Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S. Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 03h00

IGNORÂNCIA

Ao assistir, pela televisão, a algumas cenas do carnaval nos falidos centros metropolitanos que nele investem na esperança de que a festa possa promover um boost nas suas abaladas finanças, esquecendo-se, porém, do vandalismo decorrente, e observar declarações de anônimos e até famosos participantes do evento, exibindo alegria muitas vezes de aluguel, penso no Brasil como um todo, em suas desigualdades, em seus descasos, como, por exemplo, o que afeta a saúde da população, configurado pelo enorme déficit de saneamento básico, no flerte com o atraso, nos políticos corruptos, impunes e egoístas, e coloco uma questão: esta alienada gente é idiota, pouco inteligente, simplesmente palhaça ou uma combinação de tudo isso? Por outro lado, é provável que a pergunta simplesmente reflita minha total ignorância e insensibilidade em relação às sutilezas da cultura popular, a tal ponto de ser eu incapaz de vislumbrar os benefícios implícitos na apoteose das fantasias, nos blocos frenéticos e nos carros alegóricos.

Paulo Roberto Gotaç 

pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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FERIADO

Carnaval, nossa comemoração mais prolongada, ė quando as funções superiores do pensamento dão lugar à liberação dos impulsos de diversas formas. A valorização sem regras do sem sentido faz sentido onde o valor é questionável. Nem todos compartilham desta filosofia, mas não há quem não aprecie os dias de feriado.

Jorge Alberto Nurkin 

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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EM EXCESSO

O carnaval brasileiro virou um show de nádegas. Contei dez num único site de notícias. Parece que estou no banheiro com alguém que não conheço. Será beleza ou será vulgar, mostrar o derrière em qualquer lugar?

Ricardo C. Siqueira 

ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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CRISE NA POLÍCIA MILITAR

O carnaval tem trazido notícias sérias e outras que merecem o pódio das jocosas. Pela primeira vez o traje das baianas, na Marquês de Sapucaí, é criticado pelo tamanho das saias. Dando sequência às críticas políticas, um enorme boneco de um militar com uma faixa presidencial é exposto ao público e garante as pesquisas sobre o desempenho, no governo, do dono da faixa. No Ceará, uma intervenção militar tenta acabar com uma rebelião da Polícia Militar que já causou 93 mortes. Por que a PM tem tanto poder de interferir num Estado como o Ceará, cujo povo foi questionado jocosamente pelo presidente Bolsonaro do por que o povo cearense tem a cabeça grande? A Frenologia alega que a forma e as protuberâncias do crânio são indicativas das faculdades mentais de uma pessoa, então o que insinuou o presidente? As regalias e as vantagens dadas à PM, sempre protegida pelas leis, que criaram um vespeiro de vontade própria?

Jair Gomes Coelho 

jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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DIALOGAR É PRECISO

A greve das polícias no Ceará e em outros Estados brasileiros evidencia a necessidade de diálogo permanente com os servidores públicos, sobretudo no sentido de promover reajustes salariais que valorizem esses profissionais e, ao mesmo tempo, garantam a continuidade ininterrupta dos serviços, especialmente aqueles tidos como essenciais, como é o caso da segurança pública. A fragilidade financeira de Estados e municípios tem sido utilizada como justificativa para não reajustar salários e promover melhorias nas condições laborais. Ocorre, no entanto, que é dever dos gestores públicos encontrar saídas para tais problemas. Aliás, saídas existem, o que falta é vontade política. O Judiciário e o Legislativo, nos níveis federal e estadual, gastam muitos recursos e pagam salários absurdamente elevados. Além disso, são concedidos benefícios que fogem da realidade de qualquer nação verdadeiramente comprometida com a sua saúde financeira. Tirando de ambos, sobrariam recursos no orçamento para destinar aos demais segmentos, igualmente importantes e que prestam serviços indispensáveis para a população. Cabe aos nossos políticos, especialmente no Congresso Nacional, terem coragem de discutir os reais problemas e dialogar, com seriedade e espírito público, as saídas possíveis.

