Fórum dos Leitores

POLÍTICA ECONÔMICA

O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2013 | 02h11

Câmbio em alta

O tripé do Plano Real parece estar cada vez mais distante. Nem bem comemoramos a queda da inflação e logo em seguida o câmbio sofreu avanços significativos. Com isso muitos insumos subirão de preço, bem como as mercadorias que se baseiam em moeda estrangeira quando chegam ao mercado interno. Contas públicas ruins, balança comercial em desvantagem e câmbio em alta, se o governo não abrir os olhos rapidamente vai escancarar-se uma série de problemas nos próximos anos, e de soluções imprevisíveis.

CARLOS HENRIQUE ABRÃO

abraoc@uol.com.br

São Paulo

Inflação

Os preços estão caindo porque está caindo o poder aquisitivo dos brasileiros, e não como resultado de medidas macroeconômicas do governo.

FRANCISCO JOSÉ SIDOTI

fransidoti@gmail.com

São Paulo

Dólar

A disparada do dólar neste ano mundo afora é o indicador de que os países desenvolvidos estão saindo da crise, acelerando adiante com o câmbio engatado em primeira marcha, enquanto o Brasil segue desacelerando, em marcha à ré, rumo ao despenhadeiro. A propósito, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o "câmbio é flutuante, não tem teto nem tem piso". Exatamente igual à economia brasileira, suspensa no ar como um balão furado à deriva, sem norte, ao capricho dos ventos. Até quando?!

J. S. DECOL

decoljs@globo.com

São Paulo

Incompetência ou má-fé?

A presidente Dilma Rousseff e seu ministro Mantega continuam afirmando que tudo está bem na economia do País. A maioria esmagadora dos analistas, porém, diz em todos os veículos de comunicação que a situação é desconfortável. Ora, o nosso anêmico produto interno bruto (PIB) não cresce, o dólar e o euro estão com sua cotação nas alturas, o preço do petróleo é um tormento para a Petrobrás. Então, quem está certo? Há aí incompetência administrativa ou má-fé dos informantes? Vai entender...

ADEMAR MONTEIRO DE MORAES

ammoraes57@hotmail.com

São Paulo

Contabilidade criativa

Era uma vez um empresário nada sério que contratou um contador e determinou: "Seja criativo e faça um balanço para mim, outro para o banco e outro para o fisco". O tempo passou, o contador resolveu ser mais criativo e... Adivinhem o final.

SÉRGIO BARBOSA

sergiobarbosa@megasinal.com.br

Batatais

IMAGEM RURAL

Educação do campo

A respeito do conteúdo do artigo Chico Bento e a imagem do campo (20/8, A2), do sempre competente sr. Francisco Graziano, devemos lembrar o que segue. A imagem do campo, como estrutura arcaica e descompassada com a contemporaneidade brasileira, tem base na falta de compromisso com a educação do campo. Em qualquer esfera federativa, por mais que se promovam decretos, leis e resoluções, não conseguiremos definir uma educação para a população rural sem que existam condicionantes para tal. É incoerente que o Ministério da Educação, via Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (Pnate), faça o translado de alunos de zonas rurais para a dita "urbe" e a mesma pasta publique, em 3 de julho, a Portaria n.º 579, que institui a Escola da Terra. Como é possível que crianças de áreas rurais criem raízes, se lhes é condicionado o estudo apenas ao ensino fundamental dos anos iniciais no campo? O direito à educação é base constitucional. Porém promover a educação transportando alunos por horas, às vezes acordando às 5 da manhã e retornando a casa às 2 da tarde, capacita esse estudante para o ensino de qualidade? Somos avessos a uma reforma que possibilite integrar ensino, aprendizagem e identidade. Vejo pelo meu Vale do Paraíba, que tem apenas uma escola técnica agrícola, numa cidade de médio porte com características marcantes de urbanidade. Adequamos o aprender, em todas as esferas federativas, volto a dizer, ao urbano. Devemos qualificar o nosso homem do campo, em todos os níveis de educação básica, média e superior, para que se torne sujeito da sua ação social, e isso não se faz incapacitando-o de sua identidade!

HUMBERTO ALCKMIN

halckmin@hotmail.com

Guaratinguetá

HERBALIFE

Padrão de qualidade

Em resposta à matéria publicada ontem no Estado reportando fatos ocorridos no início do ano de 2011 (EUA investigam contaminação em pó da Herbalife, B14), é importante ressaltar que a planta da Herbalife em Lake Forest, na Califórnia (EUA), opera com o mais alto padrão de qualidade. As normas sanitárias e os procedimentos operacionais são projetados para atender - ou excedê-las - às boas práticas de fabricação apropriadas para alimentos e suplementos dietéticos (cGMP). Durante o início das atividades da unidade na Califórnia, no final de 2010, os nossos sistemas de controle de qualidade foram implementados e asseguraram o funcionamento como planejado, garantindo que eventuais produtos que não estivessem em conformidade com os altos padrões de qualidade da Herbalife fossem detectados e destruídos. Além disso, de acordo com o compromisso de segurança e qualidade, e em conformidade com as orientações da Food and Drug Administration (FDA) - agência americana que regulamenta fármacos e alimentos -, os processos de controle de qualidade da Herbalife garantiram que somente os produtos seguros fossem enviados aos consumidores. Portanto, reafirmamos nosso firme compromisso com a segurança alimentar e com os mais altos padrões de qualidade na fabricação de nossos produtos. A Herbalife é uma empresa global de nutrição que comercializa produtos de controle de peso, nutrição e cuidados pessoais para um estilo de vida saudável. Os produtos Herbalife são vendidos em mais de 80 países por meio de uma rede de distribuidores independentes. A companhia mantém a Herbalife Family Foundation e o programa Casa Herbalife, que oferece cuidados nutricionais para crianças em situação de risco social. No Brasil, a empresa é associada à Associação Brasileira de Empresas de Vendas Direta (ABEVD), que é filiada à Federação Mundial de Associações de Venda Diretas (WFDSA). No site Herbalife.com.br são postas à disposição informações complementares sobre a companhia e os produtos e no site http://ir.Herbalife.com pode-se ter acesso a indicadores financeiros. A Herbalife incentiva os investidores a acessarem periodicamente os sites.

