Fórum dos Leitores

ELEIÇÕES

O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2012 | 03h06

O ocaso da estrela

Estrelas assemelhadas ao sol nascem pela junção de gases e poeira cósmica. Posteriormente, por mudanças estruturais, aumentam de tamanho e se tornam "gigantes vermelhas". E em seu ocaso se transformam em "anãs brancas", com baixa luminosidade. A estrela vermelha, símbolo do PT, segue esse mesmo ciclo. Ela nasceu da junção dos gases exalados pelas chaminés das fábricas, onde laboram operários, com a poeira do meio rural, onde labutam campesinos. Posteriormente, por uma nefasta estruturação com a cleptocracia, agigantou-se e conquistou o poder. E agora, em seu ocaso, apequenada pelo escândalo do mensalão, transforma-se, a olhos vistos, numa "pálida anã moral". Após as próximas eleições, mesmo com telescópio, será quase impossível avistar, no céu do Brasil, a estrela vermelha do PT.

TÚLLIO MARCO S. CARVALHO

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

O fim do lulismo

Vai-se desfazendo rapidamente a imagem que o ex-presidente Lula da Silva construiu de si mesmo no poder e que parecia indestrutível. As dificuldades eleitorais que os candidatos por ele impostos ao seu partido enfrentam em várias capitais são uma demonstração de que, menos de dois anos depois de deixar o poder com índice inédito de popularidade, pouca valia tem seu apoio. A isso se soma a substituição gradual, por sua sucessora Dilma Rousseff - também produto de sua escolha pessoal -, de práticas e políticas que marcaram seu governo. Concretamente, o fracasso da gestão Lula está explícito no abandono, na paralisia, no atraso e na dificuldade de execução de seus principais planos, anunciados como a marca de seu governo. Eles vão, de fato, moldando a marca de seu governo: a do fracasso. Agora é a hora de investigar a sua passagem pela Presidência da República.

CARLOS ALBERTO S. DE QUEIROZ

soares.queiroz@terra.com.br

São Paulo

Fora da lei?

Num comício em Mauá, Lula lançou a candidatura de Dilma à reeleição em 2014. Não é contra a lei fazer propaganda eleitoral para presidente fora de época?

JOSÉ MARQUES

seuqram.esoj@bol.com.br

São Paulo

Voto consciente

Nas próximas eleições o eleitorado precisa estar atento à vida pregressa dos seus candidatos. Não se tolera mais que fichas-sujas sejam levados ao poder. O resultado das escolhas erradas dos eleitores é o que estamos vivendo hoje, uma verdadeira balbúrdia na política. Ninguém é obrigado a ser rico ou sábio, mas todos têm o dever de ser honrados. E o voto consciente é o primeiro passo para pôr ordem na política e acabar com essa desmoralização.

IZABEL AVALLONE

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

CORRUPÇÃO

Piada de salão

Incrível a falta de lógica demonstrada nas palavras de Lula, que em plena campanha por Fernando Haddad declarou que o julgamento do mensalão não é vergonha e conclamou a população a sentir orgulho do combate à corrupção nos seus dois mandatos, completando: "No nosso governo as pessoas são julgadas e as coisas são apuradas". Diante dessas afirmações, pergunto: será que o ex-presidente desta vez se metamorfoseou no relator do processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa? Essa, sim, parece ser uma piada de salão.

PAUL FOREST

paulforest@uol.com.br

São Paulo

Joio

O julgamento não é vergonha, de fato. Vergonha é o mensalão!

A. FERNANDES

standyball@hotmail.com

São Paulo

Quem é o objeto indireto?

Quem se lembra das aulas de Português conhece o verbo transitivo direto e indireto: quem recebe recebe alguma coisa de alguém. Ao observar esse aspecto, o ministro Marco Aurélio Mello traz a boa expectativa de que desta vez, em havendo crimes, haverá finalmente criminosos. De quem os parlamentares envolvidos no processo do mensalão receberam o dinheiro já reconhecido como público? Eis a questão! E, num alento ao povo brasileiro, vem a ministra Cármen Lúcia firmar sua crença na existência de políticos corretos, dizendo esperar que o jovem não desacredite da política. E eu acrescento, com a máxima vênia, aludindo ao mesmo desejo, que para que isso ocorra é necessário que a justiça seja feita, pois um país onde não há justiça é sempre e inevitavelmente um país de bandidos. E só a justiça, em seu mais puro, belo e legítimo exercício, pode dar ou devolver essa crença aos jovens. Muito se tem feito nos últimos dias para desqualificar ou intimidar os ministros do STF. Porém a atitude de S. Exas., em sua maioria, permanece irretocável, irrepreensível, numa ação constante dentro dos autos, das leis, da competência, sem heterodoxias, como alguns querem fazer crer. Tenho a certeza de que os jovens, hoje, estão reformulando as suas convicções. É o futuro se iluminando para todos os brasileiros?

MYRIAN MACEDO

myrian.macedo@uol.com.br

São Paulo

Filigranas jurídicas

Parabéns ao ministro Luiz Fux, objetivo, franco, claro, conciso e preciso ao condenar os réus na última sessão do julgamento do mensalão. Válidas e respeitáveis as interpretações outras, o contraditório, a reflexão, data venia, notadamente de ministros já sabidos quanto ao envolvimento passado (com acusados), até em conflito de interesses, e seus veredictos e dissimulativas filigranas jurídicas. Ao que parece, a estratégia agora é/será: se (os réus) vão ser condenados, tentar diminuir as penas, pois, afinal, nada fizeram de maior gravidade, apenas um ou outro item de menor penalidade, culminando com a decadência ou a "indecência" de não serem presos. E a grana quando voltará, para a saúde, a construção de escolas, creches, etc.?

