Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2020 | 03h00

O vírus e o capitão

Distanciamento social


Passamos das 800 mortes por dia e nosso presidente se sente afrontado pelas medidas preventivas adotadas pelos governadores e prefeitos sobre o distanciamento social. As urnas vão mostrar a ele o que é distanciamento social político.


RICARDO LORENZI

RICARDO.LORENZI@GMAIL.COM

SÃO PAULO


*

Pandemia x economia (?)


Esta pandemia vem mergulhando os países em duas turbulências simultâneas: a sanitária e a econômica. Não é questão discutir qual é a mais perniciosa e, assim, dar prioridade de ação a esta ou àquela. A dificuldade é encontrar a melhor forma de conduzir a nave nesta dupla tormenta. No mínimo, teríamos de ter uma equipe competente de âmbito nacional trabalhando de forma coesa com Estados e municípios para minimizar os malefícios de ambos os lados. Mas, no Brasil, o que vemos é cada um puxando para um lado, a população dividida numa estéril luta pseudoideológica.


ROBERTO MENDONÇA FARIA

FARIA@IFSC.USP.BR

SÃO CARLOS


*

A covid-19 e a pobreza


É de desanimar a falta de cooperação. Todos estamos preocupados com os mais pobres, em especial pelo desemprego atual e futuro. Programas sociais precisam ser implementados para combater a fome e a pobreza agora e sempre. Isolamento social é fundamental para diminuir a pandemia e permitir o atendimento a toda a população, caso contrário as camadas mais pobres vão sofrer o maior impacto e o maior número de mortes, por falta de assistência médica. A hora é de união e solidariedade. Há que colaborar, ficar em casa e proteger-se!


JOSÉ PAULO CIPULLO

J.CIPULLO@TERRA.COM.BR

SÃO JOSÉ DO RIO PRETOS


*

Urgência oncológica


A reportagem Pandemia do coronavírus faz ao menos 50 mil brasileiros deixarem de ser diagnosticados com câncer (13/5, A14) revela uma triste realidade vivida em meio à pandemia de covid-19. As mudanças na rotina de hospitais e clínicas, interrompendo tratamentos médicos de todas as áreas, incluídos os de oncologia, vêm, em muitos casos, tirando o direito à vida desses pacientes. Infelizmente, muitos são casos graves, que não podem aguardar o fim da pandemia nem têm tempo para ações judiciais que garantam o cumprimento de seus direitos a tempo. É preciso tornar viável a continuidade do tratamento desses pacientes imediatamente, para que essas mortes não agravem ainda mais o triste cenário que vivemos atualmente.


ARNALDO URBANO RUIZ, cirurgião geral e oncológico

URBRUIZ@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO


*

Ministério Público


O editorial Brincando de ser presidente (12/5, A3), conquanto mereça elogios na sua essência, carece de reparo na parte em que acusa o Ministério Público de colaborar “para minar a credibilidade dos governos estaduais e das prefeituras ao criar caso com compras emergenciais de equipamentos médicos”. A medida provisória (MP) que flexibilizou as regras para compras e contratação de serviços durante o estado de calamidade pública decorrente da epidemia do coronavírus não é um cheque em branco para que gestores públicos usem a seu bel-prazer, sem observância dos princípios constitucionais que regem a administração pública. As contratações com dispensa de licitação, autorizadas pela MP, demandam condutas sérias, éticas e morais dos gestores de modo a usar os recursos públicos com respeito às regras da boa administração. A atuação do parquet levou, recentemente, à descoberta de fraude na aquisição de equipamentos para combate à epidemia (Operação Mercadores do Caos) envolvendo ocupante de alto cargo da administração em conluio com empresas privadas para desfalcar os já combalidos cofres públicos em proveito próprio. O Ministério Público deve estar atento, sim, a desmandos de gestores com uso indevido do dinheiro público, não podendo ser tachado de “criador de caso” com compras emergenciais. Eventuais desvios de algum membro da instituição, se houver, devem ser apurados pelas respectivas corregedorias.


