Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2020 | 03h00

Brasil-nação

Sentimento de pertencer  

Hoje vemos em nosso Brasil manifestações exacerbadas de polaridades extremas, com cada parte se enxergando como pertencente a uma delas. Grupos defendem suas pautas específicas, mesmo que signifiquem prejuízo para o todo. Pensamentos, concepções e ideologias têm convivência difícil. Não nos vemos como pertencentes a um todo maior chamado Brasil, composto por seu povo, sua cultura, seu governo. Pouco importa que um banco da praça seja quebrado, a quadra da escola seja depredada, afinal, não os vemos como nossos, pertencem a uma entidade distante e etérea chamada governo, que tudo pode, mas age sempre com má vontade: é ela que não dá a remuneração que queremos, o bem-estar social que merecemos... Esquecemos que o governo existe porque o povo existe. O dinheiro para consertar o banco, a quadra sairá do bolso de quem todos os dias busca seu sustento, toma ônibus lotado, estuda, vai ao supermercado, paga impostos. O gasto para consertar poderia ser 

o investimento para melhorar. Podemos dizer que conhecemos e compreendemos nosso Hino Nacional? Sabemos quem são seus autores? O que representa nossa Bandeira? Quem a criou? Quais são nossos valores? Lemos nossos escritores? País é um território delimitado que abriga gente, rios, árvores, animais, casas, indústrias. E nação é essa gente unida pelos mesmos valores morais, que se reconhece no hino e na bandeira, busca o desenvolvimento econômico-social geral, defende pautas para beneficiar o todo, escolhe seus representantes entre os que têm o bem comum como horizonte. Falta aos brasileiros o sentimento de pertencimento. Ensina Adam Smith que a sociedade é o conjunto de pessoas unidas pelo mesmo objetivo de enriquecer a nação e onde cada membro conta. Enriquecer não só em termos econômicos, mas de elevar o povo social, moral e culturalmente. Cada membro conta porque cada um tem o quinhão que lhe cabe para o enriquecimento do todo. O sentimento de pertencimento agrega e é capaz de ressaltar o igual na diversidade. E aí não importa se a concepção de governo é de direita ou esquerda, pois seremos antes de tudo brasileiros.

NARA RELA

NARARELA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

Representação política

Correção de rumo

O leitor sr. Marcos Lefevre (A culpa não é do eleitor, 5/3) pôs o dedo na ferida ao perguntar como poderíamos corrigir o precário funcionamento do nosso sistema político, se os maiores interessados na manutenção desse sistema injusto (eu acrescentaria: e muito sujeito ao uso do poder em próprio benefício) são os que têm o poder de fazer as mudanças. É realmente muito difícil, mas não impossível. Teria de começar por uma campanha diuturna de toda a mídia do País demonstrando a necessidade de uma revisão da nossa Constituição – a meu ver, no entusiasmo do fim do regime militar, foi esquecido de levar em conta que o uso do poder em benefício próprio é uma lei da própria natureza, onipresente, e seu poder de sedução sobe exponencialmente com o aumento do poder disponível; começando por seus redatores, deputados constituintes que, depois de redigida a Carta, puderam continuar sua carreira política sem nenhuma restrição. Qualquer tentativa de correção da nossa Carta Magna exige muita atenção, para não dar a chave do galinheiro às raposas.

LUIZ ANTONIO RIBEIRO PINTO

LARPRP@UOL.COM.BR

RIBEIRÃO PRETO

Custo Brasil

Furor normativo

O artigo Normas regulamentadoras e princípio da legalidade (5/3, A2), de Almir Pazzianotto Pinto, toca com muita clareza num dos males responsáveis por grande parcela do custo Brasil. Afinal, todo burocrata em alto cargo aproveita o poder de editar normas e resoluções, previstas para tornar viável a prática da legislação, para, na verdade, legislar, como o autor do artigo deixou bem exemplificado no caso da Justiça do Trabalho, que ele conhece como ninguém. O Conselho Federal de Engenharia, por exemplo, como todos os conselhos profissionais, abusa desse expediente ao editar mais de mil resoluções, quando a Lei 5.194/66, que o criou nos moldes atuais, previa a regulamentação de apenas cinco artigos, como é bem sabido. Está na hora de começar a corrigir esse descalabro.

