Governo ‘reestuda’ leilões de energia

O adiamento, pela terceira vez, do leilão de novas geradoras de energia elétrica a serem construídas no prazo de cinco anos (leilão A-5) e a decisão de alterar as ofertas de linhas de transmissão são demonstrações explícitas da incapacidade do governo de levar adiante qualquer projeto mais ambicioso na área de infraestrutura, o que causa graves prejuízos ao País, que precisa ampliar e renovar a matriz energética brasileira.

O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2015 | 03h00

O motivo alegado pelo Ministério de Minas e Energia para o adiamento é o ambiente de insegurança que se instalou entre os investidores como consequência da crise política e da indefinição da política econômica – e se isso não bastasse, ainda houve novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil por agência de classificação de risco, o que afugenta o capital externo. O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, acenou com a possibilidade de ajustes para assegurar que os leilões venham a ser bem-sucedidos, mas não especificou quais as alterações que estão “em estudo”.

É claro que o governo quer evitar a repetição do fracasso que foi o leilão de linhas de transmissão realizado em agosto, quando apenas quatro dos 11 lotes ofertados foram arrematados, e só houve mais de uma proposta em um único caso. O ministério promete realizar o leilão do que sobrou em fevereiro, com ofertas “fragmentadas”, mas no mercado há ceticismo quanto ao cumprimento da data.

O problema é que se trata de uma necessidade urgente, pois sem novas linhas de transmissão não se poderá levar energia das usinas em construção a milhões de consumidores, proporcionando remuneração às geradoras e receitas para o governo com as concessões.

Quanto ao leilão A-5, que prevê a geração de 47,6 mil megawatts por usinas eólicas, térmicas a gás natural, hidrelétricas e projetos de biogás, biomassa e carvão, inicialmente a data marcada era janeiro, mas agora o certame foi adiado para 31 de março – se até lá, é claro, o clima político-econômico o permitir.

Em 2015 houve queda sensível no consumo de energia elétrica em face da retração da economia. Se o País estivesse em crescimento, haveria falta de energia e talvez apagões, dado o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas.

Os novos projetos, além de inovadores do ponto de vista ambiental, garantiriam o abastecimento mesmo com a retomada do crescimento – que deixou de ser uma expectativa realista para o futuro próximo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.