Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S. Paulo

01 de março de 2020 | 03h00

Governo Bolsonaro

O presidente e o Congresso

O presidente Jair Bolsonaro parece não entender (será?) que os mesmos eleitores que o elegeram também elegeram os deputados e senadores desta legislatura, incluídos os do PSL, hoje dissidentes. Portanto, como ele, legitimamente eleitos. Neste sistema eleitoral meia-boca, é quase impossível separar o joio do trigo. Essa erva daninha se dissemina e viceja nos trigais de todos os Poderes da República, alcançando até mesmo os campos da privilegiatura corporativa reinante em parcelas da sociedade civil, minoria abonada com isenções e outros benefícios amorais. E o povo, a maioria desiludida e despreparada politicamente, é novamente chamado às ruas para figurar num espetáculo inócuo para a solução dos nossos problemas. O joio cada vez mais domina nossas searas institucionais. A continuar, em breve nem sequer teremos o pão. E muito menos democracia.

Honyldo Roberto Pereira Pinto

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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Democracia

Quero enaltecer as palavras do vice-presidente Hamilton Mourão sobre as intenções democráticas do governo. Só falta avisar a tropa de choque do presidente Bolsonaro.

Luiz Frid 

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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Procela

O Brasil hoje é um navio num mar intranquilo, em que uma pequena parte de sua tripulação quer que ele soçobre. É difícil imaginar estupidez maior.

Eugênio José Alati

eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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‘A quem interessa a crise?’

“Prescindir da política para governar”, por quem “não tem, e nunca teve, afinidade com a democracia” – expressões de editorial de 28/2 (A3) sobre a última crise deste governo, que se alimenta de crises. Os extremismos políticos de direita e de esquerda historicamente só sobrevivem no caldo de cultura da luta permanente, que caracteriza os regimes totalitários. 

A convivência democrática dos três Poderes não permite seus arroubos paternalistas e sua fome de poder absoluto. O mundo parece não ter aprendido nada com a vivência brutal de duas guerras mundiais e dezenas de outras guerras alimentadas por interesses geopolíticos de potências de direita e esquerda. A democracia pluripartidária é o único antídoto para o mortal vírus do totalitarismo.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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Radicais em campo

A beligerante política brasileira é refém do radicalismo. A própria linguagem incita ao confronto com expressões como base aliada (há alguma base inimiga?), tropa de choque do presidente e pauta-bomba. Até a disposição das cadeiras no plenário mostra os parlamentares como uma tropa em fileiras. Não há o hemiciclo que caracteriza a democracia – como se alguém ainda soubesse o profundo significado de tal palavra num país conflagrado pela ignorância. O personalismo do presidencialismo centralizador e autoritário estimula a radicalização política para uma disputa de segundo turno. A macroestabilização política e econômica dos governos FHC/Lula (1995-2010) foi uma exceção diante da permanente instabilidade do presidencialismo, com suicídio (1954), renúncia (1961), golpe (1964), impeachments (1992 e 2016) e a atual crise política.

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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Empunhadura

Nesse “nós contra eles”, a democracia brasileira vai se transformando numa lâmina de dois gumes. Sem cabo...

A. Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo

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Picuinhas políticas

Incompreensível que o governo federal, senadores e deputados federais ignorem a epidemia de coronavírus que assola o mundo e prefiram disfarçar o caos iminente com inúteis picuinhas políticas. Diversos países estão com prejuízos humanos e financeiros gigantescos por causa do vírus e estudos comprovaram que ele pode sobreviver por nove dias em diversas superfícies, mantendo a capacidade de contaminar mais pessoas. Nossas autoridades parecem acreditar que essa nova doença é igual àquelas que só matam pobres e excluídos. Será por isso que não adotam protocolos extremos para impedir a entrada e a proliferação do vírus no Brasil? Até quando a sociedade suportará ser aviltada por quem ganha os mais altos salários e benefícios para conduzir o País?

