Fórum dos Leitores

GOVERNO DILMA

O Estado de S.Paulo

26 Março 2012 | 03h06

Pedido de socorro

Quando se trata de descascar o ananás, a presidente passa "malandramente" a tarefa a outros para não queimar sua imagem já um tanto chamuscada pela rebelião dos aliados no Congresso. Primeiro transferiu aos governadores dos Estados a responsabilidade de permitir o consumo de bebida alcoólica nos estádios durante a Copa. Quinta-feira, em reunião no Palácio do Planalto com 29 empresários que representam metade do nosso PIB, Dilma estendeu a mão àqueles que têm sido arrochados por sua política econômica e - pasmem - pediu-lhes que exerçam pressão sobre o Legislativo. É evidente que essa não é tarefa do empresariado, mas dos líderes do governo. Eis aí, em síntese, o que se pode chamar de governo sem bússola, que só visa ao poder ad perpetuum. A economia dá sinais de debilidade e a estratégia da equipe econômica é a redução da Selic e, mais uma vez, a do IPI para as geladeiras, enquanto não consegue apagar o fogo amigo que arde no Congresso.

JAIR GOMES COELHO

jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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Mensalão resolve

Não é difícil solucionar a crise com a "base aliada". Basta seguir o exemplo deixado pelo sr. Luiz Inácio, retomando a tática do mensalão. Tudo estará resolvido como mágica.

ADEMAR MONTEIRO DE MORAES

ammoraes57@hotmail.com

São Paulo

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Desindustrialização

Quando o PT tiver saído do governo federal, não haverá mais indústrias no Brasil. Deteriorar a indústria é a marca dos petistas, está lá em São Bernardo do Campo (antigo eldorado brasileiro) o modelo de desindustrialização.

NELSON PEREIRA BIZERRA

nepebizerra@hotmail.com

São Paulo

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VINHOS

Nacionais e importados

Li com espanto a notícia de que o governo, para proteger o produtor nacional, vai sobretaxar os vinhos importados ou até retirá-los das prateleiras! Os vinhos brasileiros melhoraram muito, principalmente os espumantes, mas as limitações de solo, regime de chuvas e amplitude térmica são fatores que limitam a qualidade, forçando até a adição de açúcar de cana para atingir a graduação alcoólica ideal. A pergunta que fica é se nossos produtores têm capacidade para substituir quantitativamente os importados, porque qualitativamente, por enquanto, é impossível. O vinho é uma bebida saudável se consumida com moderação e seria muito triste nos privarem da diversidade e qualidade ora presentes no mercado nacional.

AIRTON MOREIRA SANCHES

moreira.sanches@uol.com.br

São Paulo

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Virou vinagre

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior quer aumentar o imposto de importação de vinhos para amenizar os prejuízos da indústria nacional. Eu e acredito milhares de brasileiros apreciadores do bom vinho nos ficamos perguntando: nós é que vamos pagar por esse prejuízo? Se a indústria nacional não tem competência (boas uvas, tecnologia, know-how, etc.) para competir com os argentinos e chilenos, só para citar os países vizinhos, o governo aumenta os preços? E o direito do consumidor? O governo deveria baixar os encargos e custos dos fabricantes nacionais, e não aumentar o imposto do vinho importado, notadamente de melhor qualidade. O consumidor brasileiro deve ser respeitado e ter o direito de consumir vinhos de qualidade a preços internacionais, não sobretaxados. Até quando o consumidor brasileiro pagará pela incompetência da indústria nacional? E esta arcará com o custo Brasil ou a incompetência do governo? Desse jeito, nosso bom vinho de cada dia vai virar vinagre.

HÉLIO PERAZZOLO

hpera100@hotmail.com

Lausanne Paulista

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Barreiras

Lamentável a iniciativa de produtores nacionais que pleiteiam o aumento do imposto do vinho importado. Melhor seria se seguissem os bons passos de algumas vinícolas nacionais que procuram melhorar seus produtos. O aumento do consumo de vinho no País é consequência principalmente da boa qualidade dos vinhos disponíveis no mercado, para o que contribuem decisivamente os produtos importados. Impor barreiras a esses vinhos é dar um tiro no próprio pé.

FERNANDO PROCÓPIO FERRAZ

fernando@procopioferraz.com.br

São Paulo

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PLANOS DE SAÚDE

Aumento das mensalidades

O governo evita falar do aumento das aposentadorias abaixo da inflação (6,08%). Da mesma forma, não comenta o aumento concedido pela ANS aos planos de saúde, acima da inflação (7,69%). Se a ANS continuar a conceder aumentos dessa ordem, os planos de saúde ficarão inviáveis, a longo prazo, para as classes menos favorecidas, inclusive os aposentados.

MURICY GARCIA XAVIER

São Paulo

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PODER JUDICIÁRIO

Milhões x migalhas

Enquanto alguns magistrados do Tribunal de Justiça de São Paulo recebem pagamentos milionários antecipados de verbas indenizatórias, os funcionários públicos em geral aguardam para receber precatórios atrasados por décadas e de valores ínfimos.

JOSÉ FRANCISCO PERES FRANÇA

josefranciscof@uol.com.br

Espírito Santo do Pinhal

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Justiça no Brasil

Nova ortografia: Ju$tiça.

