Fórum dos Leitores

PENA DE MORTE

O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2015 | 02h03

Condenados na Indonésia

Comovente o esforço da nossa presidente para tentar livrar da execução por fuzilamento os dois brasileiros condenados na Indonésia por tráfico de drogas. Não tendo tido êxito em sua iniciativa, quem sabe de agora em diante ela direcione os seus esforços para evitar que dezenas de milhares de pessoas sejam fuziladas anualmente no Brasil, seja por bandidos, seja por policiais despreparados.

CARLOS F. MICHELETTI

cfmicheletti@terra.com.br

Ribeirão Preto

Execução do brasileiro

Na entrada do aeroporto de Bali, na Indonésia, há o seguinte aviso: "Death penalty for those who bring drugs to Bali" - ou seja, pena de morte para aqueles que trazem drogas para Bali. Não cabe aqui discutir a lei daquele país, mas todos os cidadãos que vão para lá sabem que precisam cumpri-la. Os brasileiros são mal-acostumados e mal-educados, pois no Brasil a lei vale somente para os pobres, quem tem dinheiro passa por cima dela. Uma placa, então? É simplesmente ignorada. Basta ver o que acontece aqui diariamente. Menores matam, riem e prometem matar novamente. E qual a pena? A liberdade. O pedido de clemência feito pela presidente Dilma Rousseff foi negado pelo presidente da Indonésia, Joko Widodo. Dilma lamentou a decisão daquele governo. Mas o que dizer da violência que grassa no Brasil sob os olhares complacentes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário? Eles nada temem, dispõem de carros blindados e seguranças pagos com o dinheiro do contribuinte. Simples assim.

IZABEL AVALLONE

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

Assumir o erro

No judaísmo existe uma frase que diz: quem salva uma vida salva o mundo. É, para mim, muito doloroso saber que um brasileiro condenado à morte na Indonésia será executado. O direito à vida nos permite continuar a viver. Na minha opinião, quem comete certos delitos (e neste caso foi grave) merece uma chance de recuperação após cumprir a sentença. Mas ele não sabia do risco que estava correndo? Mesmo assim foi em frente.

JORGE EDUARDO NUDEL

jorgenudel@hotmail.com

São Paulo

ACIDENTE AÉREO

Eduardo Campos

Continuo não acreditando nas explicações sobre o acidente que vitimou sete pessoas, entre elas (o candidato a presidente da República) Eduardo Campos. Antigamente a culpa era sempre do mordomo, agora a culpa é do piloto, que, morto, não pode defender-se. O tempo e a História se encarregarão de esclarecer.

CELIA H. GUERCIO RODRIGUES

celitar@hotmail.com

Avaré

Responsabilidades

Se os pilotos eram os imbecis que mencionam os técnicos em aeronáutica, os culpados são claramente os diretores da empresa que contrata imbecis para pilotar suas aeronaves, causando catástrofes como a de Eduardo Campos. Portanto, srs. juízes, os culpados estão claros, basta que a empresa indenize todos, por ter diretores também para lá de imbecis. Os acionistas, evidentemente, que acionem o governo da União, que não fiscaliza nada nem ninguém. Se um piloto tem de ter "regras", quem fiscaliza isso? O papa Francisco? A moral da história é que no país dos impostos quem vai pagar tudo é o idiota eleitor que elege energúmenos para fazer leis... Ora, leis!

ARIOVALDO BATISTA

arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

Armadilhas

Acidente aéreo, concluiu Aeronáutica (16/1, A4). Recomendação do relatório: o objetivo das investigações aeronáuticas não é punir ou processar pessoas, órgãos ou empresas, mas sim detectar erros e evitar que se repitam. A inocência dos organizadores da campanha do presidenciável permitiu que se conseguisse um avião, um piloto e um copiloto que não estavam familiarizados entre si, produzindo essa elementar armadilha. Evitar que se produzam armadilhas como esta será o próximo objetivo.

ALFREDO BIRMAN

birman@uol.com.br

São Paulo

EDUCAÇÃO

Piora do ensino

Apesar de trágica, a notícia da piora do ensino (mais de 500 mil candidatos zeraram a nota de redação no Enem) não é de admirar. Esses jovens, protegidos por estatutos que não permitem a cobrança por professores (muitos deles agredidos, quando não assassinados) e por pais (quando responsáveis, impedidos pela Lei da Palmada, se omissos, quando terceirizam a educação dos filhos), além de terem sido estimulados à preguiça na leitura por ninguém menos que um presidente da República, são o resultado da geração "sexo, drogas e... funk": fáceis de manipular, verdadeiros zumbis. Não é à toa que uma universidade de excelência noutros idos passou a frequentar as páginas policiais! Como pode melhorar econômica e socialmente um país que apresenta esse quadro?

APARECIDA DILEIDE GAZIOLLA

aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul

Pobre flor do Lácio...