Daniel Marques

danielmarquesvgp@gmail.com

Virginópolis (MG)

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Segurança pública

Chantagem

Mais um crime na conta dos PMs do Ceará, além das mortes por omissão, roubos e crimes “menores”: chantagem. Se o governo ceder às exigências dos amotinados, será a afirmação da impunidade e a sujeição a novas chantagens. Os PMs dos batalhões amotinados devem ser liminarmente expulsos e admitidos novos policiais, emergencialmente, oriundos de organizações do Exército especialistas em policiamento.

Roberto Maciel

rovisa681@gmail.com

Salvador

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Regime de trabalho

Toda vez que tomo conhecimento pela mídia das “reivindicações” de policiais, noto que um dos primeiros itens é a melhoria ou recomposição dos salários. E pouco se discute sobre o regime de trabalho, a carga horária que os policiais cumprem. Existem verdadeiros “eu engano que trabalho”, como, por exemplo, a célebre escala de 24 por 72 horas, em que a profissão do policial é o “bico”. E o pior, muitas das vezes as horas são compradas pelo próprio governo com os tais regimes diferenciados, ou que nome tenha, em que a eficiência e a eficácia ficam prejudicadas e a sociedade deixa de ser bem servida. E acaba pagando muito caro! Qual é o governador que vai mexer nesse vespeiro?

Marco Antonio Esteves Balbi

balbi393@gmail.com

Rio de Janeiro

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CUIDADO COM OS IDOS DE MARÇO

Em 15 de março de 44 a.C., Gaius Julius Caesar, Imperator et Pontifice Maximus de Roma, que era uma República, foi assassinado a facadas nas escadarias do Senado, onde faria um discurso sobre as dificuldades financeiras do Estado romano e protestaria contra os senadores que se opunham aos seus projetos. Roma vivia um momento tenso politicamente, com disputas acirradas pelo poder e pela falta de alimentos. As mercadorias vindas da África estavam cada vez mais caras e o povo tinha César como um deus, o que fazia despertar a inveja da maioria do Senado, pois o próprio César havia se declarado ditador perpétuo de Roma. Segundo consta, o Senado era composto por 300 representantes das famílias romanas e de todo o Império. Naquela manhã, chovia muito em Roma e, ao ir em direção ao Senado, ouviu de um adivinho: “César, não vá ao Senado hoje!”. César não lhe deu atenção. Ao chegar à porta do Senado, foi esfaqueado por um grupo de pessoas, entre elas Brutus, seu filho adotivo, que lhe desferiu a última facada. Segundo Shakespeare, em Julius Caesar, teria ele dito suas últimas palavras: “Tu quoque filius meus!” (Até tu, meu filho!). Dizem ainda os historiadores que Cleópatra, a rainha do Egito e amante de César, estava em Roma para negociar a exportação de escravos africanos para compor o Exército romano. Naquele tempo, o calendário se baseava nas fases da lua e 15 de março era dia de lua cheia. Essa fase começara em 9 de março e iria até meio do dia de 16 de março. Dia 15 de março de 2020 estaremos em lua cheia, até o meio do dia 16 de março. Diziam os profetas romanos que em tempos de lua cheia as pessoas ficam mais ansiosas e os ânimos, mais exaltados. A República brasileira está vivendo momentos difíceis que nem ao menos conseguimos avaliar, tais as dificuldades que há nos setores da economia, da política, da educação, da saúde e da distribuição de renda. Alguns acontecimentos no Brasil nos dias dos idos de março: 15/3/1789, Joaquim Silvério dos Reis entregou ao Visconde de Barbacena a carta em que denunciava os Inconfidentes Mineiros; 13/3/1964, João Goulart faz um comício na Estação da Central do Brasil no Rio de Janeiro, dando início ao movimento para a queda do governo e a instauração do regime de exceção democrática; 14/3/2018, a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco é morta a tiros numa rua do Rio de Janeiro. Até hoje não se sabe quem foram os mandantes. Noticiam os jornais que Bolsonaro estaria apoiando uma manifestação popular a favor de seu governo contra o Poder Legislativo para o dia 15 de março de 2020. Por outro lado, também já se anuncia que Bolsonaro tem orientado seus assessores para não se manifestarem sobre isso. Dizem alguns estudiosos que nenhum país do mundo lembra tanto o Império Romano como o Brasil, tanto é que já fomos um Império. Será que não seria bom deixar essa conversa, se ela for verdadeira, para o dia 22 de março, quando a lua estará no quarto minguante, ocasião em que os ânimos estarão menos exaltados, segundo os videntes de Roma antiga?

