Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2013 | 02h10

SANTA MARIA!

De responsabilidades

Enquanto eu redigia este e-mail, acompanhava o noticiário matinal de uma emissora de TV que entrevistava o chefe do Corpo de Bombeiros da cidade de Santa Maria (RS). Mostrando até certa irritação ao responder às perguntas da dupla de apresentadores, ele procurou eximir sua unidade de qualquer falha no acompanhamento e na fiscalização das condições de segurança da boate Kiss. Chegaram a ser ridículas as desculpas do militar, porque a qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, e mais ainda às treinadas para trabalhar com segurança, bastaria um simples olhar para o "caixote" que é o prédio da boate, prensado entre dois outros, para questionar se ele seria apropriado para tais atividades, visto não ter possibilidade de dispor de saídas de emergência pelas laterais, inexistentes, e/ou pelos fundos, se existirem. Ele se eximiu afirmando que a boate cumpria todas as normas de segurança exigidas pela lei e por isso foi aprovado o seu funcionamento, algo difícil de aceitar para um local como aquele, com apenas uma porta que servia tanto de entrada como de saída, sem nenhuma outra via de escape em caso de emergência. Aos responsáveis pela existência de um local inadequado para tal atividade facilita se eximirem de responsabilidades ao jogarem a culpa toda na legislação, que alegam ser falha.

LAÉRCIO ZANNINI

arsene@uol.com.br

Garça

Prisões

Com todo respeito às famílias das vítimas, mas se a situação da boate "estava totalmente regular, estava tudo certo, nada incorreto, documentação em dia", segundo o prefeito Cezar Schirmer e o coronel Sérgio Abreu, comandante da Brigada Militar, então por que prender os donos da boate, e não quem autorizou o funcionamento da casa?

MÁRIO ALDO BARNABÉ

mariobarnabe@hotmail.com

Indaiatuba

No banco dos réus

Mais uma triste tragédia que acontece por inércia e omissão do poder público. A culpa não é apenas do músico que acendeu o sinalizador pirotécnico, nem do gerente da boate, que não treinou uma brigada de incêndio, tampouco do engenheiro que projetou um revestimento acústico com material inflamável. A culpa é - e isso é muito importante apontar - do poder público, diluído em seus múltiplos órgãos e agentes. O alvará estava vencido, mas onde estava o fiscal do município para fazer a interdição? O Corpo de Bombeiros já havia vistoriado ao menos uma vez o local e aprovado seu plano de combate a incêndios, mas essa aprovação se demonstrou errada, pois a tragédia provou que tal plano não funcionava. Uso de pirotecnia exige habilitação e sua compra demanda licença. Assim, onde foi comprada e quem autorizou a venda? Dessa forma vemos que a culpa é do Estado, da prefeitura, do Corpo de Bombeiros. Seus agentes também devem sentar-se no banco dos réus.

JOÃO MARCOS FERNANDES, perito criminal

jmf.dentista@bol.com.br

Jandira

'Laranjas'?

Circula nas redes sociais a versão de que o verdadeiro dono da boate Kiss seria um deputado do PT, Paulo Pimenta. Os proprietários na forma da lei seriam "laranjas". Será? Ó Deus! Alvará vencido? Sem licença para eventos pirotécnicos? Sem extintores funcionando? Sem bombeiros civis? Sem segurança treinada para evento do porte de mais de 2 mil pessoas? Tráfico de influência? Caramba! É fogo... Foi o beijo da morte?

LUIZ FERNANDO D'ÁVILA

lfd_avila@hotmail.com

Rio de Janeiro

Brasil...

Após o luto, a comoção e a repercussão mundial de mais uma tragédia causada por fiscalização falha, descaso do poder público, corrupção ativa e irresponsabilidade de autoridades e empresários, cabe a pergunta: o Brasil tem alvará de funcionamento?!

J. S. DECOL

decoljs@globo.com

São Paulo

CITRICULTURA

Esclarecimento

Na qualidade de presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, vejo-me na obrigação de prestar os seguintes esclarecimentos sobre o editorial A crise da laranja (28/1, A3). 1) Se é bem verdade que existe um problema de preços no mercado internacional, não é menos verdadeiro que os produtores de laranja no Estado enfrentam forte concentração industrial, que exerce poder de oligopsônio. 2) O aviltamento de preços deve-se em grande medida a preços impostos pelo setor industrial aos citricultores, que estão sendo obrigados a mudar de cultivo ou vender suas terras. 3) O setor industrial aproveita-se dessa situação para comprar essas mesmas terras ou terras em outras regiões com custos inferiores, aumentando cada vez mais seus pomares e o domínio do mercado. 4) Esta federação interpôs representação no Cade a fim de garantir condições paritárias e igualitárias de representação dos citricultores, como forma de tornar viável um Consecitrus que tenha isenção e equilíbrio para reestruturar a cadeia produtiva. 5) Se vigorasse uma economia de livre mercado em condições concorrenciais verdadeiras, os citricultores poderiam levar a cabo uma maior modernização do setor, com uso mais intensivo de tecnologia. 6) O Consecitrus é um projeto promissor, como consta do editorial, mas está sendo desvirtuado pelo setor industrial, que lá tem maioria, em detrimento dos produtores rurais. Para funcionar esse conselho deveria ser representativo e paritário, com maior participação dos agricultores, o que hoje não ocorre. 7) Não há disputas ou divergências de pensamento entre os citricultores; de fato, o que há é uma estratégia de ação visando à desagregação da representação legítima dos citricultores. 8) Por último, ressalte-se que o Estatuto do Consecitrus contou com a contribuição desta federação, tendo os termos acordados com a indústria sido desrespeitados. O desvirtuamento de sua atividade foi o desfecho dessa situação.

FÁBIO MEIRELLES

claudiob@faespsenar.com.br

São Paulo

CUMPRIMENTOS

'Quilombolas imaginários'

Incumbiu-me o comandante do 2.º Distrito Naval, vice-almirante Antônio Fernando Monteiro Dias, de transmitir seus cumprimentos e dar os parabéns ao jornal O Estado de S. Paulo, pelo profissionalismo, pela isenção e pela clareza de visão demonstrados no editorial Quilombolas imaginários (20/1, A3). O Comando do 2.º Distrito Naval está à disposição para contribuir para o debate equilibrado e democrático acerca da problemática abordada em Notas & Informações, no tocante aos fatos envolvendo a ocupação irregular de área de mata pertencente à União, destinada à proteção dos mananciais da Barragem dos Macacos, que abastece o Complexo Naval de Aratu.

