Fórum dos Leitores

Atualizado às 7h02.

O Estado de S.Paulo

18 Abril 2013 | 02h10

ECONOMIA

Dia de Copom

Em dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, como ontem, e em outros muitos dias, a palavra é de lata e o silêncio é de ouro. Por que a presidente Dilma Rousseff não se cala? Muito ajuda quem não atrapalha. E quem sabe faz, quem não sabe manda.

MÁRIO RUBENS
costamar31@terra.com.br
Campinas

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Calada!

Justamente no dia da reunião do Copom, não custava nada para a dona Dilma ficar calada, ao menos para dar a impressão de que o sr. Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, ainda é independente.

SERGIO S. DE OLIVEIRA
ssoliveira@netsite.com.br
Monte Santo de Minas (MG)

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Inflação

Para o governo, alterar taxa Selic é pisar em ovos.

ROBERTO TWIASCHOR
rtwiaschor@uol.com.br
São Paulo

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Jurinho

Dilma Rousseff declarou que a alta do juro básico contra a inflação será em patamar menor. Muita coerência da nossa presidente: para combinar com o pibinho, apenas um jurinho, que não vai nem fazer cócegas no dragão da inflação. É triste ver as conquistas de estabilidade do Plano Real sendo levadas por água abaixo.

RONALDO GOMES FERRAZ
ronferraz@globo.com
Rio de Janeiro

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Sem cautela

Grande parte dos economistas mais respeitados deste país alertou o governo federal para o fato de que os juros estavam baixando nos últimos tempos sem a cautela devida. Infelizmente, prevaleceu o populismo. E aí está o resultado. Alta da inflação não deixa de ser uma realidade que se agrava com o fator psicológico das empresas, que começam a remarcar os seus preços sem critérios reais, ajudando, dessa maneira, a puxá-la para cima.

MAURO ROBERTO ZIGLIO
mrziglio@hotmail.com
Ourinhos

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Tendência de baixa

Percebo na imprensa - em seus editoriais, articulistas, leitores, etc. - enorme preocupação com a inflação. Sim, nos últimos 12 meses, com base em março, a inflação subiu acima do teto da meta: atingiu 6,59%, ou 0,09 ponto porcentual acima do teto. No entanto, proponho uma outra leitura sobre o atual processo inflacionário. A inflação em 2011 foi de 6,5%. Em 2012 baixou para 5,84%. No ano de 2013, temos janeiro com 0,86%, fevereiro com 0,60% e março com 0,47%. O IPC-Fipe, na quadrissemana terminada no último dia 15 de abril, apontou uma inflação de somente 0,08%. Tendência de baixa, portanto. Não, não acredito que a inflação possa ser classificada como "galopante". Muito pelo contrário. 

MAURICIO NARDI JR.
mauricionardi@hotmail.com
Valinhos

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Meta fiscal

Ao excluir Estados e municípios para tentar alcançar a meta fiscal, o governo federal nada mais faz do que mudar de termômetro para medir a temperatura. Mas, na realidade, a febre continua a mesma.

M. DO CARMO Z. LEME CARDOSO
mdokrmo@hotmail.com
Bauru

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CONGRESSO NACIONAL

Espetáculo bizarro

Percebendo a surdez dos deputados a seus reclamos, índios fizeram um espetáculo bizarro no plenário do Congresso. Foi, no mínimo, cômico ver deputados amedrontados saindo em fuga. Infelizmente, para esses políticos ouvirem e reagirem só assim mesmo, por isso eles que se cuidem pois a população está com a paciência pra lá de esgotada com tantos desmandos, corrupção e negociatas. Acordem, srs. parlamentares... enquanto é tempo.

ADEMAR MONTEIRO DE MORAES
ammoraes57@hotmail.com
São Paulo

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Demarcação

Quem arregimentou os índios para invadirem a Câmara? É muito fácil a resposta. Quem perderá poder político manobrado pelos "antropólogos ideológicos e contrários ao agronegócio", que tem condenado imensas áreas ao subdesenvolvimento e ao primitivismo das tribos? A demarcação das reservas deve ser decidida pelos representantes de todos os brasileiros, e não por uma autarquia ou um ministério.

ANTONIO MARTINS FERRARI
amferrari@pobox.com
São Paulo

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O gosto amargo da invasão

Assisti na terça-feira à invasão do plenário da Câmara por alguns índios e o que mais me chamou a atenção foi o pavor dos deputados, que fugiram como o diabo da cruz. Entraram em pânico! Essas invasões patrocinadas pela Funai e pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) mostram índios paramentados como para desfile de carnaval, posando para TVs e a mídia em geral. Os índios que conheço se vestem como nós, não índios, vivem como nós, querem o que possuímos e não vivem de caça e pesca, até porque isso não existe mais onde querem demarcar terras legítimas e tituladas pelo próprio poder público. Mas o que realmente quero ressaltar é que essas invasões determinadas pela Funai ocorrem diariamente, com violência e extrema crueldade, contra agricultores, produtores rurais e suas famílias, em Mato Grosso do Sul e no Paraná. O que os parlamentares experimentaram, embora por pouco tempo, pois tinham polícia e seguranças para sua proteção, ao contrário dos homens, mulheres e crianças atacados dia e noite por esses vândalos. Mas foi bom ter ocorrido essa invasão da Câmara, assim os deputados presentes sentiram o que é ser invadido a mando da Funai e do Cimi. Imaginem essa invasão em suas casas, suas famílias, seus pertences, seu patrimônio, como aconteceu na semana passada, quando um agricultor foi torturado e morto a facão na frente do filho de 13 anos, por mais de 30 índios. Debitem mais essa morte à Funai. Agora que sentiram o gosto amargo desses paus-mandados travestidos de silvícolas, decidam com rapidez e objetivo a sorte dos milhares de agricultores que diuturnamente convivem com essas ameaças de invasões orquestradas. Sem polícias nem seguranças e totalmente desarmados! Convido qualquer deputado ou senador da República a ficar dez dias em qualquer propriedade já invadida ou na iminência de invasão, sem seguranças nem Polícia Federal, desarmados como todos nós, órfãos desta Pátria, pois somos os produtores de alimentos da Nação. Em tempo: comunico que Funai, Cimi, antropólogos e índios têm escolta permanente da Polícia Federal e da Força Nacional, com duas ou três viaturas e agentes para cada veículo ou deslocamento dos já citados. E pensar que todos nós pagamos por isso...

