Fórum dos leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos leitores, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2020 | 03h00

QUARENTENA RENOVADA

Com alívio verifico que o bom senso prevaleceu e o prefeito Bruno Covas estendeu até 15 de junho a quarentena na cidade de São Paulo, deixando para depois a análise das alternativas para a abertura de parte do comércio, como shoppings e lojas de rua, principalmente. As pressões do empresariado são imensas. Preocupados com a paradeira da economia, desconsideram o risco de vida e não entendem que uma eventual abertura significará para as pessoas, pela ordem, sair para adquirir alimentos; em segundo lugar, idem; e aquelas poucas pessoas sem medo do amanhã farão compras provavelmente não prioritárias para o momento. Interessante e perigoso foi o comportamento no Nordeste: Ceará, Maranhão e Pernambuco, mesmo reconhecendo em números os benefícios trazidos pelo lockdown, resolveram flexibilizar a abertura do comércio e de outros serviços. O que fazer? O Supremo Tribunal Federal (STF) já disse que abrir ou fechar é problema do Estado ou do município, mostrando que o risco inerente à sociedade está nas mãos de quase 6 mil prefeitos e 27 governadores, uns ajuizados, outros nem tanto, e de um presidente da República para quem a covid-19 é uma “gripezinha” – lembrando que já tivemos, em tristes tempos, uma “marolinha”.

Mario Cobucci Junior 

maritocobucci@gmail.com

São Paulo

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PLANO DORIA

Naquele momento em que a contaminação por covid-19 estava crescendo, o governo de São Paulo adotou as medidas preconizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que restringiam a circulação das pessoas e, por conseguinte, a atividade econômica, apesar da resistência do ridículo governo federal. Agora, quando estamos no auge da contaminação e das incidências de mortes, sem um horizonte previsível de aplainamento da curva, o governo estadual promove a flexibilização. Onde estão a lógica e a coerência nesta atitude?  Eu só queria entender...

Paulo Sérgio Pecchio Gonçalves 

ppecchio@terra.com.br

São Paulo

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À DERIVA

O Brasil está sendo governado por políticos amadores, sem raízes na verdadeira Política, que é feita de diálogo, postura, diplomacia, liturgia do cargo, bom senso, respeito à coisa pública e, sobretudo, visando ao bem-estar dos governados. Saudades de Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Mário Covas. Estamos à bancarrota, ameaçados por um vírus mortal e desprezado por várias “otoridades”.

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

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RECESSÃO GLOBAL

O planeta passará por uma grave e turbulenta recessão pós-pandemia. O Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2020 com queda de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o que bem demonstra o caminho das pedras e a grande dificuldade para sairmos do buraco, afora a incerteza dos investimentos externos e a crise institucional permanente. A próxima década trará espírito de renovação, idealismo e imaginação sob todos os aspectos, principalmente na saúde, no humanitário e de solidariedade, a ponto de rever o modelo da globalização e alojar mais igualdade social entre todos os seres humanos.

Carlos Henrique Abrão 

abraoc@uol.com.br

São Paulo

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CHING LING

O recuo de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2020, em relação ao trimestre anterior, nos mostra que mesmo antes da pandemia o Brasil já caminhava para a recessão, e em parte – não somente – também em razão das perdas salariais provocadas pelas medidas econômicas adotadas pela equipe do “Posto Ipiranga”. O mercado, assim como a imprensa, não querem admitir que o chefe posto Ipiranga é ching ling, ou seja, sinônimo de coisa ruim para o povo brasileiro.

João Marcílio Coppi 

baudoreal@gmail.com

Campinas

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SEMANA DECISIVA

Esta semana é crucial para o procurador-geral da República decidir se denuncia ou não Jair Bolsonaro. Acima de qualquer coisa, o que de fato está em xeque (além do futuro da circunstancial e acidentada presidência de Bolsonaro) é a independência do Ministério Público. Caso o procurador-geral se esquive em denunciar o presidente, certamente desagradará (como já desagradou) seus pares e decepcionará, sobremaneira, o País. Prosseguir com a acusação é medida de extrema necessidade, não se trata de um julgamento antecipado ou de condenação, mas sim de uma obrigação institucional do PGR de afirmação da independência dos órgãos de Estado e de mostrar ao presidente que o poder presidencial tem limites. O império da lei deve coordenar e guiar a ação do procurador-geral, que não deve deixar-se intimidar pelas investidas aviltantes do presidente, que tenta minar e abalar a credibilidade nas instituições e na Justiça. Caberá ao procurador-geral demonstrar que é capaz de exercer suas funções com independência. Que prossiga à formal acusação, para o bem da democracia e da República.

Renato Mendes do Nascimento 

renato.mg@outlook.com.br

Santo André

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‘A TENTAÇÃO DE AGRADAR’

Augusto Aras nas nuvens. Envaidecido com declarações públicas de amor do afável Jair Bolsonaro. Elogios desinteressados do educado presidente que Aras guardará no coração. Em 2021, será premiado com uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Promessa do chefe da Nação vale ouro. Aras garante, porém, que não existe nada que o faça perder o equilíbrio, o rigor e a isenção de seus deveres constitucionais. Nesse sentido, no entender do ministro do STF e, agora, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, os enfáticos elogios de Bolsonaro podem trazer ao espírito e ao trabalho do procurador Aras “a tentação de agradar”.

