Fórum dos Leitores

BRASIL 2030

O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2014 | 02h03

Projeções

O Estadão publicou interessante estudo sobre o desenvolvimento econômico de vários países (12/9, B8). Deixando de lado o fato de a lista das economias mais desenvolvidas em 2012 apresentar em seus quatro primeiros lugares, segundo o PIB per capita, territórios de discutível relevância - Macau, US$ 94.941; Catar, US$ 88.494; Liechtenstein, US$ 84.757; e Luxemburgo, US$ 71.662 -, e omitir os colocados em 5.º, 6.º e 7.º lugares, passando ao 8.º, EUA, com US$ 49.774, aparece em 67.º o Chile, com US$ 17.480, e em 95.º o Brasil, com US$ 11 mil. A projeção para os EUA em 2030 é de US$ 68.307, apresentando um crescimento no período de 37,23%; para o Chile, de US$ 34.635, o que representa um crescimento de 98,14%, ficando os dois países em 7.º e em 54.º lugar, respectivamente - os EUA subindo uma posição e o Chile, 13. Para o nosso país apresenta três hipóteses: a primeira é da Meta Visão Brasil, a segunda do IHS Global Insight e a última, uma projeção mantendo a taxa de crescimento dos últimos 20 anos, esta a que me parece, infelizmente, mais provável. O PIB per capita nas três hipóteses seria, respectivamente, de US$ 24 mil, US$ 19.555 e US$ 16.849 e a colocação do País, 79.ª, 93.ª e 104.ª, nessa ordem. Com certeza, a última hipótese é a mais plausível e os últimos 12 anos de governos medíocres, mais um novo quatriênio de incompetência e mediocridade, devem ser as causas do nosso fracasso econômico, cultural e político.

MÁRIO RUBENS COSTA

costamar31@terra.com.br

Campinas

ECONOMIA E CORRUPÇÃO

Escondidinha

Se os investimentos feitos aqui mesmo, no País, sob a vista de todos e controle do TCU, mostram tantos malfeitos que enchem as páginas dos jornais, imaginem os que são feitos às escondidas, com financiamento do BNDES, em Angola, Bolívia, Cuba, Equador, Moçambique, Nicarágua, Peru... São portos, estradas, hidrelétricas e outras obras, decididas monocraticamente pelo Executivo sem consulta ao Legislativo e sem constarem do Orçamento. Pode não ser simples coincidência que as construtoras-empreiteiras que as têm feito sejam grandes financiadoras e apoiadoras de muitos de nossos políticos. Se dos gastos da Petrobrás, aqui em casa, a "começão" chega a 3%, imaginem lá fora, escondidinha.

WILSON SCARPELLI

wiscar@terra.com.br

Cotia

Sangria

Os números e os fatos falam mais que o discurso da maioria dos presidenciáveis. Os brasileiros trabalham todos os anos até maio não para pagar suas contas pessoais, mas para pagar tributos. E o governo federal nunca sabe nada da sangria que a corrupção provoca no Brasil porque se acha distraído no dever de suprir as necessidades de outros povos, governados por líderes populistas e totalitários mundo afora. Nenhum candidato a presidente se comprometeu até o momento a reverter essa prática irracional e trágica de governar. A imagem que se tem hoje do Brasil é a de um navio naufragando, à deriva, rumo à ilha de Cuba. Enquanto isso, os marqueteiros a bordo, que tomaram para si o comando da embarcação, vão oferecendo aos náufragos alguns botes salva-vidas furados e um kit contendo conchas e esparadrapos, com a seguinte inscrição: "Salve-se quem puder!".

LEON DINIZ

leondinizdiniz@gmail.com

São Paulo

Partido despudorado

Os escândalos do PT vão dos mais grotescos, como o mensalão, aos mais mesquinhos, como falsificar dados da Wikipédia.

EUGÊNIO JOSÉ ALATI

eugeniojalati@gmail.com

Campinas

Fofoqueiro oficial

Por tudo o que li nos jornais, o jovem Luiz Alberto Marques Vieira Filho, de 32 anos, não é um funcionário qualquer da "ptsidência". É um funcionário público que assessorou gente graúda dentro do governo do PT e ultimamente era chefe da assessoria parlamentar do Ministério da Fazenda, com salário de R$ 22 mil. Está na cara que as fofocas maldosas contra Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg não foram feitas pelo simples prazer de arriscar o SEU emprego. Esse é mais um caso em que a Justiça deveria ser aplicada com rigor.

WILSON MATIOTTA

loluvies@gmail.com

São Paulo

CAMPANHA ELEITORAL

Amigo da onça

Lula diz que é amigo de adversários. Com um amigo desses, quem precisa de inimigos?

JOSÉ MILTON GALINDO

galindo52@hotmail.com

Eldorado

Lula amigo de adversários? É muita cara de pau. Peroba nele!