ROBERTA SANTORO, pela Herbalife International do Brasil

roberta.santoro@cdn.com.br

São Paulo

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CASO SIEMENS

Tribunal de Contas do Estado (TCE) quer declarar inidôneas as empresas envolvidas no caso do cartel dos trens. Demorou, ou será que existe diferença entre corruptor e corrompido? Embora nenhum dos dois, mesmo condenados, pague suas penas, o corruptor quase sempre é esquecido, coisa de nossa cultura...

Arnaldo de Almeida Dotoli

arnaldodotoli@hotmail.com

São Paulo

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POPULISMO BARATO

Dilma Rousseff anda desesperada para construir uma marca positiva em seu medíocre governo. Já que não consegue emplacar investimentos, tampouco reduzir a inflação, agora a presidente e seus camaradas estão 100% empenhados em carimbar o seu maior concorrente ao Planalto, em 2014, o PSDB, com as denúncias vindas do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre superfaturamentos em compras de trens para o Metrô e a CPTM por governos tucanos de São Paulo. E o ministro Gilberto Carvalho, fiel escudeiro de Dilma, afirmou que as investigações serão feitas "doa a quem doer". Certamente porque, e por experiência própria, os petistas sabem o tamanho da dor e do horror político causado pelo mensalão na imagem do PT. Se o PSDB, como o PT do mensalão, também transgrediu, como apontam as supostas denúncias, que pague por isso. Mas populismo barato vindo do Planalto, esse desprezamos.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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ARGUMENTO PUERIL

"Não posso aceitar acusação de politização da investigação do cartel. Se empresa vem ao Cade, como o órgão pode ser acusado de estar politizando?", indagou Gilberto Carvalho. A pergunta é: a Siemens foi ao Cade espontaneamente ou a Siemens foi "convidada" a ir ao Cade para assinar um acordo de leniência equivalente a uma delação premiada, caso entregasse os detalhes do cartel nos trens? Outra pergunta: se a Siemens apontou não só as velhacarias cometidas por ela em conluio com funcionários públicos no Estado de São Paulo, mas apontou sujeiras cometidas em outras regiões do País, por que o funil da justiça ou do Cade deixa gotejar só o veneno contra São Paulo? Espero que o sr. Vinícius Carvalho, sobrinho de Gilberto Carvalho (secretário de Lula e Dilma) e muito oportunamente indicado a assumir a presidência do Cade, não imagine que somos simplórios o suficiente para engolir seu argumento pueril.

Mara Montezuma Assaf

montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

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‘DOA A QUEM DOER’

Solicito ao "Estadão" que confirme ou desminta a informação de que o presidente do Cade, sr. Vinicius Carvalho, é sobrinho do ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, sr. Gilberto Carvalho. Se for verdade, solicito a este último que também seja investigada a origem da fortuna do sr. ex-presidente Lula e do seu filho, genial homem de negócios, para não parecer que a devassa do cartel em São Paulo (que deve continuar, custe o que custar) seja apenas uma manobra para prejudicar o PSDB nas próximas eleições.

Carlos Pacheco Fernandes Filho

c-pacheco-filho@uol.com.br

São Paulo

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PROCESSO

O governador Geraldo Alckmin disse que irá processar os corruptores. E quanto aos corrompidos?

Francisco de Sales Macedo Souza

ctampa@ig.com.br

Aparecida

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FARINHA DO MESMO SACO

À designação de "trensalão" ao episódio da Siemens e outras com relação ao metrô, trens e CPTM de São Paulo, feita pelo presidente do PT, Rui Falcão, FHC retrucou que não "é farinha do mesmo saco", em defesa do PSDB e dos seus membros envolvidos. Porém, tanto o mensalão, trensalão e outros, advenham de quaisquer partidos políticos, precisam ser apurados e apenados, mesmo porque a voz das ruas não elogiou nenhuma agremiação política, colocando todas no mesmo saco. Eis que o tempo e o decorrer das investigações vão determinar se PSDB e PT são farinha do mesmo saco. Até lá, fica em saliência o ditado do caboclo paulista: "Onde há fumaça, há fogo!".

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneiro.jcc@uol.com.br

Rio Claro

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CARTÉIS E CARTÉIS

A excelente cobertura feita pelo "Estadão" sobre o "cartel do metrô" contrasta com a falta de cobertura de um outro cartel tão ou mais nefasto e prejudicial à nossa economia. Trata-se do "cartel do suco de laranja", que foi debatido no "Fórum Estadão Brasil Competitivo: A sustentabilidade do campo", mas não recebeu da imprensa a cobertura necessária. Trata-se de um cartel que vem operando desde o início da década de 90, as empresas assinaram um Termos de Compromisso de Cessão de Prática (TCC) em outubro de 1994, mas em 23 de maio de 1995, demonstrando um total desrespeito pelo Cade, assinaram um contrato de cartel em que formalizavam o modo de agir do cartel, definiam penalidades aos membros que não cumprissem o acordado. Novamente denunciadas em 1999, somente em 2006, com a Operação Fanta, foram feitas busca e apreensão nas empresas, mas com o apoio dos maiores escritórios de advocacia de São Paulo e a leniência do Judiciário, o Cade tem tido enormes dificuldades em concluir a investigação. Este cartel provoca prejuízos de bilhões de dólares por ano ao País. Em uma década houve uma transferência para o exterior, principalmente para "offshores" de US$ 10 bilhões. Evasão cambial, evasão fiscal, lavagem de dinheiro, corrupção são ingredientes deste escândalo que, aparentemente, ninguém quer divulgar, embora seja indubitavelmente o maior e mais importante processo que jamais tramitou no Cade. Até quando?

Flávio de Carvalho Pinto Viegas, presidente da Associtrus

fcpviegas@uol.com.br

São Paulo

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O CAVIAR DE CID GOMES

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), contratou bufê por R$ 3,4 milhões, com direito a caviar, escargot e lagostas. Como perguntar não é ofensa: governador, será que se esse dinheiro fosse utilizado para perfurar poços artesianos não seria mais aproveitável? Principalmente para os milhares de sertanejos que nem água têm para beber...