RONALD MARINS DA CUNHA

ronald.cunha@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

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ÓDIO E PRECONCEITO

Horror!

Essa é a palavra que define a reportagem Polícia Federal prende 2 por usar a internet para estimular ódio e abusos (Cidades, 23/3). Há que pensar: em que mundo estamos vivendo? Que pessoas são essas, que se julgam no direito de segregar, humilhar, rebaixar, abusar e matar? Diante desse horror, praticado por pessoas com formação acadêmica, fazemos a pergunta: é falha da educação familiar ou influência da convivência social, no caso, o uso da internet? Ciente da influência do Estado sobre os leitores, ousamos fazê-lo veículo de nossa indignação.

PATRÍCIA MARIANA mais um grupo de educadoras municipais

patriciamarian@hotmail.com

Mogi-Mirim

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DILMA PAGA O PREÇO DA IMATURIDADE

Dirigir um país como o nosso, em que o pior exemplo vem sempre de cima, ou seja, das nossas autoridades, é muito difícil.  Mas pior ainda quando se elege uma presidente que traz no seu currículo sete anos como ministra de primeira linha de um governo que mandava às favas os bons costumes e que protagonizou o maior incremento nos índices de corrupção de que se tem notícia na história deste país. Nessas condições, Dilma também foi avalista desta triste realidade, como também da incapacidade administrativa que tomou conta da gestão Lula, porque foi ministra da Casa Civil, e mãe do bicho-preguiça do PAC... Engolindo sapos por de ter de conviver com um ministério formado pelo seu antecessor, no primeiro ano de governo mal teve tempo para cuidar das inúmeras denúncias de corrupção que ceifaram oito de seus ministros. Fragilizada porque seu temperamento não é o que se sugere para um verdadeiro líder, ou seja, Dilma é destemperada, teimosa, sem feeling diplomático, também derrapa nas suas ações por não conhecer no varejo o funcionamento do Congresso! Mas repetindo, se por sete anos foi a principal ministra de Lula, já deveria ter amealhado o mínimo de traquejo para enfrentar a ganância irracional por cargos, e importância na liberação das emendas parlamentares. Esta dificuldade da presidente de aprender a complexidade do poder esta custando caro ao País. Por outro lado, desgastada por um PIB pífio de 2,7% no seu primeiro ano de governo, que todo mundo previa, mas, o Palácio de Planalto fazia ouvido de mercador, agora a Dilma colhe o resultado de sua imaturidade política! Uma rebelião toma conta dos seus aliados, como o PMDB, PR, e até muita insatisfação no PT. Com isso enfrenta ameaça e derrotas na Casa! E votações importantes são postergadas com receio de novas humilhações!  A economia patina, criação de empregos diminui, seu ministro da Fazenda, o Mantega, atabalhoado não transmite credibilidade. E até o Banco Central, pela ânsia do governo tentar dar uma resposta célere ao mercado sobre a queda da Selic, está com sua imagem arranhada pela falta de liderança, e atropelos deste governo petista.  Já próximo de completar 15 meses no Planalto, a presidente ao substituir seus lideres na Câmara e no Senado, trocar ministros sem aprovação da base, e não atender reivindicações dos partidos, mais ainda embaralha o jogo das frustrações. E em ano eleitoral que envolve interesses políticos em 5.565 municípios, banhado com esse clima ruim, e é bom que se diga, sem nenhuma participação da nossa raquítica oposição, certamente nada mais de importante para o País será produzido neste ano de 2012, por este melancólico governo. E se desde 2007, quando confirmado o Brasil como sede, nem os penduricalhos da Capa de 2014 estão resolvidos, o que tem exigido da Dilma uma participação exagerada em questões que qualquer outro administrador competente não levaria para o seu Chefe, imagine o resto das nossas prioridades como estão... E nestes termos, e nos quase 10 anos de poder central do PT, não poderia ser diferente a angustia porque passamos com o sucateamento das nossas indústrias, educação que não avança, a saúde um caos, e a infraestrutura, que é sempre bom repetir, em frangalhos, impedindo o desenvolvimento sustentado de nossa economia, o que automaticamente vai gerar retrocesso social...

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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FISIONOMIS TRISTE

Vendo a presidente Dilma em noticiário da TV. é absolutamente indesmentível o seu ar de aborrecimento, cansaço e tristeza. Isso sim é que pode se chamar de "herança maldita". É que desabafar é proibido, se não...

 

Ademar Monteiro de Moraes ammoraes57@hotmail.com

São Paulo

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SUGESTÕES

A presidente Dilma Rousseff está se afastando dos conselhos do Sr. Lula tentando organizar a casa aos moldes do Sr. Collor. Colocar as pessoas certas nos lugares certos. Esqueceu-se, porém, de que deputados e senadores em grande número não querem saber de indicações que não sejam "convenientes". Lula, via Dirceu, conseguiu o apoio da maioria com o esquema "Marcos Valério". Naquela ocasião Lula "agradou" a oposição e deixou para os aliados alguns cargos. A sra. não pode seguir esse caminho porque seus aliados são oposicionistas. No Brasil prevalece o interesse particular. Collor tentou e não deu certo. Todos eram oposição. Porém como nunca antes neste país, há uma saída não muito original, mas que funciona. Siga os conselhos do Lula e Dirceu; veja os planos do Marcos Valério; defenda-se com o Dr. Marcio T. Bastos e... contrate algumas obras para sobrar muito, muito dinheiro. A Sra. vai notar a curto prazo como aparecem aliados neste país.

