Fórum dos Leitores

PT X PMDB

O Estado de S.Paulo

11 Março 2014 | 02h04

Toma lá, da cá

Pelo menos um terço dos deputados federais do PMDB quer romper com o PT. A presidente Dilma Rousseff, que não nasceu ontem nem é boba, começará o famoso "toma lá, da cá", a compra de apoio oficializada, só que a moeda é outra, chama-se cargo ou ministério. Acorda, Brasil.

ARNALDO DE ALMEIDA DOTOLI

arnaldodotoli@hotmail.com

São Paulo

Alteração na lei

É lamentável a notícia da reunião entre os mais altos escalões do Executivo e do Legislativo do País, em pleno domingo à noite, para uma verdadeira negociata de ministérios para parlamentares. "Brigam" por esses cargos na expectativa de obterem vantagem financeira, cargos para apadrinhados, além de retorno político-eleitoreiro. Não resolveria, mas amenizaria esse descalabro abolir o inciso I do artigo 56 da nossa Constituição, pelo qual o deputado ou senador não perde o mandato desde que investido no cargo de ministro ou secretário de Estado. Assim, sem tal inciso, certamente nenhum parlamentar abriria mão de seu mandato para se aventurar a "servir" à Pátria num cargo que poderia perder a qualquer momento. Todo aquele que detém mandato eletivo está lá porque seus eleitores assim o quiseram, e não para serem ministros ou secretários. Temos de erradicar mais esse "jeitinho brasileiro".

JORGE DE JESUS LONGATO

financeiro@cestadecompras.com.br

Mogi-Mirim

Bola da vez

O PT está utilizando a fórmula que deu certo na primeira eleição presidencial de Lula para aplacar a revolta em curso no PMDB. Assim como a Carta aos Brasileiros aparou arestas previstas e acalmou quem anunciava a catástrofe, o binômio Lula-Dilma, mais do que o PT, oferece benesses para tentar abrandar a desconfiança de peemedebistas desgarrados - revolta que, bem-sucedida, pode trazer riscos de monta à reeleição da presidente Dilma. No passado, Lula cedeu no atacado, mas no varejo aparelhou o sistema a fim de formar uma base sólida com vista a seus objetivos hegemônicos futuros. Sua sucessora foi com demasiada sede ao pote contra aqueles que ofereceriam risco imediato de falta de lealdade total. O PMDB é a bola da vez. Se repetem o afago para terem sucesso nesse propósito, sabemos de antemão o que lhes será destinado se o PMDB perder realmente importância no cenário político. Vamos ver se o PMDB cai no canto da sereia e se os demais peões políticos manejados para reduzir essa importância também serão bem-sucedidos em sua estratégia. As urnas dirão.

SERGIO HOLL LARA

jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

Em respeito a Ulysses

É uma afronta à memória de Ulysses Guimarães o que o PMDB vem fazendo ao longo do tempo, permanecendo como coadjuvante de uma turma de amadores na direção do País. O partido tem quadros melhores do que os "cumpanheros" do PT e poderia, facilmente, ter o papel principal na política nacional. Mas vem se contentando em ser apenas subalterno, servindo de escada para que o PT se mantenha no poder. O PMDB necessita de coragem para mudar essa situação e lançar candidatos próprios. Afinal, é bom que comece a caminhar com as próprias pernas e deixe de ser subserviente.

ALVARO SALVI

alvarosalvi@hotmail.com

Santo André

Oposição de fato

Finalmente descobri quem faz oposição ao atual governo brasileiro: é a teimosia de Dilma. Sua teimosia ainda prejudicará o casamento do PT com o PMDB, levando o distinto casal ao divórcio. E como existe um grande patrimônio em jogo, com certeza a separação será litigiosa.

MARIA CARMEN DEL BEL TUNES

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

JOAQUIM BARBOSA

Candidatura política

Tem toda a razão o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, em não aceitar ser candidato à Presidência da República em 2014. Tal cargo não é para pessoas honestas, íntegras, dignas, cumpridoras das leis e da Constituição federal, com espírito público e republicano. Ao contrário. Como ele mesmo bem disse, o jogo da política é sujo, desleal, antiético e Barbosa seria um estranho no ninho e alvo fácil no ambiente deletério e viciado da política partidária brasileira.

RENATO KHAIR

renatokhair@uol.com.br

São Paulo

Precisamos dele no STF

Sou contra qualquer candidatura política do excelentíssimo ministro Joaquim Barbosa. Infelizmente, no Brasil, assumir qualquer cargo no Poder Legislativo será apequenar-se. No Poder Executivo, mesmo em seu cargo maior, a Presidência da República, como bem disse Fernando Henrique Cardoso, faltar-lhe-á traquejo, pois é da natureza de um antigo procurador da República a fiscalização da lei - o que não necessita comentários quanto ao julgamento da Ação Penal 470, vulgo mensalão, em que Barbosa deu continuidade ao excelente trabalho do ex-ministro Carlos Ayres Britto. Portanto, precisamos do ministro no Judiciário, o único Poder em que ainda temos ótimos representantes, e não míseras exceções.

DIRCEU AGUERO, especialista em Direito Constitucional, metalúrgico do ABC paulista

aguero@estadao.com.br

Santo André

Supremo em risco

Com mais quatro anos de governo do PT o STF estará totalmente destruído. E sem Supremo Tribunal independente seremos um país sem lei e a caminho do caos.

