Fórum dos Leitores

PETROBRÁS

O Estado de S.Paulo

19 Abril 2014 | 02h07

Monopólio

A Petrobrás tem o monopólio do mercado de gasolina no Brasil, sem falar no diesel, nos outros derivados do petróleo, no gás e demais negócios da empresa. A Petrobrás atua em toda a cadeia do negócio de petróleo, desde a prospecção, extração e refino até a distribuição. A Petrobrás está no mercado brasileiro há mais de 60 anos, com competência estabelecida e reconhecida internacionalmente, além de possuir um parque produtivo em plena operação consolidada. O Brasil tem uma frota de 80 milhões de veículos, mercado cativo da Petrobrás. O preço cobrado da Petrobrás é o 39.º mais alto do mundo e o segundo do continente americano - só o Chile vende o litro de gasolina mais caro que a estatal brasileira. O litro de gasolina no Brasil tem 25% de álcool, ou seja, é ainda mais caro, pois o etanol é muito mais barato que a gasolina. A Petrobrás está endividada em R$ 300 bilhões. Alguém me poderia explicar como isso é possível?

VAGNER RICCIARDI

vbricci@estadao.com.br

São Vicente

Etanol na gasolina

Descabidas as considerações da Anfavea contra o aumento da mistura do etanol na gasolina para cerca de 27,5% (Estadão, 11/4). Na 2.ª Guerra Mundial, a adição do etanol ao derivado do petróleo alcançou 40%. O Proálcool foi lançado em novembro de 1975. Na sua primeira fase ele se baseou, sobretudo, na produção do etanol anidro para adição à gasolina, com vista à melhoria da octanagem e economia de divisas na importação do petróleo. As primeiras frotas movidas exclusivamente a etanol hidratado surgiram em 1978. Atualmente, está largamente evidenciado que as emissões dos motores a etanol são menores que as dos motores a gasolina. As pesquisas realizadas sobre o tema provam que o impacto ambiental da mudança de motores a gasolina para o etanol puro ou para a mistura etanol-gasolina apresenta relevantes benefícios para a saúde da população. Ou seja, a generalização do uso do etanol carburante proporciona inquestionável ganho líquido em termos de menor agressão ao meio ambiente. Ademais, estudos realizados nos EUA e na Europa demonstram que 95% da contaminação por chumbo resulta das emissões de veículos a gasolina. Os principais efeitos da poluição do ar têm sido observados nos sistemas cardiovascular e respiratório, conforme o laboratório de poluição atmosférica da Faculdade de Medicina da USP.

LUIZ GONZAGA BERTELLI, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, diretor e conselheiro da Fiesp-Ciesp

lgbertelli@uol.com.br

São Paulo

Onerosa decadência

"Como presidenta, mas, sobretudo, como brasileira, eu defenderei em qualquer circunstância e com todas as minhas forças a Petrobrás", disse, em 14/4, a presidente Dilma Rousseff. Maravilha! A presidenta pressionará a Polícia Federal, o Ministério Público e o Legislativo para que atuem com toda a intensidade nas investigações tendentes a liberar a Petrobrás de sua onerosa decadência funcional, de sua incrível ineficiência operacional e da ocorrência de dolosas macrotransações, para poder voltar a exclamar "o petróleo é nosso!"?

PABLO L. MAINZER

plmainzer@hotmail.com

São Paulo

Adesão insensata

Ao que parece, a presidenta aderiu de mala e cuia ao bolivarianismo. Ouvindo-a discursar, vi encarnado o falecido Hugo Chávez até nas entrelinhas: culpa da oposição, da mídia, dos políticos, de quem joga contra, nunca "mea culpa". Está mais que claro que a decomposição da Petrobrás é obra irretocável do partido no poder há quase 12 anos, que a fez valer um terço do que valia. Sua irmã de criação, a PDVSA, que o diga: padece do mesmo mal, está na UTI, e nossa gloriosa Petrobrás lhe fará companhia em algum hospital do SUS, com enterro em esquife de segunda.

