Fórum dos Leitores

Atualizado às 9h11.

O Estado de S.Paulo

16 Março 2013 | 02h05

PRECATÓRIOS

Até que enfim!

Comemoremos, credores das Fazendas Públicas, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a forma de liquidação dos precatórios, vitória ainda que apertada, diante dos votos dos ministros "lulatários", como Toffoli, Lewandowski e outros contemplados com o cargo, e ainda que - que vergonha! - uma emenda constitucional (dificílima de obter, processo complexo, quórum qualificado...) tenha sido considerada inconstitucional! Parece piada, só no nosso Brasil mesmo... Eu já me preparava para cobrar das instituições pertinentes (OAB, associações de credores e vítimas em geral) o porquê de não acionar a OEA diante de tão grave problema social, que os governos tratam simplesmente como econômico-financeiro. Por exemplo, o cidadão teve sua casa desapropriada para que nova avenida fosse construída, gerando dividendos políticos para o prefeito, só que não recebeu a justa indenização preconizada na Lei Maior - foi para a rua, perdeu a família, a dignidade e o prefeito, contudo, continua se locomovendo de helicóptero. A Prefeitura de São Paulo (pobrezinha, orçamento de apenas dezenas de bilhões de reais...) não paga nenhuma de suas dívidas desde 1994! Enfim, parece que algumas luzes começam a aparecer no fim do túnel do vergonhoso calote (inconstitucional!). Vamos esperar pela efetiva liquidação das dívidas - outro processo espinhento, uma vez que os bens públicos são impenhoráveis... Regozijemo-nos agora, um pouquinho pelo menos, pois tenho certeza que ainda teremos muito o que lamentar até a efetiva satisfação justa dos credores das vergonhosas Fazendas Públicas brasileiras. Poxa, gente, votem com mais critério, e não somente em razão dos benefícios materiais imediatos pelos quais esperam os apadrinhados dos candidatos, pelamordedeus!

ANTONIO J. A. SANTORO
tomsantoro@ig.com.br
São Paulo

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Contra o calote

Mais uma vez os ministros do STF decidem contra uma famigerada e desavergonhada medida do governo, que queria instituir o calote dos precatórios. Parcelar dívidas, promover leilões com deságios é, sem dúvida alguma, uma afronta aos tribunais que determinaram, de há muito, seu pagamento imediato, sob pena de intervenção em Estados e municípios. Neste país feito de leis que não pegam, de recursos intermináveis e desobediência contínua às obrigações por elas emanadas, vê-se com alegria que os srs. ministros não se estão omitindo e se apresentam, quando questionados, em defesa da lei, da ordem e, sobretudo, da moralidade. Resta agora a mesma determinação no sentido de restaurar a ordem dos pagamentos dos precatórios devidos e acabar de vez com a aberração de pagar só uma parcela da dívida aos idosos, que com certeza não viverão para desfrutar o que lhes é devido. 

RENATO QUEIROZ TELLES ARRUDA
rqtarruda@hotmail.com
São Paulo

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DIREITOS HUMANOS

Lei diferenciada

Há um grupo de inconformados que passam o dia protestando contra o pastor que foi eleito por seus colegas deputados para a Comissão dos Direitos Humanos e Minorias e ajudou a eleger a presidente, discursando exaustivamente nas igrejas a seu favor. Por mais que se tenha horror ao que o pastor tenha dito, essas pessoas, que parecem não ter mais nada para fazer, a vida para ganhar, nada dizem sobre a Comissão de Constituição e Justiça, presidida por João Paulo Cunha e auxiliado por José Genoino, ambos condenados à prisão por corrupção. Verdade que estes dois últimos são filiados ao PT e já se sabe que para petistas a lei é diferente. Que o diga o sr. Lula da Silva.

MARIA TEREZA MURRAY
terezamurray@hotmail.com
São Paulo

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Dois pesos e duas medidas?

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, afirmou que o congresso (minúsculo) precisa ouvir a sociedade sobre a escolha do presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Por que a ministra também não pede para ouvir a sociedade nos casos Renan Calheiros (1,6 milhão de assinaturas) e dos condenados do mensalão José Genoino e João Paulo Cunha, que fazem parte da Comissão de Constituição e Justiça? A ministra deveria preocupar-se também com os direitos humanos de quem depende da saúde pública, que se encontra sucateada.

JOÃO RICARDO SILVEIRA JALUKS
jr.jaluks@hotmail.com
São José dos Campos

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O 'fico' de Feliciano

Disse o pastor deputado Marco Feliciano (PSC-SP): "Meu partido pediu, então eu fico". Ora, o que os pobres eleitores e os movimentos sociais ainda não entenderam é que os nossos políticos estão se "lixando" para a opinião pública, como já foi afirmado em outras ocasiões.

MARCO ANTONIO R. NUNES
nunesmarcelao1@ig.com.br
Pindamonhangaba

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Renúncia

As muitas comissões que atuam nos Legislativos têm como finalidade buscar a forma de envolver as diferentes comunidades na discussão de propostas e soluções para problemas os mais diversos. Mas uma Comissão de Direitos Humanos e Minorias não vai funcionar a contento na Câmara se já começa os trabalhos elegendo para presidi-la alguém tido como racista e homofóbico. O deputado Feliciano deveria reavaliar sua posição e abrir mão do cargo. Para não desgastar ainda mais o conceito dos congressistas.