LUIZ A. BERNARDI

luizbernardi@uol.com.br

São Paulo

Formação de quadrilha

Alguns corruptos do mensalão podem até não se enquadrar no tipo penal do crime de formação de quadrilha, conforme os respeitáveis votos das ministras Cármen Lúcia e Rosa Webber. Afinal, a compra da consciência deles - se é que a têm - pode ter-se dado entre um dos chefes da quadrilha e cada um dos que a venderam isoladamente. Mas daí a pensar que José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino, os responsáveis pelas compras efetuadas para a formação do "bando" - que no conceito popular é muito maior que "quadrilha" -, não praticaram o crime de formação de quadrilha ou bando, nisso nem Chapeuzinho Vermelho acredita.

WELLINGTON S. LEAL SANDIM

w.sandim@terra.com.br

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

VEXAME

Depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, insistir em que o Brasil cresceria 4% em 2012, baixando depois para 3,5%, o Banco Central (BC) finalmente anuncia sua previsão de 1,6%, que é ainda superior ao que o mercado prevê. Durante os anos de 2011 e 2012, a grande maioria dos analistas brasileiros e até estrangeiros sugeriu ao governo mudança na política econômica, o que só ocorreu, timidamente, muito recentemente. E, ainda, para desânimo dos investidores, com um avanço da presença do Estado. Infelizmente, o Brasil será o pior dos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) neste ano, crescerá a metade do penúltimo colocado no grupo. Pior ainda: ficamos abaixo dos Estados Unidos, que deverá crescer 2,1% e que enfrenta gravíssima crise econômica, com alto desemprego. O que deu errado? O governo deu mais atenção à política e exerceu sua administração com elevado grau de popularismo, teor ideológico inadequado, mau gerenciamento e lentidão. Estragou o belo caminho que o País poderia seguir e desculpa-se alegando a crise econômica internacional. Má desculpa. Países muito mais inseridos no comércio mundial do que nós e que deveriam ter sido, portanto, mais atingidos cresceram mais do que o Brasil, como os citados Brics. O grande exemplo da má administração dos governos petistas está na Petrobrás, com um imenso prejuízo, sem atingir as metas de produção, sem condições de executar projetos, cancelando investimentos por falta de capacitação gerencial e financeira, um verdadeiro caos em termos de gestão, direcionada politicamente. O "petróleo é nosso", decretado há mais de meio século, ainda está no fundo do mar, ainda importamos combustíveis.

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br

São Paulo

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PIB E INFLAÇÃO

Quando será a demissão do ministro Mantega? Ele nunca acerta nas previsões, além de dar outras mancadas, alvo de chacotas e piadas no meio econômico - e olhem que já faz tempo! Para 2012, ele estimou o Produto Interno Bruto (PIB) de 4%, sendo que a última previsão já caiu para 1,6%. A meu ver, será de -1,4% (negativo), uma vez que devemos descontar o crescimento da população em média de 3% ao ano, certo? Quanto à inflação, cada trimestre que fecha ela sobe 0,5 ou 1,0 ponto porcentual, em comparação com a estimativa inicial, com previsão para fechar 2012 em 5,5%, números oficiais - porque os números reais são bem maiores, como podemos sentir em nossos bolsos cada vez que vamos ao supermercado ou à feira. Mais um ministro que não faz nada correto e não ajuda o País em nada para o crescimento necessário. Pobre Brasil, nas mãos destes amadores PeTralhas.

Antonio Carelli Filho palestrino1949@hotmail.com

Taubaté

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ÊTA HERANÇA MALDITA!

O Banco Central divulgou na semana passada a projeção de um PIB para este ano de 1,6% e uma inflação fora da meta, de 5,2%, por causa da alta dos alimentos, que são de necessidade básica para quem se dá ao "luxo" de querer se alimentar. Esses números se aproximam de uma estimativa feita meses atrás por uma instituição financeira suíça, quando, então, Guido Mantega se irritou imensamente com a previsão. Mantega já deveria ter sido exonerado por incompetência crônica faz muito tempo! Sofre de intempéries mentais, quando o contradizem, mesmo sendo o que os outros dizem sendo a mais pura verdade, somente não vendo quem não quer. Essa é, de fato, e grande herança maldita deixada por Lula e fermentada por Dilma Rousseff e toda a máfia petista que aí está degradando o Plano Real ao seu nível mais baixo possível e imaginável. Antes tínhamos um rumo, um norte, agora o Brasil é uma nau sem rumo, fazendo água por todos os lados, sem um capitão para nos salvar de um naufrágio iminente! O PT de Lula, Dilma, Dirceu, Genoíno, Humberto Costa, Palocci, João Paulo Cunha, Haddad, Marta, Delúbio, Falcão e tantos outros "ilustríssimos" nos jogou na lama e está se divertindo com tudo isso assolando o País com mentiras, falcatruas, mensalões, obras que nunca irão terminar, falsas promessas nunca cumpridas, divertindo-se à nossa custa com viagens que os levam para somente fazerem turismo e receberem títulos de "doutor honoris causa", a troco de que não sei. Este é o Brasil do PT de Lula e sua corja toda, uma vergonha internacional! Abram os olhos, cuidado com eles, sempre te enganaram e, se continuarem no poder, vão continuar te enganado e roubando!

