Greve afetou a demanda de bens industriais

Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente (CA) de Bens Industriais mostra recuo de 8,3% em relação a abril

O Estado de S.Paulo

27 Julho 2018 | 04h00

A amplitude da paralisação dos transportes em fins de maio foi a principal responsável pela queda da demanda de bens industriais naquele mês. É o que aponta o Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente (CA) de Bens Industriais, mostrando recuo de 8,3% em relação a abril e de 3,7% entre os trimestres março a maio de 2017 e de 2018.

O indicador de consumo aparente é definido como a produção industrial doméstica líquida de exportações e acrescida de importações. O crescimento das importações evitou uma queda do índice semelhante à exibida em levantamento do IBGE, que registrou recuo de 10,9% na produção industrial entre abril e maio de 2018.

Na comparação entre maio de 2017 e maio de 2018, houve queda de 6,4% no consumo aparente de bens industriais, mas, na comparação em 12 meses, o porcentual apurado pelo Ipea ainda é positivo em 3,9%.

A pesquisa do Ipea mostra a queda generalizada da demanda, ainda mais intensa nos segmentos de bens de capital e de bens de consumo durável, que caíram, respectivamente, 14,6% e 22,6% entre abril e maio, na comparação com ajuste sazonal.

Poucos setores escaparam, em maio, da diminuição do consumo aparente, como a indústria extrativa, produtos de fumo e coque, produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis. As comparações em 12 meses ainda mostram que a maioria dos setores está no campo positivo, mas em ritmo bem menor do que o de abril.

Os dados recentes do Ipea confirmam outras pesquisas do mesmo instituto evidenciando as dificuldades de recuperação do setor industrial. É o caso do indicador de investimentos, que apresentou um recuo de 11,3% entre abril e maio, na série com ajuste sazonal. O recuo mais intenso foi registrado no item máquinas e equipamentos, em queda de 14,6% no mês. O indicador de investimentos na construção civil cedeu 11,5% no período.

As dificuldades da indústria e a diminuição dos investimentos foram tão intensas que os efeitos negativos não deverão se limitar ao bimestre maio/junho, segundo empresários e analistas econômicos. Um dos aspectos mais graves é o da repercussão dos problemas sobre o mercado de trabalho.

Os efeitos da greve do transporte recaem, assim, não só sobre indicadores da atividade econômica, mas sobre os trabalhadores menos qualificados, que não têm como se defender.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.