Fórum dos Leitores

O CASO ROGER PINTO

O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2013 | 02h05

Tibieza do governo do Brasil

O editorial A coragem de um diplomata (27/8, A3) presta justa homenagem ao ex-embaixador do Brasil na Bolívia, ao mesmo tempo que demonstra não ter o Itamaraty cumprido sua obrigação de exigir do governo Evo Morales o respeito que nosso país merece e de atender à prática secular no Continente de, concedido o asilo, se conceder o salvo-conduto, e não ir empurrando com a barriga, como ocorreu. A presidente Dilma Rousseff, em minha opinião, mereceria a mesma admoestação, já que nossa Constituição não foi observada, uma vez que ela havia concedido asilo ao senador boliviano e não interveio no caso como deveria. Creio que está mais do que na hora de o Brasil pôr o sr. Evo em seu devido lugar, useiro e vezeiro que é em desrespeitar as normas internacionais e afrontar outros países quando lhe dá na telha. A presidente não pode mais acompanhar a tibieza, como lembra o editorial, de seu antecessor com o presidente da Bolívia, pois o episódio da Petrobrás ainda está atravessado em nossa garganta. Sim, porque o ex-presidente Lula e seus assessores podem ter perdoado Evo Morales, mas o povo brasileiro, não. Eis, sobretudo, a importância do gesto do ministro Eduardo Saboia. Ele fez o que o Itamaraty não fez, nem a presidente: atendeu aos princípios explicitados no artigo 4.º da nossa Carta Magna em seus incisos II, III, V e X, além do artigo 1.º em seu inciso III - a dignidade da pessoa humana. Aparentemente esqueceram que o senador se encontrava, nas condições descritas, em território brasileiro, o que também não foi considerado na Bolívia de Evo Morales, país que merece todo o nosso respeito - bem como o seu povo -, mas não é tudo isso que seu presidente acha que é para querer impor seus desatinos aos demais países.

GILBERTO PACINI

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

Itamaraty

Tendo nosso país tradição democrática na defesa dos direitos humanos e das grandes causas que enobrecem as figuras do barão do Rio Branco, de Oswaldo Aranha e outros, é de envergonhar a posição da Chancelaria lulopetista na defesa do governo teocrático do Irã, de ditaduras sangrentas da África subsaariana, da expulsão dos boxeadores cubanos e tantos outros malfeitos. Ainda bem que surgiu uma luz no fim do túnel com a corajosa decisão de nosso representante na Bolívia de salvar a vida do senador daquele país que vinha sendo perseguido há mais de um ano. Que nosso diplomata não seja punido por ter, por questões humanitárias, descumprido determinações de seus superiores totalmente contrárias ao nosso ordenamento jurídico maior. E receba a Ordem de Rio Branco!

JOSÉ RENATO NASCIMENTO

jrnasc@gmail.com

São Paulo

Diplomacia brasileira

O Itamaraty tem a obrigação de vir a público defender o diplomata Eduardo Saboia, que nada mais fez do que praticar ato humanitário ao trazer para o Brasil um cidadão asilado, independentemente dos "crimes" de que é acusado, os quais, em se tratando de Bolívia - e de Venezuela, Equador, Argentina, etc., - temos de receber com muitas reservas. O disparate seria a extradição pretendida pelo "cocaleiro", que antes já menosprezara nosso país com a leniência do "ex" no caso Petrobrás e na revista do avião da Força Aérea Brasileira com o ministro da Defesa.

ROBERTO LUIZ PINTO E SILVA

robertolpsilva@hotmail.com

São Paulo

Eduardo Saboia

Cumprimentos ao diplomata Eduardo Saboia por ter feito algo que deveria ser comum em sociedades plenamente democráticas, mas provavelmente se tornará crime num Estado ainda autoritário como o Brasil: pensar e agir de acordo com a lei e a ética. Saboia segue a bela tradição de diplomatas como Souza Dantas, que sem pensar em sua segurança e na carreira se puseram a serviço de suas responsabilidades como agentes públicos.

MARIO YAMASHITA

yamashitamario@gmail.com

São Paulo

Um peso e duas medidas

Engraçado que a Comissão da Verdade defenda a tese de que servidor com responsabilidade não deveria cumprir ordens e queira punir os soldados de 1964. Agora esse servidor diplomata na Bolívia deixou de cumprir ordem que considerou desumana e está sendo criticado.

HELIO MAZZOLLI

mazzolli@terra.com.br

Criciúma (SC)

Queda de Patriota

Neste Brasil imperfeito, até Patriota deixa de ser patriota. E a Pátria amada, sofrida, suada, perde o pé, perde a razão, sem ação, com medo de retaliação...

CACILDA AMARAL MELO

cacilda09@uol.com.br

São Paulo

Diferença

Antonio Patriota acaba de conhecer a diferença entre ser ministro de Estado e ser ministro de governo. Quando optou por ser PeTeota, deixou de ser Patriota.

SÉRGIO BARBOSA

sergiobarbosa@megasinal.com.br

Batatais

David Choquehuanca

O chanceler boliviano diz que o Brasil violou a lei. E ocupar militarmente a Petrobrás é o quê?

FRANCISCO ZARDETTO

fzardetto@uol.com.br

São Paulo

ECONOMIA

Minicrise?!

Já tinha ouvido falar em minissaia, minipizza, minidogue, etc. Mas minicrise? O sr. Mantega é um gozador... Então é por isso que temos um "mini-PIB" ou um "minicrescimento" e uma "maxincompetência"? Eta, nóis!ADEMAR MONTEIRO DE MORAES

ammoraes57@hotmail.com

São Paulo

GOVERNO CABRAL

Publicidade

Conforme encaminhado a esse respeitado veículo de mídia, que publicou em 24/8 (A4) a matéria Após atos, Cabral sobe em 240% gastos com propaganda, deixamos claro que não houve aumento de gastos com publicidade no governo do Estado do Rio de Janeiro em julho deste ano nem em nenhum momento em 2013. E que o fato de haver mais empenhos em determinado mês não quer dizer que mais gastos tenham sido feitos nesse mês. O empenho é o ato em que se declara que há recursos orçamentários para serem gastos. Empenho não é o ato de gastar recursos. Empenhos não têm relação temporal direta com realização de campanhas publicitárias. Cabe ressaltar que não há exibição de novas campanhas publicitárias. O governo do Estado não faz despesas em nenhum ano acima do valor previsto nos contratos de publicidade. O mesmo ocorrerá neste ano de 2013.