URIEL VILLAS BOAS
urielvillasboas@yahoo.com.br
Santos

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CONGRESSO NACIONAL

Presidência do Senado

Em face das referências ao meu nome no artigo É o fim do poço, é o fim do caminho (15/3, A2), de autoria do jornalista Fernando Gabeira, cumpre fazer algumas observações. Não tenho nenhum impedimento para presidir o Senado Federal, para o qual fui eleito pela escolha livre e soberana dos meus honrados pares. Tenho a ficha limpa, com certidões negativas de todos os tribunais. Não respondo a nenhum processo criminal, jamais tive candidatura impugnada por compra de votos, abuso de poder, conduta vedada ou qualquer outro motivo e minhas prestações de contas de campanha mereceram plena aprovação da Justiça Federal. Abomino qualquer forma de discriminação. Como deputado constituinte, integrei a Subcomissão de Minorias e tenho orgulho do trabalho executado e dos avanços conquistados. Defendi e ajudei a aprovar o Estatuto da Igualdade Racial. Ressalto, ainda, que o Congresso Nacional compreende os anseios nacionais e adotou medidas na linha da austeridade e da transparência. Mais do que revogar salários extras, o Senado produziu cortes na administração que totalizarão R$ 262 milhões nos próximos dois anos. Reitero, finalmente, meu entendimento, já conhecido de todos, em favor de um pacto que proporcione o equilíbrio federativo e a redução das desigualdades regionais.

RENAN CALHEIROS, senador
Brasília

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IDH

O ministro Aloizio Mercadante discordou do relatório da ONU que aponta o Brasil na 85.º posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Também, pudera, um país com as dimensões territoriais e as riquezas naturais que tem o Brasil empatar com a Jamaica?

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com 
Jandaia do Sul (PR)

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IDHZINHO

Depois do PIBinho, sai o IDHzinho. O Brasil vai de mal a pior nas mãos dessa gente incompetente, resultado dessa partilha de ministérios e cargos entre os partidos da base do governo. Como diria um famoso âncora de telejornal, esse governo Dilma é uma vergonha!

Ronaldo Gomes Ferraz ronferraz@globo.com 
Rio de Janeiro 

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CONTINUAM NIVELANDO POR BAIXO

Pena, Dona Dilma, nosso IDH continua no 85.º lugar, dentre os piores. Não adiantaram os discursos dos últimos governos petistas de que seriamos uma grande nação, e as medidas medíocres para o desenvolvimento social anunciadas em conjunto com matérias de propaganda eleitoral, sem nenhum efeito como agora novamente demonstrado. O resultado aí está, continuamos numa vergonhosa colocação, muito abaixo de vizinhos problemáticos como Argentina e Venezuela e, naturalmente abaixo, também, dos novos líderes da América Latina, México e Chile. Não adiantou termos atingido a posição de 6.ª ou 7.ª economia do mundo em PIB se nossa educação e saúde são de níveis dos países mais pobres. O pior de tudo é que não se vislumbram melhoras, ao contrário, nossa economia e inflação seguem na pior direção, 1/3 da população continua recebendo mesadas há mais de 10 anos, nada de novo para a saúde ou a educação. Atualmente, a grande indagação das pessoas conscientes com o que se passa no País é onde iremos parar, se como o caos da Argentina ou como progresso de um México. E, ainda, se teremos a sorte de conseguir, num próximo escrutínio, um governo melhor do que o atual. 

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br 
São Paulo

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O MESMO IDH

Como é que pode a presidente Dilma, em propaganda eleitoral antecipada, dizer que acabaram com a pobreza extrema, se o Índice Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro – referência mundial que analisa o desenvolvimento humano no longo prazo – continuou o mesmo em 2011 e 2012? Outra coisa que aparece no relatório foi que o Brasil começou a melhorar seu IDH a partir de 1994, depois do controle da inflação, e não em 2003, como afirmam. O Brasil continua lanterninha na América Latina e no Caribe. Simplesmente esta notícia vem corroborar o que temos dito há dez longos anos: “Não adianta dar o peixe, se não ensinar a pescar”. O ministro da Educação, Mercadante, já saiu em defesa da péssima educação brasileira, e ainda bem que o IDH do Estado de São Paulo está entre os melhores do País, porque a petralhada quer porque quer se mostrar como “salvadora” de São Paulo! Que Deus nos livre dessas pragas! Quem não consegue consertar o Brasil, que não venha estragar São Paulo para ficar em pé de igualdade com a ineficiência dos outros Estados.