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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COPA DO MUNDO NO BRASIL

Prova maior de que trazer a Copa para o Brasil não passa de uma pouca-vergonha é a construção da Arena de Manaus, que custará mais de R$ 600 milhões, por enquanto, e servirá para apenas quatro jogos, e que só para a sua manutenção custará R$ 6 milhões por ano. É bom frisar que, atualmente, a média atual de público não passa de 500 torcedores por jogo. E quem pagará a conta somos nós, os contribuintes de sempre. Esse absurdo todo por causa do delírio faraônico de um ex-presidente moribundo.

Conrado de Paulo

conrado.paulo@uol.com.br

Bragança Paulista

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O CONGRESSO E OS VETOS PRESIDENCIAIS

Agora Paulo Skaf, puxa-saco de Dilma Rousseff, deveria cumprir suas obrigações diante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pressionar o Congresso Nacional a derrubar o veto dos 10% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que a meu ver é um roubo descarado, desde que foi criado para pagar uma conta que um presidente imbecil contraiu. Deputados e senadores têm o dever de corrigir essa aberração injusta, colocada nas costas de quem produz riquezas para o Brasil.

Jose Mendes

josemendesca@ig.com.br

Votorantim

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CADÊ A PRESSA?

Engraçado, para aprovar medida provisória, o "governo" quer "a toque de caixa". Para avaliar os vetos, pede mais tempo.

Ricardo Sanazaro Marin

s1estudio@ig.com.br

Osasco

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OPORTUNISMO

Eleição se aproxima! O oportunismo então se manifesta de maneira inclemente. O dinheiro preservado (?!) começa a ser partilhado entre os políticos para efeito, diz-se, do cumprimento de promessas de campanha. Neste mês de agosto, pasme-se, a quantia em distribuição já atingiu a cifra da soma da quantia distribuída durante os sete meses anteriores ("Dilma libera lote recorde de emendas para congressistas", "Folha de S.Paulo", 19/8). Então dinheiro há, dinheiro que foi arrecadado junto aos contribuintes brasileiros e que a "pressão política" (igual a proximidade das eleições) fez o cofre ser aberto. Em suma é a velha história política, que periodicamente se repete: pressionada, a mãezona passa a distribuir benesses financeiras. A propósito, quanto será que dona Dilma liberou para o metrô da cidade de São Paulo?

Pedro Luís de Campos Vergueiro

pedrover@matrix.com.br

São Paulo

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MAUS SINAIS

Está difícil manter a confiança que até há pouco havia na economia brasileira. Balança comercial em decomposição, com déficit de US$ 4,7 bilhões no ano. Em 2012 neste mesmo mês de agosto, o saldo, embora declinante, era confortavelmente superavitário. Agora, deficitário. Quem sabe com a alta do dólar, que já atinge R$ 2,40, as nossas exportações não melhorem um pouco e as coisas se equilibrem? Alguém apostaria nisso? Mas, ainda que tal ocorra, a alta cambial - que parece ter vindo para ficar - importará impacto negativo na inflação, que reduzirá o poder de compra dos trabalhadores, já bem endividados. Como o desajuste fiscal das contas públicas só se acentua, já que o governo gasta mais que arrecada (o que é inflacionário), resta ao Banco Central continuar elevando a taxa básica de juros Selic, para conter a demanda e esfriar o movimento altista, o qual, por sua vez, imporá ducha de água fria nos negócios, num momento em que colhemos sucessivos pibinhos. Com a arrecadação tributária estagnada, isso não vai ajudar em nada os cofres públicos. O que, felizmente, ainda "segura as pontas" no País é o agronegócio, bastante superavitário, em que pesem as deficiências vistas na infraestrutura do País, "do portão para fora", como se diz. Embora seja a única coisa aparentemente positiva no horizonte, o agro é alvo preferencial da fúria do MST, um dos dinossauros de nossa esquerda jurássica, que gostaria de vê-lo transformado em "agricultura familiar". Vá alguém entender o Brasil.

Silvio Natal

silvionatal49@gmail.com

São Paulo

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BARATAS TONTAS

O câmbio com o dólar em disparada começa a chegar aos níveis alcançados em 2000, quando FHC comandava o País. Claro que existe um denominador comum nessa história: Com a melhora da situação econômica dos EUA, investidores resolvem voltar para casa, onde o dólar está mais seguro, do que se aventurarem em países "bolivarianos"! Só que Lula e PT se vangloriaram durante 11 anos porque pegaram o mundo favorável e bombando em investimentos. Todo esse cenário à época propiciou o tão falado "como nunca antes neste país" dito por Lula. Agora, que o cenário se iguala ao ano 2000, com o dólar escasseando no País, não estaria na hora de o governo petista mostrar que é melhor do que a tal "herança maldita" de FHC? Porque até agora as atitudes tomadas pelo governo Dilma mais parecem baratas tontas depois de uma chafurdada de inseticida. Cada um correndo para um lado à procura do "elo perdido" da bonança mundial. Ainda bem que 2014 está aí!

Beatriz Campos

beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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CASSANDRAS FALIDAS

Numa ofensiva digna de Brancaleone, com um arsenal em que não faltam balas de festim, juntaram-se o Banco Central e o Tesouro e torraram mais de US$ 3 bilhões e não conseguiram impedir a escalada do dólar, que atingiu R$ 2,416, cotação só superada em 2009, quando atingiu R$ 2,442. "Nós não sabemos onde isso vai parar. Alguma influência deverá ter." Se essa frase fosse minha, um apedeuta em economia, tudo bem. Mas quando o autor é nada mais nada menos que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chega-se à triste conclusão de que o gabinete da redentora de negros africanos devedores, com 39 ministérios, excede-se em quantidade, mas prima pela ausência de qualidade. Urge que aconteça um movimento que não pode esperar para 2014 e que não é o movimento de rua Black Bloc, que se caracteriza por um vandalismo dirigido que poderá desembocar numa intervenção das Forças Armadas. A anarquia está instalada nas capitais. O Estado de Direito esta arranhado. O direito de ir e vir e o direito de propriedade estão nas mãos e no humor de grupos que fariam inveja a Átila, o huno, e a Kublai Khan, o mongol. Dilma está administrando a sua tumba eleitoral porque, até onde o Brasil aponta para 2014, ela não terá argumento para convencer os eleitores. O Banco Goldman Sachs e o Morgan Stanley colocam o Brasil no grupos dos "cinco frágeis", junto com Turquia, Índia, Indonésia e África do Sul. Está faltando ao governo a execução do lema do pavilhão nacional.