                                                                                                                                                   Antonio Carlos S. Lopes cytuba@uol.com.br

Caieiras                                                                                                                                                  

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INCOMPTENTES

Para a governabilidade, consultam o chantagista de São Bernardo, para a ideologia, ditadores assassinos, para a saúde, pais de santo, para a educação, o especialista em dossiês, para a pesca, o pescador de almas e para a verdade, toda uma comissão. Petistas erram sozinhos, nos rumos da economia...

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br

São Paulo

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O FOGO AMIGO CONTRA O GOVERNO

 

No momento em que sofre retaliação dos aliados insatisfeitos no Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff reúne-se com pesos pesados da vida empresarial.  Busca parceiros na sociedade para fazer frente aos verdugos parceiros políticos que tentam fazê-la refém, criando dificuldades para “vender” facilidades. Jânio e Collor tiveram o mandato interrompido por falta de apoio congressual. Dilma precisa acautelar-se. Por enquanto, a representatividade dos seus 55,7 milhões de votos lhe garante respaldo. Além dos empresários, poderia também buscar apoio das entidades mais representativas da sociedade para poder governar e cumprir sua missão sem submeter-se à política do “toma lá, dá cá”. Instituições tradicionais como a OAB, ABI e outras que não se comprometeram com o peleguismo, o onguismo e outros vícios ditos modernos, poderão ser muito úteis. Exemplo, a Lei da Ficha Limpa, que o Congresso não teve como rejeitar. O Brasil democrático ainda terá de enfrentar com toda a seriedade a questão da forma de governo. Se optar pelo presidencialismo, terá de deixar o presidente governar. Se preferir o parlamentarismo, o Congresso, então, assumirá o ônus e o bônus de montar e sustentar o governo. O que não pode persistir é a perniciosa promiscuidade...

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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O CHEFÃO DO FOGO AMIGO

A manobra feita pelo Senador Sarney para que não houvesse senadores suficientes para determinada votação justamente nesse momento (solicitou os senadores para uma reunião partidária) e, portanto, não acontecendo tal votação, demonstra a mais pura malandragem do imperador do Maranhão. Não importa aqui a votação, mas sim a atitude, no mínimo vergonhosa. Um mal aliado, um verdadeiro inimigo. Deve ser o chefão do "fogo amigo".

 

José Piacsek Neto bubapiacsek@yahoo.com.br

Avanhandava

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JORNADA DE VEXAMES

As dificuldades de Dilma em muito se agravaram com a nomeação de Ideli Salvatti e Gleisi Hoffman para a articulação política.

Flávio José Rodrigues de Aguiar flavio.daguiar@gmail.com

Resende (RJ)

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NA MARCA DO PÊNALTI

A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, foi colocada para escanteio... Se ela não ficar esperta, logo, logo irão colocá-la na marca do pênalti; até porque, hoje na política brasileira há muitas cascavéis de 12 guizos.

 

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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CRISE INSTITUCIONAL

Por fim o ambientalista Washington Novaes (A passividade diante da crise institucional, 23/3, A2) parece que está se convencendo do que venho denunciando há décadas neste fórum. Estamos em plena era tribal de cacique e pajés, onda a moral e a ética é coisa de idiotas. A ONU é uma matrona esclerosada que se tornou joguete de centenas de nações corruptas e ONGs imorais, sustentada por meia dúzia de nações, que sequer têm voz alguma na mesma. Agora vamos assistir o espetáculo circense da Rio+20, um repeteco asqueroso das demais reuniões desde a Rio-92! O Brasil parece ser o centro da corrupção deslavada que solapa o mundo.

 

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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CRISE? QUE CRISE?

O "está tudo ótimo" do secretário Gilberto Carvalho, me faz lembrar o prepotente Sergio Amaral, ministro de FHC, quando perguntado por um repórter sobre a crise, resposta "que crise?", detalhe: o Brasil perdia em média US$ 2 bilhões por dia em suas reservas.

Jose Antonio Diogo Vilares diogovilares@globo.com

Guarulhos

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PASSIVIDADE

Falando sobre a "passividade diante da crise institucional", o preclaro articulista Washington Novaes teceu, no Estadão de 23/3, algumas críticas aos três poderes.  No que toca especificamente ao Judiciário criticou o recuo do STF no caso da invalidação de medidas provisórias, bem assim o fato de ninguém do tal Poder haver "interpelado", "contestado" ou "tomado providências" contra o ex-ministro Nelson Jobim, confessadamente partícipe de articulação para incluir na Constituição de 88, da qual fora sub-relator, de dois artigos que não haviam sido examinados e aprovados pelo plenário. Não acudiu ao Sr. Novaes, ao que parece, que o recuo só STF foi justamente para que de sua decisão não decorressem maiores traumas para a sociedade, não para os políticos.  Afinal, fossem invalidadas todas as normas já vigorantes e que não teriam, em princípio, atendido aos rigores do ortodoxo processo legislativo, a insegurança jurídica e o caos estariam instalados. E quanto à ausência de "interpelação", "contestação" e "tomada de providências" do segundo caso, observo, ao Sr. Novaes, que ne procedat iudex ex officio, ou seja, que o juiz não procede de ofício (princípio da inércia da Jurisdição). 