JOSÉ ROBERTO IGLESIAS

rzeiglesias@gmail.com

São Paulo

Patético

Além de dizer-se amigo dos adversários, num gesto patético Lula se autodenomina "pai" da Nação. Risível, não fosse chocante a desfaçatez de tal petulância. Para conhecer uma árvore, se boa ou má, basta olhar os frutos que produz - por exemplo, mensalão, Petrobrás, pré-sal, ou pré-lodo... Para não ir longe, na mesma edição do Estado (12/9), na página ao lado de onde Lula se afirma o "grande pai" (só se for do engodo e da falcatrua) lemos: Assessor de petista é detido com R$ 180 mil (A9). Essa é a árvore do PT, carregada a mais não poder de péssimos exemplos de corrupção a céu aberto. E como a má semente desses vícios nasce e se dá melhor entre iguais, não causa surpresa haver muitos dissidentes do PT, entre eles Marina Silva. Não lhe desabona a imagem ter-se filiado num primeiro momento e rompido com o PT ao descobrir-lhe as propostas de "assaltar a Petrobrás". Ao contrário, mostra não pactuar com a filosofia malsã da corrupção desenfreada, marca indelével dos governos petistas. Isso é triste! Assim é mais natural a discórdia e arrepiar carreira que consentir e calar sobre a falcatrua. Rios nascidos da mesma fonte não raro tomam diferentes direções. Logo, afastar-se da bandeira do PT não é demérito, senão grande mérito. E deles, se nenhum outro houver, um por certo é notório: o de evitar a má companhia. Dize-me com quem andas...

ANTONIO BONIVAL CAMARGO

bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo

Como de hábito

Foram R$ 180 mil em notas de R$ 100 apreendidos, desta vez não estavam na conhecida peça íntima. O assessor detido (ganha bem o rapaz), garante: o nobre senador Wellington Dias, do PT, candidato ao governo do Piauí, não tem nada que ver com a situação. Aguardemos os próximos capítulos. Aí tem!

J. PERIN GARCIA

jperin@uol.com.br

São Paulo

A CRISE AUTOMOTIVA

Desonerações, redução de IPI e facilidades de crédito, com a dupla finalidade de alavancar o PIBinho de Dilma Rousseff e esvaziar os pátios das montadoras, estão longe de estancar os sérios problemas que enchem de incertezas a indústria automotiva brasileira, que vem amargando resultados preocupantes que se refletem num setor que tem muito que ver com os interesses do governo, principalmente nesta fase em que a reeleição de Dilma é uma questão de vida ou morte para o Partido dos Trabalhadores (PT). Entre agosto de 2013 e agosto de 2014 houve corte de 8.749 vagas de emprego no setor. Programas de demissão voluntária (PDVs) foram lançados nas principais unidades, como São José dos Campos, Taubaté e Rio, enquanto em outras unidades estão sendo executadas suspensões temporárias de contrato de trabalho. A indústria automobilística amargou em 12 meses o recuo da produção de 500 mil unidades e não há estímulo governamental que possa estancar essa sangria. Essa crise atinge um setor que sempre foi dominado pelo PT, que sempre contou com a fidelidade dos metalúrgicos. Há que se encontrar uma saída, porque o problema tende a se agravar a cada dia: as cidades brasileiras estão entupidas de automóveis e de caminhões, provocando um verdadeiro inferno de CO2 e buzinas. Tarefa para o novo governo e que não seja a continuidade do PT. Bate na madeira três vezes.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com 
Vassouras (RJ)

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OS FRUTOS DA POLÍTICA INDUSTRIAL

Qualquer governo se preocupa com a indústria do País por ser uma das atividades econômicas mais importantes. Geram grande quantidade de empregos, impostos, exportações e reduzem importações. Mas não é esse o entendimento do governo Dilma, cuja política foi chamar empresários ao Planalto pedindo-lhes investimentos e, entretanto, por falta de contrapartida do governo, as empresas não confiaram em Dilma e não investiram. A falta de ação, a demora e a incompetência do governo na construção da infraestrutura necessária foram decisivas para desencorajar investidores. Analistas dizem que Dilma não queria privatizar e por isso planejou os Programas de Aceleração do Crescimento (PACs), que ainda têm obras a iniciar e, em geral, todas atrasaram – enquanto o crescimento do País parou. O resultado da “política industrial” de Dilma foi, desde 2011, uma redução de 34% no pessoal empregado na indústria e a perda de US$ 200 bilhões na balança comercial, segundo a Globonews.

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br 
São Paulo

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EMPREGO NA INDÚSTRIA

Afinal, será que ainda veremos algum dado positivo neste governo?
  
Robert Haller robelisa1@terra.com.br 
São Paulo 

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DESINDUSTRIALIZAÇÃO

Como bem disse o candidato a vice-presidente pelo PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, em entrevista ao “Estadão” (11/9, A12), “foi no governo do ex-operário Lula que começou o processo acelerado de desindustrialização do Brasil”. Basta! Muda, Brasil!

