Fórum dos Leitores

LEI X JUSTIÇA

O Estado de S.Paulo

06 Abril 2015 | 02h02

Farol vermelho

No dia 21/3 fui notificada pela Prefeitura de São Paulo por infração de trânsito de natureza gravíssima ao passar farol vermelho à meia-noite e 17 minutos (00h17). Era sábado e o local estava meio deserto. Quero saber o que a Prefeitura de São Paulo tem a dizer sobre dar prioridade à segurança e à vida. Que tal desligar os radares ou colocar faróis amarelos piscantes, já que as pessoas numa cidade como esta têm medo. Todos têm MEDO! Pessoalmente, meu medo tem motivos de sobra: já fui assaltada no trânsito duas vezes, numa delas era noite e eu estava parada no farol vermelho, claro. Tenho dois amigos e uma irmã que já foram vítimas de sequestro relâmpago e ficaram horas nas mãos de bandidos, com revólveres apontados para a barriga ou para a cabeça. Perdi um amigo muito jovem, vítima de latrocínio: ele estava saindo do trabalho e se dirigindo até o carro por volta das 21 horas, nem madrugada era. Poderia continuar citando vários casos, de parentes, de amigos, de amigos dos amigos, de desconhecidos, de notícias nos jornais... A que ponto chegamos? Infringi a lei, ultrapassei o farol vermelho, estava sozinha na madrugada, numa rua meio deserta. E vou pagar a multa gravíssima. Às vezes lei não tem nada que ver com justiça. Agradeço ao Estado pela oportunidade. Fui multada, mas posso desabafar.

GIULIANA AUN

giuaun@uol.com.br

São Paulo

SACOLINHAS DO HADDAD

Lucro extra

Como o Estadão noticiou (3/4), desde domingo os supermercados estão obrigados a fornecer sacolas biodegradáveis, porém poderão cobrar pela nova embalagem de R$ 0,05 a R$ 0,50. Absurdo! Por que cobrar? Por acaso os supermercados ofereciam as antigas sacolas de graça? Obviamente, sempre as incluíam no preço dos produtos vendidos, como incluem todas as despesas, até o ar-condicionado que os clientes respiram. Resultado: claro que vão incluir nos preços as novas sacolas e ainda, com a maior cara de pau, vão querer o lucro extra permitido pela lei.

JOSÉ CARLOS DE CASTRO RIOS

jc.rios@globo.com

São Paulo

No sábado o supermercado Dia da Av. Pompeia já cobrava pelas sacolinhas. As antigas! Informaram-me na loja que as novas ainda nem haviam chegado e que a empresa estava ciente, sim, de que a cobrança deveria começar só no domingo, mas... Revoltante! Larguei o carrinho lotado de compras no caixa e fui embora.

ANA M. FERREIRA

São Paulo

Mais um imposto!

Novo imposto aplicaram aos cidadãos de São Paulo: pagar pelas sacolas descartáveis do supermercado. Que infâmia! O supermercado ganha sempre na venda e nós, consumidores, temos a obrigação de carregar de qualquer jeito, embalando de qualquer forma, e sempre pagando. Os supermercados fazem reciclagem? Vão olhar no lixo deles? Essas embalagens têm de sair do lucro deles, que não é pequeno. Não podemos aceitar esse gasto. Eles fazem lobby na Prefeitura e conseguem tudo. E o povo, ó...!

MARTINO MALANDRINO NETTO

martino.mnetto@terra.com.br

Bauru

FILOSOFANDO

Constatação

O Brasil é o país que transforma uma coisa fácil em difícil por meio do inútil.

EZIO MOLINA

diretoria@siti.com.br

Mogi Guaçu

MAIORIDADE PENAL

Redução

Preocupante a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara ter dado aval para a proposta de redução da maioridade penal ser discutida e até votada no Congresso. Trata-se de cláusula pétrea, que não pode ser alterada dessa forma, por expressa previsão constitucional. Além disso, e muito mais relevante, mandar adolescentes para a cadeia só vai aumentar ainda mais a violência e o crime na já conturbada sociedade brasileira. O Brasil não pode adotar medidas demagógicas, imediatistas e fáceis, mas sem a menor base ou sentido. É impressionante o retrocesso que vivemos no País em diversas áreas, com o aumento do conservadorismo, intolerância e ignorância dos nossos políticos.