VALÉRIA BLANC, assessora de Imprensa do governo do Estado

Rio de Janeiro

*

FUGA DA BOLÍVIA

Em que pesem a coragem e determinação do diplomata Eduardo Saboia, encarregado de negócios na Embaixada do Brasil em La Paz, Bolívia, de organizar e participar da fuga espetacular de 22 horas ao Brasil, à 007, madrugada adentro, do senador boliviano de oposição Roger Pinto Molina, asilado há 15 meses na missão diplomática brasileira (fugindo de mais de 20 processos que incluem corrupção, desacato, dano ambiental, desvio de recursos e até assassinato), deve-se levar em conta e consideração que, perante as leis internacionais que regem a questão, somente o governo de um país pode conceder salvo-conduto aos seus cidadãos, caso contrário, configura-se ato de desobediência à Constituição da nação em tela. Antes de glorificar e congratular o ato humanitário do diplomata brasileiro, constrangido e tocado pela deterioração do estado de saúde mental e física do senador boliviano com o passar do tempo e diante da falta de resolução do governo Evo Morales, deve-se fazer um raciocínio inverso para ter uma visão amplificada e clara do caso. Imaginemos, então, que um mensaleiro condenado pela Justiça brasileira, como Zé Dirceu, por exemplo, conseguisse asilo na embaixada da Bolívia em Brasília (naturalmente que não sob um governo petista) e que, ao cabo de 15 meses, um diplomata boliviano, por sua própria conta e risco, resolvesse dar fuga ao político, levando-o de carro até La Paz. O que o governo e a população brasileira pensariam a respeito? Cabe, aqui, o ditado popular: "Em briga de marido e mulher não se mete a colher". Eles, que são bolivianos, que se entendam!

J. S. Decol

decoljs@globo.com

São Paulo

*

O PT CRIANDO DIFICULDADES

A fuga para o Brasil do senador boliviano Roger Pinto criou um problema nas relações do PT com seus amigos bolivarianos. Isso fica mais claro agora, depois da demissão do ministro Antonio Patriota. O chefe da Advocacia-Geral da União, Luis Inácio Adams, declarou que é necessário um novo processo para o senador boliviano poder residir no Brasil, o que, pelas disposições de Dilma Rousseff sobre o assunto, será algo difícil. Recomenda-se ao senador boliviano fugir para outra embaixada em Brasília, a norte-americana, por exemplo, pois nos EUA não existe PT se submetendo ao bolivarianismo.

Fabio Figueiredo

fafig3@terra.com.br

São Paulo

*

DILMA FURIOSA

A fuga do senador boliviano deixou a nossa presidenta furiosa. Isso não se faz. Times de futebol e ideologias são sagrados, gente!

Hermínio Silva Júnior

hsilvajr@terra.com.br

São Paulo

*

UM FILME MEDÍOCRE

Até parece que o governo Dilma foi protagonista de um daqueles filmes policiais sofríveis. Dar asilo político ao senador da Bolívia e não trazê-lo ao Brasil ficou feio internacionalmente, então organizaram uma fuga mirabolante com direito a escolta militar brasileira durante 22 horas dentro da própria Bolívia até chegar ao Brasil. Tudo engendrado à revelia do governo boliviano. Ao mesmo tempo, como o santo da presidente Dilma andava às turras com o de Patriota, resolveu mexer no tabuleiro da chancelaria brasileira despachando-o para Nova York como representante do País na ONU. Não resta dúvida, um tremendo castigo. Resta agora saber se o presidente da Bolívia, Evo Morales, também participou do enredo. Coisa que saberemos em breve, se houver aumento substancial no preço do gás fornecido ao Brasil, ou quem sabe perdão de dívida, etc. De qualquer forma, creio que seremos nós os idiotas patrocinadores desse filme medíocre. Engana que o povão acredita!

Beatriz Campos

beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

*

GOL BRASILEIRO NA BOLÍVIA

Nada me tira da cabeça que a fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina após 15 meses de "estadia" na embaixada brasileira em La Paz não se trata de meras negociações entre os governos brasileiro e boliviano. Na pior das hipóteses, serviu para a queda de um ministro inapto.

Luiz Nusbaum

lnusbaum@uol.com.br

São Paulo

*

GERENTONA OU REPRESSORA?

O diplomata Eduardo Saboia protagonizou uma operação à "James Bond" para resgatar o senador boliviano Roger Molina, perseguido pelo cocaleiro Evo Morales. O feito irritou dona Dilma, que demitiu Patriota, chefe do Itamaraty. O Brasil ignora a violência do governo sírio, afaga os aiatolás iranianos e enaltece o cartel de mentecaptos sul-americanos, fundado pelo falecido Chávez e encabeçado por Evo e Kirchner. Com base nessa linha de comportamento, cabe a pergunta: Molina será extraditado ou - seguindo o conselho dos recém-chegados médicos cubanos - será fuzilado? Afinal, dona Dilma é mais uma seguidora da ideologia repressora castrista, cujo mentor comunista é o responsável por este esquerdismo patético em nosso continente.

Sérgio Eckermann Passos

sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz

*

BOLÍVIA 3 X DILMA 1

Não há como falar em crise do Brasil com a Bolívia porque, num lance digno de Tom Cruise ("Missão Impossível"), o encarregado da embaixada brasileira na Bolívia, Eduardo Saboia, tomou para si a tarefa de resgatar o senador boliviano Roger Pinto Molina, que se encontrava asilado na embaixada brasileira, à revelia de seus chefes hierárquicos (me engana que eu gosto). Essa cena de cinema custou ao ministro do Exterior Antônio Patriota um "castigo" exemplar. Perdeu o ministério, mas foi transferido para um cargo na ONU, nos Estados Unidos, o que mais parece um prêmio. Nos embates entre Lula/Dilma contra o índio cocaleiro Evo Morales verifica-se que a Bolívia, tendo sofrido dura derrota na Guerra do Chaco (1932 a 1935) para o pequeno Paraguai, agora cresce diante do gigante de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, senão vejamos. Recentemente, a Bolívia sequestrou em seu território uma refinaria da Petrobrás, causando um prejuízo de US$ 1 bilhão; uma dúzia de torcedores corintianos foi presa inocentemente por seis meses, em Oruro, sem que a Bolívia ou o Brasil se movimentassem para libertá-los. Tem-se como certo que a Bolívia seja o maior exportador de cocaína consumida e traficada no Brasil. O senador boliviano tem mais sorte do que os médicos cubanos, porque estes não terão direito a asilo no Brasil.

Jair Gomes Coelho

jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

*

O TROCO

A Bolívia do presidente Evo Morales, com seu exército, em 2007, invadiu e tomou posse das refinarias da Petrobrás. E nada aconteceu! Porém, em agosto de 2013, o "nosso governo" se vingou: trouxe escondido um senador boliviano desafeto de Evo escondido para o Brasil. Conclusão: a Bolívia surrupia as refinarias do povo brasileiro e, após sete anos, o Brasil se vinga surrupiando um político boliviano para exilar-se em nosso solo. Isso, sim, é vingança.