Vicente Limongi Netto 

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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BOLSONARO NAS RUAS

Ora, segundo consta, é proibido fazer refeições em bares e restaurantes, é obrigatório manter o isolamento social, a distância de dois metros uns dos outros e o uso de máscara. Na verdade, não se sabe qual parte Jair Bolsonaro ainda não entendeu, ou ele é o próprio Bakunin? Pensando bem, como ele já disse que ele é a Constituição, que ele é o presidente e que ele tem a caneta, fica fácil de entender o que disse Miguel Reale Junior, lá atrás, no Estadão, que “tais comportamentos indicam possível anormalidade de personalidade, a merecer análise médica acurada”. É para pensar!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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NADA DISSO

Incrível como o presidente Bolsonaro acha que a claque de dezenas de bolsonaristas na porta do Palácio do Planalto representa os ditos 57 milhões de votos recebidos. Ele vai ter uma decepcionante surpresa!

Luiz Frid

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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DESGOVERNO

Presidente Bolsonaro, 57 milhões de pessoas votaram no senhor. Não se esqueça de que a imensa maioria o fez – e nisso me incluo – contra o lulopetismo. O editorial do Estadão de 30/5 (A3) Do jeito errado e sem a maioria – e sugiro que o leia repetidas vezes – trouxe uma profunda reflexão que lhe serve. Ao final, com muita profundidade, questiona: “Por que não fazer do jeito certo, governando dentro dos limites constitucionais, com planejamento, competência e responsabilidade?” Veja a magnitude dessa orientação. Mas o senhor está procedendo no sentido inverso. Qual a necessidade de rejeitar a imprensa? Ela é livre e, se as críticas vêm, não é com reações intempestivas do tipo “cala boca” que se responde a elas, mas com ações educadas e democráticas. Basta. Seu governo perdeu Sergio Moro, uma pessoa correta, e agora mantém um ministro da Educação como Abraham Weintraub, e ainda o homenageia, numa demonstração de péssima atitude. Procure ser mais humilde, aproximar-se do STF; das Casas legislativas, sem ceder ao Centrão; e da imprensa. Esta será a única maneira e o caminho de se reaproximar do povo. Com suas atitudes, vem criando um caldo de cultura apropriado para ressurgirem todas aquelas forças que tanto rebatemos, é um tiro no pé. Finalizo com este primor de texto do Estadão: “Talvez assim experimentasse uma sensação inédita – a de ver crescer o número de pessoas que aprovam o seu governo”.

Claudio Baptista 

clabap45@gmail.com

São Paulo

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CRIANÇA BIRRENTA

Questionado sobre o resultado do seu exame de covid-19, Jair Bolsonaro relutou em apresentar o laudo, sendo necessária ação judicial promovida pelo Estadão para que ele viesse a público. O exame deu negativo. Na semana em que o ministro da Educação está sob os holofotes por causa do que disse na reunião de 22/4, o presidente resolve homenageá-lo com a Ordem do Mérito Naval. Ainda na semana que passou, com os fortes protestos antirracistas nos EUA, Bolsonaro aparece bebendo um copo de leite em sua live de quinta-feira – repetindo um ato conhecido praticado por um grupo americano de extrema-direita. Pode não ter sido de propósito, mas fica a impressão de que Bolsonaro é uma criança birrenta que sente prazer em implicar as pessoas.

Lucas Dias 

lucas_sandias@hotmail.com

São Paulo

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MAIS AFRONTA À NAÇÃO

Jair Bolsonaro perdeu definitivamente os escrúpulos. Depois de acomodar em seu governo o Centrão, tentando se proteger de um possível impeachment, agora manda às favas a ética, a moral e o respeito ao País: condecorou com a Ordem do Mérito Naval o incendiário e inapto ministro de Educação, Abraham Weintraub.  O mesmo que já ofendeu professores, estudantes, o nosso maior parceiro comercial (China) e a comunidade judaica, e também o que diz “botava na cadeia todos estes vagabundos, a começar pelo STF”. Este governo literalmente faliu...

Paulo Panossian 

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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LAMENTÁVEL

Bolsonaro condecorou Abraham Weintraub e Augusto Aras. É lamentável que a Ordem do Mérito Naval seja concedida a pessoas tão contestadas atualmente!

Robert Haller 

robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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SEMELHANÇA

O ministro que mais se parece com Bolsonaro é Weintraub: ambos são boçais.

Nelson Sampaio Jr.

n.sampaio@hotmail.com

Curitiba

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ORDEM DO MÉRITO NAVAL

Os irmãos Marx constituíram o mais famoso grupo de comediantes do cinema americano. Diz a história que o Groucho Marx, aquele com um vasto bigode e o mais visível de todos os três, foi comunicado de que um famoso clube de Los Angeles o havia aceitado como sócio. Sua resposta foi a seguinte: “Não posso entrar num clube que aceita um cara como eu”. Pois os atuais integrantes honrados com a Ordem do Mérito Naval deveriam devolvê-la, pois não poderiam conviver com um cara como o atual ministro da Educação. 

