Fórum dos Leitores

CAMPANHA ELEITORAL

O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2014 | 02h06

Pesquisas e manifestações

Equivocaram-se os que julgavam arrefecido o movimento popular ocorrido no Rio de Janeiro, reunindo mais de 1,5 milhão de pessoas clamando, pacificamente, pelo fim da corrupção e por mudanças na política brasileira. A violência, preponderante em outros movimentos que se seguiram com a participação dos black blocs (sabe-se lá de onde eles vieram), fez o povo brasileiro manter-se calado, mas esperando oportunidade para expressar de outra forma seus sentimentos. Confirma-se agora, por meio das pesquisas eleitorais para presidente da República, que as mesmas reivindicações continuam latentes e serão demonstradas não mais em passeatas ou movimentos de rua, mas nas urnas, nas próximas eleições.

PAULO GUIDA

paulo.guida@yahoo.com.br

São Paulo

Terceira via

As pesquisas demonstram que Marina Silva (PSB) está representando mesmo a terceira via. Nem PT e coligação, nem PSDB e coligação. Os eleitores estão direcionando para campo diverso os seus votos, apostando no novo e num modo de governar mais correto e mais decente do que o apresentado até agora pelo PT. Seria a junção do humanismo com o pragmatismo econômico, unidos na direção e na gestão do País. E tudo com menos burocracia e mais eficiência. Sempre será possível governar com menos ministérios, menos cargos em comissão e menos despesas, visando realizações e projetos viáveis. Na verdade, os eleitores estão cansados de mais do mesmo, querem experimentar novos rumos e o que vier depois será tema da oportunidade e da ocasião futura. O desejo de mudança é irrefreável.

JOSÉ CARLOS DE C. CARNEIRO

carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

Estado laico e causa gay

Marina Silva afirma que, se eleita, governará sob os princípios de um Estado laico. Todavia sucumbe às exigências dos evangélicos e "corrige" seus enunciados de campanha sobre os direitos dos homossexuais!

EUCLYDES ROCCO JUNIOR

emteatro@uol.com.br

São Paulo

A 'errata' de Marina

A redução do apoio à causa gay pode ser o início de várias "erratas" no programa de governo de Marina Silva. Que está mostrando a adaptação da candidata às novas regras de uma candidatura que terá de fazer muitas concessões para manter os apoios que vem recebendo. Os próximos dias vão mostrar muitas novidades, por certo.

URIEL VILLAS BOAS

urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

Repensar o voto

"Falha processual na editoração do texto"? Eis que a loba perde a sua pele de cordeiro. Marina Silva provou que o seu radicalismo continua igual. Pior ainda, os intelectuais da sua equipe apoiando. Muitos terão de repensar o seu voto!

LEONARDO STERNBERG

sternberg.leo@gmail.com

São Paulo

Uma vez lullopetista...

A candidata continua lullopetista na essência: a "errata" confirma seu dito pelo não dito com aval do Benedito...

A. FERNANDES

standyball@hotmail.com

São Paulo

(In)capacidade

Marina Silva afirma ter visto muito intelectual questionar capacidade do "ex-metalúrgico" na eleição de 2002 (30/8, A6). Teriam, por acaso, errado tais intelectuais nos questionamentos?

WALTER DUARTE

walterd@globo.com

São Caetano do Sul

Desemprego em massa

O PT alega que se a oposição vencer haverá desemprego em massa - a única verdade que já ouvi dele. Sem dúvida, não haverá mais petistas empregados.

JOSÉ SERGIO TRABBOLD

jsergiotrabbold@hotmail.com

São Paulo

Se eles podem "fazer o diabo" para se manter no poder, votamos até no capeta para tirá-los.

DOMINGOS CESAR TUCCI

d.ctucci@globo.com

São Paulo

Perseguição política?

É de estranhar o que a Polícia Federal (PF) está fazendo em plena campanha eleitoral. Baseada em dossiê criado por baixo dos panos por petistas, que de forma suspeita "vazou" de um processo que seria sigiloso e foi encaminhado pelo ministro da Justiça à PF, esta tornou pública intimação a um candidato ao Senado para prestar depoimento sobre caso envolvendo trens e Metrô em sua gestão. E agora diz (29/8) que o candidato é "investigado"? A Justiça paulista comprovou que o ex-governador defendeu os interesses do erário estadual e arquivou a denúncia. O PT aparelhou também a PF? Como acreditar agora na sua isenção?

WALTER SIMÕES

waltersimoesdx@hotmail.com

Santos

REFORMA POLÍTICA

Participação popular de fato

Excelente o artigo Um modelo honesto de participação popular (30/8, A2), de Fernão Lara Mesquita, que desnuda de forma clara e incisiva a distância entre a democracia "faz de conta" existente no Brasil e a que propõe o voto distrital com retomada. Seria, sim, o início de uma honesta e verdadeira reforma política. Temos mesmo de insistir, pois a inércia é, infelizmente, uma característica nossa, que somos lusófonos. Muito blá-blá-blá e pouca disposição para as mudanças imprescindíveis.

