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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2020 | 03h00

Governo Bolsonaro

Descontrole do presidente


Todos conhecem a história do cachorro que corre latindo atrás do carro e quando o veículo para ele fica sem saber o que fazer. Pois estamos mais ou menos nessa situação: Jair Bolsonaro disse que ia fazer e acontecer para conquistar a Presidência e quando lá chegou ficou mais perdido que cego em tiroteio. Não que ele não soubesse que não poderia fazer o que insinuava, mesmo não sendo as mudanças estruturais/objetivas para a economia (ele sempre declarou não entender do assunto) de que o País precisa como o primeiro passo para voltar a criar empregos e perspectivas de futuro para os brasileiros. Com a estrutura político-partidária que temos, que impede a efetiva representatividade dos interesses nacionais, da população, não há governo que possa redefinir os rumos do País sem apoio dos congressistas corporativistas que dominam o Legislativo e cujo máximo interesse é manter as regalias do poder. Bolsonaro nunca teve (e continua não tendo) perfil de negociador político que lhe permitisse aprovar qualquer projeto seu durante quase três décadas como deputado. Um político corporativista e patrimonialista do baixo clero, com baixíssima capacidade política porque “formado” na caserna, foi alçado à Presidência por falta de opção e não temos alternativa para mudar a realidade do País: as lideranças existentes (sic) já se provaram ineficazes para fazê-lo desde o fim do regime militar e os que se apresentam como o “novo” (excetuando talvez os do Partido Novo, que não tem massa crítica para exercer o poder) são embalagens recauchutadas da “velha política”, que nos trouxe a este impasse. A eventual substituição do ministro da Economia, Paulo Guedes, não resolverá o problema de falta de direcionamento de governo que temos: em função da realidade brasileira (cultural e contábil) e da crise no sistema capitalista global, mudar a economia nacional é uma tarefa praticamente impossível para qualquer um. Este vai ser um ano difícil de passar – embora o tempo esteja voando.


JORGE R. S. ALVES

JORGERSALVES@GMAIL.COM

JAÚ


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Motim no Ceará

Freio de mão


Em meio ao motim de policiais militares na cidade de Sobral, o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE), que teoricamente deveria tentar resolver conflitos na tribuna do Senado munido de palavras, raciocínio lógico e poder de persuasão, subiu numa retroescavadeira de dez toneladas e a lançou contra os amotinados. Cid Gomes estava prestes a causar uma tragédia quando alguém tomou uma atitude extrema e disparou. Por sorte, causou apenas ferimentos sem gravidade. O confronto físico de Cid Gomes é muito simbólico de uma certa elite política que enche a boca para falar em democracia, Estado de Direito, paz social, mas não hesita em bancar o “sinhozinho” com poderes absolutos na boleia de uma retroescavadeira, disposto a esmagar literalmente seus desafetos. Que o ato insano do senador não seja banalizado: Cid Gomes poderia ter provocado uma tragédia, com a morte de vários policiais militares.


PAUL FOREST

PAULFOREST@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Culpas e desculpas


Depois de, com demagógica velocidade, trafegar na contramão e tentar estacionar sobre alguns grevistas desavisados, a maior preocupação do senador é com sua carteira de habilitação (CNH): além da multa, o pior é a pontuação na carteira. Seu único alento é saber que a culpa é do Bolsonaro...


A. FERNANDES

STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO


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Economia

Microempreendedores (2)


Estou inteiramente de acordo com o leitor sr. Renato Maia pelo publicado no Fórum dos Leitores de 20/2 e peço vênia para acrescentar outra razão para o grande número de “microempreendedores” em nosso país. Trata-se de minha própria experiência para poder comprar um plano de saúde para este tempo de aposentadoria. Como se sabe, as seguradoras não vendem mais plano individual (ou vendem muito pouco, não sei). Para adquirir um tive de abrir empresa como MEI simplesmente para poder obter um CNPJ e, assim, comprar um plano empresarial para duas vidas. Essa era a condição do corretor. Não havia outra possibilidade. A única escolha que se podia fazer era quanto ao tipo de plano a ser adquirido. Somente isso. Daí também mais uma razão para a proliferação de CNPJs. Temos de ter um CNPJ de fachada apenas para conseguir adquirir um plano de saúde!