Boris Becker borisbecker@uol.com.br

São Paulo

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NO TRANCO

Ao que tudo indica, em 2012, o crescimento de nossa economia tenderá para o nível classificado, há bem pouco tempo, como "piada" pelo ministro da Fazenda e como reflexo da visão pessimista e negativa dos europeus, pelo ministro do Desenvolvimento. Vale notar as tentativas para fazer a economia "pegar no tranco", alternadas com as aulas de condução da política econômica, graciosamente ministradas pelos nossos dirigentes aos recalcitrantes líderes europeus e norte-americanos, pouco dispostos a abeberarem-se nessas fontes de sabedoria. O professor Rogério Werneck listou algumas dessas iniciativas no seu artigo de sexta-feira (Improvisação e imediatismo, página B2). Não se colocam em dúvida as boas intenções, apenas é o caso de se discutir a aleatoriedade das medidas. Não custa lembrar alguns episódios. No passado, Lula tentou convencer a Vale a se dedicar à fabricação de produtos siderúrgicos, isso num mercado que já dava mostras de saturação, com capacidade ociosa etc. É conhecido o preço pago pela (salutar) desobediência. É visível a "mão invisível" que, ao proibir os reajustes de combustíveis, em prol da nobre causa do combate à inflação, prejudicou a Petrobrás. Não adianta dizer que a principal causa do recente prejuízo trimestral foi a variação cambial, por duas razões. A primeira é que essa variação cambial adversa e resultado da flutuação "em qualquer direção da nossa moeda, desde que seja para cima". A segunda é que o impacto produzido pelo câmbio não afeta de imediato o caixa da empresa, ao passo que o "controle" dos preços impacta diretamente a capacidade de investir. O resultado disso foi sumarizado pela presidente Graça Foster, quando afirmou que as cotações das ações da estatal estão deprimidas. Deprimidos também devem estar os investidores. Todos queremos uma Petrobrás forte, mas com seus investimentos garroteados por uma bem intencionada imposição quanto ao conteúdo nacional - que faz lembrar a famigerada Lei da Informática, de triste memória -, as dificuldades são óbvias. Ao invés de arbitrar 65%, uma transição suave em direção à meta seria preferível. Vale lembrar que na megacapitalização da Petrobrás, a participação do governo se deu em barris de petróleo, o que encorpa os ativos da empresa, mas não "vitaminam" sua capacidade de investir. As modificações nas regras do jogo no setor das elétricas, exageradamente rotuladas como sendo "um rasgar de contrato", sem chegar a esse extremo não são exatamente um encorajamento aos investidores. Por fim, a meritória iniciativa de segurar/reduzir tarifas bancárias do Banco do Brasil, ao mesmo tempo que o governo injeta insignificantes R$ 8,1 bilhões na instituição financeira, a exemplo do que faz na Caixa e no BNDES, deixam evidente uma lógica, no mínimo discutível, ao misturar contas do Tesouro com as das instituições mencionadas.

Alexandru Solomon alex101243@gmail.com

São Paulo

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FOI MAL

A queda de nosso PIB de 2,5% para 1,6% fará com que o nosso Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ou seja, da 6.ª economia do mundo, despenque do já desonroso 84.º lugar que ocupava atrás, inclusive, de Trinidad e Tobago (62.º) na última avaliação da ONU, enquanto nossa presidente da República, que não está sabendo administrar economicamente a sua gestão, fez um papel inadequado com um discurso esquerdopata e protecionista na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Sai pelo mundo afora distribuindo milhões de dólares, como o fez a Cuba, após travar R$ 251 milhões para as obras de adequações da BR-381, da ampliação do metrô de Belo Horizonte (Barreiro/Calafate/Hospitais) e revitalização do anel rodoviário da capital mineira, que no dia 27/9/2012 foi palco de mais um grave acidente.

Nei Silveira de Almeida neizao1@yahoo.com.br

Belo Horizonte

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A REDUÇÃO DA DESIGUALDADE

A meu sentir, a redução da desigualdade no Brasil, comentada pelo editorial de O Estado de quinta-feira (A redução da desigualdade, página A3), no período de 2001 a 2011, posto o fenômeno em seu devido lugar, fica restrita ao aspecto econômico (redução do índice Gini de 0,59 para 0,53). Mais amplamente, visto o tema sob o ângulo da felicidade comum, a deterioração da saúde e da educação públicas e o travamento da Justiça, entre outros fatores agravados pela praga da corrupção, não permitem que os dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sejam tidos como expressão de uma realidade social menos agressiva às camadas desfavorecidas da população brasileira.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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SOMOS O QUE SEMPRE FOMOS

O que Ipea deixa de dizer é que a "pobreza" no Brasil reduziu graças à "pobreza do povo chinês", que produz quinquilharias a preços ridículos, para o pobre brasileiro consumir como se fosse povo rico da Europa. É o absurdo da nova pajelança comunista, transformar miseráveis em cidadãos de celulares, jeans, malhas, tênis etc. etc., tudo feito na China, e igual no mundo inteiro, a velha ideologia de Marx de um mundo de "proletários" comandado por meia dúzia de burocratas "comunistas". No resto, somos o que sempre fomos, uma republiqueta das bananas.

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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IPEA E ONU

Foi publicado pela ONU estudo de 2011 que mostra que o Brasil tem o quarto maior nível de desigualdade da América do Sul (publicado em 22/8/2012). O Ipea anuncia milagres feitos no governo Lula. Alguém está mentindo... e não é a ONU.

Maria Cristina Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

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CONSUMO VERSUS INVESTIMENTO

Na tentativa de driblar a crise financeira global, as autoridades do governo, num show de pragmatismo de curto prazo, optaram pelo estímulo ao consumo e acesso ao crédito, e não pela adoção de criterioso programa de investimentos, naturalmente mais longo, capaz de gerar resultados consistentes, sem dividendos político-eleitorais imediatos. Não levaram em conta que a capacidade de endividamento da população está no limite, o que neutraliza o efeito do remédio ministrado. O resultado é o pior dos cenários: crescimento pífio, com inflação fora da meta, num patamar que não se coaduna com a reprimenda aos países ricos, aplicada pela presidente em discurso nas Nações Unidas. Urge que, daqui por diante, a preocupação com a manutenção do poder deixe de constituir o principal parâmetro orientador na implantação de políticas econômicas. Está mais do que na hora de o lado estadista do governo, se é que existe, se manifestar.