Roberto Cursino Benitez

benitez.gimenez@hotmail.com

São Paulo

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O SIGNIFICADO DAS MANIFESTAÇÕES

Andam dizendo que as manifestações do dia 15 de março afrontam a democracia, só porque são para apoiar o presidente da República eleito democraticamente. Nunca vi nenhuma manifestação de esquerda ser acusada de “afrontar a democracia”, mesmo quando vândalos tocavam o terror queimando pneus em vias publicas ou quando promoviam a destruição de bens públicos privados e até prédios ministeriais sediados em Brasília. Tudo era encarado naturalmente como livre manifestação, própria de regimes democráticos. Adeptos da velha política, hoje uma minoria, perderam o bom senso e a razão. A maioria vai para as ruas exatamente por causa dessa minoria que não aceita a derrota. Querem o bom e velho compadrio de volta, acompanhado de sua irmã siamesa, a roubalheira institucionalizada. Acusam o presidente de ser uma ameaça à democracia, mas são eles os deputados que chantageiam o governo para encher o bolso com bilhões roubados do contribuinte aprovando fundo disso, fundo daquilo, verbas carimbadas, etc., uma ameaça real à democracia. Insultam a população o tempo todo. Avacalham o sistema. Jogam tudo na impunidade tentando impedir que um governo legítimo do qual não se tem notícias sobre corrupção governe o País. O povo brasileiro acordou, apesar do Congresso, do Supremo Tribunal Federal, da Ordem dos Advogados do Brasil, dos artistas órfãos da Lei Rouanet, das ONGs e da turma do quanto pior, melhor.

Paulo R. Kherlakian

paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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LEGITIMIDADE

Bolsonaro, ao afirmar que deve lealdade ao povo brasileiro para atacar o Congresso, acaba negando que a eleição dos parlamentares foi legítima. Pelo andar da carruagem, fico em dúvida sobre qual das eleições foi legítima: a do presidente ou a do Congresso?

Vidal dos Santos

vidal.santos@yahoo.com.br

Guarujá

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INGENUIDADE OU HIPOCRISIA?

Diante da polêmica criada em torno das manifestações de 15 de março, que mereceram a desaprovação de deputados, senadores e até de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), pergunto: houve a revogação do direito de manifestação previsto na alínea XVI do artigo 5.º da Constituição, que é clausula pétrea? Se não houve, o que estão discutindo? 

Peter Cazale

pcazale@uol.com.br

São Paulo

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GOLPE?

Inacreditável, parte da imprensa se aliou aos vermelhos e diz que manifestação de 15 de março é tentativa de golpe. Tentativa de golpe é impedir que o povo se manifeste nas ruas. Se o Congresso não quer ser criticado, basta trabalhar a favor do Brasil. Simples assim.

Izabel Avallone

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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DEMOCRACIA AMEAÇADA

É absolutamente condenável e inaceitável a atitude de beligerância explícita do capitão-presidente Jair Bolsonaro ao instigar e convocar a população às ruas no dia 15 de março para manifestar-se contra o Congresso Nacional. No Estado Democrático de Direito em que o País vive, a tão dura penas reconquistado após a longa e sangrenta noite dos anos de chumbo do regime de exceção da ditadura militar, de lamentável memória, é inadmissível e intolerável que o Poder Executivo se volte contra o Legislativo, o que constitui um gravíssimo crime de lesa-democracia. Como bem disse o ex-presidente FHC, “estamos com uma crise institucional de consequências gravíssimas. Calar seria concordar. Melhor gritar enquanto se tem voz”. Cuidado, Brasil, a sua jovem e ainda imatura democracia corre sério risco sob ameaça do autoritário governo verde-oliva-amarelo. A que ponto chegamos!