CARLOS ROBERTO BARRETTO

CRBARRETTO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


*

Desgoverno Bolsonaro

Lapsos e evasivas


Os maus exemplos do governo têm como expoente maior e principal vetor o próprio presidente da República. Poucos dias após sua posse, Bolsonaro já mostrava sintomas de contaminação pelos maus exemplos dos governos lulopetistas. De lá para cá, o discurso moralizador de sua campanha eleitoral naufragou e agora, a exemplo de seus antecessores, Bolsonaro cai nos subterrâneos do Centrão. Nessa terça-feira, a esperança de que essa sangria moral pudesse ser estancada morreu durante a oitiva dos generais Heleno, Braga Netto e Ramos à Polícia Federal (PF) sobre a reunião ministerial que motivou o pedido de demissão de Sergio Moro da pasta da Justiça. Sem responder objetivamente, acabaram por conferir veracidade às acusações do ex-ministro, tantos foram os lapsos de memória e as evasivas em seus depoimentos. Fiel ao seu ideal moralizador, Moro foi uma ilha de bom exemplo nesse governo. Pena não ter sido seguido.


SERGIO RIDEL

SERGIOSRIDEL@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO


*

Contra fatos...


O presidente diz que na reunião ministerial de 22 de abril não mencionou a PF, sua preocupação era a segurança de sua família – atribuição do Gabinete de Segurança Institucional. Todavia, dois dias após a reunião, o exonerado foi Alexandre Valeixo, diretor-geral da Polícia Federal, e tão logo tomou posse o novo diretor, Rolando Souza, este trocou imediatamente o superintendente da PF do Rio. Todas essas mudanças estão documentadas no Diário Oficial da União, o que evidencia a veracidade da fala de Moro e comprova, decisivamente, que contra fatos não há argumentos.


ENI MARIA MARTIN DE CARVALHO

ENIMARTIN@UOL.COM.BR

BOTUCATU


______________________________________________

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



MONTURO DA HISTÓRIA


Ao trair milhões de brasileiros que lhe depositaram confiança e a Pátria, uma vez que vem ferindo a própria Constituição ao participar de movimentos que pedem o fechamento do Congresso Nacional e gritam palavras de desordem contra o Supremo Tribunal Federal (STF), Jair Bolsonaro corre sério risco de passar para a História como um dos piores presidentes do Brasil. Tirando todas as bobagens ditas e feitas com uma frequência maior até do que a antecessora eleita, Dilma Rousseff, ele tem levado muitos eleitores ao arrependimento, pois na campanha prometeu, por exemplo, não ceder ao toma lá dá cá, mas, ao contrário, praticamente já está de “casamento marcado” com o Centrão; disse apoiar o combate implacável à corrupção, mas um de seus símbolos, o ex-juiz Sergio Moro, é colocado para fora do governo; dizia não ser misógino, e ataca jornalistas mulheres com bastante frequência, além de dar maus exemplos ao pregar o fim do isolamento social e cometer crimes como exonerar o ministro da Saúde durante uma pandemia somente por razões, aparentemente, políticas e por vaidade – aliás, outro grande defeito para quem diz que vai disputar a reeleição, caracterizando campanha extemporânea, e vencê-la (as urnas eletrônicas são vulneráveis ao ponto de permitir fraudes, presidente?). É por essas e outras – muitas outras – e por tudo o que virá (superada a crise epidemiológica, projeções apontam para o pior PIB anual da história da economia brasileira), Bolsonaro não só joga seu nome na lata de lixo, como o próprio País e o povo, tão machucado pelo coronavírus e humilhado pelas filas formadas para enganar as injustiças sociais. E a fome.


João Direnna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)


*

MORTE SÚBITA


Sim, o presidente da República articulou para obter o controle das ações da Polícia Federal, confessou que precisava proteger sua família, que estaria sendo ameaçada. As tais ameaças são os casos em que seus filhos estão envolvidos: a rachadinha, as fake news e o assassinato da vereadora Marielle Franco. Para conduzir o trabalho da Polícia Federal nesses casos, o presidente da República não hesitou em mudar tudo o que fosse preciso: mudou o diretor-geral da Polícia Federal, que imediatamente mudou o superintendente responsável pela condução dos casos em tela, nesse processo perdeu o ministro da Justiça, que não aceitou ser cúmplice e acusou o presidente de uma série de crimes. Há motivos de sobre para Jair Bolsonaro ser apeado da Presidência da República, não será necessário promover a tradicional sangria que antecede o processo de impeachment, o País pode pular a fase em que o presidente gasta bilhões de reais dos cofres públicos com aprovações de emendas parlamentares e nomeações para cargos com potencial de desvio de verbas na tentativa de sobreviver ao impeachment. O processo via STF será muito mais rápido e barato, como a morte súbita no futebol, o Brasil e o mundo civilizado irão respirar aliviados com o fim da gestação Bolsonaro.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