As manifestações de improviso da sra. presidente e o número de reprovações em Redação no Enem são novas evidências do desamor do País pela língua pátria e lembram históricos despachos de juízes em sofríveis e torturadas petições ininteligíveis: "Até onde li, indefiro" e "diga o requerente o que pretende".

EDUARDO MENEZES SERRA NETTO

decimoserranetto@uol.com.br

São Paulo

Nota dos políticos

Que nota nossa atual "presidenta" e o anterior tirariam na redação do Enem? Então, fica óbvio o fato de mais de 500 mil alunos tirarem zero na tal redação. Ampliemos a questão para os ministros, deputados federais, senadores e outros tantos que compõem o "pudê" desta Nação. Não será diferente. Lastimável, porém previsível.

CAMILLO M. M. FERREIRA

camillo.ferreira@ig.com.br

São Paulo

Pátria educadora

Prá num tirá zero no Enem, por que oceis num pegaro os peixe e deram de presente pro Haddad?

LUIZ RESS ERDEI

gzero@zipmail.com.br

Osasco

Como ministro da Educação, Fernando Haddad não acrescentou nada ao País. Como prefeito de São Paulo está tornando impossível viver com alguma dignidade nesta cidade. Que mais será que ele é capaz de fazer?

LUIZ FRID

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

A DURA LEI INDONÉSIA

O brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, será levado para o corredor da morte numa unidade prisional na Indonésia. Se não forem atendidos os últimos pedidos de clemência, será executado neste fim de semana. Foi condenado à pena capital por tentar entrar naquele país com 13,4 kg de cocaína, há 11 anos. Na Indonésia, a lei penal não beneficia criminosos e o tráfico de drogas é considerado crime de suma gravidade. Não terá direito nem ao arrependimento pelo que fez. Também não há tratado de reciprocidade entre o Brasil e a Indonésia. Não custa lembrar que quem trafica drogas contribui para matar, a médio e a longo prazos, dependentes e usuários, além de destruir famílias. O direito penal mínimo não é a tônica na Indonésia. No Brasil, Marco Archer já estaria em liberdade, sem falar também nos nossos assassinos sanguinários que matam fria e covardemente e são beneficiados com progressão de regime carcerário. Há inúmeros casos no Brasil. Basta matar e ter bom comportamento no cárcere. A criminologia misericordiosa não faz parte, todavia, das tradições da Indonésia. Para os familiares de Marco Archer ficam a dor, a saudade e a tristeza. Marco está pagando com a vida pelo ato impensado.  Que no Brasil o Congresso Nacional acorde para a realidade quanto à gravidade do crime de tráfico de drogas e endureça a lei específica, considerada ainda benevolente.  

Milton Corrêa da Costa milton.correa@globomail.com

Rio de Janeiro

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EXECUÇÃO NA INDONÉSIA

Tirando o lado humano do episódio, já que é muito triste ver alguém ser executado, por que o governo brasileiro tem de apelar oficialmente ao governo da Indonésia para que o brasileiro condenado por tráfico de drogas naquele país não seja fuzilado, se lá a lei prevê essa pena para qualquer pessoa que cometa esse tipo de crime, não apenas os brasileiros? Lá, o jeitinho não cola. Não tem juiz bonzinho ou que aceite pressão política. É a maneira que a Indonésia achou para combater esta praga das drogas. Aqui, não temos a pena de morte, mas uma pena de prisão perpétua, sem chance de ser revogada, seria uma boa medida para esse tipo de crime e, também, para o crime de corrupção. 

Ronaldo Gomes Ferraz ronferraz@globo.com

Rio de Janeiro

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PENA DE MORTE

Indonésia tem pena de morte para traficante. Com um simples e objetivo argumento: o tráfico prejudica as futuras gerações. Precisa falar mais alguma coisa?

Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

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PERDÃO

E trágico, mas nossa presidente, Dilma Rousseff, quer o perdão para um traficante. Ora, então liberou geral aqui, no Brasil. Este é o governo PT (Partido dos Traficantes?).

Manuel Pires Monteiro manuel.pires1954@hotmail.com

São Paulo

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CRIME GRAVE

Não concordo com a presidente Dilma quando pede clemência para o traficante brasileiro preso e condenado à morte na Indonésia. Trata-se de crime hediondo. Não contente em fornecer droga à nossa cracolândia, o cidadão foi tentar vendê-la a um povo que acabara de ser vítima de um tsunami...