ORLANDO LUIZ SEMENSATO

OSEMENSA@TERRA.COM.BR

CAMPINAS


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Rosa da Fonseca

Mais que uma estátua roubada


Detesto monumentos. Erguem-se em homenagem-pagamento e não mais precisa ser lembrada a personagem. Caxias, o Homem por trás do Monumento, é um livro monumental e, até certo ponto, em desfavor do duque: ali vê-se Caxias além do bronze. Rui Barbosa abominava bustos e estátuas e justificou essa aversão em texto público. Mas já que Rosa da Fonseca mereceu uma estátua, vale relembrar quem ela foi, além de mãe de Deodoro. A cidadezinha alagoana com o nome do marechal, com o seu bem cuidado museu, orgulha-se de ser a terra dos “generais”, todos filhos de Rosa. O Brasil ganhou a guerra da Tríplice Aliança e a notícia chegou à matriarca juntamente com outra: três dos seus filhos estavam mortos e mesmo Deodoro, o mais velho, poderia já não estar vivo. Rosa recusou condolências e consolos declarando que aquele era dia de comemorar a vitória, choraria seu filhos no dia seguinte. Mas ela foi maior do que isso e seria bom que a mídia divulgasse sua história e não ficasse apenas nos 400 quilos de bronze – um nada diante das vigas da perimetral do Rio de Janeiro.


ROBERTO MACIEL

ROVISA681@GMAIL.COM

SALVADOR


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A (PERIGOSA) REBELIÃO DE POLICIAIS E POLÍTICOS


É preocupante a noticiada pressão em 12 Estados pelo reajuste dos salários de policiais militares (Estadão, 21/2, A4). A classe realmente precisa de urgente revisão tanto de salários quanto da política que os estabelece. Mas não pode permitir que aproveitadores ideológicos coloquem mais lenha na fogueira e, em vez de avanços, o resultado seja apenas o voto que eles objetivam. Os governos estaduais, empregadores dos PMs, precisam ser sensíveis ao problema e a classe tem de respeitar suas condições, especialmente a ilegalidade da greve. Os políticos têm de observar este quadro. O episódio da retroescavadeira protagonizado no Ceará pelo senador Cid Gomes é apenas mais um em tantos entreveros em que aquele político já se meteu. Os governos estaduais precisam agir e o federal tem o dever de auxiliá-los, até com o aporte de recursos, se necessário. O salário dos policiais tem sido negligenciado ao longo dos anos e torna o quadro cada dia mais tenso.

              

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo


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PREOCUPANTE


A movimentação de policiais militares em vários Estados é muito preocupante. A segurança pública depende, e muito, de profissionais bem remunerados e usando equipamentos modernos e adequados. E os efetivos devem atender à realidade de cada região. Com a falta de diálogo e de negociação, surgem manifestações que põem a segurança pública em risco. O momento exige um posicionamento coletivo dos Executivos e Legislativos, para estabelecer as condições adequadas e sem reflexos negativos num setor dos mais importantes.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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O CIRCO EM SOBRAL


O que seria da sociedade do bem, não fosse o bom uso das redes sociais, que estão a rebuscar e lembrar-nos fatos e atos políticos de nossa história recente? “Vou receber Sérgio Moro na bala”, foi a ameaça, em 2017, do destemperado candidato vitalício a cargos de farta exposição midiática Ciro Gomes, “cangaceiro” do sertão cearense. Em 19 de fevereiro passado, quarta-feira, fez outro apelativo e irresponsável alarde, decorrente do circo armado pelo seu irmão Cid Gomes, senador licenciado, ao volante de uma retroescavadeira projetada intencional e criminosamente sobre policiais e familiares, em Sobral (CE). Nestas mesmas redes, consta: “Entrei em contato com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, para investigar a covarde (sic) tentativa de homicídio contra o meu irmão Cid Gomes”. Ciro nada falou sobre as vítimas do outro lado do portão. O mundo dá voltas e os hemorrágicos políticos sofrem de amnésia verbal por conveniência. A propósito, irmãos Gomes, está difícil de aceitar que os tiros provocados por arma de fogo não causaram forte sangramento, desorientação cognitiva e riscos à vida da vítima. O noticiário a respeito foi  muito confuso e tendencioso, como sempre, em razão do espetáculo mambembe protagonizado pela família cariri.