MANOEL BRAGA

manoelbraga@mecpar.com

Matão

GREVE DA PM NA BAHIA

Exército

É irônico que o governo da Bahia, do PT, tenha solicitado ajuda do Exército para conter saques em supermercados durante a greve da Polícia Militar, já que é o próprio partido - que se tornou especialista em fisiologismo e ardis maquiavélicos desde que chegou à Presidência da República - que deveria ser contido, por saquear/dilapidar o patrimônio público via aparelhamento do Estado por seus filiados, como se vê no imbróglio da Petrobrás. O Exército tem de ampliar urgentemente o seu foco de atuação contra saques. A população brasileira certamente o apoiará.

TÚLLIO MARCO S. CARVALHO

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

Estado de beligerância

A que ponto chegamos, governadores e prefeitos pedindo socorro às Forças Armadas!

SERGIO S. DE OLIVEIRA

ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

CRIMINALIDADE

Latrocínio e penas

Belíssima a matéria Pena maior não intimida latrocidas (Estadão, 13/4, A24), sobre o efeito nulo que o aumento de pena para latrocínio causaria no comportamento dos criminosos. Só uma República "burrocrata" como a brasileira alimenta a vã utopia de que basta acrescentar algo às "sagradas escrituras" da lei para podermos viver o paraíso na terra tupiniquim. Num Estado incompetente, que não consegue solucionar a maioria dos crimes, achar que criminoso se inibirá por aumento da pena é o mesmo que achar que o empresário vai voltar a investir, com o ministro Mantega aumentando a projeção de crescimento do PIB.

RICARDO MELLÃO

rmellao@hotmail.com

São Paulo

Polícia Civil desmantelada

A reportagem especial Na mente dos assassinos traz à tona a necessidade de os gestores públicos, em especial os da segurança, mudarem o conceito equivocado e passarem a investir mais pesadamente na Polícia Judiciária, leia-se Polícia Civil: a que investiga o crime e os criminosos, possibilitando a eficaz Justiça Criminal e a certeza da punição. Quando a Justiça registra que os marginais "acham que não serão presos", isso significa que eles sabem que, escapando do policiamento ostensivo da PM e das guardas municipais, ficarão impunes. Isso porque no Estado de São Paulo o grupo no poder há quase 20 anos vem desmantelando a Polícia Civil. Espero que essa reportagem tenha sensibilizado o governador Geraldo Alckmin e, com visão de estadista, ele redirecione as suas ações nessa área tão importante para nós, paulistas. Ainda há tempo, mesmo antes das eleições, de realmente o sr. governador mostrar, concretamente, que isso vai ser feito.

RUYRILLO PEDRO DE MAGALHÃES, advogado

ruyrillo@ig.com.br

Campinas

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AMADORISMO NA PETROBRÁS

Os assuntos da Petrobrás têm sido tratados com amadorismo que causa espécie e arrepio, para dizer o mínimo. Não é imaginável que negociações de valores de bilhões de dólares pudessem ter sido analisadas de maneira tão supérflua. Agora a atual presidente da Petrobrás, Graça Foster, desdiz o que o seu antecessor, José Sérgio Gabrielli, havia afirmado sobre a famigerada Refinaria de Pasadena. O Conselho da Petrobrás tem, ou deveria ter, assessorias, entre elas a jurídica contratual, que obrigatoriamente teria de fornecer todas as informações importantes para um contrato em análise. Ao conselho caberia, também, solicitar auditorias investigativas independentes ("due dilligence") para orientar negociações. Parece muito pouco provável que essas assessorias aceitassem (a menos que fosse uma negociação dirigida) passar aos membros do conselho apenas um resumo imperfeito, selecionado e elaborado, talvez, com finalidade espúria. No caso de compras das termoelétricas, para citar apenas este item de contrato, qualquer empresa da iniciativa privada, por menor porte que tenha, sabe que na compra de equipamentos uma cláusula de garantia de desempenho não poderia ser desprezada.