PAULO VICENTE DE OLIVEIRA

helena.scavassa@outlook.com

Águas de São Pedro

CRISE NA USP

Demissão de C. G. Mota

A opinião pública foi surpreendida com a lamentável notícia do pedido de demissão formulado pelo diretor da Biblioteca Mindlin da USP, o eminente historiador Carlos Guilherme Mota, em razão do bloqueio de acesso que vem sendo imposto à instituição (Estado, 30/8). Muito oportuno seu artigo Em defesa da Faculdade de Filosofia da USP (28/8, A2), cujo final salienta que "o governo Alckmin corre o risco de ficar na História como o que, mestre do silêncio, se beneficiou da suposta 'independência' financeira das universidades estaduais (invenção do ex-governador Orestes Quércia para lavar as mãos como Pilatos) e 'se livrou' das greves de antanho, hoje reavivadas pobremente. Pois os problemas permanecem os mesmos, embora cada vez maiores". A situação da USP é gravíssima e, com muita tristeza, constatamos seus 80 anos sendo comemorados de forma tão degradante.

BENEDITO LIMA DE TOLEDO, professor titular da FAU-USP

bltoledo@uol.com.br

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadão.com

FICHA SUJA

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo indeferiu o pedido de candidatura de Paulo Maluf. Pelo visto, a Justiça Eleitoral começou a pôr ordem na casa, pelo que o Brasil e os brasileiros agradecem.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com 
Jandaia do Sul (PR)

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O VALOR DA LEI DA FICHA LIMPA

Depois de Maluf se livrar da condenação por desvios de recursos públicos mais do que comprovados, inclusive por depósitos em bancos no exterior, finalmente o TRE de São Paulo, valendo-se da Lei da Ficha Limpa, cassou a candidatura do deputado para o pleito deste ano. É lamentável que um cidadão como Paulo Maluf, que zombou por décadas da sociedade brasileira, gozando de poder econômico graças aos recursos desviados dos contribuintes, mesmo condenado em várias instâncias, estranhamente tenha ficado livre. É certo que Maluf pode ainda recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, mas esperamos que este ratifique a decisão do TRE de São Paulo, fortalecendo os princípios da Lei da Ficha Limpa e o fim da impunidade insuportável no País.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com
São Carlos

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ENFIM, UM ALENTO
 
O artigo do jornalista Fernão Lara Mesquita (“Um modelo honesto de participação popular”, 30/8, A2) é um alento no mar de proposta políticas amorfas e repetidas. É também um sopro de esperança para aqueles que desejam eleger legítimos representantes para o Legislativo e ter voz ativa para substituí-los, se necessário. Isto é democracia: voto distrital e recall. 

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com 
Ribeirão Preto

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VOTO DISTRITAL

O artigo de Fernão Lara Mesquita vai direto ao ponto. A reforma política de que o Brasil precisa, e a que os políticos mais temem, é a adoção do voto distrital. A quantidade de eleitores seria dividida por 513 cadeiras e cada distrito teria a mesma quantidade de eleitores. Se São Paulo tem 30% dos eleitores, teria pouco mais de 150 deputados. O voto em deputado, no sistema atual, nada mais é do que puro engodo. A propaganda do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dizendo para escolher bem seu representante nada mais é do que propaganda enganosa. O voto vai para a coligação e a legenda. Um sistema podre e vergonhoso.

J. S. Morel Filho zzmorel@icloud.com 
Santos

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PARTICIPAÇÃO POPULAR

Mais um brilhante artigo de Fernão Lara Mesquita no “Estado” de 30/8, que expõe com sua habitual clareza o quanto nosso atual sistema eleitoral nos arrasta para longe da verdadeira democracia, estimulada por discursos enganosos de “democracia direta” e “governo de participação popular”. Precisamos resgatar a verdadeira democracia, invertendo o atual modelo, dando mais poder aos cidadãos, por meio de um sistema eleitoral que seja representativo de fato. Como diz Mesquita, “enquanto o País não tomar consciência de que a droga institucional em que está viciado o define como doente grave de insuficiência democrática, e não o contrario, não disporá a curar-se. Continuará, a cada crise, aceitando doses crescentes dos venenos populistas que ingere no lugar do remédio democrático até que a overdose do remédio de migalhas de ‘direitos adquiridos’ sem fazer força acabe por matar definitivamente a moral e a economia nacionais”. Precisamos é de voto distrital puro e simples.

Carlos de Oliveira Avila  gardjota@gmail.com
São Paulo

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CORRUPTOCRACIA

O equívoco sobre a democracia direta ou governo de participação popular é presumir que o Brasil seja um país democrático, quando na realidade ele não é. Aqui, o povo não manda, nunca mandou e provavelmente nunca vai mandar, o regime de governo brasileiro é a corruptocracia. Quem manda sempre mandou e provavelmente sempre vai mandar no Brasil é a corrupção. Muito antes de qualquer eleição, o jogo é definido com as famosas doações de campanha, quando as empreiteiras contratam os políticos que irão defender seus interesses. Goste ou não o Brasil foi construído dessa forma. Uma pessoa honesta, de bem, não aceita participar de jogo e fica de fora da política, abrindo espaço para o exército de nulidades que vemos se acotovelando no horário eleitoral gratuito. Uma vez eleita, a nulidade sabe que jamais será cobrada pelas promessas de campanha e estará livre para enriquecer por todos os lados, sem dar satisfações a ninguém, além de seu partido e dos financiadores da sua campanha. Para mudar isso tudo que está aí seria necessário, primeiro, regulamentar a profissão de político, como ocorre com qualquer outra profissão; depois, acabar com o financiamento público de campanha, origem de tudo o que há de errado no sistema político brasileiro; e, por fim, criar mecanismos para cobrar o desempenho dos eleitos, demitindo quem não apresentar bons resultados. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br  
São Paulo