FERNANDO JEANN TÔRRES ARAÚJO, primeiro-tenente (T), Assessoria de Imprensa e Publicidade

fernando.araujo@2dn.mar.mil.br

Salvador

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Não, não estamos falando de carnaval, mas da tragédia que abalou o País e que nos remete hoje, quarta-feira, às reflexões e tristes constatações. Políticos, até nossa presidente, saem da toca para vir a público lamentar, cobrar ações, propor mudanças, leis, projetos, etc. Mas por que não fizeram isso antes? A boate que pegou fogo em Santa Maria (RS) funcionava sem alvará, que estava vencido. Mas e quando o alvará não estava vencido, estaria ela corretamente instalada? Teria os equipamentos exigidos em lei? Havia a tal porta de emergência? O laudo do Corpo de Bombeiros estava vencido desde novembro. O fato de terem dado entrada na renovação lhes daria o direito de abrirem? Os bombeiros foram averiguar se havia equipamentos de segurança e portas de emergência? Assassinos ! Sim, assassinos! Esse é o adjetivo que merecem as autoridades desta agora triste cidade, pois permitiram o absurdo do funcionamento de uma armadilha. Armadilha que matou 234 jovens – e oxalá não tenhamos mais mortes. Quem assinou o alvará de funcionamento é responsável pelas mortes. A prefeitura que permitiu o funcionamento e não fiscalizou é responsável. O Corpo de Bombeiros que concedeu laudo técnico para uma edificação totalmente fora das normas técnicas também é responsável. Prenderam os donos da boate e a banda. Ótimo. Por que não prendem também os funcionários corruptos que deram a permissão para o funcionamento, deixaram de fiscalizar e fecharam os olhos, mas abriram os bolsos, porque o tipo de construção e seu uso já era uma desgraça prevista? Hoje é quarta-feira. Não ainda pós-carnaval, mas pós a maior tragédia do Rio Grande do Sul, e vamos observando as coisas acontecerem sempre do mesmo jeito. Tudo vai acabar em pizza. Que fique pelo menos a lição aos nossos jovens.

Odair Picciolli odairpicciolli@moradadoscolibris.com.br

Extrema (MG)

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TRAGÉDIA E CORRUPÇÃO

Ainda a tragédia de Santa Maria. Há de se encontrar entre os inúmeros bombeiros honestos e entre os fiscais municipais também um que, por “deslize” de conduta, levou uma grana preta dos proprietários da boate Kiss para autorizar o funcionamento daquela verdadeira ratoeira humana. Depois da tragédia, fica fácil jogar a culpa na fatalidade. Quando o povo irá acordar para os prejuízos causados pelos corruptores e pelas autoridades que se deixam corromper?

Leila E. Leitão

Itanhaém

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INDESEJADA DAS GENTES’

A foice da morte, no Brasil, nem sequer precisa estar afiada para funcionar impetuosamente. Aqui, a esculhambação generalizada e a leniência do poder público facilitam tudo para a “indesejada das gentes” (Manuel Bandeira) trabalhar com altos índices de produtividade, como se viu na aterradora tragédia em Santa Maria. Já posso imaginar duas mãos esqueléticas se esfregando de ansiedade, enquanto a sinistra dona delas aguarda a chegada da Copa do Mundo e da Olimpíada verde-amarelas.

Túllio Marco Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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PRISÕES EM SANTA MARIA

Para funcionar, a boate Kiss certamente tinha à vista, em local visível, comprovantes de Taxa de Localização, Instalação e Funcionamento (Tlif), e da Taxa de Fiscalização de Estabelecimentos (TFE). Para eximir-se da responsabilidade pela tragédia, o governo exalta o fato de que o alvará de funcionamento estava vencido desde agosto de 2012, E antes de agosto? A boate tinha alvará, com o aval do Corpo de Bombeiros, para funcionar com apenas uma porta e com dimensões aquém da obrigatória. A meu ver deveriam ser presos, juntamente com os donos da boate, também o prefeito – maior autoridade municipal –, pela falta de /ou corrupção na fiscalização e o governador do Estado, responsável pela Polícia Militar do Estado, ao qual pertence o Corpo de Bombeiros, que concedeu alvará(s) de funcionamento, anteriormente a o vencido em agosto, a um estabelecimento sem as mínimas condições de segurança.

Roberto Twiaschor rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo

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TRAGÉDIAS, DESCULPAS E CONSCIÊNCIAS

É boate incendiando, são prédios desabando, são hospitais sem médicos plantonistas, enfim, catástrofes, irresponsabilidades falta de consciência generalizada. Proliferam as desculpas esfarrapadas e todos ficam mais preocupados em se safar do que assumir as suas próprias consciências. O desmazelo, as inconsequências e as irresponsabilidades de profissionais, autoridades, políticos e mesmo de cidadãos comuns nascem dos pequenos gestos e projetam-se aceleradamente à níveis mais elevados, formando assim o seu arquétipo e da imensa maioria da Nação. De certa feita, eu estava sentado em uma mesa de beira de calçada de bar, quando andando nesta calçada vinha uma tenente fardada do corpo de bombeiros de uma unidade próxima. Repentinamente, ela tropeçou numa dessas pequenas tampas de ferro de registro da companhia de águas, quase indo ao chão. Equilibrou-se e prosseguiu sua caminhada passando por mim, que imediatamente lhe perguntei: “Não vai abaixar a tampa, tenente? Vai deixá-la aberta para alguém voltar a tropeçar e quebrar um pé ou uma perna?”. Sem nada dizer, ela, aparentando um grande furor, voltou e chutou a tampa para baixá-la. Ergueu a cabeça, arrebitou o nariz e continuou seu caminho. Olhemos cada um de nós, neste país, para dentro de nós mesmos!

Nei Silveira de Almeida neizao1@yahoo.com.br

Belo Horizonte

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ENGENHEIROS

Uma coisa muito me surpreende: na hora de executar alguma obra considerada mais “simples (?!)”, a grande maioria das pessoas acha que o Seu Fulano, “pedreiro bom e experiente”, resolve o problema, não precisa de engenheiro, que "cobra caro e só sabe teoria". Depois, quando os problemas aparecem, reclamam que os engenheiros é que erraram! Pergunto: 1) algum engenheiro foi chamado para reformar/adaptar a tal boate de Santa Maria? Sou capaz de apostar que não! 2) o fiscal da prefeitura (se é que houve fiscalização) era engenheiro? 3) qual a qualificação dos bombeiros que fiscalizaram/aprovaram a obra da boate? 4) Eram só militares ou técnicos/engenheiros também? Qual a sua formação nessa área? Estou com 40 anos de profissão e continuo a encontrar pessoas que não tem a mínima consideração pela profissão de engenheiro, não os contratam, e depois reclamam das obras que eles não fizeram! Falta muita qualificação aos chamados 'técnicos' que fazem vistorias, fiscalização e mesmo projetos nessa área, principalmente nas cidades do interior e, mesmo havendo muitos engenheiros (como em Santa Maria), raramente eles são chamados, as pessoas acham que eles são caros, o Seu Fulano é melhor e mais barato! Mas depois, essas mesmas pessoas reclamam dos engenheiros! Dá para entender?

Nelson Newton Ferraz, engenheiro civil nelfer@estadao.com.br

São Paulo

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DESTINO INEVITÁVEL?