Arsonval Mazzucco Muniz arsonval.muniz@superig.com.br

São Paulo

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CLEMÊNCIA

Partindo do princípio de que a Justiça da Indonésia é como no Brasil, se aqui fo$$e, bastava oferecer alguma "coi$a" em troca para pedir clemência ao brasileiro condenado à morte Marco Archer, por tráfico de cocaína. Por i$$o ainda não temos a pena de morte no Brasil. É triste para os seus familiares, mas entendemos não ter lógica a Presidência da República "pedir por pedir" clemência para fazer "média" com os brasileiros. Ou temos algum acordo internacional nesse sentido? O Brasil já deu exemplo de que não atende mesmo com acordo ou sem acordo, como no caso de Cesare Battisti, que permanece em nosso país. Como perguntar não ofende, não cogitaram de enviar a Jacarta/Indonésia a nossa atuante ministra Maria do Rosário, que tanto defende "bandidos" na tentativa de comutar a pena ou substituir o condenado à morte? Ainda há tempo.

 

Fernando Silva lfd.dasil@2me.com.br

São Paulo

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PUNIÇÃO

Já que o governo da Indonésia não quer anistiar nosso conterrâneo, que tal exportar para lá os traficantes que estão presos aqui?

Ronald Martins da Cunha ronaldcunha@hotmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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COMBATE AO TRÁFICO DE DROGAS

O nosso governo tem mais o que fazer do que tentar salvar a vida de traficantes e ofender as famílias que têm seus filhos levados pela droga. Além da ineficiência policial, jurídica e corrupção, a droga já dominou o País e escapou do frouxo controle das supostas autoridades.

Antonio Acorsi acorsi.antonio@gmail.com

Jundiaí

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OPERAÇÃO LAVA JATO

A prisão do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró é motivo de muito alarde. Como se fosse novidade o seu procedimento comprometedor, conforme investigações citadas na Operação Lava Jato. Mas causa espanto saber que numa empresa do porte da maior estatal brasileira as verbas vultosas podem ser manuseadas por pessoas. O mínimo que se espera é um controle mínimo do conjunto de diretores e funcionários de alto escalão. E, para completar, um grupo de empresários, conhecendo o sistema, aproveitam para levar vantagens. Que a Justiça seja feita. E que as verbas sejam devolvidas.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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A PRISÃO DE CERVERÓ

O ex-funcionário da Petrobrás Cerveró, envolvido no escândalo da empresa, foi preso em sua volta de férias em Londres ao Brasil. Motivo: a estranha ação em tentar transferir para os filhos seus bens, declarados com preços insignificantes. Engraçado, Graça Foster fez o mesmo e não foi presa. A diferente ação, a meu ver, está nos beneficiários dos roubos de um e do outro. Ou não?

Julio Jose de Melo julinho1952@hotmail.com 

Sete Lagoas (MG)

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ENTERNECEDOR

Cerveró, como a Jasmine de Woody Allen, só viaja na primeira classe.

Helena Rodarte Costa Valente helenacv@uol.com.br 

Rio de Janeiro

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EM MAUS LENÇÓIS

A prisão de Nestor Cerveró e os fortes indícios de que a corrupção continua ativa nos corredores da Petrobrás estão deixando o governo federal em maus lençóis. Já passou da hora de a presidente Dilma demonstrar maturidade e demitir, de uma vez por todas, toda a diretoria da estatal.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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O SISTEMA TODO ERRADO

O Tribunal de Contas de União (TCU) não bloqueou os bens dos diretores da Petrobrás envolvidos na Operação Lava Jato. Se tivesse feito, não teriam sido transferidos imóveis do ex-diretor Nestor Cerveró para filhos. Mas, se analisarmos o que é o TCU, veremos que ele nada mais é do que um órgão político. Ele, por definição, é um órgão auxiliar do Congresso, logo, é a este subordinado. Não tem autonomia. As indicações dos ministros do TCU passam pela aprovação da Câmara e do Senado. A Operação Lava Jato mostrou o fatiamento das diretorias da Petrobrás. PT com tais diretorias, PMDB com estas diretorias, e por aí vai. Os diretores da Petrobrás são indicações políticas. Vocês acham que o TCU tem força para bloquear bens de diretores da Petrobrás indicados por políticos, os mesmos que os indicaram para o cargo no TCU? O cara não quer saber de nada. Está lá num cargo vitalício, ganhando muito bem, vai se expor para quê? Este nosso sistema está todo errado.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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E GRAÇA FOSTER?

Concordo plenamente com Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, quando diz o seguinte: se o Ministério Público Federal (MPF) pediu prisão para Cerveró, deveria pedir também para Graça Foster. Se não o fez, então está prevaricando. Ou será que o MPF usa dois pesos e duas medidas para o mesmo crime?

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@hotmail.com

São Paulo

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A DEFESA DE CERVERÓ

Então o advogado de Nestor Cerveró falou que Graça Foster também cometeu crime? Concordo plenamente. O que a Polícia Federal está esperando?

 

Luciano Nogueira Marmontel automat_br@ig.com.br

Pouso Alegre (MG)

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EMPRESA MÃE OU EMPRESA MAMATA?

