Fórum dos Leitores

ELEIÇÃO MUNICIPAL

O Estado de S.Paulo

02 Abril 2012 | 03h06

Ele voltou

Obviamente, todos os brasileiros ficaram contentes com a recuperação do ex-presidente, até seus adversários na política. Eu também desejo que sua saúde seja prontamente restabelecida. Entretanto, não posso deixar de repudiar seu comportamento com relação ao candidato do PSDB - ou qualquer outro que não seja seu aliado - que disputará a Prefeitura de São Paulo contra seu "escolhido", mesmo sem o consenso do seu partido. Seu ataque à pessoa do candidato tucano, dizendo que "é um político de ontem com ideias de anteontem", reflete, sem dúvida alguma, seu total destempero e desequilíbrio emocional. Seu governo foi marcado por uma política fisiologista, imperando o toma lá dá cá, com distribuição de verbas públicas em volumes astronômicos para salvaguardar sua "governabilidade". Os escândalos, as tentativas de desacreditar a imprensa, os desvios de recursos para ONGs suspeitas, os cartões corporativos que limpavam o caixa no dia a dia e outras mazelas para a perpetuação no poder nos revelam, então, como é o político de hoje com ideais de hoje. E esse senhor é mestre nessa arte. Faça um favor a si próprio: vista o pijama, curta a vida com as aposentadorias que recebe, além da fortuna incalculável que conseguiu amealhar (com salário de presidente!?) e nos deixe em paz. O Brasil agradece!

CLAUDIO D. SPILLA

Claudio.Spilla@cspilla.org

São Caetano do Sul

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Político moderno

O sr. Lulla, saindo do seu quase silêncio - agora, sim, com jeito de metamorfose ambulante -, diz que é um "político de ontem com ideias de anteontem" o homem que ele reconheceu como um ótimo ministro da Saúde, imbatível naquela atividade. Político atual, para o lullopetismo, é Ideli Salvatti, que comprou 28 lanchas para o Ministério da Pesca e pediu em troca propinas para ela e para o PT na campanha para o governo do seu Estado, e até hoje nenhuma delas foi utilizada. Político de hoje são os ministros e ex-ministros do staff de Lulla que avançaram no dinheiro público - aliás 38 ministérios são para isso, voto favorável, na base aliada, dos partidos favorecidos, mais milhares de cargos públicos para proveito eleitoral. Político moderno, atual, é Antônio Palocci ou José Dirceu, que ganharam milhões nos últimos oito anos com "consultoria" - antes eram desconhecidos e não tinham patrimônio nem trabalho. Por fim, políticos atuais são sindicalistas de ontem que recebiam dinheiro da Alemanha, da Itália, etc., na segunda-feira - cerca de 6/8 milhões de dólares - no Banco do Brasil e na sexta não tinham um real na conta corrente.

CELSO DE CARVALHO MELLO

celsosaopauloadv@uol.com.br

São Paulo

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Modernidade dispensada

Interessante Lula ter ressaltado ser José Serra um político à moda antiga, felizmente, tão diferente do moderno ex-presidente, com suas ligações políticas espúrias que deram origem a tanta corrupção, fazendo Dilma refém de políticos inescrupulosos, ocupando-a tanto em resolver problemas advindos dessa herança maldita e prejudicando o cumprimento de metas prometidas antes de sua eleição. Ah, e foi o mensalão que abriu essa política, dita atual, do governo anterior, né não?

ENI MARIA MARTIN DE CARVALHO

enimartin@uol.com.br

Botucatu

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Parado no tempo

Lula voltou à política renovado, depois de forte tratamento contra o câncer na laringe, prontíssimo para atacar o candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB. Serra poderia retrucar que Lula também é um político de ontem, mas suas ideias de anteontem não são mais as mesmas. Não dizia que mudaria "tudo isso que está aí"? No entanto, turbinou a corrupção, deixando sua sucessora sem condições de governar, com tantos cargos que tem de arrumar para os aliados em paga de seus favores; enriqueceu-se e enriqueceu a família, os amigos e aliados, aumentando o quadro da elite burguesa capitalista que antes combatia; abraçou-se com o coronelismo, que promove o atraso do Brasil... Anteontem nem está tão longe assim, mas suas ideias em que ponto do tempo ficaram?

MYRIAN MACEDO

myrian.macedo@uol.com.br

São Paulo

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Órfãos de Lenin

É, Lulla já saiu do hospital atirando. Se, para ele, Serra é um político de ontem com ideais de anteontem, eu diria que Lulla e seu PT têm ideias de 1917!

CLÉA CORRÊA

cleacorrea@uol.com.br

São Paulo

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Politicossauro

Lula é um político da Antiguidade com ideias da Pré-História.

RONALD MARTINS DA CUNHA

ronald.cunha@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

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Ideias x fatos

Pelo jeito, ao dizer que Serra é um político de ontem com ideias de anteontem, Lula quer levar a disputa pela Prefeitura de São Paulo para o campo das ideias. Eu acho que Serra deve conduzir o debate para o campo dos fatos. Mensalão, morte de Celso Daniel e de mais sete testemunhas, as provas vazadas do Enem, entre outros, são exemplos irrefutáveis do que estamos vivenciando. Não são meras ideias, são a mais pura e dura realidade.