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ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

Após divulgação das pesquisas dando Marina Silva empatada com Dilma Rousseff no primeiro turno, muitos eleitores que são oposição ao governo que aí está estão mudando seu voto, preocupados em derrotar o PT. Essa façanha pode ser um tiro no pé. Quem está com Aécio Neves deveria ficar com ele no primeiro turno, pois, independentemente das pesquisas – e muitas revelaram surpresas nas urnas –, o quadro pode mudar, e, se não mudar, vota no segundo turno em quem estiver com Dilma. Marina ainda precisa consolidar sua candidatura e convencer os eleitores de que não é uma petista disfarçada. Tanto Marina quanto Aécio são candidatos que oferecem as mudanças de que o Brasil precisa. O que sinaliza claramente para os eleitores é que a “era petista” já deu o que tinha de dar. Não se esquecer do que disse Magalhães Pinto: política é como nuvem, você olha e ela está de um jeito, olha de novo e ela já mudou. O caso Eduardo Campos ilustra essa afirmação. Num segundo tudo pode mudar. 

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com 
São Paulo

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VOTO ÚTIL

Tudo indica que, entre os três principais candidatos, Marina Silva e Dilma Rousseff irão para o 2.º turno, com vitória de Marina. Os eleitores tucanos dizem que votarão em Aécio Neves no 1.º turno e em Marina no 2.º. Seria interessante eles anteciparem o voto para Marina a fim de que a eleição já fosse decidida no 1.º turno, evitando protelações e custos de uma campanha bilionária. Caso este cenário se concretize, os tucanos poderiam se consolar saboreando a flagrante derrota do atual governo.

Wilson Haddad wilson.haddad@uol.com.br 
São Paulo

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UM LEMA PARA AÉCIO

Agora que as pesquisas estão para consolidar o favoritismo de Marina Silva para vencer o primeiro turno, graças aos votos de eleitores que só indicam quem está ou vai estar em breve à frente, o PSDB precisa começar imediatamente a agir com firmeza para manter suas chances. Terá de proceder como se Aécio já estivesse disputando o segundo turno com Dilma e tudo fazer para desconstruir a candidatura da presidente, desqualificando-a de todas as formas aceitas pela lei eleitoral, tratar de excluí-la da eleição e passar, ele sim, ao segundo turno. O lema de Aécio Neves tem de ser “guerra à corrupção”.

Flávio José R. de Aguiar flavio.daguiar@gmail.com 
Resende (RJ)

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FEITOS E DEFEITOS

Se Aécio deixasse de citar defeitos de Marina e passasse a mostrar seus feitos, e os não-feitos de Dilma, muito provavelmente teríamos, no segundo turno, PSB x PSDB.
 
Maria do Carmo Zaffalon Leme Cardoso mdokrmo@hotmal.com
Bauru

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FORÇAS INVISÍVEIS

Mesmo que não se queira admitir a atuação de forças invisíveis, parece que o céu sempre se encarrega de devolver o mal que praticamos. A atitude intransigente de Aécio Neves em 2010, negando-se a compor a chapa com José Serra para a vice-presidência (o que talvez tivesse mudado os rumos da política no Brasil, na época), é agora castigada com a ascensão vertiginosa de uma concorrente inesperada... Aécio, desde aquela época, perdeu meu voto. Não em favor de Marina ou de Dilma, por certo. Mas perdeu. E o de muitos paulistas, pelo mesmo motivo.

Edméa Ramos da Silva paulameia@terra.com.br 
Santos

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O TSUNAMI MARINA

O tsunami que varreria o PT do governo, dito por Aécio, chegou rápido por meio de Marina. O empate de Marina com Dilma no primeiro turno significa o voto contra o PT de Lula. O discurso de polarização contra o ex-presidente FHC que havia no discurso de Lula esvaziou-se com o aparecimento de Marina. Se não houver mudança no quadro eleitoral até as eleições, o País entrará num ambiente novo de alívio aos mesmos moldes que ocorreu quando o Plano Real acabou com a inflação.
 
Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com
Rio de Janeiro

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VOLTA LULA

A reviravolta no panorama eleitoral com Marina já praticamente destronando Dilma e tirando o PT do poder central, muito provavelmente, "obrigará" Lula, em nome da causa socialista-bolivariana, a encarnar seu ego de salvador da Pátria e aceitar o clamor "popular" para o “volta Lula”, substituindo-a na candidatura. Essa segunda reviravolta será o golpe de misericórdia não em Marina, mas no próprio Lula, que pela primeira vez enfrentará uma candidata ainda mais carismática que ele e, mais do que ele, beatificada pela alma do povo. E cada agressão contra ela, impune quando os adversários eram outros, retornará contra ele com a fúria das massas ofendidas. Volta Lula!

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br
São Paulo

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‘O DIABO’

Deus escreve certo por linhas tortas. Fizeram “o diabo” para inviabilizar a Rede e, agora, com os números do Ibope, terão de criar o quadragésimo ministério para o capeta?

Moises Goldstein mgoldstein@bol.com.br 
São Paulo

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HERANÇA SUPER MALDITA

Gostaria muito de ver Lula presente à "passagem da faixa presidencial" de Dilma para Marina. Nessa ocasião, alguém poderia lembrar-lhe de que isso, sim, é uma "herança super maldita" que a incompetência do PT está deixando, graças à economia falida do nosso Brasil, principalmente pelas benesses da "presidenta poste" a outros países, além dos incontáveis erros de gestão.