*

‘SEGURANÇA FAMILIAR’


Se eu tivesse um filho com língua tão ferina, um outro atirador de chá revelação e outro com ligações paramilitares, ou tudo junto e misturado, minha última preocupação seria com sua segurança.


Marco Dulgheroff Novais marcodnovais@hotmail.com

São Paulo


*

A CASA CAIU


Depois do vazamento do vídeo da reunião ministerial do presidente Bolsonaro, como fará Augusto Aras para pedir arquivamento?


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


*

É CHEGADA A HORA


O inquérito contra Jair Bolsonaro encerrou a fase das provas. É chegada a hora da realização concreta dos princípios de direito. Ou pelo sim ou pelo não, a decisão será tomada. O Supremo Tribunal não pode vacilar, não pode enfraquecer, pois que a realização do Direito Público, como bem leciona Von Jhering, “depende exclusivamente da fidelidade dos funcionários públicos no cumprimento de seus deveres”. E o único dever deles é para com a Justiça. Se o funcionário público falhar ou por covardia, tibieza, embotamento do sentimento jurídico ou, ainda, por preguiça ou ideologia calcinada no erro, resulta que o princípio da Justiça ruirá fragorosamente. Pela fragilidade na dicção do direito, esse agente público falto com seu dever jurado permite que se rompam as barreiras da Justiça e, de efeito contrário, instiga que o arbítrio e a ilegalidade ganhem forças e se aventurem contra a democracia. Sempre, o avanço da ditadura vem barrada, em primeiro plano, pela fidelidade dos servidores públicos, em se não contaminarem com os cantos e encantos da sereia. Todo o potencial tirano apresenta-se como salvador da Pátria. Mas com o certeiro intento de fissurar as barreiras da Justiça. Transpostos os muros da Justiça, tudo se lhe aplana ao gosto e querer. No julgamento do inquérito movido contra Bolsonaro, colhidas as provas, espera-se que ambos os funcionários públicos, de um lado Augusto Aras, propondo a ação e, de outro, o ministro Celso Cardoso, tenham comportamento ilibado, firme, justo, resoluto em prol da verdade que resultou das provas. Fazer Justiça não é nem vingança, nem rancor, nem ódio, é única e simplesmente “dizer o direito”. Temos, à contemplação de todos nós, os dois pratos da balança, num deles assenta-se a verdade; no outro, a mentira. E a Justiça (fiel da balança) irá pender para um dos dois lados. O grande desafio da Justiça, reste claro, concretiza-se nesse julgamento, pois que dele teremos ou o império da democracia ou começarão a ecoar pelos corredores do Planalto os passos ruidosos do ditador.


Antonio Bonival Camargo  bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo


*

DISSE ME DISSE


Esta briguinha de Bolsonaro e Sergio Moro me parece uma reunião de condomínio. Um disse me disse de besteiras e fofocas. O condomínio está falido, as contas não fecham, a lixeira entupida, e os Conselhos Fiscal (Judiciário) e Consultivo (Legislativo) preocupados com o pum que uma condômina soltou na varanda ou o cachorro que defecou na escada. Ambos ridículos.


Paulo H. Coimbra De Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro


*

GOVERNO SEM FUTURO


A cada dia, recrudescem mais e mais as declarações e atitudes estapafúrdias, desencontradas e absurdas de um governo atrapalhado, muito mal gerenciado pelo alcaide-mor trapalhão. Certamente, graças a atitudes como demitir uma pessoa íntegra e de valor inestimável para a sociedade, de se aliar a grupos políticos para lá de suspeitos distribuindo cargos na tentativa de evitar o que parece ser o prenúncio de um impeachment, de nomear pessoas para “proteger a família”, de justo no momento da maior crise sanitária mundial ir contra as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que fica claro que este governo não tem mais nenhum futuro. Reeleição nem pensar, se não cair antes! Joguei meu voto na latrina! O mais lamentável para mim é que fica na mente uma dúvida atroz: talvez eu fosse feliz, e não sabia, nos famigerados 13 anos do desgoverno Lula e Dilma.