JOSÉ ELIAS LAIER

JOSEELIASLAIER@GMAIL.COM

SÃO CARLOS

Seguridade social

BCP atrasado

Muitos dos 4,6 milhões de beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) não se cadastraram em tempo hábil no Centro de Referência de Assistência Social, para além da necessária prova de vida anualmente realizada no banco em que é depositado o benefício de um salário mínimo. Essas pessoas, idosas e carentes de outras rendas, estão sem receber há meses e ficam telefonando para o n.º 135, do INSS, implorando para que seja restabelecido o seu pagamento. Como há 2 milhões de processos de aposentadoria na fila para análise, as demandas dos idosos do BPC, que já estão inscritos e só temporariamente trancados, ficam na mesma espera. O INSS deve dar atendimento em separado a essas pessoas, que já fizeram o novo cadastramento e estão desesperadas.

PAULO SERGIO ARISI

PAULO.ARISI@GMAIL.COM

PORTO ALEGRE

Tragédias recorrentes

Baixada Santista

Finalmente alguém põe em palavras o que sempre pensei (Catástrofe na Baixada Santista, 6/3, A3). De nada adianta o sr. governador fazer cara compungida e pedir minuto de silêncio pelas vítimas nem oferecer uma merreca à guisa de compensação. A tragédia se repete todos os anos na época das chuvas. A única solução eficaz é abortar o problema no nascedouro, ou seja, monitorar constantemente as áreas de risco e impedir 

a qualquer custo que pessoas venham a se instalar nelas.

VERA HELENA CARVALHO DOS SANTOS

VHCARVALHO66@GMAIL.COM

SÃO PAULO

 

O MUNDO CONTRA O BRASIL

Lula livre fazendo sucesso na Europa, o real derretendo mais que o peso argentino, “pibinho” (crescimento econômico de 1,1% em 2019) cada vez menor, parece que o mundo está contra o Brasil. O País pode, sim, estar pagando o preço da extraordinária arrogância do novo presidente da República. Bolsonaro soltou os cachorros contra França, Alemanha, Argentina, quase rompeu relações com a China e seus “malditos comunistas”. Bolsonaro jogou no lixo a diplomacia, e a conta de todas as grosserias sem precedentes do presidente da República parece estar chegando e que vai ser bem salgada e indigesta para o País.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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REACELERANDO?

Pois é, mesmo diante do medíocre crescimento de apenas 1,1% do PIB em 2019, o otimista ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou, sem corar, que “agora o mundo começou a desacelerar e o Brasil está claramente reacelerando”. Diante da surpreendente fala, resta saber se a acelerada é em direção ao precipício ou ao muro de concreto ao lado da estrada. Francamente!

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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NÃO TEM VOLTA

O Brasil não está descendo a ladeira abaixo nem desgovernado, como querem fazer crer os adeptos do quanto pior, melhor. Ao contrário, o governo atual procura de todas as formas tirar o País do profundo abismo onde foi lançado por desastrosas e criminosas administrações anteriores. Pura e simples.