EUGÊNIO IWANKIW JUNIOR, agropecuarista
iwankiwjr@hotmail.com
Curitiba

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SUSTO

Foi cômica, para não dizer patética, a atitude dos deputados federais, como ovelhas assustadas, fugindo dos índios que invadiram o plenário da Câmara dos Deputados, seu recinto de “trabalho”.

Sergio Martins Vianna sey.vianna@gmail.com 
Rio de Janeiro

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PROTESTO

Os índios estão nos ensinando como um verdadeiro brasileiro precisa agir quando vê seus direitos ameaçados. Em ação inédita, centenas de índios invadiram o plenário da Câmara. Eles protestam contra a criação de uma comissão especial para discutir o projeto que dá ao Congresso a palavra final sobre demarcação de terras indígenas, hoje sob comando da Fundação Nacional do Índio (Funai). Por 40 minutos, tomaram as dependências da Casa e puseram os deputados para correr, e só se acalmaram quando o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves, agora chamado de “John Waine”, suspendeu o processo até o final do semestre.

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@hotmail.com
São Paulo

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A DEMOCRACIA TUPINIQUIM

Os índios já haviam dito o que queriam. Mas, mesmo assim, invadiram o plenário da Câmara dos Deputados, onde permaneceram por 40 minutos, atrapalhando uma votação. Jamais deveria ter sido permitido que assim o fizessem. O mesmo ocorre com os manifestantes profissionais que hoje perseguem o deputado Marco Feliciano. Ações como essas precisam ser impedidas, pois atrapalham e não se coadunam com a prática democrática. São mais próximas do “sem Deus, nem pátria, nem patrão” que caracterizou a anarquia. Mas, infelizmente, foi esse o método usado num passado relativamente recente por muitos dos que hoje ocupam importantes posições. A democracia não é um regime onde tudo pode. Existe todo o ordenamento jurídico a que o cidadão e as instituições têm de cumprir. Não se abre mão de princípios básicos como, por exemplo, de que o direito de um vai até onde começa o do outro. Mas, lamentavelmente, os governos fracos, interesseiros e eleitoreiros pouco ou nada fazem nesse sentido. Nas democracias de Primeiro Mundo é garantido o direito de manifestação.  Mas de forma pacífica e ordeira. Quando extrapolam, os manifestantes são duramente reprimidos. Isso os pseudodemocratas brasileiros não querem copiar, pois nesse particular fazem questão de nos comparar às republiquetas atrasadas, onde o povo é incentivado a resolver suas questões “no pau”. Ruim para o nosso país, que perde credibilidade e respeito para as relações internacionais. Não podemos continuar com essa permissividade democrática. A democracia, para assim poder ser rotulada, tem de garantir a liberdade de manifestação a todos, dentro de normas e leis de equilíbrio social. Isso que hoje vivemos, na verdade, pode ter qualquer nome. Menos democracia...

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br
São Paulo    

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ÍNDIO QUER APITO

No episódio que culminou com a invasão da Câmara dos Deputados, sou totalmente a favor dos índios. Cada deputado deve dar alegremente o seu apito aos índios. Se não der, pau vai comer.

Sergio S. de Oliveira ssoliveira@netsite.com.br 
Monte Santo de Minas (MG)

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BRASILEIROS REVOLTADOS

Gostei de ver na televisão a fuga dos deputados quando entraram os índios, pareciam formigas assustadas. Acho que foi um bom exemplo para nós.
 
Maria José da Fonseca fonsecamj@ig.com.br 
São Paulo

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CONGRESSO, IMPOSSÍVEL PIORAR

O Congresso Nacional atingiu o máximo em “apologia à corrupção” e “prestígio aos corruptos” ao empossar na Comissão de Constituição e Justiça os dois réus mensaleiros condenados, recebendo inúmeras críticas. Entretanto, ultrapassou os píncaros da apologia à corrupção e ao demérito ao colocar o deputado João Magalhães, do PMDB, na Comissão de Finanças. Trata-se de uma pessoa que tem nada menos de 42 processos de investigações criminais e cíveis correndo contra si em Minas Gerais e também, submetido a uma investigação do procurador Roberto Gurgel. Entrementes, o deputado avocou a si a relatoria de processos de interesse dos procuradores da República, numa atitude aparentemente suspeita de usá-la, na defesa de seus interesses pessoais. Talvez como instituição corrupta o nosso Congresso e a “maioria” de seus membros seja imbatível.

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br 
São Paulo

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REVISÃO DO PIB/2013
 
Estamos em abril e, após uma nova revisão efetuada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) 2013 foi reduzida de 3,5% para 3%. Até dezembro, com certeza esse número será corrigido e gostaria de saber se alguém arrisca um palpite. Na minha opinião, sendo otimista e acreditando que o governo federal irá usar apenas um pouco de maquiagem, para não perder ainda mais a credibilidade junto aos investidores estrangeiros, o PIB não ultrapassará 1,5%.
 
Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br 
Americana

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SUBMERGENTE

Segundo o relatório do FMI, que acabou de ser publicado, a projeção de crescimento do Brasil é menor que a média de crescimento projetada para os países emergentes, menor que o crescimento médio projetado para a América Latina, e menor que o crescimento médio projetado para o mundo, como um todo. Ou seja, uma vergonha. Com Dilma e Guido Mantega, não está longe o momento em que o Brasil será classificado como submergente.

Ronaldo Gomes Ferraz ronferraz@globo.com 
Rio de Janeiro 

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CEGO EM TIROTEIO

O que tem caracterizado esse desgoverno do PT, principalmente o da gerentona-poste, Dilma Rousseff é o tratamento onde predominam o casuísmo e a mudança de um ditado, que de “tapar o sol com a peneira” mudou para “tapar o sol com asneira”. A presidente não se entende com a equipe econômica, o Banco Central é desprestigiado constantemente com a intromissão abrupta da presidente. Os vexatórios números do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), coletados por órgãos da ONU, são minimizados. Os verdadeiros índices são os que o Ibope fornece. O FMI reduz a previsão de PIB do Brasil para 2013 de 3,5% para 3%, o que quer dizer que o crescimento do País continuará como rabo de cavalo, para baixo. Dilma continua na sua caravana “holiday” em campanha pelo Brasil afora, sempre levando a tiracolo seu criador, o Dr. Jeckyl, não de Londres, mas de Garanhuns. Um governo que parece ter sido criado por Gepeto (HQ). O Pinóquio brasileiro teria um nariz que não caberia no espaço entre o Oiapoque e o Chuí. Na abundante propaganda nos meios de comunicação a Petrobrás (governo) alardeia que estão extraindo do pré-sal, 300 mil barris de petróleo/dia, enquanto voltamos a comprar petróleo da Venezuela, assim como importamos gasolina, diesel e álcool. Nenhum país, nem mesmo as tirânicas republiquetas africanas sub-saarianas, elencam a farra de desvio de dinheiro que impunemente se vê neste país. 
 
Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com 
Vassouras (RJ)

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‘BRIGA DE TORCIDAS’ NA VENEZUELA

Depois de interferir na pequena e valente Honduras, expulsar o altivo Paraguai do Mercosul por ter usado um dispositivo constitucional legítimo, o governo brasileiro parece ter  assumido uma postura discreta demais. Onde foi parar o tal protagonismo internacional que reivindica a toda hora uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU? Nem uma palavra sobre a Coreia do Norte, onde instalamos uma embaixada para fazer “negócios”. Dias e mais dias se passam e nada que liberte os 12 cidadãos brasileiros que permanecem presos na Bolívia em situação no mínimo arbitrária. Zelosos pela democracia, guardam silêncio perturbador sobre o que acontece na Venezuela, e não será surpresa se a qualquer momento escalarem uma de suas estrelas para garantir que o que acontece nas ruas daquele país, violência e morte, é apenas uma natural “briga de torcidas”. Nossos caríssimos governantes (e põe caro nisso) já pareceram bem mais preocupados com o Estado Democrático de Direito. O que estaria acontecendo agora?

Antonio Cavalcanti da Matta Ribeiro antoniodamatta@ig.com.br 
São José dos Campos

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VENEZUELA EM CRISE

Eis o primeiro balanço do antagonismo político na Venezuela: 7 mortos e por volta de 60 feridos, no confronto último. Sem dúvida que outros virão, e a crise, certamente, tomará conta do país, porque o desabastecimento é grande, a inflação sofre aceleração contínua e o desemprego é sensível, além de uma segurança pública que não proporciona tranquilidade ao povo. Os jovens estão com Caprilles e não apoiam as pretensões de Maduro. Pena que a imprensa venezuelana sofreu grande desgaste com proibições e impedimentos de noticiários, o que também motiva o povo a se rebelar contra o regime continuísta do chavismo. Maduro terá muitos problemas, doravante, para governar o país, colocar a nação na estabilidade esperada pelo povo.

José Carlos de C. Carneiro carneirojc@ig.com.br 
Rio Claro

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CONFLITO
 
A Venezuela viverá uma guerra civil nunca vista antes naquele país. Por mais que queira, o presidente eleito Nicolás Maduro está muito longe de ser um Hugo Chávez. Existe uma indiscutível distância entre “subserviência” e “comando”. Maduro está entre os subservientes. Foi o mais fiel dos “escudeiros” do “ditador” Chávez, entretanto, não serve para o comando; não tem a mesma desenvoltura do seu antecessor. Em nome da paz, o mais sensato seria abrir mão da Presidência, mas isso, para quem um dia foi simplesmente um motorista de ônibus, seria perder tudo aquilo que não conquistou por si e teria a mínima chance de alcançar: o poder máximo venezuelano. Ao perder a hegemonia de seu país, coisa mais que provável, Nicolás Maduro estará indo em direção a um precipício sem volta. Muitos protestos e mortes, também, infelizmente, continuarão, afinal, 1,59 ponto porcentual é muito pouca diferença e será muito difícil conter 7.296.876 venezuelanos que sonhavam livrar-se da pseudodemocracia existente (“Multidão protesta contra vitória de Maduro”, 16/4, A12).