Roberto Hungria cardosohungria@gmail.com 
Itapetininga  

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DIAS PIORES

Dilma ou Marina? Brasil, piores dias virão.

Odilon Otávio dos Santos
Marília

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GOVERNO DILMA

Com a sua desastrosa política econômico-eleitoral, Dilma comprometeu a futura situação econômico-social do País, mas o futuro já chegou.

Pablo L. Mainzer plmainzer@hotmail.com 
São Paulo

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OLHO NELES
 
Em evento no diretório do PMDB em Jales (SP), a presidente Dilma Rousseff criticou sua opositora Marina Silva: “Quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo” – disse. Ora, quem diria alguém do PT, um partido que vive bajulando ditadores mundo afora, falar contra “autoritarismos”. Vamos refrescar a memória da candidata do PT. O regime militar – sabidamente autoritário – jamais abriu mão de governar com ampla base de apoio parlamentar. Triunfante o movimento de 1964, os partidos então existentes foram extintos e criados Arena e MDB, filiando-se ao primeiro (chamado de “partido do governo”) a grande maioria dos parlamentares de então. Veio o pluripartidarismo, multiplicaram-se os partidos, mas o regime castrense prosseguiu autoritário e em busca de apoio das urnas para se legitimar e foi assim até o fim. Logo, “governar com partidos”, de per si, não constitui  antídoto confiável contra o autoritarismo. Pior se quem prega essa falácia tenha sido a pessoa que, há pouco, editou o famigerado Decreto “leninista” 8.243 (o dos “sovietes”), diploma que desidrata a representação parlamentar, os partidos e, por consequência, fragiliza a democracia representativa. Não custa lembrar, também, que o desgoverno do PT apoia tanto a tirania cubana quanto o regime chavista na Venezuela: o primeiro, uma ditadura escancarada; o segundo, uma ditadura disfarçada. Que ninguém se engane, porque o buraco é mais embaixo. Olho nessa gente!
 
Silvio Natal silvionatal49@gmail.com     
São Paulo

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PROGRAMA BONITINHO

Programa bonitinho este de Marina Silva: promete recuperar o tripé macroeconômico básico; assegurar a independência do Banco Central; a unificação do calendário eleitoral; a liberdade aos black blocs; promete, inclusive, defender bandeiras que vão contra suas convicções religiosas, como voltar a distribuição  do kit gay nas escolas públicas e apoiar a união civil homoafetiva, aliás, mudança radical em quatro anos; ou a promessa de consolidar no Sistema Único de Saúde (SUS) os serviços de interrupção da gravidez, outra guinada de 180º. Promete tornar a Bolsa Família em política pública do Estrado; promete incrementar o passe livre nos transportes públicos; reduzir o consumo de combustíveis fósseis; promete construir 50 maternidades e 100 hospitais (esqueceu das creches de dona Dilma); promete dar fim aos conflitos fundiários e assentar 85 mil famílias por meio da reforma agrária; promete seguro contra os riscos do agronegócio; e, como não poderia deixar de ser, promete zerar a perda de cobertura florestal do País. Maravilha. Papel aceita tudo e o povo brasileiro, como uma legião de mortos-vivos, segue unido para mais quatro anos de estagnação, acreditando em promessas de uma candidata que, pela sua história e convicções, não divergirá em nada da lamentável administração petista dos últimos 12 anos. 

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br
São Paulo

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RECUO DE MARINA

Após lançar o programa de governo, Marina Silva recebeu apoio da comunidade LGBT e críticas dos evangélicos. Como ela é evangélica e, percebendo seu erro lançando o programa do PSB (do falecido Eduardo Campos), alegou "falha processual na editoração do texto" e recuou em relação à defesa dos direitos da população homossexual. Será que no Brasil há mais evangélicos ou mais gays? A resposta virá na divulgação da próxima pesquisa eleitoral. E, quanto ao agronegócio, será que ela também vai recuar? Será que o mercado financeiro deve comemorar a queda de Dilma e a subida de Marina nas pesquisas eleitorais? É por isso que eu prefiro votar em alguém que defende os direitos dos brasileiros independentemente de raça, religião, opção sexual, time de futebol, etc. Mas, infelizmente, continuo sendo minoria, fazendo parte dos 15% dos eleitores brasileiros.

Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br 
Americana

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IMPROVISO

Mais uma vez, a campanha diz uma coisa e, após a repercussão negativa, Marina muda, como no caso do casamento de homossexuais. Um tema tão controverso mereceria ser exaustivamente analisado com a candidata antes de ser divulgado. A favor ou contra, o importante é que haja coerência entre a candidata, o partido e seus marqueteiros. Posturas como essa trazem grande instabilidade ao eleitor, pois sugerem fragilidade ou, o que é pior, a ausência de um plano de governo suficientemente debatido. Ou será que o governo Marina, caso eleito, somente consolidará seu plano depois das eleições? Deus nos ajude, quanto improviso...

Luiz Eduardo Arruda luizeduardoarruda@yahoo.com.br 
São Paulo 

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CREDIBILIDADE

Faz bem Marina ao retificar pontos do programa de governo de Eduardo Campos. Ela vai tendo de se adaptar rapidamente à sua nova condição, vai "trocando o pneu com o carro em movimento". Em vez de insegurança, passa credibilidade.