HERMÍNIO SILVA JÚNIOR

hsilvajr@terra.com.br

São Paulo

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'O desafio depois da cura'

A verdade é que Lula admite ser, de fato, o PT um partideco de um homem só. Se o "cara" se for, vai junto o PT também. Sobrarão vários urubus disputando a carniça.

ARIOVALDO BATISTA

arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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ESTADÃO ESPN

Primeiro aniversário

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo parabeniza a rádio Estadão ESPN por seu primeiro aniversário e todos os profissionais que contribuem para a cobertura diária do noticiário tão respeitado. A Fecomércio-SP defende a liberdade de expressão e vê na informação de qualidade ferramenta essencial não só para os empresários balizarem suas decisões, mas para assegurar a democracia, fiscalizar o Estado e, consequentemente, propiciar um ambiente melhor a todos os brasileiros. Assim sendo, não poderíamos deixar de comemorar essa data com vocês e prestar nossa homenagem a essa rádio que tem levado informação com credibilidade e imparcialidade aos brasileiros.

ABRAM SZAJMAN, presidente

São Paulo

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UMA ILHA DE PROTECIONISMO

A presidente Dilma prometeu que, voltando ao Brasil, divulgaria medidas consistentes de proteção à indústria brasileira, que sofre com a concorrência dos importados. Será bom que essas medidas sejam realmente relevantes e consistentes, porque quem acompanhou a Feira da Construção que ocorreu semana passada no Anhembi, em São Paulo, pôde constatar que na área da construção, uma das mais dinâmicas hoje no País, a indústria brasileira levará um tombo com a chegada dos produtos chineses. Porcelanato de ótima qualidade vendido o metro quadrado a US$ 10,00, quando o pior nacional se compra a R$ 35,00. Granito também de primeira a US$ 60,00 e tantos outros produtos, que nossa indústria nacional com certeza desaparecerá. Ontem foi a indústria do vestiário. Hoje quem exige proteção é a indústria do vinho. Vinho nacional caríssimo e de pior qualidade. Amanhã será a vez das construções e depois de amanhã? Irão transformar o Brasil numa ilha de protecionismo ou diminuirão encargos?

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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A BOLA DA VEZ

A empresária Luiza Heleno Trajano disse: “Prefiro não dizer que o Brasil é a bola da vez”. Aí é que ela se engana: o Brasil sempre foi o país da “bola”.

 

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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EMPURRANDO COM A BARRIGA

As medidas adotadas pelo governo com o objetivo de proteger a indústria nacional são ações pontuais e passageiras. A indústria nacional é extremamente competente que esbarra em um único problema: ser brasileira! A absurda carga tributária, energia elétrica caríssima, estradas precárias e as melhores do Brasil são caras demais, no Estado de São Paulo, o coração da indústria brasileira. Corte de impostos apenas para determinados setores não produzem o resultado esperado, pois as empresas que participam da produção como fornecedores continuam estranguladas. Um exemplo: o fabricante de geladeira produz apenas uma parte de seu produto e o restante é fornecido por pequenas e médias empresas que não têm incentivo fiscal. A solução é a reforma tributária que nunca vai sair, pois reduzirá a carga tributária e a quantidade de dinheiro que pode ser desviada. O problema do Brasil não é a carga tributária absurdamente alta. É o roubo constante de boa parte do que é arrecadado, uma tradição brasileira que deve ter um fim. Deve haver uma maneira de punir com o confisco dos bens e cadeia para os corruptores e os corruptos o que é impossível com uma Constituição feita sob medida para os criminosos de colarinho branco elaborada por uma grande parte de futuros criminosos de colarinho branco, em 1988. O governo Dilma está dominado pelos partidos da coligação que a elegeram e o preço que cobram é alto demais. É tudo feito tão abertamente, as ameaças e negociatas, que a fragilidade da presidente Dilma fica cada dia mais evidente, apesar de tentar aparentar total autoridade e controle da situação. Presidente Dilma, com 75% do apoio popular, é hora de enfiar o pé na jaca e colocar o Congresso Nacional de joelhos. As Forças Armadas e os 25% restantes da população estarão ao seu lado. A hora é agora de mostrar o valor da mulher brasileira, corajosa e determinada. Só não pode perder o último bonde...

