Fórum dos Leitores

PROTESTOS PELO BRASIL

O Estado de S.Paulo - Atualizado às 5h30

19 Junho 2013 | 02h05

Um dia histórico

17 de junho de 2013, uma data histórica: o dia em que o Brasil acordou. Que nossos representantes (Executivo e Legislativo) e o Judiciário ponham as barbas de molho. Que tal menos ganância e mais patriotismo?

EMERSON LUIZ CURY

emersoncury@gmail.com 

Itu

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Recado aos políticos

Mais de 230 mil pessoas em 12 cidades brasileiras saíram às ruas para protestar na segunda-feira. Desde o início, o estopim não foi a tarifa do ônibus, mas a inflação, o alto custo de vida, as carências no sistema público de saúde e de educação. Um recado aos políticos do Brasil.

JOSÉ CARLOS DE C. CARNEIRO

carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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Decidiram agir

A partir dos R$ 0,20 de aumento das passagens, os jovens - e outros não tão jovens - felizmente assumiram a decisão de atuar em favor de um Brasil socialmente justo, eticamente respeitável, ambientalmente sustentável, politicamente mais democrático, além de economicamente forte, tirando o monopólio dos governos e políticos de usarem nossos tributos para se promover e vender ilusões.

MARIO ERNESTO HUMBERG

marioernesto.humberg@cl-a.com

São Paulo

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Esperança

Será que o gigante adormecido finalmente acordou? Eu pensava que nem os olhos dos meus tataranetos um dia testemunhariam as imagens vistas esta semana pelo Brasil. Estou feliz, nossos jovens têm consciência e o País, afinal, tem esperança. É um despertar emocionante.

LENKE PERES

Cotia

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Movimento novo

A facilidade de comunicação combinada com a percepção de que somos manipulados ao limite resultou nos jovens que saíram às ruas, sem lideranças formais, mas com ideias e convicções comuns. Não querem saber de partidos políticos, porque são de mentirinha. Não querem saber de políticos, porque esses só representam a si mesmos. Não querem Copa, porque precisamos de escolas. E não aceitam os R$ 0,20 porque querem uma administração pública mais eficiente e o direito de protestar sem violência. Querem mudanças sem manipulação. Um movimento novo toma forma.

CARLOS DE OLIVEIRA AVILA

gardjota@gmail.com

São Paulo

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1956-2013

Magistral, pela lucidez, a análise de Luiz Werneck Vianna sobre as manifestações de rua dos jovens (O movimento da hora presente, 18/6, A2). Como um entre as centenas de estudantes da PUC-RJ que sentaram nos trilhos e pararam os bondes no Rio de Janeiro em 1956, confirmo o que escreveu o articulista. O preço da passagem era o pretexto, mas no fundo, no fundo o que queríamos dizer (e ser ouvidos) era: Não estamos nada satisfeitos com tudo isto que está aí!

EDUARDO RUPP GONZAGA

egonzaga@uol.com.br

Bom Princípio (RS)

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Cuidado

O Brasil acordou, mas os políticos perderam o sono? Temo que não. Retiram os centavos da passagem, aprovam a PEC 37, o controle da mídia, os mensaleiros permanecem impunes e volta tudo ao normal. Na próxima onda de protestos, é possível que surja o Movimento Almoço Grátis, e começa tudo de novo. É bom ter cuidado.

ANTONIO C. DA MATTA RIBEIRO

antoniodamatta@ig.com.br

São José dos Campos 

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Causas concretas

Para sentir o gosto da vitória, precisamos escolher poucas causas que estejamos mais próximos de vencer. Lutamos nas ruas pela saída de Collor. Conseguimos. Sentimento de vitória. Lutamos pelas Diretas Já. Conseguimos. Sentimento de vitória. Desde segunda-feira, corremos o risco de fazer bonito nas ruas, mas ficarmos com a sensação de que não vencemos e de que tudo foi em vão. Sugiro, humildemente, as seguintes causas: mensaleiros na cadeia e não à PEC 37. Um tem a cara da luta contra a corrupção e o outro, a cara da luta contra o atentado à democracia. O sentimento de vitória nos trará forca e crença de conseguirmos outras reivindicações. Quem sabe até os R$ 0,20.

FERNANDO PIERRI

pierri2@icloud.com

São Paulo

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Depois do 17/6

Como ficará o julgamento do mensalão agora? Depois da "primavera brasileira", do seu resultado dependerá a reação popular, não tenham dúvida. O povo decretou: acabou a licença para roubar. Com a palavra, o Supremo Tribunal Federal (STF).

MÁRIO ISSA

drmarioissa@yahoo.com.br

São Paulo

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Ocupem a praça

É preciso que os protestantes redirecionem suas baterias também para o Congresso Nacional, que está armando várias ciladas para o povo e para o País: o projeto do senador Romero Jucá que aumenta os tributos dos munícipes (ISS) para dar às prefeituras mais recursos; a PEC 37, que retira poderes investigativos do Ministério Público (MP); o projeto que autoriza a criação de mais municípios; e a PEC 33, que dá ao Congresso poderes para revisar decisões do STF. É muita audácia dessa gente. Está na hora do nosso Occupy Wall Street. Ocupem a Praça dos Três Poderes! Sem baderna, violência ou depredações. Mas com indubitável e inabalável firmeza.

LUIZ SÉRGIO SILVEIRA COSTA

lsscosta@superig.com.br

Rio de Janeiro

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Despertos

Senhores parlamentares, cuidado, os leões estão acordando.