JOSÉ ROBERTO IGLESIAS

rzeiglesias@gmail.com

São Paulo

Hora de mudança

É importante que haja alternância no poder, é a oportunidade de abrir gavetas, levantar o tapete para varrer toda a sujeira escondida, avaliar o que foi realizado de positivo e negativo. Se nada mudar, ficaremos impotentes para avaliar e seguiremos presos ao modelo existente. Acorda, Brasil, é hora de mudança.

VALDIR SAYEG

valdirsayeg@uol.com.br

São Paulo

CORRUPÇÃO

Ainda os mensaleiros

O PT diz que agora os seus mensaleiros não podem ser chamados de quadrilheiros, são só corruptos - que elogio bonito! Parafraseando o que o presidente do PT disse sobre o ministro do STF Joaquim Barbosa (8/3, A4), podemos dizer que os mensaleiros "como corruptos são grandes políticos e como políticos são grandes corruptos".

LUIZ CARLOS TIESSI

tiessilc@hotmail.com

Jacarezinho (PR)

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CRISE NA VENEZUELA

O governo Dilma Rousseff barrou o envio de missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) à Venezuela e hoje, na reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em Santiago do Chile, ensinará aos membros da entidade como tratar as manifestações de rua da população: prometa tudo, adie qualquer decisão e terceirize a violência.

Victor Germano Pereira

victorgermano@uol.com.br

São Paulo

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O PORQUÊ DA UNASUL

Nicolás Maduro prefere ser referendado pela Unasul, que nasceu de uma visão política bolivariana, para salvar a sua pele nos episódios de violência cometida contra aqueles que se opõem a seu governo de forma pacífica, e não pela OEA, que analisa os fatos sob a ótica de seus pilares: a defesa da democracia, dos direitos humanos, da segurança e do desenvolvimento. Enquanto a Unasul ainda não conseguiu se definir e a OEA já tem sua proposta, a Venezuela já conseguiu um acordo com a China, a Rússia e a França, de US$ 7 bilhões, para com certeza levar seu plano "socialista de esquerda" à diante. Lamentável é o silêncio macabro dos petistas em relação aos lamentáveis absurdos praticados pelo violento filhote do ditador Chávez contra uma população pacífica que quer de volta os seus diretos democráticos.

Leila E. Leitão

São Paulo

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ATÉ ONDE VAI O APOIO DO BRASIL?

O apoio irrestrito que o governo brasileiro tem dado ao regime bolivariano do ex-motorista do metrô de Caracas Nicolás Maduro não me surpreende - não se poderia esperar outra coisa desses admiradores de Che Guevara (cujas românticas fotos assemelham-se incrivelmente às de Mário Moreno, o "Cantinflas"). O meu temor é que eles levem a sério essa antiga paixão juvenil e façam como Hugo Chávez, que vendeu os títulos da dívida americana que faziam parte das reservas monetárias da Venezuela, substituindo-os por papéis de Cuba, Bolívia, Nicarágua, Equador e Argentina. Aliás, seria bem interessante conhecermos a composição das nossas reservas, para vermos o que há de real e fictício nelas.

Nestor Rodrigues Pereira Filho

rodrigues-nestor@ig.com.br

São Paulo

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ORDENS DE HAVANA

No vergonhoso apoio a Nicolás Maduro, Brasília está apenas cumprindo fielmente as ordens recebidas de Havana.

Fernando Moreno

frodg434@hotmail.com

São Paulo

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SOFISMA

Em recente entrevista, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ao tentar justificar as ações repressivas, com vítimas fatais, de suas forças policiais contra manifestantes, rebateu o posicionamento crítico do governo americano, ao contrário da inércia da OEA e da misteriosa Unasul, argumentando: "O que fariam os Estados Unidos, o que aconteceria nos Estados Unidos se algum grupo dissesse que vai incendiar os Estados Unidos para que Obama saia, para que renuncie, para mudar o governo constitucional dos Estados Unidos. Seguramente o Estado reagiria, utilizaria toda a força da lei para restabelecer a ordem". Belo sofisma, em face de ser notório que no seu país não é um simples grupo que está clamando por sua saída, mas a metade da população venezuelana, numa clara divisão da sociedade, o que demonstra inequivocamente o fracasso do modelo chavista. Além disso, Maduro dá um atestado de profunda ignorância, simulação talvez, a respeito dos mecanismos democráticos do país americano, pois lá, em caso semelhante, os próprios princípios institucionais se encarregariam de promover a renúncia do presidente.

Paulo Roberto Gotaç

prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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MAIS DEMOCRÁTICA

Hugo Chávez e, agora, Nicolás Maduro transformaram a Venezuela num país mais democrático, com interesses voltados para a população de baixa renda. Isso incomoda muita gente, sobretudo capitalistas ligados aos norte-americanos, que vêm financiando os atuais rebeldes que tentam desestabilizar o país. Daí esse incentivo que a mídia vem dando para a atual rebelião que ocorre no país, onde Chávez e Maduro sempre são tratados como ditadores.