Mirna Machado mirna.machado@hotmail.com
Guarulhos

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MADURO, NO ‘FOTOCHART’
 
Ao revés das manifestações petistas (Lula, Dilma, Patriota, etc.) exaltando a “democracia” no pleito venezuelano – que já rendeu, ao menos, 7 mortos em refregas pós-eleição –, os fatos não corroboram as palavras desses apoiadores do autoritarismo chavista em solo tupiniquim. Começa que a campanha eleitoral venezuelana ocorreu em tempo exíguo após o fim  das exéquias, estendidas para se instrumentalizar a comoção popular pró-Maduro. Depois, o candidato oficial manteve-se onipresente na mídia domesticada pelo regime, exceção feita ao canal Globovisión, que, todavia, já está, igualmente, “jogando a toalha” à vista do estrangulamento financeiro que lhe submeteu a “democracia” a que se referem Lula e Dilma. O chavismo, que, sem trocadilho algum, tem literalmente as chaves de todas as riquezas advindas das divisas petrolíferas, dispõe de vastos recursos assistencialistas e paternalistas bem ao estilo de nossas “bolsas-compravotos”. A ninguém é dado desconhecer que Caracas subjugou os Poderes Legislativo e Judiciário, servis ao Executivo, que mantém, até mesmo, milícias “bolivarianas” armadas com fuzis russos para qualquer “eventualidade contrarrevolucionária”, contando, para isso, com o apoio de cubanos que assessoram o Palácio Miraflores. Sobre o “Poder Electoral” venezuelano não há garantia de imparcialidade, sabendo-se que aquela corte longe está de ter a independência e a autonomia de nossos tribunais eleitorais. Em suma, trata-se de um Estado absolutista, de inspiração socialista, que, todavia, é vergonhosamente saudado por nossos governantes que não coram em dar apoio a tiranias. Mesmo assim, com tudo contra, Henrique Capriles logrou obter 49,07% dos sufrágios (!), diferença de 300 mil votos para Maduro! Observe-se que na Venezuela o voto é facultativo e as pesquisas mostram que os chavistas comparecem mais às urnas que seus opositores. Pesquisas feitas há cerca de dez dias davam larga vantagem para Maduro, mas um “passarinho” me contou que os ventos mudaram e a vitória, afinal, saiu por pouco, muito pouco. Maduro venceu no “fotochart” como se diz na linguagem do turfe. Se o pleito demorasse mais uns dias eu não apostaria um centavo de bolívar em sua vitória. Ao fim, talvez, seja bom mesmo que Maduro assuma e  arque com o ônus da “herança maldita” que lhe legou Chávez. Não seria justo a conta (pesada) dos desatinos bolivarianos caírem justo no colo do líder oposicionista, que nada tem que ver com o pato.  Deus sabe o que faz.
 
Silvio Natal silvionatal49@yahoo.com.br 
São Paulo

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VIVA A PLENA DEMOCRACIA, SEMPRE

“Regozijo-me com os ditadores Hashar Assad e Ahmadinejad e comemoro a eleição de mais um ‘baluarte da democracia o senhor Maduro’. Ao mesmo tempo, solidarizo-me com o presidente eleito, a quem hipoteco meu total apoio com as atitudes democráticas assumidas, como a proibição da marcha de protesto da oposição. Oh mania de liberdade que este pessoal demonstra. Nós, ditadores, não importa se teocráticos, bolivarianos ou por herança, não admitimos contestação e pronto.”

Luiz Nusbaum lnusbaum@uol.com.br
São Paulo

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PAPAGAIO

O comandante e ornitólogo da Venezuela, Maduro, poderá nomear como seu principal ministro um papagaio. Assim, o espírito de Hugo Chávez terá mais facilidade para explicar o que precisará ser feito para governar o país, que está em frangalhos.

Alberto Bastos Cardoso de Carvalho albcc@ig.com.br 
São Paulo

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PRIMAVERA DE CARACAS

Equivoca-se quem considera que as eleições venezuelanas ficarão por isso mesmo. As manifestações de rua já se iniciaram. O povo, massa geralmente conformada, explode quando provocada seriamente. É de se prever graves confrontos numa Venezuela dividida, consequência de um populismo inconsequente. E, talvez, tenha início a primavera de Caracas. 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br 
São Paulo