Alex Tanner

alextanner.sss@hotmail.com

Sumaré

*

CORTEM RELAÇÕES

O ministro das Relações Exteriores boliviano, David Choquehuanca, disse que "o Brasil violou lei internacional permitindo a saída clandestina do senador da Bolívia e, com isso, amparados na imunidade democrática, podemos levar drogas ou traficar pessoas". Eles não são cegos, pelo que consta traficar, transgredir são atos muito comuns daquele país. A Bolívia, quando se apossou da Petrobrás enxotando nossos trabalhadores, considerou esse um ato lícito? Na verdade, o governo brasileiro deveria, sim, cortar relações com essas tais republiquetas ditatoriais que a todo momento violam os direitos humanos. Não são modelos e tampouco amigos.

Maria de Fátima Pereira Nicioli

fatima_pn4@hotmail.com

São Paulo

*

LIXO MORAL

Quanto mais a presidente Dilma fala, mais o mundo dos sensatos se espanta. Em referência à prisão do senador boliviano na embaixada brasileira em La Paz, ela respondeu às declarações do diplomata brasileiro Eduardo Saboia, que conduziu sua fuga, dizendo que "a embaixada brasileira é muito confortável". Pois então vamos aos fatos, segundo quem viveu a situação de perto, ou seja, o próprio Saboia: o senador ficou encarcerado num pequeno quarto por 15 meses sem tomar sol e sem receber visitas. Durante esse tempo, o diplomata constatou que o governo brasileiro apenas "fingia negociar" a obtenção do salvo-conduto que permitiria ao senador deixar seu país rumo ao Brasil, adquirindo o asilo político - na certa, o jogo de cena acontecia para não melindrar o querido companheiro Evo, que já deve estar enjoado de causar humilhações ao seu vizinho grandalhão e bobão. Saboia acompanhou, nesses 15 meses, todo o calvário do senador, trabalhando ao lado do quarto que serviu de cadeia, e percebeu que, mais dia, menos dia, ele poderia cometer até mesmo o suicídio. Ou seja, o governo petista, por questões ideológicas, foge do seu compromisso histórico com o direito de asilo e quase provoca a morte da pessoa em questão para não ferir os sentimentos do colega de lutas bolivarianas. A isso foi reduzida a política externa brasileira: em síntese, um lixo moral.

Henrique Brigatte

hbrigatte@yahoo.com.br

Pindamonhangaba

*

ATITUDE HUMANITÁRIA

Manifesto meu apoio e cumprimento o ministro Eduardo Saboia pela corajosa e brilhante decisão de trazer ao Brasil o senador boliviano Roger Pinto, há muito tempo asilado na embaixada do Brasil em La Paz. No lugar de querer "punir", a Presidência e o Itamaraty devem promover e condecorar o ministro Eduardo Saboia, por sua inteligência e competência em tomar uma atitude humanitária com todos os seus riscos. O ministro Eduardo Saboia, com sua corajosa atitude, honra o povo brasileiro e eleva nossa estima e consideração por pessoas dignas que se encontram dentro dos quadros do Itamaraty. Deus abençoe o ministro Eduardo Saboia e lhe seja força e coragem nestes momentos turbulentos que esperamos, confiando no bom senso e na prática da justiça por parte da Presidência e do Itamaraty, sejam desviados.

Pe. Antônio Carlos D'Elboux, pároco de Rafard (SP)

acdelboux@uol.com

Rafard

*

AINDA EM RISCO

Cumprimento o diplomata Eduardo Saboia, os militares e policiais federais que, num gesto de grandeza, resgataram o senador boliviano Roger Pinto do seu cativeiro bolivariano. Para nós outros, não petralhas, essa ação tem um sentido de luz no fim do túnel, de que nem tudo está perdido. Porém, senador, fique esperto, porque aqui não está muito diferente de lá. Se lá um Evo incomoda muita gente, aqui, um Luladilma incomoda, incomoda muito mais.

Carlos Eduardo Stamato

dadostamato@hotmail.com

Bebedouro

*

NA BEIRA DO POÇO

Essa "nuvem" petista que ainda teima em pairar sobre nós traz figuras estranhas, os tais "passarinhos" da diplomacia neo-brasileira. São pequenos em formato e em valor, são arrogantes com sotaque debochado e são mais pequenos ainda em atitudes. Mais um "voa" após outra palhaçada pseudodiplomatica, na farra petista do "ninguém sabia de nada". A palhaçada generalizada que este governo impõe sobre nós parece não ter fim e sobressai agora com os médicos cubanos que invadem nosso território na esperança de que nossos periféricos necessitados compreendam seu portunhol catequético, entre uma injeção e um curativo, desde que haja agulhas, esparadrapos e outros quetais.

Ronaldo Parisi

rparisi@uol.com.br

São Paulo

*

O SAMBA DO CRIOULO DOIDO

Uma pergunta: alguém algum dia imaginou um Brasil que ruge para ao Estados Unidos e Inglaterra e fica de joelhos para uma Bolívia governada por um índio cocaleiro? Pois é exatamente isso que está acontecendo. Há sete anos o índio boliviano mandou força militar invadir a refinaria da Petrobrás em Santa Cruz e em seguida a nacionalizou. Dias depois, convidou o corrupto presidente do Brasil em exercício, meteu-lhe um colar com folhas de coca no pescoço e chamou a imprensa para fotografias que circularam o mundo. A besta verde e amarela nem se tocou. Há dois anos, o avião que servia ao ministro da Defesa, o corajoso Celso Amorim, em viagem oficial à Bolívia, foi invadido e revistado por soldados bolivianos, mascando folhas de coca, à procura do senador de oposição Roger Pinto, que estava refugiado na embaixada brasileira em La Paz. Nada foi feito, acredito até que o ministro "da Defesa" tenha agradecido por não ter levado um tapa no escutador de novelas. Anteontem, numa operação extremamente confusa, esse mesmo senador aparece em Brasília, trazido pelo embaixador brasileiro, Eduardo Saboia, desde La Paz, numa viagem por terra até a nossa fronteira (Corumbá), com duração de 22 horas, em dois automóveis da embaixada brasileira e escoltados por militares que fazem a guarda da embaixada na capital boliviana. Menos de 24 horas depois, o incompetente, mas "patriota", ministro das Relações Exteriores do Brasil era demitido pela não menos incompetente presidente da República. Pena que Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, não esteja vivo para assistir ao vivo, 45 anos depois, na capital da República de Macunaíma, sua paródia intitulada "O Samba do Crioulo Doido". Ainda não dá para saber quem dona Dilma vai obrigar a casar com quem. No samba, Chica da Silva obriga a Princesa Leopoldina a casar-se com Tiradentes. É provável que o governo boliviano, após nos desmoralizar duas vezes, tente a terceira vez e peça a extradição do senador. O leão boliviano está rugindo há 48 horas. Aconselho à trupe de Brasília não facilitar; a poderosa Bolívia poderá pôr tropas na fronteira. Eles, apesar de terem perdido em 1935 a Guerra do Chaco para os paraguaios, conseguiram confiscar e manter armazenado um moderníssimo equipamento militar. Te cuida, Brasil!