J. S. Decol decoljs@globo.com 
São Paulo

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NO CAMPO DA OPOSIÇÃO

A cada manifestação de um integrante do PSDB, nota-se que eles tentam diminuir os prejuízos que a candidatura Aécio Neves está sofrendo. O candidato a vice, o senador Aloysio Nunes, chega ao ponto de alegar que Marina Silva quer se colocar acima dos partidos. E surge o confronto, pois o ex-presidente FHC, também do PSDB, sugere uma unidade entre a candidata e Aécio. Durma-se com um barulho destes.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br 
Santos

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AVISO PRÉVIO NA FAZENDA

Guido Mantega está em aviso prévio. Se Dilma Rousseff for reeleita, já avisou que vai substituí-lo. Se o eleito for outra candidata, ou candidato, também sai. Como um país que tem uma economia com a dimensão e a importância da do Brasil pode conviver com um ministro da Fazenda desprestigiado e desacreditado até o início de 2015, com inflação em alta e PIB em baixa?

Ronaldo Gomes Ferraz ronferraz@globo.com 
Rio de Janeiro 

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DÚVIDA TRABALHISTA

O ministro Mantega está cumprindo aviso prévio ou está em lay off?

Claudio Juchem cjuchem@gmail.com 
São Paulo 

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CARTAS NA MESA

Com a constatação pública de que sua política econômica não deu certo, Dilma dispensa seu ministro, confirmando-se assim o aviso prévio mais longo da história das normas trabalhista. Mas o mais grave é que não diz como e quando mudará, e quem pretende pôr no lugar do “sinistro” Mantega. Se o mote é “mudança para melhor”, que ponha as cartas na mesa, chega de blá, blá, blá e de não sei de nada.
 
Leila E. Leitão
São Paulo

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GUIDO MANTEGA

Depois de nos empurrar goela abaixo este inqualificado ministro da Fazenda por mais quatro anos, e por pura teimosia, Dilma nos jogou na lata do lixo da história e agora diz que ele não continuará se ela conseguir um segundo mandato. Então tá! A eleição vem aí. Aguarde.

Ruth Moreira ruthmoreira@uol.com.br 
São Paulo

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MOTIVOS PESSOAIS

Na entrevista ao “Estadão”, tratando da propalada saída de Mantega do Ministério da Fazenda, disse Dilma: “É por questões eminentemente pessoais”. Eu já estava me aprontando para protestar contra a saída dele, mas a presidenta obtemperou: “Respeitem isso”. Então eu desisti do meu protesto.

Mario Helvio Miotto mariohmiotto@gmail.com 
Piracicaba

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É CEDO PARA COMEMORAR

A solução encontrada pelo PT para se livrar do incômodo Guido Mantega foi o próprio “pedir para sair”, caso Dilma seja reeleita, alegando motivos pessoais. Qual foi o preço pago pelo PT para "aceitar" o seu pedido de demissão? Na minha opinião, foi uma agência de consultoria (leia-se lobby) com todas as empresas que estão doando dinheiro para a campanha de Dilma como clientes. A conferir em 2015. E quem será chamado para ocupar sua vaga: Palocci ou José Dirceu? Pois é, só vamos poder comemorar a saída de Guido Mantega se, junto com ele, nos livrarmos da própria Dilma e cia.

Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br 
Americana

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PROGRAMA DE GOVERNO

O principal item do programa de governo de dona Dilma para o seu segundo mandato como presidente do País é a demissão do ministro Mantega...

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br
São Paulo

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O IBGE DESVALORIZADO

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o principal provedor de dados e informações do País, e que atende a diversos segmentos da sociedade e da administração pública em geral. Com a atual estagnação econômica brasileira, ninguém sabe ao certo a taxa atual de desemprego no País devido à prolongada greve de 79 dias dos funcionários da instituição. No último relatório do primeiro trimestre deste ano, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), que se aproxima mais da realidade por pesquisar 3.500 cidades, apontou uma taxa de desemprego de 7,1%, e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange seis regiões metropolitanas, em abril ficou em 4,9%. Como o Planalto prefere a pesquisa PME, e não quer deixar a euforia de lado sobre os baixos índices irreais de desemprego no País, o governo Dilma decidiu enfraquecer o IBGE através da redução de 73% – solicitados R$ 766 milhões para R$ 207 milhões – no Orçamento para 2015. Como tudo é possível no atual governo Dilma, será que a greve de 79 dias que eclodiu no IBGE também não foi obra do Planalto?

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com 
Campinas

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PAULO SKAF

Aquele que foi eleito pelos sindicatos da indústria para defender seus direitos, ainda mais agora, quando os números são cada vez piores, após usar recursos de entidade social como o Sesi, pondo sua figura como dinamizador de suas atividades, a mais absurda da pretensões: rende-se à conhecida vaidade pessoal pretendendo governar nosso Estado. Qual será o crédito que terá após sua aventura junto aos líderes dá indústria?

João Paulo Garcia jotapege88@yahoo.com.br 
São Paulo

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MOBILIDADE EM SÃO PAULO

Enquanto o prefeito Fernando Haddad delira com ruas em São Paulo com ciclovias como as de Berlim e Amsterdã (prova de que não conhece nem nossa cidade nem as europeias), os paulistanos enfrentamos os pesadelos de ônibus que demoram uma eternidade para passar (fazendo dos corredores pistas-fantasmas, vazias na maior parte do tempo), imundos, velhos, muitos com motoristas e cobradores incapazes de dar uma simples informação, quando não pulam pontos, deixando inclusive idosos esperando ad eternum. 