Paulo Sérgio Pecchio Gonçalves ppecchio@terra.com.br

São Paulo


*

‘O ESTADO SOU EU’


O momento exige aula ao senhor Jair Bolsonaro. O Brasil é uma República, não uma monarquia absolutista. A Constituição não é alguém, mas o instrumento que rege todos os cidadãos, incluindo ele próprio. E o tal vídeo da reunião não é de propriedade dele nem deveria ter sido destruído, por ser oficial. Não misture o privado e o público.


Lucia Helena Flaquer lucia.flaquer@gmail.com

São Paulo


*

CLAQUE


O PT pagava sanduíche de mortadela para ter aplauso... o que paga o capitão para ter apoiadores nas entrevistas quebra-queixo nas manhãs do Planalto? Afinal, haja motivação para ter todo dia esses bajuladores.


Manuel Pires Monteiro manuel.pires1954@hotmail.com

São Paulo


*

O PRESIDENTE NÃO ENTENDEU


O presidente Jair Bolsonaro disse que irá acionar a Justiça e o Congresso para que esses órgãos obriguem governadores e prefeitos a acatar e cumprir seu decreto de relaxamento do isolamento social por academias, salões de beleza e barbearias, fato esse já decidido em plenário pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ora, a pergunta que não quer calar é: qual parte da decisão do STF o presidente ainda não entendeu?


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


*

ESSENCIAL?


Academia é atividade essencial? Bolsonaro não sabia que em 1970 não existiam academias em São Paulo? Foi no início da década de 80 que as academias se estabeleceram no Brasil. Lembro-me, em 1983, da inauguração da Marathon. Acho que foi uma das primeiras academias em São Paulo.


Sérgio Bruschini bruschini0207@gmail.com

São Paulo


*

‘BOLSONARIZAMO-NOS!’


Irretocável e contundente o artigo de Fernão Lara Mesquita Bolsonarizamo-nos! (12/5, A2). Cada setor a que ele se refere tem suas práticas vergonhosas e abjetas. Tudo se transformou para pior, de cima abaixo. De fato, o voto distrital puro seria o caminho para a cura desse mal maior em que se transformou a política brasileira. Seria um voto fiscalizador, em que cada parlamentar teria de honrar seu mandato e, mais do que isso, cumprir suas promessas, sob a pena de ser punido pelo seu eleitor. Esse voto educa não só o eleito, como seu eleitor, que acaba ficando mais atento e cioso de seus direitos e deveres. É a favor dessa lealdade que todo cidadão deveria exigir uma faxina nestas Casas Legislativas. Mas, como perguntar não ofende, estariam os atores desse circo dispostos a mudar?


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


*

VOTO DISTRITAL, A ÚNICA SAÍDA


Excelente artigo de Fernão Lara Mesquita (12/5, A2). Em especial por apontar que somente teremos coerência e racionalidade na gestão pública quando elegermos todos os nossos representantes pelo sistema de voto distrital. A única saída para um Brasil decente.


Carlos de Oliveira Ávila gardjota@gmail.com

São Paulo


*

OS LADRÕES NA PANDEMIA                                                        


Ainda criança, ouvia falar que no Brasil rouba-se dos governos municipal ao federal, porque aquele que enfia a mão no cofre governamental nunca é castigado como deveria, porque o ladrão é político ou indicado por um, além de leis que parecem feitas mais  para livrar do que castigar. Esta roubalheira acontece até em momentos delicados, como agora, que o País encara uma pandemia que ainda nem sabemos como combater. Nessa situação de desespero, a corja de ladrões aproveita a oportunidade de sair “comprando” o que classificar como urgente e sem necessidade de cotação de preço, e daí, meu irmão, é uma festa para o bolso dos malandros! Essa movimentação da corja já alcançou mais de dez casos investigados e alguns de valores altos. Se o Brasil adotou uma situação de emergência como de guerra, por que não deveria punir aqueles que cometerem esses roubos como crimes de guerra? Enquanto o Brasil não adotar medidas duras contra ladrões como estes, nunca seremos uma nação de respeito.