 

Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br

Osasco

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PODER PELO PODER

Felizmente, para a presidente, a reunião com os 28 empresários desviou a atenção da crise política. No entanto e com a notícia dos R$ 97,8 bilhões de incentivos às empresas nos últimos seis anos, ficou uma impressão estranha, como que o pedido de Dilma para os empresários investirem será cobrado no final do ano se o país não crescer. Ou seja, em dezembro, Dilma dirá que apesar da ajuda do governo, empresários não investiram, como fora pedido e o País não cresceu. Parece montada uma estratégia. Empresários devem mencionar, no entanto, levando em conta que o governo tem 80% do Congresso sob seu controle e terá que ceder aos parlamentares suas emendas, cargos e outras vantagens mais para governar, porque não faz as reformas e moderniza o país, em vez de preparar-se para a provável derrota de seus prognósticos otimistas e políticos.  A redução da carga tributária e a melhoria da péssima infraestrutura poderiam melhorar muito nossa economia. A indústria está em queda, estamos perdendo a competitividade externa, o emprego formal estagnou, nossa mão de obra é a mais cara. Por não parecer preocupar-se com tudo isso, fica a impressão de que a pura e simples manutenção do poder é a única meta deste governo.

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br

São Paulo

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ROBIN HOOD TUPINIQUIM

Um punhado de indústrias recebeu enormes incentivos do governo federal nos últimos anos e o resultado que apresentaram foi nenhum. É provável que, de volta de sua viagem à Índia, Dilma Rousseff libere ainda mais ajuda para empresas que, apesar de grandes, mostraram-se bastante ineficientes. Jogaram fora quase R$ 98 bilhões do nosso dinheiro, que poderia ter sido investido em proveito de toda a sociedade. Não inovaram, não criaram e, pior, empregaram menos que as médias e pequenas empresas. E lá estão eles, de novo de pires na mão. Quem não tem competência, jamais deveria se estabelecer. Até quando vamos sustentá-los? Até quando governos do PT vão bancar o Robin Hood às avessas, tirando dos pobres para dar aos mais ricos?

 

M. Cristina Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

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PLANO B

Governo vem combatendo a desaceleração do crescimento com medidas pontuais, e, ao constatar que elas não estão dando o desejado sucesso, convocou a elite empresaria para pedir investimentos. Sabe-se que nos últimos anos os brasileiros gastaram mais de 2 bilhões no exterior, por causa dos preços menores e carga tributária inferior. Inflada a classe C, e com o barateamento das passagens aéreas, todos querem fazer suas compras no exterior. Enquanto as autoridades não perceberem que o problema não é a produção, mas sim o custo, nossa economia continuará a voo de galinha e com intermitências. Devemos abrir os mercados, literalmente, sem medo, e com menos protecionismo, pois que o Estado brasileiro arrecada muito, é por demais perdulário e até hoje não disse qual é seu verdadeiro papel no mundo globalizado

Carlos Henrique Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo

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PASSO ATRÁS

A prática comum dos países subdesenvolvidos volta com o governo Dilma: sobretaxa aos produtos importados. Em vez de tentar melhorar o produto nacional para competir em igualdade de condiçoes com os importados, toma-se a medida mais simples e odiosa, que é a demonstração de incompetência e incapacidade dos fabricantes nacionais. Por que não importar e ver a qualidade dos produtos feitos lá fora para tentar melhorar os produtos da indústria brasileira? Aliás, o Collor fez isso e melhorou a qualidade dos automóveis nacionais, e igualmente com os produtos da área de informática. Por que voltar atrás?

Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

São Paulo

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JOGOU PARA A PLATEIA

A presidente Dilma, ao se reunir com os pesos pesados do empresariado brasileiro no Planalto, fez o jogo do fim de feira, ou seja, mais do que perdida com a rebelião aliada, e sem vislumbrar saída para alavancar a economia, angustiada pede ajuda ao setor privado que até aqui, e por toda gestão petista foi relegado ao segundo plano. Se a presidente levasse a sério estes empresários que impulsionam a nossa atividade econômica, com todas as dificuldades que regularmente enfrentam por causa do governo federal, já teria dado mais importância para a comissão de notáveis comandada pelo Jorge Gerdau.  Comissão esta criada pela própria Dilma para ajudar a nortear as necessidades do setor privado. E agora que a vaca está indo pro brejo, a presidente quer dar a impressão que está preocupada com o mercado?! Na realidade a Dilma está confessando sua incapacidade de administrar a Nação, e apavorada com os ecos adversos vindos Congresso... E deixa transparecer que o quadro infelizmente é muito pior do que imaginamos!

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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AGUARDEMOS

“O esforço para que a aduana brasileira se torne tão eficiente quanto a americana” (B1, 23/3) está sendo ansiosamente aguardado. Será que a circunvenção – triangulação de produtos chineses via Paraguai – vai terminar? E o subfaturamento? E o conteúdo dos containeres corresponderá fielmente à documentação? E a corrupção nos portos? Para que o governo queira que as empresas brasileiras, notadamente do setor têxtil, concorram com as estrangeiras em igualdade é preciso que tais “desigualdades” sejam rapidamente eliminadas.