RENATO KHAIR

renatokhair@uol.com.br

São Paulo

Bem maior

O debate a respeito da proposta de emenda à Constituição sobre a mudança da maioridade penal de 18 para 16 anos nos leva a indagar de que lado estão os deputados do PT, PCdoB, PSOL e PSB, contrários à medida. Afinal, eles não foram eleitos para representar a vontade do povo? As pesquisas mostram claramente que o povo quer e exige tal mudança. Estamos no século 21 e as necessidades do passado não são as mesmas de hoje. Portanto, a Constituição não pode ser engessada e imutável. Pergunto a esses senhores por que se deu aos adolescentes de 16 anos o maior direito, que é o de votar. Apenas interesse eleitoreiro? Indago ainda: se essas pessoas, os políticos, tivessem a vida de parentes próximos ceifada abruptamente por delinquentes menores de idade, qual seria a sua posição? Não cabe discutir se a medida é constitucional ou não, porque o que precisamos é de uma sociedade justa e pacífica, na qual o bem maior seja a vida.

WALTER LÚCIO LOPES

wll@uol.com.br

São Paulo

Prisão aos 16 anos

O menor rouba, sequestra e mata, mas não vai preso. "Prisão aos 16 não resolve", diz um ministro do Supremo Tribunal Federal. "Cadeia não conserta ninguém". E as vítimas, ministro, bandido solto as recupera? Recuperar os bandidos melhora alguma coisa para as vítimas? Pergunte a qualquer cidadão que tenha perdido um filho nas mãos de um menor assassino quem ele prefere recuperar. Já é hora de acabar com a inversão de valores e resolver a impunidade!

GILBERTO DIB

gilberto@dib.com.br

São Paulo

Responsabilidade apenada

Em vez de se reduzir a maioridade penal para 16 anos, gostaria de sugerir uma ideia mais compreensiva. Que seja alterada a Constituição com cláusula pétrea tornando adultos por trás de menores (sempre os há), em quaisquer crimes, responsáveis por eles. E iria além: conforme a idade do menor, seriam acrescidos anos à pena do infrator maior. Exemplo: se o menor tiver entre 16 e 18 anos, mais 10 anos; se for menor de 16, mais 20 anos. Assim, creio que bandidos pensariam duas vezes antes de induzirem crianças para seus crimes. Em vez de ser condescendentes e facilitar a impunidade, nossas leis deveriam pesar mais nos mais responsáveis.

SILVANO CORREA

scorrea@uol.com.br

São Paulo

A PETROBRÁS E OS CHINESES

O Banco de Desenvolvimento da China emprestou US$ 3,5 bilhões para a Petrobrás. O banco estatal chinês vai monitorar bem de perto a utilização desses recursos, pois as plataformas serão construídas na China, em Cingapura e na Tailândia. Esta é a primeira parcela de um acordo de cooperação cujos detalhes são desconhecidos dos contribuintes brasileiros. Por enquanto, o negócio parece interessante para a Petrobrás e para a China. Será que a situação dos milhares de desempregados de Macaé, Rio Grande e dos demais estaleiros do Brasil vai melhorar?

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br
Rio de Janeiro

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O ‘PANORAMA’ ECONÔMICO DE DILMA

“A Petrobrás tem uma imensa capacidade. Nesse processo de descoberta da corrupção, tem condições de passar por isso e superar. Sabe por quê? Porque ela vai tomar as medidas mais drásticas, como aquelas de empresas internacionais que passaram por situação similar” (Dilma Rousseff). Tudo bem, mas resta saber quais são “aquelas empresas internacionais que passaram por situação similar”. Chutar não vale.

Sergio S. de Oliveira ssoliveira@netsite.com.br 
Monte Santo de Minas (MG)

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MAL ENDÊMICO

A corrupção não foi uma descoberta da Polícia Federal, que, entretanto, é merecedora da nossa admiração, mas é um mal endêmico que de modo geral sempre contagiou os empresários. A corrupção é viva e virulenta em todas as repartições públicas, em todos os níveis. Na maioria dos casos o fornecedor, suposto corruptor, não se arrisca a propor uma propina sem ter a certeza de que o outro lado a aceitará, e quase sempre é o comprador quem sugere essa possibilidade. Às vezes o empresário, considerado o vilão da transação desonesta, chega a se tornar vítima. Como exemplo, posso citar uma organização da qual tenho ouvido falar que oferecia o cancelamento de 100% das dívidas com a Fazenda, liquidadas com créditos disponibilizado pelo grupo, pagando ao intermediário 50% do valor devido. A operação parecia legal porque o pagamento ao intermediário seria feito somente depois de ficar comprovado o cancelamento da dívida. Parece, entretanto, que a operação era realizada com falsos créditos e com ajuda interna de funcionários da Fazenda, tornando o negócio ilegal. A lei da propina não vale somente na pública administração, mas atinge também as empresas. Meu irmão, ex-dirigente de uma grande multinacional, dizia que no anúncio procurando um comprador deve constar a frase “que roube pouco”, porque comprador que não rouba é difícil de encontrar. Delfim Netto dizia que somente não rouba quem não tem a oportunidade. Para bem pouco servem as leis anticorrupção baseadas no agravo das penalidades se não incluem realísticos meios de prevenção. Para acabar com a corrupção, é indispensável repensar os itinerários educativos visando à formação da consciência moral, da ética e do sentido de responsabilidade que deve estar presente em cada atitude das pessoas, lembrando que a ética e a cidadania são os conceitos que constituem a base de uma sociedade próspera.