Ulysses Fernandes Nunes Jr ulyssesfn@terra.com.br

São Paulo

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USARAM A ESTATAL

Independentemente de posicionamentos ideológicos, todos os brasileiros sentiam orgulho de sua petroleira, a Petrobrás, adquirindo suas ações e manifestando-se sempre favoravelmente a ela. Entretanto, o lulopetismo ingressou em suas entranhas e sugou seu sangue até que as suas ações vieram, na atualidade, a valer metade de quanto valiam no início do Dilma. A grande maioria do Congresso Nacional foge da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), porque podem sobrar respingos de malfeitos em deputados e senadores. Resta, então, a Polícia Federal como consolo de apuração a todos os brasileiros. Mas que ela vá a fundo com a Operação Lava Jato ou outras que passarem a existir, porque é preciso que os brasileiros saibam tudo antes das eleições de outubro próximo. Será que o petróleo ainda é nosso?

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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LULA

Está mais do que na hora de parte da imprensa parar de proteger o ex-presidente Lula nesta situação da Petrobrás! O grande responsável por toda essa anarquia é Lula. Afinal, quem era o presidente da República na época da compra da refinaria de Pasadena? Que tipo de presidente foi Lula, que nunca sabia de nada? O caso do mensalão já foi assim... Já basta, o povo brasileiro não é idiota.

Therezinha Lima e Olliveira therelira@gmail.com

São José dos Campos

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DESRESPEITO

É repugnante como Lula teve desrespeito e irresponsabilidade com a Nação ao escolher Dilma, uma figura medíocre, para sua sucessora – e agora ele quer aparecer como salvador da Pátria. O estrago que vem sendo feito pelo PT não é só de Dilma, mas vem também da administração anterior. Lula deveria dar um bom exemplo e sair de fininho.

André L. Coutinho arcouti@uol.com.br

Campinas

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SOA FALSO

Se a ideia é ampliar o escopo da CPI da Petrobrás, deveríamos aproveitar que Lula esta mais disponível para falar com blogueiros e incluir a investigação sobre seu envolvimento no mensalão. Afinal, toda a cúpula do PT estava envolvida e foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) depois de usar e abusar de todos os recursos possíveis de defesa. Lula dizer que não sabia de nada soa muito falso.

Carlos de Oliveira Avila gardjota@gmail.com

São Paulo

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LULA E A CPI DA PETROBRÁS

Se o ex-presidente Lula pergunta "quem está melhor do que o Brasil?", seu parâmetro devem ser nossos vizinhos bolivarianos.

Cristiano Walter Simon cws@amcham.com.br

Carapicuíba

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COMO DEFENDER?

O ex-presidente da Petrobrás Sergio Gabrielli insiste em que Pasadena era um bom negócio na época. No entanto, a presidente Dilma afirmou que, não fosse pelas informações incompletas e documentação falha, o conselho jamais teria dado seu aval à compra. Como o ex-presidente Lula pretende fazer uma defesa do incidente Petrobrás com "unhas e dentes" diante dessas duas afirmações conflitantes? Melhor ficarem de boca fechada.

Candida L. Alves de Almeida almeida.candida@gmail.com

São Paulo

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PANDEMIA ANTIDEMOCRÁTICA

Patética e doentia a imagem de Lula "o Deus" tentando defender o indefensável. Se diante de tantos fatos e resultados ruins colhidos ao longo do anos existe uma causa-raiz, esta certamente deve ser explicada pelo seu criador e mentor-mor.

