Fórum dos Leitores

ASILO POLÍTICO

O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2013 | 02h11

Apoio a Saboia

Fuga do senador boliviano Roger Pinto: meu total apoio ao corajoso diplomata Eduardo Saboia, que resgatou a dignidade e a honra do povo brasileiro, já que o nosso (des)governo, como sempre, não o fez.

ARI CESAR PORTILHO

ariportilho@yahoo.com.br

Belo Horizonte

Atitude corajosa

Parabéns ao embaixador Eduardo Saboia pela corajosa atitude de promover a liberdade do senador Roger Pinto. O Itamaraty, que é o representante do povo brasileiro no exterior, não pode continuar, em hipótese alguma, agindo como braço ideológico de um partido político.

FREDERICO FONTOURA LEINZ

fredy1943@gmail.com

São Paulo

Belo drible

O diplomata que conseguiu tirar da Bolívia um "preso político" merece uma medalha e segurança 24 horas por dia, pois a turma de Evo Morales e do PT não são gente que engula um passa-moleque sem dar o troco. Acho melhor o sr. Eduardo Saboia pedir asilo político na Embaixada dos EUA. Finalizando, Evo tomou a nossa refinaria e nós tomamos o preso político "dele", o que doeu mais, pois foi humilhante... Valeu! Obs.: Lembra um pouco a lambança Chávez/Lula e Zelaya.

LUIZ RESS ERDEI

gzero@zipmail.com.br

Osasco

Opositores do regime

A ajuda na fuga do rival de Evo irritou a Bolívia e o Itamaraty. Não entro no mérito da ação, se certa ou errada, de tirá-lo da prisão na Embaixada brasileira, mas é um sinal do que acontecerá com os opositores do regime do PT. Pelo andar da carruagem, teremos mais cinco anos, no mínimo, de PT no governo. Seus opositores - poucos, vide pesquisas, etc... - que se cuidem, logo, logo os veremos em prisão na embaixada de outros países.

TANAY JIM BACELLAR

tanay.jim@gmail.com

São Caetano do Sul

Perfumaria diplomática

Em primeiro lugar era preciso que os torcedores corintianos presos em Oruro, na Bolívia, fossem libertados e só depois seria possível a vinda do senador boliviano refugiado na Embaixada do Brasil em La Paz. O resto é perfumaria. Aqui, no Brasil, todos sabiam de tudo, afinal, em diplomacia um "me engana que eu gosto" vale muito.

JOSÉ PIACSEK NETO

bubanetopiacsek@gmail.com

Avanhandava

Investigação cabível

Em vez de investigar a ação humanitária que libertou o senador, o Brasil devia investigar a ação do apedeuta Evo contra a propriedade da Petrobrás na Bolívia e a ação da Justiça boliviana contra torcedores brasileiros inocentes. Ainda mais, há o fato de muitos corintianos acharem que houve uma tentativa de extorquir o Corinthians.

LUIZ ALEVATO PINTO GRIJÓ

luiz.grijo@gmail.com

São Paulo

Democracia boliviana

A fuga do senador boliviano Roger Pinto da Embaixada do Brasil em La Paz, na verdade, serve para avaliar a democracia vigorante no país do gás, que impôs sua vontade a Lula. Está o senador no Brasil, mas o presidente Evo Morales, em verdadeiro desespero, clama por auxílio da Interpol e demais forças tendentes a prejudicar o senador. Não há dúvida de que existe medo de que Roger Pinto venha a dizer coisas desinteressantes de Evo aos brasileiros. Eis que ainda nosso atual governo, como o anterior, prima por prestigiar ditaduras ou falsas democracias, como a própria Bolívia, Cuba, Venezuela e outras assemelhadas na América do Sul. Certamente a grande maioria dos brasileiros não concorda com tais procedimentos!

JOSÉ CARLOS DE C. CARNEIRO

carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

A solução

O problema causado em Brasília pela vinda do senador boliviano Roger Pinto tem fácil solução. Basta o nosso dito governo adotar a mesma solução aplicada aos atletas cubanos do Pan que aqui pediram abrigo: colocá-lo num avião cedido por "empre$a amiga" e devolvê-lo ao amigo bolivariano. Agora, se ele fosse um criminoso italiano...

NELSON CARVALHO

nscarv@gmail.com

São Paulo

Deportação

Obviamente, o governo brasileiro vai deportar o senador Roger Pinto. E também o criminoso italiano Cesare Battisti. Ou vai usar dois pesos e duas medidas?

VITÓRIO F. MASSONI

suporte@eam.com.br

Catanduva

Demissão de Patriota

Patriota de quem, cara-pálida? O senador Roger Pinto já estava havia mais de ano asilado em La Paz e nada de solucionar a situação?! A deixar nas mãos do Itamaraty e do sr. Evo, iria cumprir "pena" na nossa embaixada, em melhores condições, claro, mas sem o essencial, a liberdade. Ouçamos o senador.

ANDRÉ C. FROHNKNECHT

anchar.fro@hotmail.com

São Paulo

SAÚDE PÚBLICA

Menos médicos

O governo do PT, sempre surpreendente. Em 2003 Arlindo Chinaglia, ex-líder do governo na Câmara dos Deputados, apresentou projeto congelando as vagas de Medicina no Brasil (http://

www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=104485). Agora querem mais médicos e adotam medida "emergencial". Dez anos e não fizeram nada sobre o assunto.

PAULO SANTA ROSA

paulo.santarosa@icloud.com

Americana

Receitas

Se normalmente ninguém consegue ler as receitas médicas, podemos imaginar cubanos, russos, espanhóis e outros menos cotados escrevendo tais receitas. Será que eles vão precisar de tradutores e escritores de português? No Brasil tudo pode piorar, e só colocar o PT no governo.

ANTONIO JOSE G. MARQUES

a.jose@uol.com.br

São Paulo

Leis cubanas aqui?

Deu no Estadão que os médicos cubanos trabalharão no Brasil, mas estarão sujeitos às leis trabalhistas de Cuba. Quer dizer que teremos leis estrangeiras sendo obedecidas em solo nacional? E se nessa onda vierem alguns iranianos, eles também seguirão as leis de seu país de origem? Vão poder apedrejar mulheres nas nossas ruas? Vão poder mutilar homossexuais em nossos hospitais? Na semana de 7 de Setembro teremos de voltar às ruas!

JÚLIO CRUZ LIMA NETO

São Paulo

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FUGA DA BOLÍVIA

A fuga do político desafeto do cocalero Evo Morales - organizada pelo diplomata brasileiro Eduardo Saboia - é digna de filme de Hollywood. Ainda temos brasileiros com "colhões", parabéns a eles.

Harry Rentel

harry@citratus.com.br

Vinhedo

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O DESRESPEITO DE EVO

Não passa de jogo de cena a nota diplomática boliviana expressando "profunda preocupação" com uma suposta "transgressão" do Brasil relacionada à operação, levada a efeito pelo diplomata Eduardo Saboia, que ensejou a fuga do senador da oposição boliviana Roger Pinto, refugiado na embaixada brasileira em La Paz desde maio de 2012. A tradição do Brasil sempre foi a de conceder asilo político, e o governo do PT chegou ao cúmulo de concedê-lo - passando por cima de um tratado internacional - a um notório criminoso como Cesare Battisti, condenado na Itália por quatro homicídios. O asilo previamente concedido pelo Brasil ao oposicionista boliviano, todavia, irritou Evo Morales, que nos criou um problema ao não conceder salvo conduto ao refugiado. Evo exige respeito, mas em momento algum Evo respeitou o Brasil - o que, aliás, não é o seu forte, dado o histórico que conhecemos. De outro bordo, o salvo conduto é uma garantia de segurança para o perseguido, não para quem o persegue. Se aquele que está sob risco abre mão de tal garantia o faz por sua conta e ninguém tem nada que ver com isso. A Bolívia deveria preocupar-se mais com as drogas que saem de lá, aparentemente com salvo conduto, a ver pela facilidade com que ingressam no Brasil. Deveria, também, envergonhar-se por legalizar os carros roubados no Brasil que para lá são levados e "esquentados" pelo seu governo corrupto.