Luís F. Amaral

luffersanto@bol.com.br

Laguna (SC)

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NÃO É O APOCALIPSE

A manchete do Estadão de quinta-feira (PIB decepciona; mercado prevê alta inferior a 2% para este ano) pode ser vista num primeiro momento como um desalento para o contribuinte que trabalha cinco meses por ano para pagar impostos, enquanto espera por notícias melhores sobre a economia. Pode parecer pouco, mas o crescimento de 1,1% camufla dados importantes. O PIB privado cresceu 2,72%, o PIB público recuou 2,25%. Isso significa que a economia está crescendo de forma sustentável, sem a artificialidade de estímulos públicos. É importante enxergar a realidade por outro ângulo para um país que saiu de uma crise econômica herdada dos governos petistas, com uma recessão de 8% acompanhada de inflação galopante de 9,28%. Ter um PIB de 1,1% com o país andando para a frente é uma vitória que tem de ser comemorada. Não custa lembrar que em países ditos de Primeiro Mundo, como Itália e Alemanha, os respectivos PIBs foram iguais ou inferiores a 1%. Não se trata, portanto, de um apocalipse, tão sonhado pela turma do quanto pior, melhor.

Paulo R. Kherlakian

paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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BOLSA FAMÍLIA – FRAUDES E USO POLÍTICO

Infelizmente, a reportagem Nordeste fica só com 3% das concessões do Bolsa Família (5/3, B8) não foi abrangente e encaminhou-se para o lado político. Mas o leitor sr. Luciano N. Marmontel (Fórum dos Leitores, 6/3, A3) corrigiu o deslize da reportagem ao esclarecer, com números, a distribuição por habitantes do Bolsa Família pelas Regiões Sul e Nordeste do Brasil, mostrando que a Região Nordeste em porcentagem de população recebe muito mais Bolsa Família que a Região Sul do Brasil. E, aproveitando que teremos eleição este ano, os políticos das Regiões Nordeste e Norte aproveitaram para realizarem a politicagem para agradar os seus eleitores (Bolsa Família abre novo foco de crise no Senado, Coluna do Estadão, 6/3, A4). Completando os dados, a distribuição de Bolsa Família, por famílias cadastradas por regiões, tendo como referência o IBGE, o TSE e a Tendências Consultoria (Exame, out18), é de: Nordeste (51%), Sudeste (25%), Norte (13%), Sul (6%) e Centro-Oeste (5%). O que os políticos das regiões pobres têm de dar ênfase é à escola em regime integral e a criar empregos nas Regiões Nordeste e Norte.

José Luiz Abraços

octopus1@uol.com.br

São Paulo

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REPRESENTATIVIDADE

Sobre a nota n Coluna do Estadão  de 6/3 (Bolsa Família abre novo foco de crise no Senado), a vergonha que permanece, prevalece e ninguém tem a coragem de mexer. Diz a nota que “dois terços da Casa são de senadores do Norte e Nordeste”. A excrescência que Golbery implantou, justamente para deturpar a representação no Senado, permanece intocada até hoje, e ninguém resvala o tema. É necessário que se estabeleça representatividade que atenda 1 eleitor = 1 voto para acabar com estas mazelas de nossa política. Não há solução de nada para o País enquanto tivermos essa aberração. Quando menciona as pretendidas obstruções nas Casas parlamentares, a Coluna mostra que nas duas casas parlamentares não se trabalha pelo País, mas por regiões cuja representatividade é irreal e nociva.

Abel Cabral

abelcabral@uol.com.br

Campinas

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MAIS UMA VEZ, A CRISE DE CONFIANÇA

O Poder Executivo não deseja que o Parlamento gerencie R$ 30 bilhões do bolo orçamentário, pois, ao contrário do que apregoa uma parcela ponderável de seus integrantes, afirma que tais recursos não serão destinados no sentido de beneficiar e desenvolver as bases, mas para fins meramente eleitoreiros, além de impedir o desenvolvimento de suas políticas gerais. O Congresso Nacional, por outro lado, reivindica um maior protagonismo na operação do cofre público, alegando que o governo federal distribui os montantes de maneira burocrática e impessoal, sem conhecimento das carências locais, dispersando, assim, os esforços e privando, às vezes, os locais que mais necessitam. Diante do impasse, resolvem ambos os poderes aprovar um acordo visando a efetuar uma partilha que, no entanto, deixa um rastro de suspeita nos dois lados e impede o fechamento definitivo da questão, pois novas negociações são prometidas. É a velha e persistente crise de confiança que impregna todos os segmentos da sociedade brasileira.