Humberto de Luna Freire Filho

hlffilho@gmail.com

São Paulo

*

DANEM-SE OS ESCRÚPULOS

O senador boliviano Roger Pinto, rival de Evo Morales, estava retido (?) em nossa embaixada de La Paz, onde pedira asilo político desde maio de 2012. Sim, retido por falta da concessão de salvo-conduto do governo boliviano para seu translado ao Brasil, que o "cocalero" Morales se negava mandar expedir, quando, na verdade, tal emissão é consequência imediata e intrínseca à concessão do asilo. O encarregado dos negócios daquela nossa representação consular, o senhor Eduardo Saboia, não se conformava com o descaso do Itamaraty, da senhora Dilma Rousseff e do ministro Patriota (só no nome), ante a situação deprimente do senador boliviano que, além de mal acomodado numa sala de 3m x 6m mais ou menos, adoentado e abandonado, já demonstrava nítidas intenções suicidas. Por isso mesmo resolveu, vez por todas, levá-lo às escondidas para a cidade de Corumbá (MS). Utilizou-se, para tanto, de um dos carros da embaixada com placas consulares e fez-se acompanhar por dois dos fuzileiros navais que cuidavam da segurança do consulado nacional em La Paz. Corajosamente, o senhor Saboia conseguiu seu intento, embora tivesse de passar, durante o percurso, por cinco barreiras e postos de inspeção bolivianos (ou bolivarianos?). Esse episódio demonstrou a Evo Morales e a quem tenha a sensibilidade de perceber nas entrelinhas da verdade, da ética e do reconfortante sentimento da honra e da autorrealização dos que se apiedam de um indefeso político da oposição a Evo Morales, como se deve proceder quando os direitos de quaisquer cidadãos são desprezados e espezinhados pelos que ignoram, propositalmente, as cláusulas e tratados internacionais de asilo e proteção a fugitivos políticos perseguidos. Afinal de contas, Roger Pinto estava retido, ilegalmente, há mais de um ano. Ao contrário de Saboia, Dilma procedeu tipicamente como uma terrorista sem coração, sem dó ou piedade de um injustiçado retido numa embaixada de nossa pátria, que nada mais é do que o próprio território nacional. Patriota, infelizmente, sempre fez e fará o que a presidente mandar. Para Eduardo Saboia, a única certeza que lhe resta é de que está sujeito a sanções administrativas. Mesmo porque conduziu (para não dizer raptou) por moto próprio o senador boliviano e tenha sofrido, por isso mesmo, enorme risco de vida. Seu procedimento é típico dos que não suportam a indiferença de ver um perseguido político deteriorando-se numa sala como se fosse um trapo abandonado ao rés do chão. Aqui, sim, cabe bem a frase pronunciada (e gravada em vídeo e som) pelo senhor Jarbas Passarinho, quando ministro da Educação da impudica ditadura de Costa e Silva, ao recomendar a edição do AI-5: "Ora, Marechal, para o inferno com os escrúpulos", disse ele! Só que - e que enorme diferença - desta vez dita pelo senhor Eduardo Saboia, cidadão que engrandeceu ainda mais a Casa do Visconde do Rio Branco. Esperar de Dilma ou Patriota uma solução urgente já não era mais possível mesmo. Então, assim sendo, para o inferno com o manual de procedimentos protocolares do Itamaraty. Garanto-lhes que Morales e seus produtores de coca não têm condições de sequer tentar uma reação, e tampouco em tempo algum já tiveram. O que Morales fez conosco quando com o seu exército invadiu uma refinadora de petróleo que nos expropriou, já basta! Não é mesmo, Lula?

João Guilherme

Ortolan guiortolan@gmail.com

Bauru

*

PELA PORTA DOS FUNDOS

O ex-ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, já vai tarde. Fraco, pusilânime, foi conivente com ditaduras e violações aos direitos humanos em diversos países. Como chanceler, não pautou a política externa do Brasil de forma independente e autônoma, na defesa da democracia, da ética e dos direitos humanos no planeta. Os casos envolvendo o ditador sanguinário Assad, na Síria, a espionagem dos EUA e a não concessão de asilo diplomático ao norte-americano Edward Snowden foram emblemáticos. Estranho apenas que, ao sair pela porta dos fundos após o "imbróglio" no caso envolvendo o senador boliviano, agora vá receber o prêmio de representar o Brasil junto à ONU, em Nova York.

Renato Khair

renatokhair@uol.com.br

São Paulo

*

VAI TARDE

Patriota foi demitido, já vai tarde, um incompetente a menos neste oceano de ministérios.

Ivan Bertazzo

bertazzo@nusa.com.br

São Paulo

*

REBAIXAMENTO OFICIAL

Patriota para embaixador na ONU e Guido Mantega para diretor do BID.

Sergio S. de Oliveira

ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

*

APROVEITANDO O ENSEJO...

Se nossa presidente fosse patriota, do jeito que anda nossa economia, trocaria o ministro Mantega por alguém que conhece do ramo e não permitiria que a inflação e o dólar fugissem da meta do governo.

Carlos Henrique Abrão

abraoc@uol.com.br

São Paulo

*

‘MINICRISE’

Ministro Mantega diz que estamos vivendo uma minicrise (crisinha, coisa pequena, que denominarei de crisolinha, uma mistura de crise com marolinha, estão lembrados? Interessante como os nossos governistas adoram o diminutivo, é uma marolinha prá lá, é uma crisinha prá cá, é um pibinho acolá. E assim nossa economiazinha vai afundando, afundando e, pronto, afundou.

Arnaldo de Almeida Dotoli

arnaldodotoli@hotmail.com

São Paulo

*

RESPONSABILIDADE FISCAL

Se já não bastasse o ministro piadista da Fazenda, Guido Mantega, agora temos mais um ministro-chefe piadista, o da Advocacia-Geral da União, Luis Inácio Adams, que afirmou que a proposta de orçamento impositivo aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados compromete a responsabilidade e o equilíbrio fiscal. E a gastança do Executivo, sob o comando de Dilma Rousseff, não compromete? O Executivo pode criar estatais, aumentar os ministérios, aumentar o número de funcionários comissionados, inchar a máquina pública, distribuir verbas para os aliados, viajar para baixo e para cima, fazendo campanhas antecipadas para 2014, distribuindo algumas máquinas agrícolas para prefeitos da base aliada, etc.? Se vamos cobrar coerência, que a cobrança seja feita para os Três Poderes. E com urgência, pois a inflação já está corroendo o poder aquisitivo da população e o desemprego já está rondando por aí.