Roberto Maciel rvms@oi.com.br 
Salvador

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CASMURRICE

O Estado é laico: não foi a Providência Divina quem conduziu Marina Silva à candidatura a presidente da República do Brasil, mas sua casmurrice em não aceitar a coligação PSB/PSDB em São Paulo.
 
Carlos Leonel Imenes leonelzucaimenes@gmail.com 
São Paulo

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CERTO E ERRADO

O desespero leva a tudo. Desta vez é a religiosidade de Marina Silva. Menos mal ter religiosidade – é melhor que os ateus petralhas que mentem, roubam e nem se importam, porque falta o que distinga o certo do errado e o sagrado do profano.
 
Mario Cobucci Junior maritocobucci@uol.com.br
São Paulo

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HOMOFOBIA

Depois da reação dos evangélicos, Marina, pragmática, fez as contas: os homossexuais representam apenas 10% da população, enquanto os evangélicos são 25% da população brasileira. Racionou: antes perder 10% dos votos dos homossexuais do que perder 25% dos evangélicos. Então ela disse que foi “falha processual na editoração do texto”. Que “foi um erro.” E, depois, seria um contrassenso para uma evangélica proibir que incriminasse o homossexualismo publicamente nas igrejas, nas praças públicas ou no Parlamento. A “Bíblia” condena clara e veementemente essa prática (“Levíticos”, capítulo 18, versículo 22: “Não te deitaras com homem como se deita com uma mulher. É abominação”. No capítulo 20, versículo 13: “O homem que se deita com outro homem como se fosse uma mulher, ambos cometem uma abominação, deverão morrer, e o seu sangue cairá sobre eles”. No “Novo Testamento”, em “Romanos”, lê-se em capítulo 1, versículo 27, “...igualmente os homens, deixando a relação natural com as mulheres, arderam em desejo uns para com os outros, praticando torpezas homens com homens e recebendo em si mesmo a paga da sua aberração”. Em “1 Coríntios”, capítulo 6, versículo 9, lê-se: “... nem os adúlteros, nem os depravados, nem os homossexuais, nem os sodomitas ...herdarão o Reino de Deus”). A “Bíblia” é homofóbica.

José Carlos de Castro Rios jc.rios@globo.com 
São Paulo 

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MARINA, CRER OU NÃO CRER

Marina, a Katrina que veio dos seringais do Acre, ainda não subiu a rampa do Planalto, porém as suas raízes políticas lançam sobre a bafejada do destino quando ela vier a ocupar a Presidência da República nos remetendo ao ditado que assegura: “O lobo perde o pêlo, mas não perde a astúcia”. Marina, por todas as dúvidas que possam ser lançadas sobre ela, não terá em quatro anos como pôr ordem essa bagunça organizada pelo PT. Como estancar no curto prazo o absurdo de 45 mil assassinatos todos os anos? Como reduzir os 20 mil mortos todos os anos nas estradas? Como botar em pratos limpos os muitíssimos bilhões de reais que se evaporaram em propinas, contratos superfaturados; investimento em obras e empréstimos às ditaduras vermelhas, um verdadeiro festival a tripa-forra? O Estado abandonou a segurança do cidadão e, como prova disso, empresas de alarmes, cercas elétricas, grades e seguros estão prosperando há mais de dez anos. O que Marina seja para o futuro tem a sua relevância no fato de que ela representa um raio de luz em 12 anos de trevas numa estúpida brincadeira de governar uma nação. Com Marina, até o nosso idioma será resgatado, porque ninguém jamais pronunciará ou escreverá esse entulho autoritário de nominá-la "presidenta", o que ela abomina. Marina é Alfa, Dilma é Ômega.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com 
Vassouras (RJ)

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POLÍTICA EXTERNA

Dando uma olhada no “plano de governo de Marina Silva”, não encontrei nada sobre como deverá ser sua política externa. Por exemplo: se continuará dando aval aos bolivarianos, dando mais do que recebendo. Fora as doações e empréstimos suspeitos nesses 12 anos, desde que o Brasil deu apoio à entrada da Venezuela no Mercosul as negociações com o bloco ficaram empacadas, dando chance de a China tomar nosso lugar e trazendo bilhões em prejuízo nas exportações. Até hoje o PT tomou esse bloco como farol de frente, viajando aleatoriamente sem enxergar um palmo à frente, sem antes consultar sua base em Cuba. Por quem o coração de Marina dobra? Pelo Brasil ou pelos bolivarianos, que até hoje só nos trouxeram prejuízos? Queremos uma resposta.

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br 
São Paulo

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HERANÇA FORA DE HORA

Excluindo quaisquer outras ações-impossíveis e inimagináveis que vitimaram os tripulantes, Eduardo Campos e seus companheiros no jatinho acidentado, fica a sensação clara de que Marina Silva caiu de paraquedas na área litigada das próximas eleições. A candidata age como aquele herdeiro que nunca poderia imaginar receber uma herança fantástica, de parente distante, de pouco ou quase nada em relacionamentos familiares. Como herdeira única e desprovida de condições materiais e humanas, para tocar muitos dos bens herdados, terá de se desfazer de muitos e arrendar outros tantos, para parentes próximos e amigos interessados. Como herança e dinheiro ganho na loteria são passíveis de não aguentar desaforos, fica nossa expectativa para que o País não seja mais uma vez usado como laboratório de novas ideologias ou políticas centradas em  fisiologismos religiosos-partidários. Nosso desejo como brasileiros conscientes é que votemos bem, para não nos arrependermos depois.