Silvio Natal

silvionatal49@gmail.com

São Paulo

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CABRA MACHO

Se o diplomata Eduardo Saboia, encarregado de negócios da embaixada do Brasil em La Paz, estivesse lotado no Rio de Janeiro durante os Jogos Pan-Americanos, com certeza teria raptado e escondido os dois pugilistas que desertaram da delegação cubana, impedido de serem deportados. A exemplo do senador boliviano Roger Pinto, refugiado durante 455 dias numa sala da embaixada brasileira, os dois coitados também foram abandonados pelos meios de comunicação, pela classe política, pelas organizações que defendem os direitos humanos e até pelo próprio Itamaraty.

Sergio S. de Oliveira

ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

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ORGULHO DE EDUARDO SABOIA

Nestes tempos obscuros da nossa relação exterior, em que o Itamaraty atende ao viés "progressista" dos últimos governos brasileiros, não podemos deixar passar em branco a ação do jovem diplomata Eduardo Saboia, por ocasião da transferência do senador boliviano Roger Pinto Molina. Não se trata apenas de um ato de coragem e desapego com a estabilidade do seu cargo - vai mais longe -, encontramos neste episódio a demonstração do caráter e compromisso de um servidor vocacionado para atender, prioritariamente, ao interesse público e humanitário, privilegiando a liberdade individual. No Itamaraty devem existir outros Saboia, talvez sem a disposição de enfrentar situações extremas como esta e decidir - sem hesitar - em favor da saúde e liberdade de um senador, eleito por seu povo e que se apresentava como opositor de um governo antidemocrático, perseguidor de seus adversários, incluindo empresas estrangeiras, sem sofisma ou disposição para um entendimento democrático. Devemos acuir que a situação era extrema - o cidadão boliviano acolhido na embaixada do Brasil, como asilado político, há mais de 15 meses aguardava por um "salvo-conduto" - alcançado pela força moral e coragem pessoal de um jovem diplomata. Haveremos de nos orgulhar de Eduardo Saboia, diplomata de carreira, que colocou em xeque sua carreira e a fúria do "petismo desgovernado". Por onde anda o senador Suplicy ou, como dizia Paulo Francis, nosso "Modagon", que não se manifesta em favor do asilado e, particularmente, do seu protetor e caucionador da sua liberdade?

Noel Gonçalves Cerqueira

noelcerqueira@gmail.com

Jacarezinho (PR)

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RESGATE DO SENADOR

O diplomata Eduardo Saboia disse que protegeu perseguido, "como Dilma foi", para justificar sua conduta totalmente ilegal no país vizinho. Não cabe a um diplomata resgatar cidadãos estrangeiros em situação difícil, e sim prestar assistência a brasileiros que se encontrem em dificuldades em terras estrangeiras. Melhor seria falar a verdade, que não aguentava mais o hóspede nas dependências da embaixada.

Gattaz Ganem

gattaz@globo.com

Carapicuíba

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A TRAPALHADA BRASIL-BOLÍVIA

Depois de meses passivo à espera da libertação dos torcedores corintianos presos na Bolívia, o governo brasileiro mete-se agora na aventura da fuga do senador boliviano desafeto do governo local. O diplomata que representa (ou representava) o País em La Paz organizou e participou pessoalmente da perigosa e ilegal viagem do político proscrito por 1.500 km de território boliviano, utilizando veículo da embaixada, fuzileiros navais brasileiros e agentes da Polícia Federal. Em vez disso, deveria o governo brasileiro, que já havia concedido asilo político ao perseguido, ter pressionado para a expedição do salvo-conduto que permitisse a retirada do asilado por vias legais. A atitude do diplomata, por mais humanitária que possa parecer, não se justifica. Como representante do Brasil num país amigo (muy amigo!), não tem o direito de agir ao arrepio da lei, utilizando-se de suas credenciais, recursos materiais e funcionários públicos brasileiros à disposição da missão diplomática. Espera-se que o episódio termine bem, que atitudes desse naipe não se tornem corriqueiras e que o autor da façanha não reste endeusado pelo feito que pode, no máximo, expor a ineficiência da diplomacia brasileira e o pouco caso que o governo de La Paz faz do Brasil, apesar das benesses brasileiras que frequentemente recebe. O episódio dos corintianos parece superado. Mas, se quiserem acertar os ponteiros, Brasil e Bolívia precisam buscar, urgentemente, uma solução para os milhares de refugiados econômicos bolivianos que hoje vivem como escravos, explorados por seus próprios concidadãos, na zona de confecções de São Paulo. Isso sim seria uma obra humanitária...

Dirceu Cardoso Gonçalves

aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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UM ATO DE CORAGEM

Finalmente venceu a dignidade do diplomata brasileiro Eduardo Saboia, que, em sua atitude ousada e corajosa, livrou o perseguido político e senador boliviano Roger Pinto Molina das garras do tiranete boliviano Evo Morales. Com uma política externa medíocre, que nos últimos dez anos só soube bajular ditadores, impressiona a determinação de um homem que honra o legado da instituição a que serve, colocando-se em risco para livrar da injustiça uma vítima de perseguição política, patrocinada governo um autoritário acostumado a tomar empresas brasileiras na Bolívia e a invadir aviões da FAB, sob a cumplicidade silenciosa de um governo que se acovarda ao invés de defender os interesses da nação. Ao invés de o Itamaraty proteger e prestigiar esse funcionário, que deveria ser visto como exemplo, alguém que corajosamente tomou a única medida cabível numa situação de emergência, resolveu puni-lo chamando-o as falas e proibindo-o de retornar a Bolívia, onde deixou a família, hoje sob risco, além da abertura de inquérito que poderá devolver aquele a quem salvou sob todos os riscos a seu algoz boliviano. Num país onde a permanência do terrorista e homicida italiano Cesare Battisti foi defendida ferozmente pelas mais altas autoridades do País à época, entre eles o ex-presidente Lula e seu ministro Tarso Genro, é de admirar que ainda haja patriotas de verdade, em meio a tantos patriotas de araque.

Peter Cazale

pcazale@uol.com.br

São Paulo

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NÃO TEM PREÇO

Em qualquer dos casos, parabéns ao Eduardo Saboia. Caso o senador boliviano seja um homem honesto e de bem, como sugere a reação truculenta de segmentos do governo, fez uma boa ação. Caso seja mesmo bandido, como afirma o cocaleiro, ele veio para o lugar certo: um a mais, um a menos, não fará diferença. O diplomata merece parabéns pela coragem e firmeza de princípios. O que não tem preço mesmo é ver os bolivarianos de cá e de lá saindo do sério.

Antonio Cavalcanti da Matta Ribeiro

antoniodamatta@ig.com.br

São José dos Campos

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BARBAS DE MOLHO

Neste governo de Dilma (PT), todo aparelhado com "cumpanheiros", a retirada do senador Roger Pinto (rival do boliviano Evo Morales), que, segundo o Itamaraty, foi à sua revelia, pode nos dar interpretações diversas. Quem ajudou na fuga do senador seria efetivo na embaixada e com autorização para fazer isso? Se sim, tiveram lucidez. Mantê-lo asilado por um capricho do neoditador, que não autorizava sua saída do país por perseguição, é sem sentido. Outra hipótese aterrorizante foi que trouxeram-no para cá como se o Itamaraty não soubesse de nada e, com isso, "se veria obrigado" a extraditá-lo. Senador Roger Pinto, se eu fosse o senhor, iria rapidinho para SES - Avenida das Nações, Quadra 801, Lote 03. Brasília (DF). A Embaixada americana em Brasília...

