BNDES nada encontrou de irregular. É muito comum, por aqui, o crime sem criminoso. Ainda mais quando se trata de roubalheira eminentemente honesta...  

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo  

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A OAB E O BNDES  

A Ordem dos Advogado do Brasil (OAB) encaminhou ofício ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no qual pede esclarecimentos sobre a contratação de um escritório de advocacia para verificar a chamada “caixa preta” do banco. Como esta OAB esquerdopata é inútil e perniciosa ao Brasil e ao seu povo! Onde é que ela estava, por exemplo, quando a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) fez a contratação de 10 mil escravos cubanos, dando prejuízos bilionários ao País e descumprindo todas as leis trabalhistas e constitucionais vigentes? O seu silêncio foi seguido pelos Poderes Judiciário e Legislativo, por sindicatos, pelo Partido Trabalhista e até pela mídia.  

Benone Augusto de Paiva benonepaiva@gmail.com

São Paulo  

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EMPRESA ESTRANGEIRA  

O BNDES contratou a firma Cleary Gottieb Steen & Hamilton LLP, por R$ 48 milhões, para realizar auditoria relacionada ao Grupo J&F, que controla a JBS, em oito operações relacionadas ao grupo. Entretanto, nada encontraram, o que é bastante estranho. Assim, a empresa auditora, além de contrariar a legislação brasileira e de não ser inscrita na OAB, não poderia ter realizado o trabalho. E o montante pago, pelos resultados apresentados, poderá ser objeto de retorno para o caixa do banco, além das penalidades de ordem ética a serem impostas pela OAB. Se se tratasse de empresa brasileira, certamente o resultado seria outro e melhor para o BNDES e para o Brasil.  

José C. de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro  

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SOLUÇÃO DE MERCADO  

Maílson da Nóbrega (‘Taxação’ do sol e riscos regulatórios, Estadão, 24/1, A2) sai em defesa de revisão da legislação, de sorte que, de uma forma ou de outra, os prossumidores de energia paguem pelo uso da rede elétrica. Com a experiência que o autor tem, esperava eu, ao ler o artigo, encontrar como sugestão solução de mercado. Não, encontro sugestão de resolução via Aneel, ou seja, o governo entrando na pendenga. Oras, o mercado resolve isso fácil. A energia fotovoltaica gerada é “comprada” pelos distribuidores de energia. Basta que estes ajustem o preço de compra, se entendam com os prossumidores e o governo que cuide de coisa mais importante. Não fica mais fácil?  

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas  

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POBREZA E PETRÓLEO  

Como comentou Celso Ming em Países pobres e seus depósitos de óleo (Estado, 22/1, B2), as novas jazidas de petróleo recém-descobertas em países pouco desenvolvidos provavelmente não serão explorados extensivamente. A causa é a redução do consumo de combustíveis fósseis por razões climáticas, tanto na geração de energia elétrica como no acionamento de meios de transportes. Na indústria química a matéria-prima petróleo não desaparecerá tão cedo, mas a superoferta comprimirá o preço. Os Estados Unidos já estão autônomos por disporem do xisto. O resgate da pobreza só é possível mediante a oferta de trabalho adequadamente remunerado para as populações. É o que a China e a Índia praticam. Executam “Projetos para o Desenvolvimento” que ainda faltam em outros lugares, inclusive no Brasil (vide Como acelerar o Desenvolvimento Sustentável?, disponível em http://yaliseditora.com.br)  

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo  

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BIZARRICE  

Na medida em que são homens de poucas letras, é compreensível que Jair Bolsonaro erija Donald Trump como ídolo. O que não é compreensível é que o chanceler, Ernesto Araújo, coloque Trump no lugar de cruzado que resgatará e libertará o cristianismo das garras da China. Afinal, trabalhando há 28 anos no Itamaraty, supõe-se que Araújo tenha qualidades, ainda que pouco visíveis. O que é bem visível é a tranquilidade com que escreve em seu blog bizarrices como esta: “A esquerda sequestrou e perverteu a causa ambiental, criando a ideologia da mudança climática, também chamada de climatismo”, que consistiria no “ajuntamento de dados que possam sugerir uma correlação entre aumento da temperatura e aumento da concentração de CO2 na atmosfera”.  