Paulo Roberto Gotaç

pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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CORTANDO ZEROS

O Orçamento da União para 2020 contempla a quantia de  R$ 1.355.000.000.000,00, dos quais apenas R$ 30.000.000.000,00 não são despesas fixas. Para melhor entendimento, vamos cortar 9 zeros, como se faz em tempos de moeda fraca. Agora é mais palpável! Então é como se o Congresso, com 513 deputados e  81 senadores, e o Executivo com seus 22 ministérios, todos abarrotados de assessores, se digladiassem pelo direito de gastarem os R$ 30,00 restantes, já que os R$ 1.355,00 já estão comprometidos inclusive para o pagamento dessa paquidérmica estrutura.

Abel Pires​ Rodrigues

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro 

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HÁ SEMPRE UMA SAÍDA

Na democracia, todos os poderes são equivalentes. Quando um deles deslegitima e desautoriza o outro, temos o que chamamos de autoritarismo ou ditadura. Um exemplo é a nossa vizinha Venezuela, a mesma que Jair Bolsonaro tanto critica. Apesar da ojeriza, nosso presidente tem ultrapassado todos os limites do bom convívio democrático. A cortina de fumaça desta vez foi um vídeo, disparado pelo próprio presidente por meio de sua rede social de uso particular, convocando a população a se manifestar contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 15 de março. A estratégia é incitar os bolsonaristas contra as instituições democráticas, desconsiderando a divisão de poderes feita pela Constituição de 1988, e pode resultar em crime de responsabilidade – aviso dado pelo ministro decano do STF, Celso de Mello, que lembrou que o presidente da República, “embora possa muito, não pode tudo, como imaginam”. Bolsonaro tentou amenizar afirmando que o vídeo compartilhado por ele era de 2015. O tiro saiu pela culatra no próprio vídeo, que mostra imagens dele na campanha de 2018, levando a fática facada no abdômen – ou seja, a emenda do presidente acabou saindo pior que o soneto. Como não convenceu a todos, o ex-capitão passou a fazer o que já tem se tornado rotina em seu governo: insultou a jornalista que descobriu o vídeo por ele compartilhado. Agredir os poderes não faz o caminho ser mais curto para o governo aprovar reformas nem é a maneira mais eficaz de debelar a crise econômica que continua assolando o País. E mais: negociação política não é chantagem. Para governar num regime democrático é preciso articular, ceder e atender a todos os setores da sociedade representados pelos 594 parlamentares. O Brasil precisa de estabilidade política para recuperar-se economicamente. A democracia não agrada a todos, porém foi o melhor regime para se governar descoberto até hoje, certo?