O funcionário lesa a Petrobrás e a própria empresa custeia os advogados para defendê-lo? Dá para entender?

Milton Bulach mbulach@gmail.com 

Campinas

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TÁ FALTANDO GRAÇA

Emblemática a foto que ilustrava a primeira página do "Estadão" em sua edição de 15/1, mostrando um Nestor Cerveró espremido e visivelmente desconfortável entre dois agentes da Polícia Federal. Mais do que a consolidação de um processo que mais dia menos dia iria ocorrer, a referida imagem representa um tapa no rosto da sociedade brasileira. Cerveró, a exemplo de outros notórios pilantras que agiam impunemente em cargos de alto escalão da Petrobrás, vinha tendo ao longo da tempestade produzida pelas investigações da Operação Lava Jato (certamente por aquilo que sabe e pudesse revelar se pressionado fosse) um tratamento leniente por parte do governo no tocante à apuração de suas supostas responsabilidades em diversos crimes, o mais notório deles a compra da refinaria de Pasadena. Enquanto isso, Graça Foster continua desfrutando de todo o "prestígio" junto à cúpula do governo Dilma. Nunca é demais lembrar que dentro de mais 30 dias se completará um ano da divulgação dos resultados da malfadada conclusão produzida pela sindicância interna da Petrobrás que investigou denúncia de suborno de funcionários da estatal envolvendo contratos com a empresa holandesa SMB Offshore, decisão anunciada segundo a qual "não encontrou fatos ou documentos que evidenciem pagamento de propina a empregados da petroleira" ("Estadão" de 31/3). Em seguida, jornais e outros veículos de comunicação escolhidos a dedo pela presidência da Petrobrás veicularam uma enxurrada de anúncios em página inteira (a que custo?) contestando as acusações e reiterando a lisura no processo de gestão da empresa. Pouco tempo depois, pressionada pelo governo Holandês, a própria SMB admitiu ter pago as propinas. Somente em novembro do ano passado Graça afirmou que houve pagamento de propina e prejuízo estimado em quase US$ 140 milhões. Perguntas que não querem calar: não foi a própria presidente da estatal quem mandou publicar os desmentidos? Até quando a presidente Dilma vai manter Graça e toda diretoria atual nos seus respectivos cargos?

Fernando Cesar Gasparini phernando.g@bol.com.br

Mogi Mirim

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BOLA DA VEZ

Na Operação Lava Jato - já está demorando -, a bola da vez agora é Graça Foster.

Arnaldo Luiz de Oliveira Filho arluolf@hotmail.com

Itapeva

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TROCA DE GATOS

O Ministério Público Federal detectou que a corrupção persiste na Petrobrás. Há diretores da estatal que continuam recebendo "propinas" de empresas prestadoras de serviços. Numa casa onde os ratos circulam livremente, a solução é a troca do gato. A demissão da sra. Graça Foster da presidência da Petrobrás já passou da hora. Acorda, Dilma.

José Carlos Degaspare degaspare@uol.com.br

São Paulo

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ODEBRECHT

A ausência de diretores da Odebrecht no rol dos presos na Lava Jato e as citações moderadas do seu envolvimento no petrolão estavam deixando os leitores mais atentos desconfiados de que algo maior acontecia. Na quinta-feira, 15 de janeiro, Merval Pereira, jornalista de renome e membro da Academia Brasileira de Letras, revelou que não há tentativa de blindar a empresa, não. Ao contrário, a Odebrecht estaria envolvida até o pescoço nas grossas falcatruas e está sendo objeto de cerco, havendo o Ministério Público optado por levantar mais provas entre os delatores premiados e só depois dar um cheque-mate na baiana, envolvendo até altíssima autoridade de governo anterior, muito ligado à sua direção.

Paulo Roberto Santos prsantos1952@bol.com.br

Niterói (RJ)

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NOTÍCIAS RUINS

Sou assinante do "Estadão" há muito tempo, mas nunca vi tanta publicação de notícias ruins como agora: é gente matando gente e gente roubando descaradamente, políticos desonestos, desvio de verba da Petrobrás, mas ninguém vai para a cadeia. Que pais é este?

Agostinho Locci legustan@gmail.com

São Paulo

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A MELHOR DEFESA

De acordo com o artigo de Rogério L. F. Werneck (16/1, B2), a explicação encontrada pelo mercado a respeito do ministério medíocre nomeado pela presidente Dilma em seu segundo mandato é que ela espera, com essa medida, encontrar forças para assegurar apoio parlamentar, por meio do apoio de uma bancada governista capaz de defender o seu governo da criação de uma nova CPI da Petrobrás e também de qualquer tentativa de instauração de um processo de impeachment. Mas será que essa base medíocre é suficiente para lhe garantir estabilidade, caso o gigante, revoltado com as medidas econômicas adotadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, resolva acordar novamente?

Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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A EDIÇÃO DE 'CHARLIE HEBDO'

O jornal "Charlie Hebdo", quando lança novamente sua charge contra Maomé, revoltando os muçulmanos, passa a ser tão fundamentalista quanto os radicais que confronta. Tudo pela "liberté", dizem. Existe um fundamento humano que diz que "nossa liberdade acaba quando inicia a do outro". Respeito à adversidade é bom e salutar. Quando não existe aceitação do humor de um lado, passa a ser bullying daquele que insiste em provocar. Fora que, neste caso, não serão apenas alguns estudantes como alvo, mas todo o povo ocidental. Valerá a pena esta tal "liberté" por um humor questionável?

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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CHARGE OFENSIVA

Tinha feito uma promessa velada para mim mesmo de que não opinaria mais sobre o caso dos fanáticos assassinos do jornal francês "Charlie Hebdo". Mas, ao navegar na internet, deparei-me com uma charge abusiva, ultrajante, blasfema, satânica mesmo, confeccionada pelos chargistas do agora famoso periódico francês. Não ouso discriminar no português corrente o sentido da charge, em que se usou a Santíssima Trindade, ícone sagrado dos católicos, como pano de fundo para a gozação leviana ali estampada. Fico com a palavra do papa Francisco, que condena peremptoriamente a violência em todos os sentidos, mas condena também a liberdade de expressão quando usada por pseudojornalistas, ao atacar as religiões e a fé de bilhões de cristãos. Os fanáticos do Islã pensam e agem na contramão das premissas de Francisco.  

Aloisio A. de Lucca aloisiodelucca@yahoo.com.br 

Limeira

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PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Jornais de todo o planeta estamparam em suas primeiras páginas a foto em que aparecem os principais líderes políticos do mundo lado a lado comandando a marcha de milhões de franceses em Paris em solidariedade aos mortos no atentado terrorista ao jornal "Charlie Hebdo", onde pelo menos 12 pessoas foram massacradas friamente. Entre esses líderes, não estava Dilma Rousseff. Com todo respeito, não é por nada, mas acho que não ficaria bem na foto.

Maria Elisa Amaral marilisa.amaral@bol.com.br 

São Paulo

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XINGAMENTO

"Que va tous prendre dans le cul." A viúva do chargista morto na França, em entrevista ao jornal "Le Monde", relacionou alguns países que financiam o terrorismo, entre eles o Brasil. Com relação ao Brasil, ainda mandou a presidente ir tomar no olho do c... Esse xingamento à presidente não é nenhuma novidade, já que num estádio de futebol durante a Copa do Mundo, em coro, se disse a mesma coisa.

Orivaldo Tenorio de Vasconcelos professortenorio@uol.com.br

Monte Alto

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O ESTADO ISLÂMICO BRASILEIRO

 