Não adianta chorar, senhora presidente do Brasil. Enquanto não vier “de cima” o exemplo máximo de responsabilidade, respeito e de atenção com a coisa pública, tragédias como esta de Santa Maria serão parte de nosso triste cotidiano. Precisamos, sim, de ações no sentido de acabar com a impunidade que facilita tudo. A lei, hoje, é “enricar”, ganhar poder, pagando o preço que for. Tudo se compra, tudo é possível, pagando se obtém! O descaso com a vida humana é de praxe em nosso país. A corrupção é agente demolidor, que come um pouquinho aqui, um pouquinho ali, e quando a gente vê, está tudo contaminado a ponto de se banalizar a vida. A vida de nossas crianças, senhora presidente. A morte que ronda Santa Maria nos dá a dimensão do descaso de empresários, fiscais, prefeitos, legisladores, políticos milionários, até do bom senso. Não, o que aconteceu não foi uma fatalidade. Foi obra do descaso. E todos temos um dedo de participação nesta desgraça. O brasileiro tem de acordar para o que acontece a seu redor; deixar de ser parte integrante e não ser conivente; dizer não a quem quer nos comprar, virar o rosto ao dinheiro sujo que nos oferecem. E o que acontece é o risco constante de expormos nossos amados filhos a dramas como estes e a outros tantos. Chega de tanta irresponsabilidade. Chega de tanto “não é comigo”, senhora presidente. O poder que o povo brasileiro lhe conferiu lhe permite tentar sanar nossa doença maior, a meu ver, a corrupção. Chame seu povo para acabar com ela. Invista na honestidade, na ética! Premie quem estes valores pratica e puna quem os ignora. A dor que hoje sentimos com vultosa tragédia deve nos pautar em nossas atitudes, vigorosa e sinceramente. Chega de faz- de- conta! Alguém precisa começar e dar o exemplo.

Myrian Macedo myrian.macedo@uol.com.br

São Paulo

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TAREFA DA PREFEITURA

O prefeito de Santa Maria culpa o sinalizador pela tragédia. Noto que todos têm culpa. O dono da Kiss, seguranças, músicos e seu ridículo sinalizador, falta de alvará, super lotação, etc., etc. Mas, se a boate não tinha alvará, será que culpa alguma cabe a prefeitura? Deveria ter controle sobre os alvarás vencidos. Intimar o proprietário de todos os estabelecimentos antes do vencimento para providenciarem regularização. Um mês antes do vencimento do alvará, notificar o estabelecimento de que o documento venceria no dia X e que tinha 15 após o aquela data para apresentar a documentação a fim de regularizar o imóvel, sob pena de fechamento.

Carlos Coelho

São Paulo

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MORTANDADE ANUNCIADA

Se uma casa de show (boate) funcionava há cinco meses com alvará vencido, então o poder público daquela cidade gaúcha assinou o aval para este genocídio.

Célio Borba celioborba@ovi.com

Curitiba

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ALERTA

A catástrofe que se abateu sobre Santa Maria (RS) no fim de semana poderá (toc, toc, toc) acontecer a qualquer hora com o metrô aqui, no Rio de Janeiro. As autoridades só têm olhos para a Copa e a Olimpíada. Os transportes continuam péssimos, são freadas bruscas que fazem amontoados e um tal de pedir desculpas, mas reparar os erros, jamais. Hoje, por exemplo, todo mundo no escuro, obrigado a caminhar sobre túneis mais escuros ainda. Por isso, é preciso o alerta. Vejam os prédios que desabaram há um ano, o que deu até agora? Apenas seis denunciados. E quem continua desaparecido?

Sebastião Paschoal s_paschoal@hotmail.com

Rio de Janeiro

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TRAGÉDIA EVITÁVEL

Fatalidade, substantivo feminino. Acontecimento inevitável; destino. Inevitável, adjetivo de dois gêneros. Que ou o que não se pode evitar. Então senhores proprietários, não foi fatalidade, e sim omissão criminosa.

Luiz Nusbaum lnusbaum@uol.com.br

São Paulo

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COISAS DE BRASIL

A tragédia que aconteceu em Santa Maria é o produto final de tudo que se vê pelo Brasil afora. Se o alvará estava vencido desde agosto, por que ainda estava sendo providenciado? Atraso dos donos da boate ou atraso das autoridades sempre enredadas em uma burocracia infindável (acontece por todo o País)? Se só havia uma saída/entrada, como pode ser autorizada a funcionar antes? Quantas são as boates e casas de show, as enormes igrejas, os cinemas e teatros, os shoppings, enfim, lugares onde muita gente frequenta ao mesmo tempo, que não estão em condições de segurança? E não são só incêndios que podem acontecer, basta haver uma briga dentro de algum lugar para que se crie uma situação de pânico.

Maria Tereza Murray terezamurray@hotmail.com

São Paulo

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CULPADOS NÃO TÊM ROSTO

A tragédia em Santa Maria não é um caso isolado, cujas causas se encerram na boate Kiss de uma cidade interiorana do Rio Grande do Sul. Se o olhar for acurado e processual, talvez encontremos vínculos da “fatalidade” com o sistema capitalista desregulado, a esfera pública contaminada pelo interesse privado, a fragilidade da legislação brasileira, a leniência pública e política com o ilegal, a permeabilidade do Estado à corrupção, a ganância das empresas, a qualificação deficiente do profissional na segurança privada, a espetacularização do individualismo, a tolerância da sociedade com as irregularidades e a apatia contestatória das pessoas. Esse encadeamento de fatos, que se retroalimentam, talvez, novamente, seja parte da engrenagem de um complexo sistema sociopolítico-econômico cuja fonte de energia provém da alienação dos indivíduos em seu contexto sociológico, que buscam seu pertencimento nos grupos, consumindo vorazmente, exibindo-se, fragmentando-se de forma cada vez mais transitória. Essa alienação, que mina a resistência crítica da massa e também da elite dominante, perpetua as disfunções que existem no Estado de Direito de nosso país. Os formuladores filosóficos e políticos dessa estrutura alienante, os executores e operadores públicos e privados desse sistema socialmente desigual, os mandarins econômicos que financiam o novo modelo capitalista e os veículos de comunicação que fazem a difusão e a defesa desses conceitos são o cérebro e o espírito de nossa sociedade. Mas os planejadores e estrategistas desse mecanismo de individualismo acrítico e do consumismo descartável, que deram vida a um sistema intuitivo e autoprogramável, são ao mesmo tempo substituíveis e vítimas de sua criação. Muitos de seus filhos, mortos em tragédias como a de Santa Maria, pegos pela violência urbana, são o preço a pagar. São os sacrifícios que oferecerem aos deuses do novo capitalismo flexível e amoral. E, assim, os dentes das engrenagens podem continuar a girar e a moer até que outra tragédia aconteça, sem que os grandes e verdadeiros responsáveis, sem rosto, sejam punidos, os mesmos que vão prestar cinicamente solidariedade aos familiares das vítimas.

Luís Humberto Rocha Carrijo luishrcarrijo@gmail.com

São Paulo

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OBJETIVIDADE

Desgraças e tragédias ocorrem no mundo todo. O Brasil tem a particularidade de ser guiado pela hipocrisia, pelos discursos vazios, pela procrastinação da Justiça. Deixando de lado se o alvará da boate estava vencido, se alguém fez vista grossa, se molharam a mão de alguém responsável pela fiscalização, fatos corriqueiros ao sul do Equador, há responsáveis pela tragédia de Santa Maria, sim! Não poderia haver show pirotécnico num local fechado com forração inflamável. Não poderia haver autorização da casa para isso, sabedora das características das suas instalações. Não poderiam inexistir saídas de emergência compatíveis com o número de pessoas no interior da boate. Banda e donos do estabelecimento têm de se explicar sobre esse crime hediondo ou 234 mortes ficarão sem culpados.

