Governo revê para cima a produção do campo

Estimativa do governo cresceu R$ 10 bilhões entre abril e maio e atingiu R$ 552 bilhões, valor próximo ao recorde histórico na história do País

O Estado de S.Paulo

28 Junho 2018 | 04h00

Entre abril e maio, o valor bruto da produção agropecuária (VPB) de 2018 estimado pelo governo aumentou R$ 10 bilhões, atingiu R$ 552 bilhões e está cada vez mais próximo do de 2017, que marcou um recorde absoluto na história brasileira. As previsões do VBP para este ano só foram possíveis devido ao comportamento das lavouras, pois a pecuária apresentou resultados piores.

A produção das lavouras foi estimada em R$ 377 bilhões para 2018 e é inferior em apenas 0,5% à de 2017, quando alcançou R$ 378,8 bilhões. O destaque é a soja, cujo VPB deverá aumentar de R$ 123,2 bilhões em 2017 para R$ 134,1 bilhões em 2018 (+8,9%). 

Porcentualmente, evolução ainda maior que a da soja deverá ser verificada nas culturas de algodão (+32,3%), cacau (+27,6%) e café (+9,1%). Mas o peso desses produtos nas lavouras é muito inferior ao da soja. O VPB do café, por exemplo, é de cerca de R$ 24 bilhões e deverá ser inferior, pelo segundo ano consecutivo, ao do algodão (R$ 29,9 bilhões). As maiores quedas do valor da produção estão previstas para arroz, feijão, laranja e uva.

A Região Centro-Oeste é a que mais contribui para as lavouras, com expansão estimada do VPB de 12% entre 2017 e 2018, o que compensa as quedas no Sudeste e no Sul. O Nordeste também registra alta na produção das lavouras, o que é importante numa área de menor renda por habitante.

Já o comportamento da pecuária deixa a desejar. O VPB estimado para a pecuária neste ano é de R$ 175 bilhões, inferior em 6% ao do ano passado. Na comparação entre 2017 e 2018, diminuíram as projeções não só para bovinos (-0,2%) e leite (-6,1%), como para ovos (-9,6%), frango (-11,3%) e suínos (-13%). Os valores estimados justificam a percepção de que, entre as carnes, a suína ficou mais acessível aos consumidores.

A principal explicação para o pequeno recuo de 2,3% do valor da produção agropecuária estimado para 2018 é a queda de preços, segundo o coordenador-geral de Estudos e Análises do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Garcia Gasques. 

Mantendo uma oferta adequada da maioria de produtos, a agropecuária contribuiu para atenuar a crise econômica e aumentar o poder de compra dos trabalhadores. Isso é particularmente importante numa conjuntura em que o desemprego ainda é muito elevado.

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