Francesco Magrini framagr@ig.com.br 
Cachoeira Paulista

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A LAVA JATO VAI LONGE

E no meio de tantas empreiteiras importantes, de políticos espertos, eis que aparece o nome de Erenice Guerra na Operação Lava Jato, aquela amiga de Dilma Rousseff considerada seu braço direito, que foi pega com a boca na botija e foi defenestrada do cargo de secretária-executiva da Casa Civil quando Dilma era ministra. E, só para lembrar, esta senhora também foi consultora do Ministério de Minas e Energia do governo Lula, quando Dilma comandava essa pasta. Aos poucos vão aparecendo os participantes das roubalheiras. Esperamos que também aquele caso de Rose Noronha, a amiguinha de Lula, também saia das sombras.
 
Leila E. Leitão
São Paulo

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A HORA DO BNDES

Uma manchete me chamou a atenção no jornal nos últimos dias: a Construtora Queiroz Galvão entra em recuperação judicial. Dias antes, dizia que não podia tocar uma obra pois o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) havia sido negado. Outras já estão se utilizando deste artifício. É difícil de entender como empresas deste porte, numa pequena adversidade, fiquem numa situação destas. Seus balanços anuais pretéritos sempre indicavam excelente condições econômicas e financeiras. Reservas de lucros, participações de empregados e dirigentes em gordos lucros. Ou seria só contabilidade criativa e fajuta, pois tinham sempre o BNDES como fornecedor de grana, patrocinando com os empréstimos os lucros das empresas e o fornecimento de propinas? A Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz federal Sérgio Moro estão acabando com a patifaria. Cadeia para todos. É bom avisar ao BNDES que sua hora vai chegar.

Paulo H. Coimbra de Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com  
Rio de Janeiro

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CORRUPÇÃO SEM FIM

E a lista está crescendo. Começou com a Operação Lava Jato, já chegaram ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), da Receita Federal, onde há indícios de subornos para perdão ou redução de dívidas tributárias, e agora já está respingando nos transportes, com o presidente de uma empreiteira dizendo que pagou propina na Ferrovia Norte-Sul. Além disso, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vai apurar cartel nas licitações de compra de remédios. E por aí vai. Podem ir cutucando que vai aparecer mais, muito mais. O que viram até agora mal é a ponta o iceberg.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com 
Rio de Janeiro

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PAÍS ARRUINADO

O País está parando! Estados e municípios suspendem investimento por falta de caixa e ameaça de estagflação, um dos piores cenários da economia. Chegamos até a beira do precipício por total falta de capacidade de gestão e a farra com o dinheiro público. Temos 39 ministérios e sabe-se lá quantas secretarias que parecem uma orquestra de bumbo e flauta, ninguém se entende e os nomeados para os cargos de ministros e secretários não fazem a mínima ideia do que não estão fazendo, pois são totalmente incapacitados para os cargos, e o incapaz nomeia o menos capaz, e assim segue sucessivamente do topo ao menos qualificado. São críticas, apenas críticas e a saída não é um nome, um partido ou um milagre. Deverá ser um reinício “pós-guerra” com muitos sacrifícios e talvez duas décadas de trabalho sério para que a “nau Brasil” volte a navegar em águas calmas. E rápido, enquanto ainda existe esperança.

Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br
São Paulo

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POLÍTICA ECONÔMICA

Quando vejo alguns economistas renomados defenderem a política adotada pelo ministro Joaquim Levy Risonho, lembro de que há alguns dias, em reunião com empresários, ele não agradou, mas noutra com banqueiros saiu aplaudido, afinal, nunca vejo essa turma perder aqui.
 