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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A RETROESCAVADEIRA


Salários à parte, o assunto é outro: a atitude grotesca do senador Cid Gomes, comportando-se como um velho coronel dos séculos 19 e 20, ou pior, como um cangaceiro, no gravíssimo episódio da greve dos PMs em Sobral (CE). Sua ridícula forma de agir realmente não trouxe e jamais traria qualquer tipo de benefício ou resultado positivo para a solução da questão salarial ora pleiteada. O fato é que o senador demonstrou claramente a sua mais profunda inabilidade, despreparo, falta de responsabilidade e de civilidade para representar o seu Estado, e nem sequer merecer uma cadeira no Congresso Nacional. A sua vergonhosa e hilária atitude de “gladiador” esquizofrênico quase fez com que perdesse a própria vida. Entretanto, há um gravíssimo detalhe a mais nesta quase trágica história: o malfadado “herói do sertão” se armou de uma retroescavadeira – parece ter sido ato programado com antecedência –, uma verdadeira máquina mortífera, devastadora, com a qual de forma covarde investiu contra os seres humanos que estavam à sua frente, portanto assumindo conscientemente o risco de ferir e até de matar várias pessoas. A pergunta que fica no ar: o Ministério Público entrará com alguma ação criminal contra este “machão de ocasião” ou entenderá que tudo isso foi forjado e planejado previamente pelo senador para captar atenção para si próprio e que não passou de uma brincadeirinha de mau gosto? Não será de estranhar que este indivíduo possa sair deste episódio como uma grande vítima. Como no Brasil tudo é possível, provavelmente, o único culpado de toda esta balbúrdia será a coitada da retroescavadeira...


David Zylbergeld Neto dzneto@uol.com.br

São Paulo


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A CULPA DO JAIR


A greve da polícia no Ceará que terminou em confronto entre o senador licenciado Cid Gomes e policiais grevistas foi um ato regional deliberado entre um político irresponsável e policiais fora da lei em rota de colisão com a legislação que proíbe esse tipo de manifestação da classe. Havia todos os ingredientes para tudo dar errado, e deu.  Não obstante, alguns jornalistas acharam prudente envolver o presidente Jair Bolsonaro em suas narrativas. Eliane Cantanhêde resumiu assim o episódio na GloboNews: os irmãos Gomes fazem política na base da beligerância, do confronto; do outro lado, o presidente Bolsonaro está “empoderando” as polícias. Entenderam? A culpa é do Jair.


Peter Cazale pcazale@uol.com.br

São Paulo


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DELÍRIO


Ciro Gomes, bem ao seu estilo irresponsável, disse que considera o presidente Jair Bolsonaro o responsável pelo episódio envolvendo seu irmão, Cid Gomes, baleado em Sobral (CE) depois de investir contra policiais militares grevistas, suas esposas e filhos, usando uma retroescavadeira. Mais um delírio de Ciro Gomes!


Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro


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‘MACHÚRIA’ EXPLÍCITA


Imaginem se fosse o Bolsonaro que tivesse pegado uma retroescavadeira e avançado sobre policiais com risco de ferimentos graves e mesmo morte. As esquerdas estariam estimuladíssimas a fechar o Brasil. No entanto, o macho Cid Gomes, o herói de Sobral, vai para cima sem o menor escrúpulo. Como é de esquerda, tem perdão e aplausos prévios. Para os de esquerda, verborragia é pior que agressão física.


Geraldo Siffert Junior geraldosiffertjunior@gmail.com

Rio de Janeiro


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CORONELISMO DE SANGUE


Políticos são políticos até quando levam tiros com bala de borracha. É uma doença, e, para nós, uma praga.


Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)


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ESQUIZOFRENIA MORAL


Sempre houve políticos posando de justos, de cristãos e, ao mesmo tempo, cometendo crimes, pregando desumanidades, calúnias, ódios, etc. Em tempos de crise, enganam ingênuos, mas agradam a uma minoria da população igual a eles no caráter e na fachada falsa. A novidade hoje não é esperar por políticos, é no nosso entorno e dentro de casa superar esta tradição autoritária, hipócrita, desonesta com a prática da democracia, da justiça, do conhecimento e da busca por melhorar a sociedade.


João Bosco Egas Carlucho boscocarlucho@gmail.com

Garibaldi (RS)


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ABSURDOS


Estranhamente, o senador cearense que na direção de uma retroescavadeira investiu contra dezenas de manifestantes, policiais, que repeliram injusta agressão, não foi preso por tentativa de homicídio. Brasil, terra de devaneios e atos absurdos.