Maria A. M. Bessana didabessana@gmail.com 
São Paulo

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PEDALADA POLÍTICA

Eu sempre entendi que o direito da maioria deve prevalecer sobre o da minoria numa sociedade. Pois bem, eu gostaria que o Ministério Público desse uma volta pela cidade de São Paulo e observasse o grau de utilização das ciclovias. Este atual prefeito, numa atitude política e populista, encheu a cidade de ciclovias. Basta andar um pouco pelos arredores e verificar a quantidade de usuários nestas ciclovias, especialmente na zona sul. Chega a ser ridículo ver os carros apinhados e sem lugar para parar ou mesmo para estacionar e as ciclovias vazias. Como as ruas cada vez se têm menos espaço, os estacionamento de São Paulo estão cobrando absurdos dos que necessitam por lá estacionar. Qual é a opção? Transporte público? O prefeito deveria andar no transporte público da cidade, especialmente nas horas de pico. Com certeza mudaria de ideia e buscaria soluções efetivas, e não políticas e populistas. Numa cidade com a dimensão, topografia e distâncias como São Paulo ninguém pode imaginar que ciclovias são a solução para o transporte público. Uma ideia quiçá boa apenas para o lazer nos fins de semana. A solução está em diminuir a corrupção e os gastos com a máquina do governo. Aí, sim, sobrará dinheiro para investir em transporte público pra valer, e não nesta coisa ridícula de diminuir as ruas, que já são péssimas, pintá-las com uma faixa de ciclovia e achar que está com isso melhorando o transporte público.

Felipe Westin felipe.westin@uol.com.br 
São Paulo

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AQUI NÃO É BERLIM NEM AMSTERDÃ

Na região metropolitana de São Paulo, o planejamento cicloviário deveria obedecer a um critério diferente. Como a ocupação urbana continua sendo desordenada, a instalação de ciclovias, nos tempos atuais, devia ter caráter provisório, experimental, por tempo determinado, até que as autoridades responsáveis pelo trânsito pudessem medir o volume do tráfico dos usuários de bicicletas. Estabelecidas medições que justificassem os efeitos colaterais nocivos da instalação, o empreendimento seria implantado definitivamente. Um volume irrisório de trânsito de ciclistas pela ciclovia não pode se sobrepor às dificuldades decorrentes das paradas obrigatórias de ônibus urbanos e do prejuízo imposto aos comerciantes locais devido à ausência de áreas para o estacionamento de veículos de clientes. Talvez o modelo indiano de implantação de ciclovias pudesse servir de exemplo melhor para conter os impulsos ambientalistas dos prefeitos envolvidos neste planejamento.

Sergio S. de Oliveira ssoliveira@netsite.com.br 
Monte Santo de Minas (MG)

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UMA ADMINISTRAÇÃO CAÓTICA
 
A administração da cidade de São Paulo do prefeito Fernando Haddad, do PT, vem se notabilizando por procedimentos tão inusitados que justificam o título acima. Além das faixas exclusivas de ônibus e as ciclovias adotadas sem o devido estudo técnico, o que vêm causando transtornos à população, tomamos conhecimento de mais uma faceta interessante dessa anarquia. No dia 1/11/2013 um grupo do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) invadiu o magnífico prédio do antigo Cine Marrocos, que estava passando por reformas para ser a sede da Secretaria Municipal de Educação. Pois bem, decorridos nove meses, não só os invasores continuam ali instalados, como agora funcionários do Centro de Referência Especializado de Assistência Social, da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, encaminharam para aquele local famílias desabrigadas através de papel timbrado da Prefeitura e assinado por servidor municipal, com a observação de que elas não têm condições de colaborar com o rateio da ocupação. É um reconhecimento oficial, até desmentido em contrário, da oficialização de uma ocupação ilegal. Depois da reportagem exibida na TV, a Secretaria, evidentemente, emitiu uma nota condenando “veementemente” a atitude daquelas funcionárias. Mas nada teria acontecido se a reportagem sobre o absurdo não fosse transmitida ao vivo e em cores. Ora, o que vemos aqui é um verdadeiro descalabro administrativo, com o consequente desperdício de verbas públicas nesse faz e desfaz. Como pode um prédio que estava sendo reformado para abrigar uma secretaria municipal ser invadido e, depois de nove meses, ainda a ocupação é tratada como se fosse uma unidade pública? É claro que a primeira memória que nos ocorre em tais ocasiões é a do prefeito subindo no carro de som do MTST incentivando-os a irem pressionar os vereadores para conseguirem legalizar invasões em áreas públicas e particulares, num compadrio inusitado. Outro absurdo da atual administração desconhecido do público, mas que traz grandes consequências para a população, é o fato de o prefeito, até a presente data, já próxima ao início da primavera, não ter concedido nenhum reajuste aos servidores municipais, aliás, como determina a Carta Magna, com o consequente descontentamento geral, que se reflete diretamente no desempenho dos mesmos, ocasionando, entre outros tantos, disparates como o aqui relatado. Desde que assumiu a Prefeitura o prefeito concedeu apenas um único reajuste, em 2013, de 0,86%, ante uma inflação crescente cujos índices estão contidos pelo governo federal à custa das estatais e de cálculos nada confiáveis.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br 
São Paulo

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O PROJETO DAS CICLOVIAS

Em relação ao editorial publicado no domingo (31/8), página A3, “O preço da improvisação”, fica a pergunta: será que os paulistanos vão ter de esperar a implantação dos 400 km de ciclovias – e o desembolso do último centavo dos R$ 80 milhões previstos no orçamento – para a Prefeitura de São dar início à revisão do projeto? 