Flavio Marcus Juliano opegapulhas@terra.com.br

Santos

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VÁRIOS FATORES

É inevitável buscar um culpado quando uma catástrofe de tamanha proporção em Santa Maria interrompe mais de 200 vidas ceifando sonhos e desejos. Principalmente quando tais sonhos pertenciam a uma classe em pleno crescimento, que comemorava uma de diversas glórias que viriam a ter. No entanto, achar que a imprensa tem o direito de assumir a posição de uma provedora da verdade, e vasculhar até identificar um algoz, é completamente equivocado. Se for fundamental neste momento identificar um crápula que tenha proporcionado tal acontecimento, deve-se pensar num conjunto de fatores convergentes que a infelicidade os fez colidir, desde os sócios que abriram a boate até o vocalista que resolveu fazer um show pirotécnico em um lugar fechado.

Pedro Beja Aguiar pedrobejaaguiar@gmail.com

Rio de Janeiro

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NÃO APRENDEMOS NADA

Na década de 50 do século passado, na parte superior de um sobrado na Rua Florêncio de Abreu, centro de São Paulo, funcionava um salão de danças, ou, gafieira famoso na época, conhecido como Clube 28. Quis o destino que um grande incêndio atingisse o local, matando 50 pessoas! Para adentrar ou sair deste sobrado do clube havia apenas uma porta, e a escada era de madeira, aonde mais de 250 pessoas se acotovelavam para curtir as noitadas. E esse, até então como recinto de balada noturna, configurava-se como o da maior tragédia no Brasil... Oras! Passados quase 60 anos deste episódio, mais outros de triste lembrança até fora do País, as nossas autoridades representando os três poderes da República nada aprenderam para garantir um mínimo de segurança à sociedade! E a prova disto está nesta lamentável tragédia que ocorreu na madrugada deste último domingo em Santa Maria (RS) que numa boate que só funcionava pela total insanidade das autoridades, porque mesmo sabendo que seu espaço interno poderia receber até 1.500 pessoas, havia uma porta somente que servia tanto para entrar ou sair, sem janelas, etc. Resultado desta estupidez, até aqui 234 jovens morreram asfixiados para a dor dos seus familiares e de toda Nação! Agora a polícia está prendendo os músicos da banda devido ao uso de material pirotécnico, suposto causador deste incêndio, e o dono da casa noturna! E o prefeito da cidade, o governador do estado, os responsáveis pelo corpo de bombeiros, etc. não serão presos também?! Esses são os verdadeiros culpados porque não fiscalizam e permitem o funcionamento destes recintos!

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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QUE PAÍS É ESTE?

A morte de 234 pessoas em um incêndio na boate Kiss, na cidade gaúcha de Santa Maria (a 301 km de Porto Alegre), desencadeou um verdadeiro efeito dominó na discussão sobre a prevenção e condições de segurança das casas noturnas pelo País. Na segunda-feira (28), prefeituras, bombeiros e até mesmo governos estaduais se reuniram ou já iniciaram ações de fiscalização aos estabelecimentos. No Brasil é assim mesmo, depois da porta arrombada, escancarada, alguém se mexe e diz que vai resolver. Depois é tudo a lesma lerda e volta-se às origens do faz de conta que existem leis. Só um pequeno e grande detalhe: quem autorizou esse estabelecimento a funcionar até agora sem o alvará, que estava vencido? E quanto ele (ou eles) levou? Isso deveria ter pena de morte sem nenhum reparo.

Antonio Jose G. Marques a.jose@uol.com.br

São Paulo

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INCÊNDIO TRÁGICO

Vivemos um momento ímpar no nível de desvalorização da vida humana. Homicídios estão acontecendo por todo o País e nada, absolutamente nada, é feito pelos senhores congressistas para mudar esse falido Código Penal. Não bastasse essa anomalia, agora o Brasil está de luto pelas mortes dos jovens numa boate em Santa Maria (RS). Quem autorizou o funcionamento dessa sinistra casa? Quem fiscalizou o ambiente em funcionamento pleno? Será que aquele local comportava mesmo mil pessoas, ou já não era um exagero? E as demais casas noturnas, cinemas, teatros pelo País afora, como estão? E por último: Quem será punido? Ou, como a tragédia do Aeroporto de Congonhas, tudo vai ficar esquecido? Já passou da hora de o Brasil se tornar um país sério.

Ademar Monteiro de Moraes ammoraes57@hotmail.com

São Paulo

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O CUSTO DO JEITINHO

Até quando seremos vítimas de tragédias como de Santa Maria (RS) para que tenhamos responsabilidade e mudar a nossa cultura de tomar as medidas que deveriam ser preventivas só depois de a fatalidade acontecer? Vidas é um custo muito alto que seriam facilmente superados, basta "obrigar" os responsáveis e fiscalizar o cumprimento das obrigações dos envolvidos. O "custo" do jeitinho brasileiro é muito caro quando estamos lidando com vidas.

Laert Pinto Barbosa laert_barbosa@ig.com.br

São Paulo

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DOR

Não há palavras, gestos e atitudes que possam aliviar e confortar os familiares da tragédia ocorrida em Santa Maria (RS). Um misto de tristeza e desânimo para quem já passou por tais circunstâncias em tantas outras catástrofes ocorridas no passado. A comoção dos políticos e suas lágrimas soam falsas diante das tragédias anunciadas a cada dia quando, irresponsavelmente, colocam os interesses políticos à frente de uma administração responsável com elementos apadrinhados em pontos chaves da segurança da população. Tristemente, as lágrimas dos políticos já estarão secas antes do anoitecer para não atrapalharem a visão das próximas eleições, enquanto os familiares carregarão, sozinhos, sua dor para toda a eternidade.

João Roberto Gullino jrgullino@oi.com.br

Petrópolis (RJ)

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DESCASO

Muitos jovens tiveram sua vida brutal e irresponsavelmente interrompida. Neste momento amparar os sobreviventes e confortar as famílias dos que morreram é muito importante. Mas não cabe utilizar o evento em demagogia política de plantão. Reflexão responsável sobre as condições de segurança da casa, deve e precisa urgentemente ser feita: 1) Quem concedeu o Alvará de funcionamento? 2) Quem fez a inspeção e concedeu o laudo de avaliação do Corpo de Bombeiros. 3) Foi concedida licença para utilização de fogos de artifício no interior da boate? Poderíamos fazer uma lista com inúmeros itens, que infelizmente só nos remete aos descasos de nossas autoridades, que somente acabará, o dia que responsáveis por tragédias como esta foram severamente punidos e presos.

João Batista Piovan jb@reunidaspiovan.com.br

Osasco

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FISCALIZAÇÃO

O Brasil todo está de luto com a morte de tantos jovens no incêndio no Rio Grande do Sul. Procurar culpados e crucificá-los, infelizmente, não os trará de volta. Temos, sim, que tentar ao máximo impedir que novamente aconteça fato semelhante, cobrando uma fiscalização rigorosa para o funcionamento das boates do País. Fiscalizar para evitar e não lamentar após o ocorrido.

Maria do Carmo Zaffalon Leme Cardoso mdokrmo@hotmail.com

Bauru

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MINUTO DE SILÊNCIO

É a homenagem mais hipócrita para os jovens mortos na tragédia no Rio Grande do Sul. Precisamos, sim, gritar, sair às ruas e exigir que a justiça seja feita e os culpados, punidos. Minuto de silêncio é tudo o que as autoridades e políticos desejam. Muda, Brasil, mudemos todos e que a indignação por tudo isso que está aí seja mostrada nas ruas e também sirva de aviso de que isso é apenas o começo do exercício pleno da democracia pelo povo.

Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br

Osasco

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NÃO TEM VOLTA

Tragédia que poderia ser evitada, foi o que aconteceu em Santa Maria. Mas agora, mesmo que definitivamente consigam inspecionar direito todas as casas de eventos em todo o Brasil, para que isso nunca mais ocorra, 234 pessoas não retornarão à vida, sendo sempre uma tristeza essa data para quem ficou. Meus sinceros pêsames às famílias dos que se foram.

Alberto Souza Daneu albertodaneu.health@gmail.com

Osasco

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FESTA MACABRA

Como podemos aceitar tragédias como a de Santa Maria (RS) em nosso dias? Quem seriam os responsáveis? Dizem o anexim que "o mal feito não tem dono". São muitos fatores: falta de treinamento dos seguranças, portas de saída trancadas, bandas que usam efeitos pirotécnicos, lotação máxima desrespeitada, etc., etc., etc. Os jovens acreditam que festas com formatos modernos, eivadas de efeitos que propiciam a euforia dos presentes, são aquelas que devem ser a "moda" onde os jovens se sentiriam inseridos em seu meio. Por que não comemorar as vitórias e festas com simplicidade e harmonia? Este é apenas um reflexo da falta de responsabilidade da maioria dos donos de casas noturnas do País. Que tristeza para o Brasil!

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

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BAGUNÇA

Quando eu digo que a universidade virou espaço de culto à bagunça, à vida desregrada e à irresponsabilidade, completamente desvirtuada de seus valores originais, dizem que sou cricri e antissocial, que sou chato e amargo. Mas deu merda. Alguém foi irresponsável e deu merda. Várias pessoas foram irresponsáveis e deu merda, muita merda. Teto de espuma, falta de sinalização, extintores mal inspecionados e não funcionando. Luzes de emergência que não funcionaram. Gente drogada e alcoolizada que não pôde reagir. Alguém disparando um sinalizador num ambiente fechado. Uma irresponsabilidade atrás da outra em nome de "curtir a vida" e "aproveitar a melhor fase da vida". E não me venham com "ah, mas foi um caso isolado, nem todos os lugares são assim". Bobagem. Essas duas frases resumem a concepção atual que, estimo, no mínimo metade dos jovens têm sobre a universidade: é o lugar de beber, de conhecer drogas, de “pegar” todo mundo, de ir a festas de arromba. Construir o conhecimento é bobagem, prestar serviço à humanidade através do saber é bobagem: o importante são as fotos no Facebook, as histórias para contar, o carpe diem moderno e o diploma fuleiro ao final do curso. A palavra de ordem é curtir. Curtiram. Curtiram 234 corpos queimados frutos não deste ou daquele erro de fulano ou ciclano, mas de um comportamento e um valor difundido entre os jovens. Não sou conservador. Não acho que aproveitar a vida faça mal. Não há problema nenhum em fazer uma festa ou gostar de uma balada. Mas é um problema quando a responsabilidade é posta de lado em nome de um estilo de vida. O problema é quando este é o único objetivo, o norte que direciona toda uma vida. O problema é quando vivem em função da sexta-feira-à-noite e todo o resto perde o sentido. E é assim que, como eu vejo, muitos têm vivido. E pior ainda é quando tudo isso é defendido e divulgado pela mídia e pela sociedade. Eu aposto que boa parte dos sobreviventes vão estar em outra festa, muito parecida com essa, para comemorar a sobrevivência. E vão achar o máximo e suas famílias vão apoiar isso. E isso, meus caros, é de matar. Novamente: a causa real deste incêndio é um comportamento defendido por muitos. Ninguém ali pensou em sua própria segurança. Ninguém pensou no que poderia acontecer quando se reunissem tantas pessoas em um ambiente tão fora de controle. Mais de 2 mil pessoas, a maioria alterada devido ao álcool ou às drogas, em transe por conta da música, no mesmo espaço. Desta vez não deu certo.

Douglas Vinícius de Moraes Lima, 19 anos ne.crois.pas.la.verite@gmail.com

São Paulo

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CULPADOS?

No país da impunidade, mais uma grave tragédia entre tantas que acontecem neste nosso Brasil. Somos todos culpados, pois não exigimos que nossos direitos sejam respeitados. Estes jovens ao contratarem o local para a festa confiaram que tudo estivesse funcionando como manda a lei. Ora, a lei, dá-se um jeitinho e tudo funciona como se estivesse "nos conformes". Vê-se agora que o alvará estava vencido, mas alguém no governo local liberou. A saída de emergência era minúscula para uma capacidade de pessoas dentro do local. Os IPTUs com certeza já foram distribuídos.Com certeza vários políticos lá aparecerão... Quando digo que somos todos culpados é porque em quantos destes shows nacionais e estrangeiros, país afora, os "artistas" estão mesmo preocupados com seus fãs, exigindo todas as condições de segurança para se apresentarem? Conheço pessoas que foram em shows caríssimos de artistas estrangeiros, se machucaram nos buracos dos gramados e não tiveram atendimento adequado. Se soubéssemos mesmo exercer nossa cidadania, exigiríamos das autoridades, dos artistas e de quem mais fosse a responsabilidade as condições corretas ou não iríamos dar nosso suado dinheiro para estes shows. Falta colocar na cadeia os autores invisíveis destas tragédias: omissões, corrupções e impunidade a principal.

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

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TRAGÉDIA DO SUL

A experiência que tenho na área da segurança me permite dize que soldados, cabos e sargentos do Corpo de Bombeiros são heróis. Quanto a oficialidade dos bombeiros, tenho muitas dúvidas: quantos já se perguntaram se o modo de vida deles é compatível com seus salários? Alguém que tem a formação policial e é encarregado de planejar e fiscalizar condições que permitam salvar vidas em tragédias, sejam elas naturais ou não, não pode dar certo. Até hoje eu me pergunto por que o bombeiro tem de ser policial militar se a atividade fim é exclusiva da defesa civil? Grandes lojas, clubes, boates, dependem da autorização dos bombeiros para funcionar e se forem fiscalizadas pela Defesa Civil veriam que não tinham as mínimas condições de estarem em funcionamento. É urgente que se desfaça o mito que todo bombeiro é herói, observem as diversas tragédias ocorridas em diversas cidades e questionem as licenças concedidas por oficiais bombeiros, que não representam a maioria de sua classe, mas que são uma desgraça para todo o sistema. Diga não ao policial militar que virou bombeiro, diga sim ao bombeiro que não é policial.

José Renato Nascimento jrnasc@gmail.com

São Paulo

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VAGABUNDAGEM

Após a tragédia, 30 dias de luto, presença da presidenta, repercussão na imprensa mundial. E pensar que tudo poderia ser evitado com medidas simples, que na verdade são obrigação das autoridades responsáveis, tais como: fiscalização, tornar obrigatória a instalação de sprinklers nesse tipo de estabelecimento, proibição de uso de fogos de artifício em ambientes internos, etc. Como vemos a vagabundagem dos chamados "homens públicos" pode ser bem trágica.