Aloisio A. de Lucca aloisiodelucca@yahoo.com.br 
Limeira

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INEXPERIÊNCIA

O que podemos esperar do possível governo de Marina? Nem sequer foi eleita e já tumultuou todos os partidos coligados, alterou o programa de governo, enfim, demonstrou não ter a experiência necessária para governar o País. Mais parece uma aventureira sonhando em governar. O momento não está para aventuras!

Laert Pinto Barbosa laert_barbosa@globo.com 
São Paulo

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VIRA-CASACA

Acho um absurdo total Marina Silva virar a casaca –como diria minha avó – depois de haver feito tanto alarde de suas ideias tão radicais. Agora, ela veste ate as ideias de Aécio Neves (PSDB). Que vexame, dona Marina. Afinal, de que lado se encontra? Sabe o que eu vejo? Uma Marina seguindo os mesmos passos do seu deus-líder Lula, embora só nas entrelinhas deixe escapar. 

Maria Alexandrina P. e Neves serafinagrande@hotmail.com 
São Paulo

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URGÊNCIA

Francamente, querer desconstruir o “tsunami” Marina com base em sua errata no programa de governo envolvendo a causa LGBT é desconsiderar a ampla gama de problemas seríssimos que o País tem, agravados, sobretudo, nos últimos anos de desgoverno petista. As causas de sexualidade não resolvem as questões infraestruturais, estas, sim, urgentes, fundamentais e determinantes em nosso dia a dia. Muda, Brasil!

J. S. Decol decoljs@globo.com 
São Paulo

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O CACHÊ DE MARINA

Não sou marinista, ou marineiro, ou sonhático, mas, sobre a reportagem “Ex-ministra ganha R$ 1,6 mi ao falar a bancos e empresas” (“Estadão”, 1/9, A6), sejamos sensatos. Pela aritmética básica, teremos: R$ 1.600.000,00 em três anos resultam em R$ 533.333,33 ao ano. Em 12 meses, correspondem a R$ 44.444,44 ao mês e, descontados 27,5% de Imposto de Renda, resultam em R$ 32.221,9, o que não é muito superior ao salário de R$ 26.700,00 como senadora, fora os subsídios.

Luiz Nusbaum lnusbaum@uol.com.br
São Paulo

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O PMDB NO GOVERNO

PMDB já acena para candidata do PSB... “Temos condições de dar governabilidade a Marina”, disse vice-líder na Câmara, Danilo Forte. Como sempre, políticos do PMDB estão sempre do lado que o vento sopra, ou seja, não abandonam o muro que poderá levá-los próximos ao poder.

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@hotmail.com
São Paulo

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GOVERNABILIDADE

Decidido a votar em QUALQUER candidato, exceto nos do PT, que já demonstraram a falta de capacidade e de caráter para governar nosso grande Brasil, confesso que senti nojo ao ver estampadas no “Estadão” de ontem (“PMDB já acena para candidata do PSB”, página A5) o rosto dos abutres acenando para Marina Silva em nome da "governabilidade", que é o nome dado por estes elementos à manjada chantagem em troca de cargos para se manterem na mamata. Mas, como Marina afirma que, se eleita, não tentará um segundo mandato, torço para que ela não precise se sujar em apertos de mãos com Malufs, Collors ou Sarneys.

Paulo Ruas pstreets@terra.com.br 
São Paulo

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ALIADOS

Para o futuro do Brasil nos próximos dez anos, Dilma e Marina são "micos do mesmo tipo". Com quem governaria Marina, se não com o PT?
  
Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br
São Paulo

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GOVERNO ESGOTADO

A declaração do ministro Guido Mantega, de que o cenário internacional era um dos itens que contribuiu para a queda de 0,6% na economia brasileira no segundo trimestre, não convenceu ninguém. Segundo os analistas econômicos, no momento não existe crise externa e os Estados Unidos, a Europa, a China e países da América do Sul como Colômbia e Chile voltaram a crescer. O conjunto de incertezas, a falta de clareza e informações do governo fazem com que o empresário não invista e, sem investimento, não há crescimento. O mesmo ocorre com o cidadão comum, que evita ir às compras porque não saber como será o seu futuro e se terá o emprego para pagar os compromissos assumidos. Quando o ministro Mantega fala que não estamos em recessão, pois não temos desemprego e a renda não está caindo, sempre é bom lembrar que os servidores do IBGE estiveram em greve por 79 dias e só voltaram no último dia 13, e muitas pesquisas, como a Pnad Contínua (mais confiável), que analisa o desemprego em 3.500 cidades, nem foram completadas. Na minha opinião, este atual governo já está esgotado e ponto final.

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com 
Campinas 

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DE QUEM É A CULPA?

O Brasil está em recessão técnica, dois trimestres com produto interno bruto (PIB) negativo, e de quem é a culpa? Guido Mantega afirma que a seca emperrou o desenvolvimento do País. A pior seca é no Estado de São Paulo, governado por Geraldo Alckmin, do PSDB, mesmo partido de FHC. Eu já sabia que a culpa teria de ser de FHC. 