VALDIR PEREIRA CARDOSO

valdircardoso2012@yahoo.com.br

São Paulo

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MINISTÉRIO PÚBLICO

'Cerco' ao MP

Como membro ativo do Ministério Público paulista há mais de 40 anos, sou forçado a concordar com o editorial O cerco ao Ministério Público (18/6, A3), que conclui que o "cerco" atual contra a instituição deve-se, em parte, à falta de "prudência, sensatez e responsabilidade" de vários de seus integrantes no exercício das atribuições e prerrogativas conferidas pela Constituição. Sabemos que a afoiteza de neófitos e a sedução das luzes da ribalta sobre neófitos e veteranos produziram distorções notáveis e nocivas. Mas, se há defeitos, devem ser corrigidos. Não podem se transformar em razão para inutilizar a atuação de uma das instituições que mais têm contribuído para aperfeiçoar as instituições democráticas.

PAULO REALI NUNES

paulorealinunes@gmail.com

Ribeirão Preto

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PROTESTOS NO PAÍS

O deputado federal Henrique Alves, presidente da Câmara, externou ontem esta surpreendente declaração com relação às manifestações populares ocorridas na noite de ontem: “...não sei a motivação dessas pessoas, não sei que pleitos têm, não sei os objetivos. Assim não há como iniciar uma negociação...”. Não sabe? Será mesmo que teremos que desenhar com todos os detalhes as reivindicações contidas em tantos cartazes,  ressoadas no coro de tantas vozes a vibrar por todo o Brasil para que ele consiga entender o recado das massas? Eu já acho que suas palavras são uma grande prova de cinismo. Será que este político não se apercebeu  do  desrespeito para com a população que estas suas palavras demonstram, preferindo se fazer passar por desentendido a aceitar que são os verdadeiros culpados desta magnífica manifestação de asco nacional?  Sr. Henrique Alves, se o senhor não sabe, então eu lhe explico: demorou, mas a fatura chegou... E vocês,  políticos em geral , estão em dívida com a população... E vão pagar essa conta nas próximas eleições!  O Brasil acordou!

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com 
São Paulo

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O QUE PENSA O POVO

Em nota de ontem, o ministro interlocutor de Lula e Dilma, Gilberto Carvalho, disse não entender os motivos reais desse movimento nacional. Estranho comportamento, pois devia saber até pela função que ocupa. Temos estabelecido pela ciência política que o trio inflação x violência x corrupção derruba qualquer governo. Pode até demorar um pouco, mas o normal é cair. Portanto, senhor ministro, está aí consignado o erro cometido por este governo: detonaram o Plano Real. Aliado a isso, vocês trabalham pela implementação da PEC-37, um retrocesso, pois ela proíbe o Ministério Público da União de investigar os ladrões do erário, a não ser que haja interesse deste governo em dificultar ainda mais as investigações – ainda há tempo de mudanças – diga à sua presidenta assim: vamos dar um pontapé inicial na moralidade, mostrar a esses jovens revoltados e cheios de razão que entendemos as críticas, vamos abolir de vez esses indecentes cartões corporativos, vamos fazer como todo cidadão faz, com seu salário, viaja, compra roupas, alimentos, remédios, enfim, usa seu salário para o sustento; sugira a ela também que, quando desejar perdoar dívidas de qualquer país, sério ou não, faça uma pesquisa popular em que o eleitor dirá se deseja isso ou usar mais verbas nos hospitais ou na segurança ou na seca do nordeste. Aí verás o que pensa o POVO. 

Julio José de Melo julinho1952@hotmail.com 
Sete Lagoas (MG)

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UM PAÍS DE GUERREIROS

Eu não fui à manifestação, desde a primeira delas fui completamente a favor da expressão, mas radicalmente contra atos de radicais que sequestraram uma causa justa para depredar nossa tão castigada cidade. Atrapalharam, quebraram, ameaçaram por muito pouco em um país que tem problemas muito maiores do que os “meros” R$ 0,20. Fui contra e deixei isso muito claro, pois não se pode admitir que, dentre uma maioria pacífica, meia dúzia de baderneiros continuassem a causar muito mais estragos do que soluções e que esta maioria não fosse capaz de segurar uma minoria radical. Fato é que até o momento o MPL insiste apenas na redução e na utópica ideia de passe livre em uma cidade com as dimensões de São Paulo. Junto a eles entraram na onda os da “classe operária” que combatem a “burguesia” com sua cega ideologia, que não enxerga debaixo de seus narizes as mazelas que nos meteram nos últimos 12 anos o “partido do povo” e seus aliados. Mas, vejam só, a manifestação veio até mim, de maneira coesa e pacífica, marchando lentamente por uma das mais movimentadas avenidas da cidade, em pleno horário de pico! Chegaram até a porta da minha casa. Com o barulho crescente chegando até nós, não resisti e decidi levar água para matar a sede daquelas pessoas que, acreditando em um país melhor e não apenas em R$0,20, andaram quilômetros, pessoas de todas as cores, formas e tipo sangüíneo, juntas, caminhando, cantando e lutando por algo em comum, nosso Brasil. Acabei entorpecido por aquela atmosfera de civismo contagiante, entrei na onda por poucos metros, mas o suficiente para sentir orgulho daquele momento, aquele orgulho adormecido, desacreditado, quase em coma por tantos anos de ataques que causaram marcas profundas, daquelas que em determinado momento nos entregamos e chegamos a pensar em desistir. Foram inúmeras tentativas de ver alguma mudança, movimentos do Basta, do Chega, entre tantos e tantas vezes sem resultado algum, e aquela doença se alastrando de maneira descontrolada em todas as urnas do nosso país. Eis que nessa noite ele acordou, levantou-se e foi à luta, mostrou que, apesar do tempo, apesar da vastidão desta enfermidade que tomou conta do Brasil, ainda há esperança, ainda podemos acreditar em um país melhor, menos descarado, mais justo, menos impune, mais solidário, menos esperto e mais correto. Amigos, esta noite foi o dia do “Basta!”, chega de sermos tratados como imbecis, pagando muito caro por nada em troca, morrendo por muito pouco ou quase nada, com medo de nossas próprias sombras nas esquinas mal iluminadas. Chegou a hora de lembrarmos à classe política que a coroa portuguesa já se foi há séculos e que seus ex-súditos não suportam mais tantas mazelas impunes em repetidas investidas contra nossas famílias, nossa pátria, nossa honra, nosso lar. Daqui pra frente ou a coisa anda com reformas aprovadas, corruptos na cadeia, e impostos adequados ou a guilhotina das eleições vai ser afiada e os cabeças das PECs, MPs, 14º, 15º e mensaleiros devem rolar. Boa vida nova para esta nação que mostrou mais do que nunca que é feita de guerreiros. 