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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AS TAIS TAXAS DE JUROS

Quando dizemos que vivemos em uma "ilha da fantasia", "no país do (sem) futuro", por vezes deparamo-nos com pessoas cuja agressividade revelam a falta de conhecimento, informação e educação. Quando leio nos veículos informativos que a presidente da República pressiona instituições financeiras a cortarem taxas de juros, fico imaginando o quanto os agiotas de plantão já ganharam à custa do sofrido e espoliado povo brasileiro. Os leitores desta carta haverão de convir que taxas de 5%, 6%, 7%, 8% ao mês são algo impraticável, impagável à luz da razão, da lucidez, enfim, da inteligência. Convém informar, ou educar, os menos conscientes de que as taxas de juros praticadas ao mês na Terrae Brasilis são mais altas que taxas anuais praticadas em países em crise, como, por exemplo, os europeus, os Estados Unidos, e o exemplo maior vem do semelhante "país emergente", Índia. Pasmem! Naquela nação, a taxa de juro correspondente à nossa Selic é de 0,9% ao ano, repito, 0,9% ao ano. Eis aí um exemplo a ser seguido. Paz e bem a todos.

Carlos Nelson Horrocks carloshorrocks@yahoo.com.br

São Paulo

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CARTÕES DE CRÉDITO

Se o governo não pressionasse, os bancos continuariam a "roubar" seus clientes com as escorchantes taxas de juros de seus cartões de crédito?

Gustavo Guimarães da Veiga gjgveiga@hotmail.com

São Paulo

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EDUCAÇÃO COMO PRIORIDADE

Uma verba de R$ 1 bilhão destinada ao financiamento de melhorias das universidades do País a juros mais acessíveis está parada, sem uso, desde abril do ano passado. O dinheiro faz parte de um programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação. Ele pode ser usado para financiar as obras e compra de equipamentos e de softwares a gastos com capacitação e treinamento para gestão. Essa é mais uma prova inequívoca de que a prioridade deste governo dito ético não é a educação, mas, sim, a inducação, e podemos também dizer que este país nunca mais será o mesmo, antes e depois do PT, pois onde se mexe fede, e como! Até gambá foge de Brasília. Que alguém acorde e faça a coisa andar, se não damos importância à educação, o que podemos esperar do resto?

Antonio Jose G. Marques a.jose@uol.com.br

São Paulo

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ESCASSEZ E GARGALOS NA ECONOMIA

Existe o problema em todos os aspectos da vida. Tanto para os indivíduos como para nações inteiras. Você sente a escassez de tempo quando as 24 horas do dia não são suficientes para permitir-lhe realizar todas as atividades de que gosta. Você se defronta com escassez de dinheiro quando o que dispõe não é suficiente para comprar tudo o que gostaria de ter. O problema da escassez existe quando os recursos que você dispõe não são suficientes para satisfazer a todas as suas necessidades. O problema da escassez se apresenta da mesma forma para uma nação como um todo. Os recursos da nação são escassos. Não existem em quantidade suficiente para a satisfação de todas as necessidades de seu povo. A economia é o estudo das maneiras pelas quais os indivíduos e as nações procuram resolver o problema da escassez. E o maior conflito é a opção entre uma economia de mercado capitalista ou de uma economia socialista de forte intervenção estatal. Porque as visões são diferentes para o uso de recursos escassos para satisfazer necessidades. Ambos supõem que o comportamento de pessoas ou grupos visam como objetivo básico a satisfação das suas necessidades. E do modo mais completo possível. A variável é o suprimento de recursos. Com os recursos escassos os indivíduos e os grupos tentam utilizá-los de forma tão eficientemente quanto possível. Com o suprimento disponível de recursos o comportamento seria a de se obter a quantidade máxima de satisfação. No entanto, a eficiência não implica na satisfação de todas as necessidades. A existência de escassez implica em que é impossível satisfazer todas as necessidades. Para obter a máxima satisfação possível com tais recursos, os mesmos devem ser utilizados de maneira eficiente. Numa nação, num estado ou município a ação política é que tenta de converter ou balizar um suprimento limitado de recursos governamentais num conjunto de bens e serviços que dão maior satisfação do que qualquer outro conjunto que possa ser obtido com os mesmos recursos. E os rumos num regime democrático e de liberdade são provenientes das opções exercidas pelos eleitores. Por essa razão não deveria caber ao eleitor o direito de deixar de votar.

Hélio Mazzolli mazzolli@terra.com.br

Criciúma (SC)

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'SIMPLIFICAÇÃO' DE PIS E COFINS

A Receita Federal do Brasil divulgou aos jornais que estará simplificando os tributos PIS e Cofins e fazendo um sacrifício com perda de arrecadação. Atualmente, há contribuintes que pagam 3,65% sobre suas receitas, sem direito a se creditarem desses tributos contidos nas compras. Outros se creditam dos tributos contidos nas compras e pagam 9,25% de alíquota. Agora, a Receita afirma que dará a todos os contribuintes a vantagem de se creditarem de todas as compras, mas têm que se enquadrar na alíquota de 9,25%. Ocorre que a maioria dos prestadores de serviços compra muito pouco, pela própria natureza do serviço, e irão se creditar muito pouco, mas sua alíquota aumentará de "apenas" 153% que evidentemente serão repassados aos clientes. A tendência da economia é que os serviços aumentarão sua participação no PIB e, dessa forma, o Estado brasileiro está onerando esse futuro crescimento. É terrível ver como o Poder Público trata os cidadãos como perfeitos idiotas que acreditam em todas as mentiras que lhes contam...