Alberto Martinez 

alberto.martinez@terra.com.br

São Paulo

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PROTESTOS NOS EUA

A morte violenta e injustificável de George Floyd abre o precedente para tamanha destruição nos EUA? Delegacias destruídas, lojas de compras incendiadas, centenas de automóveis destruídos... Violência não justifica violência. Uma coisa é protestar. A outra é badernar.

Sérgio Eckermann Passos 

sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz

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REVOLTA

A reação ao assassinato de um negro por um policial branco norte-americano desencadeou uma reação impressionante nos EUA. O racismo sempre foi uma mancha na sociedade global e americana, principalmente, mas agora, quando quase tudo pode ser filmado, tais aberrações provocam tais sentimentos de massa de revolta, mesmo em meio à quarentena de confinamento que a covid-19 está exigindo.

José de A. Nobre de Almeida 

josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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RACISMO LATENTE

Os recentes acontecimentos ocorridos em Minneapolis, nos Estados Unidos, demonstram cabalmente a existência de um racismo latente e exacerbado naquele país, clamando pelo aparecimento de um novo Líder Negro, como foi Martin Luther King, nos anos 60. Seja em viagens para os Estados Unidos, seja através de leituras de jornais e revistas, percebe-se claramente a existência de racismo, que é, por vezes, incentivado pelo truculento presidente Donald Trump. Se os Estados Unidos não tiverem autoridades inteligentes, que amainem o racismo latente existente, poderemos constatar uma explosão de violência e de manifestos contra o racismo, utilizando da mesma violência que se percebe nos manifestos. Infelizmente, não se percebe na liderança máxima do país, o presidente Trump, o equilíbrio necessário para lidar com as questões racistas. Faço votos de que não ocorra o pior, que seria uma exacerbação da violência nos manifestos públicos. Que Deus ajude o povo americano para não vivenciar o pior.

Luiz Roberto Costa 

costaluizroberto@bol.com.br

São Paulo

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CÃES RAIVOSOS

Donald Trump finalmente falou algo verdadeiro: a Casa Branca tem um cão raivoso! Só não reconheceu que o cachorro hidrófobo é ele mesmo. Infelizmente, outros países também elegeram cães raivosos, salivando sua hidrofobia diariamente.

Paulo Sergio Arisi 

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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PERDAS IRREPARÁVEIS

Na semana que passou, o câncer tirou a vida – mas não a riquíssima história, em 63 anos de existência – do jornalista e premiado escritor Gilberto Dimenstein. Pregador dos direitos humanos e de uma sociedade mais igualitária, em dezembro de 2019 disse estar vivendo o momento mais feliz de sua vida, e sintetizou que “câncer é algo que não desejo para ninguém, mas desejo para todos a profundidade que você ganha ao se deparar com o limite da vida”. Realmente, a vida ganha outro sentido após um acontecimento delicado. Esse sentimento vem por amor ou pela dor. Experiência própria. Em contraponto, no momento que o mundo atravessa uma catástrofe, dois acontecimentos demonstram que essa tragédia, para algumas pessoas, não trouxe lição alguma. Nos EUA, George Floyd, de 40 anos, foi asfixiado por um policial durante quase 9 minutos, enquanto implorava por ar, mas nenhuma atitude foi tomada, nem pelos três parceiros, nos últimos minutos de súplica pela vida. No Brasil, João Pedro, de 14 anos, perdeu a vida em casa quando um policial atirou nele pelas costas. Estava desarmado e não reagiu. Exemplos de indiferença e brutalidade com o ser humano, enquanto belas lições de vida jamais devem ser esquecidas. Há muito o que aprender.

Bruno Karaoglan Oliva 

bruno@kosa.com.br

Santos

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PROGRAMA QUASE EMERGENCIAL

Dia 5/5 dei entrada no site do Ministério da Economia no programa de redução de jornada de trabalho e salário de minha funcionária doméstica. Até o dia 29/5 o status da solicitação estava “em processamento”. Até quando iremos esperar pela liberação do governo?

Sylvio Ferreira 

sylvioferreira@hotmail.com

São Paulo

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FUMO DOS TROUXAS

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de liberar um fármaco desenvolvido pelos americanos: maconha para combater movimentos periféricos involuntários, que, quando na face, convidam o interlocutor com uma piscadela. Este epistemólogo de ocasião sofreu – e sofre – do mal. Na interlocução com juízes (é advogado), não é preciso buscar muito o significado do recado, neste nosso Brasil velho de guerra. Tratou com botox. Mas um esclarecimento: é maconha desprovida de seu componente estupefaciente, que provoca o “barato” e, nas vilas periféricas, é conhecida como “fumo dos trouxas”.

Amadeu R. Garrido de Paula 

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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