Flavio Marcus Juliano opegapulhas@terra.com.br

São Paulo

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BRINCADEIRA TEM HORA

Qual não foi a minha surpresa, ao ler no caderno de Economia do Estado que para (o) Banco Central, não há 'tsunami monetário' no Brasil (B1 e B8, 24/3)! Uai! Mas ela não foi dia desses para a Alemanha quebrar o pau com a chanceler Ângela Merkel justamente por razões decorrentes, segundo S. Exia., do "tsunami (sic a própria) monetário" que já estaria inundando nosso país de dólares emitidos – sem lastro, notem bem – por Barack Obama, decorrendo daí a intensa valorização do nosso real? É preciso que, entre Dilma ("presidenta"), Tombini (BC), Mantega (Fazenda) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil, esposa de Paulo Bernardo, das Comunicações) as inverdades deslavadas sejam combinadas de modo menos lúdico.  A continuar assim, logo seremos expulsos até mesmo dos Brics. Afinal, diferentemente do que o "mestre" declarou, governar não é tão fácil e divertido como ele mencionou durante uma das suas gestões. Qual delas não me lembro. Naqueles tristes tempos "u cumpanhero" falou tantas asneiras que suas somatórias fizeram com que eu perdesse a noção de tempo, distância, horários, lucidez, temporalidade, transitoriedades, etc.

João Guilherme Ortolan guiortolan@gmail.com

Bauru

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GUIDO MANTEGA E O CUSTO BRASIL

Ministro Mantega, ao invés de empreender ações quixotescas contra o dólar, ataque o problema real, o custo Brasil!   

Gustavo Guimarães da Veiga  gjgveiga@hotmail.com

São Paulo

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DIMINUIR O SPREAD

Há uma solução muito simples: diminuir a carga de impostos que torna o governo o maior sócio dos bancos, quando já não o é através de participação acionária. Diminuir o depósito compulsório também ajudaria – nem tudo que é macroprudencial não deixa sequelas. E não custa repetir: o aumento indiscriminado do crédito pode ter como consequência o aumento da inadimplência. Nossas autoridades poderiam levar em consideração esses meros detalhes, ao emitir seus sábios conselhos.

Alexandru Solomon alex101243@gmail.com

São Paulo

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PIB X INFLAÇÃO

Se deduzirmos a inflação do baixo crescimento do PIB, 2,7%, ele vai a menos que zero e fica negativo.

Mário A. Dente dente28@gmail.com

São Paulo

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SALÁRIO E PRODUTIVIDADE

 

Uma pesquisa norte-americana recente mostrou que a produtividade do trabalhador brasileiro (valor produzido por trabalhador) é das mais baixas do mundo. Na reunião da metade do Produto Interno Bruto (PIB) com a presidenta Dilma, muito se reclamou do “alto custo do trabalho no Brasil”. O pano de fundo óbvio é a critica da lei de aumento real do salário mínimo em vigor. Não sem razão, ela é, de fato, péssima: não só a correção do salário mínimo pela inflação é a forma mais geral de indexação inflacionária, como o salário não tem que crescer com o PIB, mas com a produtividade do trabalho. Mais precisamente, o salário (mínimo) tem que corresponder à “produtividade-padrão” do trabalho (a “moda”, não a média) da distribuição da produtividade no conjunto do sistema. Não se precisa perder tempo com discussões no vazio..Abre-se uma janela de racionalidade com uma pesquisa específica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que determine o valor desse salário de equilíbrio (a produtividade-padrão) na economia brasileira atual. A surpresa é que, mesmo devendo ser bem maior do que o de hoje (apesar de todos os aumentos recentes ainda não voltamos ao valor real de 1945) pode se tornar pequeno, como fator indutor do crescimento sustentado, com maximização do lucro e do investimento produtivo. E grande aumento da produtividade do trabalho. Por que o IBGE não faz essa pesquisa?

 

Rogério Antonio Lagoeiro de Magalhães lagorog@uol.com.br

Teresópolis (RJ)

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SÓ ABRINDO O BICO

O governo brasileiro após constatar que a indústria brasileira terminou  o ano 2011, com um avanço “fantástico” de 0,3% na produção industrial, resolveu socorrer o setor  com desoneração da folha de pagamentos, isenção de Imposto sobre operação  financeira (IOF) para exportadores... No mês de março, os trabalhadores com carteira assinada, tiveram de pagar o "imposto sindical" anual, no valor correspondente a um dia de trabalho, e as empresas também terão um "impostinho" descontado sobre o capital social. O governo federal só pensa em isentar os impostos, quando as indústrias brasileiras começam a "abrir o bico"! E os trabalhadores com carteira assinada continuarão financiando uma infinidade de sindicatos de fachada?

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas

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REANIMAR A ECONOMIA

O ministro da fazenda, Guido Mantega, desejando reativar e reanimar a economia, prorroga e libera diversos produtos com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que excelente ideia! Mas pelo visto deve ter esquecido de reduzir o IPI dos livros didáticos que são importados da China por serem mais baratos do que os fabricados em nosso país, devido a enorme carga tributária. Essa redução de imposto é o mesmo que fazer favor ou "média" com boa parte do que pertence aos Estados e municípios. Em ano eleitoral, é o mesmo que fazer "gentileza" com o "chapéu" dos outros, isso que é esperteza. Gostaram?