Maria Carmen Del Bel Tunes

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

*

O ‘SOLDADO DA FIEL’

Durante o jogo Corinthians e Vasco no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, no domingo, o narrador de um canal de TV observou que a torcida "organizada" do Corinthians chegara ao estádio após a marcação do primeiro gol, por causa de atraso no voo. Logo depois começou a confusão, com a Gaviões da Fiel provocando a torcida adversária. Considerando a presença de ex-presos de Oruro na briga, é necessário abrir a "caixa preta" dessas torcidas profissionais. Quem paga as passagens aéreas e os ingressos? Se os clubes tiverem participação nesse financiamento, seja diretamente ou através dos patrocinadores, estão cometendo um verdadeiro crime contra a civilidade. Além da correria dos torcedores verdadeiros, alguns com crianças, viram-se "organizados" portando pedaços de assentos. Então até o novo e moderníssimo estádio do Corinthians (que todos os contribuintes ajudaram a pagar) corre sério perigo de depredação. Será que a Bolívia não aceita trocar seu senador foragido pelo tal "soldado" da Fiel?

Nestor Rodrigues Pereira Filho

rodrigues-nestor@ig.com.br

São Paulo

*

TORCEDOR...

Agora que as imagens flagraram o "torcedor" arrumando confusão em Brasília, depois de passar uma temporada de cinco meses na prisão boliviana pela morte do jovem torcedor, fica fácil puni-lo. Uma opção é mandá-lo de volta para a prisão, de onde não deveria ter saído. A outra é fazê-lo comparecer a uma delegacia de polícia em todos os jogos do seu clube, não importando se em São Paulo ou fora, duas horas antes e com liberação apenas duas horas após o fim do jogo. Acho que é a única maneira deste torcedor de... braços, pernas e pescoços, deixar de ser uma ameaça aos demais verdadeiros torcedores que comparecem ao estádio apenas para realmente torcer pelo seu time do coração.

Renato Amaral Camargo

natuscamargo@yahoo.com.br

São Paulo

*

O CÂNCER DOS ESTÁDIOS

Quando criança, achava a festa nos estádios uma das coisas mais lindas, com bandeiras, faixas, arquibancadas lotadas. Basta ver as finais dos anos 70, 80 e do início dos anos 90 no Morumbi, Maracanã, Mineirão. Mas a partir de 1995 as torcidas organizadas passaram a ser combatidas por parte de promotores (principalmente em São Paulo), após a guerra campal entre são-paulinos e palmeirenses na final da Super Copa São Paulo de Futebol Junior. São mais de 18 anos e de lá pra cá, não faltam exemplos do poder desses torcedores em estragar o espetáculo. Hoje, com uma visão bem menos fantasiosa do futebol, acho que eles não fazem falta alguma, aliás, prejudicam seus times mais do que ajudam. No último domingo, corintianos e vascaínos de organizadas travaram mais uma vez uma batalha, em meio a torcedores comuns, que "cometeram o pecado" de tentar assistir a um simples jogo de futebol. Neste caso, duas situações são necessárias para analisar a realidade na bélica mentalidade das organizadas. Em meio aos vascaínos, é possível ver um homem com a camisa da Mancha Verde, assim como um membro da torcida Jovem do Flamengo pode ser visto entre os integrantes da torcida Independente do São Paulo, que atacou flamenguistas da Raça Rubro Negra no último dia 18, também em Brasília (fato que a grande mídia parece não ter percebido). Outra situação, estampada nos jornais de ontem (27), é a participação do corintiano Leandro Oliveira, conhecido como o "soldado da Gaviões da Fiel", que passou cinco meses detido em Oruro, na Bolívia, acusado pela morte do jovem Kevin Espada. Ou seja, o cara fica detido, sai como vítima, e pouco tempo depois está lá, trocando agressões no estádio, colocando, idosos e crianças em risco (como fica claro nas imagens da pancadaria do último domingo). O fato é que esses caras, em grande parte, não são os verdadeiros torcedores, não vão ao estádio por seus times, mas sim por essas entidades bizarras, que se colocam a frente do objetivo maior, que é a partida, a busca pela vitória, o entretenimento. Tenho consciência de que não são todos, tenho amigos que fazem parte de organizadas e nunca entraram em uma briga, mas são exceções de uma regra, a regra da violência, que só acabará quando federações, Justiça e clubes (em boa parte, grandes culpados) entenderem o câncer que esses "torcedores" se tornaram.

Francisco Assis

francisco.asps@gmail.com

Lorena

*

QUE SEJAM REPRIMIDOS

Falar que toda torcida do Corinthians é baderneira é, na verdade, injusto, pois os baderneiros são uma minoria que terá de ser reprimida com toda a energia possível, para desfazer essa rotina de violência nos estádios.

Edmar Francis

edmarfrancis@gmail.com

Silvânia (GO)

*

MARINA SILVA E O TSE

O futuro partido da senadora Marina, a Rede, coletou 850 mil fichas de apoio, mas teve 96.356 assinaturas invalidadas pela Justiça Eleitoral dos Estados. A dificuldade para validar seu partido é a prova viva de que a estupidez tem grande chance de vencer as próximas eleições. Como assim? Então a rede de cartórios que são herdados desde as capitanias hereditárias, do século 17, ainda mandam mais do que o bom senso e a evidente vontade popular? Creio que a senadora deveria solicitar aos herdeiros de D. João VI um papiro imperial para se sobrepor às exigências cartoriais e alcançar seu registro no TSE.

Mário Negrão Borgonovi

marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

*

COM TODO RESPEITO

A candidata à Presidência da República Marina Silva cobra do TSE o registro do seu partido, Rede Sustentabilidade. Ela disse que é um "anseio da sociedade". Menos, dona Marina!

José Marques

seuqram.esoj@bol.com.br

São Paulo

*

COBRA CRIADA

Dona Marina Silva, a senhora quer entrar como candidata em 2014 pela porta dos fundos? Cadê a sua dignidade tão alardeada?

Luiz Ress Erdei

gzero@zipmail.com.br

Osasco

*

APARELHAMENTO NA SMA

Li a matéria sobre o aparelhamento político da Secretaria do Meio Ambiente (SMA) de São Paulo ("Ambientalistas veem aparelhamento político em UCs de São Paulo", 25/8, A17) com enorme desânimo. Afinal, não esperava outra coisa do PT. Mas, se o PSDB faz o mesmo, o que nos resta? Aliás, a própria nomeação do sr. Bruno Covas já indicava o que iria acontecer. Ele não entende do assunto e é medíocre, além de completamente desinteressado pelo meio ambiente. O governador de São Paulo também deixa claro que este assunto não lhe interessa. Saudades da competência do José Serra. Atualmente, o governo de São Paulo é medíocre, não apenas no meio ambiente, como também na segurança pública. O último a sair que apague a luz!