Aldo Bertolucci accpbertolucci@terra.com.br

São Paulo

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O JULGAMENTO DO MENSALÃO

Um grupo de jornalistas almoçava no melhor restaurante de Brasília, numa tarde de fim de semana. Era começo de 2003 e Lula havia vencido as eleições de 2002 contra José Serra. A cúpula do PT, capitaneada por José Dirceu, discutia a formação do governo. A calmaria do almoço foi interrompida por deputados do PMDB prenunciando um acontecimento grave. José Dirceu, já indicado para a Casa Civil, estava encarregado de algemar o PMDB, em troca de alguns ministérios. Lula sabia que para governar era preciso maioria no Congresso Nacional para não acontecer o ocorrido com Fernando Collor. Para que o PT aplicasse o seu plano de poder ad aeternum, era parte do plano a obediência canina da maioria do Congresso. Os fins justificariam os meios e José Dirceu, como que já sabendo a resposta, perguntou como iriam conseguir essa maioria. Lula respondeu: "Compra os pequenos partidos. Fica mais barato". Dilma Rousseff, Tarso Genro e Olívio Dutra foram transformados em ministros. Lula sabia por que foi ele o inseminador dessa colossal e milionária lambança. Até agora, o patrão está de fora, colecionando títulos de "doutor honoris causa", e os empregados estão no banco dos réus. Uma organização criminosa chefiada por José Dirceu, sob o comando velado do chefão eneadáctilo e apedeuta. "Não sei de nada", "fui traído pelas costas", "o mensalão foi uma farsa", "coisa da oposição". Em agosto de 2005, num pronunciamento na TV, pediu "desculpas pelo escândalo". Lula trabalhou o parto do maior golpe financeiro da história republicana do Brasil. O feto se desenvolveu, mas está com problemas de falência múltipla dos órgãos. O óbito está próximo.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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O TREM DO SUPREMO

Vai chegando, finalmente, a última estação, conhecida como mensalão! Maquinistas das leis, da ética e saber jurídico estão apitando alto e forte! O povo, como entusiastas passageiros com destino ao vale da justiça, vibra e quer pegar acento no vagão Brasil, numa viajem regada de esperança por dias melhores e respeito principalmente às nossas instituições! O último carro está reservado somente para quadrilha condenada na Ação Penal 470! Com muitas grades e sem frestas para entrada de sol. Estes apadrinhados de Lula, e do petismo, terão muito tempo na clausura, meditando até quem sabe, um dia aqui fora, terem condições de exercer com dignidade suas cidadanias...

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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CONDENAÇÕES

Está tudo muito bom, está tudo muito bem, mas quanto tempo esses mensaleiros vão ficar de fato, atrás das grades?

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br

São Paulo

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FORMAÇÃO DE QUADRILHA

A ministra Carmen Lucia, do Supremo Tribunal Federal (STF), se, por um lado, deu uma excelente aula de cidadania incentivando o povo brasileiro a acreditar na política e nos políticos, por outro, nos deixa em suspeição quando não acatou nos réus "formação de quadrilha", levando ao pé da letra a lei, acompanhando a mesma visão da ministra Rosa Weber. Pela ótica das duas ministras, formação de quadrilha existe quando grupos de criminosos se reúnem para praticar crimes indeterminadamente contrários à paz social. Se o mensalão não foi formação de quadrilha, foi o quê? O que interessa é o que estava por trás do interesse dos mandantes. Assassinar nossa jovem e inexperiente democracia seria um dos crimes, porque, se não fossem denunciados em pouco tempo pela ideologia do PT, até nossa liberdade de expressão seria assassinada, podendo chegar aos que se opõem à ideologia deles. Causa-nos espécie a visão das duas ministras, porque este é um dos crimes impostos aos mandantes da quadrilha e, se não houver procedência, eles sairão livres para continuar seus crimes!

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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LULA PERDEU A MEDIDA DO CINISMO

O mais novo argumento de Lula sobre o mensalão durante a campanha que faz tentando empurrar Fernando Haddad ladeira acima: ele alega ter orgulho de ter combatido a corrupção nos seus dois governos: "No nosso governo as pessoas são julgadas, e tudo é apurado. Na nossa casa, quando nosso filho é suspeito de cometer um erro, nós investigamos e não culpamos os vizinhos, como eles costumam fazer". Ah, tá bom. Só que já não dá mais para aturar tanto cinismo de alguém que até ontem jurava que o mensalão nem tinha existido e que iria provar isso para todo o Brasil! Realmente, houve muitos casos de combate à corrupção com holofotes e câmeras a registrar tudo: por exemplo, a ação a Daslu foi cinematográfica. Mas a corrupção de amigos de Lula, como no caso da Operação Boi Barrica, envolvendo Fernando, filho do senador José Sarney, foi abafada por uma medida "legal" que censurou o Estadão e continua valendo até hoje. Lula perdeu a medida do cinismo...