 

Xisto Rangel xalbarelli@uol.com.br

São Paulo

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MOMENTOS DE TURBULÊNCIA

A implacável presidenta sente o influxo de ventos contrários que correm a mais de cem quilômetros horários. A vida política em sua crueza fez-lhe ver que não é feita da vontade de poder de que falavam conhecidos filósofos germânicos do século 19. Se o Executivo Federal se frustra em projetos que considera relevantes e se a federação não passa de um campo de combates entre os estados-membros, estamos a viver sob uma desordem política. Acrescente-se a crise inédita na história que abala e deprime o Poder Judiciário e podemos concluir que nuvens carregadas forjam os céus atuais de nossa vida pública.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO

Até que enfim desembargadores e juízes de 1º grau em atividade do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) receberão auxílio-alimentação no valor de R$ 29,00 (vinte e nove reais), retroagindo a 14 de abril de 2006. Como sobreviveram todos estes anos sem o referido auxílio? Demorou!

Antonio Roberto Kortz Abujamra aabujamra@uol.com.br

Itu

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A IMPRENSA, O JUDICIÁRIO E A TRANSPARÊNCIA

 

É de se discordar frontalmente das asseverações do eminente presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, de que "a imprensa enxovalha o Judiciário", porque a missão da imprensa é propiciar a transparência dos acontecimentos bons e maus em todas as esferas dos poderes da República. É com ela que o povo conta para saber das mazelas, vicissitudes ou fatos bons e benéficos ocorrentes no país. Em um regime verdadeiramente democrático inexistem castas ou pessoas isentas de apreciações, especialmente se exercem cargos ou funções públicas. É de se entender, ainda, que a imprensa tem prestado um grande serviço ao Poder Judiciário, expondo situações que precisam ser corrigidas e adequadas, a fim de que tribunais e magistrados pautem as diretrizes administrativas e éticas impostas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).  O fato de que o Poder Judiciário precisa ser prestigiado, como grande baluarte assegurador dos direitos existentes na democracia, não pode excluir, também, a situação de que deve ser criticado, quando necessário, e desde que as críticas sejam pertinentes e conforme os fatos apurados.

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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A MÍDIA

Toda democracia exige uma mídia livre e sem controles, temos lutado por isso. Como entender uma reportagem divulgada em nível nacional por um canal de TV, numa noite de domingo, que mostra de maneira explícita e ostensiva aos telespectadores imagens e documentos com provas claras, evidentes e consubstanciadas a respeito de "alguém", denunciadas por "outrem" que comprovadamente comete os mesmos "crimes" e a mídia brasileira em geral se omite, demonstrando desconhecer o fato real e verdadeiro, como se nenhuma gravidade houvesse. Nem os concorrentes diretos se manifestaram, por que será? Seria a nítida comprovação de que todos possuem "telhados de vidro"? Já decorreram cinco dias do acontecimento, permanece o silêncio e omissão da mídia nos dando a conotação de parcialidade e proteção aos envolvidos, por interesses que desconhecemos. Como exigir a liberdade de imprensa, se a própria imprensa também faz a "seleção" da notícia que lhe interessa ou não? O que é mídia livre?

 

Luiz Dias lfd.silva@bol.com.br

São Paulo

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MENSALÃO, REFÉM DO SISTEMA

Chega a ser indecente as manobras que a cada dia são engendradas pelas forças do governo, para que o mensalão, essa excrescência nacional se transforme, como disse José Dirceu,,''uma invenção da oposição''. O ministro do STF José Antonio Dias Toffoli revelou que não vê motivo para a sua suspeição no julgamento e que decidirá oportunamente. O que mais seria preciso para que o ministro seja impedido,senão vejamos: antes de ser ministro do Supremo em 2009, foi advogado do PT, assessor do então ministro José Dirceu e advogado-geral da União. Sua ex-sócia, a advogada Roberta Maria Rangel, sua atual companheira, atuou na defesa de três acusados na ação penal do mensalão. Caso típico de conflito de interesses porque se participar do julgamento estará decidindo o destino de três ex-clientes de sua companheira. Pela lei esses argumentos seriam necessários para o seu impedimento. É evidente que existe a presunção absoluta de parcialidade. Entretanto, diante do formidável aparelhamento do Estado brasileiro, onde só o Executivo reina absoluto, o que esperar desse julgamento?

