Grandes obras, má sinalização

O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Marcelo Cardinale Branco, assumiu o compromisso de instalar sinalização limitadora de velocidade na Marginal do Tietê até o fim deste mês, depois que a Promotoria de Habitação e Urbanismo do Ministério Público estadual abriu inquérito para investigar a falta de sinalização nas ruas da capital. Por contrato, segundo Cardinale Branco, a responsável pelas placas e pintura de solo é a Dersa, empresa executora da obra. Mas essa empresa já descumpriu as promessas de concluir a sinalização até fins de abril, e a iluminação, até este mês.

, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2010 | 00h00

As falhas na execução dos projetos de melhoria e de ampliação da malha viária da capital e região metropolitana têm sido recorrentes. Obras como o Trecho Sul do Rodoanel e a reforma e ampliação da Marginal do Tietê, que surpreendem pelas avançadas técnicas de construção e exigem altos investimentos, são comprometidas pela falta de sinalização. Embora isso possa ser visto apenas como um detalhe, tendo em vista a dimensão das obras, a falha coloca em risco a segurança de seus usuários.

A primeira etapa da construção das três novas faixas, quatro pontes e três viadutos nos dois sentidos da Marginal do Tietê, entregue em fins de março, envolveu investimentos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. A segunda fase deverá ser concluída até o fim deste ano, com a entrega de ponte sobre o Rio Tamanduateí, ligando a Avenida do Estado às pistas central e local dos sentidos Ayrton Senna e Castelo Branco, além dos complexos viários Cruzeiro do Sul e Tatuapé.

A melhoria do trânsito foi inegável. Um mês depois da abertura das pistas, a fluidez do trânsito na capital aumentou 28%. Mas a inauguração desrespeitou o Código de Trânsito Brasileiro, que proíbe abertura de novas vias sem a devida sinalização. Desde a inauguração das pistas da Marginal do Tietê as críticas à falta de sinalização são constantes. Em alguns pontos, não há faixas de solo e em outros as novas se misturam com as antigas, confundindo os motoristas e causando acidentes. Faltam placas de sinalização de limite de velocidade, o que levou os promotores a recomendar à CET análise criteriosa sobre as multas aplicadas, com possibilidade de anulação.

São comuns casos de motoristas que entram por engano em algumas das pistas e voltam de ré, aumentando os riscos de acidentes. Ou daqueles que tentam cruzar canteiros e retiram cones de isolamento de alguns trechos ainda não concluídos para buscar o caminho desejado. Ou então dos que reduzem bruscamente a velocidade à procura de acessos mal sinalizados.

Situação semelhante é encontrada no Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas, que, inaugurado em março, também entrou em operação sem a instalação completa da sinalização e da iluminação. Motoristas que trafegam pelas Rodovias Imigrantes e Anchieta, vindos do litoral, encontram ainda dificuldades para identificar a entrada para o novo trecho do anel rodoviário. As poucas placas instaladas na lateral das pistas muitas vezes não são vistas pelos motoristas de automóveis que trafegam atrás ou à esquerda dos comboios de caminhões que rodam na direita, o que é frequente naquelas vias de alto volume de tráfego.

A Marginal do Tietê encabeça a lista de corredores da cidade com mais acidentes com mortes, seguida pela Marginal do Pinheiros, Avenida Aricanduva, Estrada do M"Boi Mirim e Avenida Jacu-Pêssego. Em 2009, houve 50 acidentes com mortes na Marginal do Tietê, conforme dados da CET e do Instituto Médico Legal (IML), entre eles 18 atropelamentos, 20 colisões entre veículos e 4 choques com postes e muros.

Como é certo que as faixas mal pintadas ou a ausência delas contribuem para o alto índice de acidentes com mortes, é essencial que a Promotoria de Habitação e Urbanismo exija o cumprimento do compromisso assumido pela CET para que a sinalização seja instalada. Mais do que melhoria na fluidez no tráfego, a cidade precisa urgentemente da redução do número de acidentes.

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