Tania Tavares

taniatma@hotmail.com

São Paulo

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ADVERTÊNCIA

Eu, no lugar do senador Roger Pinto Molina, procuraria rapidinho outro país para ficar, depois dessa fuga da Bolívia. Tenho certeza de que a segurança dele não estará assegurada pelo governo brasileiro, que vinha deixando o exílio na embaixada se prolongar indefinidamente, sem tomar qualquer medida que pudesse desagradar o cocaleiro Evo Morales. Saiba o senador Molina que este governo não é confiável e que seus integrantes não gostam de empresários se não puderem se associar com eles em grandes negócios como os da telefônica Oi ou das empresas X. Em condições normais, eles preferem confraternizar com os terroristas das Farc no Foro de São Paulo. A mesma advertência serve para o diplomata Eduardo Saboia.

José Benedito Napoleone Silveira

nenosilveira@aim.com

Campinas

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PRÓXIMOS CAPÍTULOS...

A indesejada permanência prolongada do senador boliviano Roger Pinto Molina, rival e desafeto do "presidente" Morales, na embaixada brasileira em La Paz estava arranhando o fraternal relacionamento mantido entre os companheiros bolivarianos, provocando a contrapartida da abusiva e ilegal prisão dos torcedores corintianos sem prova da prática do crime, que provocou a morte do menino Kevin Espada. O político opositor foi defenestrado de modo rocambolesco em veículos oficiais brasileiros, com segurança a cargo de nossos fuzileiros navais, sendo que um diplomata de segundo escalão afirmou ter, por conta própria, engendrado e comandado a fuga, que ocorreu sem nenhum incidente no longo percurso, tendo o comboio ultrapassado cinco barreiras no trajeto, e, por fim, a fronteira, placidamente, com inusitada facilidade. Em tais condições, o episódio narrado, mais que mera ficção, parece-nos embutir autêntica farsa, fruto de obscuro conchavo. Oficializada a estadia do parlamentar no Brasil, o amigo Evo solicitará a extradição do "criminoso fugitivo" da justiça do país vizinho, resultando na devolução do "meliante", que será entregue de bandeja, pois a decisão final, segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do famigerado Battisti, compete ao chefe do Executivo federal, que não hesitará em atender ao companheiro, a exemplo do que ocorreu com os boxeadores cubanos. A nosso ver, hipótese que colocamos em reflexão para debate dos doutos, emerge da trama bem urdida (há, na espécie, o dedo de Marco Aurélio "top top"?!) três resultados fantásticos: internacionalmente, o governo petista será cumprimentado pela ousada e corajosa empreitada em defesa dos direitos humanos; o relacionamento Brasil-Bolívia voltará a ser amistoso e fraterno por ter sido atendido o desejo de Evo; e o que realmente interessava: o Itamaraty livrou-se do mico...

Ulisses Nutti Moreira

ulissesnutti@uol.com.br

Jundiaí

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MÉDICOS CUBANOS

"Nós somos médicos por vocação, e não por dinheiro. Não nos interessa o salário, fazemos o trabalho por amor." Terá sido São Lucas (Lucas, o evangelista, o médico amado) padroeiro dos médicos que assim falou? Não, foi um médico cubano recém-chegado ao Brasil, um "revolucionário idealista", digno representante do regime ditatorial dos Castro, ou um ser humano de bom senso que, se dissesse algo em contrário, colocaria em risco sua vida e de seus familiares? Alguém imaginaria outra fala que não essa?

Luiz Nusbaum, médico

lnusbaum@uol.com.br

São Paulo

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QUESTÕES MAL EXPLICADAS

Ainda está muito nebulosa essa questão da vinda dos médicos cubanos: o que farão eles nos rincões deste imenso Brasil sem mínimas condições de atendimento, em que nenhum médico brasileiro se dispõe a trabalhar exatamente por este motivo e também por não oferecerem este lugares, meios adequados para lá viverem com suas famílias? Você, caro profissional de qualquer área, iria para um longínquo sertão nordestino, com seus filhos em local onde nem escola para eles houvesse? Para onde serão enviados os casos emergenciais, se hospitais por perto não há? Serão capazes de realizar milagres? Outra questão séria: se existem apenas duas universidades de Medicina em Cuba, que formam num total 300 médicos por ano, como fizeram para juntar os 4 mil, que para cá virão, note-se, sem sua família? Sabe-se que seus salários serão pagos não pelo governo brasileiro, mas pelo regime cubano, num expediente explícito de "mais valia", ou seja, com lucro em cima da mão de obra desses profissionais. Parece-lhe justo isso? Decente? Democrático? Honesto? Fazendo as contas, todos estes médicos precisariam estar sendo formados ao longo de 15 anos. Sendo transferidos para cá tantos tidos como "experientes", como ficariam então os cubanos? Sem médicos ou, então, com pouquíssimos veteranos com prática na profissão? E por que motivo suas famílias não os podem acompanhar? Como suportarão esses indivíduos, durante anos, a ausência de seus entes queridos, sem que possam pedir asilo para permanecerem definitivamente, caso algum deles deseje aqui formar família? E seus filhos, os que lá foram deixados, sem pais presentes, ou mães, em que situação triste ficarão em Cuba? Será que dá para perceber que existe algo de muito estranho nisso tudo? Não estamos falando de alguns médicos, estamos a falar de milhares! Médicos portugueses, argentinos ou espanhóis não estarão sujeitos a estas mesmas condições. Poderão ir e vir, se assim desejarem, mas esse não é o caso dos milhares de médicos cubanos que estão chegando com um discurso uníssono, ensaiado, preparado e dizendo que desejam trabalhar por solidariedade! Solidariedade? Ora, solidariedade teriam de ter pelos seus compatriotas cubanos, que, pelos que se sabe, passam por uma situação de extrema precariedade no que diz respeito a tudo. Sinceramente, qualquer profissional da área de saúde pública, sejam médicos, fisioterapeutas, psicólogos e outros, devem estar achando, no mínimo, suspeitas todas essas questões mal explicadas. E, por último, os cubanos, segundo o governo brasileiro, não poderão pedir asilo, pois que serão imediatamente devolvidos a Cuba. Então que o nosso "muy amigo gobierno brasileño" devolva da mesma forma Cesare Battisti, terrorista italiano acusado de ter matado à sangue frio algumas pessoas em pleno regime democrático italiano e que aqui está sob o manto da proteção do governo brasileiro, com asilo garantido além de trabalho remunerado, segundo consta, na cidade de Santos, em órgão ligado ao Partido dos Trabalhadores. Isso significa que, para o governo petista, há sempre dois pesos e duas medidas e reza a máxima: "Aos amigos, tudo, aos inimigos, o rigor da lei". Que gente é essa que nos governa que aceita tanta arbitrariedade de um governo amigo, mas vem logo com o dedo em riste quando qualquer suspeita de exploração de alguma categoria profissional é logo apontada e atacada como sendo um crime de lesa-humanidade? Meu Deus, quanto incoerência! O problema disso tudo é que a população pobre e desinformada acha tudo ótimo, bem como os adeptos deste governo, é claro, pois além de não ligarem o fato de não terem atendimento pela precariedade dos recursos investidos em saúde e educação, ignoram também que a intenção do governo não é a de melhorar sua condição, mas, sim, de ganhar seus votos com medidas paliativas e populistas, adiando "sine die" a verdadeira solução do problema, gravíssimo por sinal.

Eliana França Leme

efleme@terra.com.br

São Paulo

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POR AMOR

Ah tá... Os médicos cubanos têm tudo garantido em sua ilha, saúde e educação... Sei... E, movidos por sua "vocação, espírito de solidariedade e de colaboração", vieram para o Brasil. Como disseram: são médicos que não se interessam pelo salário, o fazem por amor. O.k., enquanto isso, o governo brasileiro honra antigos compromissos políticos firmados entre o Brasil e a ilha de Cuba, tudo por amor.