Habib Saguiah Neto

saguiah@mtznet.com.br

Marataízes (ES)

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DOIDO VARRIDO

A Venezuela está enfrentando gravíssimos problemas políticos e econômicos, mas difícil mesmo deve ser o povo venezuelano assistir a seu país ser governado por um doido varrido como Nicolás Maduro. Os sinais da demência presidencial são de solar clareza. Vamos aos fatos. Quando Hugo Chávez faleceu, Maduro acusou os EUA de terem logrado inocular no caudilho o câncer pélvico que o acometeu, sem, todavia, explicar como isso teria sido possível aos "ianques". Após as exéquias, Maduro trouxe a público um particular que teve com um passarinho ("pajarito"), com o qual assegurou ter visto sinais de estar incorporado o espírito luminoso do extinto líder bolivariano. Pouco após, divulgou com estardalhaço nova aparição de Chávez, desta feita nas obras do metrô de Caracas... Nenhum desses fatos sobrenaturais impediu a Venezuela de sentir o resultado lastimável do "socialismo do século 21", com tabelamentos, escassez de gêneros, de divisas, inflação, criminalidade, etc. Nesse adverso contexto político e econômico, ao invés de Maduro governar com sensatez e sabedoria para reverter os estragos já feitos por sua corriola socialista, deliberou instituir o Ministério da Suprema Felicidade! Ora, convenhamos, criar um órgão público para administrar a "felicidade" dos venezuelanos num contexto em que ninguém está feliz com a vida já nem é coisa de comunista, e sim de um insensato sofrendo de perturbações psíquicas. Para coroar a situação digna de "O Alienista", de Machado de Assis, e em meio a violentos distúrbios e protestos nas ruas das principais cidades venezuelanas, Maduro foi, agora, à internet para divulgar fotos de praias e de carnaval, com a frase "definitivamente, a Venezuela está dando uma lição àqueles que quiseram proibir o carnaval e violentar a felicidade do povo. Viva a paz". Se alguém tinha alguma dúvida sobre Maduro estar enfrentando sérias perturbações mentais, penso que esta última tirada presidencial põe uma pá de cal sobre o assunto.

Silvio Natal

silvionatal49@gmail.com

São Paulo

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DIAS CINZENTOS NA UCRÂNIA

O governo russo, expresso pelo laconismo estratégico de Vladimir Putin, não quer anexar a Crimeia. O referendo do dia 16, por ele preparado e do qual tem certeza de sair-se vencedor, será o motivo para reativar a luta interna na Ucrânia - pouco lhe importando se chegará a uma guerra civil sangrenta, triste e prolongada - para restabelecer o "status quo" ante a vitória da Praça da Independência. É dizer, o objetivo efetivo é não perder a Ucrânia, por meio de conflito interno em que infiltrará sicários. Não por meio de métodos tradicionais e forças regulares. E a solércia do Kremlin lhe permitirá invocar o direito internacional, que foi o primeiro a arrostar, em face das potências ocidentais. O povo ucraniano pode aguardar dias cinzentos e profundamente infelizes pela frente, diante de uma invasão de mercenários dissimulada de guerra civil.

Amadeu R. Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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A UCRÂNIA EM DISPUTA

Após 25 anos de calmaria, começou o degelo da guerra fria. Por oportuno, cabe lembrar frase de Guy de Maupassant: "O patriotismo é o ovo das guerras".

J. S. Decol

decoljs@globo.com

São Paulo

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CRIMEIA

A Crimeia assim se denomina não porque é um lugar que pratica crimes contra outras nações, mas, por ironia do destino, é um lugar que está correndo o risco de sofrer invasão militar por outra nação - um verdadeiro crime - da qual se libertou há pouco tempo, a Rússia. Ironicamente, o presidente deste país, Vladimir Putin, proclama publicamente que "a Crimeia é uma boa aquisição". Será que ele não sabe que, adquirir é verbo comprar, e não invadir? A foto que o "Estadão" estampou ontem no caderno Internacional (10/3, A7) demonstra indubitavelmente o que é "aquisição" - para o presidente que quer restabelecer a União Soviética: um pobre manifestante favorável à aproximação da sua terra com a Europa sendo massacrado covardemente a pauladas por sete ativistas pró-Rússia, durante protesto contra a mencionada invasão. A Ucrânia que se cuide!

