Inadimplência entre empresas ainda cresce

Empresas registradas nos cadastros de devedores em setembro foi 9,39% superior ao do mesmo mês do ano passado

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08 Novembro 2018 | 04h00

A inadimplência das empresas de todos os setores não dá sinais de recuo. O total das empresas registradas nos cadastros de devedores em setembro foi 9,39% superior ao do mesmo mês do ano passado, segundo o Indicador de Inadimplência da Pessoa Jurídica, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Apesar do fim da recessão e de uma certa aceleração do ritmo de atividade, a inadimplência permaneceu em alta em setembro, tendo se elevado 0,56% em relação a agosto.

Por motivos explicáveis pela concentração da economia, a alta do número de empresas devedoras foi muito maior no Sudeste (17,16%), vindo em seguida as Regiões Sul (4,60%), Centro-Oeste (4,38%), Nordeste (2,78%) e Norte (1,83%), sempre na comparação dos dados de setembro com o mesmo mês de 2017.

Na análise do levantamento, nota-se uma diferença da taxa de crescimento do número de devedores pessoas jurídicas e o volume de suas dívidas, devendo-se notar que cada empresa cadastrada tem, em média, duas dívidas a liquidar. O volume de dívidas também continuou em marcha batida em setembro, com alta de 7,25% em confronto com o mesmo mês de 2017.

São dados muito além da expectativa do início do ano. “O desemprego ainda segue bastante elevado, o que limita o consumo e, em consequência, o faturamento das empresas e sua própria capacidade de solvência”, comentou José Cesar da Costa, presidente da CNDL.

A maior parte dos devedores atua no comércio (46%), acompanhado de perto pelo setor de serviços (40%) e pela indústria (9%). Do lado dos credores, as instituições financeiras, inseridas no setor de serviços, respondem por 70% dos débitos em atraso. O restante fica por conta de dívidas com o comércio (17%) e a indústria (12%).

O aspecto positivo do levantamento da CNDL-SPC Brasil é o crescimento acumulado de 3% nos 12 meses findos em setembro do número de empresas que conseguiram recuperar o crédito. Também sob esse ângulo a Região Sudeste se destaca, com crescimento de 13,8% no período considerado do total de empresas que quitaram dívidas. Em contraste, todas as demais regiões apresentaram quedas: Nordeste (-7,9%), Norte (-5,7%), Sul (-5,7) e Centro-Oeste (-0,3%).

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