Jair Gomes Coelho

jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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O PARAGUAI FORA DO MERCOSUL

No discurso de posse, o presidente do Paraguai, provavelmente por causa da presença de Dilma Rousseff na cerimônia, não mencionou o Mercosul. Na sua primeira entrevista, entretanto, disse ser difícil voltar ao Mercosul, devido à presença da Venezuela no bloco. O Paraguai não havia aprovado a entrada da Venezuela no grupo. O grande erro cometido pela presidente Dilma foi a exclusão do Paraguai e a inclusão da Venezuela, ditadura bolivariana, tendo sido mal assessorada por Marco Aurélio Garcia e o ministro Patriota. Como o Mercosul foi transformado em entidade política, e não acordo comercial, certamente não haverá mais interesse para o Paraguai. Esse país passou a participar de acordo comercial comandado pelo México, com Chile, Colômbia e Peru, denominado Aliança do Pacífico, concentrando 36% do PIB da América Latina, muito mais promissor.

Fabio Figueiredo

fafig3@terra.com.br

São Paulo

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NÃO PERDEU NADA

O Paraguai não perdeu nada ficando fora do Mercosul, ao contrário, só ganhou. Deveria tomar o mesmo rumo que tomou o Chile. Em 2007, ministro das Relações Externas do Chile, Alexandro Foxley, declarou que o Mercosul precisava de menos retórica e mais trabalho para conseguir colocar em prática a integração na região. Segundo ele, as pessoas estão cansadas de ver os governos falarem em integração latino-americana e não ver os resultados concretos. "Somos uma comunidade de nações para propor projetos e assegurar que eles sejam cumpridos." A declaração do ministro chileno deixou claro que eles não estariam dispostos a enganar e se deixarem enganar pelo discurso ideológico dos países que formam o Mercosul. Ele estava certo lá se vão seis anos de sua crítica e os países que fazem parte do Mercosul continuam só com o discurso, enquanto a economia chilena cresceu em média 5,2% ao ano, superior ao índice regional de 2,6%, e não foi somente a economia que cresceu, as taxas de criminalidade e pobreza tornaram-se as mais baixas da América do Sul. Estima-se que em 2020 o Chile deverá entrar para o grupo dos países desenvolvidos. Portanto, presidente Horácio Cartes, mire-se no exemplo do Chile e siga adiante.

Izabel Avallone

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

Eu só queria entender: o Itamaraty ficou irritadíssimo com o episódio do brasileiro David Miranda na Inglaterra, que foi detido pela Scotland Yard por apenas 9 horas no aeroporto de Londres, mas não teve essa tremenda preocupação com os 15 torcedores do Corinthians na Bolívia, que ficaram em presídio por cinco meses. Será que bolivarianos têm alguma coisa com isso?

Ivan Bertazzo

bertazzo@nusa.com.br

São Paulo

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MULA

O brasileiro David Miranda teve um contratempo na Inglaterra e mobilizou até o Itamaraty e o embaixador inglês. Namorado do jornalista americano Glenn Greemwald, envolvido em publicações de quebra de privacidade, no caso Edward Snowden, ele transportou arquivos de ida e volta, e diz desconhecer o conteúdo. O planeta passando por sérios problemas de segurança, deu a lógica. No mínimo o rapazola foi enquadrado como "mula". Poderia estar transportando arquivos perigosos. Conhecer ou não o conteúdo não muda nada. É um mula.

Sérgio Barbosa

sergiobarbosa@megasinal.com.br

Batatais

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PARCERIA

No rumoroso caso da detenção de um cidadão brasileiro pela polícia britânica, a opinião pública, uma vez mais, está sendo vítima de engodos. Alguns de nítido viés ideológico, outros incompreensíveis. Neste caso está o nosso "Estadão". O cidadão foi preso por envolvimento no affaire considerado criminoso pelo país que se considera vítima. Ao pousar na Inglaterra, estava cumprindo missão em nome do autor. Ao ser detido no aeroporto londrino, era portador de pen drives com informações cuja divulgação é considerada crime pelo país prejudicado, devidamente confiscados pela polícia inglesa e que a pretensa vítima da ilegalidade diz "não saber o que contêm". Manjadíssima defesa desmoralizada pelas mulas do tráfico. O que justifica a detenção do sujeito. O cara mantém ligação com o réu, e aí entra o nosso "Estadão" chamando o cúmplice, eventual ou não, de "parceiro". Parceiro em quê? Se no estado de união homoafetiva, justificada a detenção cautelar por algumas horas. Se parceiro no crime de que é acusado seu cônjuge, maior ainda a atuação da polícia.

Alexandre de Macedo Marques

ammarques@uol.com.br

São Paulo

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NEM TODOS SÃO IGUAIS

Parabéns ao governo brasileiro, que agiu corretíssimo em protestar perante as autoridades Inglesas contra aos excessos cometidos contra o brasileiro David Miranda, que estava numa aeronave que fez escala em Londres, antes de retornar ao Brasil. Parceiro do jornalista Glen Greenwald, ficou detido no aeroporto por 9 horas para averiguações por agentes britânicos e teve apreendidos dois pen drives com informações sigilosas supostamente referentes aos Estados Unidos. Todavia, não constatei o mesmo empenho das nossas autoridades no caso dos 12 torcedores do Corinthians, que ficaram efetivamente presos por longos seis meses em Oruro, na Bolívia, passando as piores dificuldades que um ser humano pode sofrer, sem contar o enorme sofrimento de seus familiares aqui, no Brasil. Por que dois pesos e duas medidas diferentes nestes casos? Não são todos brasileiros e que devem receber as mesmas atenções? Ou a reclamação contra a Inglaterra, aliada dos Estados Unidos, deve ser fortemente contundente, e contra os companheiros bolivarianos da Bolívia pode ser infinitamente amena? Nossa embaixada já demonstrou, num passado recente, pulso mais forte na defesa dos brasileiros que eventualmente fossem ultrajados no exterior, independentemente da classe econômica, da cor ou da profissão, bem como qual país estaria denegrindo a imagem de um brasileiro. Ou será que até este importante órgão do governo também já está aparelhado pelos "petralhas" e demonstrando toda a sua imparcialidade?