Ariel Krok arielkrok@gmail.com 
São Paulo

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BOM DIA, DEMOCRACIA

Assim dizia uma faixa gigante em frente ao Congresso. Não anteontem, mas em 1984. A grande maioria dos manifestantes de anteontem não tinha nascido. Chovia em Brasília, e centenas de manifestantes se abrigaram embaixo de uma enorme bandeira do Brasil e subiram, cantando, a rampa do Congresso. Eu tinha 18 anos na época e fiquei emocionado, como toda minha geração, de ver aquelas imagens ao vivo. Havia uma causa muito concreta. O povo lutava e vencia a ditadura militar, o autoritarismo político, e voltava a sonhar com um Brasil como deve ser. Soberano, democrático, desenvolvido, socialmente justo e solidário. O sonho tinha a trilha sonora de Milton Nascimento: “Coração de Estudante”, “Canção da América” e outros. Quase três décadas depois, com um Brasil diferente (até certo ponto), o que significam as manifestações de ontem? Qual é seu alcance e que esperanças de mudança podem despertar? O denominador comum é uma insatisfação difusa, espontânea e desorganizada, que abarca, sem a consciência e a elaboração política da década de 1980, causas tão diversas como passagens de ônibus, insegurança, corrupção, agenda LGBT, inflação, PEC 37 e uma Copa superfaturada que fez a alegria das empreiteiras e atravessadores políticos, mas ainda não trouxe benefícios concretos para o povo , sendo, ao contrário, percebida como desvio de recursos que deveriam ir à saúde e à educação. O Brasil mudou materialmente, tornando-se pela primeira vez na História um país de classe média. As manifestações representam o primeiro evento de um país majoritariamente de classe média, com todos os seus méritos, ambiguidades e hipocrisias. Não se trata mais da luta de classes, de privilegiados querendo manter as estruturas de opressão social, e do povão lutando por justiça. É preciso que os manuais de sociologia e política se atualizem para compreender o que está passando no Brasil. Tentar interpretar o que está passando com base em ideologias e estereótipos acadêmicos não vai funcionar. O Brasil não é para principiantes nem para dogmáticos e simplistas. O espaço público voltou a ser ocupado para fins políticos de mudança, aproveitando a grande visibilidade internacional do momento brasileiro. Desceram às ruas, saindo do Facebook e do sofá e caminharam, lado a lado, extrema esquerda e conservadores de direita, evangélicos e gays, funcionários públicos e professores mal pagos, cidadãos que distribuíam flores e vândalos, curiosos e militantes. Amálgama bastante improvável, que precisa ser bem compreendida. Reclamavam sobre os comentários do Jabor, que disse que não valiam 20 centavos, contra a violência policial, contra a presidenta Dilma (alguns, oportunisticamente, como não conseguem mudar pelo voto, já propõem o impeachment, enquanto outros, sem qualquer consciência política, social e histórica, chegam a pedir a volta da ditadura militar). Volta a manifestar-se o Brasil mestiço. Um país extraordinário que mescla raças, credos e temperos, mas também ideologias e causas políticas. De forma difusa, desorganizada, espontânea, indo além das conspirações de praxe, sem lideranças pessoais ou de grupos específicos que possam capitalizar os eventos, mas com a irreverência poderosamente destruidora do mal político, com uma anarquia bem humorada, criativa, e paradoxalmente séria e contundente. O que vai acontecer com esse tsunami de cidadãos e causas tão díspares e contraditórias? O que vai acontecer com essa grande energia política liberada ontem, que até agora ninguém nem nenhum grupo soube canalizar? Ela vai se dispersar, como nos anos 1980, após a redemocratização? Será ela domesticada em proveito próprio por políticos profissionais, que burocratizam a causa popular – ou, pior, pela politicagem corrupta de sempre, que abafa as esperanças para manter os mesmos grupos no poder, enquanto os manifestantes voltam para suas poltronas? A resposta será dada pela capacidade de sair do oba-oba (no caso, do contra-contra) e de organizar de forma eficiente essa energia política e social, canalizando-a para que opere mudanças de mentalidade, de padrão de votação e de avanços institucionais. Essa insatisfação precisa traduzir-se em votos e em pressão popular para que se conheça o diagnóstico do País e se implementem agendas de desenvolvimento humano e sustentável. Termino com um único exemplo: a educação, que conheço mais de perto, por ter trabalhado na área. Reclama-se que o governo não está investindo na área. É preciso que os manifestantes – se é que querem ser sérios – conheçam a realidade, para reivindicar corretamente. Basta pesquisar os números. Na última década, os recursos federais no setor multiplicaram-se com o Fundeb, foram abertas várias universidades públicas, aumentado o número de vagas, ampliadas as oportunidades via Prouni, implantaram-se programas de merenda escolar (uma população maior que a Argentina tem comida grátis nas escolas todos os dias, comprada da produção da agricultura familiar), livros didáticos gratuitos (mais de 40 milhões de crianças recebem livros todos os anos sem gastar nada), informatização nas escolas e vários outros programas. Isso no plano federal. Mas a educação primária é atribuição das Prefeituras e a secundária, dos Estados. Aí está o gargalo, aí está a corrupção, aí está o desvio de recursos, aí está o desrespeito ao professor. Para que a maravilhosa energia social de transformação política realmente seja eficaz para mudar o País, é preciso que também haja pressão sobre prefeitos, vereadores, governadores e deputados estaduais. Mas quantas manifestações você viu nas Prefeituras, nos Palácios de Governo, nas Câmaras de Vereadores e nas Assembleias Legislativas em favor da educação local, das condições de trabalho e de salário dos professores, da segurança e da infraestrutura das escolas e em benefício dos alunos? Enquanto os manifestantes não descerem fundo e pressionarem no nível local, no bairro, nas instituições de ponta, aquela energia vai se dispersar e nenhuma mudança ocorrerá. O problema é que essa pressão eficaz, do dia-a-dia, não sai no Facebook e na imprensa internacional. Mas é ela que realmente transforma. O resto é festa e circo.
 