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br 
São Paulo

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VERSÃO E FATO

A ideia muito cultuada pelos políticos, mineiramente sábios, de que o que importa é a versão, não o fato, é cínica e perigosa. A esquerda radical transformou-a em postulado, em dogma, divulgando, distorcendo suas versões e contestando qualquer informação que venha em seu desfavor, tachando-a de mentirosa. Estão aí os mensaleiros a bradar “nós não...”, o PIB de 3% que virou pibinho, “mas ano que vem será pibão” e a Petrobrás... Ainda agora, a desoneração da cesta básica correspondeu a um aumento da mesma e o IDH foi maquiado para avançarmos algumas posições. Assim rumamos para uma retumbante vitória das esquerdas em 2014, que vão ganhar de lambuja o governo de São Paulo. Também, com esta oposição! 

Paulo Mello Santos policarpo681@yahoo.com.br 
Salvador

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SÚPLICAS

O senhor Guido Mantega não tem jeito, a tônica é a mesma, quer baixar o índice inflacionário aos gritos. Recentemente, apelou ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que adiasse o reajuste das tarifas do metrô, no que foi atendido, porém, a inflação continuou em alta. Em reunião com dirigentes de supermercados, em 12/3 (Estadão, Economia, página B3) pediu que a isenção de impostos federais (PIS/Cofins) sobre itens da cesta básica, aliás, ideia surrupiada do PSDB e anunciada com pompa e arrogância pela presidente Dilma Rousseff, seja repassada, rapidinho, ao preço ao consumidor. E dando sequência às suas costumeiras previsões, furadas, afirmou: “Esta forte queda dos preços esperada, vai ajudar o governo na luta contra a inflação”. Em contrapartida, ouviu de Fernando Yamada, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) o seguinte: “Se Deus quiser, teremos uma queda de 3% nos preços do arroz e do feijão e de 6% em produtos de higiene”, ou seja, passou a bola ao Todo Poderoso. Portanto, senhor ministro, espere sentado, pois com certeza, esta  será mais uma expectativa frustrada, pois até Deus deve estar cansado de tanta incompetência. 

Sérgio Dafré Sergio_dafre@hotmail.com 
Jundiaí

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INFLAÇÃO

É bem possível que o governo não tenha percebido, mas a inflação já virou metástase. E isso é muito perigoso, porque fica mais difícil de combater.

Olympio F. A. Cintra Netto ofacnt@yahoo.com.br 
São Paulo

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OUTRO GOLPE PETISTA

Uma bandeira histórica da CUT, e do PT, que querem cobrar dos comerciários uma taxa mensal de 1% sobre seus salários, somente para irrigar a orgia mais do que viva no seio do sindicalismo brasileiro, já está com projeto pronto, na mesa da Dilma para ser enviado para o Congresso. E se aprovado, esperamos que não, certamente num futuro bem próximo esta roubalheira no bolso do trabalhador pretendida pelo PT, seria também estendida, além dos comerciários, também a todos os 47 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Pela legislação atual, o imposto sindical (criado por Getúlio Vargas, em 1943) recolhe de forma arbitraria e anualmente um dia de trabalho do assalariado com carteira assinada. O que dá aos milhares de sindicatos existentes (fajutos ou não), federações, confederações etc., a milionária benesse de R$ 2 bilhões por ano!  Que já é uma afronta! Ora, se temos no País, repetindo, 47 milhões de trabalhadores com carteira assinada, com um rendimento médio de R$ 1.491,61 (dados do IBGE de 2010), multiplicado por 1% do total de salários pagos anualmente, hoje, somado a correção salarial de 2011 e 2012, esta conta seria próxima a R$ 800 bilhões! E 1% deste montante, no lugar do valor repassado pelo governo atualmente de R$ 2 bilhões para os sindicalistas citados acima, a conta da mega farra seria de R$ 8 bilhões. Ou seja, quatro vezes mais... A sociedade brasileira precisa ficar atenta a mais este escárnio na agenda petista! Que não satisfeitos com o mensalão, superfaturamentos nas obras, etc.etc., agora querem dar o golpe do imposto sindical, em que o já existente é um absurdo...

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com
São Carlos

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PREPAREM OS BOLSOS

A nova taxa sindical inventada por Dilma Rousseff nada mais é do que compra de apoio político. Desde Lula, os sindicatos são regiamente remunerados pelo governo, em troca de adesão e silêncio. Basta ver outros casos, como o da União Nacional dos Estudantes (UNE), que nunca mais se mobilizou contra coisa nenhuma. Hoje, os sindicatos são usados pelos governos petistas como força de pressão contra aqueles que divergem dele. O PT comprou instituições e pessoas com o dinheiro que pagamos em impostos e, em véspera de eleições, precisa pagar mais. É disso que se trata. Preparem os bolsos!

Maria Cristina Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com
Florianópolis

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BURRICE OU CEGUEIRA?