Turíbio Liberatto

turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul

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15 DE MARÇO

O presidente da República, Jair Bolsonaro, jamais deveria ter se metido nesta confusão de convocar a população para as manifestações do próximo dia 15 de março, para protestar contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Além de ir contra Montesquieu, que ele e o senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, e o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, talvez creiam ser um jogador do Paris Saint Germain e sua Teoria da Separação dos Poderes, não é papel de um chefe de Estado fomentar dissídios entre os Poderes constituídos, embora Getúlio Vargas, hoje consagrado com um estadista e democrata exemplar, tivesse um santo horror a essas instituições, tanto que as manteve fechadas por 15 anos, durante a mais cruel, impiedosa, odiosa e sangrenta ditadura vivida pelo Brasil, naquele período funesto e de triste lembrança. Seus seguidores, como Leonel Brizola, tido como o campeão da legalidade, quando deputado federal pelo extinto Estado da Guanabara, da tribuna da Câmara dos Deputados, pregava em célebres e violentíssimos discursos, que hoje podem ser lidos nos anais daquela Casa Legislativa, medidas duras contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. O “democrata” Darcy Ribeiro, chefe da Casa Civil de João Goulart, tinha um plano de eliminar fisicamente (leia-se matar) o presidente do STF, o bravo ministro Álvaro Moutinho  Ribeiro da Costa, e alguns outros integrantes da Corte que, no seu entender, atrapalhavam as reformas propostas pelo governo de então. Felizmente, vozes mais sensatas e equilibradas, como a do ponderado, inatacável e respeitadíssimo ministro Waldir Pires, não concordaram com as ideias de Darcy. Qual o cidadão, seja ele rico, de classe média alta, média ou baixa, que no pleno exercício de suas faculdades mentais irá apoiar instituições cujos membros, além de excelentes salários, têm uma infinidade de absurdos e injustificáveis privilégios pagos pelo contribuinte brasileiro? Podem aqui ser citados os mais conhecidos, tais como casas ou apartamentos funcionais, de excelente padrão, auxílio-moradia, auxílio-paletó, auxílio-alimentação de alto custo, auxílio educação para os filhos, carro oficial, passagens aéreas e auxílio-saúde, com direito a hospitais de alto padrão. Atualmente, os pouquíssimos brasileiros que ainda conseguem ter um plano se saúde fazem verdadeiro malabarismo financeiro para manter as mensalidades em dia. Para a maioria do povo brasileiro, ir a um supermercado para comprar os itens básicos tem sido um pesadelo. Não existe nada barato. Baixo, somente os salários daqueles que ainda têm a sorte de manter-se empregado. A maioria das aposentadorias e pensões é miserável. Para sobreviver, os cidadãos, depois de aposentados, são obrigados a trabalhar até a morte. O presidente Jair Bolsonaro perdeu tempo em pedir à população que apoiasse tais protestos. Não precisava pedir nada. Este assunto diz respeito às ruas. E, como ensinava o grande Ulisses Guimarães, que dominava o assunto: “A liberdade de expressão é apanágio da condição humana e socorre as demais liberdades ameaçadas, feridas ou banidas. É a rainha das liberdades”.

José Carlos Werneck

werneckjosecarlos@gmail.com

Brasília

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E SE?

Para os  bolsonaristas, o Congresso e o STF têm de ser servis ao presidente Bolsonaro, já que ele foi eleito pelo povo. Caso contrário, essas instituições têm de ser fechadas por estarem sendo empecilho à implantação das “reformas necessárias”. Os bolsonaristas também teriam essa opinião se o povo tivesse elegido como presidente um político da extrema-esquerda e este político também defendesse o fechamento dessas instituições por elas estarem sendo empecilho à implantação daquilo que a extrema-esquerda considera como “reformas necessárias”?

Geraldo Magela da Silva Xavier

silvag34@yahoo.com.br

Belo Horizonte

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‘MARCHA DA INSENSATEZ’

Sou um leitor assíduo de Denis Lerrer Rosenfield. Sempre admirei seus artigos, que considerava equilibrados, inteligentes e, na maioria das vezes, bem conceituados e de acordo com os preceitos liberais e contrários aos absurdos cometidos pelos governos socialistas que arrasaram nossa democracia, transformando-a numa autocracia. Assim, me surpreendeu o artigo publicado no dia 2/3 no Estadão, que se encerra com uma frase totalmente equivocada, que demonstra que ele ainda não entendeu completamente o porquê de termos votado em Bolsonaro e continuarmos a apoiá-lo. Os erros cometidos por Bolsonaro são absolutamente absorvíveis em face do real significado de sua eleição, cuja promessa implícita e mais importante é a completa reformulação da nossa democracia – nisso incluída a eliminação da influência nefasta da ideologia que deformou nossa democracia neste arremedo autocrático, que beneficiou uma classe política majoritariamente corrupta. Daí o erro de nos descrever como antidemocráticos e golpistas e contrários ao Congresso Nacional e demais instituições democráticas. Gostaria de usar um pronunciamento do presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln, que jamais poderá ser acusado de antidemocrata, para ilustrar o meu pensamento: “Nós, os cidadãos, somos os legítimos senhores do Congresso e dos tribunais, não para derrubar a Constituição, mas para derrubar os homens que pervertem a Constituição”. Portanto, nossa manifestação jamais poderá ser classificada como marcha da insensatez. Ao contrário, ela se propõe a mostrar aos homens do Congresso que eles estão pervertendo a Constituição quando deixam de ser representantes dos cidadãos para atenderem aos seus interesses egoístas.