Edmar Augusto Monteiro eamonteiroea@hotmail.com

São Paulo


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O CONFRONTO DE SOBRAL


Corretíssimo o editorial de O Estado de 21/2 (Do motim à baderna), ao dar uma no cravo e outra na ferradura quanto ao preocupante episódio de Sobral (CE), condutas que não podem descambar para outros pontos do País. Tanto o senador licenciado Cid Gomes como os militares estropiaram normas de contenção constitucional. Entretanto, em política – não só – é preciso descobrir o que está por trás dos fenômenos, que não é somente exercício filosófico ou poético. O atual governo é adepto da violência política, mas tem de ajustar-se aos parâmetros da democracia. Utiliza-se de despautérios do presidente e de emprego à socapa de condutas antidemocráticas – como o apoio a milícias. Foram estas a apoiar uma reivindicação salarial – de militares que foram atendidos em suas pretensões segundo o possível financeiro do Estado do Ceará. E remuneração de mais de R$ 4 mil é pequena – mas acima da percepção majoritária dos esquálidos trabalhadores brasileiros. Tudo depende de nosso desenvolvimento econômico, que deveria ser a mais importante preocupação de um governo racional e voltado ao melhoramento do estado social dos brasileiros.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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MUNIÇÃO QUE DESTRÓI


Como a imprensa gosta de um fogo amigo, mas dependendo do lado a notícia vira uma novela, já imaginaram se o Cid Gomes tivesse usado um jipe? E outra: a Câmara ficou chateada por ter sido chamada de chantagista? Quando a fala do general Augusto Heleno foi surpresa? O fato lamentável é a população não ter ainda acordado e percebido que vem sendo usada pelos parasitas, chantagistas que estão sempre em busca de cargos, dinheiro, benefícios e prestando péssimos serviços. Infelizmente, alguns jornais sobrevivem das munições dadas pelo governo e ajudam a destruir e desviar o foco para boas notícias. Coisas de países pobres, mesmo. Ultimamente, o jornalismo deixou de ser informativo e imparcial. Depois criticam as redes sociais.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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POLÍTICA OU CHANTAGEM?


Embates políticos entre o Executivo e o Legislativo fazem parte de qualquer democracia do mundo. Entretanto, é tênue o limite entre a política saudável e a chantagem. Se por um lado tem razão o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno Ribeiro, ao chamar o Congresso Nacional de chantagista por causa do orçamento impositivo, há poucos dias o governo fez o mesmo ao travar a abertura de novos concursos públicos até a aprovação da reforma administrativa, só para mencionar dois exemplos. Chantagem ou política, o que não pode acontecer é o País retroceder, o que só interessa à oposição da esquerda, que, por sua vez, reclama de qualquer coisa que venha tanto do Executivo quanto do Legislativo.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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O GENERAL E AS PIRANHAS


No Brasil, Legislativo não é Poder, é negócio, negociata. Neste contexto deve ser ouvido o desabafo do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira. Tão somente neste. Não no do palavrão. Linguagem chula é intolerável em autoridades, a começar pelo presidente da República. Não é de hoje que o Congresso chantageia presidentes. De Sarney a Temer. Em julho de 2017, Temer liberou em emendas parlamentares R$ 15 bilhões para escapar do primeiro processo. Quem orquestrou a salvação de Temer? O inflável odebrechtiano Rodrigo Maia, “Botafogo” nas planilhas da corrupção. Calculam-se R$ 32,1 bilhões irrigados no Parlamento nos dois processos para salvar o presidente sob suspeita ampla, indignada, generalizada. A história das emendas parlamentares exala rapinagem explícita sob o rótulo de recursos levados por senadores e deputados às chamadas bases, desmentidos pela miséria fotográfica de, por exemplo, Nordeste e Norte, desassistidos no essencial e no acessório à vida digna, balela esculpida na Constituição federal. A pressão parlamentar sobre Bolsonaro denuncia a forra contra o fim do loteamento partidário de Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa, Eletrobrás, Nuclebrás e quejandos. Bolsonaro avisou em campanha que a gatunagem seria brecada. 57 milhões de brasileiros endossaram a parada nas urnas. O Congresso desenvolveu a síndrome da piranha insaciável com os bilionários fundos partidário, eleitoral e, como se pouco, tangido por hienas, disposto a imobilizar o Executivo com as vampirescas emendas parlamentares. O general Heleno, ex-comandante militar da Amazônia, sabe o que são piranhas.