Vagner Ricciardi vbricci@estadao.com.br   
São Vicente 

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RECESSÃO TÉCNICA

O primeiro legado da Copa já se manifestou, muitos virão a reboque. Não é mesmo, Lula?

José Roberto Iglesias rzeiglesias@gmail.com 
São Paulo

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JOGO DE PALAVRAS

Devemos ficar aliviados que a recessão está “apenas” técnica, e não plena?
 
Omar El Seoud ElSeoud.USP@gmail.com
São Paulo

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OS SALÁRIOS NO STF

O presidente do Congresso Nacional se comprometeu com Ricardo Lewandowski em acelerar votações para conceder aumento, gratificação e adicional para magistrados. Com mudanças, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) poderão receber até R$ 48 mil por mês. Enquanto isso, os aposentados continuam a esperar o reajuste conforme os índices elementares que corrigem os salários. Pobre povo brasileiro.

Tanay Jim Bacellar tanay.jim@gmail.com 
São Caetano do Sul 

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REAJUSTES

Aos ministros do STF, 22% de aumento; aos aposentados, a lei!

Gustavo Guimarães da Veiga ggveiga@outlook.com
São Paulo

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ISSO É JUSTIÇA?

Sou aposentado desde 1985. Recolhia INSS sobre 20 salários mínimos (máximo na ocasião) e hoje recebo cerca de 3 (três) salários mínimos. Vejo hoje nos jornais que o STF pede 22% de aumento em seus salários alegando “recomposição das perdas com inflação”. Isso só vale pala eles? E nós? Isso é justiça?

Fabio Duarte de Araujo fabionyube@visualbyte.com.br
São Paulo

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VOLTA AO PASSADO

O presidente do STF está agindo como sindicalista ao defender melhores remunerações para os ministros do Supremo, justificando tratar-se de reposição de perdas da inflação, como mostrou a matéria “Ministros do Supremo pedem aumento de 22%” (29/8, A11). A volta dessa indexação defendida justo por essa autoridade de Estado significa apenas uma triste volta ao passado. Que vergonha!

José Elias Laier joseeliaslaier@gmail.com 
São Carlos

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SALÁRIO MÍNIMO

Enquanto o atual desgoverno anuncia o aumento do salário mínimo para 2015 em 8,8%, passando de R$ 724,00 para R$ 788,00. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) querem reajustar os seus próprios salários de R$ 29,4 mil para R$ 35,9 mil, uma elevação de 22%, fora os benefícios e as mordomias. Entendemos ser inoportuna a pretensão, levando em conta o atual momento que a economia do País está atravessando. Não é muito, não? Reajustar o salário mínimo acima da inflação ajustada e tão bem controlada?
 
Luiz Dias lfd.silva@2me.com.br 
São Paulo

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PAÍS DOS MÁXIMOS E DOS MÍNIMOS

O aumento de salário pretendido pelos ministros do STF demonstra claramente a que se resume a política salarial do Brasil. Enquanto um ministro receberá R$ 35.919,00 mensais, um assalariado ou aposentado perceberá R$ 724,00 mensais, ou seja, o que o ministro recebe num mês o aposentado levará exatamente 49,6 meses para receber. Temos ainda a comparação anual dos salários de um ministro, custando ao Estado R$ 431.028,00, e o aposentado ou assalariado levará nada mais nada menos que 49,6 anos para perceber os mesmos R$ 431.028,00. Este é o país dos máximos e dos mínimos.

Eugênio Iwankiw Junior iwankiwjr@hotmail.com 
Curitiba 

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NOVA ERA

Iniciamos no STF a era sob comando de um novo presidente, o ministro Ricardo Lewandowski, que de imediato, como primeiro ato, lidera e defende o movimento em causa própria e de seus aliados de novo reajuste salarial de 22%, afirmando ser para recompor as perdas com inflação. Simples, não?

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br 
São Paulo

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APAGÃO ÉTICO

O Brasil vive um apagão ético, diretamente relacionado à incompetência generalizada, privada e pública. O atendimento que o funcionalismo estatal presta aos seus cidadãos – suportado pela estabilidade no emprego – é um desastre, nos níveis federal, estadual e municipal. Mas a ganância da iniciativa privada não deixa nada a dever. É cúmplice no sentido de servir mal ao indivíduo que paga os impostos e sustenta seus lucros e toda esta corja. Vamos aos fatos: você é assaltado. Violentamente. Porque sacou uma quantia em dinheiro na sua agência bancária. Na hora do saque, ela se encontrava vazia, o que nos remete à conclusão de que alguém de dentro da agência se comunicou com um parceiro externo. O banco não assume nenhuma responsabilidade, obviamente. E é aquele que não cansa de alardear que “é perfeito para você". Ou "feito para você" ou que "viver é Prime". Tanto faz, são todos iguais. O.k., vamos à delegacia fazer um boletim de ocorrência. O cenário é deprimente. Um investigador mal humorado interrompe o atendimento e vai almoçar. Enquanto isso, uma escrivã não para de gritar, porque não se entende com seu computador. O sistema não registra, ela não se entende. Pessoas esperando. Horas a fio. Fezes no chão. Ambiente deteriorado, mal acabado. Mais pessoas chegando. Mais de duas horas para conseguir registrar o boletim. Entra um suposto delegado-chefe, de terno azul bem cortado, dá uma olhada, e sai. Volta o inspetor, horas depois. Passos de tartaruga. Vai lá para dentro e some. Acaba voltando, e eu lhe pergunto se almoçou bem. E lhe digo que todas aquelas pessoas que esperam não almoçaram. Ele dá de ombros. Finalmente, registro a ocorrência. Fim de linha. Um papel que vai mofar dentro de alguma gaveta. Providências: zero.