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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O JUDICIÁRIO E A CRISE DA CITAÇÃO

Observo que o nosso sistema de citações e intimações é muito arcaico, logo, ineficaz e obsoleto para o século 21, que está recheado de conectividade, rede sociais, sistemas de penhora “on line”, enfim. Não podemos viver num mundo que cada vez se torna uma aldeia global depender de papeis e deslocamento humano para realizar o serviço de intimações. A título exemplificativo gostaria de ilustrar com algumas situações muito comuns. Por exemplo, um processo em uma cidade pequena do interior é muito comum um oficial de justiça conhecer o demandado e ao levar a carta de citação não tomar ciência ou mesmo emitir certidão de cumprimento do feito e por quê? Porque, como os dois vivem na mesma cidade e ela é pequena torna-se óbvio que eles tem um laço de convivência que suplanta as obrigações funcionais, veja-se que isto é cultural e eu gostaria aqui de não ser leviano ou puritano, mas, que o oficial ou servidor de qualquer segmento faz do processo e dos atos o menos imparcial possível ele o faz sim e detrimento da vida, pois o Estado não convive com ele como as partes da demanda. Outro exemplo vem das cidades grandes mesmo, quantos são os processos que empacam da distribuição até a citação ou intimação por uma única razão: falta de estrutura para o trabalho, seja por poucos funcionários, por falta de equipamento, ou por falta de TI envolvida no processo. No livro O Código da Vida do Dr. Saulo Ramos ele cita um caso que uma advogada que trabalhava para ele citou um adversário porque ela invadiu a sede da empresa em uma ambulância. Bem, como estamos vivendo a era do processo judicial eletrônico imagino ser o melhor momento para esta sugestão. Sugiro que para as citações e intimações ou abandonemos ou usemos o mínimo possível os oficiais de justiça e cartas. E passemos a utilizar o sistema financeiro e as telecomunicações. Explico-me: se uma pessoa é parte em processo e precisa ser intimada de algo o Juízo poderia manda uma ordem aos Bancos, tal qual faz nas ordem de bloqueio, através do Bacen e bloquear todas as contas até que a pessoa compareça no processo para ser intimada, e se a pessoa não aparecer em um prazo determinado ela será tida como ciente. Da mesma maneira que se faria no sistema de telecomunicações, o Juízo mandaria uma ordem de bloqueio para as operadoras de telefonia móvel ou não móvel e para as administradoras de contas de e-mail e redes sociais, e a pessoa teria um prazo para comparecer em Juízo e se manifestar sob pena de preclusão. O mais importante nesse raciocínio é inverter o dever de observação e cooperação e tornar a parte “pró-ativa” quanto a resolução do problema e não apenas o Judiciário “pró-ativo”.

José Carlos Ferreira Neto josecarlos@zfrc.adv.br

São Paulo

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MELHOR DISCURSAR

Governar é abrir estradas, dizia o Pres. Washington Luiz.  Bons tempos.  Hoje nossa presidente acha que “governar é fazer discursos”. Assim ela trata todos os assuntos. Faz  isso como fala do atual, “talvez”, desastre ambiental da Chevron, sem mencionar a falta de fiscalização, de planos para grandes desastres e a incompetência da “agência política”  ANP e do governo. E ainda, certamente não haveria problema se o acidente fosse provocado pela Petrobras. Nem precisaria mencionar.  É impressionante a falta de ação do governo, de um lado e o excesso de discursos, do outro. Mas, mesmo discursos sobre ações de governo que não sejam pequenos projetos populistas, não ocorrem. As prometidas reformas que viriam modernizar o país e reduzir o “custo Brasil”, protegendo-nos de ameaças externas, não ocorrem embora sejam imprescindíveis. E o que é mais espantoso. Dilma tinha e ainda tem como obter  o apoio de 80% do Congresso, o que nenhum governo conseguiu em passado recente. Desperdiça uma inigualável oportunidade de tornar o Brasil mais competente e eficiente, como também, criar oportunidades para uma nova geração que se prepara para um país muito mais moderno do que o nosso atual.

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br

São Paulo

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NOVO MOTOR ENCARECE CAMINHÕES?

O governo planejou com bastante antecedência a introdução do novo diesel S50 que usa menos enxofre na sua composição. Apesar disso a Petrobrás não cumpriu o cronograma do Conama, definido na Resolução 315 de 29 de outubro de 2002, que estabelecia janeiro de 2009 como prazo final. Disponível nas bombas das distribuidoras somente em 2012, as indústrias montadoras tiveram tempo suficiente para desenvolver tecnologia para que os novos motores fossem menos poluentes e mais eficientes sem encarecer o preço final dos caminhões.

Sergio S. de Oliveira marisanatali@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

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TAXA DO LIXO HOSPITALAR

O prefeito paulistano Gilberto Kassab, sem comunicação prévia, acaba de ressuscitar a Taxa Especial pelo Recolhimento do Lixo em estabelecimentos de saúde, como clínicas e ambulatórios. Um parente que é psiquiatra e tem um pequeno consultório, e não tem lixo hospitalar, também recebeu o boleto com vencimento em abril. Pelo visto, a distribuição do imposto foi generalizada a todos os médicos, e quem desejar a exclusão da cobrança deverá enfrentar a conhecida burocracia com uma "tonelada" de documentos. Será que estamos evoluindo de verdade nas práticas administrativas?

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas

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PROMESSAS E PROMESSAS

Lula prometeu ética e honestidade em seu governo, acabar com os buracos nas estradas federais (levou até pá e betume para a mídia), combater o mau uso do dinheiro público e quantas outras promessas não cumpridas. O Sr. Fernando Haddad, logo após o primeiro grande escândalo no Enem, prometeu eficiência, e logo nos dois anos seguintes, mais incompetência, prejudicando milhares de alunos em todo o País. O Sr. José Serra não cumpriu a promessa de governar a cidade de São Paulo, entretanto foi governador do Estado, caso contrário, seria possivelmente eleito o Sr Mercadante, aquele mesmo que para esconder a incompetência disse que o Brasil é muito grande para administrar.