Antonio Brandileone

abrandileone@uol.com.br

Assis

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EFEITOS DELETÉRIOS

Estamos em 2014 e ainda vivemos efeitos deletérios herdados de acontecimentos históricos do passado. No Oriente Médio temos a constante tensão entre palestinos e judeus. Agora, assistimos a um presidente deposto na Ucrânia e o exército russo invadindo a região da Crimeia. Não sou historiador, mas vou relembrar os fatos para entendermos um pouco o que estamos vivendo. Após a 2.ª Guerra Mundial, o mundo ficou de frente com as sequelas de anos de crueldade: mais de 6 milhões de judeus exterminados nos campos nazistas. Com isso, as organizações voltadas para ajuda humanitária passaram a resgatar os judeus que sobreviveram nos campos de concentração e embarcá-los clandestinamente para a palestina. A Inglaterra tentou de todas as formas barrar o desembarque dos refugiados, lembrando que a Palestina era concessão britânica. A opinião pública mundial, sensibilizada, teve reforçada a ideia de criação de um Estado judeu na Palestina. Em 1947, em assembleia realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, foi deliberada a divisão da Palestina em dois Estados, o Estado Judeu e o Estado Árabe. Em maio de 1948, os judeus, liderados por David Bem Gurion, fundaram oficialmente o Estado de Israel. No entanto, o Estado árabe prenunciado pela ONU nessa partilha não foi estabelecido e os palestinos lutam até hoje para terem o seu Estado. Esse episódio foi denominado Questão Palestina. Assim, resumidamente, entendemos o que acontece hoje naquela região. Teríamos outro ponto de tensão entre os dois povos: a falta de água na região. Agora, para entendermos a questão da Ucrânia e a região da Crimeia naquele país, vamos voltar ao passado e vermos como foi costurada a antiga URSS. A União Soviética (URSS, USSR ou CCCP) surgiu logo após a Revolução Russa, e era composta de vários países soviéticos e tinha uma enorme extensão geográfica, englobando os Países Bálticos, o leste da Polônia, a Besserábia e excluindo apenas a Polônia e a Finlândia. Durante a guerra fria, a URSS criou um poderoso bloco socialista que se estendia da Europa oriental até a América, passando pelo Extremo Oriente, Sudeste Asiático, Oriente Médio e pela África, e todo esse bloco era comandado por Moscou. A URSS cresceu tanto que chegou a ser formada por 15 países na época, até sua dissolução: Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Estônia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Letônia, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tadjiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão. Com a queda do Muro de Berlim, começou a ser derrubado depois de 28 anos de existência este bloco comunista. Não foi apenas a queda, mas também ocorreram grandes manifestações em que se pedia a liberdade, e assim o Muro de Berlin tornou-se um dos maiores símbolos do fim desse período. Voltando à questão da Crimeia, temos a Rússia com todos os vícios da antiga URSS, com bilionários surgidos no setor do petróleo, nascidos dentro da antiga KGB a base de tráfico de influência e corrupção. Para ter uma ideia, temos mais bilionários em Moscou do que em Nova York. Por outro lado, lembrando a "limpeza étnica" feita por Hitler, temos Vladimir Putin com sua obtusa cabeça do tempo da URSS a perseguir gays e o desejo claro de reunificar regiões onde há forte presença de cidadãos de origem russa. Paralelo a isso, não se pode esquecer a importância do petróleo e dos gasodutos que varrem toda a região. Não tenho a mínima ideia do que irá acontecer nessa região, mas temos claramente um desejo da população ucraniana de se ver livre de dirigentes corruptos e se aliar à Europa Ocidental para tentar vivenciar um crescimento econômico e social semelhante ao que teve a antiga Alemanha Oriental e do outro lado a força do exército e do dinheiro russo tentando manter sob seu controle antigas regiões do bloco soviético. Afinal, a guerra fria ainda não acabou?

Marcelo do Vale Nunes

mvn@portoweb.com.br

Porto Alegre

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PMDB X PT

O governo federal está tentando manter o apoio do PMDB. Há insatisfações no PMDB com o comportamento do governo e, em particular, com a presidente Dilma Rousseff. Bombeiros são chamados. E tudo para quê? Para cada um manter seu naco no governo. O que menos importa nesta hora é o povo, que os elegeu. O PMDB, que é um balcão de negócios com aquela faixa "fazemos qualquer negócio", vende caro seu apoio. Afinal, qual governo é louco de jogar fora quase 90 deputados? Sabedor disso, barganha, chantageia, ameaça, enfim, tudo para conseguir o que quer. Na realidade, fica sendo o governo de fato. Como bem colocou o deputado Roberto Requião (PMDB-PR), reúnem-se às vésperas das eleições em que vão discutir favores que não serão cumpridos. Reunião de cínicos e hipócritas. O pior é que estes dois partidos - PT E PMDB - têm as maiores bancadas da Câmara dos Deputados. Quem os elegeu? O povo lhes deu o aval. Então...

Panayotis Poulis

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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DÉJÀ VU

Essa fusquinha do PMDB com lideranças do PT é apenas um "déjà vu" que acontece em todas as eleições. Dependendo de quem chegar ao poder, a corriola toda vai correr a apoiar o vencedor, porque, desde o desastre do governo Sarney, peemedebista convicto de coração e carteirinha, o PMDB só ganha migalhas do vencedor. Não existe liderança que nos faça esquecer o desastre que foi o "poetinha maranhense"!

Beatriz Campos

beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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TRABALHANDO NO DOMINGO

Pois é, a presidente da República reuniu-se com a cúpula do PMDB em pleno domingo, mas, claro, tudo visando à eleição. Agora, eu pagava para ver o PMDB na oposição. Esse partido sempre foi partidário do "há governo? Sou a favor", seja o governo que for.

Alexandre Fontana

alexfontana70@yahoo.com.br

São Paulo

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CIZÂNIA DO BEM

Diante de tantas pesquisas indicando a vitória de Dilma ainda no primeiro turno, eis que surge no burburinho dos conchavos e futricas dos meios políticos uma rara possibilidade de se reverter essa pretensa superioridade petista, que é a possível cizânia do PMDB. Este partido pretende, agasalhado no manto do trono, abandonar o seu parceiro. Todo brasileiro que ama o seu país anseia pela derrota do PT nas próximas eleições. É sabido que Dilma tem uma cota de votos de 40%, restando 30% para Aécio e 30% para Campos. Se os dois se unissem numa só candidatura e mais uma possível dissidência aliada do PMDB, que só precisa que lhe sejam oferecidos alguns ministérios, teríamos uma elementar aritmética de 60% dos votos. Simples assim, sem massagem de egos.

Jair Gomes Coelho

jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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TOMA LÁ, DÁ CÁ

É o fim oferecer favores políticos a um partido tão rico em parlamentares do nível daqueles pertencentes ao digno, ético e de inúmeras outras qualificações observadas no nosso pmdb (minúsculo por merecimento).