Renata Barretto D’Angelo renatadangelo2009@gmail.com 
São Paulo

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‘O PREÇO DA IMPROVISAÇÃO’

Bicicleta está na moda e pedalar tornou-se chique, revolucionário, seja lá o que signifique isto. Fora a moda e o revolucionário, o número de ciclistas nas ruas já está para lá de sensível e não para de crescer e, tardiamente, é necessário melhorar a condição de uso e segurança da bicicleta como modo de transporte. É lógico que este é bom momento para oportunistas. Está ai o ponto de partida da coisa toda atabalhoada. O que se pode falar se os brasileiros perderam a noção do que é uma cidade, do que é a vida em comum, o que é espaço público, o que é uso coletivo? Vivemos o salve-se quem puder. Como fazer entender que ou todos têm segurança ou ninguém tem segurança efetiva? Esta é a base da segurança efetiva. Ainda não percebemos que medidas unilaterais têm resultados minimamente duvidosos? O ciclista quer a sua parte, é lógico. Mas como convencer que ciclovias podem causar (e causam) acidentes de toda espécie? E aí entra o capacete. Capacete dá segurança? Quem quer a resposta que leia a farta documentação científica existente; ou divirta-se com a jocosa carta que a European Cyclists’ Federation divulgou quando o Governo Espanhol pensou em obrigar o uso do capacete; ou o que diz o governo da França; ou...; ou...; ou... Divirtam-se. Emplacar? Por que não se investigou antes de escrever a respeito? Como foram as experiências anteriores? Por que não deram certo? Fala-se muita besteira. Faz-se muita besteira. Infelizmente a insensatez corre cada dia mais solta e desvairada na questão da segurança no trânsito, e não só da bicicleta, de todos. É claro que é necessário agir. Num país muito pouco afeito a planejamento o que fazer: tocar em frente da forma que der ou tentar planejar para depois tentar fazer? Eu faria diferente, mas quem sou eu? O que adianta falar?

Arturo Alcorta arturoalcorta@uol.com.br 
São Paulo

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DE QUALQUER JEITO

Sobre o editorial intitulado "O preço da improvisação" da Prefeitura de São Paulo, é mais um exemplo de como a gestão brasileira é conduzida: sem responsabilidades, prioridades e consultas à população antes de qualquer medida de impacto pelo menos. O trânsito já é caótico, semáforos que vivem quebrando, principalmente quando cai uma garoa, motoristas e motociclistas irresponsáveis, assim como os ciclistas, falta efetivo fiscalizatório tanto pela Guarda Civil, PM e CET. Governos querem ser eficientes, bastam não se meterem em nada, apenas criar regras e fiscalizar, mas tem a corrupção né... precisam garantir o leitinho das crianças.

Leonardo Augusto Paz Santos leozoolook@gmail.com 
São Paulo

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VAI PIORAR

Muito bom o editorial sobre as ciclovias (“O preço da improvisação”). Gostaria de saber qual o estudo técnico foi feito para a implementação de parte de ciclovia na Rua Dr. Albuquerque Lins, no quarteirão compreendido entre a Alameda Barros e Praça Marechal Deodoro, para surpresa e desconhecimento dos moradores da região. Tal via é estreita, vive engarrafada, com buzinaços, pois é rua de acesso ao Minhocão e também uma das principais rotas de quem sai do Shopping Pátio Higienópolis, além de não ter movimento de ciclistas. Agora vai piorar!

Dirceu Bertin dibertin@gmail.com 
São Paulo

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MAROLINHA

Hoje andando pela cidade me deparai com vários e vários quilômetros de ciclovias, e me senti na Holanda, apesar da deficiência do transporte público. Mas vi que o prefeito é visionário pela marolinha que vem por aí. Um pibinho, alta taxa de juros, altas da energia, da gasolina, do transporte público, desemprego, liquidação ou devolução de automóveis, apartamentos, inadimplência, etc. Então vamos andar de bicicleta.

Moises Goldstein mgoldstein@bol.com.br 
São Paulo

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ONDE ESTÃO OS CICLISTAS?

O sr. prefeito, entre suas mirabolantes ideias, criou as ciclovias. Os ciclistas paulistanos agradecem (todos os dois).