Alessandro Candeas acandeas@gmail.com 
Brasília

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AVESTRUZ
 
Com a cabeça incrustada na areia, sem sentir e ver os perigos do mar furioso, a presidente Dilma rasgou elogios aos manifestantes, à polícia e a seu próprio governo. A presidente ainda continua a viver no mundo do Dr. Pangloss em que se transformou o Brasil do pós-crise: eufórico, cosmético, sem fundamentos sólidos, mas a bola da vez, que iria decolar numa espaçonave pilotada pelo cara. Não é bem o que reside nas consciências críticas que empolgam as ruas num movimento cuja espontaneidade faz arder os cérebros de sociólogos e políticos surpreendidos em suas moradas confortáveis por um vendaval ameaçador. 
 
Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br 
São Paulo

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PANELA DE PRESSÃO
O Governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad, nos primeiros dias do protesto contra o aumento das tarifas de ônibus, se posicionaram como todo governante brasileiro: intolerantes, autoritários e fechados ao diálogo. Agora que o movimento se espalhou por todo o Brasil, arrepiando com seu tamanho, organização e abrangência, inclusive no exterior, cedem e voltam atrás em suas decisões truculentas...  O governador ordena a redução do número de agentes e da truculência policial, enquanto o prefeito Haddad já aceita o diálogo. Infelizmente, no Brasil as coisas só funcionam por meio de pressão, muita pressão.

Habib Saguiah Neto saguiah@mtznet.com.br 
Marataízes (ES)

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O DIREITO DE SER BRASILEIRO

Prezado senhor ministro Gilberto Carvalho: soube pela imprensa que o senhor está confuso com relação aos protestos que estão ocorrendo por todo o território nacional, correto? Pois bem, querido ministro: como está havendo dificuldades de entendimento por parte do governo federal, venho, por meio desta, explicar-lhe. Nós, brasileiros, queremos algo muito simples. Queremos transparência, honestidade, respeito! Queremos uma reforma tributária digna, educação de qualidade, direito à saúde, mas estou falando de saúde de verdade, saúde digna! Queremos mudanças, fim da corrupção, aplicabilidade das leis, como deve ser. Queremos um Brasil claro, uma nação forte de todos os lados, não só para os barões. Queremos um pedido de desculpa bem grande, do tamanho da nossa indignação, por tudo que esse povo trabalhador e bravo tem passado com toda essa crise. Queremos salários dignos, tratamento digno, não essa farsa, essa maquiagem que o governo mostra todos os dias na televisão, esses números mentirosos, essas explicações sem sentido, esse roubo. Nossa, nós queremos tanta coisa, Exmo. Sr. ministro Gilberto, mas, de repente, para ficar mais fácil, posso resumir tudo em uma só palavra, queremos ter o direito de ser brasileiros.
Entendeu?