Itamar Carlos Trevisani

bia.trevisani@terra.com.br

Orlândia

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REUNIÃO COM PMDB

O Brasil está uma maravilha, com a inflação sob controle, não correndo risco de ter a nota rebaixada pelas agências de risco, os empresários estão satisfeitos, investindo, produzindo e faturando, a Bolsa de Valores em alta e tudo pronto para a Copa. Enfim, sem nada para fazer, em plena segunda-feira, Dilma Rousseff decidiu se reunir com a cúpula do principal partido aliado do PT no governo, para tratar sobre sua reeleição e os presentinhos que serão distribuídos aos colaboradores. Claro que todos os participantes dessa reunião não tinham nada melhor para fazer, para justificarem os altos salários recebidos graças aos nossos impostos. Senti falta da presença dos nobres ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), pois eles também poderiam ter sido convidados para a reunião, pois, com tanto saber jurídico, teriam muito para contribuir para o futuro do País. É isso aí, e vamos que vamos, ladeira abaixo.

Maria Carmen Del Bel Tunes

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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A SAÚDE DO SENADO

A respeito da reportagem sobre o pagamento dos planos de saúde dos parlamentares ("Senadores pedem reembolso de até R$ 70 mil por tratamentos dentários", 9/3, A4), permitam-me uma sugestão: baseado no princípio de que, "ou moralizemos, ou nos locupletamos todos", por que não incluírem entre os beneficiários desta "mamata" as(os) amantes e os parentes até o quarto grau?

Ronaldo Rodrigues

ronal.ro@terra.com.br

Guararapes

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SOFRIMENTO DIÁRIO

A mídia tem infligido sofrimento aos brasileiros minimamente informados. Veicula, entre outras coisas, que senadores estão queimando nosso dinheiro com implantes dentários de R$ 70 mil, com retirada superfaturada de verrugas, com cursos de impostação de voz, com tratamentos psicológicos para perder a timidez e muitas sem-vergonhices semelhantes, tudo isso para si e seus dependentes com planos vitalícios para quem exerceu o mandato por seis meses. No SUS municipal de São Paulo, não consigo marcar um retorno à consulta há meses, e a ouvidoria não existe mais. Nas ruas, não consegui passar, porque manifestação de invasores de terrenos no bairro do Grajaú, ontem pela manhã, impediram o trânsito, com exigência de mais moradias. O PT se enrolou no socialismo e ficou incapaz de argumentar que quem quer um imóvel precisa comprá-lo. Quem disser isso hoje em dia corre o risco de perder as eleições. Só tenho uma pergunta a fazer: Aonde vamos parar?

Ademir Valezi

adevale@gmail.com

São Paulo

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PLANO DE SAÚDE DO SENADO

Será que os senadores também usam as notas fiscais para abater o Imposto de Renda?

C. Barrella

cyrobrp@hotmail.com

Ribeirão Preto

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REEMBOLSO AOS SENADORES

É um abuso total com nosso suado dinheiro o abuso do reembolso do plano de saúde dos senadores da República. será que ninguém fiscaliza a origem dos documentos "frios" que são apresentados? A Receita Federal fiscaliza apenas os assalariados? Estes políticos não entenderam mesmo as mensagens das ruas, mas um dia isso há de acabar, porque o povo honesto não aguenta mais tanta roubalheira... Até tu, Pedro Simon?

Maurilio Pereira

mauriliopereira@uol.com.br

São Paulo

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ELES SORRIEM, NÓS PAGAMOS A CONTA

Senadores sorriem muito, seus dentes são claros e lindos, mas a conta somos nós quem pagamos. O plano de saúde do Senado, bancado exclusivamente pelo contribuinte, paga despesas de senadores, ex-senadores e dependentes que vão de implantes dentários com ouro a sessões de fonoaudiologia para melhorar a oratória. A conta de alguns parlamentares soma R$ 70 mil... O gasto médio anual chega a R$ 6,2 milhões. Você ficou triste, está surpreso, inconformado? Acalma-te, tenha bom ânimo, tudo isso é necessário, afinal eles são senadores da República, precisam falar bonito e sorrir lindamente, caso contrário, como iriam nos convencer falando fanhoso e com dentes estragados?

Arnaldo de Almeida Dotoli

arnaldodotoli@hotmail.com

São Paulo

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ALTA PICARETAGEM

Tornar-se senador da República é tarefa difícil e para a qual são necessários muitos milhões de reais, coisa para poucos brasileiros. Isso posto, e vendo a relação de gastos que esses pobres senadores tiveram, ou melhor, gastaram dos cofres públicos brasileiros com tratamento dentário e outras formas de gastos com suas respectivas saúdes, chego à definitiva conclusão a que Lula já havia chegado sobre a câmara federal (mais de 500 picaretas). O senado brasileiro é igual ou pior. Um bando de "nem sei o quê". É triste ver um pequeno pedro simon, um pequena kátia abreu, um fernando collor gastando dinheiro nosso em sua boca. Uma altíssima picaretagem. Estes e tantos outros senadores se nivelam por baixo e são de fato e realmente iguais, pequenos, e não maus, e sim péssimos brasileiros. Nem um desses maus brasileiros merece o voto de quem trabalha e paga impostos para essa picaretagem nadar a largas braçadas à nossa custa. Basta de malandragem. Os nomes próprios neste texto em letra minúscula são uma homenagem aos ilustres representantes do RICO povo brasileiro.

José Piacsek Neto

bubanetopiacsek@gmail.com

Avanhandava

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ELES SE DIVERTEM

Li a matéria no "Estado" de domingo sobre o seguro saúde de nossos senadores. Esta é a pregação de um país igualitário? Basta uma gestão para terem benefício vitalício para toda a família, nos melhores hospitais e médicos do Brasil. Todos pagamos, e a grande maioria do povo morre nas macas nos superlotados hospitais sem estrutura nenhuma. Deviam se envergonhar. O que mais preocupa é a falta total de indignação de todos nós. Este é o país que queremos? Os políticos se divertem com nosso voto. Triste.