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

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CRIMINALIDADE EM SÃO PAULO

É assustador o crescimento da criminalidade em São Paulo. De 2011 para cá, os latrocínios (roubo seguido de morte) aumentaram 71,4%. Os homicídios (assassinatos) aumentaram 12,6%. Crimes hediondos e gravíssimos como esses, que causam a morte violenta, gratuita e precoce de milhares de pessoas que estão no auge de sua vida produtiva, tiveram um grande aumento, o que é inaceitável. É um bom retrato da falida e incompetente política de segurança pública adotada pelo governo do PSDB em São Paulo. Os paulistas pagam altos impostos, mas não recebem um mínimo de proteção ou de segurança do Estado. A Polícia é violenta e despreparada e não se pauta pelo respeito á cidadania e aos direitos humanos. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) deveria se envergonhar de tais números de seu governo, com taxas de violência e criminalidade crescentes e dignas de países de quarto mundo.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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REDUÇÃO DA VIOLÊNCIA

Morrem por ano no Brasil cerca de 100 mil pessoas, vítimas de violência urbana e acidentes de trânsito. Isso é uma guerra civil. É como se uma pequena cidade desaparecesse a cada ano. Fora as sequelas dessa barbárie. Isso, sem falar nas outras tantas que morrem por falta ou negligência de atendimento médico e nas clínicas de aborto. Nossa autoridades (Executivo, Legislativo e Judiciário) e os altos cargos públicos não ligam para isso e apenas querem da população o dinheiro dos impostos para cobrir seus altos salários e manter a máquina corrupta/corruptora e benesses da administração pública. No entanto, a sociedade civil pode mudar esse quadro horrível, ao menos no primeiro caso exposto. A redução do consumo de bebidas alcoólicas e drogas é imperativo e pode ser feito dentro de casa, com a devida orientação das famílias, e também nas escolas e igrejas. Nós, cidadãos comuns, não podemos contar com nada que venha do poder público, cada vez mais corrupto e omisso. No segundo caso, a pressão sobre as autoridades deve ser feita incessantemente e a população precisa contar com o apoio sempre vigilante da imprensa, que é a grande ferramenta de informação, assim como a internet e redes sociais.

André L. O. Coutinho arcouti@uol.com.br

Campinas

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LEI SECA E IRONIA

Alguns anos atrás, dizia-se que para matar alguém e ficar impune, bastava atropelá-lo. O Brasil mudou muito. Hoje o único meio de assassinato punido é o atropelamento. "Para Superior Tribunal de Justiça, quem entrega carro a bêbado pode responder por homicídio doloso". "Conforme especialistas, na prática estabeleceu-se um avanço na lei seca, punindo até manobristas ou qualquer pessoa que coloque um embriagado ao volante." Avanço! O manobrista que não avaliar corretamente o teor etílico de um cliente estará sujeito a longas penas de prisão. O irônico é que as mesmas pessoas e entidades que há décadas vêm dizendo que a solução para a criminalidade não é uma legislação mais rigorosa hoje pedem exatamente isso, mas apenas para motoristas embriagados. Claro que não sou a favor de dirigir bêbado, mas continuo achando muito mais condenável sair de casa armado para roubar e matar. Aparentemente, faço parte de uma minoria.

Mario Silvio Nusbaum mario_silvio@hotmail.com

São Paulo

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OS SALÁRIOS NA PREFEITURA

É assustador ver os salários pagos pela Prefeitura de São Paulo - o arquivo está disponível no portal da Transparência - a centenas de funcionários privilegiados. Há professores de educação infantil ganhando de R$ 8 mil a R$ 65 mil; tem subprefeito ganhando mais de R$ 25 mil; e outros supersalários de funcionários lotados na saúde, segurança, habitação, etc. É muito dinheiro gasto com funcionalismo para termos de volta péssimos serviços públicos. Sabemos que os hospitais e postos de saúde estão um caos, o transporte público é sofrível e, na educação, os jovens terminam o ensino fundamental sem saber ler. Está na hora de o Ministério Público investigar o que acontece na Prefeitura do Município de São Paulo.

Luiz Claudio Zabatiero zabasim@ig.com.br

São Paulo

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RELÓGIOS DE RUA

A notícia em manchete: Novos modelos de relógios de rua serão apresentados hoje (Metro, São Paulo - 27/9/2012). O que isso significa? Há já alguns anos não mais temos em funcionamento os relógios das ruas. Por que? Licitação não realizada a tempo? Seja lá o que for, porém, por que são precisos "novos protótipos de relógios digitais de rua"? Os existentes não podem ser colocados em funcionamento? Basta (ou bastava querer!) instalar as peças eletrônicas necessárias, parece-me, visto que alguns ainda estão em funcionamento. Mas, não. Uma nova licitação para que "novos protótipos" sejam colocados nas ruas. Bom, quem paga a retirada da sucata existente e vai pagar a colocação dos novos modelos e o custo destes? Nós, os cidadãos paulistanos é claro. É isso; é dessa forma que é gasto, melhor se diz desperdiçado o dinheiro arrecadado pelos tributos. E decididamente não são os cidadãos paulistanos que vão lucrar com isso, a não ser, ressalvamos, ter à disposição a hora do dia...

Pedro Luís de Campos Vergueiro pedrover@matrix.com.br

São Paulo

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DESCONSTRUÇÃO

A uma semanas das eleições os candidatos, em lugar de divulgar seus próprios programas de governo, exploram as possíveis fraquezas dos adversários, conforme mostrou a matéria Haddad tenta 'desconstruir' Russomanno (Estadão, 24/9). E ao eleitor, mediante tantas acusações mútuas,

nada resta senão votar no que julgar menos pior.

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

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VERDADEIROS LESA-PÁTRIA

A indecência na vida pública, a falta de políticas e justiça social que sejam adequadas ao desenvolvimento da nação, são reflexos exclusivos da falta de cidadania que permeia a vida dos brasileiros. Já inexiste a estima a si e aos seus próprios familiares, tudo é uma questão de pilhéria, e se vive por circunstâncias e não por princípios. Cotidianamente desconsidera-se afeição ao próximo e aos que nos sucederão; e isso se torna patente na forma com que se encara a escolha dos representantes a cargos públicos. Não são os marginais que lá estão os culpados pelos atos que praticam; pois quando eleitos bem se sabe que são o que são e o que farão. Não são os incompetentes que deixam de fazer políticas necessárias à melhoria da educação, saúde ou segurança, pois quem os elegeu foi exatamente quem necessitava desses serviços. Os culpados são exatamente os que se omitem de qualquer responsabilidade decisória em favor de um futuro justo no ato de votar, são os verdadeiros lesa pátria dessa nação.