Maria Isis Meirelles Monteiro de Barros

misismb@icloud.com

Santa Rita do Passa Quatro

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MENOS CRÍTICAS

Todos os dias, os brasileiros criticam o programa do governo federal "Mais Médicos". No fim de semana, de acordo com a reportagem, os cubanos frisaram que não vieram ao Brasil por causa de dinheiro, vieram por solidariedade. Os brasileiros estão agindo sem pensar e sem coração. Imagine que interessante, você (médico) é convidado pelo governo de outro país para trabalhar nesse país, e quando você chega lá, ou até mesmo antes de chegar, você descobre que a população desse local só critica. Como você se sentiria? Que atitudes você tomaria? O brasileiro está agindo sem pensar, pensando só em benefício próprio. Tudo bem, por mais que venham centenas de médicos de Cuba, e no meu exemplo só foi um médico que iria para outro país, as atitudes dos brasileiros não se justificam. Nós (que criticamos) estamos agindo como crianças egoístas.

Claudia Voigt P. Machado, 15 anos

claudiavoigt@hotmail.com

Curitiba

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BOAS-VINDAS

Mais médicos, menos brasileiros doentes e desassistidos. De onde quer que venham, sejam bem-vindos! Saúde!

J. S. Decol

decoljs@globo.com

São Paulo

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ADOTEMOS A IDEIA

Após as inquisições sobre os salários dos médicos cubanos que vieram ao Brasil, a resposta do médico cubano Nelson Rodriguez foi romântica: "Não trabalhamos por dinheiro, mas por amor". Que beleza! Que bela resposta! Este é um exemplo que deve ser seguido por todos os políticos brasileiros. O governo brasileiro deveria enviar uma medida provisória (MP) ao Congresso Nacional extinguindo os salários de todos. Certamente a MP seria aprovada em regime de urgência urgentíssima e teríamos um final feliz para a novela brasileira de maior audiência no País, que é o combate à corrupção. A presidente Dilma seria eleita em primeiro turno com uma votação recorde na história da República.

Mário Negrão Borgonovi

marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

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JALECOS VERMELHOS

O aeroporto de Guararapes, no Recife, foi invadido no fim de semana por 30 médicos cubanos. Foram recebidos ideologicamente por um grupo de vinte estudantes da União da Juventude Socialista (UJS) e da União dos Estudantes Metropolitanos Secundaristas (Ubes). Recebidos com faixas e gritos de ordem pareciam estar desfilando numa abertura de olimpíada tal o entusiasmo como agitavam as bandeiras de Cuba que empunhavam. Jamais foi tão fácil um país comunista entrar num país sob gritos de boas-vindas e cantando a marchinha "Abre Alas", de Chiquinha Gonzaga, com ridícula alteração da letra. O projeto do governo de estapafúrdio que é mais parece um Frankenstein criado pela escritora Mary Shelley, tais as suas imperfeições na sua concepção. A vinda desses profissionais para o Brasil, sem embargo da revolta provocada na classe médica e de outras entidades representativas da sociedade, vem mostrar o tacão ditatorial que é a sua marca e mostra também que o governo não suporta militares e médicos, haja vista que neste caso é de uma intransigência digna de onagro. O ministro Alexandre Padilha diz que o projeto tem segurança jurídica. Distribuíram sorrisos no aeroporto e mostraram ao pisar no solo brasileiro que podem ser comparados a notas de R$ 3. "A motivação de nossa vinda é a solidariedade. Somos médicos por vocação. Não nos interessa um salário, fazemos por amor", afirmou um médico do grupo. O que a dissidente Yoani Sanchez diz sobre essa nova forma de exílio?

Jair Gomes Coelho

jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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QUEM GARANTE?

Quem nos garante que a missão dos médicos importados de Cuba será apenas relativa à saúde? Quem nos garante que eles são também agentes infiltrados para dar sequência ao plano de "cubanização" do Brasil, que tem em José Dirceu sua expressão máxima? A simplicidade e primitivismo dos assistidos se constituem em proveitoso caldo de cultura para incrustar ideias nefastas e nefandas. Afinal, que médicos são esses que em número tão expressivo estavam desocupados em sua terra natal? Esperamos que a imprensa fique mais atenta do que nunca para rastrear ações não médicas que certamente comprometerão todo esse plano duvidoso do governo.

Geraldo Siffert Junior

geraldo.siffert@ig.com.br

Rio de Janeiro

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QUEM CRITICA NÃO PRECISA

Tocante perceber a preocupação de muitos em selecionar o melhor médico possível para o programa Mais Médicos. O médico, segundo essas pessoas, deve passar por 837 testes e 1/2 e, ainda, ser aprovado por todos os CRMs do Brasil, das Américas, da OMS e de Urano! Exigem, aos brados: "Queremos um Dr. House para cada brasileiro! Nada menos do que isso!". Ocorre que as centenas de milhares de pessoas carentes precisando de médicos (o grupo dos "sem-médico" dos longínquos rincões brasileiros) não se importariam se o médico fosse brasileiro, cubano, canadense ou corintiano. A maioria dos que defendem os 837 testes e 1/2 normalmente tem planos de saúde e, nem de longe, está precisando de médicos do programa Mais Médicos. Tocante ou não tanta preocupação pelos mais humildes?!

Mauricio Nardi Jr.

mauricionardi@hotmail.com

Valinhos

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COMPROVAÇÃO DE CAPACIDADE

Acompanhar as promessas feitas por políticos para resolver os inúmeros problemas que assolam a população é uma tarefa frustrante após assumirem os cargos. Quase sempre o roteiro é o mesmo: os políticos lançam um nome de efeito para confundir a população e, logo após atingir o objetivo, na prática, nada é feito de efetivo. Um exemplo prático é o programa Mais Médicos, do governo federal. De verdade, fico muito irritado com a manipulação da boa-fé das pessoas que sofrem à espera de um milagre. Cadê as cabeças pensantes de nosso país? Onde estão as promessas feitas pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, na campanha eleitoral de 2010, para eleger sua afilhada e gerentona do PAC? Até agora, tudo ficou só na promessa. Diante da falência governamental de resolver o problema caótico da saúde no Brasil, a solução foi trazer médicos estrangeiros para justificar a irresponsabilidade dos políticos. O programa do governo petista não é dos piores, principalmente se conseguir atender a população das regiões do Brasil onde não há presença efetiva de médicos, sejam clínicos gerais ou especialistas. Não resta dúvida de que o governo tem o dever de fazer de tudo o que está ao seu alcance para melhorar a saúde do País. Porém os médicos estrangeiros convidados para virem ao Brasil deveriam prestar a prova na qual a capacidade deles e a adequação da Medicina estrangeira sejam avaliadas pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). Se assim não for feito, estaremos comprando "gato por lebre". Isso é exigido para todos os médicos brasileiros que se formam lá fora, é a única forma de saber se o profissional está apto a exercer a medicina. Ou estou errado? Consciente dos problemas enfrentados pelos irmãos brasileiros, ninguém pode ser contra o programa, mesmo que seja só um paliativo tampando o sol com peneira. Porém os médicos estrangeiros são bem-vindos, desde que seja feita a avaliação sobre a competência e a capacidade de exercício da medicina. Pois, se o procedimento não for aplicado aos médicos estrangeiros igual aos brasileiros, estará praticando crime.

Turíbio Liberatto

turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul

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GOLPE DE MESTRE

Se alguém avaliava que, tal qual Lula, ninguém mais atropelaria as leis e as normas no intuito de chegar à meta almejada, deve estar percebendo agora que a truculência e a desfaçatez de Dilma no que tange à obediência à Constituição se equipara à de seu mentor, ou até o supera, tendo em vista que ela tem pressa de colocar em prática ainda este ano o que o PT determinou ser executado em sua gestão. Por exemplo, o programa "Mais Médicos" parte de uma premissa mentirosa, a de que faltam médicos no Brasil. E encoberta a falência deste governo na área da saúde, escondendo a verdade: que os postos de saúde deste Brasil afora não têm sequer aparelhos de raios X, fato que afastou os profissionais brasileiros, pois, que queriam trabalhar de verdade, e não apenas tapar buraco, ganhando sem mérito e vendo seus pacientes morrendo à míngua por falta de condições de atendimento. Este programa apenas atende aos interesses de Cuba, que vê com satisfação nossos reais enchendo seus cofres; e atende também aos interesses de Dilma/Lula, pelo reforço de militância especializada para trabalhar pelo PT, moldando a seu favor a cabeça dos brasileiros mais simples deste Brasil afora. Golpe de mestre, mas não passa de mais um golpe do PT.