O Brasil, apesar de não demonstrar muito interesse pelas atuais ocorrências mundiais, está no meio de uma situação que muito se assemelha à atuação de um dos quaisquer movimentos extremistas atuantes pelo mundo. Apesar de muitos imputarem as ações de terror ao islamismo, temos a certeza de que esta não é a orientação da religião na sua essência. As ações terroristas são planejadas e executadas por um grupo que impõe suas condições à revelia de qualquer lei, ordem, constituição, valores ou bom senso de convivência. Colocando a luz no Brasil, onde as religiões, credos e ideologias convivem em harmonia, se não completa, no mínimo respeitosa, vivemos atrocidades piores que as causadas por terroristas extremistas. Vivemos uma situação de completo abandono pelo nosso Estado. O Estado brasileiro, o Estado de São Paulo, no qual vivo e podemos dizer em todos os Estados brasileiros. Pior que uma ação extremista que, covarde por natureza, você consegue identificar e colocar esforços para tentar evitá-la no futuro, vivemos afetos de ações praticadas por nossos governantes, independente de partidos, que prejudicam milhões de pessoas indefesas que não contam mais com estes para defender suas aspirações, pois demonstram total cinismo na condução de suas atribuições e agora, eleitos, tomam as piores decisões o mais longe das próximas eleições. Haja vista os fatos que se apresentam como escândalos da Petrobrás, Metrôs, licitações questionadas em diversas empresas com gestão do governo federal, dos estaduais e municipais, com todos os partidos se locupletando. Para "arrumar" a casa, o sistema político brasileiro e o Judiciário brasileiro permitem que tudo continue obscuro com os impostos mais caros do mundo, e querendo aumentar mais, para os indefesos contribuintes. Com as incompetentes empresas públicas aumentando tarifas de forma inconstitucional para tapar os buracos criados por anos de irresponsabilidade com os cofres públicos. E o sistema jurídico moroso, por muitas vezes a favor de poderosos. Para piorar, criam supostas associações ou agências reguladoras compostas com participantes destas mesmas cúpulas que fazem, em jogo de cena, exatamente o que essas empresas precisam no momento. No caso de São Paulo, temos a violência crescente que faz com que não consigamos sair na rua sem qualquer preocupação. Reflexos da educação abandonada com salários irrisórios e também do abandono com o preparo da policia, incluindo também seus salários. Problemas com a saúde, onde idosos sofrem para ultrapassar filas de atendimento e serem atendidos por profissionais de saúde sobrecarregados e, surpresa, com salários irrisórios. O capítulo água não precisamos desenvolver muito pois está mais do que claro a irresponsabilidade histórica da Sabesp em tomar providências para evitar essa catástrofe que está acontecendo e o governo apoiado pela Arsesp, agência reguladora, vem impor aumentos inconstitucionais, sem avisar anteriormente, com médias de anos passados para penalizar quem de certa forma já atuava com responsabilidade, o consumidor. Ainda em São Paulo, o ano começou com mudanças de velocidade nas vias, aumento de radares escondidos e consequentemente de arrecadação e mais receita para que as pessoas tirem novamente suas cartas de habilitação, mas as ruas continuam esburacadas, os semáforos ainda da década de 70 embandeiram com qualquer ventinho ou garoa. As ciclovias empurram e afunilam ainda mais o caótico trânsito paulistano, com seu precário sistema de transporte público, fazendo com que a população seja pressionada ainda mais em todos os sentidos. Mas o prefeito contrata amigos de seu filho para atuarem na prefeitura. As inundações acontecem há anos nos mesmos lugares com tragédias similares sem qualquer ação dos responsáveis do governo do estado e da prefeitura. Falta luz por dias em diversos locais da cidade. Árvores sem qualquer manutenção, caem todos os dias na cidade. Neste cenário temos ainda empresas, núcleos e outros tipos de grupos que são beneficiados pelos governantes de todas as esferas. Temos um dos maiores impostos do mundo sem contrapartida alguma. Temos os maiores juros com Bancos se locupletando e crescendo com juros de cheque especial, cartão de créditos e empréstimos absurdos na faixa percentual acima de 100 % ou muito mais. O Brasil tem 51 milhões de inadimplentes. Somos campeões. Com a saúde, a economia, os impostos, a segurança, os desmandos, os aumentos de salários acima da inflação para governantes e seus comandados e a inércia da mídia em propiciar que tudo isso se instale sem uma crítica correta e atuante, simplesmente colocando reportagens que dão audiência e aumento do medo da população; ou ainda ensinando como fazer todos essas ações desonestas e violentas em novelas e filmes em qualquer horário estamos na verdade em um estado de sítio. Sem condições de se defender dessas atrocidades a população é literalmente estuprada sem qualquer defesa. Não há Deus, Buda, Maomé, ou qualquer outro ser superior que aguente tudo isso e possa atender todos os clamores. Sinto que estamos sendo aterrorizados indiscriminadamente e, assim como a Nigéria, onde um grupo extremista faz o que bem quer sem qualquer ação internacional, ou cobertura da mídia, estamos também ao Deus dará, ou ao Maomé dará, ou quem mais dará. Estamos sendo hipócritas e não olhando para o próprio umbigo. Estamos numa situação muito delicada para um país com essa amplitude geográfica, cultural e econômica. A nossa falta de ação já está nos cobrando e cobrará mais tarde muito mais. Os reflexos, mortes de inocentes e extremismo já acontecem. Precisamos de ajuda. Que nossos deuses nos representem e iluminem os caminhos. "Je suis São Paulo", "je suis Brasil".

 

Dicky Neto dickyneto@gmail.com

São Paulo   

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BUROCRACIA E INSENSIBILIDADE

O ministro Beltrão, comandando o Ministério da Desburocratização no passado, deu uma grande contribuição ao processo de simplificação de procedimentos junto a diversos setores da máquina estatal contaminados pela falta de bom senso. Em dezembro, uma família, ela brasileira e ele canadense com um filho de cinco meses, veio ao Brasil para passar com parentes as festas de Natal e ano-novo, desembarcando em Guarulhos, São Paulo, procedentes de Vancouver, Canadá. Acontece que, ao passarem pela imigração, constatou-se que no passaporte do marido da brasileira não constava o "visto" autorizativo de entrada no Brasil existente no antigo passaporte renovado. Diante do impasse, o casal tentou resolver o problema através de um e-mail ou um telefonema ao consulado brasileiro em Vancouver, onde residem, confirmando a existência do "visto" para o Brasil. Tal iniciativa foi negada, determinando a imediata saída do Brasil para o Canadá ou outro país que não exigia o visto. Um procedimento simples que poderia ser tomado resultou na ida compulsória do cidadão canadense para Buenos Aires, para aguardar a chegada do antigo passaporte. Em Buenos Aires, aguardou por dois dias a chegada do visto para poder encontrar-se com a mulher e o filho em Belo Horizonte. Muita falta de sensibilidade, burocracia e bom senso, em plena era da informática.