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ELEIÇÃO NA VENEZUELA

A propósito do editorial “O ‘filho de Chávez’ falhou” (“Estadão” de 16/4/2013, A3), é possível asseverar que a vitória do Sr. Maduro sobre o ‘peessedebista’ Capriles, na vizinha Venezuela, frustrou a expectativa de um ponto de inflexão no estado de coisas vigentes na América do Sul. Esse evento político constituiu-se em inequívoco estímulo à continuidade de um conjunto de ações, procedimentos e rotinas com impacto terrível para as populações sul-americanas. Assim, saem fortalecidos o patrimonialismo da esmola mensal em lugar da oferta de trabalho para que cada um possa buscar a sobrevivência com dignidade; a política de cotas educacionais em substituição às escolas públicas de boa qualidade (atenção, sábios, sou neto de negra, bisneto de índia, oriundo de lar muito modesto, estudei apenas em escola pública que já foi de boa qualidade e jamais me foi oferecida cota para acesso educacional); a tentativa recursiva de cercear a liberdade de imprensa; e o crescimento econômico pífio camuflado pela retórica de que tudo segue às mil maravilhas. Restam cristianizados a solidariedade, defesa e convivência dos operadores da malversação dos recursos públicos; a utilização dos recursos públicos para as estadias faustosas no estrangeiro, camuflada pela falsa defesa da prioridade para os pobres; a poligamia bancada pelos recursos da sociedade; e a retirada de objetos de palácio do governo, por líder substituído, sem qualquer constrangimento. Similarmente, estão sendo considerados republicanos a associação, defesa e apoio de regimes ditatoriais de várias latitudes; o acolhimento de bandidos condenados em países com plena vigência do Estado de Direito; e o repatriamento de atletas estrangeiros que se opõem à ditadura de seu país. É forçoso indagar se devemos atribuir aos líderes sul-americanos a condição de maduros ou de ‘podridos’. Não se trata de brincadeira, mas de alusão à podridão moral, ética e intelectual. E também a pior das podridões – a dos intelectuais que apoiam ou se omitem diante de tanta podridão. Não raro, reflito sobre a questão dos intelectuais. A história ensina que eles apontam as direções transformadoras. Os operadores da transformação, os estadistas, quando existem, a empreendem. Para tanto, é preciso recorrer ainda à evolução histórica e, facilmente, inferir que as sociedades que atingiram níveis de satisfação coletiva elevados tiveram intelectuais e estadistas, e se submeteram aos ditames de uma equação simples: Talento, Trabalho, Produção e Poupança (T2P2). Com a perspectiva de não ocorrer alternância de poder no Brasil ao longo de um ciclo de 24 anos, injeta-se no inconsciente coletivo a normalidade da situação vigente e elege-se décadas para aprender, saber, pensar e agir condicionados à equação T2P2 e para empreender a recuperação do tempo perdido. Claro, sendo otimista, e não admitindo que podemos passar à decadência antes de atingir o ápice – entendendo-se o ápice como a condição da possibilidade de cidadania jurídica, educacional, financeira e política plena, para todos os integrantes da sociedade.

Aléssio Ribeiro Souto souto49@yahoo.com
Brasília

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OPOSIÇÃO

Vi um vídeo do discurso da deputada venezuelana Maria Corina Machado que teve a coragem de falar em sessão da Câmara contra os chavistas e o regime que agora domina o seu país. Ela exalta que foi pedida a recontagem dos votos e que Nicolas Maduro havia aceitado, tendo depois negado. Ela diz que estão sob o poder dos cubanos Castro e também afirma que a violência que assola as ruas das cidades da Venezuela é porque o governo montou e protege as milícias. Não tem medo de dizer as verdades acerca da falta de democracia naquele país. Confesso que fiquei com vergonha da nossa oposição que assiste calada aos mais variados disparates cometidos pelos que estão à frente do poder, assiste aos atos de corrupção sem nada dizer e que se cala quando o presidente do partido do poder, o PT, pede o controle da imprensa e a censura dos meios de comunicação ou quando os condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ousam enfrentar os seus ministros. Uma palavrinha aqui ou outra ali não faz a menor cócega. Onde está a oposição que realmente enfrente o poder que está destruindo o nosso país economicamente? Onde está a oposição que enfrente os que puseram a ética e a honestidade no lixo? Que seja merecedora dos 45 milhões de votos dos que não elegeram o PT para presidir o País e que tenha coragem de defender as instituições brasileiras?
 
Maria Tereza Murray terezamurray@hotmail.com
São Paulo

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ATENTADO EM BOSTON

Temos acompanhado muitos atentados executados por todos os motivos. O mais recente, ocorrido nesta segunda-feira, 15/4, em Boston, que provocou a morte de três pessoas e deixou ao menos 176 feridas é mais um golpe contra os Direitos Humanos. Esse conceito envolve exatamente o respeito às diferenças, para possibilitar um mínimo de convivência pacífica entre distintos credos, religiões e convicções políticas. Assim como outros inúmeros atentados que acontecem em todo o mundo, é a pior das ferramentas ou estratégias de protesto contra qualquer tipo de divergência. É o caminho oposto para o alcance de um objetivo, seja ele qual for. A história nos mostra que a política do terror jamais sai vitoriosa. Ao contrário, causa profunda tristeza e um intenso sentimento de busca pela justiça, palavra que anda umbilicalmente ligada à paz que certas pessoas ou certos grupos radicais tentam destruir. A investigação para que se descubra o responsável por mais esse terrível atentado avança e em breve mostrará, mais uma vez, que os Direitos Humanos e a Justiça, ainda que severamente golpeados, têm poder maior frente ao terror.

Abraham Goldstein, presidente da B’nai B’rith, entidade judaica dedicada à defesa dos Direitos Humanos denis@libris.com.br
São Paulo

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PALAVRAS DA ALMA

É inadmissível que pessoas matem inocentes por meio de bombas terroristas: será que eles ainda não perceberam que no mundo já há catástrofes naturais e dezenas de enfermidades que ceifam vidas em todo o mundo? Presumo que os terroristas não saibam que tudo o que se semeia nessa terra é obrigatoriamente colhido. Há pessoas que hoje sofrem e nem sabem elas que tal sofrimento é provenientes de coisas erradas que praticaram no passado.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com 
São Paulo

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GRUPO LOCAL

Uma das fotos publicadas pela CNN na internet mostra que a bateria que gerou a faísca para explodir um dos artefatos rudimentares foi fabricada pela Tenergy, empresa americana especializada em prover soluções de energia, com sede no Vale do Silício, Califórnia. Mais um indício que reforça a suspeição de autoria de grupo local. 

Yvette Kfouri Abrão m.abrao@terra.com.br 
São Paulo

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‘HORROR’

Se é para lembrar o passado,  recomendo ao leitor Sr. Sérgio E. Passos (“Horror”, 17/4, A2) que vá mais fundo, até 1948, e  mencione o massacre da aldeia de Deir Yassim, perpetrado pelos terroristas israelenses. Assim não se generaliza o contexto e coloca os devidos pontos nos is. O próprio pres. Obama não se precipitou em atribuir aos árabes a autoria desse atentado hediondo. 