Marcos Catap marcoscatap@uol.com.br
São Paulo

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CICLOVIA NA AVENIDA PAULISTA

É um absurdo criar uma ciclovia na Av. Paulista, a avenida mais importante do Brasil e uma avenida que tem um metrô que a atende em toda a sua extensão. Não é possível que um prefeito tenha tanto poder assim, em prejudicar uma cidade, como está sendo feito. Alguém tem de tentar fazer algo. Uma outra pergunta, quantas pessoas serão beneficiadas e quantas serão prejudicadas? Uma obra dessa, nesse local, deveria até ter um “plebiscito”, ou no mínimo que houvesse uma consulta a arquitetos, a quem entende de tráfego, etc. Vou dar um exemplo: criou-se uma ciclovia na Av. Interlagos, para os fins de semana. Passo sempre por lá. Existe sempre um número muito maior de pessoas trabalhando, colocando barreiras, cones, etc., em número exageradamente maior do que o número de usuários da ciclovia. Cuidado, esse prefeito está fazendo tudo o que é mais fácil, pintando a cidade toda de faixas, criando faixas exclusivas, etc., mas é muito perigoso. Temos de “intervir o mais rápido possível”. Temos que cuidar dessa cidade, não intervir no que está pronto e funcionando.
 
J. Luiz joseluiz.rosa@uol.com.br 
São Paulo 

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A OPÇÃO DAS RUAS ALTERNATIVAS

Como se não bastasse o complicado trânsito numa das principais vias de São Paulo, a confusa administração Haddad pretende gastar R$ 15 milhões para implantar uma ciclovia na Avenida Paulista, reduzindo o leito carroçável para ampliar o canteiro central para as bicicletas. As ruas, em especial essa avenida, foram feitas para tráfego de veículos, e não para o de bicicletas. A estas existem tantas alternativas, inclusive as ruas paralelas e nos dois sentidos, permitindo admitir que tal medida, se concretizada pelo petismo, além de inútil, trará mais confusão do que solução, mostrando a demagogia voltada às minorias que não tem mais o que fazer, ao chamamento à atenção, em querer bicicletar pela Avenida Paulista, cartão postal da capital. 
 
Mario Cobucci Junior maritocobucci@uol.com.br 
São Paulo

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FALTA SINALIZAÇÃO

O ódio do prefeito pelo carro está espelhado em todo canto da cidade e me parece que está chegando às raias do absurdo. Senão vejamos: em todos os meus anos de vida, quando vou a São Paulo, entro na cidade pela Marginal (sentido Airton Senna-Interlagos) e acesso a Tiradentes via Viaduto das Bandeiras. Ocasionalmente, quando o trânsito está intenso no viaduto, há uma cancela que é fechada e é necessário dar a volta pelos fundos do Anhembi. Qual não foi a minha surpresa em receber duas multas por conversão indevida neste local. Tal fato me fez observar de maneira mais atenta e descobri que decidiram definir este acesso de maneira discriminatórias e em horários definidos assim como dias. Indicado numa placa amarela e mal posicionada, além de ser impossível de lê-la quando em velocidade normal na Marginal. Se não bastasse isso, ha uma placa (tipo Copa) no mesmo local indicando tal acesso para o Aeroporto de Congonhas. Há necessidade de criar facilidades e indicações claras, para o trânsito fluir, e não o inverso. Espero que surja alguém com bom senso e principalmente conhecedor de técnicas de trânsito e não um político, e ponha um fim nestas barbaridades.

Alexandre Schaffner ats@bighost.com.br 
São José dos Campos

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UMA MÚSICA PARA SP

Haddad fez uma música para os paulistanos parados no trânsito se entreterem: “Pra ver a bike passar, estando nós neste horror!”.

Cléa Corrêa cleacorrea@uol.com.br 
São Paulo

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UM ABUSO

O plano de implantação de um número absurdo de ciclovias aqui em São Paulo, além de configurar um desrespeito a todos os cidadãos que utilizam carros, indica uma ditadura da minoria. Não é preciso ser especialista na área para perceber que a maior parte da população não usa estas ciclofaixas no dia a dia. A cidade de São Paulo, ao contrário do que entende o sr. prefeito, não é plana e não possui uma topografia que facilite o uso das bicicletas. Ao invés de fazer faixas para ciclistas, que tal a prefeitura alargar algumas pistas que ficam congestionadas todos os dias? 

Felipe da Silva Prado felipeprado39@gmail.com
São Paulo

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HAJA PERNAS

O prefeito Haddad fez faixa exclusiva para bicicletas no bairro de Santa Cecília em ruas tão íngremes que os ciclistas poderão aproveitar para fazer alpinismo.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com  
São Paulo

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ÀS BICICLETAS

Sugiro aos paulistanos que façam uso das ciclovias. Deixem suas mensagens ao poste e seus “cumpanheiros.”

Hamilton Penalva hpenalva@globo.com
São Paulo

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LEMA

“Governar é abrir estradas” era o lema de Washington Luiz. Pintar faixas nas ruas é o que faz Fernando Haddad. Quanta diferença!