 

Wilson Lino  wiolino@yahoo.com.br

São Paulo

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JEITINHO BRASILEIRO

Gostaria que o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, nos desse uma luz quando diz que até a Copa teremos tudo pronto com o “jeitinho brasileiro”! Faltando apenas dois anos para o evento e sem nenhuma chance que tudo fique pronto a contento eu pergunto: Jeitinho brasileiro do povo ou dos políticos? No caso do povo será dificuldade para se chegar ao evento, filas quilométricas e pagamento de entradas superfaturadas nos cambistas. Já dos políticos...

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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EU JÁ SABIA!

O próprio ministro admite que a Copa vai ser daquele jeito...

Ricardo Marin s1estudio@ig.com.br

Osasco

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COPA 2014

É uma discrepância ouvir do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, ridiculamente afirmar que o atraso "é uma questão de nossa cultura", péssima por sinal, relativizando os problemas das obras para a Copa de 2014. Segundo ele, "o brasileiro sempre dá um jeitinho" e é exatamente esse "maldito jeitinho" que mata o Brasil, pois fundamentalmente isso que nossos políticos corruptos gostam que aconteça, pois dessa forma conseguem realizar os "roubos", "desvios", "superfaturamentos" e etc., utilizando o argumento de obras emergenciais, as quais não necessitam de licitações para poder cumprir os prazos estipulados.

 

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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COMPROMISSO

Compromisso de Lula com a Fifa para atrair a Copa foi um jeitinho brasileiro.

Roberto Twiaschor rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo

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PONTO FINAL

O contrato da Fifa é claro: sem copo não tem Copa no Brasil em 2014. Ponto final.

 

J. S. Decol decoljs@globo.com

São Paulo

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O FIM DAS AULAS DE REFORÇO

É revoltante a decisão do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) de acabar com as aulas de reforço na rede estadual de ensino. Tal decisão de abandonar a recuperação trará grande prejuízo aos alunos das escolas públicas e é um retrocesso. É mais um exemplo da péssima qualidade da educação pública em São Paulo e do total descaso do governo estadual com a educação, que deveria ser a prioridade número 1 de qualquer governo sério e voltado para o bem do povo. Alckmin e o PSDB estão na contramão da história, sucateiam a rede estadual de ensino e tratam a educação dos nossos estudantes como se fosse algo sem importância, uma mera perfumaria.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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MEC X ESCOLAS PRIVADAS

Curioso que o Ministério da Educação (MEC) esteja monitorando ações das universidades e escolas privadas, tomando ações e discursos de descredenciamento , auditoria etc. etc.  enquanto o serviço público de educação no Brasil está falindo, com escolas do próprio governo sem estrutura, sem livros, professores mal pagos, onde até mesmo o dinheiro da merenda escolar para crianças famintas está sendo roubado e nenhuma providência é tomada. Vejam que o MEC quer cobrar para auditar escolas privadas. Para quê? Ganhar alguns trocados para financiar os políticos ligados ao governos e a máquina corruptora do PT. Que vergonha! O ministro Aloízio Mercadante, que parece ser pessoa correta e é o chefe do MEC, deve tomar atitudes para recuperar o ensino no Brasil e não sair por aí fazendo bravata. Ou será quê?

  

André L. O. Coutinho arcouti@uol.com.br

Campinas

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A SAGA DOS PROFESSORES

Mais uma vez os professores, de chapéu na mão, foram às ruas solicitando que se cumpra a lei do piso salarial e outras justas reivindicações. É absurda e lamentável essa situação, uma vez que o magistério, baluarte da sociedade, se vê cada vez mais desprestigiado , faltando-lhe estímulo para exercer a Docência com dignidade e profissionalismo. Infelizmente o panorama atual reflete o descaso das autoridades , o que nos leva a considerar o futuro sombrio que se avizinha; sem educação e ensino, não pode haver liberdade e progresso!

 

Ruth de Souza Lima e Hellmeister rutellme@terra.com.br

São Paulo

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O ENSINO COMO PRIORIDADE

Há várias semanas esse assunto vem sendo tratado pela imprensa, sendo que prefeitos e governos já foram a Brasília de pires na mão para dizer que não tem dinheiro para pagar tal piso. Cabe a pergunta: as Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e muitas Prefeituras aumentaram os salários dos vereadores, prefeitos, deputados e auxiliares da alta administração, em alguns casos quase que dobraram ou até triplicaram tais salários. Há casos em que esses parlamentares e assessores tem até 18º salários e muitos penduricalhos que chegam a dobrar ou ate triplicar esses valores. Que desculpa vão dar agora? Há estádios vazios, mas ainda assim continuam construindo mais arenas e quando olhamos as platéias, vazias, pois o preço e jogos não tem nenhum interesse, pois é muito melhor assistir pela TV, quando é mais seguro, uma vez que a segurança assim comprova! Nas escolas não tem mais aulas de Educação Física, pois nem professor tem. No máximo alguém joga uma bola lá no pátio para as crianças se divertirem, e nada mais do que isso. Como isso se justifica?  Educação no Brasil está no fundo do poço! Ninguém se preocupa com o valor do ensino!