Ricardo Bunemer rbbox@terra.com.br 
São Paulo

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FOSSE NO RIO...

FBI encontra restos da panela de pressão utilizada para fabricar bomba que explodiu durante a maratona, em Boston. Comentário: se fosse no Rio de Janeiro, a prefeitura imediatamente proibiria a venda de panelas de pressão. A respeito da pronta resposta da Prefeitura do Rio ao brutal estupro de uma turista americana, no interior de uma van, na cidade do Rio de Janeiro: proibiu a utilização de películas de insulfilme nas janelas das vans de transporte!

Caio Luiz Sarmento de Arruda Botelho cbotelho50@gmail.com 
São Paulo  

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O RIGOR DA JUSTIÇA BRASILEIRA

Como um cidadão brasileiro comum, eu fico a imaginar se o atentado  ocorrido em Boston, nos EUA, tivesse ocorrido em alguma cidade brasileira e os criminosos fossem presos. Se os envolvidos fossem “di menor” ou não, fatalmente estariam desfilando no carnaval dos próximos 3 a 4 anos. Que justiça, hein?

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com
Campinas

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CARANDIRU, O JULGAMENTO

O julgamento dos policiais militares envolvidos no denominado “massacre do Carandiru” está mostrando alguns fatos, a partir dos depoimentos de quem exercia cargos na direção daquele complexo penitenciário. Segundo se pode constatar, efetivamente houve excesso na forma de agir por parte dos militares. E isso deve servir para uma avaliação fria de modo a se evitarem que isso novamente venha a ocorrer. No primeiro caso, o excesso de prisioneiros num mesmo local, sem condições de recuperação. Em segundo lugar, a necessidade de adoção de políticas que promovam a ressocialização, como a cultura, o esporte e o treinamento profissional. E, por fim, que ao policiamento não sobrem apenas as medidas repressivas. No caso em julgamento, que os culpados paguem pelos erros que cometeram.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br 
Santos

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VALORES INVERTIDOS

Pobre Brasil de valores invertidos! Sempre o devedor é anistiado e se beneficia. Sempre o sujeito que comete qualquer tipo de crime tem o perdão, ou redução de pena, e assim por diante. No caso presente do julgamento do Carandiru, como sempre, os 111 mortos estão sendo considerados como os bonzinhos e os policiais militares (PMs) que os mataram, como os vilões. Todos estão esquecendo do caos formado no famigerado Pavilhão 9, onde estavam os piores dos piores detentos (assassinos, estupradores, etc.). Eles tinham colocado fogo em todos os andares, já estavam executando os próprios colegas, arrebentando com tudo pela frente, andando pelos telhados como um bando de loucos, tudo isso sendo televisionado na época. O que então deveria ser feito? Alguém da OAB, ou dos Direitos Humanos ou das “Pastorais não sei das quantas” se prontificou a entrar no Pavilhão 9 para acalmar os nervos dos pobres detentos? Alguém, que hoje está condenando a ação da invasão dos PMs, na ocasião, se prontificou para entrar lá? Acho que não. Então, o que deveria ser feito? Foi o que realmente foi feito: houve a invasão e o extermínio dos 111 facínoras que tentaram, com certeza, piorar mais o conflito.
 
Paschoal L. Paione paione@cantareira.br 
São Paulo

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FOI EXECUÇÃO EM MASSA
Passados mais de 20 anos do massacre e execução sumária de presos, após a invasão do centro de detenção que ficou conhecida como “massacre” do Carandiru, que resultou na suposta morte de 111 detentos e 87 feridos, muitos dos que lá estavam falam que o número de mortos tenha sido mais que o dobro dos números anunciados pelas autoridades na época. Nesta segunda (15/4) começou o julgamento de 26 réus que participaram da carnificina. Os primeiros depoentes foram as testemunhas de acusação, e as cenas descritas por eles são dignas de filmes de terror hollywoodianos pelo estado em que ficaram os corpos dos mortos metralhados e desfigurados pelas mordidas de cachorro, inclusive muito deles com o rosto dilacerado. Corpos amontoados, sangue jorrando pelas escadas “como cascatas”, fuzilamentos sumários em celas fechadas sem nenhuma chance de se proteger das balas, “tapetes de mortos esfacelados” pelo chão dos corredores. Num país que vive em democracia, todo e qualquer abuso de autoridade, seja ela quem for o causador da violação de leis e de direitos humanos dos quais o Brasil diz ser signatário, todos devem ser punidos severamente, como preconiza a lei. Os depoimentos dos ex-detentos e do agente penitenciário responsável pelo pavilhão e do perito são contundentes e comovem até mesmo aquelas pessoas que sofreram na carne de ter um dia passado pelas mãos de um dos bandidos que lá estavam cumprindo pena, ainda mais com a declaração de que a cena do crime foi modificada propositalmente pelas autoridades, não deixando nenhum resquício para ser investigado. Mas as paredes das celas contavam o que realmente tinha acontecido, devido ao número assustador de buracos de balas de grosso calibre vindas de fora para dentro das celas. É fato que não há como mensurar com absoluta certeza o que realmente aconteceu em 2 de outubro de 1992, um dia negro que ficou marcado na história do Brasil pela crueldade dos fatos. A missão do júri será com certeza extremamente difícil, pois o massacre existiu, disso ninguém tem dúvida, mas não se pode apontar os autores dos disparos e de quem partiu a ordem para invasão. O mais intrigante da história é que não tinha nenhum refém, para que o secretário de Segurança ou o comandante da Polícia Militar tomassem tal atitude, porém até hoje ninguém está preso pelo crime brutal que deixou centenas de famílias dos presos que foram massacrados até hoje sem nenhuma assistência, por parte do Estado, financeira e psicológica, o que torna o crime ainda mais brutal. Que os principais responsáveis, mesmo que tardiamente, paguem pelos erros e pelos assassinatos cruéis, pois o comandante da carnificina, coronel Ubiratan Guimarães, mesmo tendo sido condenado a mais de 600 anos, não ficou um dia na cadeia, e hoje sua alma deve estar sofrendo no inferno.