Laércio Zannini spettro@uol.com.br

Garça


*

ESCÁRNIO


Dada a letalidade da covid-19, ouvir do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, que este rodízio macabro de automóveis ajuda na melhora da qualidade do ar, portanto nas doenças respiratórias, para mim soa mais como uma gargalhada de deboche na cara de quem está enterrando seus mortos.


Dina Benetti dibemei@yahoo.com.br

São Paulo


*

AGLOMERAÇÃO


O fato de o prefeito Bruno Covas aglomerar a população empurrando-a para ônibus, metrôs e trens não vai contra a recomendação de isolamento social? A Argentina e o Paraguai estão tendo sucesso na redução/controle com medidas opostas. O único benefício é a redução no movimento do trânsito.


Louri Veneno louri.veneno@hotmail.com

São Paulo


*

EU QUERO A VERDADE


Eu quero a verdade. É tudo isso? É só isso? Não é nada disso? Eu quero a verdade do governador de São Paulo, sr. João Doria, e do prefeito de São Paulo, capital, sr. Bruno Covas. Basta de falatório diário que não explica nada, chega de showzinho macabro especificando a compra de 38 mil caixões, sacos funerários e abertura de milhares de covas. Colhi dados comparativos entre Estados de São Paulo e Paraná, e suas capitais, obtendo o que segue: índice médio de isolamento social em São Paulo, 50%; índice médio de isolamento social no Paraná, 40%. Valem, grosso modo, para Estados e capitais. População do Estado de São Paulo, 44 milhões, 4 mil mortos, uma morte por 11 mil habitantes. População do Estado do Paraná, 12 milhões, 130 mortos, uma morte por 92 mil habitantes. São Paulo, Estado, tem quase 9 vezes mais. Quanto às capitais, São Paulo, população de 12 milhões, 2 mil mortos, uma morte por 6 mil habitantes. Curitiba, 1,8 milhão de habitantes, 30 mortos, uma morte a cada 60 mil habitantes. São Paulo, capital, tem dez vezes mais. Governador, prefeito, algo está errado em suas políticas públicas! O que querem? Espalhar pânico? Quebrar o Estado de São Paulo? Quebrar a cidade de São Paulo? Verbas da União para contratos milionários sem licitação? É incompetência? É negligência? Foi o carnaval que não há no Paraná e em Curitiba, mas aqui existiu o pouso de centenas de voos trazendo turistas contaminados, e os senhores nem sequer quiseram ouvir sobre cancelar aquilo tudo, dados os milhões que entraram no cofre? Como eu disse, eu quero a verdade! E rápido, estamos morrendo, se é que estamos mesmo, antes que eu comece a pensar que tudo não passa de patifaria, das mais variadas formas, principalmente este rodízio insano no trânsito de São Paulo, capital, que tira um cidadão de seu carro, onde estava sozinho, para jogá-lo junto a dezenas de outros, todos grudados entre si, no transporte público.


Marcia Meirelles marciambm@yahoo.com.br

São Paulo


*

HISTÓRICO DA COVID-19 NO BRASIL


O estudo da Fiocruz demonstrando que já havia disseminação comunitária do coronavírus antes da data considerada oficial (26 de fevereiro) no Brasil reforça a importância de o Ministério da Saúde rever o número de óbitos de causa não esclarecida que aconteceram antes desta data, principalmente decorrentes de insuficiência respiratória aguda, no intuito de corrigir oficialmente o histórico da doença no País. Seguramente, não foram poucos os casos dessa natureza que merecem a devida reavaliação retrospectiva.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


*

CARNAVAL EM SP


Segundo a Fiocruz, o vírus chegou ao País em janeiro, e, portanto, no carnaval já havia transmissão comunitária da doença. Aqui, em São Paulo, estão com a palavra o prefeito Bruno Covas e o governador João Dória.


Arcangelo Sforcin Filho despachante2121@gmail.com

São Paulo


*

IRRESPONSABILIDADE


João Doria quer se passar por herói, no entanto promoveu o carnaval em São Paulo sabendo, segundo ele mesmo, da existência de risco de circulação do vírus desde janeiro. Irresponsável. Quantos turistas espalharam o vírus, e agora o governador está aí, posando de herói?