Oswaldo Colombo Filho colomboconsult@gmail.com

São Paulo

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HORÁRIO ELEITORAL

Horário obrigatório: o assédio eleitoral deveria ser crime! Basta!

J. S. Decol decoljs@globo.com

São Paulo

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APOLOGIA DE MONTEIRO LOBATO POR ELE MESMO

Já ouvi diversas vezes um "causo" do período militar em que policiais adentraram um teatro em São Paulo onde era apresentada uma tragédia grega querendo prender o autor, um tal de Sófocles. Piada ou não, quatro décadas depois, estamos exatamente na mesma em relação à celeuma sobre o suposto racismo de Monteiro Lobato que, aliás, já tem alguns anos. Uso, portanto, as próprias palavras desse grande gênio, escritas entre 1920 e 1947, para ilustrar quão absurdos são os ataques contra ele feitos pelos analfabetos funcionais que ora dizem nos governar (a referência utilizada é a coleção infantil de 17 volumes publicada em 1968 pela Editora Brasiliense, comprada por meus pais para minha irmã mais velha que ainda nem estava na escola). Com relação a este ou a qualquer governo com pretensões ditatoriais, Monteiro Lobato nos manda uma profética advertência: "Esta forma democrática de Atenas tropicará no meio do caminho. Será destruída pela palavra 'Estado', que crescerá e dominará tudo até chegar à forma 'totalitária' em que o som 'Estado' é o total, e nós, os indivíduos, simples pulgas." (Vol. 13, p. 46). Dá até para emendar com Millôr Fernandes: "Se o voto mudasse alguma coisa, o povo seria proibido de votar". Em vida, Monteiro Lobato sofreu censura nascida na cabeça obscura do padre Sales Brasil quando este publica um livro chamado Literatura infantil ou comunismo para crianças em que acusa o escritor. Após o evento, os livros de Lobato são queimados em praça pública como se fazia na Alemanha nazista e ele passa a ser mal visto nas escolas religiosas, quer pelo teor, quer pela linguagem. (CARVALHO, Barbara Vasconcelos. Literatura infantil: estudos. São Paulo: Lotus, s/d). Acredito que seja esta a passagem que tanto horrorizou o imêmore padre: "Depois que Constantino mudou de crença, tudo mudou para os cristãos, como era natural. Foi como aqui na vila quando o partido oposicionista ganhou a eleição e tomou conta da câmara. Quem iria dar as cartas, mandar, dali por diante, seriam eles. Mas surgiram logo brigas, porque cada um queria que as coisas da religião fossem de um jeito. O ponto mais grave da divergência: resolver se Jesus Cristo era igual a Deus ou não. Constantino fez uma coisa. Convidou a todos os que estavam discutindo aqueles assuntos para uma grande reunião, ou concílio, na cidade de Nicéia. 'Agora discutam e assentem duma vez o que é e o que não é. O que maioria decidir, ficará sendo.' O concílio decidiu então que Cristo era igual a Deus." (Vol. 4, p. 135). Que livro didático brasileiro de História Geral tem coragem de expor o nascimento de um dogma com todas as letras? No que tange ao racismo, é importante delimitar o período em que Monteiro Lobato escreveu para não incorrermos em anacronismos que, segundo o Houaiss (também no index librorum prohibitorum do PT), significa "erro de cronologia que consiste em atribuir a uma época ou a um personagem ideias e sentimentos que são de outra época, ou em representar, nas obras de arte, costumes e objetos de uma época a que não pertencem". Perdão se me alongo, mas não consegui ser mais sucinta. Vamos lá. Negra de estimação (Vol.1, p.3). Cruel, não? Vejamos. Ela tem praticamente a mesma idade que dona Benta. Em 1921, quando Lobato escreveu Narizinho Arrebitado, dona Benta contava mais de 60 anos, cerca de 65 anos, logo nasceu em torno de 1855. Em 1850 foi abolido o tráfico de escravos. Em 1871 foi promulgada a Lei do Ventre Livre, em 1884, a Lei do Sexagenário e em 1888, a Lei Áurea. Independentemente das causas, consequências e intenções das referidas leis, o fato é que tia Nastácia nasce antes da Lei do Ventre Livre. É possível que tenha nascido livre sem que o senhor de terras e escravos, o pai de dona Benta, esperasse por uma lei que o obrigasse a tal, por isso a expressão "negra de estimação". Nos 17 volumes não existe qualquer passagem que aluda a um possível mau-trato sofrido por ela. Pode-se, então, pensar que o tal senhor ainda assim seria um egoísta, pois ela não teve o mesmo tratamento que dona Benta: ela não estudou, é analfabeta e entende apenas do serviço da casa. Se assim não fosse, ocorreria um anacronismo mais fantástico que o realismo fantástico de Lobato. O autor era uma testemunha e um crítico de seu tempo (e ainda o é do nosso), por que então inventaria uma utopia que serviria apenas para nutrir a hipocrisia? Sabemos que, pela Lei do Ventre Livre, o nascido ficaria com a mãe até os 18 anos, isto é, a vida produtiva do escravo, o que permitia que, após desgastado, pudesse ser descartado, e que a Lei do Sexagenário privilegiava (?) os poucos que conseguiam chegar a essa idade depois de uma vida de servidão. Para fazer o que com sua pseudoliberdade sem qualquer segurança e sem um lugar para chamar de seu? A Lei Áurea está longe de ser completa por não assegurar sequer a expectativa de uma vida digna, os negros eram simplesmente despejados como hoje despejam-se eletrodomésticos obsoletos. Emília, algumas vezes, dá-lhe o epíteto nada delicado