 

Luiz Dias lfd.silva@bol.com.br

São Paulo

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EDUCAÇÃO

As medidas apontadas pelo Sr. Rubens Barbosa (Percepção Externa, 27/3, A2) são realmente necessárias para restabelecer a competitividade da indústria brasileira. Mas não são suficientes. Há décadas, a China tornou-se o país que forma mais doutores do que os Estados Unidos da América. O que há na China não é milagre; o que há, é uma estratégia nacional de desenvolvimento, do mesmo modo que em outros países do Leste Asiático, que também adotaram sistemas modernos e eficazes de educação dos seus povos. Ao retirarmos o termo "escola" do Programa Bolsa Escola, passando a distribuir dinheiro sem contrapartida, nós o transformamos em Bolsa Esmola e criamos uma bolha de consumo, alardeando o acesso das classes mais pobres ao mercado (note-se, acesso devido, exclusivamente, a um dinheirinho no bolso). Não havendo mais, nos últimos nove anos, a obrigação de manter os filhos na escola, uma geração de crianças brasileiras já está perdida, sem formação, o que acarretará um desfalque de profissionais qualificados, em todos os níveis, já no futuro próximo. O Brasil precisa tomar consciência de que distribuir renda não é simplesmente dar esmola; é dar formação ao cidadão, para que este possa participar do processo de criação da riqueza, da qual uma parte lhe caberá por direito. Sem isto, continuaremos inadequados para a disputa do poder neste mundo extremamente competitivo, sem ao menos tirarmos da miséria milhões de patrícios nossos... mas, que bom, continuaremos deitados eternamente em berço esplêndido.

Carlos Pacheco Fernandes Filho c-pacheco-filho@uol.com.br

São Paulo

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CAI O NÚMERO DE LEITORES NO BRASIL

Pesquisa revela a queda do número de leitores no Brasil, nos últimos anos. Pior: 75% dos brasileiros jamais pisaram em uma biblioteca e 85% deles tem a televisão como principal fonte de lazer e entretenimento. É um triste retrato da nossa pobreza e indigência cultural. Já dizia Monteiro Lobato que 'um país se faz com homens e livros'. No Brasil, faltam ambas as coisas. A programação da TV aberta é de péssima qualidade, dominada pelo lixo cultural, com suas novelas, os 'big brothers' da vida, programas de auditório, noticiário policialesco, etc. Um país que produziu gigantes da literatura mundial como Machado de Assis, Érico Veríssimo, Guimarãees Rosa, Jorge Amado, Euclides da Cunha, José Lins do Rego, Nelson Rodrigues, entre tantos outros, não pode ler tão pouco. O gosto e prazer da leitura começam em casa, na família. Se os pais só assistem TV e nunca abrem um livro, fica complicado. A escola deveria incentivar o prazer da leitura aos jovens. É preciso uma política pública cultural de incentivo e fomento á leitura. Um bom livro é um verdadeiro tesouro para quem o lê. Quem ama a boa literatura, está sempre bem acompanhado e nunca está sozinho.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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PERGUNTAR NÃO OFENDE

Estudo revela que cerca de 75% dos brasileiros jamais pisaram em uma biblioteca. E qual será o porcentual dos brasileiros que nunca pisaram num bar?

 

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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O AUTORITARISMO DO CNE

À parte a verborragia intelectualoide progressista, a Resolução n.º 2 do Conselho Nacional de Educação (CNE), comentada em editorial de 29/3, incorre no maior dos erros de definição curricular, como apontado, que é a fixação obrigatória das matérias que deverão ser cursadas, uma grade monolítica de nove matérias para o ensino médio, sem diversificação que enseje a opção do aluno segundo seus pendores intelectuais, sua vocação e seus talentos inatos, correspondente à própria natureza do homem. No momento em que a extinta URSS definiu que todos os seus cidadãos deveriam ser engenheiros, começou a ruir. Alguns sistemas de ensino superior dos países desenvolvidos admitem que um candidato zere em determinado matéria,  porém ingresse nas universidades para absorver os conhecimentos de outras vertentes do pensamento que lhe são empáticas – numa prova básica que em nada se assemelha ao nosso nefando vestibular.  Em suma, de um lado, a Resolução desfila uma propedêutica retórica e, de outro, assenta um indisfarçável autoritarismo, como sói acontecer nas correntes esquerdistas.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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‘TOLICES CURRICULARES’

Os fatos narrados no editorial Tolices curriculares (29/3) são estarrecedores! A presidente Dilma precisa urgentemente voltar sua atenção para o Ministério da Educação e ver o que anda ocorrendo por lá. Afinal, o futuro do Brasil poderá estar irremediavelmente comprometido deixando a formação de nossa juventude em mãos tão irresponsáveis.