Nestor Rodrigues Pereira Filho rodrigues-nestor@ig.com.br

São Paulo

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SOLIDARIEDADE

Enquanto isso, numa tragédia igualmente sinistra, mas naquele caso agravada pela incompetência do governo corrupto instalado em 2003, que levou ao País ao “apagão aéreo”, o voo 3054 da TAM deixava 199 mortos. Naquela ocasião, o único e principal responsável pelo sucateamento dos aeroportos que foi o que motivou o triste acidente fugia a suas responsabilidades e se escondia (como sempre o fez). Numa situação tristemente lembrada, o eterno apunhalado pelas costas não foi sequer capaz de prestar solidariedade às famílias dos falecidos. Foi lamentável!

Humberto Boh hubose@gmail.com

São Paulo

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ATÉ QUANDO?

A tragédia ocorrida em Santa Maria (RS) que causou a morte de centenas de jovens numa boate – não é uma mera fatalidade. É fruto da irresponsabilidade e do despreparo que imperam no País. Se as normas legais de prevenção e fiscalização tivessem sido cumpridas, nada disso teria acontecido e os danos teriam sido infinitamente menores. Até quando esses absurdos continuarão acontecendo no Brasil?

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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O BRASIL DE LUTO

Estamos de luto. Não há consolo possível para as famílias das vítimas. Seguramente, os inquéritos estabelecerão com precisão causas e responsabilidades. Ainda sob o impacto da tragédia pode ser temerário arriscar uma opinião. Mas há algumas considerações inevitáveis. O alvará de funcionamento estava vencido desde agosto 2012. O problema é que se esse evento fosse programado em julho do ano passado, com o alvará em vigor, não teria feito muita diferença. O local não era seguro. Mesmo com alguns extintores funcionando (segundo relatos, nem todos estavam em condições), sem capacidade de evacuação, a tragédia teria sido a mesma. Nunca poderia haver permissão para o funcionamento desse local (e de tantos outros) que virou uma imensa ratoeira.

Alexandru Solomon alex101243@gmail.com

São Paulo

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LEI DE GERSON

Enquanto o Brasil tiver uma sociedade que queira levar vantagem em tudo, como a tal "Lei de Gérson" outras tragédias irão acontecer. Refiro-me à tragédia de Santa Maria (RS). O dono da boate precisaria ter confiança de que sua clientela na hora de ir embora pagassem suas respectivas despesas e não dessem "um cano", bem como sua clientela precisaria saber que em caso de acidente ou ameaça de uma tragédia as portas seriam abertas prontamente, uma vez que o acidente, se houvesse, seria um risco à ser assumido pelo empresário do negócio. É fundamental e necessário que essas duas partes se respeitem. Afinal sempre fazemos parte de um lado ou outro dos fatos do dia a dia, em nossas preciosas vidas.

José Piacsek Neto bubapiacsek@yahoo.com.br

Avanhandava

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BRUTAL PARA O ESTADO E PARA O PAÍS

Vivo num país que rotineiramente corre atrás dos prejuízos, mas desta vez ninguém vai poder jogar a culpa na natureza. Enchentes, desbarrancamentos e incêndios em áreas preservadas, muitas vezes provocados por raios, mascaram a incompetência generalizada do poder público. Incêndios urbanos escancaram a ineficiência de bombeiros mal equipados e o não cumprimento de normas de segurança para locais públicos.

Sergio S. de Oliveira ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

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PERDEU-SE O RESPEITO

Mais uma irresponsabilidade dos dirigentes que devem zelar pelo cumprimento das leis, fazer valer a liberação de alvará de funcionamento de casas de espetáculos. Com isso, centenas de jovens morrem – no Rio Grande do Sul – familiares que choram os filhos perdidos prematuramente. Bombeiros que derrubam paredes para salvar outros tantos, pois as saídas estavam bloqueadas. E aí aparecem os especialistas para explicar o inexplicável. Quanta ganância em ter lucro a qualquer custo. Pobre povo brasileiro que assiste a uma catástrofe dessas e, sabe que ninguém será responsabilidade e punido, pois o esquema que existe no Brasil, implantado pelos governantes e com aprovação do povo, aparece depois do acontecido, com cara de "peixe morto" e diz que tudo será apurado e os responsáveis punidos.

O homem perdeu o respeito pelo próximo, vivemos num regime igual ao Oeste Americano na época da migração dos desbravadores para este lado do país, onde a única lei que valia era ter um revolver na cintura. Lamento pelos sonhos destruídos das famílias e de seus filhos mortos nessa tragédia. Vale uma pergunta aos dirigentes deste país: será que vocês acham que levarão para o tumulo a riqueza acumulada? Ledo engano, só os Faraós fizeram isso e anos depois esse tesouro foi saqueado e levado pelos aventureiros, os mesmo que hoje são os dirigentes do País. Todos vocês serão somente ossos empoeirados.

Tanay Jim Bacellar tanay.jim@gmail.com

São Caetano do Sul

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TUMBEIROS

Muito vai ser comentado sobre mais uma tragédia que, mais uma vez deixa estarrecido todo o país e também o mundo pelo assassinato de 234 jovens, a maioria universitários. São tragédia recorrentes e assim como a do circo de Niterói (500 vítimas), do edifício Joelma e muitos outros acontecimentos lamentáveis em que não aparecem os responsáveis. Outras boates, outros edifícios e outros circos servirão de túmulo para jovens, crianças e idosos.Jornais e TV terão matéria farta nessa tragédia. Até mesmo o governo, por intermédio da presidente tratou de mobilizar ministérios numa atitude natural nessa contingência. Quantas perguntas serão feitas quanto a segurança do local, a capacidade de lotação, se houve autorização para funcionamento. São perguntas que são questionadas sempre depois da tragédia. Outras boates, infelizmente, estão na fila para mais uma tragédia. Um número incontável de casas de diversão não passam de tumbeiros da nossa juventude.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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ABSURDA SEQUÊNCIA DE FALHAS E ERROS

Como profundo conhecedor de sistemas de alarme, detecção e combate a incêndios, venho há muitos anos alertando e denunciando para a falta de prevenção e manutenção que existe aqui, no Brasil. Autoridades deste nosso pais, pelo amor de Deus sejam firmes e severos, apliquem leis mais duras e penalizem sem dor o descumprimento das mesmas. Fechem se for necessário boates, shoppings, teatros, armazéns, depósitos, escolas, cinemas e casas de espetáculos se não estiverem com os equipamentos seguros e eficazes contra incêndio e também que se fechem os locais fechados se não tiverem no mínimo 2 portas de emergência além da entrada principal, grandes o suficiente para uma evacuação correta e segura. Chega de irresponsabilidade, cadeia para todos os que infringirem as leis de segurança. Prefeituras não concedam alvarás de funcionamento a lugares fechados que só tem uma única porta de entrada e saída. Pais e mães exijam firmemente das nossas autoridades mais respeito para com as vidas humanas pois tragédias como a da boate Kiss em Santa Maria (RS) não podem mais acontecer por causa de tanta negligência e irresponsabilidade com a falta de prevenção e manutenção dos equipamentos de segurança contra incêndios. Pelo amor de Deus chega de tanta omissão e que o sinistro horrível que aconteceu na boate Kiss não se repita nunca mais no nosso pais. Eu, aqui com este depoimento, já estou fazendo a minha parte, agora você faça a sua como cidadão cumpridor das suas obrigações e exija os seus direitos, pois temos que exigir das nossas autoridades o basta já de tanta irresponsabilidade, incompetência e a falta de Prevenção que temos em todo o Brasil.