A opinião do empresário Jorge Gerdau Johannpeter a respeito do inchaço do governo desde o término da gestão de Fernando Henrique Cardoso merece entrar para o panteão das declarações mais lúcidas dadas nos últimos tempos sobre a administração chefiada por Dilma Rousseff. Resta evidente que se trata de uma “loucura, uma burrice”, como bem disse o empresário, o fato de que, ao fim do mandato de FHC, fossem 24 os ministérios e que, atualmente, esse número esteja em 39 – e contando. O que mais impressiona, porém, é que nenhum dos que cercam a presidente transmite a ela o conselho de que o acréscimo de mais gordura a um Estado que sofre de obesidade mórbida, como o brasileiro, só o tornará mais ineficiente, e não menos. Esse é o caminho definitivo para a perpetuação do atraso. Ninguém diz ou Dilma finge não saber? Consta que Gerdau “deu um toque” em Dilma, recomendando que se enxugue o Ministério. Hora de resgatar aquele famoso adágio: “o pior cego é aquele que não quer ver”.

Henrique Brigatte hbrigatte@yahoo.com.br 
Pindamonhangaba

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GERDAU ENXUGA GELO

O presidente da Câmara de Políticas de Gestão da Presidência da República, Jorge Gerdau, disse em entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues que a burrice de criar mais ministérios está no limite. Segundo ele o Brasil precisaria de meia dúzia de ministérios. A presidente Dilma até pode achar que esse modelo seria o ideal, mas ela é obrigada a criar mais vagas no seu governo para atender aos chupins. Não há sistema que aguente tamanho desperdício de dinheiro público e tanta ineficiência na gestão. Uma coisa é Dilma saber que esse inchaço é para atender à fome voraz dos partidos, a outra seria sua mão de ferro brecando a loucura. Para quem já chegou aqui está muito claro os rumos do governo Dilma ela acena para todos os partidos. O que importa são os apoios e o tempo de televisão. Falar em mapa estratégico segundo Gerdau, seria todos que trabalham num ministério entenderem  para que ele existe e quais são as metas. Sinceramente, vamos continuar enxugando gelo, que me perdoe o senhor Gerdau, pois parece muito tarde a busca de estratégias que sempre ficam no plano das ideias.   

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com 
São Paulo

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ESCOLHA FÁCIL A DE DILMA

Dilma poderia estar entre a cruz e a caldeirinha, mas isso não acontece não. O empresário Gerdau, presidente da Câmara de Políticas de Gestão da Presidência da República, demonstrou sua total discordância com o número exagerado de ministérios existentes neste governo: “Quando a burrice, ou a loucura, ou a irresponsabilidade vai muito longe, de repente, sai um saneamento. Nós provavelmente estamos no limite desse período”. Estamos nada, senhor Gerdau, e este inchaço daninho periga crescer ainda mais, pois Dilma e Temer vão se reunir para discutir a ampliação da cota do PMDB, o maior partido aliado no governo. E ainda pensa em abrir um lugar ao sol para o PSD, que parece que vai ganhar a Secretaria de Micro e Pequena Empresa. Sempre cabe mais um no colo da mãe Dilma. Entre a prudência e a lógica de Gerdau e a  lição de pragmatismo político aprendida do guru Lula, Dilma não titubeia, escolherá o poder! Quer apostar?

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com
São Paulo

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NO LIMITE DA BURRICE

Sábias as afirmações do empresário Jorge Gerdau que acha que o Brasil precisa “trabalhar com meia dúzia de ministérios...”, e não com as 39 pastas existentes na administração da Dilma Rousseff. Acontece meu caro empresário que desde que o PT assumiu o poder o número de “Ministérios boquinhas” só vem aumentando, pois o que mais interessa aos petralhas não é administrar o País para todos, mas agradar gregos e troianos com um enorme número de cabides de emprego e se manter no poder. O maior problema é ter criatividade para inventar nomes de ministérios para abrigar sua base de apoio do toma lá dá cá. Realmente chegamos ao máximo da “burrice”, da falta de competência e decência no atual governo.

Leila E. Leitão
São Paulo

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MEIA DÚZIA

O empresário Jorge Gerdau acha que o Brasil precisa “trabalhar com meia dúzia de ministérios ou coisa desse tipo”, e não com as 39 pastas existentes na administração da presidente Dilma Rousseff. E acha uma burrice 40 ministérios, além, claro, do custo extra. Mesmo quem está se dando bem com a Dilma sabe que o PT em matéria de cabides tem muitas fábricas disponíveis, e sempre cabe mais um. Lamentável esse corporativismo que incomoda menos a Dilma.
 
Antonio Jose G. Marques a.jose@uol.com.br 
São Paulo

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CHACOALHÃO
 
Quando se lê um título de jornal no qual o empresário Jorge Gerdau diz ser burrice criar ministérios e que bastaria apenas meia dúzia para o País funcionar, e não os 39 atuais do governo da presidente Criatura, se realmente pensasse assim ele já teria pedido o boné e saído dessa tal Câmara Políticas de Gestão da Presidência, porque parece não ser ouvido pela petista, apesar de ele “ter dado um toque nela”. Melhor seria ter dado um “chacoalhão”, não é mesmo?
 
Laércio Zannini arsene@uol.com.br 
São Paulo

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LULA NO MENSALÃO

O procurador da República em Minas Gerais, Leonardo Melo, disse não ter competência para investigar parte dos fatos narrados por Marcos Valério envolvendo o ex-presidente Lula com o escândalo do mensalão e remeteu o depoimento para o Ministério Público Federal (MPF) em Brasília. Será que o MPF vai amarelar, ou vai abrir um processo para averiguar de verdade e com coragem, o que Lula sabia sobre as picaretagens praticadas a sua volta?