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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‘CRISE DE CONSEQUÊNCIAS GRAVÍSSIMAS’

O que mais incomoda ao ler Fernando Henrique Cardoso são suas observações relacionadas à democracia e o perigo que ela corre com o governo atual, esquecido de que ele tem parte importante de responsabilidade por chegarmos aos problemas atuais (Líderes partidários reagem a vídeo anti-Congresso de Bolsonaro, Estadão, 25/2). Ao presidir o Brasil após o sucesso do Plano Real, sentiu que merecia mais tempo no cargo e, para isso, cometeu o pecado mortal de negociar com a politicalha de sempre a aprovação de lei que permitia o processo de reeleição. FHC talvez tenha sido aquele governante que, com capacidade intelectual reconhecida até fora do País, ao término de sua carreira política poderia ser conhecido como um estadista, algo que o Brasil nunca teve. Ao levar-se pelo ego, errou e boa parte do que passamos hoje é culpa dele. Deixou-nos Lula de presente, este, sim, uma herança maldita. Melhor FHC dedicar-se a seus livros e não comentar sobre a situação da política atual do País, até porque nunca admitirá ser parte culposa nela.

Laércio Zanini

spettro@uol.com.br

Garça

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CONVOCAÇÃO PARA 15/3

Contra os perdulários sistemas judiciário, legislativo e o funcionalismo público, ficamos com o óbvio: povo nas ruas já, independendo do presidente e dos bolsonaristas.

Aloisio De Lucca

aloisiodelucca@yahoo.com.br

Limeira

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APOIO POPULAR AO PRESIDENTE

Difícil de entender os reais motivos de chamar o povo à rua, provavelmente em favor do presidente e contra os demais Poderes. Estou curioso para saber como se diz em militarês “não me deixem só”. 

Carlos Gonçalves de Faria

sherifffaria@hotmail.com

São Paulo

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GOLPE À DEMOCRACIA?

Não é difícil de perceber que está havendo uma união de forças da esquerda entre políticos, intelectuais e mídia para caracterizar a manifestação do dia 15 de março – cujo foco é protestar contra as conspirações de Rodrigo Maia e David Alcolumbre, que, com suas decisões muito bem acordadas entre si, paralisam o governo e tentam destruí-lo – como um golpe à democracia. O povo nas ruas, de livre e espontânea vontade, é golpe à democracia? Armadilha contra a democracia é, num regime presidencialista, usarem da força da mancomunação entre os presidentes da Câmara e do Senado Federal para inviabilizar o governo Bolsonaro. O general Augusto Heleno qualificou isso como chantagem, pura e simples. Mas contra isso a mídia não grita. Está claro, também, para mim que o aumento de pessoal militar dentro do governo é como Bolsonaro mostra aos adversários e ao povo em geral que está ciente da trama armada contra ele e se precavê. É uma reação a essa conspiração, e não uma ação adrede programada. Afinal, nada mais fazem os esquerdistas do que deblaterar contra ele, dia após dia, desde que Bolsonaro assumiu a Presidência, inconformados com a perda do poder. Chamam-no de tosco (Lula era sumidade?), incompetente (vejam os índices de desemprego caindo), misógino (citem um caso de desprezo às mulheres em seu governo), homofóbico, dizem que tem preconceito racial, que é fascista, nazista, enfim, não sobrou uma ofensa que não fosse usada. Mas o réu condenado como ladrão da Nação é digno de loas e até de liberdade! 

Mara Montezuma Assaf

montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

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BALÃO DE ENSAIO

Eu também não estou satisfeito com Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente. Mas suspeito de que a manifestação programada para 15/3 nada mais seja do que um balão de ensaio para saber se medidas mais radicais do governo serão aceitas pelos brasileiros. Não aceitamos...