de "negra beiçuda" ao longo da obra e visto apenas no volume Caçadas de Pedrinho, o "livro proibido", e dona Benta sempre ralha com Emília sem jamais se referir à cor, mas exigindo respeito aos mais velhos. Acredito que pelo fato de dona Benta não se referir à cor mas ao respeito pelo ser humano, Lobato está muito longe de ser racista por não reforçar algo que a boneca usa sem sucesso. No final de suas Memórias, volume 5, ao tecer suas impressões, Emília diz: "Tia Nastácia, essa é a ignorância em pessoa. Isto é... Ignorante, propriamente, não. Ciência e mais coisas dos livros, isso ela ignora completamente. Mas nas coisas práticas da vida é uma verdadeira sábia. Para um tempero de lombo, um frango assado, um bolinho, para curar uma cortadura, para remendar meu pé quando a macela está fugindo, para lavar e passar roupa - para as mil coisas de todos os dias, é uma danada! Eu vivo brigando com ela e tenho-lhe dito muitos desaforos - mas não é de coração. Lá por dentro gosto mais dela do que dos seus afamados bolinhos. Só não compreendo por que Deus faz uma criatura tão boa e prestimosa nascer preta como carvão. É verdade que as jabuticabas, as amoras, os maracujás também são pretos. Isso me leva a crer que a tal cor preta é uma coisa que só desmerece as pessoas aqui neste mundo. Lá em cima não há essas diferenças de cor. Se houvesse, como havia de ser preta a jabuticaba, que para mim é a rainha das frutas?" Emília questiona o racismo e, ao trabalho intelectual e imaterial de dona Benta, contrapõe e valoriza o trabalho material e artesanal de tia Nastácia, trabalho sempre muito mal visto pelos aristocráticos brasileiros. Outra passagem onde Monteiro Lobato se mostra a favor da igualdade ocorre no conto A violeta orgulhosa. Trata-se de um canteiro de violetas roxas da Emília onde uma nasceu branca e começou a se achar "mais" que as outras e nem parecia mais violeta, uma florzinha amada por sua modéstia. Sem argumentos para rebater a empáfia da flor, Emília chama o Visconde que resolve a situação no jardim: "As violetas roxas são roxas por terem nas pétalas pigmentos roxos. As violetas brancas são brancas por não terem pigmento nenhum. Pergunto eu: quem é mais - quem tem, ou quem não tem?" (Vol. 15, p. 207-217). Enquanto tais questões não eram discutidas por comodismo de uma pátria ufanista, Lobato, como sempre, se antecipava e desmascarava problemas sociais através de suas parábolas. Tia Nastácia é a voz do povo, como diz Pedrinho: "Tia Nastácia é o povo. Tudo que o povo sabe e vai contando de um para outro, ela deve saber. Estou com o plano de espremer tia Nastácia para tirar o leite do folclore que há nela. As negras velhas são sempre muito sabidas. Mamãe conta de uma que era um verdadeiro dicionário de histórias folclóricas, uma de nome Esméria, que foi escrava de meu avô. Todas as noites ela sentava-se na varanda e desfiava histórias e mais histórias. Quem sabe se tia Nastácia não é uma segunda tia Esméria?" (Vol. 11, p.3-4). Lobato pôs na voz de tia Nastácia as histórias recolhidas do povo por Silvio Romero. Quando conta suas histórias e as crianças reclamam da mesmice, ela argumenta que "foi assim que minha mãe Tiaga me contou, que eu passo para diante do jeito que recebi." Quando Emília reclama que nem as próprias contadeiras entendem o que contam, dona Benta explica: "Nós não podemos exigir do povo o apuro artístico dos grandes escritores. O povo... o que é o povo? São essas pobres tias velhas como Nastácia, sem cultura nenhuma, que nem ler sabem e que outra coisa não fazem senão ouvir as histórias de outras criaturas igualmente ignorantes, e passá-las para outros ouvidos, mais adulteradas ainda. O povo é muito conservador, de modo que as histórias que de pais a filhos a gente do povo conta são corocas, vêm do tempo da Idade Média, quando não existiam jornais nem livros" (Vol. 11, p. 29-30). Com essas palavras Lobato não comete a ofensa da condescendência com o povo em sua parcela mais inculta, mas compreende e explica o modo como ele atua, independentemente da cor da pele. Além disso, há o conto Negrinha, uma leitura de surpreendente ironia, delicada e ao mesmo tempo contundente sobre a infância incompreendida e a dissimulação social autorizada pela religião e pelo estado. O que será que querem esconder ao censurarem também este conto? Que o mundo não é nem nunca foi monocromático? Não é escondendo os problemas que eles deixam de existir, pois se assim fosse, Freud estaria em baixa e as últimas façanhas na política judiciária, esquecidas. Há muito a ser dito, e a apologia se faz na própria obra do autor, basta lê-la. Para terminar, é só ver como Monteiro Lobato descreveu o mundo na década de 1930, perfeitamente cabível em nossos dias: "Melhoraram a vida, sim, embora não melhorem o homem. A nossa vida hoje podemos dizer que é riquíssima, se a compararmos com a de um século atrás. Entretanto o homem é o mesmo animal estúpido de todos os tempos. Abra o jornal e leia os principais telegramas. Só falam em miséria, em crimes, em guerras. A humanidade continua a sofrer dos mesmos males de outrora - tudo porque a força da Estupidez Humana ainda não pôde ser vencida pela força da Bondade e da Inteligência." (Vol. 4, p. 302-303).

Lucília Simões lulu.simoes@hotmail.com

São Paulo

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