Willian Martins 

martins.willian@globo.com

Guararema

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SALÁRIOS, ETERNA DISCUSSÃO

O governador de São Paulo, João Doria, anuncia um abono de até 12,84% aos professores, o que significada que nem todos receberão o aumento anunciado. Em primeiro lugar, abono não é reajuste, não é incorporado ao salário, uma sacanagem inventada por Goldman e aproveitada por todos os governadores até hoje. O governador acena como um grande feito, mas só quem recebe um holerite com valores tão ínfimos sabe o que significa esse gesto depois de ter dedicado uma vida inteira à educação. Ainda o governador tratou de mostrar que esse abono terá um custo de R$ 590,6 milhões ao ano. Países que valorizam seus professores estão no Primeiro Mundo. Não menos importantes são os policiais, que segundo Doria em SP é a polícia mais bem paga do Brasil, com salário de R$ 3.500,00. Alto lá, governador, a polícia mais bem paga do Brasil é a do Distrito Federal, tomando por base a carreira de soldados entre 2017 e 2018: R$ 5.245,41; Roraima, R$ 4.792,96; Amapá, R$4.568,68; e São Paulo, Estado com a maior arrecadação, R$ 3.034,05. Esses são os dados disponíveis àqueles que leem e se interessam em saber o que é fato e o que é discurso. Por isso a Educação deveria ser valorizada, mas, fala sério, pessoas bem informadas incomodam os governos, não é?

Izabel Avallone 

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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DE OLHO NO CONGRESSO

O povo brasileiro não pode ficar alheio à votação pelo Congresso Nacional do veto pelo presidente da República ao orçamento impositivo. Além de inconstitucional, pois gera um parlamentarismo sem modificação constitucional, a derrubada do veto irá colocar nas mãos dos congressistas R$ 30 bilhões que, juntamente com o dinheiro já destinado ao fundo partidário e ao financiamento público de campanha, serão certamente destinados a obras eleitoreiras, sem fiscalização pelo TCU, o que vai acabar com as contas do governo, gerando para o nosso país déficit sem crescimento e com fuga dos investidores estrangeiros.

José Wilson de Lima Costa 

jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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DEPOIS DO CARNAVAL

Congresso ameaça dar novo troco em Bolsonaro e Guedes depois do carnaval (Estadão, 20/2). Será que este Parlamento não se envergonha de só colocar obstáculos para o governo saltar? Com um Parlamento assim, o Brasil está fadado a ser um eterno país em desenvolvimento.

Gustavo Guimarães da Veiga 

ggveiga@outlook.com

São Paulo

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CADA VEZ MAIS ISOLADO

Lembram-se da dura e desnecessária crítica do ministro general Augusto Heleno, de que os congressistas só sabem chantagear o governo, se referindo ao orçamento impositivo, que obriga o governo a pagar essas emendas parlamentares dentro do ano vigente? Conforme áudio vazado desta fala de Heleno, o general até usou uma palavra de baixíssimo calão se referindo aos parlamentares. Pois é, o ministro general Luiz Eduardo Ramos desmonta esta farsa e diz que somente negociou um acordo sobre o orçamento impositivo com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, porque foi autorizado exatamente pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro Paulo Guedes. E não é fake news! Está publicado com muito mais detalhes no Estadão (22/2). O presidente Bolsonaro, que gosta de promover crises, lamentavelmente, nem sequer teve fio de bigode ou dignidade pública para defender seu ministro Luiz Eduardo Ramos. Menos ainda Paulo Guedes. Ora, na realidade, como palco de bateção de cabeça, a verdadeira chantagem vem do próprio Planalto, contra este ministro que é responsável pela articulação política no Congresso. E o presidente, que já demitiu o general Santos Cruz sem justificativa alguma e que tentou colocar para escanteio, por ciumeira, o vice Hamilton Mourão, em razão de sua desenvoltura política, pode ficar mais isolado ainda se também criar problema com o general Ramos. E amargar uma provável retirada de sua tropa de generais de seu governo. Porque, intelectuais, disciplinados que são, eles só desejam com dignidade servir à Nação. E não estão no Planalto para serem humilhados e proteger um presidente que não tem noção do que é governar o Brasil.

Paulo Panossian 

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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A CONVOCAÇÃO DE HELENO

O Congresso pretende convocar o ministro Augusto Heleno a dar explicação sobre os seus comentários sobre a chantagem que os senhores parlamentares fazem para abocanhar mais dinheiro do contribuinte – para gastar em seus redutos, sem critério de necessidade, só para favorecer os seus apadrinhados, candidatos a prefeito. Desta maneira, temos uma eleição prejudicada para os candidatos sem padrinhos. Gostaria de saber quem vai fiscalizar o emprego destes recursos, afinal esta é a função do Legislativo. Cuidado, senhores, os tempos são outros, portanto os convocadores do ministro partem da premissa de que ele vai pedir desculpas e proceder como a maioria dos políticos hipócritas, que falam bonito na frente dos microfones e por trás fazem o diabo. Pena que não captam as suas conversas, aí, sim, ouviríamos o que é falta de honestidade e de ética. O povão brasileiro está cansado desta hipocrisia e dos conchavos, não é à toa que, quando pessoas do Executivo falam, ele as apoia, pois consegue discernir que estão falando a verdade.      