Laércio Zanini spettro@uol.com.br 
Garça 

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AJUSTE FISCAL

O ajuste fiscal que está sendo implantado pelo ministro Joaquim Levy é mais ou menos assim: sem o bode na sala já é bom e, se houver muito barulho, a gente efetivamente tira o bode. Em resumo, o bode é só para impressionar, e sua saída da sala traz a ilusão de certo alívio.

José Piacsek Neto bubanetopiacsek@gmail.com 
Avanhandava

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POLÍTICA ECONÔMICA

De Stigler e Friedman à antítese keynesiana, Dilma Rousseff assiste a tudo isso sem entender patavina, só distribuindo bordoadas!

Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com 
São Paulo

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OS PRECATÓRIOS E O CALOTE

A Justiça manda pagá-los, mas Estados e municípios não pagam. São notórios devedores de cidadãos que acabam morrendo na fila de espera por pagamentos, que raramente acontecem, de direitos seus devidamente atestados pela Justiça. São notáveis caloteiros. Os precatórios não alimentares provenientes de desapropriações constituem a maior parte do valor desse passivo governamental e estão com seus pagamentos atrasados há mais de 20 ou 30 anos. Não obstante, Estados e municípios continuam fazendo novas desapropriações, que viram precatórios que também não serão pagos. Agora, quando se fala em quitá-los dentro dos próximos cinco anos, o prefeito de São Paulo reclama, alegando que será prejudicado. Ele quer o quê? Atrasá-los por mais outros 20 ou 30 anos e perpetuar o calote? É preciso acabar de uma vez com essa cultura de que o governo tudo pode contra o cidadão e a este só resta o direito de morrer na fila de espera.

Paulo T. Sayão psayaoconsultoria@gmail.com 
Cotia 

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QUESTÃO DE JUSTIÇA

O prefeito Haddad menciona que não terá condições, nem ele nem o próximo prefeito, de honrar os pagamentos dos precatórios até 2020, conforme determinou decisão judicial. Pergunto ao nobre senhor o que ele acha dos milhares de pessoas que aguardam, por longos anos, a quitação destes débitos, portanto o cumprimento das sentenças conseguidas a duras penas em decisões judiciais indiscutíveis e em última instancia. Não é o caso de enfraquecer a economia dos governos envolvidos, mas, sim, de fazer justiça àqueles com direito já adquirido legalmente. Os governos, há muito tempo, não fazem nenhum planejamento para saldar esses valores e seguem enrolando e protelando há anos essas dívidas. Que façam, portanto, uma tabela de pagamento, clara e transparente, para imediato pagamento aos envolvidos, começando pelos casos mais antigos. Os precatórios, hoje, viraram motivo de piadas e favorecem somente os oportunistas de plantão, que, mediante o desespero e a desesperança de alguns, negociam os valores, a seu bel prazer, e em condições somente favoráveis a eles.

Walter Lúcio Lopes wll@uol.com.br 
São Paulo 

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ERA SÓ PROMESSA

O prefeito Haddad não falou uma palavra sobre os servidores que ganharam os processos há mais de 20 anos. Justo ele, que prometeu na campanha para a Prefeitura de São Paulo, sanar todas as dívidas referentes aos precatórios. Cadê a justiça do jovem Fernando, que pelo jeito só está preocupado em prejudicar os “velhinhos” que ganharam seus direitos nos tribunais.
 
Jesus Alves Pereira musicaminha.eu@hotmail.com 
São Paulo

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ELE NÃO SABIA?

Antes de fazer promessas eleitorais, o prefeito deveria ter levantado o passivo que iria encontrar. Ou ele imaginou que os precatórios estavam em dia?

Gastão Paolillo mpmvende@hotmail.com 
Carapicuíba

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MAIORIDADE PENAL

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou admissibilidade da proposta que reduz a maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos. Se vingar, resolve o problema? A criminalidade no País está descontrolada. Os jovens são cooptados desde idades tenras. Estão amadurecendo mais rápido, para o mal. E os presídios não recuperam ninguém. Suspeito que, daqui a dez anos, discuta-se outra proposta, reduzindo a maioridade para 14 anos. A mim, a iniciativa parece um paliativo, portanto. Uma forma – como sempre – de atacar a consequência, e não a causa. Dever-se-ia entender o porquê de tantos adolescentes estarem praticando atos ilícitos desde tão cedo. E aí aplicar a medida mais eficiente de todas: a educação. 

