Greve afetou o varejo menos do que a indústria

Em maio, varejo restrito caiu 0,6% em relação a abril e o varejo ampliado cedeu 4,9% no período

O Estado de S.Paulo

14 Julho 2018 | 04h00

Não houve alívio nos números de maio do comércio, pois o varejo restrito caiu 0,6% em relação a abril e o varejo ampliado – que inclui as vendas de veículos, motos e material de construção – cedeu 4,9% no período. Mas a queda foi bem menor do que a da indústria, mostrando que o impacto da greve dos transportes atingiu de forma diferente os diversos setores da economia.

No varejo restrito, por exemplo, embora tenha havido queda das vendas em seis das oito atividades analisadas, o segmento de hiper e supermercados registrou aumento de 0,6%. Em parte, a alta se relaciona com o avanço dos preços de itens alimentares, devido à escassez de bens decorrente da greve. 

As famílias optaram pelo consumo de itens básicos, em detrimento de itens não essenciais. As vendas de combustíveis, tecidos e calçados, móveis e eletrodomésticos, equipamentos e material para escritório e informática, além de livros, jornais e revistas, apresentaram recuos entre 2,7% e 6,7% em apenas um mês. Um item essencial que também exibiu queda foi o de artigos farmacêuticos, cujos preços vêm subindo muito.

Os resultados piores do varejo ampliado foram influenciados pelas vendas de veículos, em queda de 14,6% na comparação com abril.

Maio foi o primeiro mês de 2018 com resultados negativos no varejo, mas, na comparação com maio de 2017, os indicadores ainda são razoavelmente positivos. As vendas do varejo restrito avançaram 2,7%, lideradas por hiper e supermercados, outros objetos de uso pessoal e domésticos e artigos farmacêuticos. E as vendas do varejo ampliado cresceram 2,1%.

Indicadores de junho já sugerem alguma recuperação do varejo. Segundo o boletim Macro Brasil, do Itaú, alguns indicadores antecedentes, caso de licenciamentos e vendas de veículos, sondagens do comércio e do consumidor, consultas ao SCPC e índice do varejo da consultoria Serasa Experian, já permitem antever uma elevação de 1,1% no varejo ampliado de junho, embora no varejo restrito a previsão seja de uma queda de 0,8%.

A recuperação poderá se acelerar com a diminuição do número de famílias endividadas, como apurou a FecomercioSP no Município de São Paulo.

Para que as tendências de recuperação sejam nacionais e não apenas locais serão necessários confiança, emprego e juros menores no consumo.

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