Inadimplência e spread bancário

As carteiras de crédito dos três principais bancos privados diminuíram 1,7% no primeiro semestre. Em compensação, no mesmo período, o crédito distribuído pelo Banco do Brasil (BB) cresceu 7,6%.Os bancos privados dizem que o aumento da inadimplência os obrigou a pisar no freio na concessão de crédito. É possível que o BB, sob pressão do governo - que demitiu o ex-presidente por não ter aumentado suficientemente seus empréstimos -, tenha aceitado correr mais riscos, ampliando seu crédito.Sem dúvida, a inadimplência aumentou. Pelos dados do Banco Central, cresceu de 1,8% em dezembro último para 3,4%, para as pessoas jurídicas, e de 8% para 8,6% para as físicas.Isso era previsível em vista da taxa de juros no primeiro semestre; é provável que aumente ainda mais no segundo, apesar da diminuta redução dos juros. No caso das pessoas jurídicas, há que levar em conta que, até agora, a produção na indústria ficou muito abaixo da do ano anterior, sendo que para as empresas que conseguiram empréstimos do BNDES a perspectiva é mais confortável.A situação é diferente no caso das famílias. As compras no comércio mostram uma demanda ainda forte, o que acarreta crescimento do endividamento por meio de cartões de crédito. No segundo semestre, os reajustes salariais, o aumento do Bolsa-Família e dos prêmios do INSS deverão sustentar a demanda, especialmente se se verificar um ligeiro recuo do desemprego. Existe, todavia, um novo fator de endividamento: a expansão do crédito imobiliário, que é de prazo longo.Os mutuários respeitam seu compromisso no setor de habitação com medo de perder o imóvel, em função da alienação fiduciária. É a última coisa que as famílias deixam de pagar. Isso se pode traduzir em aumento da inadimplência nas outras operações de crédito, especialmente quando existe a possibilidade de renegociação da sua dívida.A Serasa acaba de divulgar que a inadimplência dos consumidores teve crescimento de 9,9% nos sete primeiros meses do ano.Os bancos, que constatam uma redução das suas receitas com títulos públicos (dada a redução da taxa Selic), e que tiveram de reduzir suas taxas de administração dos fundos para enfrentar a concorrência da caderneta de poupança, têm agora um bom pretexto para aumentar o spread - o crescimento da inadimplência, que exige maior provisão...

, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

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