Marcos de Sousa Campos 

marcosscampos@hotmail.com

Peruíbe

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MEXENDO EM VESPEIRO?

Segundo o noticiário, o presidente do Senado quer convocar o general Augusto Heleno para explicar fala que depõe contra aquela Casa. O general acusou o Congresso de chantagear o governo. Ora, conhecendo a esquentada têmpera do general, provavelmente não só aceitará o “convite”, como confirmará e repetirá a fala ao vivo e em cores para o senhor Davi Alcolumbre. Bem feito!

Luís F. Amaral 

luffersanto@bol.com.br

Laguna (SC)

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CORAGEM, ALCOLUMBRE

Será um ato de patriotismo incomparável se o presidente do Senado for além da ameaça bravateira e convocar o general Heleno para depor sobre suas supostas declarações contra os congressistas. Bom porque o general, além de bem articulado, como chefe do GSI é também o chefe do sistema de inteligência do País, vale dizer, detém informações sigilosas, muitas delas escabrosas, que a população gostaria de conhecer. Vamos lá, Alcolumbre, não convide, convoque o general. Ele está doido para ser obrigado a falar.

Roberto Maciel 

rovisa681@gmail.com

Salvador

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CHEGA DE EMENDAS

O general Heleno descobriu que, sim, o Congresso brasileiro chantageia e extorque o governo para obter verbas para as emendas parlamentares. Um dia o general vai descobrir também que as emendas parlamentares existem única e exclusivamente para roubar dinheiro público – muitas obras nem são realizadas, e, quando o são, acabam sendo invariavelmente superfaturadas. Se o Brasil acabar com a roubalheira generalizada das emendas parlamentares e com o criminoso fundo partidário, terá dinheiro de sobra para fazer tudo o que é necessário, sem aumentar os impostos. Sugiro que comecem pelo saneamento básico, com as obras realizadas pelo Exército, e não pelas empreiteiras corruptas de sempre.

Mário Barilá Filho 

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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AMBIENTE DESTRUTIVO

No episódio envolvendo a revelação do pensamento crítico do ministro Heleno, a pergunta que está no ar é: quem está do lado certo, ou seja, do lado dos interesses da sociedade? Decisões recentes tomadas no Congresso dão uma boa pista para encontrar a resposta. Votando a favor da defesa de parlamentares corruptos e pela criação e manutenção de bilionários fundos eleitorais, os senhores deputados expõem escancaradamente sua prioridade em defender os seus próprios interesses. Apesar da significativa renovação verificada nas eleições de 2018, o País ainda é refém, no Parlamento, de uma maioria que adota o fisiologismo para se manter no poder. No episódio, ficou ainda evidente o clima de confrontação (exacerbado pela polarização e radicalização atual) entre os Poderes Legislativo e Executivo, caracterizando um ambiente não construtivo, traço marcante de nossa vergonhosa cultura política. A atual Constituição restringe significativamente o campo de atuação do Executivo e fica sob risco a possibilidade concreta de que uma administração atual ou futura consiga fazer as transformações de que o País precisa. Parece que está realmente na hora de fazer uma nova Constituição.

Manoel Loyola e Silva 

magusfe@onda.com.br

Curitiba

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PEJORATIVA INGRATIDÃO

“Não bate nele. Heleno está velho”, pediu Bolsonaro ao deputado Rodrigo Maia. A revelação é do colunista Lauro Jardim, no jornal O Globo de 23/2. Estarrecedora, injusta, pejorativa, triste e patética demonstração de pouco apreço e ingratidão do batráquio Bolsonaro a um graduado, dedicado, leal e destemido auxiliar. General de Exército, respeitado por civis e militares. Com abrangente e vitoriosa folha de serviços prestados ao Brasil. Com 72 anos de idade, Augusto Heleno não pode ser chamado de velho, com desdém e desdouro, por Bolsonaro. Heleno foi cotado, inclusive, para vice-presidente da República. Embora autor de infeliz e agressiva declaração contra o Congresso Nacional, Heleno, apoiador de primeira hora da candidatura Bolsonaro, merecia mais respeito, apreço e consideração da parte do destemperado, tosco e grosseiro chefe de governo. Minha candente e sábia mãe alertaria o ministro Augusto Heleno, com todas as tintas da sinceridade: “Quem com porcos se mistura farelo come”.