Flavio Kunreuther

flatku@yahoo.com.br

São Paulo

*

TRABALHO PERDIDO

Cumprimento o jornal pela matéria sobre o aparelhamento político das unidades de conservação (UCs) em São Paulo. Tenho 40 anos e dois filhos pequenos. Frequento os parques estaduais paulistas há muitos anos e é sensível à deterioração da gestão e da prestação de serviços nestas áreas. Tenho o hábito de levar meus filhos para passar férias numa delas desde 2008, o Parque Estadual Intervales, e este ano não pudemos ir porque o restaurante que atende aos visitantes foi fechado e não há alternativas de alimentação sem que seja necessário pegar o carro e dirigir para fora do parque. Para quem deseja áreas naturais extensas e públicas para praticar atividades de lazer ou turismo como caminhadas, camping, etc., a melhor alternativa é fazer um passaporte e viajar para fora do Brasil. São Paulo já foi uma referência neste tema no País, tão carente de bons exemplos, mas, desde que a gestão de Bruno Covas teve início, todo o trabalho construído ao longo de anos foi posto abaixo. Lastimável. Dá vontade de ir embora do Brasil e não voltar mais.

Maria Isabel Amando de Barros, engenheira florestal

bebelbarros@yahoo.com.br

São Paulo

*

ABANDONO DE ÁREAS DE PROTEÇÃO

Contra quem? Contra o empresário e sua marreta? Contra o povo? Contra o vento e o tempo? Que vergonha sinto no descaso que os nossos burocratas têm efetivamente com nosso patrimônio histórico, ambiental ou social. Uma forma de acabar com isso é responsabilizar aqueles que votam em tombar, e não em restaurar. Culpados são aqueles que travam a manutenção e uso dos bens comuns aos cidadãos impedindo-os de serem usados comercialmente e buscarem, sim, a receita privada, deixando a pública sem este ônus, mesmo porque na valsa do vaivém político partidário não há compromissos políticos de longo prazo nem civismo. Vamos mudar a legislação e colocar um pouco de realidade moderna, inserir o tempo nas decisões dos que sentam nos conselhos e por nós decidem.

Mauricio Linn Bianchi

amiron@groupe-allard.com.br

São Paulo

*

‘I HAVE A DREAM’, 50 ANOS DEPOIS

No dia 28 de agosto de 1963, numa das maiores manifestações do Criador sobre os homens, o mundo conheceu o discurso de Martin Luther King Jr., um homem que sonhou que um dia os americanos da raça negra seriam livres, teriam acesso a empregos e educação como os brancos e que na justiça eles seriam julgados pelo seu caráter, e não pela cor de sua pele. O discurso de Luther King na verdade não foi só para os americanos, e sim para o mundo inteiro, porque as suas palavras foram direcionadas na época para todos os governantes e pessoas que também lutavam por um mundo melhor. Passados 50 anos do grande discurso "I have a dream", que foi considerado pelos historiadores como um dos mais importantes do segundo milênio - o outro foi de sir Winston Churchill, quando a Inglaterra entrou na 2.ª Guerra Mundial contra o regime nazista, para defender o seu povo ele falou: "O que tenho a oferecer a vocês como chefe de Estado, é sangue, suor, lágrimas e trabalho, para derrotarmos o inimigo" -, a marcha continua em todo o mundo, porque o sonho ainda não se concretizou com queria Luther King. Em Washington há dois bairros: em um, dos habitantes da raça negra, Anacostia, 92% dos moradores têm renda familiar um pouco superior à que define a linha da pobreza; no outro, a 3 quilômetros do Capitólio, o Congresso americano, a renda familiar é equiparada à de classe média americana. Ou seja, os abismos continuam na capital dos Estados Unidos da América. Para o mundo, a mostra das desigualdades sociais permanece, principalmente nos países africanos, onde 45 mil crianças morrem por dia ao redor do mundo, 80% na África, por falta de água potável e alimentação. Para estes, a marcha e o sonho de Luther King por um mundo melhor devem continuar. Nas intolerâncias raciais, citamos o caso da jornalista americana Oprah Winfrey, uma das pessoas mais influentes dos Estados Unidos, segundo a revista "Forbes", com uma fortuna de US$ 2,8 bilhões, foi vítima de racismo ao tentar comprar uma bolsa de 28 mil euros para o casamento da pop star Tina Turner na Suíça: a vendedora se negou a mostrar o acessório, alegando que era caro demais para ela. O sonho de Luther King continua vivo em nossas mentes e corações, seu legado pede que devamos continuar lutando contra as desigualdades sociais e as intolerâncias raciais, religiosas e imigratórias, e principalmente contra a degradação e devastação da natureza e da vida no planeta. Para vencermos essas enormes dificuldades como fome, miséria, violência urbana, guerras, devemos agregar ao sonho de Luther King a não violência de Gandhi, ao "imagine" de John Lennon e à preservação do meio ambiente de Jacquez Cousteau. Um beduíno não vencerá a imensidão do deserto se seguir só, se seguirmos em caravanas, poderemos vencer esses enormes desafios usando o legado desses grandes homens e mulheres que no seu tempo lutaram sempre por um mundo melhor. Seguimos em frente 50 anos depois.

Jose Pedro Naisser

jpnaisser@hotmail.com

Curitiba

*

BAIXA NATALIDADE

A respeito da baixa natalidade na Alemanha e de suas consequências econômicas, um dado a que devemos dar ênfase é a taxa de fecundidade da mulher brasileira. Esta taxa, segundo o último Censo, era de 1,90 filho por mulher. Trata-se de uma informação relevante, pois, na ordem natural da vida, cada geração deve ocasionar prole suficiente para repor mortes, e a mínima taxa para isso é de 2,10 filhos por mulher. Por isso, o poder público deveria promover incentivos para que a maternidade fosse mais frequente. De fato, a escassez de nascimentos se converteu num tema que ocupa um lugar importante na agenda governamental de alguns países europeus. Da mesma forma que as campanhas para a prevenção do tabagismo, do alcoolismo, da obesidade, procurando modificar condutas de risco, podem-se fazer empreitadas positivas para promover a natalidade.

Washington de Jesus Melo

washington@pedreira.org

São Paulo

*

‘MAIS MÉDICOS’

As associações médicas brasileiras estão revoltadas com a contratação de profissionais estrangeiros, argumentando que estão "preocupadas" com eventuais erros médicos e desconhecimento da língua. Informam que não são motivadas por corporativismo, entretanto, se omitem em relação a fatos recorrentes como o de profissionais do sistema público de saúde que recebem por plantões não realizados e de grosseiros erros médicos praticados em vários tipos de procedimentos. Por outro lado, alguns brasileiros que têm planos de saúde particulares e moram em locais privilegiados também se mostram indignados pela contratação de médicos estrangeiros para atuar em regiões carentes com vagas não preenchidas por médicos brasileiros. Seria interessante ouvir a opinião dos verdadeiros interessados no assunto, que são a pessoas que não têm atendimento e, pelo que me consta, não nomearam as associações médicas e a população privilegiada assistida como porta-vozes de suas necessidades.