Carlos Ney Millen Coutinho

cncoutinho@uol.com.br

Rio de Janeiro 

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MEDO DO SUCESSO

Denis Rosenfield, em Marcha da insensatez, não entendeu que o que está em jogo nas demonstrações de 15 de março são: 1) o fim da “corrida ao coxo” protagonizado pelo PMDB na redemocratização e continuado depois; 2) o fim do toma lá dá cá iniciado nos governos PSDB/FHC; 3) o fim dos “privilégios adquiridos”; 4) o início de um Poder Legislativo cumpridor de suas obrigações com a sociedade; 5) o início de governos estaduais e prefeituras com orçamentos equilibrados; 6) o fim de um STF politizado que isenta corruptos de justas punições; e 7) o fim de uma imprensa hipócrita. Também não entendeu, como Delfim Netto, que os militares são uma reserva de competência e de ética que felizmente Bolsonaro mobilizou. Resultaram em 14 meses sem novos escândalos de corrupção. E falta entender que a reforma da Previdência foi imposta ao Legislativo pela opinião pública, diferentemente do que propaga a imprensa. Instituições democráticas/Poderes aparelhados por corruptos e chantagistas não são democráticos, mesmo que resultantes de eleições sem alternativas éticas. Não há nada de autoritarismo em combater este estado de coisas herdado. De quem é a insensatez? Sem dúvidas, dos sofistas que articulam negociações com os chantagistas inescrupulosos. Bolsonaro afirma que não fará como os governos anteriores. Eis o motivo da “crise”. Caso o Legislativo simplesmente cumprisse a sua obrigação de aprovar reformas sem espernear, não teríamos problemas. Teme-se o sucesso deste governo.

Harald Hellmuth

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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TIRO CERTO?

O presidente Jair Messias Bolsonaro convocou a sociedade brasileira a sair às ruas no próximo dia 15 de março para protestar. Para aqueles com idade mais alongada, lembram-se de que o último presidente que convocou o povo para sair às ruas foi o ex-presidente Fernando Collor de Mello, e o resultado todos os brasileiros sabem?

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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‘DEIXEM-NOS EM PAZ’

Alguns setores da esquerda insistem em tentar criminalizar manifestações como a programada para o próximo dia 15 alegando que elas afrontam a democracia. Todo brasileiro tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas, estando sujeito apenas às restrições previstas em lei. Não cabe a nenhum grupo, por mais poderoso que seja, tentar censurar previamente a liberdade de expressão e manifestação do cidadão. Estes mesmos grupos nunca acusaram uma manifestação de esquerda de afrontar a democracia, mesmo aquelas em que o vandalismo se fez presente com a destruição de bens públicos e privados. Nessa ocasião, tudo era visto como livre manifestação. Tenham santa paciência, ponham a mão na consciência e deixem-nos em paz!