Turíbio Liberatto Gasparetto turibioliberatto@hotmail.com 
São Caetano do Sul

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DEFESA DA SOCIEDADE

Os criminosos presos por assassinatos, latrocínios, roubos, etc. foram julgados, condenados por um júri – ou por um magistrado – e teriam de cumprir a pena que lhes foi imposta. Insurgiram-se, por que queriam que suas vontades prevalecessem sobre as sentenças, e partiram para a violência, como sempre faziam, enfrentando os policiais. Muitos foram mortos. Se fossem liberados, quantos cidadãos honestos seriam assassinados? Acho que os policiais defenderam a sociedade e a si mesmos. Julgar esses policiais e seus comandantes é ignorância, porque evitaram que a criminalidade impune seja regra. 

Mário A. Dente dente28@gmail.com 
São Paulo

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RESPONSABILIDADE

Parabéns, Luiz Antonio Fleury, pela responsabilidade, conduta e firmeza assumidas diante do julgamento da invasão do Carandiru. Pela de sua conduta e pela atual situação do País, será um forte candidato à Presidência da República...

Benedito Raimundo Moreira br_moreira@terra.com.br 
Guarulhos

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CARANDIRU, JULGAMENTO E ESTATÍSTICAS

Não sou favorável à pena de morte, mas, em virtude dos criminosos serem favoráveis a ela quase sempre para seus clientes (cidadãos brasileiros comuns, honestos e trabalhadores), devido principalmente à impunidade reinante para as “crianças desamparadas” de 16 a 18 anos, que matam à vontade, dizendo, no minuto em que são presos, “sou de menor”, ou então se tem mais de 18 anos, as estatísticas dizem que no Brasil 80% voltam a delinquir. Assim, os 111 presos (se estavam na penitenciária, fatalmente, era porque fizeram alguma coisa contra a sociedade), quando soltos, após sete anos de reclusão forçada e depois recebendo a “progressão da pena”, seriam 88 que votariam à prisão depois deste período, após mais sete anos, 70 voltariam para a prisão e, para completar o último período de sete anos, 56 voltariam. Assim completam-se os 21 anos do massacre do Carandiru, com 215 (soma dos crimes que seriam feitos por estes prisioneiros) homicídios ou roubos ou 215 pessoas que teriam um revolver ou uma arma branca apontada para sua cabeça após um dia de trabalho exaustivo, ou pais que teriam tido suas filhas estupradas e/ou assassinadas, etc. Assim, que os nossos congressistas parem de ficar intercedendo por cargos e/ou benesses do governo, ou de ficarem vendo como corromper ou serem corrompidos, como todos os dias temos lido nos jornais, e tentem fazer uma legislação que resolva, mais atual e eficiente para o sistema penal e para a educação, no intuito de diminuir nossa criminalidade que mata mais que a guerra do Afeganistão e do Iraque, pois no Brasil a vida humana do cidadão comum é banalizada, enquanto os criminosos têm direito a varias refeições, defesa gratuita, auxílio família, comissão de Direitos Humanos, visita íntima, etc.

Ciro Bondesan dos Santos cirobond@hotmail.com 
São José dos Campos

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NO FAMIGERADO CARANDIRU TEM...