Glauber Menezes glauber.menezes@hotmail.com 
Ourinhos

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CAMÕES, ONTEM E HOJE

Recorro aos versos camonianos, que tanto aprazem à rainha Dilma, para dizer neste momento de fúria incontrolada: “Por mares nunca dantes navegados, Passaram ainda além da Paulista, E entre gente remota edificaram, Novo reino que tanto sublimaram"

Alberto Bastos Cardoso de Carvalho albcc@ig.com.br 
São Paulo

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CLARO RECADO

Segundo o ministro Gilberto Carvalho, o governo ainda tenta entender o que motivou as manifestações. Deve estar de gozação. Ele acha, por acaso, que o governo é uma pérola, que está tudo certo ou que estamos numa Ilha da Fantasia? Deve estar delirando. Não entenderam o recado? Se esse governo ainda tenta entender um recado claro como este, não merece ser governo. A lamentar, apenas que os protestos contra os gastos para a Copa das Confederações e do Mundo tenham vindo tarde demais. Os gastos já ocorreram. Pouco ou nada há a fazer, mas valem para melhoras na saúde, educação e outros setores carentes.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com 
Vila Isabel

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MENOS QUE UM SONHO

Seguramente não é esse o Brasil que sonho para meus netos: a baderna, a barbárie, a covardia, o ódio e a estupidez açoitando aqueles que realmente lutam, trabalham, reivindicam por dias melhores, por mais justiça social, mais empregos, mais segurança e mais saúde.  Os brasileiros, especialmente os jovens manifestantes, felizmente são a maioria esmagadora dos movimentos que sensibilizam o País inteiro. O bom senso não pode tolerar que arruaceiros e vândalos dominem as manifestações. Sob pena de elas perderem a grandeza, os altos sentimentos e os objetivos por que nasceram e, pelo visto, vão prosperar em grande escala. Os governantes já sentiram a pressão. Não são tolos de não adotar providências urgentes e firmes que sensibilizem a população, demonstrando, na prática, com decisões políticas, que povo e governantes caminham juntos por um Brasil mais digno e com melhores condições de vida para todos. 

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com 
Brasília

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INVERNO BRASILEIRO

De repente, do nada, surgiu a Primavera Árabe, que vem sacudindo regimes autoritários, violentos repressores de qualquer tentativa de contestação. Eis que, agora, chegando o dia 21, brotou também de repente o “Inverno Brasileiro”, com multidões indo às ruas para manifestar sua insatisfação. O que começou como simples protestos contra aumentos de passagens desabrochou com exuberância e começa a balançar não só as grades do Palácio do Governo de São Paulo e as portas da Assembleia do Rio de Janeiro, mas as próprias estruturas podres da política nacional. As novas gerações romperam a postura de acomodação e submissão que caracterizavam o povo brasileiro e, enojadas, foram às ruas para protestos difusos, mas todos oriundos do repúdio às falcatruas, às maracutaias e à canalhice generalizada, há muito praticadas impunemente por nossos políticos e governantes. Feliz inverno, Brasil!
 
Hélio de Lima  hlc.consult@mail.com 
São Paulo

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PRIORIDADES
              
São Paulo pergunta: ­-E aí, D. Dilma, trem-bala ou linhas de metrô para São Paulo?
 
Tania Tavares taniatma@hotmail.com 
São Paulo    

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AVANTE

Grande dia o de anteontem, quando tivemos um Brasil com corações batendo a um mesmo ritmo, sentindo igual, numa sintonia espetacular! Os milhares de brasileiros que se manifestaram nas ruas de inúmeras cidades, fora do País igualmente, foram a voz de toda a Nação para gritar um grande basta! Pulsação incrível! “O gigante acordou”: palavras de ordem que se ouviam entre protestos contra a corrupção, gastos com estádios, aumento de tarifas de ônibus, violência e mesmo contra nomes de nossa representação política como o de Lula, da presidente Dilma Rousseff e, claro, do inesquecível Sarney.  Parabéns, jovens, por buscarem seu futuro impondo uma agenda de modificações!  Nós, gerações à frente, estamos integralmente com vocês nessa busca! Avante!

Myrian Macedo myrian.macedo@uol.com.br 
São Paulo

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ANTES CONTRA, AGORA A FAVOR

O governador tem o que comemorar: houve uma aula de civilidade e democracia por parte do Palácio dos Bandeirantes. Se a ideia era criar um mártir usando São Paulo como estopim, o tiro saiu pela culatra, porque o movimento nasce aqui e se espalha pelo Brasil. Não é todo dia que uma passeata varre 11 capitais. O governo de São Paulo soube segurar a turba sem agressão, embora, como disse o ministro da Justiça dias atrás, o pessoal que provoca a baderna e o quebra-quebra é veterano e fez escola no PT. Outro dado interessante: quando se usa a força aqui em São Paulo, a polícia do PSDB é violenta; quando se usa a força em Brasília, o mesmo partido se cala. Eu, de minha parte, fiquei feliz com essa juventude que foi às ruas e sou humilde em dizer que, no começo, eu era contra, mas depois de ontem percebi que o jovem não está tão alienado como querem alguns.
 
João Camargo democracia.com@estadao.com.br 
São Paulo

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UM POEMA

Esse poema é para vocês do Estadão. Talvez o único jornal que tem feito uma cobertura mais completa dos protestos. Chama-se “Gesto Sincero”: Um abraço, um afago de quem só ri/ Oscar Niemeyer/ Aposto que lá do céu/ sorri,/ ... Ri da ocupação/ Ri da revolução/ Ri do gesto/ Ri do abraço, afago sincero do povo no Congresso/ Quero te ver ali/ Todos juntos, agarradinhos/ Vem pra rua, vem pro monumento/ Neste momento único, leve, de movimento/ Os carros vão parar/ Vem andar de “busão”/ Chega de confusão/ E vem me ABRAÇAR./ Teu lastro, no mastro, um legado/ O povo se cansou e Niemeyer sorri Vem mostrar sua face/ Vem protestar/ Testar a sua coragem Eu não tenho medo de bala de borracha/ E nem de tiro nos “zóio”/ Vem, dê passos largos/ Mudança nessas andanças/ Em todo o País