Joaquim de Carvalho jfdc35@uol.com.br

Rio de Janeiro  

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CRISE DA ÁGUA  

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, descartou a possibilidade de determinar que haja indenização à população que se viu obrigada a comprar água mineral, ficando tal decisão para a Justiça. O mínimo que poderia ser feito seria a redução nos valores cobrados pela água. Vã esperança, pois tal comportamento só poderia ser esperado de um grande estadista, e o governador está muito longe de sê-lo.  

Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro  

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CALENDÁRIO OFICIAL  

O Brasil é o país da enganação, seus vícios abastecem a folhinha anual de Estados, cidades e municípios. O jogo de empurra e a corrupção generalizada sustentam, há décadas, mosquitos transmissores, hospitais sucateados, esgotos a céu aberto, projetos educacionais falidos, insegurança disseminada, obras inacabadas... Enfim, para onde quer que se olhe, lá está ele, todo empertigado: o eterno descaso. Anote aí, em 2021 toda essa infelicidade retornará, sem piedade, ao calendário das nossas dores.                       

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)  

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A CONCESSÃO DO PACAEMBU  

Há 15 anos frequento o Estádio do Pacaembú, aproveitando suas instalações para correr e nadar. No começo, não percebi que além dos funcionários e frequentadores havia um grupo muito mais assíduo, que estava lá todos os dias, fazendo do estádio sua casa. Quando o complexo fechava à noite, eles continuavam lá, patrulhando as instalações contra invasores indesejados. Este grupo nasceu e viveu toda sua vida dentro do complexo, convivendo bem entre eles, assim como com o público em geral. Com o tempo, passei a conhecer os integrantes deste grupo. Ele se compõe de 18 gatos, número que se mantém inalterado há muitos anos, dado que todos foram castrados e eles não permitem a invasão de forasteiros. Este grupo agora se vê seriamente ameaçado. Com a concessão do complexo do Estádio do Pacaembú à iniciativa privada, o consórcio vencedor pretende se livrar desses habitantes indesejados, que não contribuem financeiramente para o grupo. De acordo com um funcionário do consórcio, o plano é chamar a Zoonoses e recolher todos os gatos, ou seja, se livrar do problema jogando os custos para a conta do município. Por mais que a Zoonoses realize um trabalho louvável, recolhendo animais abandonados e em situações de risco, este não é o caso aqui. Estes gatos têm uma casa, a única casa que conheceram por toda sua vida, e agora querem despejá-los sem nenhuma garantia de recolocação ou adoção (muito difícil, já que eles viveram sempre livres). Vale ressaltar que estes gatos fizeram suas tocas em partes do complexo que são arborizadas. A vegetação está protegida pelo tombamento do complexo, então seus habitantes também deveriam sê-lo. Acredito haver uma solução mais satisfatória para esta questão. Um compromisso do consórcio em manter os gatos em sua casa e cuidar deles, já que os funcionários do Pacaembú que realizavam essa função voluntariamente foram desligados ou realocados. Acredito que, se pudermos trabalhar em conjunto, incluindo aí também o consórcio que venceu a concessão e está investindo milhões neste projeto, talvez possamos ao menos impedir que estes gatos tenham um destino trágico.   

Mauro Minoru Kinoshita mmkino@hotmail.com

São Paulo  

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BOM ENQUANTO DUROU  

O negócio de aluguel de bicicletas e patinetes naufragou fragorosamente e empresas estão encerrando o serviço. Nenhuma surpresa, até porque esse é um tipo de atividade para países civilizados, o que ainda não é uma realidade no Brasil, infelizmente.  

Maria E. Amaral marilisa.amaral2020@bol.com.br

São Paulo

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