José Elias Laier joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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BRASIL É O 18.º EM SALÁRIO DE PROFESSOR

“Viva o Canadá. que sabe valorizar o mais nobre das funções – ensinar.” Uma pesquisa realizada com instituições públicas de ensino superior de 28 países apontou que o Canadá é o país que melhor paga seus professores universitários, com a média salarial de US$ 7.196 (R$ 13.024). Já o Brasil ocupa a 18ª posição. A remuneração média nacional para a categoria é de US$ 3.179 (R$ 5.753). O estudo – realizado pelo CIHE (Center for International Higher Education) do Boston College e pelo Laboratório de Análise Institucional da Alta Escola de Economia da Universidade Nacional de Pesquisa de Moscou – empregou o índice de paridade de poder de compra para comparar os salários, o que leva em conta o custo de vida de cada país. É esse critério, segundo os pesquisadores, que explica, por exemplo, a África do Sul e a Índia estarem na frente da potência norte-americana. No ranking, a China aparece na 26ª posição, com remuneração média de US$ 720 (R$ 1.303). A Rússia na 27ª colocação paga em média US$ 617 (R$ 1.116). O país em último lugar é a Armênia: US$ 538 (R$ 973). No levantamento que analisa os estágios da carreira, o Brasil é o país com a 5ª maior desigualdade salarial. Podendo um docente em fim de carreira ganhar, em média, 2,4 vezes mais que um professor iniciante. Seria interessante saber a disparidade que há entre os professores do ensino superior e os da educação básica. Isso sim é uma vergonha, pois, a despeito do baixo posicionamento dos professores universitários nesse ranking internacional de vencimentos, a universidade pública brasileira recebeu nos últimos anos um suporte relativamente aceitável do Estado, enquanto que nas escolas, os professores e a educação afundam. Não adianta ter o mundo encantado da academia brindando e na linha de frente do ensino nacional ver os professores quase que pagando para dar aulas. Pensem mais sobre isso.

Antônio Dias Neme antonio.neme@superig.com.br

São Paulo

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ELEIÇÃO MUNICIPAL

O ex- presidente Lula já está liberado, pelos médicos, para começar a trabalhar. Agora, ele já pode iniciar a campanha do seu candidato Fernando Haddad. E tenho absoluta certeza de que a senadora Marta Suplicy vai ajudar a elegê-lo. Com esses dois cabos eleitorais, o candidato do PT, certamente, vai subir nas pesquisas, porque, atualmente, ele está com 3% das intenções de voto.

Olympio F. A. Cintra Netto ofacnt@yahoo.com.br

São Paulo

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A DOENÇA, A CURA E A VOLTA À POLÍTICA

“Vou voltar à vida política porque acho que o Brasil precisa continuar crescendo (...) e melhorando a vida de milhões e milhões de brasileiros”. Lula, fazendo-se onipotente, como sempre, ignorou que Deus o castigou por falar demais, sempre, inclusive agora, com seu pronunciamento demagogo. Deus o perdoe e que ele absorva a lição.

 

Cyneu Almeida Bessa cyneubessa@hotmail.com

São Paulo

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‘POLÍTICO DE ONTEM COM IDEIAS DE ANTEONTEM’

Culpa do milagreiro FHC, que, além de curar o tumor do ex-presidente Lula, despertou nele o bem senso nos seus disparos contra José Serra.

Sergio S. de Oliveira ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

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CASO DEMÓSTENES TORRES

Se Demóstenes  Torres (DEM-GO) convencer  a todos de sua inocência diante dessa avalanche de evidências  contra sua pessoa, eu começo acreditar em teoria da conspiração.

 

José Marques seuqram.esoj@bol.com.br

São Paulo

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É GRAVE

O tetrapresidente do Senado, José Sarney, classificou como "graves" as denúncias contra o senador Demóstenes Torres... Mais parece "o roto falando do esfarrapado". Só ele? E os outros envolvidos, vão continuar na "boa"?

 

Maria Teresa Amaral mteresa0409@estadao.com.br

São Paulo

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ERRO

Apesar de pertencer a um partido que não me cheira muito bem, o senador Demóstenes Torres conseguiu me enganar direitinho. Com aquele seu jeitão sério, sisudo e até “caxias” em excesso,  me fez acreditar que era um dos raros políticos com lisura e livre de envolvimento com falcatruas. Mas, pelo que está sendo divulgado, quebrei a cara. E cada dia vai aumentando mais a desconfiança com o político brasileiro.

Habib Saguiah Neto saguiah@mtznet.com.br

Marataízes (ES)

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JOGOS ILEGAIS

O senador Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira estão no olho do furacão e isso pode ter um motivo mais simples do que a sua desgraça em si. Pode ser encontrado nas entrelinhas como o ponto de partida na estrada da corrupção que talvez os tenha os unido: o jogo proibido. Fora da esfera do que possa acontecer aos dois vale lembrar que no Brasil o chamado jogo de azar é proibido por lei mas o Estado monopoliza o jogo, via Caixa Econômica, utilizando recursos eletrônicos que não dão certeza de transparência. É uma ótima oportunidade para se começar a debater a liberação do jogo.