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br
São Paulo

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CASO MÉRCIA NAKASHIMA

Louvável a atitude do  magistrado e todos os  envolvidos que permitiram a transmissão em tempo real do julgamento de Mércia Nakashima. A sociedade ganhou, certamente. Porque também colocou em evidência como nossa língua é ferida de morte até mesmo nesses eventos. Vi gente importante do júri dizendo coisas assim: “Para mim fazer”, “ele se desdizeu” e outras preciosidades do gênero. Tivesse nosso idioma personalidade jurídica, poderiam  seus autores, com toda a certeza, ser  indiciados e processados por lesão gramatical grave.
 
Silvio Antonio Anhe saanhe@zipmail.com.br 
São Paulo

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ESPETÁCULO DEPLORÁVEL

É certo que todo réu tem direito a um advogado de defesa. Mas tudo tem limites. Prestar-se a defender um réu e ser chamado eufemisticamente pela imprensa de “advogado combativo” é um pouco demais. Na verdade, o que vimos nesse último julgamento televisionado em tempo real foi um advogado  agredindo com palavras seus oponentes e testemunhas sem obviamente ter domínio de argumentos sólidos que sustentassem sua defesa. Deplorável.
 
Regina Ulhôa Cintra regina.cintra@yahoo.com.br 
São Paulo

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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

A presidente Dilma pregou a tolerância abaixo de zero contra a mulher. Qualquer cidadão lúcido e civilizado deve estar de acordo com a presidente. O que não devem estar de acordo é com o tom raivoso que a presidente jacta estas idéias. O homem e a mulher devem estar sempre em harmonia, o que tornariam desnecessárias todas estas considerações sobre a mulher, leis e punições, etc., etc., etc. Existem violências de mulher contra os homens, às vezes tão ou mais fortes do que as agressões físicas. Dilma está parecendo uma feminista ferrenha que, sob o conforto de seu cargo, faz apologia da força e competência das mulheres, como se elas fossem santas dotadas de um poder divino.
 
Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com
Rio de Janeiro

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LOGÍSTICA DO CRIME 

A fim de ser julgado por ter comandado uma execução pelo celular, de dentro da prisão, em 2002, Fernandinho Beira-Mar foi transferido, via aérea, para o Rio onde pernoitou por uma noite em Bangu 1. No dia seguinte foi transportado por helicóptero  ao Tribunal do Júri, a menos de 50 quilômetros de distância. Após o julgamento, no qual foi condenado, todo essa mobilização deve ser realizada em sentido inverso. Durante o julgamento, Fernandinho negou o crime, afirmando que só queria aplicar um corretivo nas vítimas. O meliante é estudante a distância de teologia, o que sugere um tipo de meiguice após tanta bandidagem. O quadro serve para mostrar o ritmo paquidérmico da nossa justiça, a absurda e ameaçadora porosidade, incompreensível, face aos avançados recursos tecnológicos disponíveis, do nosso sistema carcerário, além da intensa  drenagem de recursos públicos dispêndidos nessa logística do crime, sobrecarregando o cidadão pagador de impostos. Algum dia veremos a mudança desse melancólico panorama? E a Teologia? Sugestivo, nesses tempos de papa novo.

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com
Rio de Janeiro

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BEIRA-MAR CONDENADO A 80 ANOS

Lendo essas manchetes, me considero de fato um idiota. Beira-Mar está na cadeia por causa da justiça ou da polícia? Se quisesse, já estaria forma há muitos anos, gozando seus capitais em alguma paraíso fiscal da Terra. Na realidade, está comandando seu império dentro da segurança máxima que o Estado tem para lhe oferecer com dinheiro público. Lá fora, o gajo teria que estar de metralhadora em punho para comandar seu exército de traficantes. Um simples promotor assassino da própria mulher grávida, só foi encontrado por que se entregou, imagine que um expert traficante como Beira-Mar seria achado por qualquer policial! E ainda mais, em algum paraíso como qualquer ditadurazinha de qualquer caudilho que pulula por aí! A inteligência do brasileiro está sendo usada para vender bugigangas de China.
 
Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com
São Bernardo do Campo

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EIKE BATISTA

Eike Batista caiu no ranking de bilionários da revista “Forbes”. Ações de sua petroleira OGX despencam na Bolsa e relatórios de bancos brasileiros e internacionais demonstram crescente pessimismo em relação ao futuro da empresa “de papel”. Poços furados, promessas furadas, dólar furado. Que furada!
 
J. S. Decol decoljs@globo.com 
São Paulo

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BLEFANDO

O grupo EBX, do empresário Eike Batista, mostra de fato ser um “elefante branco”, pois o mesmo foi criado, elaborado e estruturado sobre acordos, tratos, papéis, contratos de gaveta, etc. Tanto é que hoje o vemos desmoronar a cada dia como um “castelo de areia”, tendo previsão que a ação da OGX atinja R$ 1 em breve.