Mara Montezuma Assaf

montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

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NÃO RESOLVE

O Ministério da Saúde já sabe que o problema da saúde não se resolve com 4 mil médicos, isso representa 1% do nosso contingente médico no Brasil. O problema real são instalações e infraestrutura de funcionamento, e isso nós não temos. O objetivo real deste "forfé" é aparecer na mídia, a especialidade do PT.

Ivan Bertazzo

bertazzo@nusa.com.br

São Paulo

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OUSADO E CORAJOSO

Nosso glorioso ministro Padilha, para quem não sabe, atual ocupante da pasta da Saúde, um dos 39 ministérios do (des)governo Dilmula, e provavelmente candidato a poste estadual em São Paulo, afirmou ontem que o Programa Mais Vergonha, ops, quer dizer, "Mais Médicos" é polêmico por ser "corajoso e ousado". Ministro, corajosa e ousada é sua declaração. Aliás, o senhor e seus colegas de Brasília poderiam abrir mão dos SUS (Somos Usuários do Sírio) para se consultarem com "los hermanos" de Cuba. Como diriam os habitantes da ilha, "que te parece"? Jesus, pretensão e água benta cada um realmente usa quanto quer ...

Renato Amaral Camargo

natuscamargo@yahoo.com.br

São Paulo

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PADRÃO FIFA

Concordo plenamente com a vinda dos médicos de qualquer parte do mundo, mesmo sem avaliação, desde que a ilustríssima senhora presidenta da República, o senhor Sarney, senhor Lula e cia. também sejam medicados por estes profissionais. Abaixo o padrão Fifa do Sírio-Libanês para eles.

Maria José Falbe-Hansen

biblioteca@iebvm.g12.br

São Paulo

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TERCEIRIZAÇÃO

Não entendo porque essa onda toda com a vinda de médicos cubanos. Trata-se de um simples contrato de terceirização: a empresa governo cubano é contratada para serviços médicos, traz seus funcionários que ganham uma miséria e fica com o grosso da bolada. No que isso difere de outras terceirizações? Não houve licitação, mas o governo garante "segurança jurídica" no contrato, e deve ter mesmo, nessas horas sempre se consegue.

Arnaldo Mandel

amandel@gmail.com

São Paulo

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SALÁRIO? ORA, O SALÁRIO...

Eu gostaria de entender. Por que o Brasil vai pagar ao governo de Cuba R$ 10 mil/mês se apenas uma pequena parte dessa quantia vai ser entregue ao médico cubano pelos serviços que prestar no Brasil? E o direito humano ao salário condizente com o serviço prestado?

Pedro Luís de Campos Vergueiro

pedrover@matrix.com.br

São Paulo

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TRABALHO ESCRAVO

Na opinião do governo cubano e do nosso governo, que não tem escrúpulo nenhum, não existe nenhuma irregularidade na contratação desses médicos cubanos da maneira como pretendem. Não adentrando outras áreas, que também podem passar por análise, só na área trabalhista ficam muito claras as práticas de terceirização e trabalho escravo de há muito abominadas pela nossa legislação. Com a palavra, o Ministério Publico do Trabalho e as entidades de classe da área médica. Com urgência, por favor, antes que o mal se estabeleça.

Dulcindo Semençato

dsemencato@live.com

Osvaldo Cruz

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OUTROS INTERESSES

Será que os médicos cubanos são prostitutas que precisam de um cafetão para receber seus proventos? Creio que essa seria a manchete ideal para todos os periódicos do País, no que diz respeito aos médicos cubanos. Todos questionam a capacitação técnica dos médicos cubanos, mas na verdade essa é uma discussão secundária, sendo que isso pode ser avaliado através de testes, o mais importante agora é a forma de remuneração dos mesmos. Por que o governo brasileiro tem de pagar o salário para Cuba e os médicos receberem apenas uma fração disso? Para onde vai a diferença? Se os médicos cubanos vão trabalhar no Brasil, por que não estarão sujeitos à legislação trabalhista brasileira, e sim à cubana? Será que os médicos de outros países serão pagos da mesma maneira? Diante dessas perguntas, que no meu entender são óbvias, é lastimável que a imprensa (principalmente na mídia televisiva) de modo geral não as repitam diariamente até obterem algumas respostas. É lastimável também que o Ministério Público não tome nenhuma providência, me parece evidente que essa questão visa a atender a outros interesses que passam bem longe da saúde. Não seria esse um bom motivo para novas passeatas? Desculpem o desabafo.

Romeu Nicolosi Jr.

romeu@parabor.com.br

São Paulo

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A QUESTÃO DO SALÁRIO

Dentre inúmeros problemas já apontados pelos especialistas e pela imprensa acerca da vinda de médicos cubanos e do programa mais médicos, é de se destacar um: o salário dos referidos médicos. Adverte-se que a quantia a ser repassada aos médicos estrangeiros pelo governo cubano será de apenas 30% do valor repassado à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). De antemão por que o dinheiro tem de passar por tantas instâncias para poder, enfim, chegar ao médico? Muitas poderiam ser as respostas, porém destacam-se: 1) o governo brasileiro quer somente responder subsidiariamente às lides trabalhistas que podem vir a ocorrer (terceirização); 2) sabe-se que o sistema cubano é socialista, dessa forma, aquele Estado tem como meta política manter o patamar de salário em pé de igualdade, enfim, os médicos têm de ganhar o mínimo para subsistência. Quanto ao primeiro problema, é inaceitável o governo recorrer a esse expediente, pois segundo a nossa legislação a terceirização destina-se a trabalhos de extrema urgência, aumento inesperado de demanda ou atividades que não se confundem com a atividade fim da empresa, tais como serviços de limpeza e vigilância. É de notar que existe, sim, certa urgência na área de saúde, mas não é a falta de médicos. Trata-se da distribuição dos já existentes e da má infraestrutura dos centros hospitalares. Outrossim, a pergunta que não quer calar é quem responderá no polo passivo no caso de lide: o Brasil? Cuba? Ou a Opas? Ainda mais nebuloso é o caso de vir o médico a ser punido penalmente e quem poderá puni-lo? O Conselho Regional de Medicina (CRM) poderá fazê-lo? Qual juízo responsável pela lide? O municipal, estadual, ou o federal? Não compartilhava das ideias do filósofo Olavo Carvalho, porém, vendo essa situação, começo a fazê-lo. Como pode o Brasil, um país cuja Constituição apregoa o princípio democrático como preceito fundamental, pode firmar contrato com um Estado extremamente autoritário e comunista? De modo autoritário, é-nos descido goela abaixo esse programa, sem ao menos termos sido consultados. Quais são as reais intenções deste nosso governo?

Werly da Gama dos Santos

gama_eamsc@yahoo.com.br

Rio de janeiro

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EXPLORADOS

Meu total repudio a esse espúrio procedimento da atual administração em explorar médicos cubanos da forma como foi proposto pelo seu governo. Aliás, quem assegura que realmente irão atuar nas regiões paupérrimas às quais serão destinados e após algum tempo prefiram transferir-se para alguma capital praiana? Nada nem ninguém poderá cerceá-los. Esperamos para ver.

Huberto de Marchi Gherini

huberto.gherini@uol.com.br

Valinhos

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RESPONSABILIDADE

Um leitor indagou quem seria responsável por eventuais erros dos médicos cubanos. Como a contratante, sem maiores cuidados, é a União Federal, e como sua responsabilidade é objetiva, ou seja, não há necessidade de demonstrar a incúria ou imperícia do médico, apenas a relação ato médico-evento danoso, para ser responsabilizada civilmente por toda e qualquer indenização. Quando se fala União, ao fim e ao cabo, são os contribuintes que estarão pagando pelos eventuais danos causados à saúde dos brasileiros que não podem escolher seus médicos. Outro leitor disse que o idioma não é barreira: como é possível conversar com seu paciente sem poder um entender ao outro? Serão acompanhados de tradutor-intérprete? E mais: quantos serão os "médicos cubanos" que são originários de acampamentos do MST? Acorda, imprensa!