Roberto Cabral cabralhoje@bol.com.br

São Paulo

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DIFÍCIL ACEITAR

É difícil aceitar que um parlamentar da qualidade e do nível de Demóstenes Torres tenha de interromper o seu mandato por ter se envolvido com o empresário dos jogos de azar, o Carlinhos Cachoeira. O pior, ainda, é acompanhar pela imprensa e pela TV os petralhas e seus aliados esbravejarem-se, pedindo a condenação e a cassação do senador no Conselho de Ética do Senado, onde os seus julgadores e outros parlamentares governistas provavelmente estão envolvidos em falcatruas e corrupções. Há até ministros do governo com culpas maiores, caso de Fernando Pimentel,  e até agora nada aconteceu. Não se esquecendo também do mensalão.

José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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DEMO

Como diria o Vão Gogo: Só me faltava um   Demo nestes   dias.

Christiano Stockler das Neves Neto christockler1@gmail.com

São Paulo

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MUITO QUE VER AINDA

E eu, que achava que já tinha visto muita coisa, ou quase tudo, vejo agora o senador Demóstenes Tôrres, o impoluto, saindo pela porta dos fundos da Casa. Não vi é nada!

 

José Piacsek Neto bubapiacsek@yahoo.com.br

Avanhandava

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OS CONVICTOS E O IRÃ

E lá foi, novamente, um mandatário brasileiro – no caso, mandatária, a ‘presidenta’ – a dar conselhos à comunidade internacional sobre o Irã. “Baixem a retórica”, pregou Dilma, qualificando de “extremamente perigosa” as sanções internacionais para conter a notória escalada bélica do país dos aiatolás, que pretende, claramente, adquirir capacidade bélica nuclear. Lula, seu predecessor, também já fizera sua parte na turma do “deixa disso”, ao se aproximar do tirano Mahmoud Ahmadinejad e com ele trocar figurinhas à sombra das novas centrais atômicas com as quais, mui provavelmente, pretende “riscar Israel do mapa”.  Sinceramente, não sei que tipo de informação dispõe o governo brasileiro que lhe dê tanta certeza sobre os fins eminentemente “pacíficos” do Irã no que concerne à energia atômica. Afinal, não “bate” com o que tem dito seu presidente nos fóruns globais, especialmente quando ameaça Israel – o que não se cansa de fazer.  O Brasil é calouro no clube das maiores economias, e, como um novo rico, já “se acha”. Nem resolver os problemas de segurança internos consegue, mas quer dar pitaco em questões de segurança global  mundo afora. Os ‘profissionais’ do ramo, todos ‘cobras criadas’,  calejados pelas agruras de outros tempos, por guerras, etc., sabem perfeitamente com o que estão lidando, até porque já viram filme parecido antes. Mas o Brasil, nas mãos do PT, acha que sabe mais que os serviços de informação americanos, europeus e israelenses juntos.  Para a Europa e EUA  “extremamente perigoso” não seria a aplicação de sanções ao Irã, mas,  sim, não fazerem nada para conter a escalada e, um belo dia, acordarem seus líderes de madrugada com a notícia de que os outrora “pacifistas” persas de que Dilma e Lula tanto falavam, resolveram testar seu novo brinquedinho a bordo de um daqueles mísseis balísticos de longo alcance. Nesse dia, o que dirão Dilma e Lula?

Silvio Natal silvionatal49@yahoo.com.br

São Paulo

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DILMA FALOU GROSSO NOS BRICS

Ou tratem melhor o Irã (o G7, evidentemente), ou... Agora, sim, é boneco do Lula ventríloquo!

 

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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LEI SECA

Como tudo neste país, as facilidades para ludibriar e levar vantagens sobre qualquer irregularidade cometida só favorecem o infrator. Mesmo que o resultado do comportamento possa gerar mortes no trânsito, como temos nos deparado ultimamente, e com freqüência. Portanto, qual a finalidade da "Lei Seca"? Se o motorista flagrado alcoolizado tem o direito de se negar a efetuar o teste do bafômetro e até o exame de sangue, para não produzir provas contra si, e desta forma não poderá ser incriminado, isso só vem provar que nossa Justiça é "arcaica", "obsoleta", "inativa" e "parcial", só beneficiando criminosos e infratores! Temos pena de quem dela depende. Desde um inútil e achacador advogado aos tribunais.

 

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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BAFÔMETRO E EXAME DE SANGUE

Como sempre, Justiça a favor dos bandidos!

 

Luigi Vercesi luigiapvercesi@r7.com

Botucatu

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A CONHECIDA IMPUNIDADE

 

Desastrosa, lamentável, vergonhosa, repugnante, odiosa, instigante, pecaminosa, insensata e todos os demais adjetivos existentes para classificar a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de jogar a culpa por um estupro em nossas crianças, deixando o estuprador livre, leve e solto. Para onde estão querendo levar nosso querido Brasil?

 

José Alberto de Paiva alpai12@yahoo.com.br

São Paulo

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ESTUPRO

Não pertenço a nenhuma religião de fanáticos, mas infelizmente o STJ dizer que quem mantém relações sexuais com menores de 14 anos pode não ser estupro é no mínimo uma indecência. Data vênia, ministros, pensem nas suas netas.