Victor Freire v.freire@globo.com

São Paulo

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CORRUPÇÃO MATA

A tragédia de Santa Maria tem diversos componentes, mas um deles, e o mais criminoso de todos, é a corrupção. Como um local como este recebe autorização para funcionamento, se a legislação exige portas de emergência? Simples: corrupção. Os donos da boate, provavelmente, engraxaram as mãos do fiscal, que fez vistas grossas à falta das portas de emergência. Este é o país do jeitinho (que nada mais é do que a legalização da corrupção). E jeitinhos como este acabam de matar 234 jovens. E ainda tem gente que se orgulha do “jeitinho” brasileiro.

Geraldo Roberto Banaskiwitz geraldo.banas@gmail.com

São Bento do Sapucaí

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DIFERENÇAS

Vimos, perante a tragédia acontecida em Santa Maria, nossa presidente Dilma, que estava no Chile, imediatamente voltar ao Brasil e, comovida, dizer que já tinha pedido aos seus ministros que fossem ao Rio Grande do Sul e fizessem todo o possível para amenizar o sofrimento daquela gente atingida por ato tão triste. Lembrei-me, então, do ex-presidente Lula, que não apareceu em São Paulo quando do acidente com o avião da TAM, que matou mais de cem pessoas e, por coincidência, também vinha do Rio Grande do Sul. Quanto a seus ministros, o que vimos foram os gestos obscenos de Marco Aurélio Garcia, muito feliz ao imaginar que pessoas do governo não tinham culpa pelo terrível desastre. Mas, já vimos Lula chorar e foi quando o Brasil ganhou para sediar a copa do mundo de 2014. Uma chora pela dor do povo, enquanto o outro, provavelmente, pelos louros que lhe caberiam ao conseguir trazer o evento esportivo para o País.

Eni Maria Martin de Carvalho eimartin@uol.com.br

Botucatu

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VANTAGENS

Os órgãos municipais, estaduais e federais falharam grotescamente na prevenção por falta de antecipação e controle do cumprimento das regras de segurança. Os abutres petistas ficam agora na televisão desfilando de eficientes, com o objetivo de tirarem vantagens políticas desta tragédia, ao invés de fazerem o trabalho e oferecerem as condições para atender a todos com decência e longe dos holofotes e pedirem desculpas ao País. Ministro da Saúde, tome vergonha na cara!

Nelson Pereira Bizerra nepebizerra@hotmail.com

São Paulo

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CARNAVAL DA MORTE

O certo é que é um luto nacional. Há como ter em fevereiro, aqui, no Brasil, o carnaval? Se a Presidência da República decretar uma medida provisória transferindo a popular festa brasileira para junho, coincidindo com a época das festas juninas, será apoiada pelo povo?! Pelo Congresso?! Pelos políticos?! Pelos empresários?! Enfim, pela plutocracia situada acima do poder formalmente constituído e suas atividades correlatas (sexo, drogas, etc.)?! E o povo, se contenta com circo? E a tristeza nacional?!

Luiz Fernando D’Ávila lfd_avila@hotmail.com

Rio de Janeiro

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SOLIDARIEDADE

Apesar da sucessão de falhas na segurança da Boate Kiss, de competência de órgãos governamentais, não podemos deixar de registrar nossa admiração e respeito pela solidariedade de alguns de nossos políticos, autoridades e principalmente da nossa presidenta Dilma. Um exemplo para o mundo.

Mauro Roberto Ziglio mrziglio@hotmail.com

Ourinhos

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CHORO

Não se iludam com o “choro” de dona Dilma. Na verdade, essa senhora quer o voto das famílias dos vitimados nesta mais nova tragédia brasileira. Dona Dilma só quer saber dos votos dos que não morreram, isso que realmente importa pra ela.

Ricardo Sanazaro Marin s1estudio@ig.com.br

Osasco

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CAMPANHA

No editorial de ontem com o título O horror de Santa Maria, o autor cobre de elogios a presidente Dilma Rousseff por sua conduta pós-acontecimento. Nada demais: a presidente encontra-se em plena campanha eleitoral e não poderia deixar passar em branco essa oportunidade, não importa quão trágica ela é.

Flávio José Rodrigues de Aguiar flavio.daguiar@gmail.com

Resende (RJ)

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AVALIAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR

À parte de inconsistências ou mesmo dúvidas, a avaliação do ensino superior deve sempre ser feita. Gabriel Mario Rodrigues, mesmo como parte nitidamente interessada membro nato do Conselho da Presidência do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo – Semesp), traçou comentários pertinentes à forma como o Ministério da Educação (MEC) procede à avaliação de cursos e escolas (Avaliação da educação superior brasileira, 29/1, A2). Porém, deve ser esclarecido que o ministério se utiliza também de especialistas e assessores, de fora de seus quadros, para auxiliar nas visitas in loco e elaborar relatórios e pareceres. No mais, vivemos um paradoxo na formação de pessoas, indo da visão exclusivamente comercial, visando ao lucro, até a visão de que educar é custo e não investimento.

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Lorena

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POLÊMICA

A questão da avaliação do ensino superior sempre vai causar polêmica, porque é da natureza da própria avaliação carregar um alto grau de subjetividade e por outro necessita de um decisor e haverá sempre uns que gostem e outros não dos resultados. No Brasil ainda estamos na fase da experimentação e vamos demorar ainda, apesar dos avanços, em consolidar um sistema com indicadores confiáveis que permitam generalizar, apesar de que avaliação é processo que deve acontecer de forma individual em cada instituição, porque cada uma tem um projeto e é nele que deve se fundar todo o processo. Mas pelo sistema brasileiro do Sistemas Integrados de Administração Escolar (Sinaes), se fossem aplicados seus princípios poderíamos avançar mais, todavia a meu ver, apesar de dizerem que não, há sim uma mistura da dupla função – avaliação e regulação e isso causa sérios problemas. Avaliação pressupõe processo continuo onde o dialogo a troca de ideias, a sintonia entre os diversos atores é fundamental ao lado de indicadores que foram fixados pela Conferência Nacional de Educação (Conae). Não é o que acontece com a nossa avaliação, em que os avaliadores chegam e não podem dialogar com a instituição, seus professores, seus dirigentes, seus alunos, seus funcionários e apenas se fixam em papeis , quando não direcionados para tentar “pegar pontos negativos” e pronto. O sistema foi montado de tal forma que não permite que a subjetividade, a opinião do avaliador, sua visão como educador, os processos em andamento, as melhorias que estão acontecendo influenciem os resultados finais. Se é um sistema, deve ser visto como tal e funcionar como tal e não atividades isoladas para atribuir conceitos. Estamos ainda na fase do IGC como se a instituição fosse apenas cursos, além do que para mim ele não representa um denominador que possa ser generalizado. Avaliar para melhorar, para crescer, para desenvolver a partir de projetos com começo, meio e fim. Agora o Estado tem o direito constitucional de regular e até pode usar os resultados, como a própria lei diz, como base para o processo regulatório, mas jamais confundi-lo. Aliás seria fácil o MEC estabelecer as regras do processo regulatório independente da avaliação (Enade), Avaliação dos cursos e Avaliação Institucional, para que o Estado legitime a existência sempre temporária das Instituições. Mas o grande problema está no que Claudio de Moura Castro bem colocou na revista veja sobre a média dos cursos considerados melhores e os considerados piores. Isso significa que as médias podem ser enganosas e nos remete a uma conclusão mais preocupante de que a avaliação é um ranqueamento fundado em indicadores pouco validados e que não demonstram a real situação de cada instituição, porque sempre os índices são divulgados isoladamente o que distorce ainda mais e prejudica a imagem da Instituição. Que existem Instituições com baixa qualidade de serviços todos sabem, mas também existem instituições boas que por acaso na dita curva ficam entre as piores. Urge, portanto, como bem coloca Gabriel, que se aperfeiçoe continuamente o sistema de forma cooperativa e com um ânimo de querer melhorar a qualidade dos serviços educacionais, melhorar o perfil dos educados para que sirvam a si e a sociedade de forma competente e atualizada. Mas lamentavelmente criamos uma síndrome perigosa que povoa o imaginário da mídia e também das Instituições que ficam a espera do fatídico dia em que serão divulgados os resultados dos índices. E aí é um Deus nos acuda para justificar, para recorrer, para demonstrar erros, distorções e assim por diante. Nunca é demais repetir que todos são a favor da avaliação, mas contra a síndrome da avaliação. Todos querem fazer o melhor a começar pela autoavaliação coordenada pelas Comissões Próprias de Avaliação (CPAs) que representam o termômetro a monitorar os indicadores de qualidade dentro de cada Instituição. Se as CPAs funcionarem bem a instituição tem mais da metade do caminho cumprido no processo de avaliação, porque interessa mais a ela do que ao Estado que seus serviços tenham necessariamente qualidade e onde possível excelência, sempre atualizados nas modernas técnicas do ensino e aprendizagem que respondam a uma sociedade cada vez mais globalizada e interligada e onde coexistem a multiplicidade de meios de aprendizagem onde até a escola é um e esta com a missão final de certificar.