Wilson Haddad

wilson.haddad@uol.com.br

São Paulo

*

A BARREIRA DA LÍNGUA

Alexandre Padilha disse: "Não sintam vergonha de não falar português". Vergonha é o nosso ministro da Saúde dizer isso. Como será a relação médico-paciente, por telepatia? O mundo inteiro exige proficiência do idioma local, mas é claro que só o Brasil do PT está certo, todos os outros países estão errados. Já que o programa Mais Médicos estava pronto, só esperando a oportunidade para sair do "forno", deveriam pelo menos ter ensinado o português para eles, porque Medicina leva mais tempo: 7 mil horas.

Mário Issa

drmarioissa@yahoo.com.br

São Paulo

*

VALE TUDO

Umas das poucas iniciativas deste governo petista a que tenho de me curvar é a iniciativa de trazer médicos do exterior - apesar de alguns alugados por Cuba e até escravizados - com o objetivo de atender o interior e as periferias das grandes cidades. Temos de repudiar a tentativa do Conselho de Medicina que tenta a todo custo inviabilizar essa iniciativa, pois, dos médicos que se formam nas capitais, muitos poucos voltam para suas terras ou cidades do interior. Desta forma, são bem-vindos médicos de Cuba, do Tibete ou de qualquer parte do planeta. Tudo vale na emergência. O conselho de medicina deve mesmo é arregaçar as mangas, tirar os traseiros das confortáveis cadeiras e apresentar uma solução para o problema de falta de médicos no Brasil.

Henioch Dias de Amorim

henochamorim@globo.com

São Paulo

*

NADA A PERDER

Tem muita gente contra a vinda dos médicos de fora para clinicar aqui. Mas, pensando bem, é melhor um médico estrangeiro do que médico nenhum. Que venham. Só de Cuba são 4 mil, do que se conclui que existem por aqui pelo menos 4 mil locais sem médico algum. Afinal, quem não tem nada não tem nada a perder!

Maria Elisa Amaral

marilisa.amaral@bol.com.br

São Paulo

*

ESTADO DE GUERRA

Parece que qualquer um se autoriza a imaginar saídas para o sistema de saúde abandonado há décadas no País, excetuada, é claro, a classe que melhor conhece a questão e que vem sugerindo em vão saídas muito antes do "mais ou menos médicos". Assim é que um missivista oferece a fascinante ideia de militarizar o atendimento no Brasil, deixando para a massa masculina a obrigatoriedade de carregar o piano apodrecido nas costas, pervertendo a função do recrutamento do serviço militar. Por que não declaramos logo um estado geral de guerra entre nós mesmos?

Carlos Serafim Martinez

gymno@uol.com.br

Campinas

*

DÚVIDAS SOBRE O PROGRAMA

O momento vivido pelo País é mais do que preocupante: 1) Mesmo que os médicos contratados sejam muito bons (o que não se sabe), encontrarão uma infraestrutura da saúde abaixo do nível; 2) Além disso, querem nos convencer de que em três semaninhas de curso estarão dominando nossa língua, a fim de se comunicarem com o nosso pobre povo doente, inclusive os indígenas; 3) Para o ministro da Saúde, o objetivo principal da vinda desses médicos é a Ação Básica de Saúde (prevenção, educação em saúde e pequenos procedimentos). Mas, para isso, por que não treinar agentes comunitários de saúde brasileiros, oferecendo salários dignos e com plano de carreira, obrigando-os a cursos constantes de atualização? Assim o nosso dinheiro seria bem usado com o nosso próprio povo, sem precisar enviá-lo para Cuba, por exemplo. Isso é o fim! A ação das Unidades Básicas de Saúde (UBS) poderiam funcionar como uma triagem antes de os pacientes serem encaminhados para os médicos. Pesquisas mostram que, de cada 10 pacientes que procuram um posto de saúde, 6 desses casos podem ser resolvidos por paramédicos, enfermeiros ou agentes de saúde muito bem preparados para essa função; 4) Quem nos garante que esses médicos cubanos, venezuelanos, bolivianos, etc., estão servindo de "fermento na massa", tentando incutir na cabeça do nosso povo, principalmente o do Norte e o do Nordeste a filosofia política de seus países? Depois que assisti a um vídeo em que uma jovem brasileira conta que foi mandada para Cuba pelos "sem-terra" a fim de fazer Medicina (sem passar por um vestibular), com a intenção de na volta pregar "as maravilhas" do regime comunista de Fidel Castro, não espero mais nada do nosso governo. Acorda, Brasil!

Roberto Hungria

rosohu@bol.com.br

Itapetininga

*

EMOÇÃO

É de causar emoção a fotografia, publicada na página A13 do "Estado" de ontem (27/8), em que o ministro da Saúde, o brasileiro Alexandre Padilha, e a cubana Márcia (vice-ministra) estão envolvidos num doce abraço, como se irmãos fossem. Tal fraternidade talvez possa ser atribuída à rapidez e ao sucesso com que o programa "Mais Médicos" foi implantado e a pronta chegada aqui dos médicos cubanos, mais interessados em colaborar com o povo brasileiro do que com o salário, segundo li no "Estadão". Suponho que o regime cubano deve ter forjado um novo tipo de gente diferente dos brasileiros, que só pensam em dinheiro, pois o desprendimento dos médicos cubanos nunca se viu por aqui. A emoção que emana da foto dos ministros abraçantes deve ser atribuída à certeza de que os problemas da saúde no Brasil estão superados. Está aí uma prática maneira de resolver os eternos problemas brasileiros: podemos pedir à boa vontade do governo cubano para implantar os programas "Mais Engenheiros" (para desempacar as obras do PAC), "Mais Advogados" (para fazer a reforma política e implantar o controle social da mídia), "Mais Dentistas" (para embelezar o sorriso dos brasileiros), e "Mais Professores" (para suprir nossas deficiências nessa área e ensinar as nossas crianças as malignidades do capitalismo brutal e decadente). Finalmente, "Mais Políticos" (para acelerar nossos passos na direção do paraíso comunista).

Affonso Maria Lima Morel

affonso.m.morel@hotmail.com

São Paulo

*

O CONFLITO NA SÍRIA

As chances de os Estados Unidos invadirem a Síria são as mesmas de a Rússia invadir Israel. O mundo ocidental errou feio ao querer igualar uma nação de milenar tradição árabe aos povos da África Sahariana conquistados por ela. O presidente Assad pode ser acusado de quase tudo, menos de ser ingênuo ou fratricida a ponto de querer eliminar seu próprio povo, e muito menos ainda recorrendo a armas de destruição em massa não convencionais.

Marcos Abrão

m.abrao@terra.com.br

São Paulo

*

INTERVENÇÃO SEM O CONSENSO NO CS?