Antônio Carelli Filho

palestrino1949@hotmail.com

Taubaté

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MENOS...

Não entendo por que tanto "mimimi" por causa da detenção para averiguação de um brasileiro no aeroporto de Londres. Só porque é brasileiro não pode ser interrogado?

Paulo Ribeiro de Carvalho Jr.

paulorcc@uol.com.br

São Paulo

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ASSUNTOS RELEVANTES

Com tantas situações que nos incomodam, a Rede Globo e parte da imprensa "chapa branca" centrou foco em noticiário num tal sr. Miranda e a sua detenção em aeroporto londrino. Uma repórter, em entrevista exclusiva, indagou se ele foi torturado. Que absurdo! Só faltou sugerir ao nosso ministro das Relações Exteriores para romper relações com a Inglaterra, dada a enorme importância desse cidadão para o Brasil. Ah! Tenham paciência e vão produzir coisa mais útil. Por favor!

Ademar Monteiro de Moraes

ammoraes57@hotmail.com

São Paulo

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LIBERDADE DE IMPRENSA

Pesquisa recente da ONG americana Freedom House, realizada em 197 países, revela que apenas 14% (!) da população mundial desfruta de plena liberdade de expressão, vivendo em 63 países onde jornalistas não são ameaçados, em que não há interferência do governo e onde a imprensa não é submetida a pressões econômicas ou jurídicas. Na América Latina, somente 15% (!) dos países foram classificados como "livres", atingindo apenas 1% (!) da população. O Brasil, classificado como "parcialmente livre", aparece em 91º (!) lugar, abaixo de El Salvador e empatado com o Mali (!). A propósito, faz 1.422 dias que o "Estadão nosso de cada dia" está sob censura. Até quando?!

J. S.

Decol decoljs@globo.com

São Paulo

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APOSENTADOS MALTRATADOS

Os aposentados acampados desde terça-feira em Brasília, no Congresso Nacional, são vítimas da truculência da ditadura da corrupção, aquela que optou pelas medidas provisórias e emendas constitucionais , irmãs gêmeas dos decretos leis da ditadura militar. A segurança do Parlamento ("pra lamento?"), cumprindo "ordem superior" (expressão cruel que a História registra), retirou os colchonetes dos reivindicantes e aumentou na temperatura máxima o ar refrigerado central. Crueldade! Cadê os aposentados-mór? Os ex-presidentes?! Cadê o Sarney da "base aliada"?! Cadê o FHC da emenda constitucional da reeleição?! Cadê o Lula, o operário-milionário que dizem que é burro? Burro?! Inteligentíssimo! Pode ser sem instrução, burro, jamais! Nunca na história deste país um só homem enganou a maioria dos brasileiros! Nunca foi outra coisa que não fosse presidente... do sindicato, do partido e da República (duas vezes)! Burro? Burros fomos nós, que o elegemos. E agora a presidente está sendo "fritada". Será que Lula, que destruiu o PT cultivando o culto à personalidade, está tramando voltar?! O "sapo barbudo" vai querer dar uma de salvador da Pátria?! E os aposentados, senhores parlamentares e políticos partidários covardes, cruéis e ignorantes?! Estão pensando só no presente? E o futuro? Aguardem! Amanhã, os aposentados serão vocês.

Luiz Fernando D’Ávila

lfd_avila@hotmail.com

Rio de Janeiro

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DISCRIMINAÇÃO NO VOO

O triste episódio que envolveu a coreógrafa Deborah Colker, seus familiares e o neto Teo, de 4 anos, acometido de epidermose bolhosa, uma rara doença genética não transmissível, deve levar à responsabilização da empresa aérea Gol e da administração do transporte (Infraero, que obteve lucro líquido de R$ 370 milhões em 2011). Nada significaria para o sistema, economicamente, a presença de pelo menos três infectologistas de plantão nos aeroportos, para verificar, previamente ao embarque, casos dessa natureza e autorizar ou não a viagem de pessoas que, em tese, poderiam trazer dúvidas quanto à incolumidade física dos demais passageiros. Todavia, como sempre, a corda arrebentará do lado mais fraco, do comandante da aeronave, leigo em Medicina, ante uma doença que os especialistas, na internet, alertam que as imagens das pobres vítimas desse mal podem ser fortes. A dúvida do responsável pela aeronave foi admissível; o descaso das instituições brasileiras para com nosso povo é que deve ser levado às barras dos tribunais.

Amadeu R. Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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CLARA COLKER

A sra. Clara Colker, do caso Gol, merece a solidariedade de toda a sociedade pela condição de pele de seu filho, mas não tem razão quando espera a aceitação de quem não conhece a natureza não-contagiosa da condição. Com certeza todos os passageiros que não fossem médicos viajariam incomodados com a presença da criança. Não se trata de preconceito. Muitas doenças exóticas têm surgido, e é absolutamente natural que os passageiros se preocupem em não tornarem-se portadores, mormente os que também tenham filhos ou netos pequenos. Em certos países tem se tornado comum viajantes portarem máscaras para evitar contágio em locais de concentração. Com todo o respeito, recomendo à sra. Clara Colker que coloque-se no lugar de todos e que obtenha um atestado. Não custa, é um respeito à sensibilidade de seus concidadãos e poderá poupar-lhe muitos dissabores.

Gilberto Dib

gilberto@dib.com.br

São Paulo

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EVITANDO CONSTRANGIMENTOS

Certa vez, ao embarcar num voo para Nova York, constatei que a pessoa que se sentou ao meu lado estava com a pele toda inflamada, uma imagem estranha. Confesso que fiquei aflita, passaria a noite toda no avião, e não tenho conhecimento científico para saber se o problema era alguma doença e, se fosse, se era transmissível. Levantei e, discretamente, perguntei à comissária de bordo sobre isso, e ela tranquilizou-me dizendo que não havia nenhum problema, que eles estavam cientes e que a pessoa, antes de embarcar, esclareceu do que se tratava. Quando uma pessoa com alguma característica especial vai embarcar, deveria deixar tudo esclarecido sem precisar ser questionada a respeito. Sem ter preconceito sobre si mesma. Se for o caso, apresentando um atestado médico esclarecendo do que se trata, pois as pessoas em geral não têm conhecimento para avaliar. Evita-se, assim, qualquer tipo de constrangimento. Para o passageiro em questão e para os outros também.