Artur Lovro artlovro@hormail.com

São Paulo

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DILMA NÃO É SÉRIA

Em Ipojuca, Pernambuco, a presidente Dilma Rousseff reclamou de "campanha negativa" em relação à Petrobrás. Disse defender com todas as forças essa estatal, que "tem o tamanho do Brasil" e "é maior que qualquer um de nós". Proferiu um discurso ao estilo de seu "guru", Lula da Silva: toda a essência eleitoreira e populista, até com uma claque (orquestrada?) de operários aplaudindo e cantando "olé, olé, olá, Dilma, Dilma". Muita lábia, muitas palavras e nada de desculpar-se, justificar ou explicar melhor o enorme prejuízo assumido pela Petrobrás e por todos os brasileiros, especialmente seus acionistas, com a péssima compra da refinaria de Pasadena. Responsabilidade? Prestação de contas? Seriedade? Acho que esses conceitos não fazem parte da filosofia manipuladora e interesseira petista. Um triste retrato de quem nos está governando. Lamentável!

Silvano Corrêa scorrea@uol.com.br

São Paulo

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QUEREMOS A VERDADE

Não consigo entender e aceitar a reação da presidente Dilma. Terá sido a oposição, ou a mídia, ou as "pessoas (que pessoas?) trabalhando contra" que assinaram a compra da refinaria de Pasadena, por um preço estratosfericamente maior do que realmente valia? Se não, que tal esclarecer este negócio, ou terá sido uma negociata?

Luiz Nusbaum lnusbaum@uol.com.br

São Paulo

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ELA É A RESPONSÁVEL

Será que alguém poderia fazer o favor de contar para a presidente Dilma que é ela quem está destruindo a Petrobrás? Até quando o Brasil terá de assistir a esse patético espetáculo de mentiras e dissimulações, como foi o discurso da presidente em Pernambuco? A presidente Dilma não só era a presidente do Conselho da Petrobrás, como também era ministra chefe da Casa Civil quando a Petrobrás fez um dos piores negócios da história de todos os tempos comprando a refinaria em Pasadena. Ela, só ela e mais ninguém foi responsável por assinar o contrato de lesa-Pátria. Peça desculpas ao Brasil por tudo de ruim que a senhora fez e peça para sair, presidente Dilma.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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INFERNO ASTRAL DE DILMA

Após o discurso de Dilma garantindo apuração com o máximo de rigor das denúncias envolvendo a Petrobrás, as ações da companhia ampliaram as perdas na Bolsa. É, não está fácil enganar os investidores. Não querendo ser pessimista, mas acho que as coisas se complicarão ainda mais durante a Copa do Mundo.

Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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SEM INTERFERÊNCIA GOVERNAMENTAL

O brasileiro defende a Petrobrás, só não acredita nos dirigentes que a administram. Dona Dilma, é simples resolver os problemas da Petrobrás: basta eliminar dela todos os políticos, sem exceção, principalmente seus companheiros de partido e do PMDB. E substituir imediatamente a presidente atual da companhia pelo ex-presidente da Vale.

Ferdinando Perrella fperrella@hotmail.com

São Paulo

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GOVERNO DESACREDITADO

O "Estadão" de 13/4 trouxe duas informações muito preocupantes e que revelam até onde vai a desonestidade da presidente Dilma para ganhar a eleição. Primeiro, está bastante claro que os descontos nas contas de eletricidade tenham tido motivos eleitorais. Está claro também, agora, que a população terá de devolver o dinheiro recebido, provavelmente em 2015, qualquer que seja o novo governo. O setor elétrico está quase falido, enquanto o Tesouro Nacional não pode mais continuar atendendo a toda sua necessidade de recursos. O outro assunto, com o objetivo de esconder notícias ruins para a população, o governo Dilma mandou suspender a divulgação pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (Pnad) Contínua. Isso causou preocupação de todos quantos usam esses dados para seu trabalho, além de uma situação desagradável internamente, dentro da instituição. Para alguns usuários dessa pesquisa, há uma grande perda de confiabilidade dado que o governo também tem alterado em seu benefício outros números relativos à economia do País, o que foi chamado de "contabilidade criativa". Esses assuntos aumentaram a desconfiança no governo, o que é ruim, ainda mais agora, com os episódios das grandes irregularidades na Petrobrás.