Ana Lúcia Amaral, procuradora regional da República aposentada

anamaral@uol.com.br

São Paulo

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VERSADO

Se o ministro Padilha, da Saúde, for tão bom médico como jurisconsulto, seus pacientes estarão mortos.

Iracema M. Oliveira

mandarino-oliveira@uol.com.br

Praia Grande

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UM PROGRAMA PROBLEMÁTICO

Como dizia Jô Soares, "vai pra casa", Padilha! Seria bem melhor para a saúde do Brasil.

José Eduardo de Almeida Machado

jecameng@hotmail.com

São Paulo

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REMENDO

No Brasil, até o "médico" é "genérico".

A.Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo

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BOA IDEIA, APLICADA DE MANEIRA ERRADA

Cumprir o projeto político para o qual foi eleito, de maneira efetiva e consistente, é o sonho de qualquer governante. Tal legado permitirá não só que deixe o poder de cabeça erguida, mas também que se torne um exemplo a ser seguido pelos sucessores. No oposto temos o governante incapaz de deixar alguma marca pessoal relevante, e, por isso, fadado ao esquecimento. Não é difícil situar o governo da presidente Dilma nesse contexto, já que até o momento pode ser definido como uma gestão sem nenhum projeto próprio marcante, e, portanto, sem legado particular. Entretanto, parece que algo está mudando neste aspecto. Embora um pouco tarde, tendo em vista que o seu mandato se encerra no final de 2014, ela resolveu implantar o programa "Mais Médicos", como uma espécie de vitrine de governo. Temos de reconhecer que o projeto de levar médicos até os rincões mais remotos do País é algo importante e merece elogios. Entretanto, a forma escolhida para implantar o programa é totalmente irregular. Segundo amplamente noticiado, o Ministério da Saúde, responsável pelo programa "Mais Médicos", não conseguiu preencher o número de vagas abertas com profissionais brasileiros. Assim, optou por contratar médicos estrangeiros para o preenchimento das vagas remanescentes, tendo inclusive assinado um convênio com a Organização Panamericana de Saúde (Opas) para trazer 4 mil médicos cubanos para o País. Basicamente, todos os profissionais médicos contratados receberão um salário mensal de R$ 10 mil, além de uma ajuda de custo e moradia. Ocorre que a análise do modelo de gestão do programa traz a lume inúmeras falhas. Em primeiro lugar, ao arrepio das normas legais vigentes, o governo brasileiro dispensou a validação dos diplomas dos profissionais estrangeiros contratados, de maneira que é impossível aferir se realmente têm capacidade para exercício da medicina no País. Essa é uma questão delicada. Como se sabe, um médico brasileiro, em caso de falha na prestação de seu trabalho, além de responder civil e penalmente, também pode ser julgado pelo tribunal de ética profissional, do Conselho Regional de Medicina no qual está inscrito, podendo até receber pena de cassação do exercício profissional. Ora, os profissionais contratados no programa "Mais Médicos" não estão vinculados a nenhum conselho de medicina, e, portanto, não serão fiscalizados e nem devidamente punidos nos casos de falhas profissionais. Deve-se ressaltar, ainda, que é até provável que os erros dos médicos sem diploma validado sejam encobertos pelas autoridades que permitiram o seu ingresso no país, temerosas de sua própria responsabilização civil e criminal. Infelizmente, essa é a natureza humana. Portanto, para segurança da população, é preciso restabelecer os mecanismos preconizados em lei para o exercício da medicina no Brasil. Com a palavra, o Ministério Público, que tem obrigação constitucional de exigir esclarecimento e transparência nessa matéria. Em tempo, recentemente o governo brasileiro negou a autorização para abertura de novos cursos de Medicina e, inclusive, cancelou a licença de funcionamento dos cursos de algumas faculdades que não estavam qualificando adequadamente os formandos, porém no momento, incoerentemente, está aceitando importar profissional estrangeiro sem nem sequer aferir o seu conhecimento ou comprovar a sua qualificação técnica. Não tem sentido isso. Em segundo lugar, temos a questão trabalhista. No caso dos médicos cubanos, o Ministério da Saúde fará o repasse do valor acertado para o governo cubano, que será o responsável pelo pagamento dos profissionais que vão trabalhar no Brasil. O detalhe curioso é que, segundo amplamente noticiado, o governo cubano embolsará cerca de 70% do valor transferido pelo Ministério da Saúde, repassando para os médicos apenas o restante. Ora, como foram contratados para prestar serviço no Brasil, os médicos cubanos estarão sujeitos à lei brasileira, independentemente dos acertos e conchavos na esfera governamental. Nesse particular, em muitos aspectos essa forma de contratação afronta as regras estabelecidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente porque será impraticável aferir se a quitação do salário se deu na forma e prazos legais, no valor estipulado, etc. Ademais, como ficará a questão da subordinação dos médicos cubanos? Devem prestar contas a quem os contratou (governo brasileiro) a quem os selecionou (Opas) ou a quem efetivamente pagará os salários (governo cubano)? Em caso de doença e/ou acidente ocupacional, quem será o responsável? Por outro lado, com relação aos profissionais cubanos existe ainda um agravante. Embora contratados para atendimento através do programa "Mais Médicos" do governo federal, vão receber um salário equivalente a 30% daquele pago aos profissionais de outras nacionalidades. Isso é ilegal, tendo em vista que, se o profissional cubano executou o mesmo trabalho que o seu colega espanhol e/ou português, deve receber idêntico salário. Portanto, se o programa "Mais Médicos" paga R$ 10 mil pelo serviço de qualquer profissional contratado independentemente da nacionalidade, sendo que o governo de Cuba recebe o dinheiro, porém, repassa para os médicos cubanos apenas R$ 3 mil, é fato que o Ministério da Saúde terá um grande problema, de vez que após três anos, quando findar o prazo da contratação, o médico cubano que se sentir lesado poderá entrar na Justiça do Trabalho, pleiteando a diferença de salário entre o que deveria ter recebido e o que efetivamente lhe foi pago no mês, que corresponde a R$ 7 mil. Par estimar o montante total da dívida, a conta é simples: 3 (número de anos da vigência do programa) multiplicando por 12 (número de meses do ano) multiplicado por R$ 7 mil (valor que recebeu a menos em cada mês), porém, o resultado é assustador. Ao findar o convênio, cada médico cubano teria direito de receber do governo brasileiro R$ 252 mil, valor que seria efetivamente atualizado mês a mês, com juros e correção monetária. Agora imaginemos que não apenas um, mas sim, os quatro mil médicos cubanos resolvam pleitear na Justiça do Trabalho a isonomia de salário que a lei brasileira lhes garante? O prejuízo será bilionário. Difícil de acontecer? De maneira nenhuma. O ministro da saúde deveria saber que no judiciário trabalhista se aplica de maneira inflexível o seguinte adágio popular: "Quem paga mal paga duas vezes". Será que o nosso governo está ciente desse problema e do risco de condenação na Justiça do Trabalho? Em caso positivo, está tomando alguma providência? As respostas ainda são incógnitas. Entretanto, recente declaração do advogado geral da União pode trazer algum subsídio para esclarecer essas importantes questões. De fato, segundo nota de imprensa (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/08/1331205-medicos-cubanos-nao-terao-direito-a-asilo-politico-diz-advogado-geral-da-uniao.shtml link acessado dia 25/8) ele foi enfático ao afirmar que após o fim do convênio do programa "Mais Médicos", os cubanos deverão retornar para Cuba, e, em caso de recusa, serão forçados a isso. Essa proibição de permanência no País e a pressa no retorno para Cuba seria uma forma de dificultar e, até mesmo impedir o acesso dos médicos cubanos ao nosso judiciário trabalhista? Esse é um assunto que o Ministério Público do Trabalho deve esclarecer. Entretanto, se for comprovada essa intenção de impedir o acesso à Justiça, estaremos diante de um crime absurdo, verdadeiro atentado contra as relações de trabalho, e, diga-se, praticado pelo governo federal que deveria primar pelo respeito às nossas leis. Ademais não podemos esquecer outras questões que atingem todos os médicos contratados e não apenas os cubanos, as quais podem representar um agravamento expressivo do passivo trabalhista que será criado no programa "Mais Médicos", tais como férias, 13º salário, fundo de garantia, horas extras, adicional noturno e outros. São matérias reguladas na Constituição federal e no ordenamento jurídico infraconstitucional, e, portanto, precisariam de um estudo mais aprofundado. Entretanto o fato concreto é que a Justiça do Trabalho não vai aceitar documentos assinados por empregados abdicando de direitos previstos em lei. Frequentemente cláusulas de acordos e até convenções coletivas são anuladas pela justiça especializada, por incorrerem nesse erro. Entretanto, se a Justiça do Trabalho aceitar a flexibilização irregular de direitos trabalhistas no caso dos profissionais contratados pelo programa "Mais Médicos", está aberta a porta para aceitar o mesmo em relação a todos os demais empregadores do país. É um fato. Em terceiro lugar, por que o governo de Cuba vai receber o pagamento destinado aos médicos cubanos que virão trabalhar aqui no Brasil, e com que direito e a que título reterá 70% do valor total disponibilizado pelo governo brasileiro? É importante que o Ministério Público Federal faça uma investigação dos termos desse acordo com Cuba. Afinal, estamos falando de quase trinta milhões de reais por mês. Essa falta de clareza e transparência pode servir para encobrir alguma fraude financeira. Não podemos esquecer que infelizmente o nosso país ultimamente tem sido sacudido por inúmeras notícias de corrupção e desvio de dinheiro público. É uma cautela necessária. Em resumo, esse "imbróglio" todo na aplicação do programa "Mais Médicos" faz lembrar as ações de uma criança mimada, que bate o pé, grita e chora exigindo alguma coisa, mesmo a despeito dos alertas de adultos. Parece que a presidente Dilma resolveu que a grande ação social que representará o legado de seu governo será o programa "Mais Médicos", e, portanto, ela decidiu que vai implantá-lo "a ferro e fogo" independentemente de qualquer argumento contrário. Levar os médicos para as regiões mais remotas do país é uma necessidade, porém, que isso se faça respeitando as particularidades técnicas desse tipo de programa, bem como prestigiando o nosso ordenamento jurídico. É o típico caso de uma ideia boa, porém, infelizmente aplicada de maneira errada.