Lucila Pazzanese

lucilagp@sti.com.br

São Paulo

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GOVERNO HADDAD

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, vulgo poste n.º 2 de Lula, já age como todas as administrações petistas: com falsidade e incompetência. Haddad recebeu R$ 3,1 bilhões do governo federal para medidas paliativas e populistas como a implantação dos corredores de ônibus na capital, que acabaram implantando, isso sim, o caos no trânsito paulista; e cancelou o projeto "Arco do Futuro", sua grande promessa de campanha, que previa a execução de duas avenidas paralelas para aliviar o trânsito da Marginal do Tietê, alegando falta de verbas.

Victor Germano Pereira

victorgermano@uol.com.br

São Paulo

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PROMESSA FURADA

A principal promessa de campanha do prefeito Fernando Haddad, o pacote viário do Arco do Futuro, foi simplesmente cancelado sob alegação de falta de recursos. Ou seja, de cancelamento em cancelamento a cidade de São Paulo torna-se cada vez mais caótica, e a população foi mais uma vez ludibriada com falsas e mentirosas promessas de campanha com uma única finalidade: levar vantagens e se eleger. Como sempre, o povo que se exploda, né não?

Angelo Tonelli

angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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O TERCEIRO POSTE

O 2.º poste de Lula já começou a mostrar que é mesmo mais uma invenção para ganhar eleição e que administrar e gerir não são o seu forte. A campanha eleitoral de Haddad tinha um grande projeto idealizado pelos marqueteiros, que foi apresentado como uma novidade e uma solução para muitas áreas decadentes da cidade. Como o seu mentor queria conquistar os paulistanos, um candidato com cara de bom moço e livre da enorme rejeição que Mercadante e Marta Suplicy mostravam apareceu como um ótimo administrador e com ótimos e inusitados projetos. Apesar da péssima atuação que ele teve diante do Ministério da Educação, os paulistanos iludidos o elegeram. O Arco do Futuro foi mostrado nos programas eleitorais como um milagroso programa para regiões degradadas da cidade. Só que o projeto era no computador, na hora da vida real verifica-se que é impossível de ser realizado. Então, com a maior cara de pau, anunciam que está cortado, que nada irá ser feito além do que já estava lá, herdado da outra administração. "Não há dinheiro, um projeto destes é muito caro", anuncia a secretária do Planejamento. Quer dizer que não sabiam disso? Claro que isso se caracteriza como um estelionato eleitoral. Nunca antes se viu uma promessa de campanha ser descartada tão rápido. Verifica-se que o novo e moderno prefeito já está colecionando fiascos: a Virada Cultural sob sua gestão foi marcada por inúmeros erros e problemas. As promessas de campanha não vão se realizar. Tal como a "grande gestora" que Lula conseguiu eleger presidente, o prefeito de São Paulo já mostra que não será competente. Agora eles querem nos dar mais um dos seus para governar o Estado. Espero que os paulistas abram seus olhos e reflitam para não engolir mais um poste plantado por Lula.

Maria Tereza Murray

terezamurray@hotmail.com

São Paulo

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FAIXAS EXCLUSIVAS E CORREDORES

No período 1973/1975 o prefeito Miguel Colasuonno segregou os ônibus no tráfego comum, pintando nas avenidas uma faixa de circulação com a inscrição BUS. A Avenida Paulista foi a primeira beneficiária do sistema que visava ao aumento da velocidade dos ônibus e, consequentemente, da sua capacidade de transporte. Dessa referencia se inferem conclusões a que estamos acostumados. Em primeiro lugar, o fato de que uma experiência feita em 1973, com algum, mas limitado sucesso, vem a ser repetida 40 anos depois, com ares de solução milagrosa em que ninguém pensou. Em segundo lugar, a proposta de Miguel Colasuonno se desvaneceu ao longo do tempo e as faixas exclusivas desapareceram. Em terceiro lugar, a constatação de que o uso político das propostas de solução do grave problema da mobilidade urbana acaba por inviabilizá-las ou abandonadas. Em 1976 Estado e município se uniram para o meticuloso estudo de sistema de transporte de média capacidade, apoiado na concepção de corredores de ônibus (no caso, tróleibus). Foi elaborado minucioso estudo (Plano Sistran), que previu a implantação de 280 km de corredores exclusivos, onde operariam 1.580 tróleibus, sendo 450 de modelo articulado. E, sob a batuta do prefeito Olavo Setubal, o plano começou a ser implantado. Mas as administrações que se seguiram abandonaram o projeto ou executaram-no com simplificações comprometedoras da capacidade e da qualidade do serviço público prestado. Hoje se veem esses corredores sobrecarregados, a ponto de ostentarem filas de ônibus com várias dezenas de veículos em marcha lenta. Sobraram dois exemplos de sucesso: o corredor metropolitano ABD e o corredor paulistano Expresso Tiradentes, que apresentam alto índice de desempenho e, por isso mesmo, estão nos dois primeiros lugares da classificação feita pelos usuários, deixando para trás o metrô, campeão do apreço público por muitos anos. Apesar disso, ainda não se concluíram esses dois corredores e, muito menos, se projetaram novos, apesar dos 27 anos de dedicação ao corredor ABD. Enquanto isso, o mundo todo vem implantando essa solução denominada internacionalmente de BRT - Bus Rapid Transit, tendo como paradigma a solução adotada por volta de 1970 na cidade de Curitiba, muito semelhante à do plano Sistran que, entretanto, optara pela tração elétrica, indispensável para o combate à poluição atmosférica. As faixas em implantação em São Paulo podem ajudar um pouco no aumento da velocidade dos ônibus e, consequentemente, da capacidade de transporte, ao contrario do que afirma a matéria "Política e Transporte", estampada na edição de 20/8/13, do "Estadão". Se um mesmo ônibus fizer duas viagens em vez de uma, graças à elevação de sua velocidade, estará transportando o dobro de passageiros. O risco que São Paulo corre é o de pensar que alcançou uma solução ideal. Segregar ônibus em vias comuns, à direita do espaço viário, é uma solução muito precária, pois o tráfego dos coletivos conflita com o dos táxis, dos carros que desejam virar à direita ou daqueles que precisam ter acesso às garagens, aos postos de combustíveis, etc. Tais inconvenientes - que por vezes inviabilizam as faixas, limitam os ganhos de eficiência do sistema. É preciso, portanto, caminhar - e rápido - para a adoção dos corredores de ônibus elétricos, formando um "subsistema de transporte coletivo de média capacidade", como previsto na lei municipal 12.328, de 1997, revogada antes mesmo de sua adoção prática. A atual administração municipal tem planos para corredores, cuja implantação pode ser feita em poucos anos. Oxalá sejam corredores de verdade, com as obras necessárias para eliminar cruzamentos e para garantir padrões de conforto, segurança e velocidade que os consagre como um forte contribuinte à solução dos problemas de transporte.