Gabriel Bocorny Guidotti gabrielguidotti@yahoo.com.br 
Porto Alegre

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REDUÇÃO DA IDADE PENAL 

A escalada da criminalidade juvenil recrudesce no País e não pode ser mais tratada apenas como caso pontual ou isolado. O fato requer postura firme de nossas autoridades, independentemente dos recalcitrantes defensores hipócritas dos direitos humanos. A responsabilidade penal deveria começar a partir do nascimento do indivíduo para que os pais se preocupassem mais com a educação de seus filhos.  A rejeição à diminuição da imputabilidade penal só interessa aos defensores dos direitos humanos dos delinquentes. Eu gostaria de saber – caso os infratores menores de idade começassem a assassinar ou violentar magistrados, políticos, governantes e seus familiares – se os farisaicos defensores desses delinquentes juvenis teriam o mesmo discurso de vir defender a irredutibilidade da idade penal. Jogar a culpa para a sociedade é pretexto esfarrapado, pois ela já cumpre a sua parte pagando alta carga tributária. Ocorre que o jovem delinquente, independente de sua condição social, está praticando mais crimes, inclusive contra a vida, porque sabe que a seu favor impera uma legislação penal de 1940, leniente e obsoleta. A redução da idade penal, diante de uma sociedade de jovens mais antenados, mais espertos do que os seus antecessores, é uma necessidade para chamar à responsabilidade os menores que estão, conscientemente, praticando crimes bárbaros. Na Inglaterra, país de Primeiro Mundo, com educação avançada, o infante de 10 anos tem idade de responsabilidade penal, e assim é em muitos outros países. Por que no Brasil é diferente? O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) – contrário à redução penal porque, certamente, a pimenta ainda não ardeu em seu olho – prega solução simplória e teórica apoiada em mais educação e menos cadeia. E divaga que hoje o Brasil tem quase 700 mil presos e a violência não diminuiu. É óbvio que a educação é a base do crescimento do indivíduo. Mas enquanto a educação não for prioridade dos governos e políticos, os menores e maiores infratores não podem sair por aí cometendo crimes sob o guarda-chuva de políticos como Chico Alencar, Maria do Rosário, Alessandro Molon e outros. Não acredito que o deputado Chico Alencar prefira ver bandido solto e incomodando a sociedade a ficar trancafiado nas prisões (fétidas) brasileiras, abandonadas pelo desinteresse dos governos e políticos em construir unidades carcerárias de dignidade humana. Por que a arrecadação de impostos não socorre a educação dos menores desfavorecidos? Chico Alencar, Maria do Rosário, Alessandro Molon e outros poderiam responder que grande parte vai bancar as mordomias e altos salários do inchado e inoperante Congresso Nacional. Assim, o que fizeram até agora Chico Alencar e demais parlamentares para reduzir a despesa do Congresso e alocar essa sobra de recursos na educação redentora dos futuros pivetes? A questão levantada de que não se pode mexer em cláusula pétrea constitucional é apenas um mero pretexto dos continuadores da maioridade penal de 18 anos, mesmo porque não há unanimidade entre os juristas. Não pode ser considerada cláusula pétrea uma ficção jurídica que atendia às exigências de uma época (1940). Hoje a situação da sociedade é outra, e o Direito não é uma ciência estática. O Direito acompanha as mutações da sociedade. Nesse sentido já se posicionou a favor da redução da idade penal o ex-ministro do STF, advogado Carlos Veloso. Os direitos não são absolutos e isso ficou sacramentado durante a discussão da PEC que instituiu a contribuição de 11% sobre as aposentadorias e pensões dos servidores públicos federais, os quais estavam resguardados em cláusula pétrea de direito adquirido.

Júlio César Cardoso juliocmcardoso@hotmail.com 
Balneário Camboriú (SC)

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RESPONSABILIDADE

Proponho mudanças na questão do menor infrator: 1) a qualquer idade, se capaz de empunhar uma arma, que tenha causado perda a alguém, cadeia igual a todos os adultos; 2) maior que acompanha menor passa a ser também responsável pelo crime do menor; 3) familiares ou responsáveis diretos dos menores também deverão cumprir pena. Com a diminuição de 18 para 16 anos da idade penal, os menores de 15 anos até os de 8 anos vão passar a ser extremamente valorizados. Quando pai e mãe ou responsáveis forem realmente penalizados, aí pode haver mudança. Vamos começar pela educação da criança. Pensem bem nisso.