Flávio Roberto

frbferreira@ig.com.br

São Paulo

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A PRESIDENTE SE CALA

O silêncio sepulcral de Dilma Rousseff diante das críticas e até protesto em relação ao plano mal costurado "Mais Médicos" - feito para alavancar a candidatura do ministro Padilha ao governo de São Paulo - talvez se explique pelo simples fato de que o mesmo está caminhando para um grande malogro. Há problemas de toda ordem, desde trabalho ilegal até desconfiança de que haja entre os cubanos agentes multiplicadores do regime dos Castro. Só pelo fato de perceber diferenças entre as regras para os médicos vindos de diferentes lugares já dá para vislumbrar desconcertos gritantes. Estamos esperando as explicações da principal responsável pela intrigante obra.

Leila E. Leitão

São Paulo

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CONFLITO NA SÍRIA

Quanto mais assistimos às cenas da guerra civil na Síria, e o resto do mundo reclamar da ONU por não intervir para evitar o morticínio que está ocorrendo, mais fica a sensação de que esperam uma atitude americana, ou seja, os EUA enviarem tropas àquele país para tentar a pacificação. Curioso é que os mesmos que esperam uma palavra ou ato final dos EUA são os que os criticam, como foi no caso do Iraque e do Afeganistão. Para nós, brasileiros, distantes da situação em que vivem os sírios, é difícil torcer para qualquer um dos lados em confronto, porque não sabemos como é viver sob o tacão de um ditador como Assad ou ter sua vida controlada por fanáticos religiosos. A lamentar mais ainda é estarem envolvendo nesta guerra o Líbano, uma nação liberal que inspira simpatia até porque permite o convívio de religiões, o que não é tolerado pelos radicais islamitas que praticam uma forma de religião como nós, brasileiros, não podemos aceitar. Se temos mil problemas que nos incomodam, como suportar uma classe política marcada por corrupção das maiores, pelo menos vivemos num país onde cada pessoa cultua o deus que quiser ou nenhum, se for ateu.

Laércio Zanini

arsene@uol.com.br

Garça

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VIOLÊNCIA x DEBATE

Guerra civil na Síria: leva ao assassinato covarde de mais de 1.300 pessoas em um único dia (por armas químicas). Não há espaço para a democracia! Não há espaço para o diálogo! Por isso, só sobra espaço para a morte. Golpe de Estado no Egito: leva ao assassinato de mais de mil pessoas em uma semana (por metralhadoras do exército). Não há espaço para a tolerância aos diferentes! Não há espaço para a racionalidade! Por isso, só sobra espaço para a morte. Revolução e guerrilha na Colômbia: leva ao assassinato de mais de 60 mil pessoas nesses anos de movimento popular armado (pedras, facas, revólveres). Não há espaço para a República! Não há espaço para Constituição e direitos humanos! Por isso, só sobra espaço para a morte. Nos três casos, a violência continua neste momento. Assassinatos de inocentes continuam neste momento. E nenhum espaço para o argumento, para o diálogo! Sem democracia, sem "respeito aos diferentes", não existe paz. Por isso, o nosso Brasil precisa é de progresso, progresso pautado pelo debate público e reformas constitucionais. E não pautado por utopias de "revoluções" ou golpes de Estado violentos. Menos revolução, mais progresso!

Wellington Anselmo Martins

am.wellington@hotmail.com

Bauru

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A LEI DAS LICITAÇÕES PÚBLICAS

Em entrevista publicada pelo "Estadão" em 24/8, com o professor Mario Schapiro, ele indicou as falhas na Lei n.º 8.666/93 de forma concisa e brilhante ("Cartel é uma praga, e é mais recorrente em compras públicas", página A8). Eu, como engenheiro, trabalhei na elaboração dos editais, bem como nas comissões de licitações no município de São Paulo. E sempre entendi que a abertura dos envelopes de documentações antes dos envelopes das propostas era responsável pela demora nas licitações públicas, mesmo porque na maioria das vezes apareciam as impugnações dos licitantes, atrasando ainda mais o certame. Como diz o professor Shapiro, seria ideal verificar o preço antes. Eu cheguei a mandar uma sugestão ao Congresso Nacional por ocasião de uma revisão da lei, mas ela não foi atendida. E seria o correto, porque obedeceria a uma lógica gritante. Com a abertura das propostas, as comissões poderiam classificar os licitantes por ordem crescente dos valores e, em seguida, abrir a documentação. Se a documentação do primeiro colocado em preço estivesse tudo de conformidade com o exigido pelo edital da licitação, seria declarado vencedor do certame. Nesta fase poderiam então ocorrer as eventuais contestações dos licitantes. Também entendo que, se não consta da lei, deveria constar um artigo que apenasse o licitante que contestar com o claro intuito de criar dificuldades absurdas para tumultuar o certame. No caso de o primeiro colocado não ter a documentação em desconformidade com o edital, seria ele desclassificado e aberta a documentação do segundo colocado, e assim sucessivamente. Seria desnecessário dizer, mas como era servidor efetivo concursado e, por opção própria, não ligado a partido nenhum, pude desenvolver o meu trabalho de acordo com as normas existentes, tanto técnicas como legais. O problema nas administrações públicas são os cargos de confiança, principalmente os de chefia, ocupados por pessoas ligadas ao cacique da vez e que, na maioria dos casos, não tem nenhum conhecimento técnico e legal para tanto. Nos cargos abaixo dos secretários, são cidadãos ligados ao partido mandante que não se reelegeram na última eleição, por exemplo, salvo raras exceções. O Congresso deveria ouvir o professor Mario Schapiro.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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A CONVERSÃO DA SIEMENS