Luiz Frid

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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O XEQUE-MATE DE BOLSONARO NELE MESMO

Será que ainda é muito cedo para pensar no governo do general Hamilton Mourão? Acredito que alguns poucos ministros seriam mantidos, outros, como Ricardo Salles e Abraham Weintraub, certamente seriam chutados na hora. O inescapável impeachment de Bolsonaro torna-se cada vez mais próximo a cada patetada do ainda presidente. Se a manifestação de 15/3 for um sucesso, Bolsonaro sofrerá as consequências de tê-la estimulado; se for um fracasso, Bolsonaro não manda mais no País, ou seja, o mito aplicou um xeque-mate contra o seu próprio governo. General Mourão é a solução!

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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MANIFESTAÇÕES

A favor, indiferente ou contra, o cidadão arcará com a conta. Assim sendo, f...-se! Como somos Brasil, de verde-amarelo...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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AFRONTA À CONSTITUIÇÃO

Se a manifestação popular pelas ruas e avenidas é legítima num país democrático como o Brasil, ilegítimo e inconstitucional é um presidente da Republica ser o idealizador ou apoiador inconteste, da manifestação marcada para o dia 15 de março, que objetiva a jogar o povo brasileiro contra nossas instituições, como o Judiciário e o Congresso. É uma afronta à Constituição, que em sua posse Bolsonaro jurou cumprir, manter e respeitar. E, refletindo o pensamento da maioria da sociedade brasileira, os editoriais da imprensa brasileira manifestaram na semana que passou duras críticas a esta apelação ralé de verdadeiros golpistas que jorram fake news pelas redes sociais em defesa deste governo, no desejo explícito de incendiar o País. Assim como o presidente, em 2017, apoiou o traumático motim da polícia militar do Espírito Santo, e seus filhos, no silêncio do presidente, apoiam o atual motim criminoso do Ceará, neste episódio de total aval à manifestação popular marcada para março Bolsonaro, infeliz e ilegalmente, se posta como verdadeiro “chefe de motim”, contra as nossas instituições. Mas é bom lembrar que, mesmo com o presidente sem nenhuma vocação política para o diálogo, e até sem partido, o Congresso Nacional, pela inércia deste governo, felizmente aprovou em 2019 a complexa reforma da Previdência, o bom projeto de Liberdade Econômica e outras dezenas de projetos do Planalto. E recusou aqueles sem embasamento constitucional, ou aqueles delirantes do presidente, como o fim do seguro obrigatório, o das armas, a liberdade para motoristas infratores e até o das cadeirinhas de crianças nos carros. Portanto, se Bolsonaro se revestisse de atitudes republicanas e tivesse capacidade de governar, deveria agradecer e ser parceiro número 1 do Congresso, pelo apoio que recebeu. A não ser que Bolsonaro esteja flertando com um regime de exceção.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Paulo

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APOIO AO MOTIM

Jair Bolsonaro está apoiando os motins dos policiais para criar um nível de descontrole tal que ele poderá assumir o papel de salvador da Pátria e aplicar um golpe contra nossa democracia. Devemos ficar atentos a essa trama e evitar que este golpe se realize.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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COMBUSTÍVEL

É opinião unânime, ou quase isso, que uma anistia aos policiais militares grevistas amotinados no Ceará será como um combustível a motivar novas greves, julgadas ilegais. Ora, mas esse mesmo princípio de causa e efeito, apesar de sempre relembrado, jamais foi acatado, ou sequer discutido, com relação às penalidades penais brandas que mais não fazem que incentivar o cometimento de novos crimes, e isso justo pela ineficácia das mesmas penas, suaves por demais, como se fossem, mesmo, verdadeiras anistias. Então, se é tão óbvio assim que a falta de penalidades, ou anistia, incentivará novas greves das polícias militares, por que não é, assim, tão óbvia, essa correlação entre causa e efeito com respeito às reprimendas brandas por demais aos crimes que sejam ilícitos civis?