Adriano M. Branco, ex-secretário de Estado dos Transportes (governo Montoro) ambranco@uol.com.br

São Paulo

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NOVO SERVIÇO DA PREFEITURA

Disk faixa. Fone 156. Tratar com sr. Haddad.

Luiz Ress Erdei

gzero@zipmail.com.br

Osasco

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SAUDADES DE KASSAB

O governo do prefeito Gilberto Kassab terminou melancolicamente, e com imenso desgaste, dado ao descaso do mesmo com a cidade e sua exclusiva preocupação com política e a criação de seu novo partido. Ressalte-se, entretanto, que Kassab começou bem e obteve o apoio total da população por conta de duas medidas: a chamada Cidade Limpa e a retirada dos camelôs de nossas ruas e calçadas. Ao candidato Fernando Haddad, a despeito da sofrível (para não dizer péssima) atuação frente ao Ministério da Educação, foi dado um voto de confiança e foi ele eleito prefeito de nossa capital. Só que estamos constatando que sua incompetência é mesmo real; senão vejamos: 1) Mal iniciou seu governo, cancelou a pífia contribuição municipal para a construção do metrô, cuja responsabilidade principal deveria recair exatamente sobre o município - que é, em última análise, o grande beneficiário por sua construção -, com auxílios subsidiários do Estado e da Federação (esta, então, nunca colocou um centavo de seu: mal e mal concedeu empréstimos...!); 2) Decorridos apenas oito meses de governo, promessas de campanha começam a descumpridas: o prefeito acaba de desistir da construção do chamado "Arco do Futuro" (sic), que nada mais "era" do que a construção de uma ligação direta entre as Rodovias Anhanguera e Dutra, através de uma paralela à Marginal Tietê; e 3) O mais trágico e desesperador para a cidade: a leniência e incompetência do prefeito que estão a permitir - novamente - a invasão de nossas ruas e calçadas pelos camelôs. Esse é o jeito do PT administrar. Pelo andar da carruagem, nós, paulistanos, antes do final do ano, sentiremos - imagine só! - muitas saudades do Kassab. Lamentável!

Sergio Rodrigues

serrod@uol.com.br

São Paulo

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A MERITOCRACIA DO PREFEITO

Para o prefeito Haddad, meritocracia tem outro significado. Absurdo e inaceitável ler que a Cia. Metropolitana de Habitação (Cohab) nomeou para dois cargos em seu governo dois invasores de áreas, que são chamados de "lideranças experientes" com os movimentos sociais, que não passam de invasores ou massas de manobras do seu partido, o PT. Pois é, esses dois "elementos", Osmar Silva Borges e Vera Eunice Rodrigues da Cunha, como dizem no jargão policial, irão receber, respectivamente, R$ 5.538,55 e R$ 5.516,55 pela função: um de assessor de superintendência na presidência e a outra será assessora do gabinete ("Estadão", 14/8, A17). Para Haddad, ser contraventor e transgressor é ter mérito.

Agnes Eckermann

agneseck@yahoo.com.br

Porto Feliz

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DESAPROPRIAÇÕES NO CENTRO

A Casa Paulista de Alckmin não teria ainda assinado o necessário Convênio com a Prefeitura da cidade, esse também requerido por juiz em Ação Civil Pública do Ministério Público; se a Prefeitura já assinou tal convênio, em consequência disso o paulista deu um cheque em branco de R$ 4,6 bilhões de subsídios às empreiteiras para a construção de 20 mil apartamentos no centro para moradores de outras regiões, e ainda, para outras incógnitas em matéria de possíveis outros empreendimentos com outros usos nas áreas de intervenção; ou seja, cada habitação receberá R$ 230 mil de subsídios; por que e para quê? Lembro que Alckmin propôs ação judicial em Brasília visando a delimitar os valores e tornar expeditas as suas desapropriações; se essa Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, a ADPF249, prosperar, lhe proporcionará desapropriações imediatas e por valores ainda mais irrisórios em detrimento ao constitucional direito à propriedade do paulistano. Não há cadastro dos moradores e dos negócios a serem desapropriados e a afirmativa do governo de que há quaisquer imóveis vazios não pode ser comprovada; a quantidade de novos sem-teto também não; mas, na audiência pública de 16/8 ("Estado", 17/8, A20, "Desapropriação de Alckmin inclui até convento", por Tiago Dantas), havia inúmeras vítimas, moradores e trabalhadores, presentes; a maior parte deles lá está "desde sempre", e, incluem aposentados. Não há conselhos gestores formados nessas 67% de Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIs) atingidas, infringindo assim leis municipais; o governador desobedece até ao artigo n.º 180 da própria Constituição estadual, que estipula a participação das comunidades atingidas nos projetos a elas concernentes, o que não houve até então, às vésperas da licitação dessa ilegal Parceria Público-Privada (PPP). O Decreto nº 59.273 do governador declara de interesse social 930 imóveis para fins de desapropriação; portanto, eles só podem ser utilizados para a construção de Habitação de Interesse Social (HIS) para a população com renda de até seis salários mínimos? Serão usados somente dessa forma? A cidade de São Paulo já tem 20 mil moradores no centro em moradias precárias que continuarão desassistidos. A Casa Paulista do governador possivelmente desapropriará outros 20 mil moradores, comerciantes, prestadores de serviços, industriais, e trabalhadores, ou muitos mais; portanto, poderemos ter a nova soma de mais de 40 mil famílias vivendo em habitações precárias, ou nas ruas, a fim de propiciar a 1ª fase de essa mirabolante PPP construir e trazer novas 20 mil famílias a empreendimentos de apartamentos no centro subsidiados com os impostos pagos pelos paulistas. Haveria necessidade de pelo menos publicar os projetos urbanísticos detalhados para cada área e discuti-los com as respectivas comunidades atingidas, previamente a analisar quaisquer licitações de PPP. Ou, por que não, anular as três fases da PPP da Casa Paulista, substituindo-as pelo método tradicional em sistema capitalista de promover comprar imóveis, reformar ou demolir e neles reconstruir, simplesmente? A falta de terrenos na cidade de São Paulo permite atualmente a utilização desse caminho com sucesso para todas as categorias de empreendimentos, incluindo nas ZEIs; basta o governador passar a analisar o tema pensando nos interesses da população e formular estratégias e políticas para a Casa Paulista com o novo objetivo de respeito aos direitos de todos os paulistas - em substituição ao seu imoral "cheque em branco".