Zingaro Marinho zingaromarinho@gmail.com

Campinas


*

INDIGNAÇÃO SELETIVA


Na entrevista coletiva de segunda-feira (4/5), o prefeito de São Paulo manifestou sua indignação quanto ao fato de os manifestantes do último domingo terem desrespeitado a Lei do Silêncio na região do Instituto Dante Pazzanese. Só que ele mesmo autorizou, no período carnavalesco (antes, durante e depois do carnaval), que se realizassem vários shows musicais ali mesmo, com a presença de artistas famosos, tendo ocorrido, por óbvio, a concentração de milhares de foliões, provocando uma intensidade sonora bem maior do que a provocada pelos manifestantes em questão. Onde está a sua coerência, prefeito? Além disso, não se pode esquecer de que antes do carnaval o coronavírus já estava por aqui, e o prefeito e o governador João Doria, além das autoridades sanitárias estaduais, deram de ombros para a iminente contaminação, propagandeando aos quatro ventos que São Paulo teria o maior carnaval de rua do Brasil, razão por que os turistas deveriam vir se divertir na capital paulista. Isso está fresco na cabeça de todos nós. Covas e Doria deveriam, pelo menos, assumir o erro, como fez o prefeito de Milão, que agiu como um verdadeiro homem.


José Antonio Braz Sola jose.sola@globomail.com

São Paulo


*

OMISSÃO PRESIDENCIAL


Agora, depois do “e daí?” do presidente da República, os robôs mandam dizer que a culpa pela disseminação do vírus no Brasil é dos governadores, porque não cancelaram o carnaval. Mas um presidente tão capacitado e preocupado com a saúde da população poderia ter se reunido com os governadores para suspender as manifestações carnavalescas. Se não o fez, foi omisso e negligente.


José Paulo Cipullo j.cipullo@terra.com.br

São José do Rio Preto

  

*

BRASIL INFANTIL


Cometemos vários erros: desde a realização do carnaval, quando não nos prepararmos para a peste, até, mais grave ainda, uma chuvarada de palpites infelizes e discórdias políticas inócuas. Vamos pagar o preço da imaturidade, da infantilidade e da falta de planejamento na área de saúde e notadamente sanitária. Que o vírus acorde nossos governantes e desperte a população para soluções do interesse coletivo, reduzindo o sofrimento de muitos.


Yvette Kfouri Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo


*

PAÍS PRECÁRIO E POBRE


O isolamento social, por si só, nada vai resolver no Brasil nesta crise da pandemia. Todas as grandes cidades brasileiras têm um cinturão de miséria ao seu redor, favelas insalubres onde a população não possui recursos para ficar dentro de casa. O dinheiro cedido não dá para quase nada e gerou uma dívida pública astronômica e impagável. Nosso sistema de saúde é decrépito e precário, como tudo no País. A Rússia, com 221 mil casos, teve 2 mil mortos e grande parte dos infectados se recuperou. O problema não é Bolsonaro, e sim a péssima gestão do País por mais de século. Governos que jamais utilizam o dinheiro público para a solução dos problemas; educação fundamental precária; falta de saneamento; falta de moradia; falta de segurança; falta de infraestrutura mínima nas grandes cidades e de modais de transporte; ausência de limpeza do meio ambiente; falta de água limpa para a população. Nada disso interessa! A pandemia revelou para os brasileiros o lixo e o absurdo de país que temos.


Paulo Alves pauloroberto.s.alves@hotmail.com

Rio de Janeiro


*

MORTES HOJE X MORTES AMANHÃ


Ainda não caiu a ficha? Então, traduza-se a depressão econômica (retração em mais de 6% do PIB) esperada pelo Deutsche Bank em porcentagem adicional de desemprego no País. Agora, pegue-se o amplamente ignorado estudo científico aplicado ao caso da recente recessão no Brasil publicado na revista Lancet e traduza-se o desemprego adicional esperado em aumento dos índices de mortalidade, morbidade e número de mortos e sequelados anuais. Trata-se de uma óbvia, esperada, líquida e certa quantidade monumental de mortes de brasileiros – talvez muito superior às mortes esperadas pela covid-19. Daí, baixe-se esta bola murcha! Não se trata da fraude midiática saúde x economia, são mortes-hoje x mortes-amanhã; e, de brinde, a degradação geral de qualidade de vida, em todos os seus aspectos. E ninguém estará totalmente blindado. Bem, quase ninguém, só mesmo os jornalistas e apresentadores de TV, que hoje garantem o atual foco parcial e desequilibrado desta tragédia, que amanhã procurarão mais uma narrativa desonesta para tentar justificar um dos maiores erros jornalísticos e midiáticos pandêmicos de todos os tempos. A ladainha que virou carne-de-vaca entre os arautos da seita cega da “covid-19 acima de tudo” não seria mesmo “toda morte importa”?


Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia


*

DESASSOSSEGO


A humanidade vive hoje um estado de preocupação. Na cabeça de cada um de nós, a todo instante, vem a indagação: “Será que me livrarei dessa?”. O novo coronavírus está nos desassossegando. Está tirando a nossa paz. Já se tem notícias de pessoas que já estão enfrentando outras doenças em virtude dessa intranquilidade. Supliquemos ao nosso Pai Celestial o socorro, como fez o salmista Davi num momento de aflição. Ele clamou ao Senhor dizendo: “Olha para mim, e tem piedade de mim, porque estou solitário e aflito”. “As ânsias do meu coração se têm multiplicado; tira-me dos meus apertos” (Salmos 25.16,17).


Jeovah Ferreira jeovahbf@yahoo.com.br

Taquari (DF)


*

O ESTRESSE DE FADIGA


O prolongamento do tempo de reclusão em casa e as consequentes restrições à nossa liberdade constituem um considerável desafio para a preservação do nosso bem-estar. Ao chegarmos ao segundo mês de quarentena, vão se esgotando progressivamente os nossos recursos e disposições para sustentar uma rotina diária produtiva. Percebemos que ficamos mais desinteressados ou até indiferentes ao que acontece no mundo afora – claro, em parte ocorreu uma saturação de notícias preocupantes no noticiário nacional e internacional nestes dias –, percebemos que é preciso mais esforço para dedicarmo-nos à leitura ou às atividades que exigem concentração. Com maior facilidade ficamos dispersivos ou até intolerantes para coisas que nos desagradam. Essa indisposição pode dificultar o convívio com os nossos familiares, amigos ou as pessoas com as quais compartilhamos o nosso espaço de confinamento durante tantos dias. Iniciar um começo de dia e assumir uma rotina de atividades pode exigir a superação de um bloqueio que falsamente classificamos como preguiça, mas que não deve ser chamado assim, por ter uma conotação moral e pejorativa que abaixa a nossa autoestima. O que está atenuada é a obtenção de satisfação e prazer no que fazemos, e isso nos desmotiva. A desregulação do ciclo sono-vigília ocorre com facilidade, já que este é fortemente determinado pelas atividades e estímulos com os quais estamos envolvidos ao longo do dia. Então, monotonia, tédio, insatisfação ou o fato de não conseguirmos finalizar a contento o que nos propomos contribuem para um descontentamento que prejudica o sono. Problemática também seria a inversão do ciclo diário, ou seja, dorme-se de dia e permanece-se acordado à noite, com a consequente perda da referência dia-noite. Para corrigir isso, recomenda-se reproduzir um ritmo normal, ou seja, se ater aos horários costumeiros. A alimentação durante o confinamento também deve seguir esta mesma orientação, pois com facilidade pode-se configurar como uma busca à satisfação ou tranquilização, independentemente da nossa necessidade de aporte calórico. Devemos levar em consideração que o confinamento é um “sedentarismo forçado”, e este pressupõe uma dieta menos calórica e de leve digestão. Portanto, deve ser evitado o ganho de peso durante a quarentena. Os sintomas de ansiedade, angústia e desmotivação não deveriam ser considerados como uma mera consequência às restrições impostas, mas uma consequência de uma má adaptação, principalmente se estes sintomas não ocorriam anteriormente. À semelhança da ocorrência de febre, quando há uma infecção, isso denota uma anomalia ou sofrimento. Como ocorre em qualquer estado de estresse, falham os mecanismos de compensação, ou seja, aqueles que mantêm o estado de equilíbrio, ou homeostase, da nossa organização psíquica e física. Por si só, este estado não deve ser entendido como uma doença, mas como uma disfunção, já que uma doença ou desordem pressupõe uma alteração funcional ou estrutural de um sistema orgânico. Ocorre, como já foi mencionado, em decorrência de uma desadaptação, e é reversível quando os mecanismos adaptativos são recuperados. Para isso, duas atitudes são necessárias: a consciência deste estado e o seu enfrentamento e a consequente superação da adversidade. O