Marcelo Gomes Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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‘A IMPRENSA E O DIREITO DE RESPOSTA’

Sobre o editorial A imprensa e o direito de resposta (25/2, A3), o projeto do deputado Luis Miranda (DEM-DF) é mais uma tentativa dos parlamentares de calar a boca da imprensa, que fica atacando toda e qualquer crítica de membros do governo ao Congresso como sendo ameaça à democracia, mesmo quando esses parlamentares estão trabalhando contra o povo e contra a Nação, como está acontecendo agora. Com raras exceções, os parlamentares são quase todos fisiológicos e pouco se importam com a sociedade ou com a imprensa livre, e tudo o que querem é estarem seguros para fazerem suas maldades sem importunação dos jornais.

Decio Moreira

deciomoreira@gmail.com

São Paulo

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DOIS ÍNDICES

Que tal a criação do “representômetro”? Seria um índice medido a cada semestre, por exemplo, aferido por meios digitais, não muito dispendiosos, portanto, com resultados amplamente divulgados, que refletiriam a percepção de representatividade que os parlamentares brasileiros passam aos eleitores em relação às expectativas criadas no fragor das campanhas. Constituiria um bom parâmetro da operosidade e do desempenho que os obrigaria a atitudes mais claras, sem a blindagem comportamental dos ambientes fechados das Câmaras e Assembleias, além de abreviar o tempo que hoje dedicam ao desvencilhamento de atritos desnecessários e improdutivos com os outros Poderes, permitindo ao público avaliar melhor as frequentes acusações de corporativismo puro e busca de benefícios e privilégios particulares. Se a iniciativa desse certo, a sociedade, quem sabe, poderia avançar e propor o “justiciômetro”, por meio do qual o cidadão externaria seu ponto de vista sobre a capacidade dos órgãos superiores de Justiça de agirem com imparcialidade, sem levar em consideração a identidade dos que são julgados.

Paulo Roberto Gotaç

prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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MILITARES NO PODER

A direita nacional quer um Hugo Chávez para chamar de seu. Com a nomeação do general Braga Netto para a chefia da Casa Civil do seu governo, o inominável sitia o Palácio do Planalto com generais da ativa e da reserva nos gabinetes diretamente ligados ao seu. A meu ver, a intenção secundária é neutralizar qualquer tentativa de conspiração do vice, Hamilton Mourão, dentro da caserna, mas a principal é testar os limites da República no sentido de se perpetuar no poder, do mesmo modo que o coronel Hugo Chávez fez na Venezuela. Isso sob o incentivo da direita reacionária e obscurantista, que lhe dá apoio nos nichos mais atrasados da sociedade brasileira, inclusive em parcela considerável da elite econômica, que quer porque quer um Chávez para chamar de seu. Braga Netto vai fazer companhia ao pior ministério da nossa História, ao lado do bobo da corte do MEC, do general gagá do GSI, do especulador falastrão da Economia, do cínico calculista da Justiça, do mau caráter do Meio Ambiente, do corrupto do Turismo, da lunática dos Direitos Humanos, do moleque do BNDES, entre outros deste verdadeiro circo de horrores que se instalou em Brasília, justamente com o discurso “de evitar que o Brasil virasse uma Venezuela”. Vale destacar que todas as vezes que militares se envolveram em política no Brasil o País caiu no mais absoluto retrocesso e nas trevas do autoritarismo covarde, que subjugou nossa sociedade civil e vilipendiou a democracia e a soberania popular, fazendo deste imenso e diversificado país mais uma Republiqueta caricata do Terceiro Mundo.

Sandro Ferreira

sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)

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VENEZUELA

Há cerca de 5 milhões de refugiados venezuelanos que abandonaram o país por mar, terra ou ar. A ingerência comunista de Cuba continua crescendo tanto no governo como nas Forças Armadas, em assuntos de relações bilaterais e de cooperação. O aumento da tortura com métodos cubanos foi denunciado por Luis Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA). Agora, a ONU vê indícios de que houve infiltração do narcotráfico nas Forças Armadas e, além disso, ocorre mineração ilegal de ouro e contrabando para produzir dinheiro que é usado pelo regime ditatorial de Nicolás Maduro para se manter no poder.

Luiz Roberto Da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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