Luiz Frid

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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UM RETRATO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

A Rede Globo mostrou domingo, no "Fantástico", a situação precária de inúmeros prédios escolares nos Estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Maranhão. Foi um espetáculo deprimente e vergonhoso em que a ausência e a omissão do poder público é criminosa. Até nos países mais pobres da África não se veem situações iguais. É uma vergonha para os responsáveis por essa situação: governadores, prefeitos, secretários de Estado e municipais, vereadores e deputados da região. Infelizmente, o circo da Copa, o assalto aos cofres públicos e as obras voluntárias não permitem valorizar a educação no Brasil.

Marcos Tito

marcostitoadvogados@gmail.com

São Paulo

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DESUMANIDADE

A escabrosa situação de precariedade de algumas escolas públicas em Estados nordestinos, mostradas no programa "Fantástico", da TV Globo, é emblemática. Mostra o desumano descaso das autoridades responsáveis por aquelas escolas, que deveriam ser responsabilizadas criminalmente e responder por perdas e danos com seus patrimônios particulares por aquela situação de indigência em que tais escolas funcionam. Só assim tal tragédia poderia talvez ser equacionada.

José de A. Nobre de Almeida

josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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CASO ALSTOM

A Suíça enviou dados de que Robson Marinho, ex-chefe da Casa Civil do ex-governador de São Paulo Mario Covas (PSDB), tem conta com US$ 1,1 milhão em banco daquele país. Por aí se vê o nível da corrupção no Estado de São Paulo sob os seguidos governos do PSDB. Na política brasileira, quase ninguém escapa. Cabe ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e ao Judiciário atuarem e punirem os infratores em mais este escândalo. A regra geral é o desvio de dinheiro público, recebimento de propinas, corrupção e assalto aos cofres públicos. A conta, como sempre, somos nós, cidadãos de bem, que pagamos.

Renato Khair

renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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PUNIÇÕES NECESSÁRIAS

Robson Marinho, ex-chefe da Casa Civil no governo Mário Covas, recebeu US$ 1,100 mi da Alstom, a título de propina, possuindo conta na Suíça, como bem noticia o "Estadão". Obviamente, cabe ao Ministério Público apurar os fatos e atuar de tal sorte que a verdade seja conhecida e mais divulgada e a Justiça, aplicada, mesmo porque se trata de político que foi guindado a cargo de julgamento no Tribunal de Contas deste Estado. E nenhum corrupto pode ter poderes de julgamento, especialmente quando se comprova a sua condição em exercício de cargo público de importância. As averiguações e punições são necessárias, a fim de que não pairem dúvidas sobre a memória de ilustres governantes deste Estado, como é o caso de Mário Covas.

José C. de Carvalho Carneiro

carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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LULA E A INFLAÇÃO

Já não é com espanto, mas, sim, com desalento que li no jornal "Folha de S.Paulo" de 10/3 notícia de que o ex-presidente Lula declarou não ser prioritário o combate à inflação, mas sim a criação de empregos. Parece-me que Lula já se esqueceu de alguns anos atrás, quando tínhamos uma inflação resistente e elevada, em que não havia emprego nem o que comer para os mais pobres e que foi combatida pelo povo brasileiro com enormes sacrifícios, acabando por ser derrotada pela postura firme desse povo. Daí surgiu uma nova situação econômica que, entre outras coisas, criou a base para o sucesso das iniciativas propaladas pelos governos do PT, até o presente momento. Assim sendo, o que propõe o ex-presidente Lula não passa de um desrespeito à luta do povo e um total descaso por esses enormes esforços e sacrifícios suportados por todos nós.

Antonio José Torreira de Matos

torreiradematos@gmail.com

São Paulo

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INFLAÇÃO, ILUSÃO E ENGANAÇÃO

Há somente dois fatores que provocam inflação: menor oferta ou maior procura. Em nosso país, os economistas vivem dando as mais complicadas e menos esclarecedoras explicações para a nossa, mas que, na realidade, só não é maior por duas razões: a primeira é a nossa imensa carga tributária, para sustentar a nossa também imensa máquina governamental (38 ministérios, várias secretarias e empresas estatais, centenas de ONGs, além de vários desvios de verbas, corrupção, superfaturamentos e outras mazelas financeiras, nunca recuperadas pelo governo), que, além de não ser usada em benefício do povo, não só encarece, como muito desestimula nossa produção, reduzindo a oferta de empregos. E isso provoca a segunda explicação, o baixo poder aquisitivo do povo, este que, desempregado, mas enganado, ainda se sente "protegido" ao receber o Bolsa Família, os benefícios do Minha Casa, Minha Vida, do Fome Zero, do Bolsa Presidiário e outras eleitoreiras migalhas governamentais.

