Fórum Social chapa-branca

Ao chegar à sua 15.ª edição, o Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, consolida-se como um evento oficial, com farto patrocínio estatal, participação direta do governo petista e agenda ditada pelas conveniências políticas e ideológicas do Planalto. Os petistas pretendem explorá-lo usando descaradamente o dinheiro público para defender o mandato da presidente Dilma Rousseff e os interesses do partido. É um caso de evidente confusão entre o público e o privado, tão comum desde que o PT chegou ao poder, lá se vão 13 anos.

O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2016 | 02h55

Enquanto o Fórum de Davos anualmente lida com a dura realidade dos indicadores econômicos, procurando soluções realistas para os desafios globais, o Fórum Social, criado em 2001 para servir como contraponto àquele encontro, advoga o “outro mundo possível” – que, em outras palavras, representa essencialmente a implosão do capitalismo.

É claro que não se deve menosprezar liminarmente ideias que critiquem os problemas do sistema de livre mercado, pois eles existem e não são poucos. No entanto, os raivosos porta-vozes do altermundismo não estão nem um pouco interessados em debater o que quer que seja. Fisiologicamente autoritários, eles pretendem impor seus pontos de vista, e para isso contam com o Estado, que julgam lhes pertencer.

Assim, desde sua primeira edição, o Fórum Social foi alimentado com recursos públicos e contou com ampla estrutura estatal. Não foi outra a razão para a escolha de Porto Alegre como sua primeira sede, pois lá a prefeitura estava sob o controle do PT desde 1989, e o governo do Rio Grande do Sul fora arrebatado pelo partido em 1999. Desde 2003, quando Luiz Inácio da Silva chegou ao poder, foi a vez de o governo federal envolver-se de corpo e alma num evento que, ao menos no papel, diz respeito somente a organizações não governamentais.

Para o PT, contudo, nada há que objetar a respeito desse apoio. Afinal, o partido não vê diferença entre o governo “popular” de Lula e de Dilma e os chamados “movimentos sociais” que se fazem ouvir no Fórum Social. Os petistas entendem que são todos apêndices do grande corpo partidário, que por sua vez se considera detentor do patrimônio estatal, razão pela qual acredita poder dispor dele como bem entender, sempre, é claro, em nome de utopias igualitárias que deixam rastros de sangue e destruição por onde passam.

O Fórum Social deste ano conta com R$ 800 mil da Petrobrás e com R$ 180 mil da Itaipu Binacional, conforme informou O Globo. Nem é preciso dizer que as prioridades da Petrobrás deveriam ser outras, pois a empresa afunda em dívidas e em incertezas graças aos erros brutais cometidos pelos governos petistas e à roubalheira proporcionada pelos conchavos urdidos para sustentar o “outro mundo possível” dos petistas. O problema é o princípio da coisa: dinheiro público não deveria sustentar um evento eminentemente partidário.

Além das manifestações de praxe a favor do governo Dilma, uma das mesas do Fórum abrirá espaço para o presidente do PT, Rui Falcão, discorrer sobre os “tempos de golpismo”. O encontro servirá para “defender a democracia nas instituições e nas ruas contra o golpismo da direita reacionária que sempre se habituou a ser democrática só e apenas quando a democracia serve aos seus interesses”, explicou o sociólogo português Boaventura de Souza Santos, um dos participantes do Fórum.

Os organizadores do encontro anunciam com orgulho que sete ministros de Dilma estarão presentes, deixando ainda mais claro o caráter chapa-branca do convescote. Dizem também que, após 15 anos, o Fórum vai discutir não apenas os “sonhos”, mas as “experiências concretas”, referindo-se aos governos de esquerda da América Latina. Quem sabe entre uma patacoada e outra haja tempo para discutir como os “sonhos” dessa turma resultaram no desastre econômico causado pelas lambanças petistas no País. Aí sim o dinheiro estatal que financiou o Fórum terá sido bem empregado.

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