Andreia Juliana Coutinho deiuxca@gmail.com 
Cuiabá

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IMORALIDADES
 
Parece esperemos os desdobramentos – que o povo começa a acordar.   Num país onde a “oposição” não passa de uma ficção; num país onde a maior parte da imprensa vive atrelada às gordas verbas publicitárias governamentais; num país onde o circo predomina, mas o pão escasseia; as demonstrações públicas dos últimos dias parecem mostrar que o chamado "povo" começa a acordar. É salutar que, após muitos anos de     “silêncio”, o povo deste país saia às ruas para protestar contra a transformação desta nação num imenso circo onde os discursos ufanistas substituem as ações, onde a canalhice impera, onde o futebol tornou-se o verdadeiro “ópio do povo”. O aumento – até irrisório – das passagens é apenas o estopim para que os protestos surjam.  Para ser honesto, foi uma surpresa para mim o alcance da reação pública. A parte venal da imprensa sempre vendeu para o público  o  discurso dos  políticos  de  que  somos  um  povo  "pacífico". Sim, “pacífico”, sim, mas não impossível de reagir contra o esbulho. Está  na  hora  de a  imprensa   deixar  de  lado  o  discurso  ufanista   dos  políticos  e  parar  com  essa  frescura   de  que  somos   um  povo   pacífico.   Há  diferença  entre  ser  pacífico  e   ser  idiota. Como  venho  dizendo – e outros  também – o que  é  prioritário  para  este  país: são a  educação,  a saúde, um transporte decente, todas causas esquecidas   pelo  poder,  substituídas   por  um  falso   discurso ufanista que  esconde  a  corrupção.  Sediar uma copa de futebol e uma olimpíada, gastando milhões (tudo superfaturado) em estádios suntuosos onde faltam hospitais, escolas e transporte decente é imoral.

Roberto de Almeida robmeida22@gmail.com 
São Paulo

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UMA LIÇÃO

Era de se esperar que grupos politizados e raivosos aproveitassem os protestos legítimos da população para radicalizar. Em parte entendemos, porque o mau uso dos recursos causa revolta. Afinal, são muitas as necessidades prioritárias do povo na educação, na saúde, na segurança e também nos transportes que estão relegados pelo poder público em prol das obras fantásticas apenas para distração. Sem falar na montanha de dinheiro do contribuinte nas alianças políticas visando reunir o máximo de partidos no intuito de continuar usufruindo da luxúria e riqueza de governantes e parlamentares contra um povo que cada vez mais depende do Bolsa Família. É uma pena que uma manifestação que começou pacificamente termine dessa maneira, mas que sirva de lição para todos que conduzem os destinos do País.

Odiléa Mignon cardosomignon@gmail.com 
Rio de Janeiro

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CLARIVIDÊNCIA

Como o movimento toma corpo em todo o Brasil, nossos políticos mais e mais começam a concordar que essa juventude está com suas razões para tais protestos e reivindicações. Como os políticos são bonzinhos e dotados de clarividência não?

José Piacsek Neto bubanetopiacsek@gmail.com 
São Paulo

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CADA POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE?

Tolo daquele que pensa que a humanidade caminha pelos passos dos homens! De fato, ela foi criada pelo próprio homem, suposto ser racional, mas, acima de tudo, um animal político. E que, por ser animal, vive em função dos próprios instintos e sobrevive pelo alimento que come, pela água que bebe, pelo ar que respira e pelo sono que o prepara, treinando-o para o ansiado sono eterno! “E daí, José?”, como diria Drummond... Daí que os últimos acontecimentos mundiais, a partir da Primavera de Praga ao Outono Brasileiro, o que vemos, sentimos e, mais que tudo, raciocinamos, é que a velha frase de que “cada povo tem o governo que merece” está sendo invertida, pelo próprio povo, para “nenhum povo, por pior que seja, é pior do que qualquer governo, por melhor que seja”. Em nosso Brasil, este movimento de afirmação popular, criando a moderna, combativa, e resoluta opinião pública – que, se até o momento tem sido manipulada pelos desgovernos de direita, de esquerda “et caterva” – demonstra agora que já não tem mais paciência para ouvir blá-blá-blás, conversas fiadas, discursos demagógicos, cinismos ideológicos e até mesmo sermões religiosos cujo interesse maior e definitivo é o poder de tiranos sobre o sempre escravizado cidadão! O famoso adágio popular “quem tem boca vai a Roma!”, no Brasil, sempre substituído por “quem tem papo vai a Brasília!”, já não funciona mais para a leva enorme de jovens corajosos e esclarecidos que servem de exemplos aos brasileiros mais velhos e até a esse enorme contingente de idosos lúcidos, inimigos do Alzheimer e do Mal de Parkinson, pois jamais tremerão na luta pela verdadeira cidadania democrática que se inicia, inquestionável e irreversível, na terra de Rui Barbosa! 
                                             
Sagrado Lamir David david@powerline.com.br 
Juiz de Fora (MG)

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‘EMPRESA BRASIL

O povo está cansado de pagar impostos sem retorno e com os noticiários de malfeitos impunes, dos governos estaduais, municipais e, principalmente, do federal, que não valem nem 20 centavos. Parece que o patrão de todos os poderes resolveu dar uma bronca nos muitos empregados por serem desonestos,  trambiqueiros, preguiçosos e só pensarem em si mesmos e não na “empresa Brasil”. A queda da nossa moeda frente ao dólar e ao euro retrata a opinião internacional sobre os governos. Chega de pão e circo.
   