Na semana em que começa o julgamento dos policiais militares acusados de participação no episódio que ficou internacionalmente conhecido como “O Massacre do Carandiru”, em 1992, quando 111 detentos foram brutalmente assassinados na Casa de Detenção de São Paulo, quero falar daquele cenário que hoje deu lugar ao “Parque da Juventude”, esse é o nome do point mais irado culturalmente falando da capital paulista hoje, com três anos de inaugurado, ocupou a área de todo o complexo penitenciário do Carandiru, local historicamente marcado por violação aos direitos humanos, degradação urbana e violência, na zona norte da capital paulista, no bairro de Santana. Naquele lugar de muitas histórias e lendas, se tem a disposição do público: uma belíssima biblioteca, escolas de artes e cursos profissionalizantes, área esportiva, de caráter recreativo-esportivo, com quadras poliesportivas, espaços para prática de skate e patins, pistas de cooper, entre outros; ali outrora encontravam-se enfileirados pavilhões repletos de detentos/reeducandos (como eram chamados a época) com seus delitos incrustados no seu prontuário e na sua vida, carregando o rotulo de que quem adentrava o Carandiru também fazia a sua própria história. A Biblioteca do Estado de São Paulo, que só não abre as segundas-feiras, fica localizada para ser mais preciso, onde era situado o pavilhão 2, “A triagem”, a sua frente um grande pátio envolto em passarelas e trilhas nada condizente com a suposta  flora da Divinéia, área de boas vindas aos visitantes que visitavam o presídio. Nas suas prateleiras é possível encontrar como toda biblioteca que se respeita, os grandes autores, os grandes clássicos, onde se podem ler todos os jornais do dia e consultar, solicitar publicações, ler revistas, usufruir de um completo parque de informática bastante equipado e atualizado, para o deleite do usuário. Dividida em térreo e primeiro andar, a biblioteca priorizou o andar térreo só para os baixinhos e suas programações, a exclusividade torna o final de semana do lugar bem agradável, onde famílias inteiras frequentam as atividades, com cabines de leitura, brinquedoteca e muitas cores e letras. A programação é sempre recheada de eventos e atividades culturais e o público da maior idade não poderia ficar de fora, o Projeto +60 durante toda a semana promove saraus poéticos, cursos, oficinas e outras atividades para os idosos. O atendimento é dez, funcionários sempre dispostos a atender bem e se você quer saber mais sobre a BSP ou quer fazer uma doação de livros acesse: http://www.bibliotecadesaopaulo.org.br/. Outros dois prédios nos chamam atenção para as Etecs (Escolas Técnicas), que oferecem cursos técnicos de enfermagem, informática, música, canto, dentre tantos outros. Um, ficando bem na entrada do Parque onde ficava situado o pavilhão da administração e o 4 (o da enfermaria), o outro prédio mais atrás seria entre os pavilhões 6 (onde ficavam os estrangeiros e funcionava o Teatro/cinema) e o 7.  E o restante é a Área Central ocupada em caráter recreativo-contemplativo, com trilhas, caminhos ajardinados, passarelas, entre outros elementos que remetem mais à idéia tradicional de “parque”. Um monumento se destaca pela beleza e singularidade, nas imediações de onde se situava o pavilhão 5 (Pavilhão do Seguro) e o 8 (pavilhão dos reincidentes e um dos mais problemáticos do sistema penitenciário), um arco aberto com um grande sino dependurado, na cor dourada, onde se pode ler a inscrição “ Marco da Paz” como se uma homenagem permanente esteja sendo feita aqueles que por ali outrora passaram, entre os portões que ligavam o pavilhão 8 ao 9 e próximo a cozinha, onde se tem também um bosque em vegetação bem verde, completando o espetáculo ao fundo do monumento, já com aparência de mata nativa. Uma funcionária que preferiu não se identificar afirmou em tom supersticioso “no prédio da escola acontecem coisas” como se citasse o sobrenatural lendário do lugar. A construção de um parque cultural no local do Carandiru foi considerado um ato simbólico por parte do governo do Estado no sentido de livrar o local do estigma de violência. “O que era o inferno deu lugar a um paraíso cultural repleto de causos, lendas e histórias” disse um funcionário que não quis se identificar (os funcionários não estão autorizados a falar...). Na época o maior presídio da America Latina tinha uma população de 8.700 homens amontoados, naquilo que consideravam um imenso deposito de seres humanos, o que era um orgulho para os paulistanos e imigrantes que lá trabalhavam e usavam tal referencia do lugar, devido a sua retrospectiva de grandes rebeliões, marcada pela maior população carcerária e pelo regime interno disciplinar, um dos mais respeitados e rigorosos do país.

Roberto Leal, ex-carcereiro da Casa de Detenção do Carandiru lealomnira@yahoo.com.br
Salvador

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MINHA CASA, MEU INFERNO

A imprensa mineira estampou em primeira página, que foi “maquiado” o apartamento n.º 103, bloco 8, residencial Alterosas em Ribeirão das Neves região metropolitana de Belo Horizonte., conjunto esse destinado ao programa “Minha Casa, Minha cidade”, o qual recebeu a visita de Dona Dilma. Rumores fortes de bastidores  afirmam que não foi pra enganar a visitante, mas a imprensa e povo em geral. No Rio de Janeiro, quatro prédios destinados a abrigar os desalojados, vítimas dos desabamentos  de  barracos, devido as fortes chuvas, com os recursos do mesmo programa, em pleno andamento da construção deverão ser demolidos por apresentarem, mesmo antes de terminados, rachaduras nas suas estruturas. O que significa que verbas destinadas foram roubadas, obrigando ao uso de materiais inadequados, exemplo: mais areia e menos cimento. Aqueles famosos 74% que elegem e aprovam o governo petista serão tão aparvalhados, diante dessas situações, que somadas ao mensalão, ao Rosegate, ao engodo da transposição do Rio São Francisco, à mentira do pré-sal, ao péssimo atendimento na rede pública de saúde, a ameaça do descontrole de trazer de volta a inflação, a bofetada do acréscimo de R$ 2,00 ao bolsa-família, denominado por Dona Dilma de “Brasil Carinhoso”, que não enxergam o óbvio, nem mesmo o óbvio? 
   
Nei Silveira de Almeida neizao1@yahoo.com.br 
Belo Horizonte

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PROGRAMA POLÍTICO

O Minha Casa, Minha Vida, programa de habitação popular, não tem nada de original. Ele se assemelha a programas habitacionais levados a efeito no período 50/80 pelos institutos de previdência, cooperativas e companhias estaduais de habitação. Eram programas isolados, porém de muita eficácia. Não havia a componente política e por causa disto se faziam obras que já duram pelo menos mais de 50 anos. E estão lá para todo mundo ver e tiveram alcance nacional. Eram verdadeiros programas habitacionais onde o grande beneficiário era a população. Hoje os programas são políticos, em que o beneficiário é o eleitor de cabresto. E o dinheiro que deveria ser utilizado em construções de qualidade vai para o bolso da classe política. E o resultado são imóveis abandonados ou condenados antes de nem sequer serem habitados.  

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com 
Rio de Janeiro

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