Suely Mandelbaum, urbanista

suely.m@terra.com.br

São Paulo

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UNIVERSIDADE X MERITOCRACIA

Após ler o artigo do professor José Goldemberg, professor da Universidade de São Paulo (USP) ("Estadão", 19/8/2013), eu percebi um texto carregado de um preconceito enorme contra o tal povo pobre branco e preto a que ele se referiu... Caríssimo professor, o medo que o sr. aponta em sua escrita de que a qualidade do ensino superior sendo cursado por "cotistas" é muito triste perceber, visto que a USP não é sua, a USP é do povo. Só que infelizmente nem todos do povo, tem as condições que o sr. aponta em que alguns pais pagam para seus filhos estudarem em escolas particulares para poderem custear um bom cursinho vestibular. Existe uma realidade que o sr. deve desconhecer, que está além da sua sala, dos seus livros, dos seus diplomas e das suas conquistas como educador, que é a realidade de quem é assalariado, de quem tem de acordar as 5 da manhã e trabalhar de 6 a 12 horas para às vezes não ter dinheiro nem para comprar um caderno para o filho estudar. Gostaria de convidá-lo a vir andar pelas escolas estaduais e municipais da periferia de São Paulo e ver com seus próprios olhos como crianças e jovens estudam, como crianças e jovens vivem precariamente e que jamais se não for por uma "cota educacional" e seja ela por cor de pele ou classe social, poderão entrar na "sua" USP para cursar um tão sonhado nível superior. Mas que a sua forma de dizer que a meritocracia francesa é correta, por se fazer valer o mérito, e não o auxílio de quem tem o poder na mão, me enojou o estômago ao ler sua escrita a caminho da faculdade em que estudo o 3.º semestre de Pedagogia e que só consegui entrar graças ao Fies, pois sou branco, pobre e moro na periferia de São Paulo, mas o sr. não se importa com isso...

Renato Rosa da Silva

renatosilva.kl@hotmail.com

São Paulo

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TÃO VERDADE QUANTO

Dilma Rousseff afirma com todas as letras que o pré-sal vai gerar R$ 112 bilhões em dez anos para a educação e que a inflação está sob controle. Deve ser tão verdade como a autossuficiência de petróleo, como a saúde do Brasil está quase perfeita, como Lula não sabia de nada e foi traído, como as 6 mil creches, os 800 aeroportos, 10 mil quadras de esporte cobertas, escola técnica em cidades com mais de 50 mil habitantes, etc., etc., etc.

Luiz Nusbaum

lnusbaum@uol.com.br

São Paulo

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ESCRAVOS DA EDUCAÇÃO

A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo abriu as inscrições para que os 181,5 mil professores efetivos e estáveis da rede estadual possam acumular o cargo com a contratação temporária e aumentar a carga horária em até 65 horas semanais. Até então, a carga horária máxima de um professor era de 40 horas semanais. A mudança permite que um professor com jornada de 40 horas semanais, por exemplo, possa acumular até 25 horas extras, o que representa um ganho financeiro de cerca de R$ 1.400 ao mês, além do salário-base somado às gratificações que variam de acordo com cada servidor. A medida do governo Alckmin precariza o trabalho do profissional da educação. O governo do estado não tem tido sensibilidade para tratar os professores, os trata como escravos da educação. A proposta de Alckmin, apesar de parecer valorizar o professor, já que permite maior remuneração, não atende às reivindicações que a categoria faz há anos, como o cumprimento da jornada com o piso salarial profissional nacional. O que está por trás é a política de desoneração do governo. E desvalorizar os professores, tipo "quer ganhar um pouco mais, dá mais aulas". Não é isso que queremos. Queremos ganhar mais, valorizar nossos salários, mas com a jornada que já temos e aplicação do piso salarial, isso sim é política de valorização. Ressalto que as horas extras serão contratadas na condição de professor temporário, em que os direitos trabalhistas são bastante reduzidos. O professor será admitido em caráter temporário, da forma mais precária que existe, não tem direito a ficar doente, a nada. É algo muito contraditório. A ideia é resolver problemas de falta de professores, mas a condição central para isso é ter um plano de cargos com salários atrativos para professores que fazem opção de estar só na rede estadual.

Antônio Dias Neme, professor aposentado

professorneme@ig.com.br

São Paulo

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SAÚDE - PRONTUÁRIO DIGITAL

Sou paciente do Instituto do Coração (Incor), tenho 39 anos e uso marcapasso. Não tenho dúvida nenhuma de que essa questão de colocar os prontuários dos pacientes em rede, serão usados comercialmente por pessoas ou empresas, pois nada e ninguém é fiscalizado neste país e a rara fiscalização existente é conivente com a corrupção ou são os próprios corruptores. Basta se lembrar de reportagens que frequentemente aparecem na mídia sobre venda de dados de qualquer pessoa no País, e-mail, telefones, CPF, RG, endereço, etc. Se antes eu não conseguia fazer um convênio médico, agora certamente será impossível, seguro de vida também nem pensar.

Leonardo Augusto Paz Santos

leozoolook@gmail.com

São Paulo

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