Mário A. Dente dente28@gmail.com 
São Paulo

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BALA PERDIDA
 
Eu acho que o tiro saiu pela culatra.  O PT, em sua ânsia de querer conquistar o governo de São Paulo a qualquer preço e para denegrir a imagem do atual governador, Geraldo Alckmin, lançou uma pseudo-manifestação, com direito a vandalismo e quebra-quebra, chamando a polícia para a briga, para depois jogar a culpa no governador. Mas a população brasileira gostou da ideia e resolveu ir para as ruas, reivindicando tudo o que está entalado na garganta: o fim da corrupção, prisão aos mensaleiros, abaixo a PEC 37, não aos estádios, sim a escolas, hospitais, mais policiais, menos criminalidade, menos violência... Enfim, cada um com sua justa reivindicação, mas sempre pensando em um Brasil melhor. Com certeza essas manifestações, que a cada dia ganham mais adeptos, estão tirando o sono da presidente Dilma e seus ministros, dos deputados e senadores, dos ministros do Supremo Tribunal Federal, além dos governadores estaduais. Quando o PT criou a CPI do Cachoeira para tentar desviar a atenção do julgamento do Mensalão e para prejudicar o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), inimigo de Lula, o tiro acertou o próprio pé do PT. Agora, para prejudicar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o PT atirou e novamente errou o alvo, atingindo o próprio coração.
 
Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br 
Americana

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ESTADO PARALELO

Foi muito estranho o que aconteceu no Rio de Janeiro no final da manifestação de anteontem, que começou pacífica e acabou em vandalismo. Policiais ficaram acuados dentro da Assembleia Legislativa da cidade, aparentemente sem nenhum aparato policial mais forte, machucados e em número muito inferior aos jovens enfurecidos. Muito tempo depois, a polícia tática chegou, dispersando os manifestantes. Foi angustiante ver pela TV que a força policial nunca chegava para dar suporte aos policiais acuados. Se fizeram isso para não haver confronto, foi simplesmente uma atitude vergonhosa. Porque o que vimos ali foi coisa de bandidos, que resolveram descer dos morros travestidos de jovens estudantes e acabar com aqueles que impuseram a “pacificação nos morros”, tirando deles o ganha-pão. Com certeza o Estado se omitiu, dando aos bandidos a palavra de ordem. Por essas e outras que os morros do Rio de Janeiro se transformaram num Estado a parte!

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br 
São Paulo

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COBERTURA PECULIAR

Com todos os canais de TV reportando as passeatas, não consegui ler o que diziam os cartazes dos outros protestos além dos contra o aumento das passagens. Apareciam em flashes rápidos ou borrados. Estranho!

Suely Jung sjungborges@hotmail.com.br 
São Paulo 

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O BRASIL ACORDA

Foi preciso o Estado de São Paulo se movimentar para que o Brasil acordasse. A manifestação que vemos pelo País demonstra que as falsas pesquisas tentam de todo modo induzir o povo brasileiro a acreditar que tudo vai bem. Basta de tanta corrupção, tanto desvio do dinheiro público, tantos impostos e taxas que corroem o bolso deste povo que trabalha cinco meses para pagar as mazelas do governo, sem retorno qualquer ao cidadão. A foto do povo no prédio do Congresso é de arrepiar. Espero, no entanto, que tais manifestações não descambem para um “Rio Centro”.
 
Claudio Mazetto cmazetto@ig.com.br 
Salto

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AS CHAGAS DO PAÍS

Agora, a presidente e o apedeuta de mostram todo o cinismo próprio dos políticos, declarando que vivemos em uma democracia e que toda manifestação é legítima e que é próprio dos jovens reclamarem, com o intuito de dizer que estas manifestações não os atingem. Depois de ouvir essas declarações, o povo deve redobrar suas forças e, com coragem, exigir o fim da corrupção e da impunidade, verdadeiras chagas que cobrem o Brasil de vergonha!

José Carlos Costa policaio@gmail.com 
São Paulo

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MARIAS ANTONIETAS

Os protestos que tomam conta do Brasil, talvez nunca antes vistos em tais proporções, são o recado aos nossos políticos, longamente esperado, de que o caldo entornou. Não são, evidentemente, como já o disseram tantos, os vinte centavos de aumento no preço da passagem dos ônibus, que já subiu em porcentuais muito maiores noutras ocasiões. O recado que está sendo dado é o de que ninguém mais tolera esperar dias, meses ou anos por uma simples consulta, exame ou mesmo cirurgia através do Sistema Único de Saúde. A população manda dizer que está farta de um sistema de transportes saturado e ineficiente, do descaso das autoridades, da exasperante lentidão da Justiça, da impunidade usufruída pelos condenados do esquema do mensalão e tantos outros; de um sistema de educação de quinta categoria. Suas excelências não imaginavam que a mansa população brasileira viesse a se atrever a invadir a cúpula do Congresso Nacional; confiantes na perpetuidade do conformismo brasileiro, nossas Marias Antonietas se imaginavam seguras no aconchego de seus palácios; jamais poderiam pensar que um dia a casa iria cair. Mas caiu, está caindo. Os dez anos do engodo encenado por Lula deram nisso. Em inflação de volta e ascendente, povo descontente, economia se fragilizando, justiça desacreditada e Congresso abaixo da crítica. O “protesto dos vinte centavos” vai muito além, fala do foro privilegiado, dos carrões oficiais, da aposentadoria como “punição” para magistrados, dessa sociedade orwelliana cuja Constituição diz solene e inutilmente que todos os homens são iguais, mas omite que muitos são mais iguais que os outros. Assim, o mínimo que os observadores podem fazer é enaltecer a coragem daqueles que vão às ruas, arriscando suas vidas ou sua integridade física para que alguma coisa, ou muita coisa, finalmente mude neste país que nós tanto amamos.
 