Vicente Limongi Netto 

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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‘BOLSOCHAVISMO’

Vera Magalhães faz um alerta sobre o vírus mortal que pode contagiar o Brasil: a milicianização das forças públicas e policias nacionais, a partir de incentivos que partem de vozes governamentais de Brasília. Em sua coluna dominical no Estadão de 23/2/2020, Vera Magalhaes detalha como esta onda vem se propagando pela Nação. Recomenda-se sua atenta leitura pelos ministros do Supremo, lideranças políticas do Senado e da Câmara e autoridades militares de comando das Forças Armadas.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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PÁTRIA ARMADA BRASIL

Como se viu no lamentável e condenável ocorrido na cidade de Sobral, conhecida capitania-hereditária da família Gomes, no Ceará, de um lado, amotinados policiais militares covardemente encapuzados e armados e, de outro, o senador licenciado e ex-governador Cid Gomes (PDT-CE) partindo para cima com nada menos que uma retroescavadeira na tentativa populista de furar o bloqueio no 3.º Batalhão da Polícia Militar, neste país sob o governo autoritário verde-oliva-amarelo de Bolsonaro, não é de causar espécie nem estranheza que episódios desta envergadura, totalmente ao arrepio da lei, venham a se repetir em outras localidades daqui por diante. Pobre Brasil, pátria armada e militarizada, salve, salve... A que ponto chegamos!

J. S. Decol 

decoljs@gmail.com

São Paulo

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ATENTOS

Mesmo com o hiato que o carnaval nos proporciona, não devemos nos esquecer de continuar pensando e lutando na solução de nossos atuais problemas. Por exemplo, ficarmos atentos aos eventuais candidatos ao próximo pleito eleitoral, estudando seu passado e suas propostas, no sentido de escolhermos os mais adequados a merecerem nosso voto, para que possamos ter uma nova e mais eficiente liderança nos poderes públicos, rumo à correção de nossas deficiências.

José de A. Nobre de Almeida

josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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VALE-TUDO

Estou enganada ou muitas das barbaridades cometidas no indecente vale-tudo da disputa política brasileira poderiam vir a ser consideradas como terrorismo? A recente medida do Prevent – programa antiterrorismo do governo do Reino Unido (Estadão, 22/2, A8) –, que incluiu em sua lista de extremistas o Greenpeace e o Peta, associação dos defensores de animais, deveria fazer com que os senhores integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado se mexessem rapidamente para analisar o Projeto de Lei n.º 272, que está parado na Comissão desde 2016 e que altera a Lei n.º 13.260 com o intuito de disciplinar a questão em território brasileiro. Entre as alterações propostas estão: 1) incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado, com o objetivo de forçar a autoridade pública a praticar ato, abster-se de o praticar ou a tolerar que se pratique, ou ainda intimidar certas pessoas, grupos de pessoas ou a população em geral; 2) interferir, sabotar ou danificar sistemas de informática ou bancos de dados, com motivação política ou ideológica, com o fim de desorientar, desembaraçar, dificultar ou obstar seu funcionamento; 3) nas mesmas penas incorre aquele que dá abrigo ou guarida a pessoa de quem saiba que tenha praticado crime de terrorismo.

Sandra Maria Gonçalves 

sandgon46@gmail.com

São Paulo

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TERRORISTAS

Dia destes caíram de pau em cima de Bolsonaro por classificar o Greenpeace como uma “droga”. Ecologistas radicais/ideológicos levantaram-se em protesto e membro da direção nacional verde no Brasil veio a público louvar a sua atuação e o respeito de que goza a instituição na cena mundial. Pois no dia 22 de fevereiro, quando, distraídos pelo carnaval, dispensamos a leitura de jornais, o Estadão – e somente ele – noticiou na sua primeira página a informação de que “grupos ambientalistas como o Greenpeace estão incluídos no projeto antiterror da Inglaterra, ao lado dos neonazistas”, por exemplo. Espero que a mídia divulgue maciçamente esta informação, como divulgou o pronunciamento leve (vê-se agora) do presidente.

Paulo Roberto Santos 

prsantos1952@bol.com.br

Niterói (RJ)

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