O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) britânico, William Hague, tem estado muito ativo na defesa de uma intervenção robusta na Síria. Numa das suas mais recentes intervenções, Hague disse à BBC que "é possível responder ao uso de armas químicas sem haver unanimidade de votos no Conselho de Segurança (CS) da ONU". Uma vez que estamos em matéria do capítulo VII da Carta da Organização das Nações Unidas, uma intervenção armada na Síria exigirá, por regra, o voto favorável de 9 dos 15 membros do Conselho de Segurança, incluindo o voto favorável dos 5 membros permanentes (P5) - ou, pelo menos, o seu não voto contra -, ao abrigo do art. 27.º, n.º 3 da Carta. No entanto, um dos maiores precedentes da história contemporânea, nesta matéria, foi protagonizado pela Nato na crise do Kosovo, tendo a ameaça e concretização do uso da força contra a República Federal da Iugoslávia ocorrido em violação da Carta das Nações Unidas, uma vez que os países que integram aquela entidade agiram sem qualquer mandato expresso do Conselho de Segurança e nem sequer a sua ação poder ser enquadrada no conceito da legítima defesa, ao abrigo do art. 51.º da Carta. Todavia, não deixa de ser interessante o entendimento da doutrina jusinternacionalista dominante nesta matéria. Neste sentido, Bruno Simma entende que a Nato tudo fez para agir, o mais possível, de acordo com a legalidade, verificando-se uma linha divisória estreita entre o Direito Internacional e a atuação da Nato: embora em violação do Direito Internacional, a organização procurou dar cumprimento às resoluções do Conselho de Segurança e justificou a sua intervenção como tratando-se de uma medida urgente destinada a evitar a verificação de uma catástrofe humanitária no Kosovo. Simultaneamente, Antonio Cassese defendeu que, embora violador do Direito Internacional, o comportamento da Nato será justificável do ponto de vista ético e, uma vez preenchidos determinados requisitos, uma norma costumeira poderá emergir e legitimar o uso da força por um grupo de Estados, sem ser necessária a autorização prévia do Conselho de Segurança, pois que "os direitos humanos da atualidade não são um exclusivo de nenhum Estado em particular, antes de toda a comunidade mundial, não podendo a sua violação permanecer impune". Não obstante este entendimento da doutrina, que legitima o desprezo pelo último garante da legalidade criada com o objetivo de evitar comportamentos discricionários e arbitrários abusivos, os dois autores seguem no sentido de comportamentos como o da Nato no Kosovo deverem constituir uma exceção e apenas uma arma de último recurso que não ofereça dúvidas quanto à sua legitimidade. O problema de uma intervenção na Síria, neste exato momento - e quando se insiste em responsabilizar o regime de Bashar al-Assad por comportamentos que poderão muito bem ser futuramente imputados aos rebeldes , está longe de reunir consenso em torno da sua urgência e necessidade. Ainda assim, o precedente foi criado e William Hague agarra-se a ele com unhas e dentes. Com o avanço para uma intervenção à margem do necessário entendimento no Conselho de Segurança, importa perguntar que futuro terá este órgão das Nações Unidas e que futuro teremos para a humanidade com tantas exceções e precedentes criados.

Alexandre Guerreiro

alexandretguerreiro@gmail.com

São Paulo

*

‘UM DEUS IMPLACÁVEL’

Fui eleitor e sou fã do jornalista e ex-deputado João Mellão Neto. Mas não concordo com a parte teológica do seu artigo "Um Deus implacável" (23/8, A2). Sou filho de católico com calvinista e aprendi a viver as duas éticas. Minha primeira contestação é que, de forma alguma o Deus católico é menos implacável que o Deus calvinista e judaico. A ética amorosa do Cristo não perpassou quase nenhum ramo do cristianismo a não ser esporadicamente. O homem, criança, ia para o inferno se mentisse, se faltasse à missa, se mordesse a hóstia, etc. Um calvinista radical ficaria encantado. Por outro lado, a predestinação, muito controversa, não é elemento-chave no apreço que o protestante tem pela riqueza. Funciona assim: todos são mordomos de Deus na Terra e, se você recebeu muito, será cobrado por muito. Enriquecer trabalhando duro é obrigação do bom mordomo. Mas o dinheiro não é seu. É de Deus. Usufruir em beneficio próprio ou ostentar a riqueza é proibido. Isso gera um imenso poder de acumulação e investimento, sancionado pela divindade, que propulsionou os países protestantes. Paralelamente, é claro, à necessidade de ler e compreender bem o que se lê para interpretar a "Bíblia". Milionários protestantes fizeram imensas doações para a educação (Carnegie, Stanford, Rockefeller, Ford, etc., etc). Essa a diferença. A parte sociológica do artigo está bem.

Paulo José Possas

paulo.possas@eaglecapital.com.br

São Paulo

*

GILMAR DOS SANTOS NEVES

Quando as emissoras de televisão anunciaram no domingo, 25/8, o falecimento do melhor goleiro que o Brasil teve em toda a sua história, um sentimento de tristeza tomou conta de mim e passei a recordar toda a sua carreira que tive o privilégio de acompanhar, desde quando veio do Jabaquara para o Corinthians e depois no Santos Futebol Clube. O ex-presidente do alvinegro do Parque São Jorge Wadih Helou foi o responsável pela saída do goleiro do Timão, atitude que todos nós lamentamos na época e pelos anos seguintes. Porque Gilmar era um senhor goleiro, tanto que foi continuar sua carreira no Santos de Pelé, o melhor time do clube em todos os tempos. Gilmar dificilmente rebatia a bola que ia a suas mãos, como a quase maioria dos nossos goleiros atuais fazem. Voava como se a lei da gravidade lhe fosse mais suave. Acompanhei como todos os brasileiros, infeliz mente pelo rádio a campanha da seleção brasileira em 1958 e 1962, quando pela única vez ganhamos duas Copas em seguida e Gilmar fechou o gol do Brasil. Foi nos ombros dele que o garoto Pelé chorou na final da Copa de 1958 quando nos tornamos campeões mundiais pela primeira vez. Na segunda-feira, 26/8, ao abrir o "Estadão" no caderno de Esportes, pude ver com satisfação a maravilhosa homenagem do jornal àquele que realmente foi o maior goleiro do Brasil. A foto que ilustra a reportagem por si só é uma homenagem, pois pode-se ver como ele praticava as suas defesas. O time do Céu recebeu um grande goleiro, com certeza de braços abertos.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

*

ADEUS A CAMPEÕES

A Seleção Canarinha foi campeã brasileira pela primeira vez na Suécia com Gilmar, De Sordi e Belini, Nilton Santos, Zito e Orlando, Garrincha Didi e Vava, Pelé e Zagalo. Nos últimos dias o mundo esportivo ficou mais triste, Gilmar dos Santos Neves, com 83 anos de idade, e Nilton De Sordi, com 82 anos, por coincidência ou destino, nos deixaram na mesma semana.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

*

HOMENAGEM

O time do Céu está reforçado. Gilmar, De Sordi juntam-se a Djalma Santos. Que descansem em paz, e obrigado pelas alegrias que proporcionaram a uma geração. O futebol brasileiro deve, e muito, a eles.

Panayotis Poulis

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.