Luiz M. Leitão da Cunha luizmleitao@gmail.com 
São Paulo

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MARCHAS E MARCHAS

Embora a imprensa só se refira à manifestação dos “caras pintadas” como referência comparativa a movimentos sociais anteriores no Brasil, lembro-me muito bem da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que, só em São Paulo, em 19 de março de 1964, reuniu aproximadamente 500 mil participantes que caminharam, pacificamente, da Praça da República em direção à Praça da Sé.

Sergio S. de Oliveira marisanatali@netsite.com.br 
Monte Santo de Minas - MG

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‘TERRORISMO’

No dia 30/10/2007, veio a grande notícia: a Copa do Mundo é nossa! O Comitê Executivo da Fifa nessa data havia  confirmado, na Suíça, que o Brasil seria o país-sede da Copa do Mundo em 2014. As TVs mostraram a emoção dos políticos brasileiros, que assistiam o evento e que atuaram com uma insuspeita surpresa ao anúncio... Aparentemente nada tinha sido pré-combinado. As lágrimas copiosas de Lula da Silva, porém, não me emocionaram, pois eu só conseguia pensar no jeito muito peculiar da administração do PT e de como o governo de Lula cuidaria dos preparativos para um evento da magnitude da Copa, no rombo que isso significaria para os cofres e em como a população seria sacrificada. Mas falar disso à época era ser considerado anti-brasileiro,um pessimista, um inimigo de Estado. Pois vejam onde se localizou, no final das contas, o calcanhar de Aquiles do governo do PT a provocar tamanha insatisfação por todo o País: o que começou com um protesto contra o aumento de tarifa de transportes em São Paulo e contra uma alegada atuação muito rígida da PM paulista desembocou numa mega manifestação de proporções nacionais voltada toda para a malversação dos gastos da Copa em prejuízo dos serviços básicos para a população! Realmente, a justiça tarda, mas não falha! Acabou-se a era do pão e circo que satisfazia uma parcela expressiva da população. O governo não contava que a crise econômica acabasse por jogar todos os brasileiros insatisfeitos no mesmo balaio de gatos da inflação. Mas afirmar isso agora é próprio de terrorista... Segundo Dilma.

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com   
São Paulo

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O DOCE SABOR DO PODER

Houve tempo em que qualquer manifestação popular de reivindicações e protesto era plena de idealismo e combatividade de entidades tais como a União Nacional dos Estudantes, sindicatos, das centrais sindicais, de artistas e professores e várias outras associações da sociedade civil. Por onde andarão essas pessoas e entidades? Os “Zés Dirceus”, os “Genoínos”, os “Lulas”? Certamente saboreando o doce sabor do poder, das mordomias, das benesses, agarrados aos cargos.
 
Luiz Nusbaum, médico lnusbaum@uol.com.br 
São Paulo

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OS VERDADEIROS ALVOS

Culturalmente, a baderna e a depredação já fazem parte dos protestos e manifestações do povo brasileiro, que nunca atingem o alvo ou os verdadeiro culpados, aqueles que os levaram a protestar. Ou seja, os políticos que nada fazem. Aos manifestantes eu sugiro que se organizem e procurem atingir o verdadeiro alvo. Façam como os torcedores que vaiaram a presidente Dilma , que por sinal, foi atingida frontalmente, sem nenhuma violência.

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@hotmail.com 
São Paulo

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GOTA D’ÁGUA

Nunca pensei que 20 centavos de aumento nas tarifas das passagens dos ônibus de transporte na nossa capital tivessem tanta força para explodir por vários dias em nossa São Paulo protestos de multidões, acompanhados pelos mais variados tipos de vandalismos, como incêndios nas ruas, em automóveis, depredações em casas comerciais, ataques a policiais com pedras, pedaços de canos de ferro, etc., tornando nossa capital em um verdadeiro caos, com todas as suas más e nefastas consequências. Essa dita explosão popular encorajou e serviu de exemplo para outras, pelos mesmos motivos e com práticas semelhantes nas principais capitais de nosso país. Será que tudo isso não passou de mero pretexto, de uma simples gota d’àgua que entornou o copo, que estava cheio de tanta corrupção, de tanta roubalheira do dinheiro público, de tanta malversação na administração dos altos cargos do nosso atual governo? Só deus sabe!

Antonio Brandileone abrandileone@uol.com.br 
Assis

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BOM DEMAIS PARA SER VERDADE

É muito bom para ser verdade! Não acredito no que vi nessa ultima manifestação. Será que a cegueira coletiva está acabando?
Precisaram 10 anos para o povo perceber que compraram gato por lebre? Que foram vítimas de propaganda enganosa, de um eficiente marketing, criando lindas embalagens para produtos de qualidade duvidosa? Foi bonito ver, principalmente por ter sido um movimento, até onde meus olhos alcançaram, apartidário. O povo brasileiro está há 10 anos vivendo à mercê de um governo e o custeando, um governo que não tem um projeto para o País, e sim um projeto de poder. Que o povo mostre a sua força, aprendendo a protestar. Falta agora aprender a votar.

Heloisa A. Martinez heloisa_martinez@hotmail.com 
Mogi das Cruzes

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