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br

São Paulo

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IBGE X PNAD CONTÍNUA

A presidente deste órgão decidiu postergar para o próximo ano (claro que após as eleições) os dados a serem divulgados em junho próximo. Não vi nenhuma notícia que tenha comunicado mudança nos critérios de coleta de dados, então pergunto: se o critério atual não está correto, por que os dados anteriores não foram questionados e corrigidos? Porque provavelmente favoreciam o Planalto. Podem estar certos de que ninguém pede exoneração de cargo se não está sendo tolhido em suas atribuições, decisão esta que está sendo corroborada por mais de 40 técnicos que publicaram carta aberta à população garantindo que os dados coletados estão em ordem e corretos. Mais uma da turma do engana que eu gosto para embromar a população.

Luiz Roberto Savoldelli savoldelli@uol.com.br

São Bernardo do Campo

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IBGE CONTRA A INGERÊNCIA DO GOVERNO

A paralisação das atividades dos funcionários do IBGE na quarta-feira comprova que o governo realmente pressionou a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, para que suspendesse a próxima pesquisa do Pnad Contínua, sobre o nível de emprego no País, agendada que está para junho deste ano. O Planalto provoca uma grave e perigosa crise neste importante instituto de pesquisas, porque os petistas, assustados com o índice de 7,1% de desemprego divulgado pelo IBGE, nesta nova modalidade de pesquisa Pnad Contínua, diga-se, muito mais abrangente, preferiram uma solução bolivariana, ou cubana, de proibir na pressão do "dá ou desce", a divulgação da próxima pesquisa em junho. E o receio do PT, de longe, não é com a metodologia aplicada pelo IBGE para auferir esta pesquisa, mas que os prováveis números que seriam divulgados em junho sejam piores do que os 7,1% de desemprego. Já que a nossa economia, e por culpa do próprio governo, vai de mal a pior, e em consequência prejudique a corrida para a reeleição da Dilma, na eleição majoritária de outubro. Esse é mais um péssimo e preocupante precedente autoritário do PT. Que já reduziu recentemente os preços de energia elétrica na canetada, assim também os juros forçando os bancos públicos para esta tarefa. Segura os reajustes dos combustíveis mesmo nocauteando o caixa da Petrobrás. E no embalo congela os preços das passagens do transporte urbano só para maquiar os índices da nossa altíssima inflação. Por que não, então, desconfiar de que seriam capazes também de tentar proibir a divulgação das pesquisas eleitorais, já que Dilma está na descendente?

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.coam

São Carlos

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MAQUIAGEM

IBGE, sim; IBGEM (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística "Maquiada"), não!

J. S. Decol decoljs@globo.com

São Paulo

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FAZENDO ‘O DIABO’

A presidente Dilma não estava brincando quando disse "fazer o diabo" para se reeleger. Está pondo em prática. O IBGE é mais uma instituição em vias de perder a autonomia e profissionalismo em quem possamos confiar.

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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SEM LIMITES

Nos últimos dias, muitos leitores do "Estadão" reclamaram com justa razão, do aparelhamento do IBGE pelo PT. Mas a manipulação de pesquisas e a distorção de fatos não vêm de hoje. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) foi tomado de assalto pelos membros do partido do governo. Não me refiro ao erro crasso do estudo sobre a "tolerância social à violência contra as mulheres". Há um fato muito mais relevante e grave de absoluta manipulação da realidade. Foi do Ipea, sob a gestão de Marcio Pochmann, a "invenção" da tal nova classe média. Segundo o instituto, famílias com renda mensal de R$ 1.500,00 por mês devem ser consideradas de classe média. Somente no Brasil maravilha do PT uma família de classe média consegue sobreviver com R$ 50,00 por dia. A desfaçatez deste governo vem de longe e não tem limites.