Jomar Avena Barbosa

joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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‘O DIA DA URUCUBACA’

Sérgio Augusto, esquerdista conhecido, comentou a manifestação popular do próximo dia 15 de março apelidando-a de O dia da urucubaca (Estadão, 29/2) e destacou a coincidência da data com vários acontecimentos ao longo da história, alguns até sinistros. No texto, ele criticou o envolvimento do presidente ao usar a internet para conclamar cidadãos para este movimento e sabe muito bem onde pegar na veia do pescoço de Bolsonaro, mas, por outro lado, ele e nenhum dos demais críticos são capazes de receitar o remédio certo para curar a politicalha corrupta que desde sempre infesta o País de cabo a rabo. Agora mesmo, o governo tem de ceder à chantagem e distribuir verbas por atacado para um Congresso apelidado pelo povo de “cambalacho”, para fazer mudanças mais que necessárias e urgentes para sairmos desta falência financeira e moral deixada pelo petismo, mas. Ele e os demais críticos nada têm a dizer contra essa politicalha que não justifica sequer o custo do papel higiênico gasto por ela.

Laércio Zannini

spettro@uol.com.br

São Paulo

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SÉRGIO AUGUSTO

Não é difícil de entender por que eu assino o Estadão há tantos anos: em que jornal eu encontraria alguém como Sérgio Augusto lamentando “as manifestações em 160 cidades brasileiras contra o governo Dilma (2015), que deram no que deram”, ao lado de gente séria que não deixa as mazelas de nenhum governo passarem em branco? Jornalismo sério é isto, publicar opiniões contraditórias, ainda que desagradem a muitos leitores, e deixar os elogios para os obituários.

Evaldo Valente Guimarães

evaldovg@hotmail.com

São Paulo

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RESPEITO

É impossível querer que o povo brasileiro respeite os Três Poderes, em nome da entidade abstrata chamada democracia, se cada um de nós já se sentiu, com absoluta certeza, desrespeitado pelas entidades concretas integrantes desses poderes e pelo “circo” em que transformaram esses espaços democráticos. E, também, por outros Poderes, igualmente circenses que nem sequer elegemos e que mandam e desmandam em nosso cotidiano. O povo acaba se espelhando e quer também ser protagonista em seu próprio “circo”, por que não? É ou não é uma grave distorção de nosso sistema? Talvez seja por aí a produção da narrativa política em torno de valores e sentimentos desejada por Sergio Fausto (Mito e política – precisamos de uma alternativa, 2/2, A2): se querem respeito, senhores, comecem nos respeitando! 

Sandra Maria Gonçalves

sandgon46@gmail.com

São Paulo

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E DEPOIS RECLAMAM

O condenado Lula da Silva e seus assessores, com autorização das autoridades constituídas, fez um périplo pela Europa. Além de gastar dinheiro do honesto povo de bem, falou mal do Brasil e do governo brasileiro – talvez por não ser corrupto como o delle. Essa excrecência só acontece onde essas mesmas autoridades são lenientes com “os amigos do puder”. E depois reclamam das manifestações marcadas para o próximo dia 15. Falta vergonha na cara desta turma!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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ELEIÇÃO EM ISRAEL

Após três eleições parlamentares, segue o impasse para a formação de governo em Israel. Existe cláusula de barreira para entrar no Parlamento (Knesset). A porcentagem era de 1% (1949) e foi subindo gradualmente para 1,5% (1988) e, depois, 2% (2003). Isso ocorreu quando a eleição direta para primeiro-ministro, desvinculada dos parlamentares, não se mostrou eficaz na formação de governos estáveis entre 1996 e 2001. Em 2014 houve um novo aumento, para 3,25%. O objetivo era facilitar a formação de coalizão, diminuir a fragmentação partidária, melhorar a governabilidade e impedir a entrada dos partidos árabes-israelenses (Balad, Hadash e Ra’am Ta’al). Estes partidos resolveram disputar a eleição juntos como a Lista Unida e, agora, conseguem bloquear a formação de governo. Diante da polarização entre a esquerda (Azul e Branco) e a direita (Likud), nenhum dos dois lados consegue atingir a maioria absoluta de 61 cadeiras (do total de 120 assentos). O país irá para uma quarta eleição parlamentar, em pouco mais de um ano.

Luiz Roberto Da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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