Marcos Tito marcostitoadvogados@gmail.com

Belo Horizonte

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O SALÁRIO DA MAGISTRATURA

Li no "Estadão" que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) acaba de determinar que a magistratura automajore seus vencimentos, independentemente de lei.  Haja deuses! A lei é para o povo, e não para os deuses!

Benedito A. Dias da Silva beneadvdiasdasilva@terra.com.br

Tatuí

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VERGONHOSO

Quando a Justiça brasileira deve determinar algo em benefício próprio, a solução é imediata, basta ver que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou aumento imediato dos magistrados sem a necessidade de encaminhar projetos de lei às Assembleias de cada Estado. Vergonhoso!

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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FALTA DE LUZ - DESCASO DA ELETROPAULO

Moro na Vila Mariana, na Rua França Pinto, dentro de um quadrilátero formado pelas Ruas Tangará, São Paulino, Uruana, Áurea e Avenida Rodrigues Alves, que na verdade deveria ser chamado de Quadrilátero das Bermudas, pois é aí que a energia elétrica desaparece. Moro aqui há 25 anos, e há 25 anos, em 95% das vezes em que chove - não, não precisa ser chuva pesada, tempestade, nada disso -, esse quadrilátero, que compreende ao redor de oito quadras, fica sem luz, sem energia elétrica. Nestes tempos de tempestades, então, nem se fala. Faz 25 anos que reclamo, e até hoje nenhuma providência foi tomada. Da última vez em que pude perder meu tempo falando com alguém da Eletropaulo, no ano passado, fiquei mais de meia hora na linha com a atendente, e ela me perguntou há quanto tempo isso acontece. E eu respondi: 24 anos! Ela me respondeu: "Nossa! Tem certeza? Nem tenho como marcar isso aqui". E nada... Pasmem, leitores, agora já se completam 25 anos, e nada! Pagamos pela energia, ela não é de graça. Seremos reembolsados pela falta? Se a administração da Eletropaulo tivesse um mínimo de preocupação com os clientes e ao menos lesse os relatórios de reclamação recebidos, mas acho que não dá a mínima. Vinte e cinco anos! Basta entrevistar qualquer morador mais velho do quadrilátero para constatar a veracidade daquilo que digo. Toda a vizinhança ao redor, iluminada, e o quadrilátero no escuro. Horas a fio... É sempre assim. E não se temos a quem recorrer. Vinte e cinco anos! Incompetência, inaptidão, descaso, sei lá mais o que, alguém conhece mais algum desqualificativo que se aplique à empresa?

Marco Antonio mabapen@uol.com.br

São Paulo

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VERÃO NO ESCURO

Onde está a Assembleia Legislativa de São Paulo? O que faz um deputado estadual? Eu gostaria muito de conhecer o contrato da AES Eletropaulo com o Estado. Os contratos das empreiteiras de limpeza urbana com a Prefeitura de São Paulo eu conheço bem. São anticidade - ferem a moral e os bons costumes.  E não é a administração petista que vai melhor a limpeza da capital. São Paulo está mergulhada na escuridão e na sujeira. De um lado, a Prefeitura, do outro, o Estado. O que vão prometer para o povo em 2016, ano de eleição para prefeito e vereador? As administrações que aí estão - de ambos os partidos (PT e PSDB), precisam ser questionadas e cobradas todos os dias. Pena que a nossa cidade e o nosso Estado andam murchos em matéria de oposição pensante e corajosa.

Devanir Amâncio devaniramancio@hotmail.com

São Paulo

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CAOS NA ELETRICIDADE

Será que agora a Eletropaulo vai encarar a fiação enterrada? E, claro, para o ano de 2050, como todas as obras deste país. Rapidez é o nosso lema!

Gustavo Guimarães da Veiga ggveiga@outlook.com

São Paulo

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PIOR DO QUE ESTÁ FICA?

Não sei quem está em pior situação, os venezuelanos, que enfrentam racionamento de produtos básicos do papel higiênico ao leite; ou nós, paulistanos, que enfrentamos da falta de luz à água.

Giovani Lima Montenegro giovani.limamontenegro@gmail.com

São Paulo

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AS ÁRVOIRES AO CHÃO

Li no caderno "Aliás" de 11/1 o artigo do colega Eugênio Bucci, que, porém, não explica as causas das quedas de árvores na cidade e é levado apenas pela emoção da queda de árvore do seu quintal. Mas o que está em jogo é o patrimônio arbóreo de toda uma cidade, que vem se tornando cada vez mais quente e sem sombra. Gostaria que meu alerta fosse, afinal, publicado, pois é claro e suficientemente completo como avaliação do problema atualíssimo. O melhor mesmo seria pedirmos uma lei para podermos preservar e manter nossas árvores nós mesmos, pois a Prefeitura deixará que todas desapareçam, bem como a Eletropaulo e sua gambiarra.