Maria de Mello nina.7mello@uol.com.br

São Paulo

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MESTRES

Não sou professor, não tenho parentes nem amigos professores, mas essa é a categoria que mais merece ser a mais respeitada neste país, pois só eles podem livrar nossos jovens das drogas, e o caminho para isso é escola, muita escola, bastante escola. Aproveitando, vou descrever umas das frases da presidente Dilma em seu discurso de posse: "Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens". 

Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

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DINHEIRO HÁ

Gostaria de manifestar no jornal que assino a minha indignação com o baixo salário dos professores e com o calote dos Estados que não pagam sequer o piso salarial. Gostaria que o jornal voltasse à carga pela melhoria da educação básica. O assunto sumiu da mídia com o fim da greve dos professores e é preciso ficar em cima dos estados que sequer pagam o piso salarial! Basta de hipocrisia e conversa fiada! salários decentes resultam em professores motivados. O baixo valor do piso salarial nacional (R$ 1451,00) pago aos professores é menor do que o ganho de um trabalhador sem escolaridade básica, em SP, fazendo faxina 20 dias por mês (R$ 1.600,00 a R$ 2.000,00).  Entretanto, nem este piso mínimo é pago por governos de nove estados incluindo-se estados  “ricos” e “pobres”: Rio Grande do Sul (PT)- o menor piso do país R$ 791,00, Bahia (PT),  Maranhão (PMDB), Tocantins  (PSDB), (Amapá (PSB), Ceará (PSB), Piauí (PSB), Santa Catarina (PSB) e Paraná (PSDB). Se o Brasil quer realmente proporcionar ensino básico decente, que se comece por dobrar os salários do professorado e a processar, via Ministério Público, os governantes dos estados caloteiros. Dinheiro há, basta cortar os desvios, empreguismos e corrupção. 

 

Ises A. Abrahamsohn iabrahamsohn@uol.com.br

São Paulo 

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EDUCAÇÃO

 

O sistema educacional brasileiro sempre foi forma atroz de propaganda eleitoral ou de locupletacão dos lesadores da consciência pública. Peças sem compromisso com a verdade e com a decência. Nas últimas golfadas políticas, com longas raízes malignas, abriu-se, sem comprometimento com os resultados, as portas das universidades para ingresso de avalanche de interessados crédulos. As instituições ficaram à mercê desse turbilhão de meninos e meninas encantados pelo projeto de enganação repugnante. Não cogitaram os “salvadores da pátria” em buscar saber se os inocentes pretendentes a uma formação superior estavam em condições normais para acompanhar o curso que aspiravam. Não bastasse essa ignomínia originária da incompetência e da esperteza, foi aberta a perspectiva de ingresso facilitado a cursos superiores das classes, maldosamente, alcunhadas de “os excluídos”, “afrodescendentes” e outros ditos “desfavorecidos”. Ficam, assim, abertos novos abismos aos que foram negados estudos decentes e oportunidades de digno aprendizado regular, em época devida. A legião imensa de estudantes matriculados nos cursos superiores, a maioria que, por falha criminosa, não tem possibilidade de conseguir uma formação superior, lá vai com seu diploma submeter-se a mais uma situação de humilhação. O que fará a nação com todos esses doutores? Essa forma doentia de enganar, continua? Continuarão o ensino fundamental e médio no estado em que se encontram? Continuarão afrodescendentes e os “sem privilégios” a formar exércitos de despreparados a serem chamados de excluídos? Temos que alertar: Esse crime terá castigo!

 

Lígia Maria Venturelli lmfiora@uol.com.br

São Paulo

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RACISMO

O desafio da cota racial no ensino superior deveria ser encarado com uma pergunta básica: levando-se  em conta que judeus e mulheres estão superrepresentados nas universidades, deveríamos dar cotas a homens e a não judeus?