Kaled Baruche kbaruche@bol.com.br

Belo Horizonte

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CRIME E SEXO

Muitos dizem e repetem que o Brasil precisa ser passado a limpo? No caso da sentença em relação ao estupro de menores de 14 anos, realmente não só deve e precisa ser passado a limpo, como os nobríssimos ministros precisam ser também reciclados. Achar que uma pessoa com menos de 14 anos tem, mesmo com a internet que nos assola, toda a malícia sexual de um adulto é, no mínimo, indecente. Se os famigerados di menores não podem ser responsabilizados por matarem a rodo, por que alguém com menos de 14 anos pode ser um expert em sexo? Qual será o fim disso? Lamentável em todos os tópicos e quesitos.

Asdrubal Gobenati asdrubal.gobenati@bol.com.br

Rio de Janeiro

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INCOERÊNCIA DO STJ

 

O mesmo STJ que isenta o “bebum” de assoprar o bafômetro para não comprovar sua culpa é o que condena o cidadão que se nega a fazer teste de DNA para comprovação de paternidade. Apenas que, nesse último caso, o cidadão, com a recusa, se confessa culpado. Com certeza o STJ tem explicações sobre essa incoerência que, mais uma vez, o cidadão não ira entender.

 

Erico L. S. Pereira erico_ooo@yahoo.com.br

Valparaiso

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DEFESA DOS INDEFESOS

 

Tramita junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 54 que trata do aborto dos anencéfalos. Antes de avançar na questão propriamente dita, é importante ressaltar que não se pretende, no assunto a que ora se propõe abordar, apresentar alegações com conotação religiosa. Aliás, muitos argumentos com forte embasamento científico em casos que são submetidos ao Judiciário – em outras questões, por exemplo, também sobre bioética como foi o caso das células-tronco embrionárias humanas – infelizmente têm sido objeto de tentativas de desqualificação com a injustificável motivação de que são religiosos. Ainda que a religião e a ciência não se excluam, o que se pretende nas linhas seguintes é relacionar algumas razões, dentre tantas existentes, eminentemente científicas para a defesa a vida, mesmo que não longa, do anencéfalo. As investigações científicas apontam no sentido de que, em razão de o anencéfalo manter preservadas diferentes partes do encéfalo (tronco encefálico, região talâmica e, inclusive, porções do córtex cerebral), há regiões responsáveis pelo controle automático de funções viscerais como os batimentos cardíacos e a capacidade de respirar por si próprio, ao nascer. Nessa linha, convém recordar a conhecida história de Marcela de Jesus Galante Ferreira que, mesmo com a sua limitação decorrente da anencefalia,alimentava-se, ouvia, sorria, chorava, reagia, sempre ao lado de sua dedicada mãe Cacilda. Viveu até ter completado um ano e oito meses. Por óbvio, não é demais salientar que, se eventualmente, assim como em qualquer outra gravidez, ocorrer algum risco de morte para a mãe, há autorização da legislação brasileira para a realização do aborto (artigo 128, inciso I, do Código Penal). Adentrando, então, na seara jurídica, vale recordar o de que o Brasil é signatário da Convenção Americana de Direitos Humanos, o denominado Pacto de São José, que prevê, expressamente, em seu artigo 4º, item 1, o direito à vida desde o momento da concepção. A nossa Constituição Federal, por sua vez, dispõe que o Brasil em suas relações internacionais rege-se pelo princípio da prevalência dos direitos humanos (art. 4º, inciso II) e reconhece como direitos fundamentais também aqueles previstos em tratados internacionais em que seja parte (art. 5º, § 2º). Nesse sentido, espera-se que o STF, a mais alta corte da justiça brasileira, no julgamento da ADPF nº 54 faça valer esse entendimento, ratificando o já adotado sobre a aplicação do Pacto de São José há não muito tempo na questão envolvendo a prisão civil do depositário infiel. De qualquer forma, a competência da Corte Interamericana de Direitos Humanos em todas as situações referentes à interpretação ou aplicação do Pacto de São José sempre estará resguardada. Por certo que não se desconhece todo o sofrimento da mãe e dos familiares envolvidos na situação, de modo que, além de uma legislação que continue vedando a possibilidade do aborto do anencéfalo, impõe-se a necessidade de o poder público prestar-lhes toda a assistência (psicológica, material, etc.) que se fizer necessária. A evolução da medicina em muito tem contribuído para com toda a humanidade. Entretanto, temos de ter o cuidado para não seguirmos a perigosa trilha da seleção de nascituros conforme suas imperfeições externas, quando, na verdade, teríamos de cuidar mais, isto sim, das imperfeições internas de todos nós. Caso contrário, não sabemos aonde poderemos parar, não é mesmo? Devemos, pois, empreender uma luta em favor daquelas indefesas vidas humanas que são as dos anencéfalos.

 

Marcos Vinicius Severo da Silva marcosviniciusseverodasilva@yahoo.com.br

Porto Alegre

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