Heliana Angotti angotti@usp.br

São Paulo

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IRRESPONSABILIDADE

Trágica e uma irresponsabilidade real a falta de qualidade na gestão da Prefeitura de São Paulo, em razão do recorde de quedas de árvores danificadas em época de chuvas. Não serão repostas aquelas árvores comprometidas por mais de 40 anos de idade e não há manutenção necessária, com podas, etc.

Antonio de Souza D'Agrella antoniodagrella@yahoo.com.br

São Paulo

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AUMENTO DO ITBI

Foi prevendo a onda de doações de imóveis que Fernando Haddad elevou em 50% o Imposto Sobre Transação de Bens Imóveis (ITBI). O aumento de 2% para 3% do ITBI foi aprovado na noite de quinta-feira (19/1) pela Câmara de São Paulo.

Nathan Churchill njchurchill@gmail.com

São Paulo

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ÁGUA ESCASSA EM SÃO PAULO

 

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), declarou, no dia 10/11/2014: "São Paulo não tem racionamento, o abastecimento está garantido, e estará garantido em novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, primeiro semestre, segundo semestre". Será que ele ainda pensa assim?

 

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

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GOVERNO DE SÃO PAULO

Quando o PSDB esmagou o PT em São Paulo na eleição, logo os paulistas se orgulharam do progresso, trabalho e da "grandeza do povo de São Paulo" - para usar uma expressão de José Serra, buscando culpar nordestinos pelo atraso do País. Agora recebem o que merecem: racionamento de água! Com FHC, tivemos multa se gastássemos mais energia do que o permitido, agora a história se repete com água. Alckmin mentiu e mente diariamente sobre a situação das represas e tudo o mais que está sob sua responsabilidade. É um lerdo! Cada hora diz uma coisa. Minha avó no sertão da Bahia tem mais água do que nós aqui, na cidade, graças a programas sociais implantados pelo PT. Na cidade mais rica do País, crianças passam de ano sem saber ler, roubos e assassinatos explodem, atendimentos em delegacias duram horas, já que "o sistema está fora". Vândalos destroem tudo, são presos e, em seguida, liberados. Bibliotecas são fechadas. Quando circulam, trens demoram até uma hora para passar. Parabéns, paulistas! Vocês merecem o governo que têm!

Maurício Silva maurice_neri@yahoo.com.br

São Paulo

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A LIBERAÇÃO DO CANABIDIOL

Com a notícia de que o canabidiol foi liberado, muitas crianças serão beneficiadas, mas começo a escutar que muitas outras não diminuíram suas convulsões com este derivado da maconha. Precisamos aperfeiçoar nossos estudos científicos, pois medicina é assim mesmo: há trabalhos que poderão encontrar melhora e outros, não. Minha preocupação, como pediatra do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) e responsável muitas vezes pela questão das drogas na Sociedade Brasileira de Pediatria, é de que muitos jovens hoje querem justificar o uso da maconha pela sua "ação medicinal". Nas escolas públicas da região do Butantã, em São Paulo, aos 17 anos 25% dos jovens estão fumando (dado superior ao índice de 12% de adultos fumantes no último vigitel - levantamento por telefone), 59% estão usando bebida alcoólica, 20% estão usando maconha e 5% já experimentaram o crack (dados de 2013 em fase de publicação em revista científica). Na pediatria, já falávamos que o tabagismo era uma doença pediátrica. Hoje falamos que o tabagismo, o álcool e a maconha são doenças pediátricas, pois já se inicia o uso aos 10 anos de idade. Não confundam canabidiol com maconha. Nas unidades médicas específicas, usamos a morfina, derivado da heroína para diminuir a dor em situações de emergência. Ninguém utiliza a heroína, e, sim, uma parte dela, a morfina que foi devidamente estudada. O mesmo deverá ocorrer com o canabidiol e a maconha. Do ponto de vista médico, precisamos esclarecer que 30% de quem usa a maconha tem dependência e 1% terá surto psicótico. Muitas vezes o álcool e a maconha são a porta para o crack, já que na cracolândia a maioria dos indivíduos tem dependência das três drogas citadas. Com a descriminalização das drogas, diminuem-se os problemas policiais e jurídicos, mas aumentam-se os problemas médicos. Com a diminuição do medo das drogas, aumenta-se o consumo, aumentando a dependência e doenças relacionadas ao uso da droga.

O uso da maconha até os 17 anos de idade está muito perto do uso do tabaco entre os jovens da região do Butantã, em São Paulo. Portanto, que fique claro: liberar o canabidiol, sim, mas a maconha, por enquanto, ainda não!

 

João Paulo Becker Lotufo jlotufo@hu.usp.br

São Paulo

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