Iracema Palombello cepalombello@yahoo.com.br

Bragança Paulista

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A EDUCAÇÃO FORMAL ENTRE A ESCOLA E A FAMÍLIA

Muitas são as atribuições e responsabilidades incumbidas aos professores envolvidos com a Educação Formal, Pública e Privada. Há toda uma legislação que perpassa as esferas Federal, Estadual e Municipal na regulamentação, normatização e regulação das atividades educacionais. A simples menção soa enfadonha e repetitiva. Ocorre que o mundo hoje, definido por alguns como Pós-Moderno, exige uma participação “globalizada” no processo pedagógico, para além das expectativas que possamos ter sobre a capacidade profissional dos “operadores do conhecimento”. É fundamental a atitude assumida pela família. Pelo menos cinco aspectos são essenciais no comportamento familiar comprometido com o processo educacional escolar, os quais destaco a seguir, de forma um tanto imperativa, mas pertinente: Procure estimular seu filho a praticar esportes ou realizar atividades que exercitem o “trabalho em equipe”, pois esta é umas das habilidades mais exigidas no mundo do trabalho; O sucesso pessoal, escolar e profissional é conquistado mais rapidamente por pessoas que apresentam soluções criativas aos problemas do cotidiano. Incentive seu filho a estimular a imaginação a partir da leitura, do exercício da opinião sobre assuntos os mais variados, bem como assistindo a programas educativos, culturais ou de viés social; A autodisciplina e a organização do tempo para estudar, sair com os amigos, ajudar nos afazeres domésticos, navegar na internet etc., deve ser um exercício compartilhado entre pais e filhos. Organização do tempo para realizar uma ação e autodisciplina são as competências mais facilmente associadas à responsabilidade; É fundamental ter capacidades básicas como saber falar e escutar. Muito provavelmente o sucesso ou o fracasso social de nossos filhos estarão diretamente relacionados à importância que dermos ao exercício dessas habilidades em suas vidas; Por fim, é fundamental contribuir com o exercício da iniciativa nos jovens. Iniciativa se refere à capacidade de buscar soluções não com a nossa interferência, mas com o nosso acompanhamento. Iniciativa para estudar, realizar tarefas que lhe são atribuídas e se engajar em atividades que exijam comprometimento, coletivo e pessoal. De resto, dificilmente a Escola poderá cumprir bem o seu papel agindo isolada na tarefa de formar cidadãos autônomos e capazes de gerir e mudar o mundo para melhor. Ainda que essa intenção nos pareça irrelevante, o sucesso social de nossos filhos não pode ser atribuição apenas da Educação Escolar. Deve ser nossa meta, nosso compromisso, nossa tática e nossa estratégia.

Paulo César Pereira Machado paulocesar.pcmachado@gmail.com

Porto Alegre

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A GENIALIDADE E A ATUALIDADE DE ROBERTO DAMATTA

 

Roberto DaMatta é um desses autores magistrais que estudaram, criticaram, mas que continuaram apaixonados pelo Brasil no que ele tem de mais próprio: seus antagonismos, sua mistura, sua hibridização, enfim, sua miscigenação não apenas biológica, mas, principalmente, social. Não seria exagero comparar o antropólogo DaMatta com outros gênios brasileiros, tais quais Gilberto Freyre, que considerou-o um mestre, Darcy Riberio, Raymundo Faoro e Sérgio Buarque de Hollanda para ficar apenas com quatro ilustres exemplos. Em Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro (1979) DaMatta esmiúça e destaca a expressão talvez mais forte de seus escritos “Você sabe com quem está falando?”. Sim, com esta frase curta, mas carregada de simbolismos históricos, sociais e culturais, o antropólogo mergulha fundo nas relações que formam o universo brasileiro. Tendo como auxílio a monumental obra de Freyre Casa-Grande & Senzala e outros clássicos da antropologia brasileira Roberto DaMatta lembra que o “Você sabe com quem está falando?” é fruto de uma formação aristocrática, que se traduz na visão de alguns que não enxergam, ou querem atropelar o “outro”. Talvez seja por isso que o autor morou mais de doze anos nos Estados Unidos, mas voltou à pátria, pois segundo ele, o lugar de origem é aquele em que se deve morrer. Apesar de ter mais de trinta anos de publicada Carnavais, malandros e heróis ainda é uma obra indispensável para pensar e refletir sobre o Brasil. Escrevi este pequeno texto após ter observado, in loco, que a frase “Você sabe com quem está falando?” não é apenas atual, mas ela reinventa-se. Pois bem, estava há algum tempo atrás lanchando numa dessas redes de fast-food em Aracaju e não sei por que diabos começou uma discussão entre um funcionário do estabelecimento e um menino de aproximadamente 17 anos (nem me interessa saber quem estava certo ou errado na história), o que chamou a minha atenção foi que em meio a dezenas de palavrões o menino disse, ipsis literis, esta frase: “Você sabe quem é meu pai?”. Pronto, ouvi isto e não pensei em outra coisa: o “Você sabe com quem está falando?” adaptou-se, nesta ocasião, para “Você sabe quem é meu pai?”. Sendo assim, as duas expressões denotam o mesmo aspecto: através de sua formação social tão confusa, os brasileiros ainda tem dificuldade em respeitar e olhar esse outro. No caso em questão o “cliente” sente-se quase um semideus em relação ao “empregado”, numa nova versão dicotômica daquele que manda e daquele que deve obedecer, mesmo que este último seja xingado, menosprezado e tratado como um “inferior”. Isto faz lembrar outro texto famoso de DaMatta A Casa & a Rua, na qual há o “englobamento entre uma ética da “casa” fincada no prisma pessoal, familiar e doméstico e uma ética da “rua” pautada na impessoalidade, na disciplina e na lei. No entanto, ressalta o autor, o brasileiro extrapola a dimensão da casa e da rua e não sem razão possui uma ética dúplice, privilegiando, de forma cada vez mais absorvente a malandragem. As expressões ressaltadas acima (“Você sabe com quem está falando?” e “Você sabe quem é meu pai?”), duas faces de uma mesma moeda, são produtos daquilo que Gilberto Freyre destacou em sua magnum opus: uma sociedade agrária na estrutura, escravocrata na exploração econômica e híbrida na composição. O inestimável Roberto DaMatta aprofunda essas oposições e contradições e oferece em sua vasta obra pistas fundamentais para compreender a complexidade e a profundidade deste Brasil.

Roberto Oliveira Rocha ror-ocha@hotmail.com

Aracaju

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