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br 
São Paulo

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O ‘X’ DA QUESTÃO

O bilionário brasileiro Eike Batista, que passou de 7.º (sétimo) para o 100.º (centésimo) lugar no ranking dos bilionários mundiais da revista “Forbes”, já começa a se recuperar. EBX - OGX - MMX - LLX - OSX - CCX, as ações tiveram uma alta providencial na Bolsa. Ainda o que falta é capital, será que o BNDES não vai ajudar? Quem pode, pode, quem não pode se “sacode”! Esse é o “X” da questão.
 
Luiz Dias lfd.silva@2me.com.br 
São Paulo

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O RANKING DA RIQUEZA

Te cuida, Eike, você já foi o sétimo, depois o décimo primeiro, agora é centésimo. Daqui a pouco você vai ser o ducentésimo, e mais um pouco até eu ganho de você.

João Henrique Rieder rieder@uol.com.br 
São Paulo

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PAPA FRANCISCO E A IGREJA

O Brasil,  sexta economia do mundo, ocupa a 85º colocação no índice de desenvolvimento humano, IDH, num bloco de 186 nações mais desenvolvidas. Outra contradição é que particularmente muitos brasileiros apontam soluções para salvarem a Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo há 2 mil anos justamente para salvar a humanidade. É Deus quem salva o homem e não o contrário! No frigir dos ovos não bastam profundas análises sociológicas para resolver os problemas da injustiça e da violência no mundo, porque a raiz do mal está no interior do homem. Se cada pessoa bem intencionada fizesse um propósito efetivo de luta para melhorar pelo menos 10% em si mesma daquilo que ela aponta como descabido no outro, a melhora geral já seria sensível. 

Marisa Stucchi marisastucchi@hotmail.com 
Ribeirão Preto

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FORÇAS AO PAPA

As primeiras palavras e as primeiras ações do papa Francisco enchem as pessoas de otimismo, esperança e fé de que a Igreja, realmente, terá um novo e saudável rumo. Mas é impossível não recordar de João Paulo I, que quis mudar muitas coisas e só durou 33 dias no cargo. Que Deus dê forças ao novo papa. E que nós olhemos, e oremos, por ele.

Domingos Cesar Tucci d.ctucci@globo.com 
São Paulo

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TEMPO DE REFLEXÃO

A afirmação de Francisco, o novo papa, de que sem o Evangelho de Jesus, a Igreja Católica seria apenas uma ONG, é emblemática. Esse é o grande debate nesses tempos pós-modernos, onde crescem as filosofias sejam agnósticas ou até aquelas que pregam uma espiritualidade laica sem a existência  de uma deus e que tentam orientar a humanidade no sentido da busca da felicidade que a todos contemplem. E isso só será alcançado quando aceitarmos e respeitarmos as crenças que cada um de nossos semelhantes tem. 

José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com 
Rio de Janeiro

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FALTOU CONTEÚDO

A alegria de todos, em especial dos católicos, é manifesta de maneira inconteste por todas as grandes nações, por todas as religiões. A foto do papa Francisco no caderno especial do “Estadão”, “Habemus Papam”, é a imagem da alegria, esperança e juventude (apesar dos seus 76 anos) com que a Igreja será dirigida por ele. Realmente, dentro desse contexto, foram decepcionantes as manifestações feitas por  D. Edmar Peron (bispo auxiliar de São Paulo) na entrevista coletiva de imprensa – “não conheço o novo papa. Não saberia dizer qual relação ele tem com os cardeais brasileiros” –, a do nosso governo, através do seu ministro Gilberto Carvalho – “a presidenta manifestou nossa satisfação” – e a dela mesma, em nota: “O Brasil acompanhou com atenção ao conclave, e é com expectativa que os fiéis aguardam a vinda do papa Francisco ao Rio de Janeiro”. De um lado comparando a primeira manifestação ao pronunciamento de outros representantes da Igreja Católica e de outras igrejas em todo o mundo e de outro lado comparando a manifestação à de governantes de todas as outras nações que nos foram trazidas pela mídia é de se perguntar. “O novo papa, o Brasil e nós brasileiros em especial os católicos não merecem manifestações com mais conteúdo, amplitude e coração aberto que as feitas e aqui comentadas?” Como brasileiro e católico, respondo eu mesmo que entendo que todos merecemos nesse evento mensagens mais cheias de conteúdo e  mais efusivas que as manifestadas, cheias de ressentimento, frustração e distanciamento.

Aloysio Camargo Filho agfcam@agfcam.com.br
São Paulo

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TIRACOLO

À missa no Vaticano que irá neste domingo, levará Dilma a tiracolo o sub-presidente Luiz Inácio?
 
Paulo Busko paulobusko@terra.com.br 
São Paulo

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NÃO ‘HABEMOS’ PAPA

Num dado momento, a eleição do novo papa mobilizou  e chegou mesmo a paralisar o  mundo inteiro. No fim, para nós, brasileiros, um  decepcionante  resultado.  Quer dizer,   houve  muita fumaça por nada. Com todo respeito!
 
José Marques seuqram.esoj@bol.com.br 
São Paulo

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VOTEM NO JORGE!