Wilson Brinkmann wsbrink@gmail.com 
Atibaia

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SÃO PAULO MERECE MAIS

Antes que os adeptos venham me criticar, informo que sou proprietário não só de uma, mas de duas bicicletas: uma de corrida e outra mountain bike. Fazendo o trajeto diário ao meu escritório no centro de São Paulo, fui surpreendido na manhã de hoje com a mais nova obra de nosso prefeito pintor: uma ciclofaixa em pleno Viaduto do Chá! Na semana passada, empresas, motoboys, taxistas e demais usuários da Rua Líbero Badaró já haviam sido contemplados com uma ciclo faixa nessa via. O critério utilizado pelo pintor segue algum estudo de tráfego ou vem de uma simples inspiração? A CET concorda com essas implantações? A Rua Líbero Badaró perdeu várias vagas utilizadas pelos motoboys e taxistas que atendem a região. No Viaduto do Chá, o espaço para os carros ficou estreito e piora no momento em que os ônibus dividem o que sobrou da faixa com os demais veículos. O Centro da Cidade é uma região extremamente importante na geração de empregos e negócios, ocupado por grandes corporações. Alternativas para o trânsito são bem-vindas, desde que não prejudiquem mais ainda o já caótico trânsito da cidade. Não é possível resolver o problema do trânsito na base da tinta e do pincel! São Paulo merece mais do que isso! 
  
Luiz Sergio dos Santos Valle luizsergiovalle@gmail.com 
São Paulo

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NA AVENIDA SÃO JOÃO

Reportagem no “Estadão” mostrou que na Av. São João, onde acaba de ser implantada outra ciclofaixa, circulou tudo, até cavalo. Menos bicicleta. Isso nós, paulistanos, já sabíamos, porque o mesmo acontece em toda ciclofaixa existente há anos, com exceção dos sábados, domingos e feriados, quando pais de família sentem segurança para utilizá-las com seus filhos. Além de tomarem mais espaço ainda do trânsito caótico de automóveis, é justamente onde estão sendo pintadas essas faixas que as ruas têm mais defeitos, buracos e ondulações. Só louco ousará utilizá-las. Fora que em época de chuva elas viram um sabão com toda aquela tinta vermelha pintada no asfalto. O prefeito, ao sair pintando faixas a torto e direito, deveria antes fazer o que não vemos acontecer há anos na cidade. Passar a máquina, retirar o asfalto velho e remendado, para depois dar segurança ao ciclista. O resto, só nos falta recomendar ao prefeito um divã. Ele aparenta ter sérios problemas emocionais com automóveis.

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br 
São Paulo

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EXEMPLO

Agora que o sr. prefeito estabeleceu as faixas exclusivas para ônibus e faixas exclusivas para bicicletas, acho que o povão e a zelite adorariam vê-lo indo para o trabalho de bicicleta ou ônibus todos os dias. Não se esqueça de deixar um testamento, todo o cuidado é pouco.

Ivan Schwarzenberg navinegro@hotmail.com
São Paulo

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E AGORA?

Com tantas ciclovias por todo lado, será que aos 70 e tantos anos vou ter de aprender a andar de bicicleta? Dirigir carro eu sei... 
 
Helga B. Bell helga.rod.bell@hipernet.com.br 
São Paulo

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PREJUÍZO NO COMÉRCIO

Ao espalhar pela cidade os extensos e intermináveis corredores exclusivos de ônibus e ciclovias, não bastasse o fato de ter piorado o caótico trânsito da capital paulista, o prefeito Fernando Haddad não levou em consideração o prejuízo causado aos comerciantes cujas lojas se localizam nas proximidades destes corredores. Muitos relatam queda significativa de movimento pela dificuldade dos clientes em estacionar seus veículos.  Prefeitar não significa adotar medidas imediatistas e populistas. É preciso visão abrangente, prática e de longo prazo, o que esta administração não demonstrou ter até o momento. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com 
São Paulo

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INVESTIMENTO

Gostaria que alguém me respondesse: não seria mais interessante investir todo esse dinheiro orçado para as ciclovias na melhoria do serviço de saúde e no aprimoramento do sistema escolar municipal? 
 
Paulo Costa  costa-paulo@ibest.com.br 
São Paulo

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GREVE NA USP

Você, grevista da Universidade de São Paulo (USP), é meu funcionário. Sou paulista e pago meus impostos aqui. Portanto, você trabalha para mim – e para mais 44 milhões de habitantes deste Estado, como eu. Sou contra a sua greve, sou contra a bandalheira que tomou conta das universidades paulistas, sou contra o sindicalismo radical e amorfo que tomou conta desta ilha de inteligência. Sr. grevista, tome vergonha na cara e vá trabalhar!