Leão Machado Neto lneto@uol.com.br

São Paulo

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GRANDES VISÕES

A reportagem do "The New York Times" de domingo intitulada "Grandes Visões Fracassam no Brasil" ("Great Visions Fizzle in Brazil"), de autoria de Simon Romero, jornalista americano que cobre o Brasil desde 2011, apresenta uma radiografia lúgubre e depressiva da situação atual do nosso país. A matéria se inicia pela referência à decadência que se seguiu ao boom artificial de progresso que, como qualquer cidadão razoavelmente informado não desconhece, não foi construído em alicerces sólidos, mas baseado no estímulo ao consumo irresponsável e no populismo de resultados imediatos, visando a objetivos puramente eleitorais. A reportagem desfia, em seguida, um rosário de projetos mal concebidos e dispendiosos, obras grotescamente inacabadas, destacando-se a construção de várias pontes ferroviárias, testemunhos patéticos e fantasmagóricos de ligações desligadas e pernetas que unem o ar daqui com o ar de lá, vestígios da Ferrovia Transnordestina, iniciada em 2006, interrompida e, hoje, abandonada, depois de desalojar e deslocar inúmeras famílias que não receberam nenhuma compensação e vivem numa atmosfera de desesperança e miséria. Cita, também, o incrível teleférico de R$ 32 milhões construído numa comunidade do Rio de Janeiro e que só realizou, com o prefeito fazendo o papel de mestre da banda, a viagem inaugural em 2012, parado desde então. Foram lembrados também os geradores eólicos, sem "tomadas" e linhas de transmissão, necessidades óbvias para a oferta de energia, além dos gastos mal direcionados e sem propósito, como o monumento aos ETs, em Varginha, um espelho da incompetência da administração pública, atualmente parado, no esqueleto, e oxidando. O que dizer então do projeto futurista construído em Natal, inaugurado em 2008, assinado por afamado arquiteto, também abandonado, servindo no momento de habitação para desabrigados? Dignos de menção são também os projetos megalomaníacos de irrigação cuja prontificação, prometida para 2010, apresenta como único resultado, no entanto, até agora, a degradação do solo por onde deveriam passar quantidades generosas de água para atender agricultores nordestinos secularmente torturados pela seca. Sobre toda essa rede de absurdos desconexos e capengas está o impacto produzido pela construção de luxuosos estádios para a Copa do Mundo que se aproxima, alguns dos quais em locais em que o futebol desperta menos interesse que lançamento de coco, em cidades nas quais grande parte do esgoto ainda corre a céu aberto. Enfim, a matéria expõe um quadro de apreensão, agravado por uma disputa eleitoral no corrente ano que promete ser a mais desleal dos últimos tempos, tudo adornado com um crescimento raquítico, uma inflação persistente, uma classe política mergulhada em fétido ambiente de corrupção e pragmatismo corrosivo e uma justiça a serviço dos propósitos de um Executivo ensandecido pela manutenção do poder a qualquer custo. Ao contrário de "Viva o Povo Brasileiro", título de uma das obras mais significativas de João Ubaldo Ribeiro, somos forçados a falar baixinho "Pobre Povo Brasileiro".