Carlos Dranger carlosdranger@gmail.com 
São Paulo

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BERNARDO E A BARBÁRIE

A aterrorizante divulgação do vídeo do menino Bernardo, sabendo que ia morrer, nas mãos de um casal de demônios me causou uma revolta indescritível, fazendo-me chorar de comoção. O calvário sofrido pelo menino Bernardo é algo abominável e  insuportável. Pena nenhuma que for aplicada será capaz de punir essa impiedosa atrocidade. O Ministério Público e o Conselho Tutelar também têm de ser responsabilizados por omissão e por virar as costas para a criança, que procurou socorro nesses locais e não teve a menor atenção recebida. A barbárie é tão cruel que, sempre que é divulgada, mudo de canal por não suportar rever o drama vivido pelo desamparado Bernardo.

Habib Saguiah Neto saguiah@mtznet.com.br 
Marataízes (ES)

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‘A ABSURDA GUERRA NA SAÚDE’

O editorial “A absurda guerra na saúde” (“Estadão”, 30/8, A3) expõs a precariedade do atendimento médico no Brasil, informa a melhora do atendimento médico (segundo o Ministério da Saúde baseado no Mais Médicos) e recomenda à classe médica e ao governo a deixarem a beligerância de lado e tentarem atender melhor os pacientes. Dá a entender que os médicos estão “de birra” com esta ação do governo federal. Na verdade, de um lado, há uma tentativa de manter-se no poder a qualquer custo e, de outro lado, os médicos, conhecedores  do complexo assunto, dizem que o problema se situa na gestão da saúde e no seu financiamento. Neste exíguo espaço abordo apenas parte do aspecto financeiro. Há poucos dias soubemos do custo de um mês do pronto-socorro da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo: R$ 5 milhões. Pois bem, o governo federal gasta R$ 114 milhões por mês com os médicos cubanos, que não foram submetidos à prova de suficiência. Sem entrar no detalhe do destino final desta dinheirama, apenas constato que corresponde à manutenção de 22,8 meses de custeio de um pronto-socorro. Este é o verdadeiro absurdo, pois contrapõem 22,8 meses de um atendimento complexo, o do pronto-socorro, ao gasto de um mês com simples consultas, aquelas que o velho e bom farmacêutico do interior já fazia de graça. Estes recursos não dariam para uma real atenção à saúde? O “Estadão” de 31/8 mostrou claramente as deficiências deste programa  eleitoreiro, pois o atendimento médico vai muito além da consulta.
 
Antonio C. Gomes da Silva acarlosgs@uol.com.br 
São Paulo

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SAÚDE PÚBLICA

A saúde pública no Brasil está literalmente falida. A grande população que não tem acesso a planos de saúde fica à mercê da própria sorte e, mais precisamente, da própria morte, já que os hospitais e postos de saúde públicos não contam com quase nenhuma estrutura de atendimento especializados para as doenças que assolam a população. Os doentes são precariamente atendidos e socorridos de forma superficial por profissionais totalmente despreparados e inexperientes, que se limitam a ministrar medicamentos apenas com efeitos sedativos visando a combater tão somente os efeitos, já que não têm a mínima condição para diagnosticar as causas das doenças. O quadro é simplesmente vergonhoso e insustentável. Basta apenas alguém se dignar a visitar qualquer hospital ou posto de saúde de caráter público, em qualquer lugar do Brasil, para constatar as atrocidades que ali ocorrem pelo descaso dos governantes que comandam o País. São pessoas idosas, jovens e crianças, que diariamente são encurraladas para as fronteiras da morte pela precariedade dos atendimentos com medicações indevidas, incompletas ou totalmente insuficientes, isso quando não são dragadas pela omissão de atendimento em tempo hábil. Na minha opinião, o principal e único responsável por essa situação caótica é a facção do PT que se apoderou do poder e corrompeu os ideais da jovem nação brasileira. Essa “laia” só prega a mentira deslavada para enganar e iludir a opinião pública da grande massa que não tem capacidade mínima de discernimento entre o correto e o errado. Conforme o ex-ministro da Saúde sr. José Serra vem corretamente alertando, o problema existe exclusivamente pela omissão irresponsável do governo federal, já que os governos municipais e estaduais são diuturnos e diretamente cobrados pela população que os elegeu. Essa situação só é possível de ser diagnosticável nas esferas em que ocorrem os problemas, ou seja, em que as pessoas residem. Por mais que os Estados e municípios se esforcem para resolver os problemas, se torna impossível pela falta de recursos financeiros, já que o governo federal é totalmente omisso, corrupto e não sabe gerenciar recursos materiais e humanos. Aliás, cabe, aqui, uma pergunta bem oportuna, que a meu ver deveria estar sendo objeto de questionamento para efeito de avaliação da campanha política atual: juntamente com a redução do repasse de verbas do governo federal para a área da saúde nos Estados e municípios, quais os benefícios deixados pelos investimentos desperdiçados na Copa do Mundo tão solenemente defendida pelo atual governo? 

José C. de Camargo Ribas ribistico@yahoo.com.br 
Piraí do Sul (PR)

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