Geraldo Roberto Banaskiwitz geraldo.banas@gmail.com 
São Paulo 

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CRIMINALIZAÇÃO DA HOMOFOBIA

No Direito, o princípio da boa-fé objetiva impõe padrões de conduta às pessoas, ou seja, determina que as pessoas em geral têm a obrigação de ser diligentes, exigindo determinadas condutas, conforme o caso concreto. Por exemplo, um comprador de um imóvel não pode dizer que “não sabia” que ele estava hipotecado porque exige-se das pessoas em geral que olhem a matrícula do imóvel antes de comprá-los (lógica dos registros públicos). Esse comprador não teve “má-fé subjetiva” (deliberada/intencional), mas teve “má-fé objetiva”. É o caso do deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ), em seu artigo (10/9, A2) criticando “o projeto” de lei que visa a criminalizar a homofobia e a transfobia (na verdade, a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, que abarca também heterossexuais cisgêneros – aqueles que se identificam com o próprio corpo e, por assim dizer, não são travestis nem transexuais). Com efeito, Sirkis comenta um texto que sequer tramita ou tramitou no Congresso Nacional. Foi um texto construído pelo Conselho Nacional LGBT a pedido do Senador Paulo Paim (PT-RS), mas que sequer chegou a ser por este protocolado e, assim, oficialmente apresentado ao Congresso Nacional. Como parlamentar, Sirkis tinha a obrigação de ter conferido o texto real do PLC 122/06, na sua redação atual. Como não o fez, agiu com má-fé objetiva (com extrema imprudência e/ou negligência, para quem preferir). Sobre o texto real do PLC 122/06, ele se limita a acrescentar as expressões “orientação sexual” e “identidade de gênero” na atual Lei de Racismo (Lei 7.716/89) e acrescenta a punição da repressão à livre expressão da afetividade das pessoas quando isso for permitido às demais (isso relativamente a todos os critérios da Lei de Racismo). Lei essa que, ao contrário do que se pensa, não protege apenas pessoas negras, já que criminaliza as discriminações e manifestações preconceituosas que vitimem pessoas por sua “raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Orientação sexual é expressão que designa a homossexualidade, a heterossexualidade e a bissexualidade. Identidade de gênero designa a travestilidade e a transexualidade. Logo, aquilo que o PLC 122/06 faz em sua redação atual, vigente desde novembro de 2009, é punir a homofobia e a transfobia da mesma forma que pune a negrofobia, a religiosofobia, a xenofobia e a etnofobia. Veja-se que coisa, religiosos são protegidos pela atual Lei de Racismo, mas muitos religiosos fundamentalistas (ênfase no adjetivo) são contra estender tal proteção a pessoas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – proteção que se estenderia a heterossexuais cisgêneros, abarcados que são pelas expressões orientação sexual e identidade de gênero). Vê-se assim claramente que não são LGBTs que querem "privilégios"... Fora que a legislação penal atual não criminaliza toda e qualquer discriminação (o crime de constrangimento ilegal exige violência ,grave ameaça ou redução da capacidade de resistência, o que torna restrita a sua incidência), nem toda e qualquer “injúria coletiva” (ofensa a coletividades de pessoas). Só o artigo 20 da atual Lei de Racismo isso faz, e tais nefastos males a população LGBT mais sofre cotidianamente na atualidade. Analisemos agora as interpretações simplórias de Sirkis sobre os artigos que comenta (inexistentes no PLC 122/06). Jamais seria crime contratar um heterossexual no lugar de um homossexual se a decisão não fosse pautada na homofobia. Somente se provada homofobia (ou transfobia) como motivo para a decisão é que o crime incidiria (tanto que o deputado não faz crítica similar ao art. 4º da atual Lei de Racismo, que criminaliza a mesma conduta se cometida por “raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”). Ofender a saúde de outrem certamente significa praticar alguma ação que prejudique seu bem-estar corporal, por exemplo, fazendo-a ingerir algo que lhe cause uma doença ou prejudique seu organismo de alguma forma - algo que também precisaria ser comprovado no processo para o crime incidir. A Lei Maria da Penha proíbe a pena de cesta básica, e não se vê o deputado se opor a isso na questão das “penas alternativas” (e nem teria razão, já que a gravidade do crime demanda por uma punição compatível – e proibição de pena de “prestações pecuniárias” não inibe outras penas restritivas de direitos ou alternativas, como prestação de serviços comunitários). Estádios de futebol e locais públicos quaisquer não são redutos blindados contra a Constituição e a legislação em geral, donde se alguma “injúria coletiva” de motivação racista for ali perpetrada, deve ser punida pela Lei de Racismo (e o PLC 122 visava incluir homofobia e transfobia em dita lei). Percebe-se, assim, o quão absurdas são as interpretações críticas de Sirkis aos dispositivos que comenta. Estamos vivendo situação de verdadeira banalidade do mal homofóbico (e transfóbico), pois pessoas “normais”, que não são “monstros” na vida cotidiana, se consideram detentoras de um pseudo “direito” de ofender, agredir, discriminar e mesmo matar LGBTs por sua mera orientação sexual ou identidade de gênero. Assim, a criminalização da homofobia e da transfobia é medida absolutamente necessária, como uma das medidas (não a única) necessárias para combater esse mal – e com a sua equiparação ao atual crime de racismo, como acima apontado. Trata-se de algo que deve constar em Plano de Governo, pois a pressão do Executivo sobre sua base aliada é importantíssima em temas polêmicos, como também deveria ser evidente, por boa-fé objetiva, a um parlamentar...

Paulo Roberto Iotti Vecchiatti pauloriv71@hotmail.com
São Paulo

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