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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JOSÉ MARIA MARIN

Bobagens, gracejos e maledicências não atingem nem desabonam a produtiva gestão de José Maria Marin na presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Vacinado contra leviandades e torpezas, Marin deixa o cargo como entrou: de cabeça erguida e consciente de que realizou bom trabalho em beneficio do futebol brasileiro. Marin conquistou a Copa das Confederações, entregou à seleção a nova e moderna Granja Comary, retomou a credibilidade da seleção pentacampeã aos olhos do mundo, dinamizou e valorizou a autoestima dos jogadores e, sobretudo, trouxe de volta a confiança dos torcedores na disputa pelo hexa na Copa do Mundo.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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‘JUDICIÁRIO SACRIFICADO’

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), José Renato Nalini ("Judiciário sacrificado", 16/4, A2), é opaco no texto, ou por conveniência, ou porque não enxerga direito. Nossa justiça se tornou amordaçada primeiro, pela ideologia comuna-coronelista, oriunda da Constituição de 1988. Depois se tornou inoperante pelos "direitos humanos" que navegam ao sabor dos direitos dos bandidos e criminosos. A tática é abarrotar de processos e entrar com a peneira do "dinheiro", da qual não escapam advogados, legisladores e o próprio Judiciário. Estamos vendo isso no Supremo Tribunal Federal (STF), que alguém pensou em determinado instante estar livre da maracutaia, hoje sabemos que não. O resto é só a ponta do rabo do monstro que o jurista descreve. Estamos em plena transição de uma ditadura militar para uma ditadura comuna-coronelista, a questão é os comunistas e os "coronéis do pudê" se ajustarem na divisão do "butim" chamado nação. A peneira funciona como osmose, passam só bandidos escolhidos a "dinheiro", o resto fica nas malhas do balaio de gatos que o jurista explica no seu texto. Essa é a fotografia do Judiciário brasileiro, com equipamento de última geração.

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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FERIADO JUDICIAL

Como é possível aceitar passivamente que o Judiciário moroso e abarrotado de processos paralise suas atividades jurisdicionais por seis dias (de 16/4 a 21/4)? Aqui, a prudência, a celeridade processual e a razoável duração do processo deveriam convidar os atores do sistema, que não fecha, como diria o ministro Marco Aurélio, a determinar não a suspensão das atividades, mas a suspensão da suspensão das atividades, demonstrando aos jurisdicionados que estes podem, sim, contar com esse Poder da República pois mudanças processuais impedindo recursos são aplaudidas, mas "feriadões" como estes não são corrigidos a tempo e a modo. Não se tem notícia de que qualquer outro setor da economia esteja paralisado por tanto tempo, até porque o prejuízo é grande. Já é tempo de o Judiciário se transformar em Justiça.

Fernando Paulo da Silva Filho fernanp@terra.com.br

São Paulo

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JUÍZES ‘VAGABUNDOS’

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) denunciou que dois desembargadores e dois membros do Ministério Público que atuam no Fórum Clóvis Beviláqua de Fortaleza, no Ceará, fazem parte de um esquema montado no Poder Judiciário daquele Estado para venda de "habeas corpus" por R$ 150.000,00 cada um. E ainda dizem que não existe juiz "vagabundo".

Artur Topgian topgian.advogados@terra.com.br

São Paulo

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O CARANDIRU E A SEGURANÇA PÚBLICA

Os policiais que atuaram na retomada do rebelado Presídio do Carandiru, em 1992, foram condenados. Muitos deles, a fantasiosas penas que excedem a expectativa de vida. Mesmo cumprindo ordem do governo, foram arrastados pelo turbilhão da demagogia promovido por governantes, políticos e falsos libertários que, atrás de votos e da aparência democrática, transformaram o episódio num "massacre". Vitimizaram os rebelados, demonizaram os policiais e, demagogicamente, implodiram o presídio, cujas 3.500 vagas hoje fazem falta ao superlotado sistema prisional paulista. Os que tiveram a infelicidade de estar em serviço no fatídico dia, mesmo recebendo (até hoje) baixos salários, tiveram de arcar com os custos de sua defesa perante a Justiça, diferentemente do que ocorre com outros funcionários estatais quando acusados de falha profissional ou até de desvio de conduta, que são defendidos por advogados do próprio Estado. Isso sem falar que estão há mais de 20 anos com o tacão judicial sobre sua cabeça, tiveram a ficha funcional manchada e correm o risco de expulsão e, em consequência, perder sua aposentadoria. Diariamente, o policial é obrigado a fazer revistas pessoais, perseguições e outras ações, todas com dúvidas sobre a legalidade, em que pode matar ou morrer. Quando sua ação é classificada como excesso e ele é, no mínimo, investigado pela corregedoria. Se não sofre punição pela própria corporação, fica à mercê do Judiciário, mobilizado pelos desafetos externos. Falta definição sobre o certo e o errado no trabalho policial. O que era certo ontem é errado hoje. Para evitar problemas, não será difícil que, cada dia mais, os policiais, temerosos das consequências, façam apenas o trivial, evitando confronto ou qualquer ação mais enérgica. Dessa forma, se protegerão, mas a segurança pública perecerá. Preocupa-nos a postura do governador, nosso comandante-em-chefe que, apesar de todos os problemas da classe e a tendência de se agravarem, parece estar vivendo em outro mundo.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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NO LIMITE DA INSEGURANÇA