Altamente cotado para suceder a Bento XVI ,  Dom Odilo, de natureza contida,  foi alertado de que o anel do pescador lhe custaria não poucas amofinações aqui na nossa  Pindorama. Falou-se em pontapé inicial da Copa do Mundo, em samba-enredo de inspiração papal, audiências para o Tiririca, caciques e quilombolas, proteção espiritual do pré-sal, abençoamento de aeronaves presidenciais, arenas esportivas, quadras de escolas de samba e congêneres, títulos de cidadania municipal  e que tais. A tudo isso o bom cardeal se mostrou insensível. O pescador de homens estava acima desse mundanismo pequeno. Aí veio o golpe de misericórdia:  disseram-lhe que já se articulava a sua participação num desses programas de TV matutinos, em  que o novel papa gaúcho, em meio a debates acerca de amenidades como homossexualismo, celibato clerical, aborto,  prepararia um joelho de porco com chucrute, no capricho, para gáudio de convivas  como a mulher carambola, o ministro top top, o deputado evangélico, Ronaldo e celebridades outras. Foi demais. Assim não há papa que aguente – disse Odilo. E pediu para votarem no argentino.    
 
Joaquim Quintino Filho jqf@terra.com.br   
Pirassununga

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SALVE, JORGE! 

Não, não se preocupem, não me refiro à novela que tem conseguido enorme índice de público na televisão. Refiro-me ao papa Francisco, cujo nome é Jorge Bergoglio, e cuja presença na mídia mundial superou qualquer novela. Portanto, podemos bradar ao mundo: Salve, Jorge! Você agora é papa!

Sagrado Lamir David david@powerline.com.br 
Juiz de Fora (MG)

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REI ARGENTINO
 
Maradona, em declaração divulgada pelo jornal “La Nación” disse, referindo-se a si mesmo: “O Deus do futebol é argentino e agora o papa também é argentino, uma coisa que deixa seu país feliz”. Realmente, o ex-jogador é a prova insofismável que dosagens muito frequentes e excessivas de drogas provocam alucinações táteis, visuais e auditivas, ansiedade, delírios, agressividade e paranoia. São provas científicas irrefutáveis. Será que ele deixou de ser usuário de drogas? Deixa dúvidas no ar. Alguém leu ou ouviu o Pelé alardear “sou o atleta do século”, “sou o melhor jogador de futebol de todos os tempos” ou “sou o rei do futebol”?
 
Junios Paes Leme junios.paesleme@ig.com.br 
Santos

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VOTOS

Na eleição do papa Francisco a minha sensação foi a de quando a bola do meu time bate na trave e quase não entra. Ou seja, no início um susto e até uma ponta de decepção por não ter sido um papa brasileiro, mas logo em seguida a alegria de ser um papa de um país tão vizinho e realmente irmão.  Talvez desses irmãos com quem se tenha muitos desentendimentos, mas que numa situação de verdadeira urgência qualquer um dos lados é o primeiro a se colocar à inteira disposição. Se não se pode dizer que “o amigo mora ao lado”, pode-se dizer que agora este grande amigo dos católicos já morou praticamente 76 anos ao nosso lado. Vamos rezar muito para que o papa Francisco tenha um pontificado longo e abençoado. 

Luiz Antônio da Silva lastucchi@yahoo.com.br 
Ribeirão Preto

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O FIM DO CULTO À MISÉRIA

De cara gostei do papa Francisco. Primeiro: ao pedir antes oração para ele mostra que é um ser humano; depois gostei de seu sorriso aberto; e muito mais pelo jeito que avisou como pretende conduzir a igreja: como uma igreja de Jesus Cristo, e não como uma ONG piedosa, ou seja: quer incentivar os fiéis a prosperarem, e não continuarem a maldição da miséria. Há muito tempo precisávamos disto: o fim do culto da miséria, muito comum nos países católicos e carregados de maldições. Parabéns a todos os cardeais, pois desta vez foram mesmo tocados pelo Espírito Santo.
 
Roberto Moreira da Silva rrobertoms@uol.com.br 
Sao Paulo 

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PAPA E BISPO

Uma curiosidade: é sagrado um papa e condenado um bispo.

Job Milton Figueiredo Pereira julio77silva@yahoo.com.br 
Carmo do Rio Claro (MG) 

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CORAGEM

A célebre frase atribuída a São Francisco de Assis, “Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado, resignação para aceitar o que não pode ser mudado, e sabedoria para distinguir uma coisa da outra”, não poderia ser mais exata, atual e pertinente. Boa sorte papa Francisco I, e coragem, muita coragem.
 
Luciano Harary lharary@hotmail.com 
São Paulo

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PAPA FRANCISCO

Sei que o senhor é novo no pedaço, mas aqui no Brasil quando ninguém resolve nosso problema temos o costume dizer que vamos reclamar com o Papa, então... Estou com um problema com a operadora de telefonia GVT, não consigo acessar o portal deles para baixar um antivírus (que eu pago) e nem eles sabem como resolver, tentei resolver junto a Anatel e a supervisora disse que este tipo de problema não é com eles, mas que iriam “quebrar meu galho” e registrar a ocorrência.  Este problema com a GVT é recorrente e para conseguir falar com eles tenho que enganá-los e dizer que quero comprar uma assinatura de TV. Sei que o senhor é argentino e eu sou brasileiro, mas o senhor é papa! Então receba esta minha reclamação e tome as celestiais providências.
 