João Luiz Piccioni piccionijl@me.com 
São Paulo

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SUGESTÃO

Aqueles que são contrários à redução da idade penal de 18 para 16 anos deveriam se inscrever numa lista para receberem em suas casas e ressocializar os delinquentes que praticam crimes hediondos, latrocínios. É óbvio que diminuir a idade não vai resolver, mas lugar de bandido é na cadeia.

José Roberto Iglesias rzeiglesias@gmail.com 
São Paulo

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A RAIZ DA CRIMINALIDADE

As discussões sobre a redução da maioridade penal são necessárias e os argumentos dos lados a favor e contra são válidos. Mas o problema maior não está sendo considerado, que é a causa raiz da criminalidade. Pensava-se que, com a melhoria da economia e a perspectiva social, a criminalidade seria reduzida. Não foi o que aconteceu, mesmo o governo e entidades várias dizendo que o Bolsa Família e outros benefícios sociais tenham atingido milhões de pessoas (seria mentira?). O problema da criminalidade reside nos seguintes fatos: conivência ou incompetência dos governantes com o tráfico de armas que chegam aos jovens; Poder Judiciário corrupto e moroso, estando muitas vezes de braços dados com o crime; autoridades envolvidas com o crime organizado permanecem impunes, o que motiva mais delitos; a própria presidente vai a público pedir clemência para um traficante; nas escolas, alunos desafiam e agridem professores e permanecem impunes; presídios são um grande negócio para fornecedores, etc., etc., etc. Jovens não se sentem motivados, visto que não temos mais o valor da meritocracia. Enfim, temos toda uma cultura e “modus vivendi” favorável ao crime. Hoje em dia, bandidos comuns não temem a polícia, os bandidos de crimes de colarinho branco não temem a Justiça. Assim, maiores e menores de idade têm livre trânsito para a bandidagem, seja o tráfico de drogas, assassinatos, roubos, sequestros, corrupção, etc. Sem contar que nossas leis são brandas e qualquer criminoso em curto período de tempo estará livre, leve e solto novamente. Reduzir a maioridade penal pode ser uma tentativa de reduzir o crime praticado por menores, mas é como trocar o termômetro de um paciente com febre. Só que o problema é urgente e o lado que está contra a redução apresenta ideias (corretas) que nunca serão cumpridas no Brasil. A sociedade só vai mudar quando tivermos líderes decentes no País que sirvam de exemplo positivo.
 
André Luis Coutinho arcouti@uol.com.br 
Campinas

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SEIS POR MEIA DÚZIA

Diminuir a responsabilidade penal para 16 anos é no mínimo uma medida inócua. Mesmo porque ela só serve para valorizar o passe dos delinquentes de 14 e 15 anos.

Marcos Catap marcoscatap@uol.com.br
São Paulo

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O CAMINHO MAIS DIFÍCIL

Em São Paulo, apenas 3% dos jovens atendidos pela Fundação Casa cometeram crimes hediondos e violentos; 97% dos jovens estão sendo ressocializados por razões mais leves e diversas, dizem os dados oficiais. Por isso, reflitamos. Existem dois modos de lidar com adolescentes. 1) O jeito mais fácil: punir, prender, excluir, torturar, enfim, marginalizá-los desde cedo. 2) O jeito mais difícil: educar, ouvir, incluir, respeitar, enfim, humanizá-los para tomar parte de sua própria sociedade. Ou seja, o atalho irresponsável é procurar jogá-los para sofrer nas nossas masmorras medievais (vulgo: cadeias). Este é o projeto de 'higienização social' de sempre, que se repete em diversos momentos históricos sob muitas máscaras, mas a finalidade intrínseca é sempre a mesma: matar o outro, fraco, que estiver dando algum problema. Enfim, já o caminho mais estratégico, que é pela melhoria da educação básica e pela diminuição das desigualdades econômicas, é muito trabalhoso; este é um projeto de médio e longo prazos e, por isso mesmo, é sempre muito difícil de encontrar cidadãos com disposição e consciência para militar em sua defesa.

Wellington Martins am.wellington@hotmail.com 
Bauru 

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PENA DE MORTE

Relatório como a da ONG Anistia internacional dizendo que a pena de morte aumentou 28% em 2014 (“Estadão”, 2/4, A10) é uma piada de mau gosto. Aqui, no Brasil, por exemplo, a pena de morte já existe faz muito tempo, só que está nas mãos da criminalidade, e a cada ano aumentando em progressão geométrica. E com uma agravante: salvo exceções, só morrem pessoas inocentes, vítimas da bandidagem. Isso essa infeliz ONG não conta. Infelizmente, está tudo de cabeça para baixo.