Na atual conjuntura política - não jurídica -, a Siemens está para o possível "propinoduto" em São Paulo assim como Roberto Jefferson estava para o "mensalão": delatores. O último mirou sua metralhadora, consagrando a tese de que "o ataque é a melhor defesa". Já à multinacional não se sabe da aplicabilidade da mesma máxima. O que teria motivado a encenação de remorso de uma multinacional que lucra milhões de reais por meio de seus contratos com a administração pública - sabendo da perda financeira e das consequências de sua (in)conveniente conversão? Coincidência ou não a licitação do trem de alta velocidade (TAV) do governo federal, que ligará Campinas, São Paulo e Rio, foi suspensa a pedido do consórcio formado pelas empresas Renfe e Talgo e da Siemens ("Estadão", 13/8, B3). A fundamentação dos pedidos foi a "falta de tempo" para adequar estruturas ao certame. No último dia 15, Roberto Jefferson passou de delator a "cagueta", após ter seu pedido de perdão rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que justificou o indeferimento na atenuação de pena, conferida no primeiro julgamento. Já a Siemens continua como "delatora", com pedido atendido pelo governo federal e contratos milionários mantidos (também) em São Paulo, apesar de tudo. A diferença entre o significado dos termos "delator" e "cagueta" fica cada dia mais evidente, tanto no mundo político quanto no âmbito jurídico. É tudo coincidência.

Rogério Piccino Braga

rogeriopiccino@aasp.org.br

Jaú

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INIDONEIDADE TOTAL

Se o Tribunal de Contas do Estado (TCE) declarar inidôneas as empresas participantes dos cartéis de trens, a roubalheira é tamanha que não vão restar empresas idôneas nesse setor...

Victor Germano Pereira

victorgermano@uol.com.br

São Paulo

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TRIBUNAIS INEFICIENTES

São de arrepiar as acusações de cartel e corrupção envolvendo empresas gigantescas como Siemens, ABB, Mistsui, Alstom e outras. Afinal, essas companhias têm belos sites enfeitados com palavras como "ética", "missão", "valores", apresentando-se como exemplos acabados de eficiência e virtude. Ao contrário, os valores bilionários desviados em diversas áreas prejudicam a população, especialmente sua parcela mais carente, e certamente isso acaba custando muitas vidas. Isso escancara a ineficiência dos Tribunais de Contas, órgãos dos Poderes Legislativos, em geral ocupados por gente agraciada por nomeações políticas. Devemos exigir uma mudança na legislação para que os ministros desses tribunais passem a ser técnicos, selecionados por concurso.

Luiz M. Leitão da Cunha

luizmleitao@gmail.com

São Paulo

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O CASO DOS TRENS

Eu trabalhei quase 50 anos como engenheiro em três empresas estatais do Estado de São Paulo. Participei da análise de muitas concorrências. Algumas envolvendo milhões de dólares. Acredito conhecer bem o sistema adotado pelo governo paulista. Não conheço o sistema do PT. Nas estatais do governo paulista, as propostas eram analisadas (acredito que ainda sejam), primeiro, por uma equipe técnica que avaliava quais propostas eram as que melhor atendiam o objetivo da concorrência. A seguir, uma equipe de economistas avaliava as propostas sob o aspecto econômico. Depois, uma equipe de advogados avaliava o aspecto jurídico de cada proposta. (Como se vê, nestas primeiras fases é muito difícil haver qualquer meios de corrupção.) Os três relatórios eram, então, enviados a um órgão superior que classificava as propostas e eram encaminhadas ao nível de superintendência, onde se definia qual proposta era a que melhor atendia aos interesses da empresa. Somente neste nível era possível qualquer corrupção, não em níveis inferiores ou superiores. Assim mesmo os superintendentes tinham de justificar a sua decisão para as equipes de nível inferior. Se fosse contrário aos relatórios a eles enviados, as equipes de nível inferior podiam contestar a solução adotada e as propostas eram enviada ao nível de diretoria, que ouvia todas as equipes envolvidas no julgamento da concorrência, que então decidia quem era o seu ganhador. Acredito que o PT acusa o governo paulista baseado em seu próprio sistema, que admite a corrupção em qualquer nível, ou seja, Lula é quem decide tudo.

Ronald Martins da Cunha

ronaldcunha@hotmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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VISTA GROSSA

Peço, por gentileza, aos antipetistas de plantão, que escrevem diariamente neste "Fórum dos Leitores", que não façam vistas grossas para outros partidos, como costumam fazer. Posso aguardá-los para pedir esclarecimentos nos casos do Metrô e do mensalão mineiro? Espero que sim, senão sou obrigado a dizer que são injustos ao blindarem erros dos outros partidos. Vamos cobrar a investigação de todos, independentemente do partido. Estou certo?

Cláudio Puttkammer Marques

cacauclaudio@bol.com.br

São Paulo

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CARTÉIS E ESPANTO

Cartel nas licitações do serviço público é coisa antiga. Não é de hoje. Isso existe há anos. Há cartel para as obras, a compra de medicamentos, veículos, prestação de serviços, etc. Quando sai um edital já se sabe quem vai ganhar. Já se percebe para quem está direcionado. É válida a apuração das informações prestadas pela Siemens, e deve ser levada até o fim, mas não façam cara de espanto. Até parecem que são anjinhos.

Panayotis Poulis

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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FALTA GENERALIZADA DE LISURA

Corrupção em licitações é municipal, estadual ou federal.

Roberto Twiaschor

rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo

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GYLMAR DOS SANTOS NEVES

O futebol brasileiro está de luto com a morte do grande goleiro Gylmar dos Santos Neves, aos 83 anos, titular e bicampeão mundial pelo Brasil em 1958/1962, na Suécia e no Chile. Revelado no pequeno Jabaquara, ele se destacou no Corinthians - pelo qual foi campeão do IV Centenário em 1954 - e no Santos, onde ganhou tudo e foi bi campeão mundial em 1962/63 ao lado de Pelé e Cia. Gylmar teve uma carreira das mais vitoriosas e tem lugar cativo no panteão dos maiores jogadores do futebol brasileiro de todos os tempos. Jamais esqueceremos as imagens de Pelé chorando no ombro dele após a final contra a Suécia, em 1958.

Renato Khair

renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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ESCALAÇÃO ERRADA

A dama de preto está fazendo a escalação errada: Djalma Santos, De Sordi, Gilmar. Com tanto político em Brasília na fila de espera...

Flavio Marcus Juliano

opegapulhas@terra.com.br

Santos

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CASO DEBORAH COLKER-GOL

O leitor sr. Renato Khair disse, citando-me pessoalmente ("Fórum dos Leitores", 22/8): "Lamentável a insensibilidade da Gol - e de certas pessoas, como o leitor sr. Gilberto Dib (21/8) - no caso envolvendo o neto da coreógrafa Deborah Colker... o que se vê é o preconceito e o desrespeito ao ser humano. Se isso tivesse acontecido com o nobre sr. Dib e sua família, garanto que ele pensaria de modo diferente". Volto a afirmar que "a sra. Clara Colker, do caso Gol, merece a solidariedade de toda a sociedade pela condição de pele de seu filho, mas não tem razão quando espera a aceitação de quem não conhece a natureza não contagiosa da condição". Preconceito é outra coisa. No caso, o que houve foi precaução e a Gol agiu de maneira absolutamente correta ao solicitar um atestado ou a confirmação de um médico sobre o que a mãe afirmava. Quanto a mim e a afirmação do leitor sr. Renato - essa, sim, preconceituosa, porque não me conhece e, usando um termo classista, referindo-se a mim como "nobre" em sentido preconceituoso -, isso nunca aconteceria, pois sou o primeiro a me preocupar com os direitos alheios, por isso mesmo escrevi a carta enfatizando esse fato e recomendei a essa mãe que se preocupe com a sensibilidade das pessoas.

Gilberto Dib

gilberto@dib.com.br

São Paulo

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