Nilton de Freitas Guimarães

nfguimaraeseo@gmail.com

Rio de Janeiro

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APOSENTADORIAS ATRASADAS

Um acinte a explicação do presidente do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Lindolfo Neto de Oliveira Sales, sobre o atraso no pagamento dos aposentados: "É um volume grande de dinheiro que a gente manda para os bancos e que fica lá depositado. Nesse sentido, é melhor o governo ganhar (ficando com o dinheiro até o próximo dia útil) do que os bancos". Em qualquer país sério, isso jamais aconteceria, mas aqui, na República da Banânia, tudo acontece sob os olhos de um governo que diz governar para os mais necessitados. O governo ganha, os bancos ganham e os aposentados perdem - e nenhum parlamentar veio em defesa dessa sofrida classe. O presidente do INSS pensou nos aposentados que precisam honrar seus pagamentos? E a presidente Dilma, o que achou dessa explicação de seu subordinado? Sem contar que o pagamento dos grandes sempre é feito com antecedência. Os aposentados recebem tratamento de quinta categoria e, nesse sentido, deveriam lembrar-se desse descaso diante das urnas. Brasil, um país de tolos!

Izabel Avallone

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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CINISMO

O presidente do INSS (10/3, B9), Lindolfo Neto de Oliveira Sales, declarou que a decisão de adiar o pagamento dos benefícios se deveu ao baixo movimento bancário em dias de meio expediente. "É um volume grande de dinheiro que a gente manda para os bancos e que fica lá depositado. Nesse sentido, é melhor o governo ganhar do que os bancos." Esse irresponsável não sabe que a maioria das pessoas que recebe parcos benefícios terá de pagar juros e multas pelos atrasos nos pagamentos de suas contas? Eles estão fazendo caixa, atrasando pagamentos de diversas despesas e fornecedores desde o ano passado, para completar a maquiagem nas contas do governo. Este é o governo que vocês querem que continue enganando, favorecendo os mais ricos e comparsas e dando migalhas ao resto da população?

Alberto B. Cardoso de Carvalho

albcc@ig.com.br

São Paulo

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APURAR O QUÊ?

O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, vai mandar apurar por que o INSS não determinou o pagamento dos benefícios da aposentadoria a partir da quarta-feira de cinzas? Como assim? Não tem de apurar nada, pois o próprio presidente do INSS, Lindolfo de Oliveira Sales, subordinado ao ministro, declarou que o volume de dinheiro que é enviado aos bancos é muito grande e é preferível o governo ganhar aos bancos. Dessa forma, foi prejudicado, inclusive, quem recebe o equivalente ao salário mínimo! A conclusão a que se chega é de que o governo, que distribui dinheiro a rodo a tiranos amigos, quer que seu povo se lixe!

Aparecida Dileide Gaziolla

aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul

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O ‘CARA DE PAU’

O presidente do INSS, Lindolfo Neto de Oliveira Sales, tem o desplante de afirmar que, "como o movimento dos bancos na quarta-feira de cinzas é reduzido, o INSS preferiu pagar os aposentados e pensionistas no dia seguinte, pois assim o dinheiro ficaria com o governo, e não com os bancos". De uma capacidade invejável o cidadão. Não sabe ele que os aposentados e pensionistas têm obrigações a cumprir, que não se subordinam aos caprichos de um burocrata medíocre como ele? Os beneficiários do INSS têm contas a pagar no primeiro dia útil do mês, e muitas estão programadas para débito automático, o que não ocorreu porque o crédito do devido pelo governo simplesmente não foi efetivado. Não sei o que é pior, se a incomPeTência desse cidadão, sua insensibilidade ou a cara de pau (alô, dona Dilma, esse, sim, é cara de pau!) de vir a público com uma desculpa rota desse naipe para uma erro indesculpável. Ministro "Garilbaldo" Alves, demita essa sumidade, ao invés de mandar investigar o que houve. A resposta é simples: desrespeito aos aposentados e pensionistas.

Claudio Juchem

cjuchem@gmail.com

São Paulo

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ATRASO NOS PAGAMENTOS

Nossa mandatária Dilma Rousseff saiu para se divertir no carnaval e os aposentados do INSS que dançaram.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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O BRASIL PÓS 1964

Em seu artigo "No tempo da ditadura" (8/3, C12), Marcelo Rubens Paiva faz uma síntese do regime militar pós-revolução de 1964, concluindo com a seguinte afirmação: "O Brasil talvez tenha sido vítima de uma das maiores farsas da História: nunca correu o risco de virar comunista". Será que ele acredita mesmo nisso? Lembro-me de uma declaração de Luiz Carlos Prestes, o líder máximo do movimento comunista no Brasil, na época do governo João Goulart: "No governo já estamos, falta estarmos no poder". O Movimento de 31 de março de 1964 frustrou a concretização da segunda etapa.

Fausto Rodrigues Chaves

faustochaves@uol.com.br

São Paulo

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‘NO TEMPO DA DITADURA’

Sobre o artigo "No tempo da ditadura", por não dispormos do espaço que o articulista tem, em apertada síntese, temos, com a devida vênia, de refrescar a memória do referido sr. e lembrá-lo de que, com as humanas imperfeições, os militares, entre outras obras: construíram a Hidrelétrica de Itaipu, sem a qual hoje, ao invés de termos "apagões" periódicos, estaríamos no escuro; construíram a Ponte Rio-Niterói; modernizaram as "teles" (uma ligação São Paulo-Santos em temporada demorava de 4 a 5 horas, e "implantaram" o DDD e o DDI); modernizaram os Correios (um cartão postal São Paulo-Rio de Janeiro levava em média dez dias para chegar ao destinatário); não havia baderneiros depredando patrimônios públicos e privados; não havia a inumerável quantidade de assaltos, latrocínios e homicídios; e não havia a corrupção institucionalizada hodierna.