Jatiacy Francisco da Silva jatiacy@estadao.com.br 
Guarulhos

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O QUE É SER CATÓLICO?

Com a eleição do papa Francisco, consultas à população têm feito feitas para se determinar se há descontentamento com visões da Igreja. Lemos atualmente em jornais de grande circulação que “uma porção substancial de católicos se recusa a aceitar posições tradicionais da Igreja nos temas de aborto, ‘casamentos’ gay e pesquisas com células tronco embrionárias por considerarem essas visões desconectadas dos desenvolvimentos da era moderna.” Aí, me pus a pensar: o que é ser católico? O que define esta qualidade? Para analisarmos a questão, vejamos como responder algumas outras perguntas sobre “o que eu sou”. Sou homem? Bem, este é um fato inegável pois isso está definido intrinsecamente na minha constituição genética (XY). Agora, pergunto-lhe: eu sou um paraquedista? Você certamente responderá que não, pois eu nunca saltei de paraquedas. E se eu já tivesse saltado uma única vez? Isso faria de mim um paraquedista? Todos diríamos que não. Ser paraquedista não é um estado imutável decorrente de um fato isolado, mas um estado decorrente de uma prática. O mesmo se pode dizer de um tenista, um judoca ou um escritor. Ser católico depende do exercício constante de práticas da religião católica tanto quanto ser paraquedista depende de se praticar regularmente esse esporte. Portanto, da mesma forma que não faz sentido que alguém se diga um “paraquedista não praticante”, não faz sentido que alguém se defina como “católico não praticante”. É a prática que define o estado. Quem não pratica o catolicismo é, simplesmente, não católico, como quem não pratica o paraquedismo é, simplesmente, não paraquedista. Pode até já ter sido paraquedista, assim como católico, e não o ser mais, por ter deixado de praticar; mas aí seria um ex-paraquedista ou ex-católico e não um “não praticante”. Da mesma forma, não existe também uma pessoa “nominalmente católica”, como aparece nos resultados de algumas pesquisas estatísticas. Tenho certeza que você riria de mim se eu dissesse que sou “nominalmente paraquedista”. Mais ainda, a prática de um esporte se determina pelo cumprimento das normas que definem aquele esporte, em todos os seus aspectos fundamentais. Eu posso jogar tênis com calção branco ou cinza, mas se decidir usar uma bola de golfe com uma raquete de tênis numa quadra de tênis, ninguém dirá que estou jogando tênis. Nem mesmo se eu insistir em chamar esse novo esporte de tênis. Dirão que não me cabe redefinir o que é o tênis. Para que tênis seja tênis, é preciso que seja jogado com bola de tênis. Da mesma forma, o que distingue judô de caratê são os golpes permitidos e as respectivas regras. Essas regras são bem definidas e quem as define é o correspondente órgão internacional superior daquele esporte. Se você não jogar segundo elas, chame seu esporte de outra coisa. Em religião também é assim. No catolicismo, por exemplo, a Santa Sé é o órgão supremo. O Catecismo é o “livro de regras do esporte”, e os documentos oficiais do Vaticano constituem as normas que definem o que é ser católico. Portanto, além do contra-senso de dizer-se “católico não praticante” como comentávamos antes, é um despropósito dizer-se católico e, ao mesmo tempo, apresentar-se como alguém que sustenta posições contrárias aos princípios da religião católica definidos pela autoridade de direito. Não podemos querer adaptar o catolicismo ao nosso comportamento para podermos nos chamar católicos. Se quisermos dizer-nos católicos, o que devemos adaptar é o nosso comportamento ao catolicismo. Ou seja, não existem católicos pró-escolha (pró-aborto), nem católicos a favor de ‘casamentos’ gay, nem católicos a favor de pesquisas com células tronco embrionárias. Tais pessoas, muito simplesmente, não são católicas, mesmo que queiram assim se denominar ou que optem pelo exercício de algumas outras práticas da religião, escolhidas à sua conveniência. Afinal, a Igreja Católica não é um restaurante self-service em que cada um compõe seu catolicismo como se fosse um prato de salada no qual inclui alface e tomate, mas rejeita aspargo e rabanete. Em resumo, não sou eu quem deve dizer se sou um católico. A resposta só pode vir do meu pároco, do meu confessor ou do meu diretor espiritual. Qualquer dia desses posso resolver saltar. Entretanto, lerei com muito cuidado o “livro de regras do esporte” antes de pretender me dizer um paraquedista. Não quero ter que ouvir meus amigos dizerem que minha experiência não me qualifica, pois um pulo de um metro de altura com uma mochila nas costas não constitui um salto de paraquedas.

Pedro Jussieu de Rezende pedro.rezende@gmail.com 
Campinas

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