Hora do ajuste para os fundos

Em maio, segundo pesquisa encomendada pelo Estado, 127 fundos, de um total de 458 fundos tipo DI, cuja remuneração é atrelada à Selic, renderam menos do que o 0,55% da caderneta de poupança. Isso se explica pelas altas taxas de administração cobradas pelos bancos e não porque as cadernetas tenham se transformado em aplicação extraordinariamente rentável.O levantamento foi feito pela Advisor Asset Management, com dados do sistema de análise de fundos Quantum Axis: entre janeiro e março, 12% a 15% dos fundos avaliados renderam menos que a caderneta; em abril e maio, o porcentual foi de 16% e de 28%, respectivamente.Entre janeiro e maio, a taxa básica de juros caiu de 12,75% para 10,25% ao ano. Sem redução de taxas de administração, é inevitável que cresça o número de fundos que rendem menos que a poupança, pois a Selic caiu, dia 17/6, para 9,25% ao ano.A pesquisa considerou fundos sujeitos ao Imposto de Renda (IR) de 22,5% - alíquota válida para aplicações de até 180 dias, que cai para 15% nas aplicações de mais de 18 meses. Ou seja, parte dos cotistas dos fundos analisados tem renda acima da poupança.A competição entre a caderneta e os fundos poderá ser proveitosa, se resultar na queda das taxas de administração. Em maio, ainda havia fundos de porte com taxas de até 5% ao ano, embora, na média, esses níveis sejam menores.Com IR de 15%, a Selic de 9,25% ao ano corresponde a uma renda líquida de 7,86% ao ano. Para que os fundos compitam com a caderneta, têm de cobrar taxa de administração de cerca de 1%. Isso não trará prejuízo para os bancos. Alguns já reavaliam a política para os fundos.Não era o que os bancos queriam. Com o apoio do Banco Central, insistiam na redução da renda da caderneta, o que permitiria manter as taxas de gestão das carteiras. Não há argumentos que os justifiquem.Para os aplicadores, melhor será que as taxas ganhem visibilidade e tendam a cair, num ambiente competitivo.Até maio, não houve concorrência entre os fundos e a caderneta - que teve mais retiradas do que depósitos. A situação mudou levemente na primeira semana deste mês, quando os depósitos líquidos nas cadernetas atingiram R$ 3 bilhões - pouco mais de 1% dos saldos da aplicação e 0,3% do patrimônio dos fundos. Se a competição com a caderneta empurrar para baixo as taxas de administração dos fundos, isso será muito saudável para os pequenos aplicadores.

, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

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