Raulino Tramontin Contatord@terra.com.br

Brasília

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AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRA’

O artigo de Gabriel Mario Rodrigues reforça o que as instituições de ensino superior comentam a muito tempo. Contudo, o autor do artigo não mencionou que a UNE impõe ao Ministério da Educação a condição de que as notas dos estudantes não fiquem atreladas aos respectivos históricos escolares. Esse é o ponto nevrálgico da questão, ou seja, o descompromisso, falta de cidadania e de responsabilidade dos estudantes em detrimento da imagem de suas escolas e dos colegas que ainda estão nelas matriculados.

Nelson C. F. Bonetto nelson.bonetto@oswaldocruz.br

São Paulo

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EDUCAÇÃO E SUA AVALIAÇÃO

O artigo é sem dúvida um reflexo fiel de nossa realidade. Sou professor desde 1957, tendo galgado todos os níveis, desde o 6o ano até o ensino de pós-graduação. Hoje, para mim, é muito clara a degradação do ensino, nesses 57 anos de docência. Causas? Baixa remuneração dos professores, em todos os níveis, mas aviltante no ensino fundamental e médio. A substituição do Estado pelas escolas particulares tem invertido muitos dos valores essenciais da educação. Professores despreparados pedagogicamente e didaticamente, cuja tendência é fazer com que os alunos "decorem" tudo, pois o professor típico não tem capacidade de avaliar alunos brilhantes que dão respostas corretas e até brilhantes, mas fora do "conhecimento" do professor. Falo com conhecimento de causa pois tenho 7 filhos e 7 netos. Infelizmente, o preceito de que o professor deve ser um facilitador da aprendizagem e não um chefe absoluto e irritante (lembro-me dos grandes educadores Paulo Freire e John Dewey pelos seus ensinamentos, pouco ou nada aprendidos por todos nós!) certamente não existe. O MEC, de fato, não tem condições, em todas as acepções do termo, de avaliar o ensino em todos os níveis, apesar de seu orçamento elevado (meios e fins desbalanceados). O que se propõe é uma política educacional de longo prazo, de poucos frutos políticos, mas de grandes resultados para a Nação (O Japão emergiu da idade média para o topo do primeiro mundo. Como isso foi feito, nos deveríamos saber e, pelo menos, tentar imitar). Doe ao coração ver o estado de escolas pelo Brasil a fora. Muitas são barracos, onde uma idealista ensina, simultaneamente, alunos de todas as idades. Lembro-me do "Oi barracão de zinco, pendurado no morro, pedindo socorro à cidade a seus pés". Dá para refrasear: "Oi barracão da escola, no meio do mato ou do deserto, pedindo socorro aos políticos lá no alto". Infelizmente essas águias voam muito alto e não enxergam ou não querem enxergar o que acontece aqui em baixo. Sem falar na saúde. O povo não pede o Sírio-Libanês, pede para não morrer na fila do SUS. Em vez de fazer campanha para angariar fundos, que paguem a multa imposta aos mensaleiros, sugiro que seja feita campanha para salvar o povo de morrer na fila de um hospital sem médico e sem nada. Deus abençoe o Brasil, enquanto dá tempo.

Giorgio E. O. Giacaglia giorgio.giacaglia@unitau.com.br

Tremembé

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CASO AMIA

Espero que o governo presidido por Dona Dilma Rousseff não tome como exemplo as arbitrariedades que a Cristina Kirchner comete contra a imprensa e a justiça do seu país (Argentina), sem esquecer seus constantes e visíveis subterfúgios para “passar a perna” nas exportações do Brasil. O acordo assinado com Irã para esclarecer o atentado na Amia em 1994, desqualificando a sua própria justiça, é mais uma prova da desfaçatez e torpeza do governo argentino.

Jorge Spunberg jspunberg@gmail.com

São Paulo

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REPÚDIO DA POSIÇÃO ARGENTINA

Argentina deu um formidável passo atrás ao firmar um acordo com o Irã criando uma Comissão da Verdade para apurar, mais uma vez, o atentado terrorista cometido contra o edifício da Amia, em 1994, em Buenos Aires, que matou 85 pessoas. Ao se associar a um Estado terrorista, a atitude do governo argentino desqualifica os esforços realizados pela sua justiça junto com a Interpol e cujas investigações apontaram o dedo acusatório na direção de cidadãos iranianos incumbidos de obedecer à determinação oficial de praticar um atentado exemplar e, nele, matar quantos pessoas fosse possível. É uma afronta à justiça, pretender recomeçar tudo de novo realizando audiências em um país como o Irã cujo governo ignora os direitos mais elementares da pessoa humana. Como buscar a verdade em um país que no último final de semana prendeu 14 jornalistas acusados de suposta cooperação com veículos da mídia estrangeira favoráveis à oposição? Como encontrar a verdade realizando audiências em um Irã controlado pelo ministro da Defesa Ahmad Vahidi, que, junto com o ex-presidente Ali Akbar Rafsanjani, é o principal suspeito de planejar o atentado, e ambos procurados pela Interpol? Como a Argentina pretende descobrir a verdade em um país como o Irã que nega o Holocausto de cerca de 6 milhões de judeus pelos nazistas na 2.ª Guerra Mundial? A ironia da história – além de pretender desmenti-la – é que o acordo foi firmado dia 27 de janeiro, consagrado como o Dia Internacional de Recordação às Vítimas do Holocausto.

Jack Terpins, presidente do Congresso Judaico Latino-Americano arperlov@uol.com.br

São Paulo

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