Governador Geraldo Alckmin, nós, moradores do Estado de São Paulo, não aguentamos mais a falta de segurança. Ou V. Exa. toma uma providência drástica contra essa situação ou a nossa indignação será demonstrada nas urnas. A primeira atitude seria dispensar o atual secretário de Segurança, que é um homem de gabinete, e trocá-lo por alguém que conhece o submundo da violência, para que possa enfrentar esta bandidagem da mesma forma que eles nos tratam.

Valdir Sayeg valdirsayeg@uol.com.br

São Paulo

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O PREFEITO DO RIO

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, lançou o slogan "Carona solidária", sugerindo ao povo que dê carona aos outros. Infelizmente o prefeito não adota sua própria política. O prefeito circula pelo Rio com mais dois carros de segurança o acompanhando. Caso o prefeito também utilizasse a carona solidária, poderíamos ter menos 12 carros nas ruas. O prefeito sugere que o povo ande de ônibus ou metrô, ao invés de utilizar seu próprio veículo. Esquece apenas de informar que nesses transportes o mais frequente é o "encoxômetro". E não há polícia nem interesse do governo para coibir este tipo de crime monstruoso (tratam essa monstruosidade como algo natural). Mas nem a mulher nem a mãe do prefeito utilizam este tipo de transporte. O prefeito do Rio pensa ser um Georges-Eugène Haussmann, o grande homem que recriou Paris. Quando o afilhado do Cesar Maia está mais calmo, ele pensa em entrar para a História como Édson Passos, o prefeito que criou a Avenida Brasil ou o prefeito Pereira Passos, que criou a Avenida Rio Branco. Outras vezes ele pensa ser Eduardo Madero, que construiu o Puerto Madero, em Buenos Aires. Mas a única semelhança com este último é que os dois se chamam Eduardo. Por enquanto, nosso prefeito está mais para o louco que destruiu a cidade do Rio de Janeiro. Enquanto Haussmann, Edson Passos, Pereira Passos, Eduardo Madero e outros planejavam para depois executar, nosso prefeito primeiro executa para depois planejar, só que ele não sabe o que planejar. É por isso que o Rio está esta zona total. Nosso prefeito pensa ser um Stradivarius quando, na realidade, é um tamborim de couro de gato. Uma pequena parte da mídia recebe algumas migalhas para blindar o prefeito. Esquece, porém, que aos poucos sua credibilidade vai caindo.

Antonio Antunes antonioantunes@uol.com.br

Rio de Janeiro

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PROBLEMAS NO METRÔ

Duas perguntas: 1) Por que os metrôs de Londres, Paris e Nova York não têm problemas com a absurda frequência que tem o nosso? 2) Será que isso, e a péssima qualidade dos serviços públicos em geral, tem algo que ver com a absurda prática de corrupção que ocorre em nosso país?

Shirley Schreier schreier@iq.usp.br

São Paulo

 

 

 

 

 

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