Tadashi Weno tadashi.weno@gmail.com
São Paulo

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JIHAD NO RIO DE JANEIRO

As Unidades de Política Pacificadora (UPPs) não deram certo e não darão enquanto continuar o equívoco conceitual sobre este sistema. Sou leigo, mas, o raciocínio de tomar o território dos marginais da Maré ou de qualquer outro local está equivocado. Ninguém, seja bandido ou não, aceita sair do local que habita desde criança, salvo se for por um motivo de melhora de vida, mudar de país ou coisa parecida. Na minha modesta opinião há que se prender os bandidos e colocá-los em uma prisão especial, com trabalhos em agricultura, que seria uma benesse para os criminosos, ou outro trabalho manual que transformasse seus cérebros no sentido de verem outro sistema de vida mais saudável. Seria uma forma educativa de recuperação. Se as UPPs continuarem como estão, veremos uma guerra civil nos moldes da Síria, porque trata-se de uma guerra quase religiosa, uma Jihad interna na cidade do Rio de Janeiro. Os bandidos acreditam em sua ação criminosa como os religiosos.
 
Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com
Rio de Janeiro 

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MOBILIDADE EM SÃO PAULO

Nosso glorioso alcaide Fernando “Malddad” fica pintando o chão de vermelho e criando ciclovias enquanto nós, paulistanos, sofremos mais e mais, no “fácil” trânsito de São Paulo. Trabalho na região da Avenida Berrini e transitar por esta via requer enormes doses de paciência. Boa parte por causa de uma infindável obra, que um dia será um corredor de ônibus. Enquanto isso, disputamos espaço em duas apertadas pistas, com os ônibus, carros, motos e outros veículos que se aventuram pela avenida. Talvez, raciocínio simples e curto, se os recursos fossem devidamente canalizados para onde há necessidade, a obra poderia estar pronta há muito tempo e muito menos pessoas estariam sofrendo com as agruras da região. Outra coisa curiosa é tentar exercer a cidadania e sugerir alguma alteração no trânsito da cidade no site da gloriosa CET. Todos os dias, perco longos minutos na absolutamente travada Avenida Morumbi e no cruzamento do Rio Pinheiros, para acessar a Marginal sentido Castelo Branco. Enquanto isso, na pista contrária, meia dúzia de carros sobem livremente no sentido contrário. Já tentei diversas vezes deixar minha sugestão de criação de faixa reversível sobre a antiga ponte do Morumbi, no referido site, porém não consigo. Esta medida facilitaria a vida de milhares de motoristas. Se precisamos economizar água, poluir menos, etc. e tal, por que não facilitar a vida dos cidadãos?! Enfim, se alguma alma caridosa pudesse analisar esses pontos e tomar algumas ações, seria de enorme valia para muitas pessoas.

Renato Amaral Camargo natuscamargo@yahoo.com.br 
São Paulo

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FAZENDO CONTAS
 
É só fazer os cálculos: R$ 690.000,00 (custo de 1 km de faixa de ciclovia) x 400 km (prometidos por Fernando Haddad) = R$ 276.000.000,00 (duzentos e setenta e seis milhões). Dividindo esse valor por R$ 50.000,00 (valor médio de uma casa para os sem teto) = 5.520 casas. Mesmo assim, ele prefere executar uma reintegração de posse em terreno da Prefeitura, desalojando várias famílias que lá viviam há anos!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br
São Paulo

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CARRO ZERO

Desde que assumiu a Prefeitura de São Paulo, em 2013, o prefeito Haddad vem declarando guerra aos automóveis, impondo restrições à circulação e estacionamento dos veículos. A febre das ciclovias ocupou os espaços destinados à implantação de novos estacionamentos rotativos (zona azul).

Marcos Abrão m.abrao@terra.com.br 
São Paulo

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TRILHOS, PREFEITO!

Sou a favor de ciclistas e de ciclofaixas, desde que construídas com método e estudo. Não é o que acontece atualmente em São Paulo. Existe uma Secretaria Municipal (da propaganda) de Transportes que deveria se ocupar em melhorar a locomoção dos munícipes, ao invés de ações de marketing. Qualquer discussão minimamente séria deveria priorizar o transporte em trilhos. Metrô ou trens. Isso não ocorre. Pior, a já congestionada malha viária de nossa cidade sofreu uma série de estreitamentos desordenados, para dar lugar a ciclofaixas não utilizadas. É como se o cardiologista diagnosticasse um entupimento arterial e então resolvesse bloquear ainda mais o fluxo sanguíneo! Com enorme alarde anuncia-se a construção (?) de 200 km de ciclofaixas. Prefeito, quantos quilômetros de trilhos o senhor pretende entregar à cidade, na sua gestão? Somente o Metrô e os trens podem melhorar a vida de quem precisa se locomover em São Paulo. O resto é balela que estamos cansados de ouvir. Suas prioridades estão às avessas!