sofrimento psíquico é essencialmente emocional e é percebido pelos sintomas de ansiedade, angústia e desânimo. Transmite uma ausência de bem-estar que, num primeiro momento de percepção, não encontra uma determinação definida. Mas possui um conteúdo denotativo, um sentido, quando chega à consciência. Poder reconhecer o que poderia desencadear essa ameaça ou restrição contribui para a sua neutralização ou superação. É o papel “organizador” do racional sobre o emocional. A perda do nosso referencial de segurança, a incerteza sobre a duração destas medidas protetivas e a imprevisibilidade sobre como será o depois, por exemplo, desencadeiam angústias que não são de fácil superação. Na medida em que conseguimos identificar os limites das nossas preocupações e medos e perceber como eles nos afetam, reestabelecemos uma objetividade que não havia sido alcançada anteriormente, quando nossa percepção estava num nível apenas emocional. Vale a colocação “a imaginação, na maioria das vezes, é pior do que a realidade”. O passo seguinte é o enfrentamento, ou seja, a adoção de atitudes, comportamentos, decisões que compensem o que nos faz falta ou nos devolva o poder de controlar o que nos ameaça. Por exemplo, na atual condição de confinamento, não adianta nos revoltarmos diante das perdas percebidas – estas estão fora do nosso controle –, mas deveríamos aceitar que estas nos são impostas. É necessário buscar práticas, estimular atividades e recorrer a fontes que as compensem. Então gestos ou práticas ganham uma importância que, em outra situação, não teriam. Têm uma função compensatória. A interação com o outro, seja em conversas, jogos, atividades conjuntas e trocas é essencial. Felizmente, as mídias cumprem um papel surpreendente na sociabilização. O compartilhar ameniza o sofrimento, já que essas medidas restritivas valem para todos e as estratégias para a sua superação resultam de um esforço conjunto. É a essência da função social: falar, ouvir, elaborar conjuntamente abre possibilidades que o caminho da individualidade não favorece. Se, pelo contrário, ocorre uma atitude de isolamento, com facilidade se potencializa o sofrimento e limitam-se as nossas estratégias para uma compensação. As buscas por um alívio deste estado de sofrimento devem ser consequentes, ou seja, devem garantir uma sustentabilidade sem implicar um eventual prejuízo futuro. Por exemplo, o consumo de álcool ou drogas apenas proporciona uma sensação de alívio no curto prazo, implicando um prejuízo posterior, já que espolia os mecanismos de homeostase funcionais do sistema nervoso central, além de induzir à dependência. Aliás, postula-se que, num estado de sofrimento, a facilidade de desenvolver dependência é maior, pois aquele alívio instantâneo é memorizado euforicamente. Em relação às medicações psicoativas, principalmente aquelas que têm um efeito ansiolítico (benzodiazepinas) e as hipnoindutoras (principalmente zolpidem), recomenda-se cautela, pois estas têm um efeito sintomático – para exemplificar, quando é sentido dor se recorre aos analgésicos – e, assim, proporcionam um alívio apenas passageiro e com alguma facilidade produzem tolerância (requerem doses mais elevadas ao longo do tempo para fazer o mesmo efeito) e dependência. Quando prescritas, devem ser obedecidas as recomendações médicas. Na prática, é estratégico sustentar uma rotina de atividades diárias como se fosse a de um dia normal. Não é porque temos uma aparente liberdade de configurar os nossos horários, já que dependem na maioria das vezes apenas de nós mesmos, que podemos deixar de cumprir uma rotina prevista, sob pena de desformatar a nossa organização funcional. Portanto, preservar os horários de sono, alimentação, trabalho, a rotina dos cuidados pessoais e lazer é uma atitude protetora e que nos auxilia a obter um melhor benefício e aproveitamento no que fazemos, e nos preserva do desgaste desta quarentena.


Wulf Dittmar, médico psiquiatra wulf@terra.com.br

São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.