José Maria Leal Paes tunantamina@gmail.com

Belém


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CONVOCAÇÃO DO GENERAL


O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, estuda a possibilidade de convocar o general Augusto Heleno, chefe do GSI, para depor sobre a sua fala gravada em ato público recentemente, em cujo ato asseverou que não devia o governo se submeter à chantagem de parlamentares, obviamente, sobre o orçamento impositivo. A quase maioria absoluta do País ficou e fica ao lado do general, porque falou a verdade. De outro lado, não deveria comparecer ao Senado da República, a não ser que os parlamentares declarassem publicamente que não mais desejam quinhões ou partes do orçamento como forma de emendas para distribuição em suas regiões eleitoreiras. Aí, sim, ficam com moral.


José C. de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro


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CHANTAGEM


Diante da estatura moral do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, da sua folha de serviços prestados ao País, exibindo um status de quase herói nacional, não resta dúvida de que a sua recente manifestação insinuando que parte do Congresso chantageia o governo, ao deixar de priorizar medidas que realmente atendam ao interesse nacional para focar em questões imediatas beneficiadoras de projetos particulares e corporativos, lança uma sombra de desconfiança nos bons propósitos alardeados pelos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. Os parlamentares realmente com boas intenções e os referidos líderes que presidem as Casas, em vez de saírem em protesto gratuito, talvez confissão subliminar de culpa, deveriam se mobilizar no sentido de promover um choque de coerência, a fim de provar que as conjecturas do general podem se originar de pura falta de informação correta.


Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro


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DESCONTROLE


Imaginem-se no lugar do Bolsonaro tendo de enfrentar um Congresso nem um pouco engajado com o socorro do País, que está nas condições em que Bolsonaro o encontrou, também por causa dos seus vícios. O mesmo se diga do Judiciário/STF, dos governos de Estados, dos servidores nos três níveis de administração. Você ficaria tranquilo? Enfrentar a desfaçatez coletiva, como diz a imprensa, “negociando”, “fazendo política”? Estamos todos contaminados pelos maus costumes aturados – ou desinformados – durante certamente duas décadas, ou mais. É impossível enfrentar este estado de coisas com “discrição”. Não é declaração desastrosa acusar de “parasitas” os servidores. Os números das rendas o comprovam. A resistência a reformas também. Os governadores resistem a reduzir os gastos de custeio para atenderem os respectivos orçamentos e permitirem a redução dos preços dos combustíveis, que reduziriam os preços nos mercados. O que seria se não tivéssemos agora militares – discretos – nos ministérios? Os escândalos dos governos anteriores teriam continuado a emergir?


Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo


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NAVIO RUSSO SUSPEITO


Poucos dias após o presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, acusar o Brasil de promover uma guerra contra seu país, um navio russo – parceiros históricos da Venezuela – conhecido por hackear cabos submarinos, foi detectado em águas brasileiras, sumindo logo em seguida por seis dias. Ainda tiveram a ousadia de ficar a apenas 50 milhas marítimas da nossa costa, sendo que nosso território vai até 200 milhas. Esperamos que esse navio seja intensivamente vasculhado, a tripulação questionada e se provada pela Marinha brasileira “espionagem”, deveria ser preso e acusado de burlar nossa “soberania nacional”, já que esse tipo de navio russo já foi punido por espionagem em outros países do globo terrestre. Só o fato de estarem tão próximos da costa sem notificar as autoridades brasileiras já seria motivo de punição sumária.


Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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ESPIONAGEM RUSSA


Um navio russo acaba de ser detectado em águas brasileiras, e não se sabe ao certo o interesse dos soviéticos, principalmente em águas onde não há qualquer indício militar que vá causar curiosidade numa das nações mais poderosas do mundo. O grande interesse dos russos está na possibilidade de comunizar os apropriados, num momento político turbulento, com uma economia claudicante, cenários propícios para uma infiltração. Esse navio russo e sua tripulação devem estar mais interessados no nosso carnaval, que, comparando com as balalaicas, não passam de um ritual tribal, próprio do paleolítico, mas que em nosso país funciona como uma válvula de escape de um Estado que aparece nas estatísticas como 8.ª economia do mundo, mas carrega uma classificação de Terceiro Mundo.


Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)


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CARNAVAL FAKE


As marchinhas de carnaval com letras racistas, LGBT, machistas e demais conotações polêmicas serão objeto de censura? A arte e a cultura explícitas nas letras das marchinhas não podem ser mais cantadas pelo povo? E as fantasias, que têm o mesmo viés, serão agredidas nas ruas? O carnaval está ficando sem graça e triste. Até a alegria é fake? A bagunça, o mal e o crime podem estar habitando a folia de Momo e creio que é o sinal para acabar com a dicotomia política no País e deixar a liberdade cultural se expressar sem ideologia.


Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

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