Julio Cruz Lima Neto limaj@plastekbrasil.com.br 
São Paulo

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COVARDIA

A estrada BR-040, que liga Rio de Janeiro a Juiz de Fora, tem avisos de 110 km/hora sobre a velocidade máxima para automóveis. Entretanto, geralmente após uma grande reta, são colocados equipamentos que metem velocidade e multam carros acima de 70 km/hora. Eu uso esta via há mais de dez anos e nunca houve qualquer multa sobre minha conduta, porém, de repente, recebi cinco avisos de multas com velocidade acima de 10% do permitido. Minha média é inferior a 100 km/h. Sou idoso (70 anos) e, como é comum, pessoas desta idade não costumam correr. Os equipamentos são maliciosamente colocados em locais traiçoeiros e visam somente a encher os bolsos do poder público. Os guardas com poder de multa não trabalham mais. Depois do advento das máquinas (pardais), parece que a indolência ao trabalho tornou-se hábito permitido. Esta é mais uma faceta da covardia que o governo comete contra os idosos. Já não bastam as aposentadorias e os locais destinados a idosos que quase sempre são ocupados por jovens e até mesmo policiais que se acham acima da lei? Que se coloquem pardais também nas vagas próprias para idosos sejam nas vias ou mesmo no transporte público. 
 
Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com
Rio de Janeiro
 
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CEAGESP

O jornal de 31/3 informou que o governo federal e o paulistano estão fechando acordo para a instalação de novo Ceagesp em área a ser desapropriada na zona norte da cidade, junto do Rodoanel, enfatizando as vantagens da transferência que permitirá aumento físico do grande entreposto. A meu ver, um conglomerado urbano tão grande como São Paulo (dos maiores do mundo) deve ter mais de um entreposto de alimentos. Talvez um em cada ponto cardial da cidade, todos ligados pelo Rodoanel. Porque um hortifrutigrangeiro da zona norte tem de transitar quilômetros para trazer sua produção para o atual Ceagesp? Invertendo o raciocínio, por que os da zona sul precisarão levar seus produtos para a zona norte? O mesmo podemos dizer em relação às outras periferias produtoras. Isso colaboraria – e muito – para reduzir congestionamentos de trânsito e suas múltiplas consequências. A melhor solução é deixar o atual entreposto onde está (Vila Leopoldina, próximo a chegada de várias rodovias da zona oeste e do Rodoanel) e construir outros três, todos equidistantes pelo Rodoanel. Além do mais, ouvi dizer que a especulação imobiliária está de olho nessa mudança (se não foi ela mesma que propôs) aproveitando o bom e grande terreno para novos empreendimentos. Será que o Ministério Público precisará entrar nesse negócio para evitar um Ceagespão?

Hoover Americo Sampaio hoover@mkteam.com.br    
São Paulo

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A FORÇA DO MUNICÍPIO
  
Nenhum eleitor está na União nem no Estado, todos estão no município. A afirmação nos dá um bom exemplo da indiscutível importância da desprezada célula básica da comunidade no contexto nacional. Assim como ninguém mora na União e nem no Estado, todos nós, para todos os cargos eletivos no âmbito federal, estadual ou municipal, votamos no município. A mais nova contenda entre a voraz equipe econômica do governo e o Congresso Nacional está na redução dos encargos nos empréstimos das prefeituras. São mais de 6 mil municípios que entrarão (ou não) em colapso, dependendo de conseguir ou não a redução dos coeficientes de juros em seus empréstimos.  Senadores e deputados sabem o que isso representa. Diferentemente da presidente Dilma, que “nunca antes concorreu a qualquer posto eletivo”, e de seus ministros banqueiros, os parlamentares sabem que dependem dos votos existentes no município. Dilma, Joaquim Levy, PT e todos aqueles que querem sufocar os municípios precisam abrir os olhos. Não há argumento técnico capaz de levar um prefeito ou um vereador – os ditos cabos eleitorais de luxo e grande densidade local – a continuarem fiéis ao governo ao governante e ao parlamentar, se estes os lançarem à miséria e à quebradeira.
 
Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br
São Paulo

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