Fernando de Oliveira Geribello

acrux16@gmail.com

São Paulo

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A OPINIÃO DO MOTORISTA DE TÁXI

Li a coluna de 8/3 de Marcelo Rubens Paiva, que relata o desalento de um motorista de táxi com a situação político-econômica atual, com saudades da ditadura militar. O articulista revolta-se contra a opinião do motorista, citando os vários problemas daquele período. Tenho quase 63 anos e vi de perto a ditadura, e dela não tenho saudade alguma. Mas lamento informar que o motorista de táxi representa a classe média silenciosa, e daí a sua importância. O resultado do julgamento que faz sobre a vantagem do tempo da ditadura militar sobre a atual democracia é muito preocupante, pois esta é uma opção descartada nos países já desenvolvidos. A História poderia ter sido ensinada a ele nos bancos escolares, mas o professor faltou nesse dia (trouxe um atestado). O atual desalento da classe média, este é o ponto. Infelizmente, a comparação do período ditatorial com o atual momento e sistema político não evidencia grande diferença, a ver: 1) a ditadura valorizava o que saía escrito nos jornais, e assim impedia as publicações. Hoje a democracia, com foco exclusivo nas camadas populares, pouco se lixa com as diárias publicações de desvios financeiros e éticos. Tentou realizar o "controle social" sobre isso, mas ainda não conseguiu (temporariamente, os países bolivarianos simpáticos ao regime, sim). No fim, dá no mesmo, ou não sai publicado ou sai e não adianta nada, independentemente do dirigente de plantão. 2) A economia brasileira deveria ser semelhante à norte-americana: o País tem dimensão, geografia e composição populacional assemelhada. Tudo o que difere disso resulta de incompetência. Os governos têm se mostrado assemelhados no Brasil quanto a este quesito, da ditadura à democracia. 3) A política não tem expressado a vontade da Nação. Os nossos representantes legislativos não apresentavam e tampouco apresentam projetos para um país que todos gostariam de ter. O fisiologismo impera, intocável, desde há muito, e não ha diferença entre a ditadura e o governo democrático atual. Os motivos são a corrupção, falta de ética e de projeto de país da elite brasileira como um todo - do sistema de ensino, da administração, do empresariado ao Judiciário. Meu falecido pai dizia que os brasileiros não gostam do Brasil. São raros os casos de corruptos nos países desenvolvidos que traem sua Pátria. Aqui, não. Em tempo, qual será o futuro da elite brasileira: morar em Miami, qual numa republiqueta? Já estão comprando, muito bom. 4) E por que a ditadura parecia melhor ao motorista de táxi do que a atual democracia, assemelhadas na ineficácia e nos desvios? Porque nosso governo tem progressivamente optado por aliar-se a países ditatoriais ou assemelhados, atrasados e sem perspectiva econômica. Porque o sistema político e o Judiciário são dependentes do Executivo, de forma pouco republicana, deixando de constituir uma real democracia. Porque há manobras contábeis que desvirtuam a realidade e iludem os cidadãos, e fazem com que se perca a confiança no País. Como resultado, o País está piorando economicamente, conforme todos constatam, mas, por enquanto, o pleno emprego ainda preserva a renda dos assalariados e uma base de apoio popular. A impressão que fica é a de bordejar as cataratas estando no alto do rio. Enquanto isso, o mundo desenvolvido está melhor e tem melhor perspectiva para o futuro, de modo geral, pois diante de problemas reais tem gente séria, a quem se confia o comando. Estávamos e estamos com muito poucas lideranças com meta de colocar o País e sua população no Primeiro Mundo, em todos os quesitos - ordenamento dos Poderes, transparência de ações, renda per capita, acesso à lei e, especialmente, divisão do trabalho e das obrigações. Este último aspecto é muito peculiar: temos uma enorme classe de pessoas carentes que votam. Para este grupo o sistema corruptor permite que nada faça, que descumpra as leis e que receba do Estado. Não tem obrigação de nada. Quanto mais carente, mais "certo", quanto menos trabalha, mais vantagem. Legal, mas quem paga por tudo isso é o motorista de táxi, e ele não está gostando disso. A esperança está escassa, pois até a alternância de poder está comprometida por bolsas variadas. Por último, gostaria de acrescentar que Marcelo Rubens Paiva ficou indignado com a opinião do motorista por compreensível motivo pessoal, conhecido e lamentado por todos nós. A perseguição de políticos, jornalistas e artistas foi um dos desastres da ditadura. Meu respeito à sua dor.

Bernardo Ejzenberg

bernardoejzenberg@yahoo.com

São Paulo

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JOSÉ DE ANCHIETA

Ufa, ainda bem que alguém escreveu algo realmente interessante e cultural no "Espaço Aberto" deste jornal ("Quem foi o padre José de Anchieta?", 8/2, A2). Cumprimento Dom Odilo Scherer pelo artigo sobre Anchieta, por sua colocação, informação e conteúdo didático, histórico e, principalmente, pela forma correta, clara e objetiva de escrever um artigo.

Antonio Silveira

as@aultimaarcadenoe.com.br

São Paulo

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FAMÍLIA PENITENCIADA

Lendo o excelente artigo "Quem foi o padre José de Anchieta?", publicado no "Espaço Aberto" (A2) em 8/3, faltou explicar que José de Anchieta (segundo a historiadora Anita Novinsky), como judeu converso, teve sua própria família penitenciada: um tataravô foi queimado e um avô, perseguido; ele próprio sofreu, pois quis entrar num seminário na Espanha e foi recusado.

Jorge Eduardo Nudel

jorgenudel@Hotmail.com

São Paulo

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